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História O Farol (Michaeng) (G!P) - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oioi <3

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction O Farol (Michaeng) (G!P) - Capítulo 3 - Capítulo 3

A decoração ridícula e até meio retrô do escritório do diretor girava ao redor de mim. O papel de parede marrom com desenhos sinistros, tornava-se apenas um borrão de lama, quando eu impulsionava com a ponta dos sapatos com cada vez mais força a cadeira giratória. Terminando por ficar tonta. Analisei com curiosidade os retratos de velhos desconhecidos pendurados na parede, com seus olhos que pareciam me vigiar.

Me sentia numa espécie de museu antigo, até que o retrato do diretor pendurado no topo da parede, me trouxe de volta a minha realidade. Terno cinza, gravata borboleta e cabelo engomado, o encarei fundo nos olhos e imitei sua pose. Até levamos um papo produtivo em seguida.

- Se divertindo Srta. Son? - o diretor estava parado na porta com seu semblante carrancudo matinal. - Sente em seu lugar senhorita. - O Sr. Kyuhyun atravessou a sala indo de encontro a sua cadeira. Num pulo, passei por cima da mesa dele, com cuidado para não pisar em seus papéis e pulei no chão.

Em nenhum momento ele me olhou ou tornou a me dirigir a palavra. O observei indireitar a gravata torta e beber constantemente em sua caneca de café, enquanto escrevia por alguma eternidade em seu caderno.

Tamborilei com os dedos enquanto assobiava uma música que não saia da minha cabeça. Mal podia esperar para estreia-la com a banda. Vi o mesmo me olhando por cima dos óculos e respirando fundo, visivelmente incomodado. Parei de imediato deixando o silêncio reinar.

- O que o senhor tanto escreve aí? - apontei para sua folha, enquanto o olhava completamente entediada. Ele ergueu o olhar do papel e se recostou na cadeira.

- Um extenso relatório sobre a sua conduta dentro da instituição, senhorita. - arregalei levemente os olhos e assenti. Minha memória deve ter sido deteriorada pela erva, nem sequer lembro da última merda que fiz.

- Por fim, seja bem-vinda novamente... Son Chaeyoung, correto? - confirmei com a cabeça e ele prosseguiu. - Sabe porque foi chamada aqui? - entrelaçou os dedos e me olhou como se interrogasse um criminoso.

- Não faço a menor ideia. - respondi enquanto encarava minha unhas, começando a roer-las.

Ouço o ranger da porta e uma voz familiar faz-se presente.

- Licença... Perdoe-me pelo atraso Sr. Kyuhyun. - meu pai foi em direção ao diretor e os dois apertaram a mão. - Deixei o trabalho as pressas e o trem demorou demasiadamente. - o diretor apenas balançou a cabeça e pediu que papai sentasse ao meu lado. Ele o fez sem nem sequer me olhar. Aquilo significava uma coisa... Deu ruim.

- Já que o senhor chegou, podemos dar início a essa reunião. Para iniciarmos, devo deixar claro algumas regras da nossa instituição. Primeiramente...

"Caramba! Não acredito que esqueci meu case no Mensho. Estava tão atrasada que engoli a comida e sai correndo de la. Preciso lembrar de passar assim que me libertarem daqui."

- Senhorita Son, está prestando atenção? - o voz do diretor soou alta e firme me fazendo sair de meus devaneios.

- Huh...? A-ah sim... Claro. - falei ajeitando o corpo na cadeira. E já sem paciência resolvi colocar tudo em pratos limpos. - Porque o senhor não facilita a vida de todos e vai direto ao assunto, hã? - papai me repreendeu com o olhar e eu tratei de ignorar.

O diretor pareceu ponderar um pouco enquanto andava em círculos.

- Certamente. - Kyuhyun sentou e abriu seu caderno. Folheou algumas páginas e por fim começou a ler. - Tenho aqui comigo um relatório de alguns professores, sobre a sua filha, senhor Yang. Ela tem uma quantidade exorbitante de faltas em seu histórico. E como se não bastasse isso, ela justificou com esse... - abriu uma gaveta ao seu lado e pegou um papel. - …Atestado médico falso. - falou dando ênfase no "falso" e eu sorri de lado começando a me balançar na cadeira.

- Me sinto terrivelmente ofendida. Como pode alegar que meu resfriado é falso? - levei a mão até o peito e forcei uma cara triste. Meu pai massageava a testa sem se pronunciar.

O Sr. Kyuhyun suspirou fundo com os olhos fechados, virou o papel para si e continuou. - Analisei minuciosamente até que encontrei escrito em letras miúdas: "Loja do Sr. Dae" - arregalei os olhos e engoli em seco. A farsa havia sido descoberta por conta da burrice daquele velho muquirana e surdo! Preciso pedir o dinheiro de volta.

- Não tem nada a dizer em sua defesa senhorita? - ele questionou e eu respondi negando com a cabeça. Ele deu continuidade as acusações. - Desde o início do ano letivo Chaeyoung vem recebendo notificações sobre o uniforme. Para as meninas saia e para os rapazes calça. Por tanto, os porteiros são testemunha de que ela sempre insiste em usar calça. - franzi o cenho e meu pai calmamente se prontificou.

- Um momento... Qual é o problema se a menina se sente mais confortável usando calça? Desculpe senhor, mas essa regra não faz sentido. - meu velho deu um show, me fazendo aplaudir internamente.

- Não sou eu que faço as regras Sr. Yang. Eu só as sigo. - deu de ombros e eu bufei impaciente. Dialogar com esse cara é o mesmo que falar com a parede. Meu pai parecia inconformado.

- Entenda… a minha filha tem uma condição especial. - meu coração bateu forte e num impulso segurei forte em seu braço, implorando com o olhar para que não contasse sobre mim. Ele apenas encarou o chão com um ar de tristeza. - Chaeyoung... - levei a mão até a testa e fechei os olhos com força. - É intersexual. - senti vontade de levantar e ir embora com tamanha vergonha. Detestava falar naquele assunto. Detestava mais ainda ter minha privacidade invadida e exposta daquele jeito. Me concentrei em relevar, papai provavelmente só queria salvar minha pele... A qualquer custo.

O diretor ficou imóvel em sua cadeira, seu olhar surpreso alternava entre mim e papai, talvez procurando algum resquício de brincadeira ou piada… mas não iria encontrar.

- Agora eu consigo entender certas coisas. Irei relevar a acusação do uniforme. - papai suspirou aliviado e eu expus um sorriso vencedor. - Porém não terminamos por aqui. 

O diretor deixou a sala por alguns minutos.

Aproveitei para olhar de relance o meu velho, que não me dava ideia. Permanecia calado e pensativo. Então resolvi me unir a ele na prática do silêncio. Não demorou muito e Kyuhyun retornou… só que dessa vez não estava sozinho.

- Bom dia Senhores. - aquele sorriso cínico… A diaba banhada em Prada. Agora entendi. Era óbvio que aquela mulher estava envolvida em tudo.

- Essa é a Kim Taeyeon, a professora de matemática da sua filha, Sr. Yang. - papai e ela naturalmente se cumprimentaram. Logo o diretor deu voz a ela.

- Bom… Senhores, vou contar o que deduzi. - ela começou.

- Dedução? - ri sarcástica. - Aqui nessa escola deveriam valorizar os fatos concretos, sim? - protestei, atraindo o olhar imponente da mulher.

- Chaeyoung, cala a boca! - o grito do meu pai me deixou imóvel. Ele nunca tinha aumentado o tom de voz daquele maneira. Portanto cruzei os braços e encarei os desenhos do meu all star.

- Bem… continuando. Hoje quando iniciei a minha aula, realizei a entrega do resultado das provas cujo a sua filha zerou. - revirei os olhos e bufei. - Durante todo o resto da aula eu notei o olhar constante da aluna para mim e no fim da aula, se despediu com um sorriso que na hora nem dei atenção. - a professora mantia as mãos para trás enquanto relatava.

Ergui uma sobrancelha e sorri de lado com desdém a sua observação pífia.

- Não entendo… é proibido sorrir ou te olhar, agora? - meu pai me fuzilou com o olhos e eu temendo a minha vida, levantei os braços em rendição. - Prossiga… fêssora.

Ela assentiu, ignorando meu tom levemente debochado.

- Quando minha carga horária terminou e eu fui até o estacionamento pegar meu carro, o mesmo estava inteiramente riscado. Haviam desenhos obscenos e xingamentos que eu não vou citar aqui. E próximo ao pneu, encontrei o prego que provavelmente foi usado. - Desviei o olhar para o armário e passei a mão no cabelo a fim de deixá-lo mais despojado. - Não queria estar dizendo isso Sr. Yang… Mas desconfio que foi a sua filha.

Estava prestes a falar, porém papai foi mais rápido. Levantou-se da cadeira, levando a mão até o bolso da calça social e puxou sua carteira.

- Já escutei o bastante. Lamento profundamente pelos danos causados aos docentes e a Yonsei. Por favor… quanto devo pagar para reparar o seu carro professora? - levantei e olhei para ele incrédula. Como ele podia acreditar em tudo que ela estava dizendo, sem nem sequer pestanejar?

- Para com isso, coroa! Não está vendo que essa mulher está inventando isso para te estoquir? - alertei papai e nem dei tempo dele responder. Virei para ela e sorri. - Não tem provas, então não pode me acusar baseando-se em suas deduções. - sorri vitoriosa.

A mulher assentiu calmamente e virou-se para o diretor.

- Peço para o senhor diretor, que faça uma análise das câmeras de segurança do estacionamento. - ela me olhou séria me fazendo engolir em seco… agora ela havia acabado comigo. Não tinha o que fazer, me joguei em minha cadeira e coloquei a mão na testa.

- Não será preciso diretor. Eu conheço minha filha. Mesmo que doa… sei que foi ela. - Papai estava visivelmente envergonhado, não conseguia olhar nos olhos dos dois a sua frente.

Só lamento se ninguém o chamou para felicita-lo pela filha brilhante. Meu velho tornou a pedir o preço para a professora mas para a minha total surpresa… ela rejeitou. Disse que o problema não era o dinheiro e sim a minha educação.

- Lamento Sr. Yang… - o diretor começou. - Não vejo outra alternativa… a não ser a expulsão de sua filha. - meu pai retirou os óculos e caminhou para a janela. - Quanto a você Srta. Son, pode passar em seu armário e recolher suas coisas. - Quase pulei de alegria. Finalmente me livraria daquele circo tosco de palhaços hipócritas e teria mais tempo para a Wanted. Mas ao olhar para o meu velhinho… tão devastado, senti um pequeno aperto no coração, como se sentisse a dor que ele sentia.

Pensarei em me arrepender mais tarde.

- Espera… Espera... Confesso que peguei pesado, ok! Mas quem nunca errou? Todo o mundo aqui já foi jovem e já fez alguma merda por impulso. - o diretor pigarreou ao ouvir o palavrão e eu resmunguei um "foi mal". - Eu só peço uma segunda chance. - o diretor negou de prontidão. Não havia outra saída… tive que apelar para a demonia… Mesmo que atacasse o meu orgulho. - Qual é professora… Eu faço o que a senhora quiser. Dei-me uma última chance de mudar. - falei de cabeça baixa, apelando o máximo que conseguia e confesso… Não tenho esperanças.

O olhar dela era frio e imparcial. Perfurou a minha alma, tentando me desvendar a fundo. Só olhei para o estado do meu pai e suspirei cabisbaixa. Foi então que Taeyeon deu as costas e sussurrou algo com o Sr. Kyuhyun.

Aposto cinco conto e uma coca cola que ela estava mandando chamar o segurança para me jogar na rua.

- Volte amanhã, Chaeyoung. Direi o que terá que fazer para permanecer em Yonsei School. - Foi tudo que ela disse antes de se despedir educadamente e ir embora, me deixando confusa.


Notas Finais


Espero que gostem :)
Obg por td ❤️


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