História O Escravo de Coblens - Capítulo 17


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Abo, Jikook, Jikook Principal, Jikookwriters, Jimin, Jungkook, Kookmin, Vmin
Visualizações 2.474
Palavras 5.449
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


IRRA!
O desenho do capítulo foi feito pela @/oimin95 (wattpad)

Capítulo 17 - Mas, talvez fosse difícil


Fanfic / Fanfiction O Escravo de Coblens - Capítulo 17 - Mas, talvez fosse difícil

 

O clima naquela sala realmente mudou após o questionamento de Taehyung, e eu não havia gostado nem um pouco daquilo.

- Para – pedi antes que fosse obrigado a ouvir do rei o que eu menos queria – Você sabe muito bem qual é o nosso papel nesse reino, senhor Kim.

Me sacudi em seus braços até me por distante do mais velho, podendo estabelecer contato visual com o mesmo.

- E é de extrema ofensa ao seu superior sugerir esse tipo de coisa – concluí ainda firme, apesar de tais palavras quase me porem a desmoronar.

 O que recebi em troca foi uma grande revirada de olhos seguida do riso soprado de Taehyung.

- Jungkook sendo meu superior ainda é algo que não me desce, mas tudo bem, Jiminie, vamos seguir com a sua lógica – levando em conta a personalidade do garoto, seu sorriso infantil só podia ser uma grande ironia do destino – Já que o nosso rei merece respeito, que tal prestarmos atenção no que ele tem a nos dizer?

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, meu braço foi agarrado por Jungkook, que me trouxe para mais perto de si antes que seu irmão tivesse a mesma oportunidade.

- Apenas quero resolver o que for necessário – Jeon pediu sério – Espero que entenda isso e pare com suas piadas. 

Taehyung suspirou, indo até uma das cadeiras próximas a grande mesa e se jogando no couro.

- Tá, entendi – ele respondeu antes de fechar os olhos e cruzar os braços em um sinal de desdenho – A ideia de você ter uma relação amorosa com um escravo sempre será uma piada ao seu ver. Sinceramente, nada que me surpreenda.

Claro que aquilo me atingiu de forma não muito agradável, mas, ainda assim, era melhor ouvir dele do que de Jungkook. E por esse curto alívio, me permiti relaxar um pouco, acreditando que conseguiríamos seguir com as prioridades.

Pena ter tido esse pensamento tão precocemente.

Mesmo dentro da sala, era possível ouvir o guarda Namjoon conversando com alguém do lado de fora, enquanto seus passos se aproximavam. Eu não conseguia entender o foco do assunto, mas, levando em conta a maneira e a rapidez como o clima transformou-se em algo mais denso entre todos ali presentes, presumi o nível da hostilidade que enfrentaríamos.  

Taehyung, que até então mantinha seus olhos fechados, logo os abriu, adquirindo uma postura mais séria. Hoseok largou os papeis que lia, franzindo o cenho. Jungkook passou a encarar a porta.

- Fique atrás de mim – ele disse sem sequer piscar, e eu o fiz.

Me passou desapercebido o momento que meu coração acelerou e meus músculos enrijeceram, mas estava entre a essas sensações, que se somaram a pernas bambas assim que o barulho da maçaneta ecoou no ambiente.

 Engoli a saliva como se estivesse engolindo pedra, e respirei como se fosse a primeira vez. O destino, entretanto, não parou com suas peripécias, pois no segundo seguinte, o perfume de Jungkook e Taehyung se acentuaram, me fazendo sentir o cheiro de rosa com menta.

Acompanhei cada centímetro percorrido pela porta, e quando a figura de Jeon Hoz me apossou a visão, arrastei um de meus pés para trás.

- O senhor não precisa... – ouvi a voz de Namjoon mais claramente, antes de vê-lo também.

- Já estou aqui – o outro disse com leveza, entrando na sala com total naturalidade – E não pareço estar perdendo muita coisa.

O guarda veio atrás, mas apreensivo diante do acontecimento. Estava ali o motivo de seu atraso.  

- Por que veio? – Jungkook questionou, recebendo os olhares de seu pai.

- Coblens um dia esteve sob minha posse e eu quero saber como anda o desempenho do novo rei – o mais velho respondeu antes de se sentar em uma das cadeiras.

- Como bem sabe, o poder está em minhas mãos agora, e você tem direito de usufruir de sua cidadania, mas não de participar das reuniões do Conselho – aquele olhar frio do alfa mesclava-se em uma definição de assustador com confiante, trazendo-me um pouco de tranquilidade e ao mesmo tempo cautela.

Hoz apenas riu, tratando as palavras do próprio filho com ignorância. Estar no mais alto nível hierárquico de repente pareceu ser algo inútil, e se tal fato não fosse devidamente resolvido, poderíamos nos meter em sérios problemas.   

- Vejo que seu jeito arrogante permanece o mesmo, e isso é péssimo para a posição que se encontra, garoto.

 Jungkook suspirou antes de permitir que seus olhos me mirassem sutilmente.

- Venha, se sente perto de mim – ele disse em um volume baixo, mas o suficiente para que somente eu ouvisse.

Segui em linha reta atrás do rei, o vendo se sentar no canto da supremacia antes de perceber que o espaço que me sobrara havia sido ao lado de Taehyung. Estávamos sem muitas escolhas, mas quando puxei a cadeira entre os dois irmãos, procurei manter a calma pensando que aquele ainda não era o pior dos cenários.   

Me acomodei quase sem respirar, deixando que minhas mãos apertassem meus joelhos em uma tentativa quase inútil de conter a ansiedade.

- Pedir para que vá embora não lhe fará ir, não é? – Jeon logo quebrou o silêncio.

- Prefiro ficar.

Jungkook encarou o fundo dos olhos de seu pai e então se acomodou melhor, olhando para Hoseok antes de seguir em frente. Talvez essa tenha sido sua maior falha.

- Qual a pauta de hoje?

- A aliança com o reino de Soleil está entre nossas prioridades. Ligue a tela, senhor Jeon – Jung pediu, abaixando os papeis para deixar o espaço livre.

Eu de início fiquei perdido, mas logo entendi quando o rei apertou um botão e fez com que imagens fossem projetadas na mesa.

- Com a ascensão tecnológica e o crescimento populacional no reino, perdemos significativos espaços férteis – Jung deslizou a mão na mesa, jogando um arquivo digital para o lado de Jeon – Se analisar o gráfico dos últimos cinco anos, isso ficará mais evidente.

- Podemos expandir Coblens usando o povoado vizinho de Darcódia e assim ter espaço para construir uma reserva ambiental com o auxílio de Soleil -Taehyung completou ao esticar um pequeno mapa na tela.

- Certo. Marcarei uma reunião para discutir os detalhes com os devidos representantes juntos, acredito que um acordo simples será o suficiente.

- Defina acordo simples – Jung pediu.

- Darcódia é um povoado que passa por necessidades há tempos, e nós podemos dar a eles o suporte que precisam para se desenvolverem. Temos riqueza o suficiente para oferecer educação e saúde, aposto que não irão recusar. Quanto a Soleil, podemos abrir o livre comércio.   

Jungkook tinha uma fala limpa, não gaguejava e sequer parecia relutante quanto as próprias decisões.

- Desculpa interromper, mas me informei sobre as possibilidades de sucesso, e há uma objeção de Soleil, senhor – Namjoon interveio.

- De Soleil? Pensei que Jin Hye estivesse disposta a fechar um acordo – disse o moreno meio confuso.

- Não se trata somente da rainha, mas também da população de lá. Eles desconfiam de Coblens, e abrir o livre comércio seria inútil para ela se o povo se indispusesse a usar disso – o guarda explicou.

- Droga – Jeon disse em um murmúrio antes de fitar a mesa por uns instantes – Alguma outra sugestão?

De início todos ficaram calados, o que me surpreendeu, pois sinceramente estava esperando que Taehyung comentasse alguma coisa – mesmo que não fosse das mais agradáveis.

  - Eu tenho... – a voz grossa e desgastada de Hoz se fez presente, ganhando todos os olhares – Case-se, Jungkook.

Contive o solavanco de meu corpo apertando ainda mais meus joelhos. Estava temeroso.

- Fora de cogitação – a resposta veio rápida e seca por parte do rei – Olhe em que década estamos, me casar por conta de um acordo é desnecessário.

- Não importa se estamos vivendo o que um dia chamaram de futuro, ainda lidamos com humanos. A mínima ideia de afeto já abre portas para confiança, e se você conseguir mostrar que o sente pela rainha Jin Hye, o povo de Soleil abaixará a guarda para Coblens.

- Mas não o sinto!

- Minta, Jungkook.

Se um pai possuísse o poder de moldar o bom caráter de seu filho, ele também possuiria o de corrompe-lo. Entretanto, assim como uma moeda, a construção de valores humanos contava com dois lados, fazendo com que a família não fosse o único, e essa foi a sorte do rei.

- Qual o propósito? – Jeon indagou sério.

- O seu povo não lhe parece o suficiente?

- Sabe muito bem que luto por eles, mas de maneira justa e verdadeira. Conquistar a confiança através de uma mentira é algo extremamente hipócrita, Hoz - Jungkook suspirou cansado - Darei um jeito de convencer Jin Hye e todo o reino de Soleil de que Coblens é digna de confiança.

- Agindo assim, você não chegará a lugar nenhum. O casamento sempre foi e ainda é a melhor alternativa. Reinamos pela prosperidade, e tem dado certo, agora mantenha nossas conquistas e nos dê um herdeiro, é sua única função.

Herdeiro.

Eu senti meu corpo arrepiar, mas de uma maneira completamente diferente daquela que Jungkook havia me acostumado. Arrepiei por me sentir incapaz de fazer alguma coisa que contrariasse Jeon Hoz.

- Irei a Soleil se preciso for. Não se esqueça de que sou o único rei aqui e a última palavra sempre será a minha – o alfa se preparou para levantar, mas seu pai o impediu através de poucas palavras.

- Talvez ainda lhe seja difícil perceber, mas tenho mais tempo de reinado do que você tem de vida. Não peço que ame Jin Hye ou que nutra desejos sexuais por ela, tem um escravo em suas mãos e pode usá-lo quando sentir necessidade, o que pelas leves marcas no pescoço dele me faz crer que você já o fez antes e pode continuar fazendo as escondidas.

Toquei minha pele, lembrando-me dos beijos que ali recebi. Sequer havia cogitado a possibilidade das provas de nosso envolvimento ficarem estampadas em mim, e por essa pequena falha, me vi encurralado naquele lugar, onde tudo que eu tinha direito de fazer se resumia em silêncio. Entretanto, Jungkook levantou, batendo ambas as mãos na mesa.

- Mas o que diabos você pensa que está...

- Escute! – o velho o cortou no meio de sua fala – Se permanecer em recusa, me fará crer que prefere ter um caso exclusivamente com Park Jimin do que com a rainha de Soleil, e isso é um problema que posso resolver mesmo sem minha posição de rei.

Os dedos de Jungkook se fecharam e a sua boca abriu, mas Taehyung tomou a fala ligeiramente, impedindo que o moreno tivesse tal oportunidade primeiro.

- Hoz – o chamou – Não foi ele que deixou essas marcas no Jimin.

- Então quem foi?

- Fui eu.

Levantei minha cabeça em direção ao membro do conselho, que me encarou por breves segundos antes de voltar a atenção para seu pai. Eram muitas coisas acontecendo e pouco tempo para processa-las, tanto que me senti zonzo com aquela conversa de rumo incerto.

- Mas o que temos aqui? – o mais velho disse em um tom arrastado, mirando Kim.

- Isso é comum quando escravos acabam no meio da realeza – o loiro justificou – Mas por se tratar de Park, peço que Jeon Jungkook revogue a guarda dele.

- Taehyung – deixei um sussurro escapar-me.

- Tenho interesse em Jimin, e se nosso atual rei não possui envolvimento amoroso com o mesmo, creio que não será problema entrega-lo.

Aquilo estava tomando proporções inexplicáveis. Se Jungkook revogasse minha guarda, todo o plano que tínhamos acabaria sendo inútil, mas, ao mesmo tempo, ir contra a proposta do próprio irmão somaria suspeitas contra nós.

Hoz sorriu fraco antes de virar a cabeça em direção ao outro Jeon. Estávamos ficando sem saída e em meio ao desespero, olhei para Namjoon – ele se encontrava estático.

- O que vai fazer, Jungkook? – o velho fez a pergunta que rondava a cabeça de todos ali.

Desviei meus olhos para o moreno, que também me olhou antes de mirar Taehyung.

- Entrarei em contato com a rainha Jin Hye, ela já veio até nós uma vez e creio que está na hora de eu fazer o mesmo. Vou conhecer o povo de Soleil e garantir que tenhamos um acordo pacífico. Farei isso dar certo, então nem pensem em tomar a guarda de Park Jimin, ele é meu escravo.

A resposta me pareceu ser boa, mas ainda me mantive atento ao que viria. Reações precoces tinham altas probabilidades de acabarem em grandes e tensas decepções.

- E se não for esse o caso? – Kim questionou – E se o acordo falhar?

Tranquei a respiração, pois sabia que se a ideia de Jeon falhasse, só teríamos uma única saída.

- Se falhar, faremos do seu jeito, Kim Taehyung. Reunião encerrada.

- Ainda há outros assuntos que precisamos resolver – Hoseok lembrou.

- E os resolveremos, mas não agora – o rei disse firmemente.

Segundos depois, Hoz, Jung e Namjoon se levantaram sem dizer uma sequer palavra e foram embora do mesmo jeito. O que havia sido discutido já era o suficiente para que a cabeça de todos ali borbulhasse.

Por fim, eu e os dois irmãos permanecemos onde estávamos.

- Vai me agradecer agora ou prefere me pagar um drink? – o membro do conselho questionou em seu tom de deboche.

E se me pedissem para descrever o olhar do rei, eu diria pura e simplesmente: pronto pra matar. 

- Não sei se te chamo de lunático primeiro ou se pergunto por que fez isso – o alfa se sentou.

- Primeiro ponto: eu salvei o Jimin, você não conseguiria fazer isso sozinho. Segundo ponto: o que pensa sentir por ele é uma ilusão sua. Terceiro ponto: está ficando doido se pensa que desafiar Hoz é uma atitude sensata, parece que esqueceu o tipo de pessoa que ele é.

- Isso é sério, Taehyung? Ilusão? O seu interesse é o único falso aqui, querer ter alguém para simplesmente o tirar de outra pessoa é lamentável. E não me venha com essa desculpa de “salvei o Jimin”, porque se esse fosse seu único interesse, não teria acrescentado uma penalidade.

- Vocês dois estão sendo ingênuos. A culpa te aproximou do Jimin, Jungkook. E a semelhança, te aproximou do Jungkook, Jimin. Tirando isso, vocês são o quê?

Meus batimentos cardíacos tomaram outro ritmo e eu abri mais os meus olhos.

- I-Isso não é verdade – respondi, escutando minha própria voz após tanto tempo calado.

- Creio que não existam mais segredos entre os dois, então vocês já podem encontrar sentido no que eu disse – pelo seu tom e postura, Taehyung estava sendo sincero em suas palavras - Me digam, o que os faz gostarem um do outro? O que sabem a respeito um do outro?

Ouvi o suspiro de Jungkook, que sem dizer nada, se levantou.

- Eu não devo explicações a você – ele disse sério.  

- Não deve ou não têm?

Kim estava me angustiando, então fiz o mesmo que Jeon – me pus de pé - vendo o membro do conselho sorrir.

- Então tá, aceito o vácuo...Tchau pra vocês, au revoir, bye bye, annyeong, sayonara – claramente o loiro estava tirando sarro da situação, e se eu fiquei irritado, Jungkook quase explodiu internamente, era visível.

- Vá pro inferno – o alfa resmungou dando as costas.

- Nossa, um tchau seria o suficiente!

Acompanhei os passos do rei até que o mesmo batesse a porta da sala de reuniões, deixando Kim para trás.

Jeon estava tão aborrecido, que sequer me disse alguma coisa, e talvez tenha sido o certo, levando em conta sua cabeça quente. Também evitei puxar assunto, mas para ser sincero, queria muito ter algo pra dizer e desmentir as palavras de Taehyung.

  Percebi que o alfa se direcionava para enfermaria, confirmando minha suspeita minutos depois, quando ele entrou com tudo no lugar. Lá, encontramos com Jin e Namjoon, que conversavam sem muita leveza em suas expressões.

- Imagino que já saiba dos últimos acontecimentos – Jungkook disse ao médico. 

- Fui informado.

O guarda, diante do acontecimento, logo tomou frente:

- Me desculpe por ter me mantido em silêncio – ele pediu com a testa franzida – Sinto que se tivesse aberto a boca, talvez...

- Tudo bem, Namjoon. Todos nós estávamos sem muitas opções – o rei cortou o amigo no meio da frase – Agora precisamos nos focar na viagem que terei de fazer em breve. Isso pode ser prejudicial ao plano, Jin?

O ômega cruzou os braços, ainda pensativo e então disse:

- No tempo errado, sim. Entretanto, se fizermos da maneira correta, você poderá ir a Soleil tranquilamente.

- E o Jimin?

- Ficará conosco. Quando você viajar, poderemos dar início ao processo de adoecimento dele.

Não era por crer no trabalho do profissional, que aquilo evitava minhas pernas trêmulas.   

 - Comigo longe, isso é seguro? – o rei perguntou, se mostrando tão preocupado quanto eu.

- Teria de se afastar em algum momento, e pode ser esse. Manterei o caso sob controle enquanto estiver fora.

Jungkook umedeceu o lábio inferior e então me olhou.

- Há algo que queira dizer? Sinto que não estou te dando tanto espaço... – ele me disse, trazendo todos os olhares para mim.

- Estou com um pouco de medo, mas se o médico diz que está tudo sob controle, eu acredito – falei mirando seus olhos com total sinceridade – Como você mesmo constatou, estamos sem muitas opções.

- É, infelizmente... – Jeon respondeu antes de massagear a própria nuca – Jin, quanto tempo tenho para resolver meus assuntos em Soleil?

 - Presumo que uma semana para permanecer aqui antes de ir, e outra para ficar lá e voltar. Se esticarmos mais que isso, não garanto bons resultados.

Os prazos eram rigorosos e nossas chances de sucesso se encontravam em uma linha única. Como manteríamos a sanidade? Para onde olhávamos mais e mais problemas surgiam e quebravam com soluções antes encontradas.

- Acha que consegue? – perguntei a Jungkook.

- Tenho que conseguir – ele disse antes de voltar a atenção para os outros garotos - Namjoon, cuide do meu transporte para semana que vem. Jin, terá que ser mais rápido com as suas instruções. E Jimin...

- Eu...

- Vem cá – ele me puxou para um abraço, deixando seu queixo repousar sobre minha cabeça – Você não merecia ter ouvido as palavras de Hoz, sinto muito...

Fiquei meio surpreso com aquela atitude, mas correspondi ao seu toque, envolvendo meus braços ao redor do corpo de Jeon. Eu gostava dele... Mas quais seriam os motivos? Talvez sua capacidade de se permitir mudar e ser alguém melhor, de ver possibilidades onde ninguém mais veria e de procurar o certo, mesmo quando insistem no contrário, fossem boas explicações. Mas, se me perguntassem mais a respeito de Jungkook, o que eu diria?

Rasa. Foi essa a palavra que veio a minha mente quando tentei definir nossa relação. E talvez esses pensamentos fossem culpa do membro do conselho, mas me peguei duvidoso sobre o assunto, porque fui incapaz de dizer que aquilo invalidava meu raciocínio.   

O suco favorito de Jungkook era o de melancia, e ele tinha preferência por ambientes escuros devido as enxaquecas. E de resto?

- Se acomodem, temos uma longa conversa pela frente – Jin interrompeu minha linha de pensamento, mas isso serviu para que eu me afastasse do alfa.  

Estava desconfortável com as hipóteses que eu mesmo formulava, e com isso em mente, fui até uma das camas da enfermaria e me sentei, vendo o moreno repetir meu ato segundos depois.

- Está tudo certo? – ele perguntou, me fazendo olha-lo.

- S-Sim... Só estou tentando... - o restante da frase pareceu morrer em minha garganta, pois não tive forças para terminar a sentença – Tentando...

- Digerir tudo?

- É. Digerir tudo... – sorri fraco, quebrando minha atenção segundos depois com o barulho das rodinhas de uma cadeira sendo arrastada pelo médico.

- Sei que é muita coisa pra vocês, garotos. Aceitariam um chá? – Jin nos perguntou compreensivo.  

De qualquer forma, eu negaria sua gentileza, mas Jungkook pediu duas canecas para nós, fazendo o ômega se afastar para ir em busca do solicitado.

- Talvez não seja hora para conversarmos – o rei falou em sua primeira oportunidade – Está sem condições, posso notar isso.

Eu era tão óbvio...

Mergulhei minha cabeça entre as pernas, as firmando com minhas mãos.

- Com tudo que vem acontecendo, não acho que exista hora pra nada – respondi – Se evitarmos essa conversa, ela só vai se acumular entre tantas outras coisas. Temos apenas uma semana, Jungkook.

- Estou no seu tempo...

- E ele é agora.

Após seu suspiro, senti sua mão passear pela extensão de minha coluna, deixando um confortável carinho ali.

Para ser sincero, pouco me importava o que Hoz havia dito, eu facilmente ignoraria tudo, mas Taehyung trouxe dúvidas à minha cabeça e eu me sentia péssimo por não conseguir ignora-las. Jeon permaneceu normal, ele tinha suas certezas, mas eu de repente pareci perder todas as minhas justificativas.

E se no fundo o alfa tivesse se apegado a mim apenas por culpa?

- Prontinho – fui desperto por Jin nos alcançando as canecas com as bebidas quentes.

- Obrigado – agradecemos juntos.

Seok se sentou na cadeira em frente a cama onde estávamos, decidindo falar segundos depois:

- Hoje mais cedo comentei sobre a necessidade da conversa sobre a relação mais íntima de vocês. Jimin trouxe algumas coisas e você, Jungkook, já sabe de outras, mas vou tentar unir tudo de maneira simples.

Bebi um pouco de meu chá, sentindo o gosto de camomila. Era docinho e bom.

- Quando estamos muito atraídos por alguém, algumas atitudes podem elevar nossa adrenalina. O coração passa a bater rápido, as bochechas coram e a pele pode expelir suor. Com o sangue sendo bombeado em um novo ritmo, é normal que garotos tenham uma ereção, ou seja, o pênis ziip – gesticulou com o dedo – sobe. Normalmente chamamos todo esse processo de excitação.

Balancei minha cabeça positivamente, procurando absorver todo o conteúdo explicado. Logo comentei:

- Eu fico excitado de manhã, mas sem a parte da adrenalina.

Percebi Jungkook me olhar atento e com a caneca entre os lábios.

- Ah, isso é diferente, Jimin – o médico explicou – De manhã, a ereção é comum devido a vontade de urinar. O que estou falando, é mais específico a sexualidade genital. Quando vocês estão em um momento mais íntimo juntos, seja se beijando ou conversando, imagino que você sinta um pouco de calor, fique ofegante e tenha um leve desconforto na área de baixo. Não é?

Logo me remiti ao momento no depósito com Jeon, então confirmei os sintomas citados por Jin.

- Uhum.

- Quando duas pessoas se relacionam sexualmente, elas procuram transformar o desconforto em prazer. No homem, a região mais sensível ao estímulo é a glande, mas também podemos incluir a região anal – Jin se levantou, pegando um aparelho parecido com um celular, mas em tamanho maior – Vejam, a glande é essa parte do pênis – apontou – Devido a sensibilidade, o melhor a fazer é se descobrir com calma.

- Entendi – falei antes de molhar meus lábios com o chá, tomando alguns goles maiores.

- O corpo humano pode ser cheio de zonas erógenas, que são onde sentimos a excitação. O pênis e o ânus não devem limita-los. Toquem-se sem pressa e vejam o que os agrada e o que os desconforta, conversem sobre isso e não tenham medo de se abrirem um pro outro, isso é para o bem dos dois. Uma relação sexual deve envolver o conforto de ambas as partes pra que exista o prazer e não uma dor desagradável.

Quando percebi, já não havia nada em minha caneca. A ansiedade foi maior que qualquer outra coisa.

- Jimin havia feito um questionamento sobre penetração hoje de manhã – Jin relembrou – E sinceramente, não existem regras que digam quem deve de penetrar e quem deve de ser penetrado – ele sorriu – Isso depende do casal. O que vocês precisam saber é que, independentemente de quem será o ativo, o uso de camisinha é necessário, não só para evitar filhotes, mas também para evitar doenças.

- Nos nossos exames não apareceram nada quanto a isso – Jungkook comentou.

- É verdade, mas o ânus além de poder ser uma zona sexual, serve principalmente pra quê? Vocês fazem as suas necessidades, e mesmo se higienizando superbem, nada melhor para garantir a segurança do que a camisinha.

O rei tossiu e desviou o olhar, talvez estivesse tímido.

- Estamos conversando sobre isso para que tirem as suas dúvidas, então não tenham vergonha, ok? – Jin pediu nos olhando, e nós assentimos – Quanto a higiene anal apropriada pra relação, há alguns diferentes métodos. O melhor é manter o corpo bem hidratado e sob uma alimentação boa e rica em fibras, que auxiliam no funcionamento do intestino. Dessa forma, o processo se torna natural na hora de fazer as necessidades e expulsar tudo aquilo que ninguém gostaria de ver num momento íntimo com o parceiro. Por último, uma higienização com água e sabonete já é o suficiente, e retira a necessidade de introduzir qualquer coisa no ânus para garantir a limpeza.

- Mas e se eu não tiver com vontade de ir ao banheiro? – perguntei curioso.

- Mesmo sem vontade, fique uns minutinhos ali na luta. Se não der em nada, há alguns outros métodos, como o uso da seringa auricular, também conhecida como kit enema, ela parece um conta gotas em versão maior – explicou, rindo um pouco – Eis o que você deve fazer: primeiro, se enche a seringa com água, depois aconselho que lubrifique bem a pontinha dela para inseri-la no ânus. A posição fecal é a melhor, então pode fazer isso de cócoras ou sentado no vaso com os pés sobre um banquinho, o que facilita muito. Após inserir, basta apertar a bombinha para água entrar. De resto é paciência, porque o que tiver que sair, vai sair.

Minha imaginação estava trabalhando de um jeito bem engraçado, mas funcionou.

- Vou ver se consigo uma pra você na farmácia, sempre tem pra vender. De qualquer forma, o método natural fica acima de todos os outros.

- Os outros métodos podem trazer prejuízo? – questionei após o ver frisando tanto o mesmo ponto.

- Se fizer uso muito contínuo, sim. O ânus é um musculo que contrai e descontrai, certo? Quando você está fazendo suas necessidades, ele abre, e quando você termina, ele fecha – seu polegar e indicador gesticularam – Mas, se uma pessoa usa estimulantes demais, esse controle pode ir se perdendo ao longo dos anos, assim como causar traumas no colo e aumentar as chances de uma doença sexualmente transmissível. Por isso, nenhum médico indica o uso de qualquer método que não seja o convencional o tempo inteiro. As formas medicamentosas ou o kit enema, servem pra situações específicas de: fui ao banheiro e só saiu vento. É bom ter cuidado e sempre me procurar quando tiver dúvidas.

Me apoiei na cama e respirei fundo. Só de pensar em tudo aquilo, fiquei cansado.

- Vocês querem mais chá? – Jin perguntou.

- Por favor – foi minha vez de pedir, estendendo a caneca.

O médico riu de meu ato, mas logo se mostrou solícito ao ir à cozinha. Enquanto isso, fiquei meio incerto entre comentar algo com Jungkook ou não, sei lá, parecia meio constrangedor.

- Então... – tentei mesmo assim – Água no popô, né?

Ouvi sua risada um pouco aguda, que por consequência fez seus olhos se fecharem, arrancando um sorriso de mim. O que eu disse foi realmente sem a intenção de ser engraçado, mas agradeci por acabar sendo.

- Jimin-ah – ele disse antes de empurrar-me levemente.

- Jimin-ah? – foi minha vez de rir, ficando quase sem visão devido a maneira como meus olhos se espremeram.  

Achei inesperada a maneira como o rei havia usado o sufixo de carinho e igual nível hierárquico justamente para minha pessoa – um escravo. Se bem que ele não me via como um, e isso me trouxe um sentimento verdadeiro de liberdade.

Assim então defini: estar livre era acima de tudo se sentir leve sob mantos sinceros. Claro que ainda desconhecia o sentimento total, mas, a amostra dele me fez feliz naquele instante cujos problemas e dúvidas me deram trégua temporária.

Meus olhos abriram segundos depois, captando a imagem de Jungkook com as bochechas coradas e um sorriso incontido. Jamais iria imagina-lo assim, mas soube naquele instante que minha memória trabalharia para relembrar-me do momento, e minha vontade tomaria várias frentes para repeti-lo.

Fossemos um casal ou não, me deixei crer que a felicidade entre nós ainda seria possível se existissem interações genuínas, como aquela que passamos, rindo da água no popô.

- Voltei. Aqueci um pouco mais o chá – Jin disse ao nos alcançar as canecas e ir para o outro lado da enfermaria mexer numa gaveta – Onde nós paramos mesmo? Na higiene, né? Terminei com essa parte, vamos pra próxima – enquanto ele falava, suas mãos mexiam-se na procura de algo, que só fui ver o que era quando o ômega mostrou dois pacotinhos – Um é camisinha e o outro é lubrificante.

- Lubrificante? – Jungkook pareceu surpreso antes de tirar o objeto das mãos de Seok – Isso não era pra vir em tubo?

- Tem dos dois tipos. Agora prestem atenção – o ômega se sentou, abrindo a embalagem da camisinha – Quando forem usar uma, manuseiem com cuidado. E esse biquinho aqui – segurou a ponta – Não é pra atolar no pênis. De preferência segurem pra não entrar ar, e só depois coloquem. O bico precisa estar livre pra ejaculação.  

   Como Jeon havia pego o lubrificante, decidi pegar o preservativo, sentindo a textura pegajosa dele em minha mão.

- Se forem ter uma vida sexual, não deixem para inicia-la no cio. Infelizmente o descontrole nessas épocas é comum e pode machucar quem não está acostumado... Usem bem o lubrificante e tenham calma com a penetração. O ânus possui muitas enervações, e penetra-lo a seco pode pô-las pra fora e criar feridas nada agradáveis de tratar.

Devolvi a camisinha para Jin e apreensivamente encarei Jungkook. Pela primeira vez naquela conversa, me senti assustado, e o alfa percebeu no mesmo instante.

- Faremos isso aos poucos, hm? – ele disse se aproximando mais e me abraçando de lado – Com calma e do jeitinho certo, só vou te dar prazer, Jimin...

Meu coração bateu forte e pareceu parar quando o médico tossiu alto.

- Espere eu ao menos ir embora – o ômega disse rindo sem jeito, como se tentasse disfarçar alguma coisa antes de ir em direção a porta – Inclusive, estou morrendo de fome e com preguiça de chavear a enfermaria – jogou a chave para o rei – Faça isso por mim. Tchau!

E lá se foi ele pelos corredores. Estranhei.

- Poderíamos ter saído todos juntos – disse para Jungkook, que logo se levantou para fazer o que o médico havia pedido, sendo que ainda estávamos ali dentro.

- Isso foi de propósito para nos deixar sozinhos – o moreno explicou, vindo em minha direção e parando entre minhas pernas – Me alcance a caneca.

Fiz o que ele pediu e o vi se esticar pra pôr a cerâmica na superfície mais próxima.  

- Uns anos atrás tive aulas de educação sexual, sabia? Mas, parece que sempre acabo aprendendo algo novo – ele disse, enquanto aproximava sua mão de meus cabelos para arrumar meus fios – Imagino que tudo isso tenha sido muita informação pra você agora, porque foi exatamente assim que me senti.

- É... – Concordei – Mas, não foi difícil. Foi só... Estranho.

Ergui um pouco mais o olhar, mirando o do rei. Eu gostava dos olhos dele, eles eram escuros e brilhantes, como estrelas, mas ainda melhores que elas.

- Entendi – suas mãos tocaram meus ombros, então desceram para meu peito, me empurrando com leveza até que eu deitasse no colchão – E o que você achou? – ainda de pé, seus dedos compridos deslizaram por meu abdômen coberto pela roupa.

- Achei importante, hm... Começarei com a alimentação, parece mais fácil – respondi, acompanhando o rumo de seus toques – Vou beber mais água também.

- E quanto a mim? – ele questionou baixinho ao alcançar minha virilha.

Estremeci com o seu toque repentino, apoiando-me nos cotovelos em um gesto automático. Aquela região realmente era aonde eu tinha maior sensibilidade.

- Você vai ir com calma – sussurrei – Bem devagar, é assim que eu quero...

Ao me ouvir, o alfa agarrou minha cintura com bastante firmeza para me pôr por inteiro na cama da enfermaria. Me impressionei com tamanha agilidade e por isso, toquei seu ombro.

- J-Jungkook...

Nessas alturas, o corpo do rei já estava sobre o meu, causando atrito entre nossas roupas. Meu coração batia rápido e minha pele parecia mais quente que o normal.

- Devagar – ele repetiu minhas palavras – Eu vou ir bem devagarinho.


Notas Finais


Eu achei a reunião tensa e vcs? Faltou só uma musiquinha de suspense quando o Hoz apareceu e quando o Taehyung disse que havia sido ele o culpado pelos chupões no pescoço do Jimin kkkkkkk

A gente ta se aproximando da terceira fase, mds!!! ME SOCORRE, SENHOR!!!

Enquanto vc lê isso, eu provavelmente estou toda louca lendo os comentários kkkkk e claro, acompanhando a tag #coblensfeels no twitter

IRRAAA

Obg por tudoo, gente!!! Vcs são incríveis, mt amorosos e me dão tanto carinho que as vzs sinto como se fosse explodir de felicidade!!!


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