História O Exorcismo de Marlon Gayler - Capítulo 32


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Exorcismo, Mistério, Romance, Sobrenatural, Terror, Yaoi
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Palavras 913
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 32 - Epílogo das Cinzas (A chegada da Escuridão)


Chovia. A água torrencial que descia do céu escorria pelas abas do chapelão escuro e se precipitava pelo lamaçal sob o trotar do cavalo. A capa de borracha que protegia o corpo do homem, protegia também o animal sob suas pernas, que vez por outra se assustava com os trovões que ribombavam no céu. Às costas, um veículo os acompanhava, desviando dos buracos, conduzindo em seu interior o alto clérigo e seu motorista, que atentos, observavam o passar das árvores margeando a estrada sem iluminação.

O cavaleiro não queria ter saído naquela tarde, as coisas estavam bastante confusas sobre a colina e sentia que algo estava para acontecer. Neste momento o que mais desejava era chegar logo, ir o mais rápido que podia, trotar a toda velocidade, porém as ordens foram claras sobre conduzir o importante bispo com toda segurança. A água do céu persistia a cair, como se anjos a estivessem pranteando. A recordação dos sussurros voltavam a todo momento e ele sentia o peito sufocar.

E se houvesse verdade naquilo?

Por Deus, e se realmente o que diziam houvesse acontecido?

Ele engoliu em seco, olhando para trás. Meneou a cabeça tentando afastar as divagações, conferindo se os visitantes estavam em segurança, e então tornou para frente, respirando com dificuldade. Quando um novo trovão ribombou, voltou os olhos ao alto e viu os portões escuros projetados entre a mata, o coração acelerou e tornou a olhar para trás, observando o menear positivo da cabeça do motorista, autorizando de longe que ele seguisse adiante, e respirando fundo, assim o cavaleiro o fez.

O cavalo acelerou, ele o viu perpassar os portões como uma flecha e fez a volta ao redor do pátio enlameado, descendo apressado sem sequer conduzi-lo ao estábulo. Retirando o chapelão, subiu pelo caminho de pedras desniveladas e reparando no aglomerado silencioso que o fitava parado à porta, travou por um instante. O coração pulsava aflito, um brilho diferente cintilou no olhar de um dos homens e ele teve certeza de que algo havia acontecido.

Trêmulo, correu em direção à escadinha de acesso, e sem retirar as botas, lançou-se entre eles, empurrando-os para um lado e outro até sair de frente para o hall, observando o padre-diretor parado ao centro da escadaria, como se fazendo preces a Deus diante do vitral sagrado.

O homem então engoliu em seco, percebera suas vestes negras e os olhos anuviavam.

— Onde ele está? — disse observando o homem virar-se a fitá-lo, e diante dos olhos pesarosos, o desespero invadiu seu interior — Em nome de Deus padre, onde ele está? Onde está? — Implorou por notícias com as lágrimas a rolar, percebendo somente agora que os demais às costas também trajavam vestes escuras, e nada diziam a observá-los. O nó na garganta apertara como nunca e o coração palpitara em extrema angústia — Diga-me onde ele está, diga-me, diga-me... — lançou-se aos degraus e sob o peso das costas tropeçou caindo de joelhos ante seus pés. O padre estava sem reações, não sabia o que fazer, e então, apenas curvando-se com piedade, sentou-se a abraçá-lo, recebendo seus soluços de angústia. Naquele momento ele entendeu, não havia volta, naquele momento ele entendeu que não havia mais o que fazer.

 

Snif.

Sob um soluço agitado o homem despertou na escuridão de seu aposento. Os olhos baços lacrimejavam fixando a vela tremulante por um instante, e sentindo dores por todo o corpo, ele engoliu em seco, anestesiado pela sensação febril. Já estava oscilando entre passado e presente há algumas horas, e por estar delirando, não sabia se agora estava de volta ao monastério, ou tendo alguma outra lembrança do que passou. Sabia, porém que lá fora o sino badalava descompassado, como naquela noite, badalos de funeral. Havia gruído de corvos assustados, como naquela noite, e ele respirou fundo percebendo enfim que não estava sozinho.

Voltou os olhos a ele, e percebeu que era observado já há algum tempo, os olhos fixos em sua tormenta. A princípio pensou tratar-se do frei designado para auxilia-lo em sua enfermidade, mas conforme a visão tomava foco, percebera que não, que na realidade era um rapaz mais jovem, mais novo que o frei. A cabeça girava, o cheiro da chuva e de flores vinha ao seu nariz, e sentia-se trêmulo ao tentar dizer-lhe algo, porém imediatamente ouviu a voz que despertou cada pequena ligação nervosa de seu corpo: “Descanse esta noite velho. Descanse, sua hora ainda não chegou”.

Era ele. Não aquele garotinho alegre e gentil que um dia conhecera. Tratava-se apenas de um espectro maligno do que um dia fora, o espectro que eles criaram. Em sua voz não havia piedade, para com ninguém. Mas ainda assim não o condenava, sabia que precisava fazer aquilo, sabia que ele sempre aguardara por aquele momento. Deveria ter sentido medo ao perceber que estava bem ali, diante de si em carne e sangue, mas estranhamente desejou que ele destruísse tudo, colocasse fim àquela mentira. E agora, entre soluçou e tormentas, novas imagens formavam-se diante de si, novos odores e sensações. Ele estava distante das paredes escuras do monastério, e havia uma linda mulher parada às margens de uma ponte de madeira, aguardando sua chegada. Ela o fitou e ele sorriu, então, sob a radiante luz do sol abriu o fino pano que cobria o seio e revê-lou a silhueta pequena e franzina que trazia entre os braços. Tão inocente e dependente, tão diferente de tudo aquilo no que se tornou.

“Descanse esta noite. Descanse, pois sua hora ainda não chegou”.

 


Notas Finais


A primeira parte da história chegou ao fim. A partir do próximo capítulo, tudo começa a ficar mais frenético, porque são as PÁGINAS ESCURAS, que são o motivo do nome da fic. Todas as dúvidas serão respondidas em ritmo acelerado, o que vai nos deixar sem ar. Então se preparem para a parte 2 e formem suas teorias. Quem acertar ganha um beijo.


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