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História O estrangulador de Boston. - Capítulo 23


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Capítulo 23 - O passado do detetive Potter.


Fanfic / Fanfiction O estrangulador de Boston. - Capítulo 23 - O passado do detetive Potter.

     —Sua casa é muito... — Malfoy começou e parou, incerto sobre o que dizer da sala ampla de decoração vermelho com dourado. —A casa toda é...

     —Limpa — Potter ajudou-o, voltando da cozinha com uma garrafa de vinho e dois copos.

     Ele já telefonara para a delegacia, ordenando que verificassem o que havia sobre Thomas Riddle e não ia mais pensar em trabalho pelo resto da noite.  De pé na porta-janela que se abria para o pátio, Draco virou-se para ele e sorriu.

    —Limpa, claro, mas também é uma casa cheia de possibilidades. Algumas fotos, almofadas e plantas a deixariam bonita e mais confortável.

      —O quê? Nada de camas rebuscadas e flamingos em néon.

      —Não. Esse tipo de decoração não faz seu gênero — Draco declarou, observando-o tirar a rolha da garrafa e encher os dois copos.

      —Acho que não, mesmo — ele concordou, entregando-lhe um copo.

     — Harry, o que faz esta casa parecer que não é habitada? — Draco perguntou, acomodando-se no sofá, enquanto ele também se sentava, deixando uma respeitável distância entre os dois.

    —Talvez porque eu quase não fique em casa.  Quando a comprei,adquiri também os móveis  e coloquei-os onde  achei mais conveniente, sem me importar com estética. E passo a maior parte do tempo em bibliotecas, chegando em casa à noite, para dormir.

      —Onde morava antes?

     —Num apartamento atravancado de livros.

      —Era lá que vivia com Gina? —ele indagou, esperando não estar cometendo um erro.

      —Você tem necessidade de falar sobre o assunto, não é? —ele observou, com ar de compreensão

      —Falar sobre sua mulher? Sim, tenho.

      —E o que quer saber?

     —Para ser franco, gostaria de saber tudo sobre você. Sua família,como era quando criança, por  que  se  tornou  policial,  entre  outras  coisas. Mas ficarei satisfeito com o que quiser me contar.

     —Vou começar pelo mais fácil, então. Sou filho único, nasci no subúrbio, em Belmont. Meus pais faleceram e eu fui morar com meus tios. Porém não tenho muito contato com eles.

       —Por que não?

     —Nunca fomos muito chegados. Meu tio queria um esportista e minha tia desejava uma menina. Mas eu... — Harry riu sem alegria. —Eles não sabiam o que fazer comigo. 

     —Você era estudioso? —ele perguntou, pensando no QI alto e na vasta cultura.

      —Era, à revelia de mim mesmo.

      —Como assim?

     —Adorava esportes, mas não para praticá-los. Eu tinha um primo que era genial com uma bola.  Quando eu era apresentado a alguém, já adolescente, era comum ouvir a frase odiada: "Ah, você é primo de Dudley Dursley".

      —E aí decidiu se sobressair no campo dos estudos, para sair da sombra de seu primo.

     —Exatamente. De certa forma meu tio tinha orgulho de mim, mas ter um sobrinho a quem chamavam de "gênio" o intimidava um pouco.

      —E como seu primo reagia ao seu sucesso na escola?

      —Ficava furioso, porque também era bom estudante, mas não tanto quanto eu, modéstia à parte. Acho que nunca percebeu que eu teria vendido a alma para ter um décimo de sua popularidade  e um pouco da admiração do meu tio.

      Draco visualizou um homem não solitário, mas carente. Não sentia pena de Harry, mas entrava em sintonia com seus sentimentos, pois ele própria fora uma criança que crescera desejando o apreço de um pai que praticamente deixara de existir em sua vida.Mesmo seus tios não sendo seus pais, Harry desejava um pouco de afeto, porém ele este sentimento ele nunca o teve.

       —Ainda procurava agradar seus tios, quando se tornou policial? —ele indagou.

      —Não. Agi assim, impulsionado pelo desejo de encontrar minha verdadeira identidade, e talvez por um pouco de machismo. Estava cansado de ser "gênio" e acabara de descobrir que as moças não dão muito valor à inteligência.

     —Nem os rapazes — ele observou com um sorriso.

     —Não acredito que você tivesse dificuldade em encontrar quantos namorados desejasse.

    —Não tive. Ia tudo bem, enquanto me fingia de cabeça oca. Mas não sou bom ator e passei muitos fins de semana em casa, enquanto meus colegas  de quarto saíam para a noitada.

     —É estranho... — Harry murmurou, achegando-se a ele e tomando uma mecha de cabelo loiro que saia do coque entre os dedos. —Você não sabia fingir, e eu me casei com uma mulher que dominava a arte com perfeição. Os dedos dele roçavam-lhe o pescoço, e Draco estremeceu, sentindo que um calor sensual o invadir.

     —Não precisa falar sobre ela, se não quiser _disse baixinho.

      —Quero.Talvez até precise falar. E você tem o direito de saber.

     —Isso me deixa feliz, Harry.

    —Não se iluda demais, Draco. Disse que tem direito de saber por que acho que deve poder mudar de idéia a meu respeito, depois de conhecer os fatos.

      —Isso não vai acontecer, Harry.

      —Não fique tão certo.Você pode estar vendo apenas o que deseja ver —ele avisou, soltando a mecha de cabelo.

     —O que eu vejo é um homem sensível, interessante, capaz de sentir amor e remorso.  Apenas homens sem consciência não se sentem culpados, Harry. Por que não me conta o que houve entre você e Gina e deixa que eu decido se esse sentimento de culpa exagerado tem fundamento?

     —Está bem. —Ele tornou a encher os copos. —Comecei a sair com Gina quando frequentava a faculdade. Presunçoso, achava-me uma mistura de Clint Eastwood, Burt Reynolds e John Wayne. Em suma, era arrogante, vaidoso e machão.

       —E Gina?

     —Ela era o sonho de qualquer machão: doce, tímida e bonita. Tinha cabelo ruivo e imensos olhos castanhos. Parecia pedir proteção quando me olhava, e eu queria alguém para proteger. Isso me fazia sentir mais homem. O par perfeito — concluiu com sarcasmo.

     Continuou falando e descreveu o namoro curto e os primeiros anos de casamento, depois de ter terminado a academia de polícia. E um retrato desagradável de Gina começou a emergir das recordações. Não demorara muito para que ele percebesse que a mulher estava longe de ser doce e desamparada. Era possessiva e ciumenta, não suportando que Harry ficasse distante dela, mesmo por motivos de trabalho. Exigia total atenção e, quando não a conseguia, usava de toda espécie de chantagem emocional para comovê-lo. Com o passar do tempo, quanto mais ela se agarrava a ele, mais Harry desejava distanciar-se.

      —Uma atitude bastante estranha a minha,não?

   —Estranha, Harry?Não.Apenas natural. É anormal que alguém só dependa de uma pessoa para ser feliz. E absolutamente compreensível que a pessoa que tem de carregar esse fardo acabe por ressentir-se.

      —Eu sei, mas não percebe como fui injusto? O jeito desamparado de Gina foi a primeira coisa que me atraiu nela e depois mudei de idéia, deixando-a aturdida.

      — Harry, o que aconteceu foi que você cresceu e atingiu a maturidade. Gina não amadureceu junto, e isso não foi culpa sua.

     —Pode ser, mas tive culpa, sim — ele insistiu, jogando para trás o cabelo que lhe caía na testa. —Nunca discuti com ela, expondo como me sentia. Retraía-me e passava cada vez mais tempo na delegacia, principalmente depois que me tornei detetive.Ela precisava de muito mais do que eu podia lhe dar.

      —Talvez ela quisesse demais, Harry.

      —Era insegura, e minha rejeição tornou tudo pior.

       Draco franziu a testa, insatisfeito com a teimosia dele em sentir-se o único culpado.

    — Harry, por que, em nome de Merlin, você está se maltratando assim? São necessárias duas pessoas para construir um casamento, ou para destruí-lo.

      —Está tentando me convencer de que não tive culpa?

      —Não, mas Gina também cometeu erros.

     — Gina está morta! — ele quase gritou, controlando-se imediatamente. —Desculpe. —Levantou-se do sofá e foi até um aparador que servia de bar, colocando uísque no copo vazio

      Draco observou-o tomar o líquido de um só gole e servir-se de mais uma dose, antes de fechar a garrafa. Esperou em silêncio, com a esperança de que a pausa aliviasse um pouco a tensão entre os dois.

     —Por que ela se matou, Harry? —perguntou depois de algum tempo. —A mulher que você me descreveu parece muito mais forte do que Gina era aos seus olhos. Insegura e carente, talvez, mas tinha pulso de ferro para manipulá-lo do jeito que fez.

      Harry olhou-o espantado, porque Draco atingira um aspecto da questão que sempre o perturbara.

     —É exatamente isso que me faz sentir tão responsável por sua morte. Depois de onze anos de casamento concluí que era forte como aço e fingia fragilidade.  Estava enganado.Ele  andou  lentamente  para  a  janela  virada  para  o  quintal  e  ficou  parado,  olhando para fora.

       Draco aproximou-se.

       —Vocês estavam se divorciando, quando ela morreu, não?

       —Sim — ele respondeu sem fitá-lo.

       —Por quê?

        —Já não lhe dei razões suficientes? Foi um casamento infeliz.

     Draco sentia que ele lhe escondia alguma coisa.Apesar de tudo o que dissera, talvez não quisesse desfazer o casamento.Por amor? Dever? Complacência? Relutância em admitir que falhara? 

      De acordo com os rumores, porém, Harry entrara com o pedido de divórcio, e Gina se suicidara por causa disso. O que acontecera para obrigá-lo a tomar uma decisão? De repente, Draco vislumbrou a verdade.

       — Gina teve um caso, não é mesmo?

        Harry suspirou, depois de pensar longamente.

       —Teve — admitiu por fim.

       —Com alguém que você conhecia. Um amigo chegado, talvez, o que tornou a traição ainda mais dolorosa.

     A perspicácia de Draco deixou Harry atônito.  Ele não podia saber daquilo através de falatórios, porque apenas três pessoas no mundo tinham conhecimento da verdade. E uma delas estava morta.

      —Meu Deus — murmurou incrédulo. —Você é Sherlock Holmes encarnado! Como soube disso?

      —É o que faz mais sentido, no cenário que você descreveu.  Um marido ocupado, uma esposa que se sentia abandonada. Como era perita em manipular homens, nada mais lógico que procurasse um amante. E escolheu alguém de suas relações como requinte de vingança.

     —Ele foi meu melhor amigo na faculdade. Éramos como irmãos — Harry explicou em tom amargo. —Gina não gostava dele, e descobri depois que tinha ciúme de nossa amizade. Ela odiava tudo o que merecesse minha atenção.

      —E decidiu matar dois coelhos com uma paulada só. Chamou sua atenção e destruiu a amizade de vocês dois.

     —Sim, mas não esperava que eu saísse de casa e pedisse o divórcio. Talvez pensasse que pudesse me fazer perdoá-la, alegando que fora seduzida num momento de fraqueza gerado pela solidão, o que, para variar, seria culpa minha.

       —O que aconteceu quando você não a perdoou?

      —Voltou para o amante, mas ele não tardou a descobrir que estava sendo usado e a rejeitou. Gina retornou para mim, implorando que a perdoasse, mas não pude. Discutimos e dois dias mais tarde ela... ela estava morta.

       —E seu amigo?

       —Mudou-se daqui. Mais alguma pergunta?

    —Uma só. —Ele tocou-lhe o rosto, vendo uma dor tão intensa nos olhos esverdeados que seu coração se partiu. —Por que continua achando que teve culpa,Harry?

      —Porque não previ o que ia acontecer.

    —Como poderia, Harry?Veja as coisas com clareza, por favor. Ela o traiu. Magoou-o deliberadamente... Esqueça tudo,Harry! —implorou.

    Harry estendeu os braços para ele, estreitando-o contra o peito.—Não posso  esquecer, Draco, mas também não posso esquecer  você —murmurou com os lábios junto dos dele.

      —Não quero que me esqueça, Harry — ele respondeu, apertando-se de encontro a ele e beijando-o de leve na boca.

      Ele gemeu baixinho, torturado pelo desejo.—Não posso prometer-lhe coisa alguma, Draco.

       —Não lhe pedi nada. Só lhe peço para fazer amor comigo.

   Beijaram-se então, com desespero, deixando que as chamas da paixão os envolvessem com seu calor.Com a respiração arfante,Harry separou-se dele e começou a andar para a porta, puxando-o pela mão.

      —Vamos para o quarto.



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