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História O espelho, a espada e o escudo - Capítulo 8


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Notas do Autor


Boa leitura :)

Capítulo 8 - O Espelho - Parte 7


Fanfic / Fanfiction O espelho, a espada e o escudo - Capítulo 8 - O Espelho - Parte 7

Kakashi observava as interações entre Naruto e Sasuke com extrema atenção. A forma como eles se tocavam muito enquanto conversavam, a forma como se olhavam intensamente como se conhecessem um ao outro há milênios, a forma como pareciam esquecer de todas as coisas quando estavam juntos. Hashirama já havia ido embora há dois dias e os dois haviam se acostumado um com o outro tão fácil quanto era possível. A rotina deles já estava formada, e eles nem tinham mais etiquetas um com o outro. Naquele momento em específico, Neji estava fazendo uma troca com Kakashi, os dois discutindo os termos do negócio, enquanto Naruto e Sasuke aplicavam adubo nas plantas.

— Então, até aqui, eles estão bem?

— “Bem” é superficial. Eu nunca vi nada assim antes. Eles são parecidos e diferentes em todas as coisas certas. Nunca vi Sasuke se abrir tanto.

— Eu acho isso incrível. Mas tenho medo de ele fugir quando perceber – Kakashi suspirou.

— Eu também. Mas, sabe... eu tenho uma sensação de que tem algo sobre isso. Não acho que seja algo comum.

— Eu pensei isso também – Neji disse surpresa – Mas como você é ateu, achei que ia achar idiota.

— Eu não sou ateu, garoto, só não acredito no Deus deles. Mas nunca se sabe o que pode existir.

— Bom, já que o Sasuke estará comprometido em breve, se quiser, sabe, “conhecer” alguém, eu estou disponível – Neji disse galanteador para Kakashi, que revirou os olhos.

— É contra minhas regras me relacionar com alguém que meu filho já se relacionou, espero que não fique magoado – Neji riu.

— Bom, vou tentar não ficar de coração partido, mas se precisar, me procure a qualquer momento pois estarei sempre disponível para você. Obrigado, Hatake, bom dia.

— Bom dia, Hyuuga.

Neji parou para conversar com Sasuke e Naruto, o Hatake mais novo tendo feito as apresentações e Naruto parecendo extremamente simpático, Neji ficando visivelmente surpreso e depois sorrindo, dando tchau e indo embora. O próprio Neji era hipócrita. Falava sobre se entregar, e ele mesmo costumava se entregar a todo tipo de relação carnal possível, mas se tratando do coração, fugia como o diabo foge da cruz. Tenten tentava há anos algo com ele e ele, se percebia, não correspondia. Sasuke, no entanto, nunca esteve tão leve e feliz. Kakashi daria tudo para conservá-lo daquele jeito.

§

— Reunião emergencial no quarto do Madara? – Itachi disse encarando Shisui com uma confusão palpável enquanto tentava escolher roupas que cobrissem as marcas do seu corpo, como acontecia sempre que ele e o primo se empolgavam demais. O próprio Shisui não tinha marca nenhuma – havia amarrado Itachi na noite anterior, deixando-o completamente submisso.

— Parece que tem alguma coisa grande prestes a acontecer e ninguém pode nos ver, então Juugo está montando guarda sozinho.

Itachi assentiu, se vestindo rápido e correndo de forma furtiva até o quarto do tio. Abrindo a porta, se deparou com Kurama, Izuna, Kagami, Obito, Madara e um homem que nenhum deles conhecia. Esse homem estava sentado ao lado do Uchiha mais velho, que estava completamente virado para ele parecendo consolá-lo ou acalmá-lo. A mão do príncipe estava no rosto do homem e a voz dele era visivelmente muito mais suave do que normalmente. O homem, no entanto, não parecia nada bem.

— Então, o que está acontecendo? – Shisui perguntou baixo.

Kurama encarou Madara, que encorajou-o a falar.

— Esse é Hashirama Senju. Ele é quem Izuna escolheu para ser o pai do meu irmão – Itachi encarou Kurama surpreso.

— Então você sabe onde ele está!

— O nome dele é Naruto – Hashirama explicou, nervoso, aceitando a mão de Madara entrelaçada à sua – ele tem dezoito anos, como vocês sabem, e eu me mudei com ele para Suna no mesmo dia em que o ganhei. A mudança já estava certa.

— Eu sabia disso – Izuna explicou – Sabia que Hashirama pretendia se mudar e quis garantir que Kushina e Minato nunca vissem Naruto. Um garoto como ele, com cabelos amarelos e olhos azuis, não é fácil de se camuflar.

— Por que você o escolheu? Só por que ele ia se mudar? – Obito perguntou.

— Hashirama e Madara se conheceram muito jovens – Kagami começou a falar – Conte a eles, Madara.

Madara suspirou e voltou a olhar para Hashirama, acariciando seu rosto de novo. Ele nunca havia agido com tamanha gentileza com ninguém, mesmo quando seus sobrinhos eram jovens. Itachi nunca o vira olhar daquele jeito para ninguém.

— Eu tinha dezenove anos e Hashirama tinha quinze. Eu costumava fugir do palácio para conhecer os camponeses. Eu caminhei e conheci cada parte do reino usando roupas velhas. O cabelo preso, a pele suja e sem roupas caras, eu andava de cabeça baixa e quando alguém vinha falar comigo, eu fugia, não deixava ninguém me olhar muito. Conheci então um lago, totalmente escondido, e ia lá sempre que precisava pensar. Tajima não dava a mínima para meu paradeiro, seu foco era transformar Fugaku em rei. Foi em uma dessas fugas que conheci Hashirama, um garoto triste e muito magro, que parecia estar com problemas. Primeiro ele foi como um gatinho ferido – proferiu a frase sorrindo para o homem, que não conseguiu não sorrir também – Mas aos poucos, consegui “entrar”. Ele me contou que a família Senju havia cometido muitos crimes e sido morta pela Coroa, mas que ele e seu irmãozinho eram contra e nunca haviam feito nada. Ainda assim, mataram o garoto. Fiquei revoltado. Imaginem, que tipo de pessoa merece ser responsabilizada pelos crimes dos seus pais? Eu, por exemplo, odiaria. Tentei consolá-lo. Tentei lhe dar apoio. Sem que ele soubesse, pedi para um segurança de minha confiança não deixar que ninguém tocasse nele. Nos aproximamos tão, tão rápido. Parecia magia. Hashirama sempre foi deslumbrante e eu não conseguia guardar pra mim como me sentia. Quando ele fez dezesseis, ficamos juntos pela primeira vez. E foi incrível – Hashirama suspirou e continuou a falar, meio emocionado pela forma como Madara descrevia os dois e pelo carinho de dedos.

— Era mágico, mas eu sabia que não podia durar muito. Diferente da maioria dos camponeses, meu irmão e eu desconfiávamos da Coroa. Sempre olhei vocês de longe e me perguntava, por que nenhum deles tem um esposo ou esposa? Os Uchiha são... deslumbrantes. Eu não entendia. Até Madara me falar sobre a mãe de Shisui. Sobre como ela estava sozinha com a parteira e simplesmente morreu no parto. Eu sabia que podia ser verdade, mas alguma coisa me dizia que não. Foi mais ou menos nesse tempo que Sasuke nasceu.

— Sasuke? – Itachi e Shisui perguntaram e Hashirama encarou os dois meio triste.

— É o seu irmão, Itachi – os olhos do príncipe encheram de lágrimas – Sasuke tem vinte anos. Ele é tão lindo. Ele se parece com você fisicamente, mas tem a personalidade de Madara. Meio emocionalmente travado, e bravo – ele, Madara e Itachi riram – É inteligente. Madara escolheu Kakashi Hatake para ser pai dele. Kakashi é um gênio e ama aquele garoto mais que tudo. Na época, Madara mencionou que a criança havia morrido ao nascer. Eu não acreditei nele, e sei que ele percebeu, mas não fiz perguntas. Não quis deixá-lo em apuros. Um ano depois, me despedi dele. Disse que tinha medo. Eu não queria... Eu não queria morrer. Nem queria continuar e ter que vê-lo, de repente, se casando com outra pessoa ou... ou ter que passar a vida me escondendo. Era perigoso demais.

— Hashirama me deixou e não havia nada que eu pudesse fazer sobre. Izuna e Kagami sabiam sobre ele, e quando eu falei em pedi-lo em casamento, eles me disseram que se eu o amava, não deveria fazer isso. Eu sabia do risco, mas estava tão cego, só queria Hashirama comigo. Mas aceitei. E quando Naruto nasceu...

— Quando Naruto nasceu fui incubido de levá-lo para o carrasco que o mataria. Assim como Madara, não fiz isso. Escolhi alguém que eu sabia que cuidaria dele, e que jamais reportaria para a Coroa. Hashirama era perfeito. Pelo que Madara falava, ele seria um pai incrível. Então no dia em que ele ia se mudar, me escondi, deixei Naruto lá, e bem, aconteceu como eu previ.

— Naruto foi a melhor coisa que me aconteceu, e eu sei que vocês não queriam nunca ter aberto mão dele, mas ainda assim, sou grato. Ele é o meu presente.

— Como ele é, Hashirama? – Kurama perguntou emocionado.

— Naruto é como se a luz do sol pudesse invadir a gente por dentro. Ele é... eu não sei como explicar. Ele é lindo, é tão bondoso, e é bondoso a ponto de não desconfiar de ninguém. Ele é inteligente para algumas coisas e lerdo para outras, ele tem o sorriso mais bonito que existe, e ele cativa as pessoas automaticamente. Não é à toa que Sasuke esteja encantado.

— Sasuke está encantado? – Itachi perguntou genuinamente interessado e Hashirama riu.

— É meio evidente, e sei que é recíproco. Eles dois se conheceram no baile que teoricamente servia para Izumi escolher um esposo. Segundo Naruto, eles se viram e... e foi estranho. Eu lembro de ter sentido o coração apertar ao ouvi-lo descrevendo a sensação. Parecia que eu já tinha sentido a mesma coisa. Conhecer alguém e sentir... sentir como se você estivesse reencontrando sua alma gêmea.

Ele encarou Madara quando disse isso. Havia sido com ele. O Hashirama de quinze anos, quando viu aquele quase-homem, teve certeza de que por mais que tentasse, não conseguiria simplesmente fugir.

— Tem coisas que só Deus explica... – Obito comentou meio perdido e Hashirama riu sarcástico.

— Aí é que está, Obito. Não é esse deus. Quando peguei o Naruto, eu soube quem ele era na mesma hora, porque eu sabia sobre o Sasu. E quando eu olhei a mão dele, tinha uma marca. Uma marca que sumiu com o tempo. Mas agora, quando eu reencontrei Madara, apareceu uma idêntica na minha mão.

— Sasuke também tinha uma marca que deve ter sumido também. E quando reencontrei Hashirama, apareceu a mesma na minha mão, assim como aconteceu com ele.

— Que marca é essa? – Izuna perguntou confuso, até eles mostrarem as mãos que estavam entrelaçadas.

Na mão deles, marcas como se feitas a ferro e fogo: Hashirama, um sol. Madara, uma lua.

— A coisa é que, eu já tentei voltar para o meu filho, mas não consigo sair de perto de Madara sem sentir uma dor excruciante – Hashirama disse – Mesmo que... mesmo que agora eu admita que, mesmo que fosse, voltaria. Eu não tenho mais forças para me despedir de novo. Alguma coisa uniu Naruto e Sasuke ao mesmo tempo. A mesma coisa que reuniu a mim e Madara. Mas não posso ficar nesse castelo. Nem posso deixar meu filho lá. E também não posso tirá-lo do Sasuke. Eu preciso... preciso que peguem todas essas informações e, por favor, cheguem a alguma conclusão rápido.

— Talvez... – Obito começou – Talvez eu tenha a resposta.



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