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História O Fabuloso Destino de América Singer - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 2




Não era a primeira vez que América o via. Mas foi a primeira vez que teve tempo para prestar atenção no rapaz. Afinal, todas as vezes em que o viu agachado perto da cabine fotográfica da estação de trem, com uma régua de metal na mão e procurando algo debaixo da máquina, estava com pressa, pois o trem para a casa de sua mãe sairia logo em seguida, mas hoje, hoje ela tem tempo o suficiente para observá-lo o quanto quiser, pois ela está voltando da casa de sua mãe.

América observa o rapaz com certa curiosidade.

Mal sabia América que, quando eram crianças, eles moravam a 80 metros de distância. Mas, enquanto América nunca foi para escola, Maxon Scrheave era vítima constante de bullying por parte de seus colegas de classe. E enquanto América queria ser filha única, Maxon só queria irmãos com quem poderia brincar.

Maxon é tão introvertido quanto América. Tendo alguns pouco amigos e diversos hábitos estranhos.

Maxon olha para América, não para ela, especificamente, apenas olha em sua direção.

Os olhos castanhos e animados, os cabelos loiros e bagunçados do rapaz fazem o coração da mulher falhar algumas batidas, deixando suas bochechas com uma coloração levemente avermelhada, uma coloração pouco mais clara do que a cor de seus cabelos.

_Ei, senhor! - Maxon se levanta com pressa, tropeçando em seus próprios pés e quase caindo no chão da estação de trem.

Ele passa por América com um dos braços levantados, como se tentasse chamar a atenção de alguém, enquanto corre desesperadamente na direção de um homem branco e careca, com tênis vermelhos. Ela o segue com o olhar, até ambos, o homem careca e Maxon, saírem da estação.

América começa a correr na direção dos dois, o barulho de seus sapatos contra o piso da estação ecoam pelo local quase completamente vazio.

América sai da estação, sem perder o homem de vista, enquanto ele tenta chamar atenção do careca pouco à frente.

O homem careca entra em seu carro antigo de uma coloração verde-escura, e o dirige para longe do rapaz, porém Maxon, não se dando por vencido, sobe em uma bicicleta motorizada que estava bem ao lado do carro do careca, e começa a seguir o carro verde.

Enquanto Maxon, todo agitado, corria atrás do homem careca, nem percebe que deixa algo cair de sua bicicleta, um álbum de fotos, com capa vermelha e opaca, que, depois de um tempo, uma melhor recolhe da estrada, abraçando-o contra o peito e soltando um suspiro, avistando Maxon desaparecer rapidamente de seu campo de visão.

O vento forte sopra, fazendo os cabelos vermelhos de América dançarem em uma melodia única.

América volta para a estação de trem e fica sentada nas escadarias, esperando o dono do álbum voltar, mas isso não acontece.

América volta para casa, apertando o álbum contra o peito, como se fosse a coisa mais valiosa do mundo, mas para aquele rapaz, provavelmente era a coisa mais valiosa do mundo, então ela iria guardá-lo como se fosse.

Quando América chegou no prédio em que se localiza seu apartamento, subiu as escadas rapidamente, cumprimentando seus vizinhos com um sorriso enorme no rosto, algo um pouco anormal para alguém introvertida como ela.

Abriu a porta de seu apartamento sem pressa. Em seguida, entrou nele, retirou seu casaco vermelho e fechou a porta, trancando-a e escutando o tilintar de seu chaveiro.

O apartamento de América não é grande, mas é confortável e funcional, o bastante para alguém sem uma vida social ativa como ela. Além de que os vizinhos são gentis e nem um pouco barulhentos, e nenhum deles reclama do som de seu violino tarde da noite, quando ela não consegue dormir.

O piso de madeira escura perfeitamente brilhante do apartamento dá um bom contraste com as paredes com creme, paredes essas repletas de fotos e pinturas da família de América. A maioria dela com May ou Kena.

América retira seus sapatos castanhos-claros e os coloca ao lado da porta, junto com outras duas sapatilhas, uma azul-escura com um pequeno laço da mesma cor na ponta, e a outra de um tom meio terroso, como argila vermelha.

O sofá azul-esverdeado no centro da sala nunca pareceu tão convidativo como naquele momento. E bem, não havia nada que a impediria naquele momento.

América se senta no sofá, ainda segurando o álbum de fotos, ponderando se deveria abrí-lo ou não. Por fim, ela o abre.

O conteúdo deixa a mulher levemente surpresa. Afinal, não é todo o dia que se vê um álbum repleto com fotografias defeituosas.

América entendeu o por que de ele sempre estar agachado perto das cabines fotográficas. Ele coleciona fotos que as pessoas jogam fora ou rasgam, e depois, caso elas estejam rasgadas, ele as reconstitui e as cola no álbum.

América não sabia se achava isso completamente bizarro ou interessante.

Talvez bizzarramente interessante.

Ela também não é um sinônimo de pessoa normal.





***




_Quem é ele? - Marlee pergunta para América com um sorriso travesso nos lábios, enquanto a mulher seca alguns copos enormes de cerveja e os coloca de volta na prateleira atrás de si.

_Não sei do que você está falando. - América diz, um sorriso amarelo despontando em seus lábios.

A pequena lanchonete está particularmente vazia, com apenas Gravil sentado em um banquinho no balcão bebendo uma xícara de chá, enquanto conversa com Anne, e um casal sentado em uma mesa.

_Vamos, América. - Marlee coloca o pano de prato que estava pendurado em seu ombro no balcão, com certa impaciência - Você não é de ficar avoada, nem de ficar sorrindo por nada, e eu te conheço o suficiente para saber quando está pensando em alguém.

América comprime os lábios em uma linha fina, uma briga interna ocorrendo em si, se deveria ou não contar para a amiga sobre o ocorrido de alguns dias atrás.

América respira fundo e conta, de uma maneira resumida, o ocorrido na estação de trem e sobre o álbum estranho.

_Por que você não devolve para ele? - Marlee pergunta, as sobrancelhas loiras unidas em questionamento.

_Não sei onde encontrá-lo. - América responde dando de ombros - E além do mais, ainda tenho de terminar de ver algumas páginas.

América achou que tinha conseguido convencer a amiga de que o que estava falando era verdade, mas Marlee é mais astuta do que parece.

_Eu conheço essa cara. - Marlee declara depois de um tempo - América, o que você vai fazer, sua doida?

_É um segredo. - América diz com uma piscadela e um sorriso travesso, depois disso, ela volta a limpar os copos, deixando uma Marlee curiosa e boquiaberta ao seu lado.

América esconde um sorriso atrás da cortina de seus cabelos ruivos.



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