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História O expresso para Toronto - Capítulo 9


Escrita por: e _InFiress_


Capítulo 9 - Ao lado de um grande homem


Avonlea estava fria aquela manhã, completamente oposto do clima quente em Charlottetown. Fomos recebidos por abraços apertados e enxurradas de perguntas, porém eu não prestei atenção em nenhum, pois minha cabeça estava focada na noite anterior.

Gilbert e eu havíamos passado as nossas últimas horas em Charlottetown juntos, aproveitando a liberdade que não teríamos em Avonlea. Nos beijamos diversas vezes e eu sentia-me cada vez mais necessitada disso.

Fomos avisados que Miss Stacy iria começar a aula mais tarde, dando a nós a oportunidade de nos juntar a ela, ao entrarmos na sala notei alguns olhares em mim:

— Fiquei felicíssima quando soube que voltariam a tempo para a aula de hoje — Miss Stacy disse enquanto nos abraçava. Sorrimos a abraçando de volta.

— Não perderíamos por nada.

Ela passou as devidas instruções e pediu para que não nos separamos.

Miss Stacy começou a conversa com o grupo que estava mais perto enquanto não chegamos ao ponto desejado. Prestamos atenção no que ela falava enquanto trocamos alguns olhares:

— O meu pai era o melhor de todos pequena Ruby, ele sempre tentou de tudo para me ver feliz, mas não foi sempre assim, antes ele não se afeiçoava por ninguém, porém a minha mãe mudou tudo, ela apresentou-o o amor de verdade — Ela contava-nos emocionada.

— É como dizem Miss Stacy, por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.

Josie Pye disse como se fosse um grande feito:

— Discordo! Ao LADO de um grande homem sempre há uma grande mulher e ao lado de uma grande mulher sempre há uma mulher maior ainda — Disse simplesmente.

Vejo a garota revirar os olhos.

— Qual a diferença Anne? — Pergunta com desdém.

— A diferença é que nenhuma mulher deve ficar atrás de um homem Josie Pye. Um casamento é parceria não imposição de poder. O casal luta um ao LADO do outro.

— Mulheres estão atrás dos homens Anne e a sua luta por “direitos iguais” só existem por consideração deles — Ela diz como se não fossemos nada.

— Santo Deus Pye! Está se ouvido? É uma mulher e precisa desses direitos também!

— Não Anne, apenas você pensa dessa forma. Todas sabemos que devemos lealdade e submissão a nossos maridos.

— Bem, sinto em informar que eu não vou ser submissa a ninguém muito menos abaixar a minha cabeça para homem nenhum… tenho vergonha de você Josie.

— Senhoritas! Vamos manter a compostura, além de que… — Miss Stacy é interrompida pelo barulho feito por Moondy Spurgeon que tinha caído em cima de uma pedra e cortado de modo horrível a perna. Rapidamente ando na sua direção para tentar ajudar o mesmo a levantar-se. Ele não conseguia ficar em pé e Gilbert começou a examinar a perna enquanto as meninas tentavam acalmar Ruby que estava histérica:

— Vai ter que dar uns pontos e desinfetar… mas não tenho isso por aqui. Precisamos levá-lo até o médico.

— Não temos como, não tem ninguém na região? Precisamos sair daqui esse lugar está cheio dos pele vermelha — Billy disparou.

— Billy mantenha a calma, não precisamos de mais stresse agora. —Digo a tentar acalmar o garoto de alguma forma sem ser rude com o mesmo.

— Eu não estou com medo, mas Ruby não para de gritar pensei que deveria deixar avisado.

Por um momento Ruby se acalma e podemos escutar o silêncio da floresta, porém alguma coisa atrás dos arbustos fazem um grande barulho fazendo Ruby voltar a gritar e assustar duas crianças indígenas que observavam a cena:

— Ruby por Deus, pare de escândalo. Ele está com dor, não precisa de ninguém gritando para deixa-lo mais nervoso. — Digo.

Quando me viro para falar com as crianças elas já haviam sumido e deixado dos em pânico:

— Miss Stacy talvez eles possam nos ajudar.

— Claro, vou procurar eles.

— Não, fiquei aqui e tente acalmar todos procuro eles — Digo a seguir o caminho pelo qual as crianças tinham corrido.

— Por favor esperem — Digo quando finalmente consigo as alcançar — Eu preciso de ajuda — Eles entre-se olham.

— Para que?

— Vocês falam a minha língua, maravilha! Um dos nossos amigos está com uma ferida na perna e outra está uma pilha de nervos — Explico.

— Certo, vamos levar-te até a curandeira ela vai saber o que fazer, aliás chamo-me Ka'kwet

— Prazer Ka'kwet, Anne com E no final. Vamos buscar os meus amigos e você leva-me até a curandeira?

— Não! Melhor não, levamos a curandeira até vocês.

— Tudo bem, então, nos vemos mais tarde.

Iria voltar para junto de Miss Stacy, porém fui tomada pela curiosidade de conhecer o local onde eles moravam.  Então eu segui as crianças. Sou levada até o outro lado da floresta onde moravam todos em choupanas.   Era uma aldeia bonita, assim que chego, sou inundada de olhares curiosos. Vi Ka'kwet se direcionar para uma das tendas e conversar com uma anciã. Depois de alguns minutos ambas levantam e seguem em direção a floresta com um pote de mel e algumas ervas em mãos.

Assim que cheguei correndo e ofegante, Gilbert e os outros olham-me confusos e eu apenas me sento vendo o trio aparecer logo depois. Quando eles entram Gilbert entra na minha frente:

— Calma Gilbert, foi eu que chamei eles. Eles vão cuidar do ferimento de Moondy — Digo e ele assente saindo da frente.

A senhora se ajoelha em frente de Moondy e faz um gesto para que ele coma uma das ervas:

— É para a dor — O homem fala e Gilbert concorda a fazer Moondy colocá-la na boca.

Depois disso ela analisa o ferimento com cuidado. Ela fala com o homem e ele avisa-nos que terá que dar pontos, a senhora mostra uma linha e agulha e começa a passar na perna do Spurgeon. Ele geme de dor e eu e Gilbert apertamos a mão dele. Quando tudo acaba Gilbert parece surpreso por não terem usado nenhum medicamento conhecido por ele:

— Eles são o que? — Pergunta-me em tom baixo.

— Julgo que são indígenas.

— Você demorou para voltar.

— Eu segui eles até lá…—Respondo baixo.

— Anne Shirley diga-me que você não foi até as terras deles sozinha por favor

— Anne? Esteve lá? — Blythe insistiu na pergunta

— Sim. — Digo simples.

— Anne você sabe que eles podem ser perigoso, por que se arriscou tanto?

— Eles estão ajudando Gilbert, deixe de ser tão paranoico.

Ele concorda e começa a conversar com a curandeira e o homem mostrando o quanto estava maravilhado com os seus métodos de tratamento. Moondy acaba a adormecer no meu colo cansado:

— Formam um belo casal Anne — Ruby diz — Moondy sempre teve uma queda por você.

— Por mim? — Olho ela confusa vendo Gilbert soltar um pigarro — De qualquer forma, não gosto de Moondy dessa forma.

— Claro que é por você Anne! Ele está a pensar seriamente em acompanhar-te até a sua casa depois da aula — Todas as meninas começam a falar sobre.

— Não pretendo alimentar o interesse de Moondy por mim.—Digo e elas param — Não deveriam incentivar uma vez que não pretendo corresponder até porque eu já tenho alguém.

— O que? A órfã tem interesse em alguém, deixe-me adivinhar é o Cole! Por isso passou esse tempo na casa dele — Josie Pye diz em bom som.

— Não Josie Pye, não é o Cole. Eu não estou interessada, estou a namorar. Não que eu devesse satisfação para você ou qualquer outra pessoa.

— Você está a mentir ruiva! Nos conte o nome do tal “namorado”.

— Não posso... — Falei baixo

— Claro que não! Ele não existe minha cara — Josie Pye riu.

Felizmente os pais de Moondy chegam e o leva para casa:

— Penso que vamos ter que remarcar então todos dispensados por hoje — Miss Stacy se despede. Organizei minhas coisas meio cabisbaixa.

— Não se sinta assim Anne eu mesma já me imaginei namorando muitas vezes o Gilbert mesmo que isso nunca tenha acontecido — Ruby fala.

— Eu não estou imaginando Ruby, eu apenas não posso dizer o nome… não agora.

Vejo Gilbert me olhar disfarçadamente e menear a cabeça como se me chamasse. Me despedi de Ruby e corri até a parte afastada onde ele estava:

— Está tudo bem?

— Está, comigo, está, quero saber de você meu amor... — Diz abraçando minha cintura e deito o rosto em seu peito.

— Eu queria que as coisas não fossem assim — Digo quase chorando.

— Não precisam ser. Sabe que eu diria que sou seu namorado com o maior orgulho. — Disse acariciando meu cabelo.

— Que tal, nós irmos à praia? — Pergunto tentando desviar do assunto. Ele apenas suspira.

— Tenho que ir para casa Anne…

— Gilbert Blythe, não fique magoado comigo nós… Podemos falar com Matthew e Marilla se isso te faz se sentir melhor — Ele abre um sorriso.

— Já é um começo!

Sorrio também e sigo rumo a Green Gables. Fomos rindo e trocando carícias durante o caminho:

— Vamos marcar um jantar em minha casa para contar para o Bash, Matthew e Marilla — Blythe disse animado.

— Por mim tudo bem, vou adorar.

— Eu te amo minha Anne com E só você tem a chave do meu coração — Ele diz me deixando na porta de casa.

— Eu te amo também — Sorri e dei um selinho me mantendo próxima a seus lábios. — E a chave está  muito bem guardada.

Entro em casa e dou de cara com a Marilla que observava toda a cena:

— O-olá Marilla... — Digo nervosa.

— Anne Shirley Cuthbert quer me explicar o que acabei de ver?

— E-então Marilla… sabe a viagem a Charlottetown?

— Por Deus que está no céu, não me diga que você está impura Anne! — Ela pergunta alarmada. Arregalo os olhos.

— Pai amado Marilla! Não diga uma coisa dessas… Eu apenas estou namorando Gilbert. Iriamos marcar um jantar na casa dele para contar. — Digo de uma vez, qualquer coisa estava leve perto da possibilidade na qual ela pensou.

— ANNE ESSA É A MELHOR NOTÍCIA QUE VOCÊ PODERIA ME DAR! Estou tão feliz, espere até Rachel ficar sabendo!

— Não Marilla, por enquanto preferimos não contarmos a ninguém— Digo vendo ela desmanchar o sorriso.

— Oh! Criança como você é tola! Rachel Lynde sou desde o dia em que você quebrou a sua louça nele, ela já sabe e ficaria muito chateada se não fosse convidada para o jantar.

— Então convidamos ela, mas dês de que me garanta que não sairá nada da sua boca.

— Estamos falando de Rachel Lynde Anne essa é sua especialidade, mas ela nunca diria nada para te machucar

— Contar agora me traria problemas Marilla… —Choramingo.

— Tudo bem menina mais tarde explicamos para ela — Ela diz e volta para terminar o chá da tarde — Como foi no orfanato?

— Foi magnífico! — Sorri animada—Descobri que meus pais morreram de verdade, ou seja, não fui abandonada a senhora que alugou a moradia para eles tinha várias coisas guardadas da minha mãe. Marilla sou a cara da minha mãe e ela era ruiva! Isso me faz gostar mais do meu cabelo agora.

Vejo a mulher sorrir.

— Fico feliz que tenha conseguido achar o que procurava Anne — Ela diz—Agora vá se banhar para o chá.

Segui para o meu quarto e quando desci Matthew já estava sentando na ponta da mesa como de costume:

— Fiquei sabendo que tem algo para me contar Anne.

— Estou começando a suspeitar que a tagarela aqui é Marilla — Digo rindo.

— Para o seu governo mocinha, quem contou algo foi o Jerry.

— Outro tagarela!

— Me diga Anne, o que tem para me contar? — Matthew insiste.

— Eu… estou namorando.

— Meus parabéns, Anne, espero que ele venha logo pedir nossa benção

— Ele vai… prometo.

O resto da semana foi tão normal e rotineira que quando chegou o dia do jantar eu nem me dei conta. Eu e Diana estávamos no seu quarto escolhendo o meu vestido:

— Estou tão nervosa!

— Não fique apavorada Anne, o máximo que pode acontecer é a senhora Lynde falar algo que não deva — Diana sorri me acalmando. Caímos na risada.

Logo após ela me ajudar a escolher o vestido nos despedimos e volto para a casa esperando a Sra. Lynde para irmos à casa de Gilbert Blythe.

Quando ela chega, bombardeou-me de perguntas durante todo o percurso até a casa dos Blythe:

— Anne você o beijou? — A senhora indaga.

— Beijou e eu vi! — Marilla responde por mim.

— Claro que não Marilla… aquilo foi apenas uma despedida.

— Não deixou de ser um beijo.

Me sinto sem palavras e espero em silêncio chegarmos na casa do Blythe. Quando chegamos, bati na porta e sou atendida por Gilbert Blythe que estava perfeito dentro de um lindo terno, porém sem o paletó, pois ele o odiava.

O olhei por alguns segundos antes dele sorrir e se curvar beijando minha mão me fazendo corar:

— Senhorita Cuthbert que prazer a ver novamente — Ele diz cumprimentando Marilla.

— Sempre é bom vê-lo novamente Gilbert — Ela sorri e entra na casa.

— Tenho que confessar que a responsável pelo jantar foi a Mary a “amiga” do Bash, a propósito a senhora conhece o Bash não é Sra. Lynde?

— Claro que sim menino, existe alguém em Avonlea que eu não conheça? — Ela ri.

Todos seguimos uma conversa agradável, mas antes de servir o jantar Gilbert pede a atenção de todos. Meu corpo estremece porque eu sabia o que viria a seguir. Todos na mesa param a conversa e prestam atenção em Gilbert:

— Bem, apesar de todo mundo saber, quero oficialmente que eu e Anne estamos namorando há uma semana e dois dias.

— Eu não posso acreditar que você conta os dias.

— Claro que conto cenourinha.

Ele pede a benção aos Cuthbert e Bash e Mary nos abençoa também representando a família Blythe:

— Tudo bem, e o beijo? — Senhora Lynde pergunta

— Sra. Lynde! — Repreendo ficando corada.

— Isso não mata ninguém… — Ela diz emburrada.

Encaro o Gilbert. Ele dá de ombros e estende a mão, estendo a minha mão nervosa, ele a segura com carinho a puxando com delicadeza me deixando próxima ao seu corpo:

— Você não teria coragem Blythe — Sussurrei.

— Esqueça as outras pessoas, Anne… apenas nós dois. — Disse num sussurro próximo a meu rosto e a mão acariciando minha bochecha.

— Sempre somos apenas nós, mas dessa vez a plateia está cheia — Fecho os olhos.

— Em um momento, será apenas nos dois… — Diz antes de começar um beijo com um selinho demorado.

O beijo dura até Bash “limpar” a garganta:

— Aproveitando o nosso lindo momento quero dizer que… eu e Mary estamos noivos — Ele se levanta e beija Mary.

Sorri escondendo o rosto no pescoço do Gilbert, envergonhada, lembrando que tinha gente a nossa volta:

— Eu te amo — Sussurro.

— Eu também te amo. — Ele diz me abraçando e beijando minha testa.



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