História O Erro - Capítulo 32


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Categorias Sou Luna
Personagens Ana, Gaston, Luna Valente, Matteo, Matteo Balsano, Nina, Ramiro, Ricardo, Simón, Yam
Visualizações 42
Palavras 1.413
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 32 - Qualquer coisa, linda. O que você quiser


Fanfic / Fanfiction O Erro - Capítulo 32 - Qualquer coisa, linda. O que você quiser

NINA

A primeira coisa que faço ao sair da rádio na segunda-feira à noite é mandar uma mensagem rápida para um tal de John Gastón Perida.

Eu: Tá em casa?

Ele: Tô.

Eu: Passa o endereço. Tô chegando.

Gastón leva quase um minuto inteiro para responder.

Ele: E se eu não quiser receber visitas?

Eu: Sério? Depois de tanto “flertar” vai mesmo dizer não?

A mensagem seguinte aparece no mesmo instante. Com o endereço.

Rá. Foi o que eu pensei.

Meu próximo passo é chamar um táxi. Em geral, não me importo de caminhar os trinta minutos até Hastings, mas tenho medo de que minha raiva possa alcançar um nível incontrolável se a deixar fervilhar por esse tempo todo. Isso mesmo, estou com raiva. E irritada. E completamente pasma. Sabia que Maxi não tinha ficado feliz com o que aconteceu na festa da Sigma, mas ele não me deu qualquer indicação de que aquilo seria o fim. Na verdade, foi incrivelmente compreensivo quando expliquei minha história com Gastón na volta para casa.

O que torna o que aconteceu cem vezes mais desconcertante.

Me remexo, impaciente, dentro do táxi, nos poucos minutos em que ele leva para percorrer o trajeto. Quando chegamos ao nosso destino, enfio uma nota de dez na mão do motorista e abro a porta traseira antes mesmo de o carro parar. É a primeira vez que vou à casa de Gastón, mas não faço mais que uma avaliação superficial do lugar. Gramado bem cuidado, varanda branca. Bato na porta da frente com o punho fechado.

Ramiro atende, usando nada mais que shorts, o cabelo preto espetado em todas as direções. “Oi”, ele cumprimenta, surpreso.

“Oi. ” Fecho a cara. “Vim falar com Gastón. ”

Ele me convida para entrar e aponta para a escada à nossa esquerda. “Está no quarto. Segunda porta à direita. ”

“Obrigada. ”

A conversa se resume a isso. Ele não pergunta o motivo da minha visita, e eu não dou uma explicação. Apenas marcho até o quarto de Gastón, no andar de cima.

A porta está escancarada, então tenho uma visão clara dele deitado numa cama de casal, os joelhos dobrados, equilibrando um livro aberto. Está com a testa franzida, como se estivesse concentrado na leitura, mas, ao ouvir meus passos, volta o rosto na direção da porta.

“Você chegou rápido. ” Ele joga o livro de lado e fica de pé.

Invado o quarto e fecho a porta atrás de mim, para que ninguém veja a bronca que estou prestes a dar.

“Qual é o seu problema? ”, esbravejo, em vez de dar oi. “Você foi ao alojamento do Maxi declarar suas intenções? ”

Gastón dá um sorriso contido. “Claro. Era a coisa certa a fazer. Não posso sair correndo atrás da garota de outro cara pelas costas dele. ”

“Não sou a garota dele”, retruco. “Saímos uma vez! E agora nunca vou ser a garota dele, porque Maxi não quer mais sair comigo. ”

“Como assim? ” Gastón parece assustado. “Que decepção! Achei que ia dar mais trabalho. ”

“Sério? Você vai fingir que tá surpreso? Ele não quer mais sair comigo porque você falou pra ele que não podia, seu idiota! ”

O espanto permeia seu olhar. “Não falei nada disso. ”

“Falou, sim. ”

“Foi o que ele disse? ”, pergunta Gastón.

“Não exatamente. ”

“Certo. Bem, então o que foi que ele disse exatamente? ”

Cerro os dentes com tanta força que minha mandíbula dói. “Que vai pular fora, porque não quer se envolver numa história tão complicada. Eu disse que não tem nada de complicado nisso, já que não estamos juntos. ” Minha irritação só aumenta. “E aí ele insistiu que eu tenho que te dar uma chance, porque você é…” Desenho aspas no ar para ressaltar exatamente o que Maxi disse: “Um cara legal que merece outra chance”.

Gastón abre um sorriso.

Aponto o indicador pra ele. “Tira esse sorriso da cara. Você colocou essas palavras na boca dele. E que merda é essa de vocês serem da ‘família’? ” A descrença que senti durante a conversa com Maxi volta com toda a fúria, e passo a andar de um lado para o outro pelo quarto, com passos apressados. “O que você falou pra ele, Gastón? Fez uma lavagem cerebral ou algo assim? Como assim vocês são uma família? Vocês nem se conhecem! ”

Ouço Gastón tentando conter o riso e me viro na direção dele, para lhe lançar um olhar furioso.

“É a família que a gente criou no Mob Boss, um jogo em que você é o chefe de uma máfia e tem que lutar contra um bando de outros chefes por território, esquemas ilegais e outras coisas. A gente jogou quando fui lá, e acabei ficando até as quatro da manhã. Sério, foi intenso. ” Ele dá de ombros. “Somos o Comando Gaxi. ”

Estou chocada.

Meu Deus.

Gaxi? Tipo, Gastón mais Maxi? Eles viraram uma Brangelina?

“Como assim?!”, explodo. “Vocês são melhores amigos agora? ”

“Ele é um cara legal. Na verdade, agora que fiquei sabendo que pulou fora, acho o cara muito mais legal ainda. Não pedi nada, mas ele deve ter sacado o que você se recusa a ver.”

“Ah, é? O quê? ”, murmuro.

“Que você e eu somos perfeitos um para o outro. ”

Não tenho palavras para isso. Não consigo transmitir com precisão o que estou sentindo. Horror, talvez? Irritação completa? Não que eu esteja apaixonada por Maxi nem nada parecido, mas se soubesse que beijar Gastón na festa teria levado a… isto, teria usado uma porcaria de uma mordaça.

Solto o ar, tentando me acalmar. “Você me usou”, eu lembro.

Vejo o pesar marcar seu rosto. “Involuntariamente. E tô tentando compensar isso. ”

“Como? Me convidando para sair? Comprando muffins e me beijando em festas? ” Estou tão exausta que mal consigo pensar. “Não sei nem se você gosta de mim, Gastón. Essa coisa toda parece girar inteiramente em torno do seu ego. O único motivo por que me viu de novo depois daquela primeira noite foi porque não conseguia lidar com o fato de que eu não tive um orgasmo. E, na festa, quando descobriu que eu estava com outra pessoa, quis marcar território, ou sei lá o quê. Tudo o que você faz é para si próprio, e não porque sente algo por mim. ”

“Não é verdade. E a noite em que fui até o refeitório? Como aquilo me beneficiou? ” Sua voz é rouca. “Gosto de você, Nina. ”

“Por quê? ”, eu o desafio. “Por que você gosta de mim? ”

“Porque…” Ele leva a mão ao cabelo escuro. “Você é divertida. É inteligente. Doce. Me faz rir. Ah, e só de olhar pra você eu fico louco. ”

Engulo uma risada. “O que mais? ”

O constrangimento cora suas bochechas. “Não sei direito. A gente não se conhece muito bem, mas gosto de tudo que sei de você. E tudo o que não sei eu quero descobrir. ”

Parece sincero, mas uma parte de mim ainda não confia nele. Sou a Nina magoada e humilhada que quase transou com ele, em abril, de novo. A Nina que disse que era virgem e depois o viu pular pra fora da cama, como se ela estivesse coberta de formigas. E que ficou ali — nua —, enquanto ele dizia que não podia dormir com ela, porque estava a fim de outra.

Como se pudesse sentir minhas dúvidas, Gastón se apressa a acrescentar, numa voz suplicante: “Me dá outra chance. Deixa eu provar que não sou um idiota egocêntrico”.

Hesito.

“Por favor. Me diz o que preciso fazer para você sair comigo, e eu faço. Qualquer coisa. ”

Bem. Isso é interessante.

Não sou do tipo que faz joguinhos. Não mesmo. Mas não posso lutar contra essa desconfiança irritante, a voz cínica na minha cabeça me avisando que não tem boas intenções.

No entanto, não consigo dizer não de novo, porque outra parte de mim, aquela que adora passar o tempo com esse cara, quer que eu diga sim.

Talvez eu precise mesmo de uma prova. Talvez ele tenha que me mostrar que está falando sério. Uma ideia martela na minha cabeça. É uma loucura. Um ultraje, até. Mas, pensando bem, se Gastón não for capaz de enfrentar alguns obstáculos simples, então talvez não mereça outra chance.

“Qualquer coisa? ”, pergunto, devagar.

Seus olhos azuis brilham, determinados. “Qualquer coisa, linda. O que você quiser. ”



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