História O Fantasma Ainda Vive - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias O Fantasma da Ópera
Tags Amor, Musical, Opera, Romance
Visualizações 21
Palavras 4.262
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Lírica, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - O Fantasma Acordou


Fanfic / Fanfiction O Fantasma Ainda Vive - Capítulo 8 - O Fantasma Acordou

 

Erik desabou seu corpo sob sua cama. Com um sorriso radiante em seu rosto, suspirou. As lágrimas que escorriam de seus olhos terminavam sua jornada em sua boca. Jurava que estava voando pelos céus; Estava leve, flutuava, mas por dentro, explodia em alegria. Em sua mente a imagem do belo rosto de Scarlett ainda estava viva e intacta. Esticou suas mãos no ar; Imaginava que ela estava ali e que podia tocá-la novamente. Ah como sentiu sua alma tremer em milhões de choques quando pode chegar mais perto dela, sentir sua pele e seu calor. Era um sonho antes tão distante mas agora, tão perto. 

A voz doce e delicada de Scarlett ainda soava em seus ouvidos, e ainda mais quando ela o chamava de ''senhor''; Isso alimentava o ego do seu ''Fantasma'' interior, que estava ali, acordado e inquieto para a próxima aventura. Ficara encantado com o quão aquela bela mulher era ingênua e inocente, como uma menina presa em um belo corpo adulto. Ah como Erik teve de se controlar com todas as forças que restavam lutando contra suas emoções, para não colocar suas mãos em Scarlett e a levar embora para sempre. Teve de mentir; Teve de inventar histórias. Teve de se arriscar, aparecer na frente de todos que tinham olhos para a que agora era a nova musa da Ópera. Mas não teve medo, nenhum medo, e se a lenda do Fantasma estava totalmente morta e caíra no esquecimento dos anos que se passaram, agora, ela iria voltar. 

- Música...Eu preciso compor músicas...Cada música irá ficar perfeita, somente com o toque dela...- Erik levantou suas costas, sentando-se na cama. Levou as mãos ao rosto e tirou sua máscara. Naquela noite, usara uma especial, que cobriria todo o seu rosto e não deixaria a mostra suas deformidades para Scarlett. Mas ainda assim, saberia que cedo ou tarde ela perguntaria. E se ela não aceitasse seus defeitos, por bem ou por mal, ela teria de aceitar. - Vai estar no contrato...Ela assinando o contrato, vai assinar e aceitar me amar para sempre...- Erik riu baixinho. - Não vai ser igual Christine...Não vou a deixar fugir com outro...Não vou a deixar ir embora...- E agora, tirou sua prótese de cabelos. Viu seu reflexo no espelho oval pendurado na parede ao lado de sua cama; Aquele rosto assombrado por marcas era somente uma carcaça. Erik sabe que ali dentro existia muito amor, muito amor para ser dado. E dado somente para aquela que merecia. Scarlett. 

Levantou-se da cama e logo tratou de pegar vários papéis para começar a compor. Dirigiu-se até seu órgão, intacto e perfeito desde que tinha somente vinte e seis anos. Sentou-se na cadeira em frente ao instrumento e respirou muito fundo, como se toda a inspiração estivesse solta pelo ar, pronta para o consumir. E estava. Sem demoras, Erik já logo começou a tocar as mais variadas melodias; Assim que batera os olhos em Scarlett, músicas que jamais imaginara que existiam dentro de si vieram em sua mente e agora, as colocaria no papel. 

Enquanto isso, a festa estava longe de terminar ali no Palais Garnier. O ânimo de todos ali já estava mais do que alterado; Algumas grandes damas da sociedade já levantavam a barra de seus longos vestidos para dançar; Alguns maridos levavam puxões de orelha por se engraçarem com moças mais novas e os amigos solteiros festejavam com fervor, todos a procura de pretendentes. O Palais, naquela noite, voltava para seus dias de glória; Anos mais tarde, outra geração e momento da história do planeta mas nada ali parecia ter mudado. 

Scarlett agora voltara para o salão principal e novamente todos os olhos se voltaram para ela; Gritaram seu nome, festejando sua chegada. Ainda sentia-se fora da realidade; O que vivera ali por aqueles minutos ao lado daquele homem que acabara de conhecer parecia ter sido um sonho; Erik era um ser misterioso, incomum, anormal, diferente de todos os que já vira; Aquele rosto coberto pela máscara, os olhos negros tão penetrantes quanto flechas, as grandes mãos, a presença e a forte voz ainda estavam em sua mente. Naquele dia, tudo parecia novo para Scarlett e tinha certeza de que sua vida mudaria por completo a partir daquele momento. Mas ela mal fazia ideia do quanto mudaria. 

- Scarlett!- Uma voz masculina a chamou. Virou-se para vem quem lhe chamava e viu um dos rapazes que tocava na ópera, Pierre. Ele era manco de uma perna e tinha os cabelos tão claros que quase pareciam ser brancos. - Scarlett, o Paul estava te procurando! Vocês se encontraram?

- Paul...O Paul!- Paul veio imediatamente na cabeça de Scarlett como se fosse uma memória muito longa que havia desaparecido fazia anos dali; Sentiu uma pontada em seu peito, uma pontada que a castigava por ter se esquecido totalmente de que aquele que a amava fora totalmente deixado de lado. - O Paul...Não! Não, eu não o encontrei! Eu sei que ele estava me procurando mas-

- É que faz minutos que a gente não encontra ele também...Ele saiu pra te procurar, a gente achou que ele já tinha te encontrado...Enfim...Eu vou procurar ele com os meninos. Até mais e ah, você foi ótima hoje a noite, como sempre!- Pierre abriu um sorriso sem dentes e sumiu entre a multidão de pessoas. Scarlett sentia-se completamente desolada. Olhou para aquele mar de pessoas e nada de Paul ali. Que tipo de pessoa ela era? O desespero começou a tocar conta de sua mente e agora ela só sabia que precisava encontrá-lo. Logo, colocou-se no meio de todos para retornar até seu camarim. Talvez por sorte, o encontraria lá.

Muitas pessoas tentaram falar com Scarlett e a parar mas ela nem mesmo prestou atenção. Apenas continuou a andar feito um furacão, apressada e quase derrubando tudo o que via pela frente. Só de imaginar Paul a procurando, já sentia o desespero que sentia aumentar. E agora, pensava: E se ele a viu conversando com todos os homens que tentaram a cortejar naquela noite? E se algum rumor se espalhou durante aquela festa, e fez Paul simplesmente desistir? Scarlett começou a procrastinar e ela não gostada disso nem um pouco. Mas somente acalmaria seu coração, assim que encontrasse Paul em sua frente.

Ia finalmente se aproximando de seu camarim e o barulho da festa no grande salão já estava muito longe. Agora, também mais perto do palco, via os faxineiros e arrumadeiras já deixando tudo em seus devidos lugares e em ordem. As luzes eram desligadas, uma por uma e o Palais já voltava para a escuridão, como se ali naquele noite nada tivesse acontecido; Nenhuma ópera, nenhuma chuva de aplausos. Agora, Scarlett precisava somente subir mais uma escadaria e finalmente estaria no corredor dos camarins; Seu coração batia cada vez mais rápido e a sua culpa aumentava a cada segundo. Percebera que enquanto estava com Erik, perdera totalmente a noção do tempo. Estava tão feliz; A noite não poderia terminar daquele jeito. Ela não queria dormir e se despedir daquele dia sem antes poder dizer para Paul tudo o que sentia. 

- SCARLETT!

E assim que Scarlett chegou no corredor dos camarins, logo já levou mais um susto: Ali, meio ao breu, estava Olívia, e a coisa mais clara para se enxergar que tinha ali era seu rosto que estava pálido, acompanhado por dois olhos esbugalhados.

- SCARLETT! Eu estava PROCURANDO VOCÊ!

- Olívia! Eu...Você encontrou o Paul?

- NÃO! Não o encontrei, achei que você estivesse com ele porque o encontrou na festa! Mas então fui te procurar novamente no salão principal e não encontrei você em nenhum lugar!

- E eu achei que você tinha encontrado ele!

- Onde você estava, Scarlett?

- Eu estava com - Mas Scarlett brecou rapidamente sua fala; Em sua mente surgiu a voz de Erik pedindo para que não falasse nada sobre ele para ninguém. - Eu estava com os músicos da Ópera.

- Eu vi eles e você não estava lá, Scarlett! O que andou fazendo?

- Credo Olívia! Por que está assim? Nervosa?

- Por que? Por que eu fiquei te procurando por todos os cantos e você não estava em nenhum lugar! E hoje essa festa está cheia de gaviões, se é que me entende...

- E você acha que eu iria ligar para os gaviões? Eu sei me defender! Eu queria era encontrar o Paul...- Scarlett respirou fundo de uma maneira que desejava sentir que todo o ar tirasse a dor e preocupação que sentia naquele momento; Não teria sido difícil de encontrar Paul, mesmo que tivessem muitas pessoas ali presentes no Palais daquela noite. Onde ele estava? 

- Está bem, está bem...Eu preciso me acalmar. Trabalhei igual uma louca hoje...Céus! E é tão tarde!- Olívia examinou o pequeno e delicado relógio de pulso em seu braço.

- Nenhum sinal de Paul, não é?- Perguntou Scarlett mais uma vez, somente para assegurar-se de que não teria mais alguma esperança. Olívia negou com a cabeça.

- Sinto muito, filha.- Respondeu Olívia, limpando a testa do suor. 

- É...Eu...Eu acho que vou descansar...

- Olhe, amanhã é o dia de pagamento. Com certeza ele vai estar aqui! E aí você o encontra, conversa com ele...Realmente não seria uma boa ideia hoje a noite se encontrar com ele, o seu dia foi muito cheio! Permita-se descansar um pouco...

- Você tem razão...- Scarlett respirou fundo mais uma vez, sentindo a tristeza a abraçar por completo. - Eu espero o encontrar amanhã...

- Vai encontrar!

- Tomara...Tomara que nada de ruim tenha acontecido...

- Quê? Que nada de ruim o que, Scarlett? 

- Eu não sei! Estava pensando, essa noite tantos homens vieram falar comigo...Tantos homens flertaram comigo...E se ele me viu com algum deles e pensou que-

- Scarlett! Claro que não! Paul sabe a garota que você é! Eu tenho certeza de que alguma outra coisa aconteceu, fique tranquila, acalme esse coração!- E Olívia abriu um sorriso, deixando suas bochechas gorduchas mais evidentes. - Aproveite seu resto de noite com uma boa noite de sono! Amanhã, todo o dinheiro que receberá será seu mérito pelo grande show que você fez. Você é uma nova estrela, Scarlett. Foi lindo!

- Oh, Olívia...Muito, muito obrigada!- Scarlett abriu um sorriso, tirando do rosto a expressão tristonha. - É...Eu vou voltar para o hotel. Vou descansar, esfriar minha cabeça...

- Irei avisar o motorista! 

- Obrigada Olívia.

A noite terminou para Scarlett. Deixou o Palais Garnier acompanhada por Olívia e quando entrou no belo carro preto de seu motorista, desabou; Agora, somente agora tinha noção de tudo o que havia acontecido naquele dia: De uma menina desconhecida com o talento em mãos agora, era uma estrela conhecida por toda Paris. Atingira o status que muitas garotas desejavam atingir, mas Scarlett estava triste. Tudo o que vinha em sua mente era Paul. Por fora da janela do carro, olhou para a lua branca que decorava o céu negro daquela noite; Será que ele estava pensando em nela? Será que ainda estava procurando por ela? Queria tanto ter festejado o seu triunfo ao lado de Paul. Queria tanto ter dito para ele todos os seus sonhos e sentimentos. Tudo estava ali, preso em seu peito, dentro de seu coração e agora, sua vontade era a de gritar por ele.

Mas naquela lua Scarlett enxergou um outro rosto; Estava ali, o homem mascarado. Quem era aquele rosto por detrás da máscara? Quem era aquele homem tão misterioso, dono de algo tão grandioso como Palais, mas se escondendo feito um fantasma? Scarlett não fazia ideia mas abriu um sorriso em seu rosto ao lembrar-se de toda a esperança que Erik depositara em seu talento; Se tudo o que ele dissera fora verdade, e se ele realmente iria lhe escrever músicas para cantar todas as noites na Ópera, em breve seu estrelato seria ainda maior. E Scarlett sabia que era o que Erik queria. Ah como queria contar para Olívia sobre esse encontro, e principalmente para Paul; Com várias apresentações, ela e Paul ganhariam muito dinheiro e assim poderiam ter uma vida juntos. Sabia que era ainda muito cedo para falar sobre isso...Mas nunca poderia ser tarde demais para o amor.

- ''Amor não tem tempo...Amor não tem cor, não tem raça...Nem aparência física.''- Pensou Scarlett, deixando o sorriso fraco em seu rosto se alargar. - ''Amor não tem limites e nunca morre...

- Eu já a amo tanto...- Sussurrou Erik, terminando finalmente a sua primeira composição. Estava ali, finalmente, a primeira música que escrevera para Scarlett; Já a imaginava no palco, bela, usando o mais deslumbrante vestido, atingindo as mais altas notas. Erik sentia seu coração se encher de calor e até mesmo seu corpo se arrepiava por inteiro; Que vontade de a ter ali com ele, a dar um abraço forte e a encher de todas as palavras sobre o que sentia por ela. Erik sabia o que sentia, e era amor. - É amor, novamente...E eu prometo, eu prometo Scarlett, farei tudo pelo meu amor e lhe darei todo o meu amor...Eu prometo...

O telefone tocou. 

- Raios...Por mil demônios, quem pode ser?- Erik levantou-se do banquinho de mármore com afrescos dourados em frente ao seu órgão e quase tropeçando entre os próprios pés, atendeu o telefone. - Quem é?

- Tio?

- Harry?

- Boa noite tio...Desculpe te ligar tão tarde. Está ocupado?

- Um bocado. Mas o que precisa? Aconteceu algo?

- Estou aqui mesmo no Palais. Estou aqui no telefone do escritório...Eu e Peter viemos asssistir a ópera de hoje. Podemos ir até aí?

- Se podem? Bom...Vocês podem mas estou um bocado atarefado, receio que a visita tenha de ser curta caso não se importarem.

- Sem problemas. Estamos indo.

E Erik desligou o telefone. Rapidamente juntou todos os papéis em cima de seu órgão e os guardou em um de seus armários, este somente reservado para todas as suas criações musicais. Não queria que os sobrinhos soubessem que voltara a compor, muito menos dos planos que tinha. Ali dentro estava a sua tão querida caixinha de música do Macaco Persa, que conseguira recuperar com Raoul após a morte de Christine. Mas aquela lembrança do passado agora passava despercebida. Erik agora queria somente saber sobre seu presente. 

Após quase meia hora, finalmente Erik escutou o barulho do barco navegando pelo lago; Já eram seus sobrinhos. Rapidamente deixou tudo em ordem e acendeu mais algumas velas para iluminar melhor o lugar; Gostava do breu, odiava claridade. Logo pode ver Peter e Harry se aproximando pela escuridão na morada do lago. 

- Boa noite, senhores!- Disse Erik, abrindo seus braços e um sorriso. Os sobrinhos já se levantavam dentro do barco, prontos para desembarcar. Harry parava de remar vagarosamente, parecendo exausto. 

- Boa noite, tio.- Disse Peter, ajudando Harry a parar com o barco.

- O que está trazendo vocês aqui nesta noite?

- Nada, tio. Nós viemos ver a Ópera e já que estávamos aqui, bem, resolvemos vir te ver...Faz alguns dias que não nos falamos, ficamos preocupados...- Harry prendeu o barco com um laço forte na estaca de madeira que saía do fundo do lago. - Eu tentei falar com você naquele dia mas você desligou...

- Eu estava um bocado ocupado...- Erik pegou seu bule de chá que trouxera da Índia quando ainda era jovem. - Querem chá?

- Não, nós já bebemos bastante na festa!- Respondeu Harry, com um sorriso fraco. Erik estava achando estranha a energia que os sobrinhos carregavam; Sempre eram tão animados, como dois jovens normais. Hoje, estavam mais quietos, com os rostos mais fechados e ambos parecendo incomodados com algo. 

- Vocês estão bem? Realmente bem?- Perguntou Erik, fitando o rosto do sobrinho Harry que se sentava no sofá de veludo vermelho, esparramando suas longas e finas pernas pelo chão.

- Estou sim tio...- Respondeu Harry, fitando os próprios pés.

- E você, tio?- Perguntou Peter, sentando-se ao lado de Harry. - Disse que estava ocupado...Ocupado com o quê?

- Finalmente resolveu deixar a tristeza para trás e fazer algo? É bom ouvir que você estava ocupado!- Disse Harry. O sobrinho dissera algo totalmente positivo mas em seu rosto o semblante era sério e frio. 

- Eu estava...- Erik olhou a sua volta, procurando uma resposta rápida para ocultar tudo o que acontecera nos últimos dias. - Eu estava limpando tudo aqui... Eu deixei tudo abandonado por tantos anos...Vocês tinham razão sobre tudo o que me falaram aquele dia...

- Ah é? Tínhamos?- A voz de Harry soou ríspida. Erik olhou para o sobrinho, o encarando e tentando entender o que acontecia. Viu Peter dar uma cotovelada no irmão. - Peter, chega...

- O que está acontecendo?- Erik aproximou-se dos sobrinhos. - O que houve? Vamos, digam!

- Não aconteceu nada tio. Só ficamos felizes de que você esteja voltando a ficar bem novamente, a fazer as coisas, a retomar sua vida! Estamos muito felizes de ver tudo isso, inclusive, ficamos muito felizes de ver a hora em que você apareceu na frente de todos ali no salão do Palais com sua máscara, como se fosse o próprio Fantasma da Ópera, e puxou aquela cantora que cantou hoje a noite pelo braço!- E Harry levantou-se do sofá, encarando o tio, olhos com olhos. Erik sentiu seu corpo e rosto se desmontar por completo; Fora descoberto.

- Que ótimo. Então vocês estavam na festa!

- Estávamos sim, e vimos a hora que você pegou Scarlett pelo braço...É Scarlett o nome dela?- Indagou Peter. Erik estava achando tudo aquilo muito intrigante mas ao mesmo tempo, um absurdo que já começara o tirar do sério; Peter e Harry eram sangue de seu sangue mas nem mesmo aqueles que saíram de sua carne poderiam o colocar em rédeas curtas. - Ninguém entendeu o que era aquele homem de máscara no meio da festa, mas depois todos acharam que era algum maluco que esqueceu de tirar o figurino. E você brincando com a sua sorte...

- É Scarlett sim. A mais nova cantora da Ópera Popular. E eu estava lá para parabenizá-la afinal, a quanto tempo essas paredes não escutam mais música?- Erik já estava pronto para se defender com todos os argumentos que pudesse. Peter e Harry não deixavam esconder a indignação.

- Vários concertos, peças e óperas aconteceram aqui...Várias cantoras cantaram naquele palco e você ouviu cada uma delas, e nunca saiu daqui...- Harry parecia ficar cada vez mais nervoso. - Nós te amamos tio, nós te amamos, mas sabemos o que você está tramando...

- Tramando? Eu?- Erik deu uma gargalhada que no fundo, sabia ser forçada; Seu nervosismo aumentava e uma força incomum subia por toda sua alma. Erik conhecia muito bem quem era aquela força. - O que vocês acham que eu sou? Um velho idiota?

- Eu tenho certeza que você sabe muito bem o que você NÃO É mais, tio. Você não é mais ELE!- Atacou Harry, com voracidade. Peter aproximou-se do irmão e pegou em seu braço tentando o acalmar. 

- Você não sabe o que eu sou, Harry...Vocês dois NÃO SABEM o que eu sou! NÃO SABEM do que eu sou capaz!

- Ah, está falando como ELE, não é? Como O FANTASMA DA ÓPERA! HÁ!- Harry ria, histérico. - Vai fazer ele voltar? Pela desgraça de Gustav? Christine? VAI FAZER VOLTAR aquele que protegemos esses anos todos, para não matarem você? Te deixarem apodrecendo em uma prisão? NÓS, NÓS DOIS e Gustav, todos esses anos, cuidamos para que essa lenda morresse, e agora você quer trazer ele DE VOLTA?

Erik engoliu as palavras que iria gritar; Ah como queria gritar. Harry tinha razão, total razão; Erik não queria somente trazer o Fantasma da Ópera de volta. Ele era agora, novamente, o próprio; Ele estava ali, dentro de seu corpo ainda jovem e de alma velha, rasgando cada extremidade de sua alma para sair para fora. E já estava saíndo. Os olhos de Erik já refletiam outra coisa; Era o Fantasma. Ele estava ali. Mais vivo do que nunca.

Erik abriu um sorriso. O sorriso do Fantasma.

- É isso que vieram fazer aqui? Despejar palavras que serão em vão?

- Harry...Eu disse que não era uma boa ideia...- Sussurrou Peter, parecendo cada segundo mais nervoso, puxando o irmão pelo braço.

- NÃO, Peter! Pare, está recuando por que? Ele tem de ouvir!- Harry arrancou bruscamente as mãos de Peter de seu braço. - A lenda do Fantasma pode ter sido esquecida, mas cada um daqueles assassinatos NÃO! O lustre que você jogou em cima de TODOS aqueles inocentes, TUDO isso ainda pode voltar a ser investigado a QUALQUER momento!

- Não diga bobagens...Se veio aqui para dizer bobagens, é melhor que vá embora. Os DOIS!- Erik já engolia seco. - Não era o que vocês queriam? Que eu saísse daqui, voltasse a viver?

- Você entende o que está fazendo tio? Ela não é Christine...

- Fique quieto, Harry...- A voz de Erik saiu baixa e áspera; Parecia querer rasgar os pulmões de Harry. Fazia anos, anos que aquela raiva não aparecia ali dentro. 

- Você sabe que ela não é a Christine, não é, e nunca será, porque a Christine NUNCA vai voltar!

- Harry...Fique quieto...

- Nunca voltará, nem mesmo em outra pessoa, em outra forma!

- Quieto, Harry...

- O Fantasma da Ópera não existe mais...É tudo uma farsa. Você não pode mais, ACEITE, TIO!

- CALE-SE AGORA!- E sem nem mesmo perceber o que fazia, Erik avançou para cima do sobrinho Harry o pegando pelo colarinho da camisa branca de algodão; O empurrou até uma das paredes de rochedo, o pressionando com força e toda a raiva que sentia. Ouvia Peter o pedindo para parar mas ele simplesmente não conseguia; Agora Erik estava totalmente tomado pelo Fantasma dentro de si; Ver o desespero nos olhos marejados de Harry era muito satisfatório. Aquilo o fazia querer sorrir; Medo, pavor, um rosto pedindo por clemência. 

- Vai me matar? Como fez com vários anos atrás? - Falou Harry, baixinho, encarando o tio nos olhos. - Vai pegar seu laço Punjabi?-  Erik continuava a segurar o sobrinho pelo colarinho e o pressionar contra as rochas; Um silêncio se instaurou por alguns segundos e era somente possível ouvir as respirações pesadas dos três presentes ali. Erik amava seus sobrinhos; Eram a perpetuação de seu sangue; Eram aqueles que nunca o deixaram desamparado. Mas nenhum sentimento existia na alma do Fantasma. Ainda assim, Erik conseguia escutar sua voz interior pedindo: ''pare''.

Erik soltou Harry e desviou seus olhos dos do sobrinho; Passou as grandes mãos por sua careca e sentiu cada traço de suas deformidades. Era um monstro; Um monstro que quando acordado, não tinha limites. Suas entranhas agora pareciam arder em fogo; Parecia que sua mente ignorava totalmente o fato de existir a razão. Agora, para ele, existia somente o desejo e a paixão em seu coração. Erik sabia que estava se transformando. Erik sabia no que estava voltando a se tornar. 

- Vamos embora, Harry. Por favor.- Pediu Peter, demonstrando através de sua voz trêmula estar totalmente assustado. - Tio - Peter agora olhou para Erik e o medo em seus olhos era visível. - Me perdoe...Não foi minha intenção...E nem a de Harry!

Harry somente continuava a encarar o tio enquanto se recompunha. Erik fitava seu reflexo em um de seus muitos espelhos; Olhava no fundo de seus próprios olhos. Procurava ali, o Fantasma que ainda estava vivo. Ele estava lá e agora era um ponto sem retorno. 

- Eu só espero - A voz de Harry cortou o silêncio. Pelo canto dos olhos, Erik viu o sobrinho se aproximar. - Eu só espero que não se machuque...Quando mudar de ideia, sabe onde nos encontrar...

E após as últimas palavras de Harry, Erik nada mais viu; Apenas continuou a encarar a si mesmo nos reflexos de cada um dos espelhos e ouvia o som dos sobrinhos indo embora com o barco pelo lago; Aos poucos tudo voltou a ficar silencioso. Somente Erik e ele mesmo; O Fantasma.

- O Fantasma acordou...- Disse Erik, baixinho, para si mesmo. Era como se esperasse uma resposta e sim, ele a tinha; Ela estava ali dentro dele. - O Fantasma ainda está aqui...- Olhou para o relógio cuco de ouro na parede; Era agora exatamente meia noite. - Onde está você agora, Scarlett? Onde você fica?- Erik tinha mais um passo agora; Descobrir onde Scarlett vivia. Precisava estar em cada lugar que ela precisasse. Dirigiu-se até seu armário musical e de lá tirou o papel com toda a partitura da música que acabara de escrever; A relia com o orgulho enchendo seu peito. - Essa música realmente foi feita perfeita para você, Scarlett...

Erik colocou a partitura sob a escrivaninha cheia de seus apetrechos e continuou a admirando por alguns segundos, como se ali tivesse pedaços das pedras mais preciosas do mundo. Logo, sentou-se em sua cadeira de madeira que trouxera do reino do Rei da Pérsia a muitos anos atrás, quando ainda era jovem; Aquele ele considerava seu trono. Precisava agora acalmar seus ânimos e demônios internos e descansar. O dia seguinte seria um novo dia, um longo dia. Deitou seu corpo na cama e fechou os olhos; Mais uma vez, abriu um sorriso; Um sorriso que vinha de dentro, de toda a alegria que sentia. A quanto tempo não se via mais vivo. Antes, Erik era uma carcaça rastejante, escondendo-se do mundo todo e agora, Scarlett era seu motivo de acreditar que viver eternamente valeria a pena. O Fantasma acordou, finalmente. 

 


Notas Finais


Continua!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...