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História O Escandinavo - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Anna


Fanfic / Fanfiction O Escandinavo - Capítulo 15 - Anna

- Não quero ir para a escola hoje! 

- Anna, você precisa ir! Ou quer ter dificuldades nos estudos? - tento convence-la.

- Eu não quero a escola, quero o papai!

- Hoje não é  dia de visita, vai ter que esperar até amanhã.

Ela se senta na borda da cama cruzando os braços.

- Ewan! - mamãe aparece na porta do quarto da minha pequena irmã - Estou saindo e Anna... não faça birra - ela fala com um tom menos agudo que do costume - queremos o seu bem, vai nos agradecer no futuro. 

Ela se aproxima de Anna a beijando na testa.

- Vou de carro, deixei o dinheiro do táxi sob o balcão. A faça ir para a escola! - ordena - mamãe ama vocês! 

Sento ao lado de Anna enquanto escutamos os passos de nossa mãe ficarem cada vez mais baixo até sumirem. Ela nunca deixava transparecer sua tristeza e preocupação, ao menos não na nossa frente. Se ocupava com o trabalho ou estava no hospital acompanhando nosso pai, mal ficava em casa. Anna sofria com a ausência de ambos, tentei por algum tempo os substituir, sem hesito, mas ao menos estava ao seu lado.

- Eu não vou para a escola! - Anna desce rapidamente e se coloca por debaixo da cama.

- Anna?! Arrgh... mamãe vai me matar! - resmungo - olha, eu sei que é difícil, as vezes também não quero ir para minhas aulas, mas é algo necessário em nossas vidas, você vai entender no futuro - silêncio de 2 segundos - Anna?

- Papai vai morrer?

Ouvir essa pergunta daquela menina quebrou o meu coração em mil pedaços. Sabia que cedo ou tarde teria que ter uma conversa seria com ela, mas não sabia como falar sobre esse assunto tão delicado para uma criança bastante emocional.

Deitei no chão de madeira, estava ao lado de Anna, conseguia enxergar em seu rosto rosado, pequenas gostas de lágrimas escorrendo pelas bochechas e um nariz avermelhado. Virei minha visão para o teto.

- Eu não sei...

Ficamos em silêncio por um momento.  Havia segurado minhas emoções por muito tempo, mas por algum motivo que desconheço, me permiti chorar por alguns instantes na frente da minha irmã mais nova. Percebi lentos movimentos, ela se aproximava de mim, a encarei, tive o reflexo de fechar os olhos para que ela retirasse as minhas lágrimas que escorriam com seus pequenos e delicados dedos. 

- Você está com medo? - pergunta inocentemente.

- Muito...

- Eu também.

Ela me abraça e ficamos por um tempo assim. Eu estava exausto com tudo o que estava acontecendo. E com isso, esqueci que Anna também sentia o mesmo e de uma forma que não conseguia entender. Ele estava doente, mas para ela, era confuso imaginar que nenhum remédio conseguia cura-lo assim como os que ele dava para ela que faziam efeito. Ela também merecia uma folga.

- Não precisa ir para a escola hoje! Vamos cuidar um do outro.

Consegui anima-la para fazermos juntos um café da manhã especial. A carreguei em minha costa até a cozinha, pegamos algumas colheres de madeira e sentamos ao balcão. Percebi o dinheiro que nossa mãe havia deixado, então o guardei em meu bolso.

- Então, senhorita Korhonen... o que iremos cozinhar? 

- Uma torta de maçã! 

- Hmmmm, que gostosura e trabalhosa receita você escolheu... Vamos nessa!

Em meio muita bagunça e massa, conseguimos concluir a torta, estávamos famintos, então acabamos com ela em poucos minutos. Passamos o resto do dia juntos. Ajudamos um ao outro com as tarefas domésticas simples. Para o almoço, criamos uma receita única com macarrão em que Anna havia pensado em fazer. Estava absolutamente horrível! Fomos direto escovar os dentes para nos livrarmos daquele gosto. Maratomamos os seus filmes de ação preferidos que ela nunca cansara de assistir repetidamente. 

Fazia muito tempo em que eu não me divertia com ela, questionei minha conduta de irmão. Tenho que ser mais presente em sua vida. Aquele momento simples, era o que eu precisava para me animar, aquela pequena garotinha despertou em mim uma sensação maravilhosa em que não sentia há muito tempo. Era algo ingênuo e reconfortante.

- Que tal irmos ao shopping, comprarmos muitas fichas e gastar tudo em todos os jogos e brinquedos?

- Impossível!!! - ela se espanta animada.

- Mas tem um porém... quem sair do banho por último vai pagar por todas as fichas! - saio correndo pela casa provocando  mesma reação nela.

- Não vale... você correu antes de terminar de falar! 

Seguimos a idéia. O plano era não sermos pegos pela mamãe. 

- Esse é o melhor dia da minha vida! - ela fala após algumas horas gastas em alguns jogos e brinquedos daquele espaço - Na verdade não, está em segundo lugar... ou na posição 7. Não sei bem, mas esse dia eu nunca vou esquecer! 

- Tudo bem, pequena Korhonen. Vamos sentar um pouco - estava ofegante. De onde ela tirou toda aquela energia? 

Ja estávamos sentados à mesa, ambos comendo seus Hambúrgueres e conversando sobre heróis e suas forças. Anna dizia que O Homem de ferro era o mais poderoso enquanto eu estava defendendo a Capitã Marvel.

- Ewan!

Escuto uma voz masculina que despertará toda a minha atenção.

-Oliver?

- Que coincidência lhe encontrar aqui! 

Me levanto para abraça-lo, fechei os olhos, conseguia sentir seu doce cheiro preguinado em sua blusa.

- Que ótimo te ver! - realmente estava feliz por estar alí.

- Sinto o mesmo - ele sussurra de volta em meu ouvido. Nos separamos - E quem é essa garotinha linda?

- É  An...

- Anna Korhonen! - sou interrompido pela mesma que havia levantado e se apresentado esticando  mão para um fofo cumprimento entre os dois.

- Hmmmm, nem preciso adivinha que seja sua irmã. Então como vocês estão? - Oliver pergunta enquanto se inclinava para falar com ela.

- Estávamos tristes, mas depois de Ewan chorar muito, vinhemos jogar!

- Golpe baixo, espertinha - brinco.

- Uau! Ewan tem sentimentos? 

- Fala sério... 

Damos risadas enquanto Anne permanece sem reação por não entender.

- Ah, gostaria de ficar mais um tempinho aqui, mas preciso ir para meu treino. 

Nos encaramos por um segundo com uma tensão sexual no ar.

- Que pena! Bem, espero que chegue a tempo, pelo horário, deve estar bem atrasado...

Dou umas batidinhas em meu pulso indicando o relógio.

- Que droga! 

- Quer dividir um táxi? Ou algum desses motoristas que solicitamos por aplicativo? - ofereço a ajuda.

- Ah... não. É que... meu amigo foi pegar o carro dele, estou de carona.

- Ah sim, ok... Então, bom treino! Espero que não esteja encrencado.

O vejo sumir entre as pessoas.

- Acho que NÓS estamos encrencados... mamãe já deve estar saindo do trabalho! - Me avisa.

Droga!



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