História O Erro - Capítulo 19


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Categorias Sou Luna
Personagens Ana, Gaston, Luna Valente, Matteo, Matteo Balsano, Nina, Ramiro, Ricardo, Simón, Yam
Visualizações 38
Palavras 1.839
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 19 - Preciso fazer uma ligação


Fanfic / Fanfiction O Erro - Capítulo 19 - Preciso fazer uma ligação

GASTÓN

Sempre me recusei a usar álcool como muleta. Se estou triste, chateado ou magoado, evito a todo custo, porque tenho pavor de precisar demais disso um dia. De ficar viciado.

Mas, cacete, preciso muito de uma bebida agora.

Lutando contra a vontade, ignoro o armário de bebidas na sala de estar e me apresso na direção da porta de correr da cozinha. Cigarro. Um hábito igualmente destrutivo, mas é o menor dos males, no momento. Vou só inundar minhas veias com nicotina — talvez alivie a enorme bola de culpa que se instalou na boca do meu estômago.

“Tá tudo bem? ”

Jogador de hóquei gigante que sou, dou um pulo de um metro no ar ao som da voz de Luna.

Viro e vejo que está de pé diante da pia, com um copo vazio na mão. Estava tão atordoado que devo ter passado direto por ela em minha corrida até ali.

Luna é a última pessoa que quero ver agora.

E está vestindo a camisa do Matteo de novo. Agora está só esfregando isso na minha cara.

“Aham, tudo ótimo”, murmuro, me afastando da porta. Mudança de planos. Overdose de nicotina — não mais necessária. Me esconder no quarto — prioridade.

“Gastón. ” Ela se aproxima com passos cautelosos. “O que tá acontecendo? ”

“Nada. ”

“Mentira. Você parece chateado. Tá tudo bem? ”

Ela toca meu braço, e sinto um arrepio. “Não quero falar disso, Valensy. Não mesmo. ”

Seus olhos verdes vasculham meu rosto. Por tanto tempo que me ajeito, desconfortável, e rompo o contato visual. Tento dar um passo, mas Luna me impede de novo, bloqueando meu caminho e soltando um gemido de frustração.

“Sabe de uma coisa? ”, começa ela. “Não aguento mais. ”

Pisco, surpreso. “Do que você está falando? ”

Em vez de responder, ela agarra meu braço com tanta força que é um milagre que não se desloque. Então me arrasta para a mesa da cozinha e me empurra com força na direção de uma cadeira. Nossa. É assustadoramente forte para alguém tão pequena.

“Luna…”, começo, inquieto.

“Não. Cansei de ficar pisando em ovos. ” Ela puxa uma cadeira e senta ao meu lado. “Matteo fica me dizendo que você vai superar, mas só está piorando, e odeio esse constrangimento. Você costumava sair com a gente, ir ao Malone’s, assistir a filmes, mas agora sumiu, e sinto sua falta, tá legal? ” Ela está tão chateada que seus ombros tremem visivelmente. “Então, vamos resolver tudo, certo? Vamos lidar com isso como dois adultos. ” Ela respira fundo, depois me olha nos olhos e pergunta: “Você sente alguma coisa por mim? ”.

Ah, merda.

Por que, por que não fui direto para o quarto?

Cerrando os dentes, passo as mãos pela cabeça. “Bom, isso foi divertido, mas acho que vou lá em cima me matar agora. ”

“Senta aí”, ela ordena, com firmeza.

Minha bunda paira sobre a cadeira, mas a aspereza do seu tom lembra muito a voz do treinador Reynauld quando está encerrando o treino, e meu medo da autoridade vence. Afundo de novo na cadeira e exalo uma expiração cansada.

“Pra que falar disso, Valensy? Nós dois sabemos a resposta. ”

“Talvez, mas quero ouvir de você. ”

A irritação comprime minha garganta. “Tá legal, você quer ouvir? Se eu sinto alguma coisa por você? É, acho que sim. ”

Sua expressão é tomada pelo espanto, como se ela realmente não esperasse que eu fosse responder.

O que se segue? O silêncio mais longo do mundo. Do tipo “arrume uma corda, amarre em volta do pescoço e se mate”. Quanto mais quieta ela permanece, mais patético me sinto.

Quando enfim diz alguma coisa, Luna me tira dos eixos: “Por quê? ”.

Franzo a testa. “Por que o quê? ”

“Por que você gosta de mim? ”

Se ela pensou que estava se explicando, está absolutamente enganada. Continuo perplexo. Que tipo de pergunta é essa?

Luna balança a cabeça como se também estivesse tentando entender. “Eu vejo as meninas que você traz para casa ou com quem fala no bar. Você tem um tipo. Alta, magra, em geral loira. E elas tão sempre correndo atrás de você e te enchendo de elogios. ” Ela ri, com desdém. “Tudo o que eu faço é insultar você. ”

Não posso deixar de sorrir. Seu sarcasmo beira o abuso a maior parte do tempo.

“E você tende a ficar em volta das mulheres que não querem nada sério. Você sabe, que só querem se divertir. Não sou esse tipo de garota. Gosto de namorar. ” Ela franze os lábios, pensativa. “Nunca tive a sensação de que você estivesse interessado nisso. ”

A acusação me deixa na defensiva. “Por quê? Porque sou mulherengo? ” Indignado, soo mais ríspido do que pretendia. “Já pensou que talvez seja porque ainda não encontrei a garota certa? Não, eu realmente não poderia querer alguém com quem ver um filme abraçadinho, alguém que usasse minha camisa do time, que torcesse por mim nos jogos, que fizesse o jantar comigo do jeito que você e Matteo… ”

Sua gargalhada me faz parar no meio da frase.

Estreito os olhos para ela. “Do que você está rindo? ”

O riso dela morre e seu tom fica sério. “Gastón… durante todo esse discurso, em nenhum momento você disse que queria fazer essas coisas comigo. Você disse alguém. ” Ela sorri. “Acabei de entender. ”

Ótimo, bom para ela, porque não tenho a menor ideia do que está falando.

“Passei esse tempo todo achando que você estava me olhando todo apaixonado. Mas na verdade você estava olhando para a gente. ” Luna ri de novo. “Todas essas coisas que você acabou de listar são coisas que Matteo e eu fazemos juntos. Você não está a fim de mim. Está a fim de mim e do Matteo. ”

Levo um susto. “Se você está insinuando que quero sacanagem com você e meu melhor amigo, posso garantir que não. ”

“Não, você só quer o que a gente tem. Quer a conexão, a proximidade e toda a coisa melosa que vem com um relacionamento. ”

Minha boca se fecha.

Será que ela tem razão?

À medida que absorvo suas palavras, meu cérebro confuso repassa depressa todas as fantasias que tive com Luna nos últimos meses… Bem, para ser sincero, a maioria delas não foi sexual. Quer dizer, algumas foram, porque ela é gostosa. E passa muito tempo aqui, o que me dá bastante material para punheta. Mas, tirando algumas fantasias sem roupa, costumo imaginar cenários bem família. Como quando a vejo aconchegada com Matteo no sofá e desejo estar no lugar dele.

Mas… será que estou desejando estar no lugar dele com ela ou simplesmente no lugar dele em geral?

“Olha, gosto de você, Gastón. De verdade. Você é engraçado e gentil, e muito sarcástico, que é algo que me atrai num homem. Mas você…”, ela parece desconfortável, “… não faz meu coração palpitar. Acho que é a melhor maneira de dizer. Não, não é isso. ” Sua voz fica meio distante. “Quando estou com Matteo, meu mundo inteiro se ilumina. Me sinto tão viva que parece que meu coração vai transbordar, e sei que isso vai soar como exagero ou algum tipo de obsessão, mas às vezes acho que preciso dele mais do que de comida ou oxigênio. ” Luna fita meus olhos. “Você precisa de mim mais do que oxigênio, Gastón? ”

Engulo em seco.

“Sou a última pessoa em quem você pensa quando vai para a cama e a primeira em quem pensa quando acorda? ”

Não respondo.

“Sou? ”, ela insiste.

“Não. ” Minha voz sai rouca. “Não é.”

Puta merda.

Acho que ela tem razão. Todo esse tempo fiquei me sentindo culpado por desejar a namorada do meu melhor amigo, mas acho que o que eu queria mesmo era o relacionamento do meu melhor amigo. Alguém com quem passar o tempo. Alguém que me desafie e me faça rir. Alguém que me faça… feliz.

Tipo a Nina?

O pensamento zombeteiro corta minha mente feito um sabre de luz.

Droga. Pois é, alguém como Nina. Alguém exatamente como Nina, com suas histórias sobre Ted Bundy, sua presença tranquilizante e sua ironia.

Terminei com Nina porque a coisa não podia ficar séria, mas agora concluo que era exatamente isso que eu queria.

“Merda… Estraguei tudo. ” Esfrego os olhos, gemendo baixinho.

“Claro que não, Logan. Tá tudo bem. Juro. ”

“Não, não entre a gente. Terminei com uma menina muito legal hoje porque tava me sentindo confuso. ”

“Ah, merda. ” Luna me olha com simpatia. “Por que não liga para ela e diz que mudou de ideia? ”

“Ela me colocou pra correr. ” Gemo de novo. “De jeito nenhum vai atender se eu ligar. ”

Somos interrompidos pela voz de Matteo vinda da sala. “Fala sério, Valensy, quanto tempo demora para pegar um copo de água? Preciso ensinar como funciona a torneira? Isso seria muito triste…” Ele para de falar no instante em que me vê. “Ah, oi, cara. Não sabia que tava em casa. ”

Levanto depressa da cadeira, mas o gesto não ajuda em nada a aliviar o ar de suspeita nos olhos de Matteo. O que desencadeia uma nova onda de culpa em mim. Ele acha que aconteceu alguma coisa entre a gente? Será que acredita que eu seria capaz de dar em cima da namorada dele?

Só o fato de eu estar pensando nisso me diz que nossa amizade está num estado ainda mais precário do que eu imaginava.

Engolindo em seco, me arrasto até ele. “Escuta… Desculpa, tenho sido um babaca ultimamente. Tava distraído. ”

“Distraído”, ele repete, cético.

Faço que sim com a cabeça.

Matteo continua me olhando.

“Já coloquei a cabeça de volta no lugar. Juro. ”

Matteo olha por cima do meu ombro e, embora eu não possa ver o rosto de Luna, o que quer que se passa entre os dois faz com que seus ombros largos relaxem. Em seguida, ele sorri e me dá um tapa no braço. “Ainda bem. Tava pensando seriamente em promover Simón a meu melhor amigo. ”

“Tá brincando? Que cilada, Matt O cara é um péssimo parceiro. Com aquela barba? ”

“Isso é verdade. ”

E, simples assim, estamos bem de novo. Sério, as mulheres têm muito o que aprender com os homens quando se trata de fazer as pazes. A gente sabe o que faz.

“Preciso fazer uma ligação”, digo a ele. “Boa noite, gente. ”

Corro para fora da cozinha em direção à escada, já pegando o telefone. Mensagem não é uma opção. Quero que ela ouça minha voz. Quero que ouça minha agonia com tudo o que aconteceu hoje.

Para minha frustração, o telefone toca e toca e toca até cair na caixa postal.

Na segunda vez que ligo, ouço direto a mensagem eletrônica, o que me diz que ela rejeitou a ligação.

Merda.

Com uma sensação esmagadora de derrota, escrevo uma mensagem perguntando se podemos conversar.

Então subo e fico esperando.



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