História O Esquadrão Sangue-Ruim - Capítulo 1


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Categorias Harry Potter
Visualizações 2
Palavras 1.931
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Magia, Mistério, Saga
Avisos: Álcool, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Quando estranhos batem à porta


Quando a excêntrica visita na porta naquela manhã ensolarada de domingo, Raphael se encontrava em seu quarto, trocando seu pijama branco e cheio de pequenos triângulos vermelhos e azuis por uma bermuda jeans preta e uma camiseta verde e velha. Havia combinado de sair para brincar com sua prima no terreno baldio onde antes ficava a casa dos Menezes.
    Seu pai, Ricardo, estava na garagem e o som que o aspirador de pó fazia enquanto ele limpava a parte de dentro do Fiat Uno bordô era aumentado pelo pouco espaço que aquelas três paredes e um portão eletrônico fechado proporcionavam. Sua mãe, Rosa, distraía Rachel com um chocalho vermelho e coberto de estrelas no pequeno chiqueiro azul que eles ganharam já usado de uma tia-avó há algum tempo falecida.
    Assim viviam os Almeida, lidando com suas vidas comuns, quando os nós dos dedos de Nara Sauer bateram na porta branca de madeira.
    Rosa foi atendê-la e as vestes de Nara foram o primeiro indício de que aquela mulher não era normal: utilizava uma estranha capa púrpura que brilhava conforme ela se movimentava de um lado para o outro botas de couro com fivelas de ouro que reluziam iluminadas pela luz da lâmpada amarelada da parte de dentro da casa.
    Raphael desceu as escadas correndo. Sabia que sua prima já deveria estar esperando por ele e por isso estava com pressa, porém a visão de Nara, sentada de costas para ele e entre seus pais, todos conversando baixo, o fez parar ao pé da escada e dar alguns passos para trás. Começou então a ouvir escondido.
    — Prove — disse Ricardo. — Mostre que fala a verdade. Ou tu imagina que vai só chegar aqui e dizer "seu filho é um bruxo e precisamos levá-lo até uma escola sabe-se lá onde".
    "Bruxo", foi o que ele pensou ter ouvido, mas bruxos não existem. E, mesmo se existissem, qual a probabilidade de que Raphael fosse um.
    — Entendo o que está sentindo, Sr. Almeida — a mulher desconhecida disse. — Ser responsável por contar a verdade às famílias dos nascidos-amágicos me fez presenciar as mais diversas reações, e a que os senhores estão tendo é uma das mais recorrentes. Mas é óbvio que posso provar. Seria loucura minha querer que acreditassem apenas em minha palavra.
    De dentro das vestes ela retirou uma carta escrita em papel verde e a entregou a Ricardo, que, Raphael notava, tremia violentamente.
    — Esta carta é da Escola de Magia e Bruxaria Castelobruxo. Local onde seu filho estudará...
    — Qualquer um pode escrever uma carta — Rosa interrompeu.
    Nara retirou, do mesmo lugar de onde viera a carta, um pequeno pedaço vermelho de madeira e tocou na carta com ele.
    — Avis — disse ela e Raphael viu a ponta daquele pedaço de madeira brilhar azul, então um som, como um pequeno disparo, foi ouvido e uma fumaça negra subiu no ar. — Abra — ela ordenou.
    Raphael então viu o rosto de seus pais passarem de preocupados para uma expressão que misturava, com perfeição, deslumbramento e medo, quando três passarinhos amarelos, quase dourados, saíram voando de dentro da carta e foram em direção à janela. O próprio menino sentia que estava com as mesmas feições dos pais, embora muito mais feliz, e com motivos, afinal de contas, era ele que, segundo aquela mulher estranha, era um bruxo.
    Ele não tinha mais dúvidas de que a mulher falava a verdade. Aqueles pássaros não poderiam já estar naquela carta porque estariam mortos lá dentro sem nenhum ar. E ainda havia o barulho, o brilho daquele pedaço de madeira que ela segurava... tudo era tão real, mas ele ainda pensou que pudesse estar sonhando acordado. Para ter certeza ele se beliscou. Sentiu seus dedos se apertarem contra a pele de seu braço, mas continuou olhando o último dos pássaros sair de dentro da casa em direção ao céu.
    — Então meu filho vai aprender a fazer isto? — Ricardo quis saber.
    — Isto e muito mais — Nara respondeu. — O Feitiço de Conjurar Aves é particularmente simples, para falar a verdade.
    — E não vamos precisar pagar nada. Foi o que você disse, não é?
    — Você está mesmo considerando deixar nosso filho estudar nessa... escola? — Rosa parecia indignada e Raphael sentiu vontade de gritar que ele queria estudar lá, queria fazer mágica, ser um bruxo poderoso.
    — Sinto muito, mas vocês não podem recusar — disse Nara, muito pausadamente.
    Um alívio transpassou o corpo de Raphael. Agora sua mãe não podia proibi-lo.
    — Não podemos escolher se nosso filho vai ou não estudar na sua escola.
    — A escola não é minha e, como eu disse, seu filho possui poderes que, sem ir para escola e aprender a controlá-los, vão torná-lo perigoso. Poderá ferir alguém e até mesmo expor o mundo bruxo. Não podemos permitir que isso aconteça.
    — Então não temos escolha nenhuma?
    — Sinto muito, mas não possuem e, respondendo a sua pergunta, Sr. Almeida, a escola oferece um ensino gratuito e os pais precisam comprar apenas os materiais escolares e os uniformes, mas, é claro, se não puderem pagar, nós mesmos os compraremos, obviamente, de segunda mão com uma poupança para alunos carentes.
    Ouve uma pausa. O rosto de Rosa estava vermelho e seus olhos, Raphael via, encaravam com raiva os de Nara. Ricardo apenas colocava os cotovelos sobre os joelhos e segurava a carta, a lendo.
    — Onde compramos uma varinha mágica?
    — Existem quatro fabricantes de varinhas na América do Sul. Dois deles ficam no Brasil, um na Argentina e um no Chile.
    — Não pode ser mais específica?
    — Infelizmente não, Sr. Almeida. A localização de qualquer local mágico é proibida ao ouvidos amágicos.
    — Então como vamos comprar os materiais?
    — Os senhores não vão. Parte dele já será entregue aqui mesmo em sua casa amanhã quando o auror responsável pela segurança de Raphael for levá-lo para comprar os materiais que não podem ser pedidos sem a presença dele, ou seja, os uniformes e as varinha. O pagamento poderá ser feito ao próprio auror em seu dinheiro amágico e ele tratará de fazer a conversão.
    — O que é um auror? — perguntou Rosa.
    — Um auror é como um policial ou um... detetive. Os aurores que tratam dos assuntos aqui no Brasil trabalham para o Ministério da Magia Brasileiro, ou MIMABRA, e são os responsáveis por prender usuários de magias das trevas e tudo mais. O MIMABRA disponibiliza aurores para casos como o de seu filho, que precisa ser acompanhado por conta de sua... condição especial.
    — Vai querer falar com o Rapha?
    — Seu filho? Não creio que seja necessário. Vocês são os pais e será melhor se ele ouvir de alguém que ele conheça.
    Nara ficou de pé. Raphael recuou mais, agora se escondendo completamente. Não conseguia mais vê-los, mas os ouvia se despedindo cordialmente. E então veio outro barulho de disparo, este enorme, quase ensurdecedor.
    Raphael subiu correndo as escadas em direção ao seu quarto, embora tentasse ser o mais silencioso possível. Se deitou na sua cama e fingiu dormir.
    Seus pais entraram no quarto um pouco depois.
    — Filho — Ricardo chamou. — Nós precisamos conversar.
    Raphael decidiu fingir que não tinha ouvido a conversa. Falsificou uma cara de surpresa quando lhe contaram tudo e, enfim, conseguiu enganá-los. Quando saíram ele se deitou novamente na cama, com um sorriso de orelha a orelha.
    Durante o resto daquele dia, Raphael nem mesmo saiu de seu casa. Pediu para a mãe mentir para sua prima que estava doente e não poderia brincar com ela e, quando a noite chegou, ele se manteve acordado. No começo não sentia sono e não parecia capaz de pregar os olhos. Pensava com excitação no dia seguinte, quando o auror iria levá-lo para comprar sua varinha. Depois, quando suas pálpebras começaram a pesar, ele sentiu medo. Medo de dormir e, ao acordar, descobrir que tudo não passou de um sonho maravilhoso.
    Por isso ele se manteve firme. Volta e meia se levantando para ir ao banheiro esfregar água no rosto.
    Na manhã seguinte ele, ao escovar os dentes e se olhar na porta espelhada do armário de escovas, percebeu que estava com olheiras fundas embaixo dos olhos castanhos miúdos.
    — Rapha — ele ouviu a voz de sua mãe chamar no andar de baixo.
    Ele correu, como nunca antes correra, porém, mais uma vez, parara ao ver quem estava em sua sala.
    Ele era enorme, quase tão grande que por muito pouco, pouquíssimo, não teve que se abaixar para ficar dentro da casa. Tinha um rosto duro e olhos tão negros que pareciam túneis sem fim. Sua pele era alguns tons acima do bronzeado e uma barbicha escondia parte de uma cicatriz em seu queixo. Na cintura, um coldre guardava uma varinha.
    — Bom dia — disse Raphael, mas ele não respondeu. Apenas apontou com o dedo longo e de unhas compridas para um enorme malotão que estava na sala e entregou um envelope lacrado a Rosa.
    Ela leu em alta voz:


    Todos os materiais pré-encomendados da lista pedida estão no mala que agora vocês recebem. A escola afirma que tudo custará, aos guardiões legais do aluno Raphael Almeida, 12 cruzcos e 22 centavos de cruzco, ou 626 reais com 62 centavos de real (para que os valores sejam calculados, informamos que cada centavo de cruzco vale o equivalente a 97 centavos de real e que 52 centavos de cruzco formam um cruzco, assim, um cruzco vale o equivalente a 50 reais e 44 centavos de real).
Segue abaixo o valor pago em cada item da lista: 
    Conjunto básico para poções de primeiro ano — 1 cruzco e 44 centavos de cruzco
    Dois cadernos de anotações — 8 centavos de cruzco cada
    Caldeirão de Estanho, tamanho padrão 2 — 1 cruzcos e 21 centavos de cruzco
    Balança para pesagem de ingredientes — 1 cruzco e 23 centavos de cruzco
    Livro "Plantar, regar e colher", por Charles Monnier — 32 centavos de cruzco
    Livro "As mais horripilantes criaturas e como exterminá-las", por José Meirelles Rocha — 10 centavos de cruzco
    Livro "A fórmula da forma - um guia básico de como transfigurar", por Machado de Holanda — 17 centavos de cruzco
    Livro "Animais fantásticos e onde habitam", por Newt Scamander — 51 centavos de cruzco
    Livro "Ingredientes para toda hora", por Adélia Medeiros e Mendes — 14 centavos de cruzco
    Luvas de Proteção para Herbologia e Magizoologia de couro de dragão — 34 centavos de cruzco
    Uniformes de Castelobruxo — 1 cruzco e 20 centavos de cruzco.
    Varinha da Madame Eloise Furnari — 2 cruzcos
    Ambos, varinha e uniformes, já estão computados, pois possuem preços tabelados. O pagamento devera ser feito ao auror Estor Havid, depois do retorno do aluno e NÃO antes.


    Rosa entregou o papel ao marido.
    — Enquanto vocês compram o que falta eu vou em um banco e retiro dinheiro — Ricardo disse e se manteve esperando uma resposta do auror, que continuou impassível. Quase como uma estátua. — Tudo bem? — ele insistiu.
    O auror fez que sim com a cabeça.
    E então uma ideia veio subitamente à cabeça de Raphael. Ele não sabia como iriam comprar os materiais. Saiu correndo em direção à janela e afastou as cortinas para espiar a rua. Não havia nenhum carro ou moto na frente de sua casa, assim como, para sua infelicidade, não haviam tapetes ou vassouras que pudessem levá-lo voando.
    — Como vamos ir comprar a minha varinha? — ele perguntou e, olhando para trás, viu que Estor o olhava com ar de desaprovação.
    Ela andou lentamente em direção a Raphael e lhe entregou o braço para que ele se segurasse. Nervoso, o menino apertou o auror com sua mão, minúscula perto da dele. Só agora notava que a auror tinha um cheiro de suor seco. Ele aspirou aquele odor e olhou para os seus pais... então todos ouviram outro barulho de explosão.



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