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História O Esboço Mentiroso - Capítulo 2


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Notas do Autor


Fala galera

Estou aqui com uma "nova" história. Ela já tinha sido postada aqui, mas aconteceram algumas coisas, e eu decidi que me afastar de tudo era a solução. Pelo visto, não era, então eu voltei.

Só queria dar alguns avisos para não perder o costume

1. Essa história não tem o intuito de incentivar pessoas a fazer coisas (tipo ir em lugares "proibidos" ou perigosos) só porque determinado personagem fez;
2. Ela retrata o universo ABO, mas não, não há mpreg (como retratam algumas);
3. Nem todo o enredo e as caracteristicas ABO mais comumente lidas estarão aqui (porque eu julguei não combinar com a temática da fic e também porque eu supus que não me daria bem);
4. Sim, há palavrões e, futuramente, algo não indicado a pessoas muito jovens;
5. O caso do Jimin com a arte é um traço do que eu tive há um tempo atrás, então eu não tirei da minha cabeça sem motivos e sei como é;
6. Não é para ser uma história triste, mas com a tematica mais voltada para a comédia e, também, romance e amizade.

Boa leitura

Capítulo 2 - Prólogo


Acreditar e querer nunca haviam sido atos tão difíceis de executar, ainda que houvesse níveis excelsos de perseverança para cada uma das simples tentativas, pois, em contrapartida, havia fatores de enorme peso colaborando em oposição. Somente o traço imperfeito de um lembrança pertinente fazia Park Jimin desejar nunca ter tocado em um lápis com o intuito de desenvolver suas habilidades artísticas, pois, sem dúvidas, era doloroso justificar que amava o que, provavelmente, em breve deixaria. A arte, para ele, era o desenrolar de uma paixão humana pelo próprio mundo. Encantava-se ao simples pensar em tudo o que havia nela com o intuito de descrever a vida, ainda que esta não fosse completamente perfeita. 

Naquela noite, antes que se deixasse repousar sobre a cama, antes que fosse envolvido pela serenidade dos cobertores, Jimin pôs-se a observar o céu, permitindo-se tranquilizar ao que o vento fresco atingia docemente seu rosto, enquanto seus olhos contemplavam os pequenos pontos que cintilavam na imensidão escura. 

Traços de um suspiro deixaram seus lábios quando decidiu que repensar o dia era o que devia fazer; tampouco o queria fazer, entretanto, pois sabia que não seria fácil. 

Jimin, decerto, não vivia mal; não passava maus bocados, era rodeado de pessoas que o amavam e um amigo que lhe enchia o saco até cansar. Ele tinha o que precisava, e admitia isso abertamente para si, mas ainda restava uma pedra no sapato, uma sombra má no encalço. O ômega gostava de observar os desenho das vinhas dentro de um ruína que havia perto da casa. Era, na verdade, uma estação de trem há muito obsoleta, cujas paredes, as que ainda se mantinham em pé por alguma razão, serviam de quadro para grafiteiros locais. 

Foi interessante reviver o momento em que contemplou um elefante feito pelas folhas que estavam tomando conta da tal estação pouco a pouco. Até riu diante de tal fato, pois era curioso saber que vinhas eram também artistas. Entretanto, não eram elas que completavam o leque de negatividade que o ômega tanto temia lembrar, tampouco aquela estação de trem perdida no tempo estava martirizando Jimin com o passar dos dias, pois os efeitos destes eram apenas positivos; havia algo, ainda.

O moreninho, ainda mirando as estrelas de uma noite qualquer de setembro, sentia como se estivesse a um dia de realizar algo importante. Ainda que estivesse aparentemente calmo, com a brisa abraçando levemente sua pele e levando seus cabelos para trás, como se quisesse deixar o caminho livre para que o céu pudesse ser contemplado corretamente, o ômega sentia algumas pinceladas de receio e preocupação, uma perfeita miscelânea de sentimentos presentes ali com o único intuito de inquietar. 

"Coragem, pelo menos, uma vez, Jimin!", pensou o ômega, com os braços sobre parapeito da janela, sustentando sua cabeça. Tal pensamento atuou friamente como uma estaca cravada, uma sentença dura, pois não se tratava apenas de ter coragem e senti-lá com afinco a fim de usá-la, mas de uma desistência de possíveis e severas consequências. 

O moreninho se afastou tristemente da janela, decidido a terminar de uma vez com o serviço doloroso de se desfazer de todos os seus desenhos. Ele amava o desenho com todas as suas forças. Dar adeus era o ápice do suplício. 

— Pois é! — o ômega concordou com a sentença ilusória, os olhos a um mínimo passo de deixarem as lágrimas escorrerem eram a pintura bem feita do sentimento que presidia a casa. 

Jimin pegou os desenhos dentro da pasta vermelha de pouca transparência, ainda olhando com carinho para todos os que fizera. Na realidade, naquele momento, nem mesmo ele estava entendendo o porquê de ter que se desfazer de tudo; naquele momento, Jimin só queria que tudo parasse, e que seu querer sincero fosse mais forte do que quaisquer outros fatos contrários que sua mente soltasse violentamente como fogo. Ele se perguntava sobre o porquê de sempre haver uma desavença dentro de si, de sempre haver uma força contrária aos seus supostos dons artísticos. A resposta nunca era concreta, tampouco inteligível; sempre vazia. 

Havia dias calmos, onde a paz estava intrínseca em cada um dos olhares que o moreninho direcionava aos seus próprios desenhos. Eram os dias em que a sintonia de Jimin com tudo ultrapassava os limites, os dias em que ele podia sentir seu espírito lupino meditar em meio a calmaria, pois nem mesmo os pensamentos negativos estavam tendo efeito. Em contrapartida, a quantidade desses dias sequer chegava à metade dos dias em que Jimin desistia de tocar no lápis, por temer demais a própria mente. Eram dias em que seus pensamentos se rebelavam, saindo do controle a toda hora, arquitetando uma grande e instável gigante. Ainda era confuso tentar entender como tal conflito acontecia dentro de um só lugar, tendo tanto efeito em pouco tempo. 

Fagulhas em enorme quantidade.



[...]


Às onze e trinta e cinco da noite, Jimin desceu as escadas a passos leves e calmos. Suas mãos levavam um punhado de folhas: eram seus desenhos, quase todos os que já havia feito desde que decidira começar. Pensou estar sendo fraco, desistindo de uma parte de si próprio por não saber lidar com os pensamentos; pensou que, talvez, tivesse sido fraco o bastante para prolongar a duração do fardo de ainda manter resquícios do que "não lhe pertencia" apenas por querer insistir em algo inútil e não ter forças para dizer não; pensou que nunca deveria ter começado, que nunca deveria ter pensado na possibilidade de começar a desenhar, pois não possuía talento. 

Talvez alguma daquelas afirmações estivesse certa

O ômega abriu a porta de casa em extremo silêncio, tomando cuidado para que ninguém o visse. Sabe-se lá a grande questão por trás de alguém indo jogar o lixo fora às onze e trinta e cinco da noite (talvez fosse para não ter que ir de manhã, mas isso não vinha ao caso). Ele caminhou lentamente, sentindo vez ou outra as pedrinhas do chão tocarem a parte inferior do chinelo, causando um incômodo engraçado. A cada segundo, o aperto no coração se fazia ainda mais severo, a cada passo, Jimin revia e temia sua decisão; pensava se estaria fazendo o certo ou se estaria apenas nervoso em um nível suficiente para não saber interpretar seu próprio desejo. Foi quando parou em frente à lata cinza de lixo, as mãos segurando os papéis com força. O ômega simplesmente não conseguiu se mover. Tampouco seus olhos piscavam, sua vista estava embaçada, fulgindo que sua mente se importava com algo além. Não bastasse o fato de que estava confuso, Jimin sentiu algo diferente, como uma presença, alguém perto. Cogitou a possibilidade de ser apenas um estranho que passava ali na exata hora em que estava tomando uma decisão, como também ponderou sobre estar prestes a ser morto por um maníaco. Das duas, uma estava certa: logo a presença foi se desvaindo, tornando o sentimento de solidão física do ômega mais forte. Havia sido notoriamente estranho saber que estava sendo observado no meio da noite por um total desconhecido, mas, após mais ou menos sete segundos, assim que percebeu a ausência de cheiro e de quaisquer outros barulhos humanamente comuns, Jimin tornou a sentir o peso que se fez presente, quase palpável. 

Havia preciosas e fortes memórias naquelas folhas, pois não eram apenas simples desenhos que se perderiam com o tempo; eram descrições detalhadas das variadas paixões de Jimin: o mar, as árvores, aquela estação abandonada… enfim, várias partes suas que sempre estariam ali. Para ele, principalmente para ele, era como se roubassem uma parte sua sem quaisquer indícios de piedade. 

Àquela altura, o moreninho sequer sabia se fazer aquilo era o certo, tampouco sabia se realmente queria alguma coisa ou se apenas estava se deixando levar pela voracidade de seus perversos pensamentos. Julgava ser inenarrável o fato de que sua própria mente queria algo ruim, como perder memórias; e, de fato, Jimin não conseguia descrever como acontecia. 

Seu coração doeu como nunca havia doído ao que sua não abriu a tampa da lata de lixo, deixando o caminho livre para que a escuridão de um possível erro invadisse sem resquícios de paciência. 

A mente do ômega se transformou em um labirinto, enquanto ele era o jogador que tentava encontrar a saída. Passava por encruzilhadas que panfletavam variadas opções, porém sequer uma delas exalava um nível considerável de confiança. Foi quando, talvez por acaso ou sorte, um barulho metálico, a cerca de sessenta ou setenta metros dali, soou para rasgar os ouvidos. Jimin se arrepiou como nunca havia feito, parando bruscamente no meio do labirinto ilusório de opções, fazendo com que tudo se dissipasse como fumaça. Ele geralmente não temia certos barulhos, principalmente por saber que alguns dos vizinhos saíam à noite para observar o céu enquanto caminhavam com os cachorros. No entanto, ao que olhava ao redor, não conseguiu avistar qualquer corpo que emitia sinais de vida, senão um vulto que passou rápido na esquina, tão rápido que chegava a ser humanamente impossível. O moreninho não mentiria: estava com medo em escalas suficientes para correr para casa e trancar as janelas o mais rápido que conseguia. Ponderou se corria como um louco, a fim de salvar-se de sabe-se lá o que, ou se permaneceria calmo diante da falta de coragem. E, agindo por instinto, ele correu para casa, negando todo o intuito de se livrar do punhado de papéis. 

Seus pés subiam rápida porém levemente a escada, as mãos ainda seguravam, agora com mais força, os desenhos. Seu coração estava acelerado diante da recente sensação de medo, que ainda estava ali, assolando-o. Nunca fora de sentir medo com esse tipo de coisa, porém algo o tinha feito ficar naquele estado. As pernas dormentes, as mãos frias… era tudo meio novo. 

Ao fechar a porta, Jimin se deparou com a janela ainda aberta. Era chegar lá e trancar ou simplesmente não dormir, observando e temendo que, a qualquer momento, algo ruim acontecesse. O ômega não sabia o porquê, mas não se movia; apenas mirava o que estava além da janela: a rua escura, molhada e, aparentemente, vazia. 

— Tudo bem! — exclamou, suspirando profundamente ao que reunia os resquícios de coragem ainda ali. 

A luz, antes apagada, logo foi acesa, e o moreninho, com a coragem ainda tomando forças, andou a passos largos até a janela, logo trancando-a sem fazer muito barulho. Ainda deu uma última olhada na rua, vendo que ainda continuava do mesmo modo: vazia. E, ainda que não tivesse a plena certeza de que não havia sido seguido, ele simplesmente decidiu que esquecer era o melhor caminho. Às vezes, esse tipo de coisa peculiar acontece. 

O ômega, pouco a pouco, após deixar a janela devidamente trancada, foi regressando ao antigo dilema. Seus olhos já evidenciavam cansaço, bem como seus suspiros. 

Talvez a impulsividade fosse o melhor caminho, afinal

Jimin retornara ao labirinto totalmente contragosto, agora cego por uma venda impregnada de pesadas suposições. Qualquer que fosse a direção a qual decidisse ir, a dúvida o esperaria de braços abertos. O ômega exigia a si mesmo um pensamento rápido, pois cogitara que, como um bom ser racional, ele obviamente deveria pensar; exigir pensamentos fazia parte de seus direitos. Foi quando ele decidiu que agir por impulso era uma boa ideia. Já era tarde, e sua regulagem mental não estava em dia, então optou por, simplesmente, fazer o que desse na telha. 

— Okay!

Tudo o que exclamava eram incentivos, mas o que sentia era diferente; seria o total oposto se não houvesse pedaços de positividade aqui e ali. 

Com as folhas ainda em mãos, o ômega arrastou uma espécie de banquinho para os pés até a base do guarda-roupa. Seus movimentos eram cautelosos em relação ao barulho, mas, ainda assim, eram executados desajeitadamente. Sem pensar muito, sem sequer dar ouvidos a possíveis contestações, Jimin colocou seus desenhos dentro de uma caixa velha de lembranças, onde raramente se aventurava a vasculhar. Desceu do banquinho, ainda cismado a se fazer de difícil para seus próprios pensamentos. Em parte, estava com raiva, irritado. Não era fã e tampouco seria fã do fato de que não conseguia controlar a si próprio enquanto em meio aos pensamentos. Isso lhe causava mais efeitos do que ele podia suportar ainda calmo. 

Então ele fechou os olhos, focalizando em uma melodia que se sobressaíra em meio à confusão. Suas cordas vocais, quase instantaneamente, começaram a reproduzir a tal melodia, eclipsando o resto pertinente. O ômega abriu os olhos, vislumbrando seu quarto iluminado pela luz branca que vinha da lâmpada. Tratou de apagar a luz e, conhecendo bem seu próprio ambiente, caminhou vagarosamente até sua cama, encaixando cada passo com o compasso da melodia. Ao que seu corpo encontrou as cobertas, ele sentiu seu coração palpitar de um modo forte, uma única vez, antes que voltasse gradativamente ao ritmo normal. O moreninho soltou um longo suspiro em reação a finalmente deitar para dormir. Seus músculos relaxaram, e paulatinamente o sono veio, abraçando Jimin com carinho até que este estivesse dormindo por completo, sem quaisquer indícios de confusão mental. 


Notas Finais


Se vocês leram as notas iniciais, então eu não tenho muito para explicar aqui, além do óbvio fato das atualizações: sem prazo estipulado. Não tenho prazos para att porque eu não consigo cumpri-los, então, prs não deixar que as expectativas se criem, eu não estipulo um tempo.

Obrigada por ler


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