História O Filho do Chaos - (Interativa) - Capítulo 9


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sei que decepcionei bastante ao parar com a fic. Ainda mais sem aviso. Mas espero reconquistar a confiança de vocês

Capítulo 9 - Capítulo V - A Dor que todos sentem.


Fanfic / Fanfiction O Filho do Chaos - (Interativa) - Capítulo 9 - Capítulo V - A Dor que todos sentem.

A guerra, assim como é madrasta dos covardes, é mãe dos corajosos."

-Miguel de Cervantes


Maurício achou a sensação de um acidente cinematográfico bem interessante, sentiu o corpo desprender-se de tudo, como se levitasse dentro do veículo, até o cinto de segurança travá-lo sem piedade. Ele já tinha batido com o carro? Sim. Ele já tinha rodopiado na terra mais que peão do baú? Sim. Ele já tinha dado um duplo trezentos e sessenta carpado gira-gira do biro-biro com o carro? Não até aquele momento.

E pra ele o mais divertido, e a palavra certa era essa, foi à cara de Claire em câmera lenta ao seu lado, com os olhos arregalados e a expressão de pavor, e pouco antes do carro colidir com o chão pela primeira vez, dando início à parte séria do acidente, tudo que sua mente conseguiu confabular foi: Porra Maurício!

A partir do momento que a dianteira do carro encostou-se ao chão, os quinhentos quilos de metal com três pessoas dentro deu outras três cambalhotas, até parar de cabeça pra baixo.

Quando o filho do Tártaro abriu os olhos tudo ainda estava desfocado, e aos poucos, depois de um severo piscar de olhos, a clareza retornou. O que infelizmente significava que ele podia ver Claire com a cabeça atravessada no pára-brisa, e o corpo completamente mole e caído sobre o teto do carro, que naquele momento representava o chão. Maurício soltou o cinto que o prendia, que só não o marcou de cima a baixo por causa da jaqueta de couro. Caiu com as costas no teto do carro, e contraiu-se em posições volúveis para sair do veículo.

E poucos segundos depois de estar pisando em terra, houve a explosão.

O Filho de Tártaro caiu de quatro a quase vinte metros de onde estava originalmente, abismado com a repentina morte de suas duas companheiras.

_Me parece que um sobrou._disse uma voz, que saia do completo breu e entrava na luz do veículo ainda em chamas._A viagem pra Tallahassee vai ser bem difícil sem um carro, faltam quase quinze quilômetros.

Ele olhou na direção da voz e enxergou três corpos.

O da esquerda era uma menina de cabelos negros e encrespados, tinha pele de tom bem escuro e marcantes olhos rápidos da mesma cor que sua pele.

Conforme a forma da direita se movia e aproximava-se, o filho de Tártaro percebia não ser humanóide e sim "felina".

Com asas de morcegos largas o suficiente para servir de cobertura de chuva para três pessoas, espinhos atrofiados que deixariam o Spike do X-Men Evolution morrendo de inveja e uma língua no mínimo pornográfica de tão grande e molhada, uma Mantícora revelava-se como a segunda convidada do baile de gladiadores que ali formar-se-ia.

E o do meio, presumido por Maurício ser o líder do bando, era Mark Von Frederick, o Ferreiro do Chaos.

Ele tinha pouco mais de um metro e oitenta de altura, um corpo que pairava entre esguio e atlético, tinha o cabelo castanho-claro e curto, os olhos num tom madeira esverdeada, mas sem dúvida o que mais destoava em sua aparência era o uniforme de confederado que usava.

_Agora você me deve uma espada, eu disse que só morreriam duas._falou a garota em tom alegre.

_Depois resolvemos isso Jessie, vamos antes cuidar do metaleiro._respondeu Mark.

Maurício já havia detectado os três em sua frente, os analisando e ao passar sua mão atrás da espada e notar sua ausência, a dificuldade daquele momento tornou-se ainda mais óbvia.

_Fudeu._foi dito em alto e bom som pelo filho de tártaro._Aí galerinha do mal, posso pegar minha espada ali no carro? Sem ela não fica algo muito justo..._ele argumentava enquanto seus inimigos o olhavam com cara de confusão.

O Rosto de Mark passou de confusão para decepção e ele disse.

_Jessie, mata esse merda, ele está desarmado._logo depois assobiou e ordenou._Flanco. 

E a Mantícora que olhava para ele obedeceu-o.

Desarmado e Cercado Maurício pensava. Lutar contra um monstro sem uma arma era idiotice, ele sempre dizia isso aos seus alunos, mas não tinha para onde fugir. Sua melhor chance estava em desarmar Jessie e aí sim matar a Mantícora. Mas se a garota tivesse mais de dois neurônios certamente flanquearia junto ao monstro, e avançaria ao alvo quando tivesse sua atenção dividida.

Ele continuou parado, literalmente parado, a inimiga a sua direita vinha caminhando de forma desleixada e cada vez mais, manter-se sem movimento ficava mais difícil.

"E Então garoto, o que pretende fazer?” _A voz de seu pai ecoou em sua cabeça.

"Uma dica cairia bem.” _retrucou, enquanto suas pernas quase gritavam em desespero pela fuga.

"Nas suas veias corre o sangue do próprio Tártaro, e você precisa de dicas?"

"Usar os seus poderes nunca foi o meu forte."

"Pedir pra usar os meus poderes nunca foi seu forte.” _Respondeu seu Tártaro em tom áspero. "Se tivesse simplesmente me pedido as correntes, eu as teria dado."

Com essa afirmação, sua postura se desfez e a Mantícora atacou. De alguma forma milagrosa girou para o lado, desviando do monstro, mas caindo em frente à espada de Jessie, que estocou em sua direção, ele por pouco desviou o rosto, porém o fio da espada chegou a encostá-lo levemente, fazendo uma listra de sangue que começava na bochecha e arrebentava o lóbulo de sua orelha.

"Prove que temos o mesmo sangue.” _A voz áspera gritava em sua cabeça.

A Mão direita do filho de Tártaro colidiu contra as costelas mais inferiores de Jessie, em um golpe digno da fratura interna causada no osso. Os passos da Mantícora começaram no momento que Maurício acertou um chute giratório no joelho da garota em sua frente, que caiu e largou sua espada.

No momento que sua mão agarrou a arma caída, o rugido da fera que novamente saltava em sua direção fez a terra tremer. Virou-se em um urro furioso apontando a lâmina para o monstro, acertando-o na região abdominal e dilacerando a Mantícora até a parte interior de uma das patas traseiras. Então largou a espada, sentindo uma forte pontada no pâncreas, e depois outra e outra. Só após rolar novamente, e virar para onde estava que notou que a garota que derrubara, aproveitou a chance e apunhalou-o. Ele sentia as pernas começarem a bambear, a visão a ficar turva, um gosto azedo ia surgindo na boca como se de dentro para fora ao ponto que seu cérebro processava o que acontecera.

"Tem ideia de tudo que tive que fazer para ter direito a essas correntes?" Era seu pai falando, mas a voz diferenciava-se em algo que ele não podia definir.

"Você carrega em si o sangue de um dos cavaleiros do Chaos e vai cair mediante a uma apunhalada."

Mauricio desabou ao chão segurando a lateral perfurada do seu corpo, por mais que não soubesse ele sentia a dor de um rim perfurado de um lado ao outro e um segundo quase cortado ao meio.

E em sua cabeça a voz gritava:

"Levante! Filho meu não se ajoelha perante a morte. Filho meu não é derrotado em combates injustos. Filho meu mata, dilacera, causa dor e agonia. Você é meu filho "Οργή” (Orgí)."

E os olhos dele começaram a emanar escuridão.

 

_

 

            Alexei Zlatanova dirigia uma caminhonete azul pelas estradas sinuosas de Phoenix, sentia-se sozinho na parte dianteira do caminhão, no rádio Darius Rucker cantava Wagon Wheel e a sensação de andar com uma arma no pescoço pronta para dispará-la contra a cabeça de seu melhor amigo a qualquer momento martelava pregos de loucura em sua frágil sanidade de semideus.

Ruan, o que dormia na caçamba da caminhonete, tinha apenas um de seus pesadelos constantes, outro em que matava a todos, começava pelos que odiava, depois os que o odiavam, e então os que o temiam e tratavam-no como aberração até que chegava aos que o amavam, e fatalmente em sua irmã.

            Nos seus pesadelos o selo sempre falhava. Zlatanova não aguentava e desintegrava-se no processo, destruindo a única chance de Ruan encontrar paz. Quando acordara podia ouvir bem ao fundo a voz de Johnny Cash cantando Hurt e sentiu o coração apertar. Permaneceu deitado ali, olhando para o céu estrelado e chorando por seus lindos olhos castanhos que já não mais derrubavam lágrimas.

            Passavam por enormes plantações de pinheiros e vinhedos que preenchiam bosques quilométricos de madeira resistente, cheiro de natureza e neblina. A estrada estava um tanto molhada visto que havia chovido recentemente, a direção provava-se monótona e entediante, ainda mais pelo sentimento que os pairava. Já eram nove horas viajadas quando fizeram sua primeira parada pra se alimentar, pois o café fora reforçado e haviam levado biscoitos salgados que acabaram antes de saírem do estado de Nova York.

            O Midway Spot era uma cafeteria e lanchonete comumente usada por caminhoneiros que faziam o transporte de algodão do Arizona até Manhattan, às duas horas da manhã ela estava longe de estar cheia. Havia apenas Ruan, Alexei, a garçonete, o cozinheiro e mais três caminhoneiros no lugar.

            As paredes eram majoritariamente de um azul esbranquiçados enquanto muito do acabamento seguia um vermelho quase pornográfico, luzes de neon iluminavam o lado de fora formando a logo do lugar em seu teto: Uma ovelha que tomava choque.

            Na garagem haviam três caminhões estacionados, um deles de uma forma porca, que obviamente obstruía a passagem dos outros dois. Nenhum deles ostentava marcas em suas latarias, apenas cores que antes vivas agora estavam desgastadas pelas longas viagens. Os Pneus do caminhão mal estacionado estavam perigosamente carecas e prestando alguma atenção ao interior da parte dianteira, viam-se porqueiras e tranqueiras em todo o painel. Quem percebeu tudo isso fora Ruan, mesmo sem perceber que o fazia, enquanto Alexei preocupava em estacionar de forma que nenhum dos caminhões o atrapalhasse, e que mesmo que outros chegassem ainda sim houve facilidade de passagem, afinal um semideus nunca sabe quando vai ter que sair correndo.

            Ambos desembarcaram da caminhonete, e ao se entre olharem perceberam que poderiam levantar suspeitas. Havia uma forma de passar por aquilo evitando esse tipo de problema, apesar dela poder acarretar em outros problemas, mas que seria mais facilmente contornados, talvez nem tanto a comida que certamente seria cuspida. Já decididos de que era melhor a certeza da atenção do que as possíveis suspeitas, e assim, entraram lá sorridentes e de mãos dadas.

            A entrada do casal obviamente teve impacto naquela atmosfera, os três caminhoneiros que conversavam olhavam aquela cena chegando a achar engraçado, todos barbudos e com o banner “America Great Again” na traseira de seus caminhões, o mais moderado deles, que usava uma camisa xadrez avermelhada achava apenas que seria falta de respeito caso eles se beijassem, visto que mãos dadas era possível de ser ignorado. O de Azul que por sua vez era o menos tolerante dos três, tinha sua perna tremendo constantemente por algum sentimento que pairava entre nojo e raiva, estava ao ponto de ir até aquelas duas “bichinhas”(como ele os chamava em sua cabeça) e pedí-los de forma educada que se retirassem daquele estabelecimento que prezava pela boa família, e caso não tivesse seu pedido atendido imediatamente, estava também disposto a ser um tanto mais incisivo.

            Ruan sentou-se em um dos bancos acolchoados e Alexei foi ao balcão pedir. Um mexicano homossexual fazendo um pedido? Não imaginavam o que poderia sair dali, já Alexei, Loiro dos olhos claros no mínimo diminuía um pouco da carga do preconceito.

            A verdade é que tudo correria bem, naquele momento o único problema deles eram o Orthos e o Filho de Apolo montado em suas costas, que a uma velocidade quase inacreditável ficavam cada vez mais próximos. Mas após o café que haviam pedido ser servido e os ovos e bacon começarem a serem fritos Big Joe saiu do banheiro.

            Beirava os dois metros de altura, e de um ombro ao outro tinha exatos sessenta e oito centímetros, caucasiano e com a pele do rosto nitidamente prejudicada pelos anos na estrada recebendo constante sol, devia ter pouco mais de quarenta anos e provavelmente o triplo da idade em peso. Diferenciava-se dos outros caminhoneiros presentes pela barba aparentemente muito bem cuidada, e pelos músculos que se sobressaiam a sua gordura, todos eles frutos de intermináveis cargas e descargas. Desde Madeira e Cimento até Cocaína e Armas Ilegais.

            Ao ver os dois semideuses sentados juntos soltou uma leve risadinha debochada, mas graças aos deuses passou por eles sem arranjar confusão naquele momento.

            O Café não estava quente e sem dúvida era uma das coisas menos prazerosas que os dois já tiveram de beber. Os ovos e bacon estavam tão ruins quanto o imaginado, porém, o gosto ascoso e exagerado da gordura impediam que qualquer possível perdigoto fosse sentido.

            _Em quanto fica?_Juan perguntou puxando sua carteira.

            _Quinze dólares._O cozinheiro que agora cuidava da caixa registradora disse.

            Juan colocou no balcão uma nota de dez e outra de cinco que acabou voando. Ao pegá-la no ar e devolvê-la ao balcão notou que a de dez havia voado também. Mas ao ver o cínico sorriso no rosto do balconista sabia que não era isso que estava acontecendo.

            _

As Máscaras de respiração romperam-se de suas gavetas caindo na frente das quatrocentas pessoas, dentre passageiros e tripulantes, que tiveram sua sentença de morte assinada pela filha de Hades.

A Pressão do ar do lado de fora sugava fortemente a todos os que estavam dentro da aeronave. Malas e mochilas voavam de um lado para o outro, saindo e entrando em queda livre, ou mesmo acertando pacientes.

Como uma das asas explodiu e agora era apenas uma fumaceira negra de destroços e preocupação. Tanto o piloto quando seu auxiliar faziam o possível para manter o avião estável, visando um pouso emergencial no mar.

Uma mala preta, um pouco menor que uma criança de oito anos acima do peso, porém com quilos de bagagem desceu do lugar onde estava guardada no momento da curva brusca do piloto, assim, acertando a lateral da cabeça de uma senhora de sessenta e oito anos que viajava para o Havaí com a intenção de comemorar sua tão almejada aposentadoria. Seu esposo, dois anos mais velho, viu a cena completa, desde o pescoço quebrando até o desprender da cadeira e voar pelos ares.

Andrew, o único outro passageiro que acompanhara completamente a primeira morte dentro daquele avião, tinha certeza que não seria a única. Não sabia se podia ser algum poder de filho de Hades, pressentir a morte, ou era o simples fato de haverem pessoas dentro de uma caixa de metal caindo a quilômetros por hora em direção ao chão, mas naquele momento aquilo não fazia diferença.

_Salva a minha irmã._gritou para Maria.

_Ela acabou de matar todo mundo. 

_Foda-se Maria, empurra ela na direção da garota no grifo, eu dou um jeito de nos salvarmos.

Maria só teve de pensar por poucos segundos. E sua mente gritou: να κινηθεί (na kinitheí)

Annastácia, logo que saiu do avião, viu-se em queda livre em direção a garota que ofendera seu irmão. Além de seu escudo agora segurava também sua espada, suas mãos quase sangravam de tanta força que faziam. Desceu com a espada perfeitamente direcionada à asa do grifo, que por não perceber a aproximação inimiga deixou-se ser golpeado. A espada não apenas rasgou a asa esquerda como se cravou entre as costelas do monstro, e por muito pouco não decepou a perna da filha de Hécate nele montada. Dois gritos agudos e abafados pelos céus fizeram-se presentes quando a espada foi sentida pelo interior do Grifo, o da própria criatura, e o de sua executora.

Mas não houve força suficiente para segurar-se, logo, Annastácia continuou caindo e o próprio vento removera a espada das entranhas da criatura que agora voava com extrema dificuldade.

Ela, uma garota de apenas catorze anos aceitara sua morte, se a semideusa que estava em cima do Grifo pudesse voar, provavelmente o faria. Certamente morreria, e por mais que ela não fosse a torturadora de Nico, pode ver nos olhos dela a óbvia participação. Largou seu escudo, abriu seus braços e fechou os olhos. Não tinha um sorriso no rosto, mas sua expressão não era triste, sua expressão não passava nada, absolutamente nada.

Mas um sorriso formou-se em seu rosto quando os ventos ouviram a Maria, e a empurraram com toda a força em direção ao seu alvo.

Marcela achava impossível o que estava acontecendo, sempre soube que alguns campistas do Acampamento meio-sangue poderiam ser verdadeiramente duros na queda, o próprio Malak fora quem a avisou sobre isso. E ainda mais que desde que se negara a comunicar-se com sua mãe ainda estava aprendendo a controlar a magia sem depender completamente dela.

Hécate não a podia impedir de utilizar sua magia quando ela ascendia a sua forma caótica. Mas em outros casos, ela precisava guardar magia em si e não poderia gastá-la como bem entendesse, já que além do desgaste físico, ela apenas era obtida drenada de criaturas mitológicas ou semideuses. E por mais que Malak fosse uma fonte sem fim, da última vez que tentara extrair dele suas veias começaram a saltar, ficaram negras, sentiu seu coração apertar e o corpo degenerar-se muito mais rapidamente. 

"A culpa fora minha, talvez nem em sua forma caótica você aguente o puro Chaos." Malak disse quando ela acordou duas semanas depois.

"Lembre-se, quanto maior o feitiço mais magia ele gastará, e se você exigir demais acabará por gastar sua própria magia, sua própria essência." Ele a advertira.

"Treine, torne-se uma ótima guerreira, use magias que de deixe mais poderosa e não as que enfraquecem seus inimigos. Faça muito do pouco, e não pouco do muito." Aconselhou-a depois de todos seus treinamentos com ele e Donnavan.

Mas ela nunca havia estado em uma batalha verdadeira com um semideus, por mais que lutas intensas fossem constantes no acampamento do Chaos e Malak fosse completamente justo e imparcial, ninguém nunca fora louco de tentar matar a esposa do chefe.

Então quando o punho fechado de Annastácia acertou-a com toda a força em seu queijo, ela sentiu-se na casa de sua prima novamente. Agredida por homens muito mais fortes, e sorriu por isso.

_Como ela está?_perguntou Andrew.

E Maria, cuja Iris brilhava em azul bebê respondeu:

_Lutando com a minha irmã.

_Agora é com ela.

_Ok. Agora nos tira daqui pelas sombras.

A Coluna de Andrew estalou em calafrio e todos seus pêlos arrepiaram-se.

_Eu odeio as sombras. Vivi nelas toda minha vida e foi nelas que encontrei meu irmão…

_Andy. Não tem…_A turbulência começara a ficar impossível e o avião quase íngreme. Todos os passageiros sem cinto, que incluíam os dois semideuses começaram a flutuar.

_Por favor, Andy, nós vamos morrer.

E apesar dos tremores nas mãos, da dor de cabeça que surgia só em pensar no assunto, ou mesmo da dor de barriga que surgia ele puxou-a por baixo dos bancos onde eles estavam sentados. E tudo ficou preto para eles.

Marcela e Annastácia lutavam ferozmente, já desvencilhadas do Grifo que sangrando ouro fechou os olhos e caiu muito mais rápido que ambas. Nenhuma magia fora proferida, pois a filha de Hécate sabia que necessitaria de teletransportar-se para terra firme, então era com socos e espadadas que tentava matar a filha de Hades.

Marcela tinha mais idade e mais força, mas Annastácia tinha a fúria e a raiva, seus golpes eram descabidos e mal planejados, mas um simples soco mal dado na cabeça de sua adversária a desnorteou por bons segundos.

A filha da magia tentou socar o rosto de Annastácia que desviou do golpe e mordeu o antebraço de sua oponente. E morderia até seus dentes amolecerem ou engasgar com sangue. Nenhum dos dois ocorreu, pois fora acertada no fígado.

Mesmo assim não largou sua inimiga, foi para as costas dela imobilizou-a e gritou:

_Você, vai morrer comigo sua vadia.

E com a força sobre-humana que a raiva lhe concedera mordeu a filha de Hécate na orelha. E não soltou de jeito nenhum.

Τηλεμεταφορά(Tilemetaforá) Marcela viu-se obrigada a conjurar.

_

 

O maior problema era o dinheiro contado, diferente dos outros semideuses que podiam contar com seus orçamentos. A própria parada para comer podia transformar-se na necessidade de caminhar uns bons quilômetros. E dez dólares significavam mais quilômetros andando e mais tempo desperdiçado.

Ruan sentiu o fogo interior ficando mais forte. Assim como Zlatanova sentiu seu amuleto pesar.

_Pode verificar se não voou aí pra dentro?_perguntou tentando manter a calma.

_Não, não vi para onde voou, mas sei que para cá não foi._respondeu mantendo o sorriso.

Os caminhoneiros que a tudo acompanhavam começavam a rir nem tão discretamente. Alexei levantou-se e foi tentar apaziguar a situação.

_Acontecendo alguma coisa amor?

Aquela palavra perfeitamente atuada, liberada de forma natural irritou o balconista que rispidamente comentou:

_Vocês viados são assim. Gastam tanto dinheiro cheirando e se usando drogas que não tem pra pagar a porra de um lanche.

_Viadinhos de merda._Big Joe falou.

_Ele deu o dinheiro, acho que ele pode estar atrás do balcão._Alexei tentou manter as coisas calmas.

_Está o chamando de ladrão sua bicha?_Gritou Big Joe, levantando-se em direção aos semideuses.

Ruan fervia por dentro. Fervia de verdade, seus punhos aos poucos ficavam azulados e emanando pura energia.

Com um tapa fortíssimo no balcão Big Joe gritou novamente:

_Paguem logo. São trinta dólares. Pois em lugar de macho viadinho paga em dobro.

_Não aceitamos esse absurdo._Vociferou Juan.

Os três outros caminhoneiros encaminhavam-se a porta, a fim de bloquear a saída. Um estrondo foi ouvido, e antes que pudessem notar as luzes completamente apagadas Alexei já arrastava seu companheiro para fora daquele lugar.

_Você derrubou um Raio?_perguntou Ruan atônito.

_É, talvez não tenha sido a melhor ideia. Mas deu certo.

_Eu só ia dar uma surra naqueles caras.

_Sua mão emanava magia pura Ruan. Magia pura. Você ia dar um soco e matar todo mundo que estava ali._disse subindo na caminhonete junto ao seu amigo.

_Eu não precisaria de magia pra arrebentar eles.

_Eu sou seu mestre Ruan, você não tem controle algum. Os anos passam, seu poder cresce e sua responsabilidade e controle diminuem.

_Você é como todos os outros que só me vêem como monstro. Está doido pra usar essa merda no seu pescoço em mim._novamente a mesma energia azul aparecia.

_Se eu fosse já teria usado.

_Não é como se eu explodisse tudo toda vez que eu dou uma topada com o dedo.

_Da última vez que se estressou você matou dezenove semideuses Ruan. Dezenove.

_O Quíron continua espalhando suas meias-verdades? Como se alguém tivesse olhado feio pra mim e eu matasse ela no mesmo instante.

_Então desembucha Ruan, são sete anos treinando você e até hoje tenho que me conter com essa baboseira mal contada do Quíron. Dos que sabem o que aconteceu só vocês dois estão vivos.

A Energia aumentava, as lembranças eram dolorosas demais, tanto do ocorrido quanto dos anos que o sucederam. 

_Quer saber? Foda-se._gritou Zlatanova._ Vamos resolver isso agora, não vou a uma missão de vida ou morte com alguém que não confia em mim completamente.

Puxou o freio de mão do carro e começou a girá-lo na estrada. Quando parou ele ordenou:

_Sai da porra do carro.

Ruan desceu, porém o filho de Zeus fora mais rápido e quando o filho de Hécate ficou em pé no chão sentiu o punho de Zlatanova em seu rosto.

_Porra! Sete anos. Sete anos do seu lado e você continua igual. Fiz de tudo pra te ensinar a defender-se sem matar todo mundo e basta meia ofensa pra você ficar pronto pra explodir meia cidade?

_Você acha que é o que eu quero? Acha que eu amo isso? Não sou doente por poder como você filho de Zeus. O Sangue da minha mãe é a maldição que corre nas minhas veias.

Nenhum deles sacara suas armas, mas o punho direito de Ruan brilhava em um azul quase florescente. Alexei deu dois poderosos passos à frente e conjurou outro raio, agora diretamente em direção a Ruan. Que se virou para os céus e deu um soco em direção à pura descarga de energia conjurada por seu mestre.

E pela primeira vez na vida de Zlatanova, ele vira um raio ser destruído. 

Ao olhar diretamente para Ruan ele sentiu algo que não se sente em um semideus. Ele sentiu a mesma energia emanada por seu pai durante a guerra contra os titãs. Olhar para Ruan. Em posição rija, punhos fechados e enérgicos e olhos brilhantes. Era como olhar para um Deus. Poder puro e ilimitado.

Mas ele confiava na decisão de Quíron. E continuou a descer Raios cada vez mais poderosos em seu aprendiz.

Todos foram destruídos em golpes simples.

"Nunca achei que fosse desejar a morte de um semideus, mas depois do que vi naquele dia, talvez tivesse sido melhor matá-lo. Temo que talvez ele seja imparável, um semideus que como Hércules, de tão poderoso poderia ascender ao cargo de deus." 

Quíron dissera antes de eles saírem do acampamento.

"E porque acha que sou o único que pode pará-lo?" 

"Pois se não for você, nenhum de nós poderá. Esse é o dever de um líder. Você, assim como seu Pai,  assumiu a posição do líder dos líderes."

Quando seus braços pesavam dezenas de quilos, suas pernas amoleciam e sua respiração mostrava-se impossível Alexei parou.

Ruan respirava levemente ofegante, mas não havia nenhuma gota de suor em seu rosto. Parecia ter ganhado músculos e  uma boa altura. A postura ainda era a mesma e a passos lentos ele andava até o filho de Zeus. Agora ajoelhado e com os braços abaixados.

_Quantos foram?_perguntou Alexei.

_Cento e vinte sete._sua voz não pertencia ao seu corpo. E aos poucos ele retornava a sua forma original.

_Eu não consigo te matar Ruan. 

_Você estava muito cansado. Dirigira por tempo demais. Venha te carrego para o carro.

Ruan pôs Alexei nos ombros e levou-o para a caçamba da caminhonete.

Tyler Adams, que chegara ao meio da batalha e vira tudo perfeitamente decidira por trocar de estratégia. O combate direto já não lhe parecia mais uma boa ideia, e por isso ele seguiu em direção ao Olho de Urano.

_O que aconteceu lá Ruan?_perguntou Alexei.

_Por que eu te contaria agora?

_Acabei de genuinamente tentar de matar. E você me carregou para a caçamba da caminhonete. Acho que no mínimo você gosta de mim.

_O que você sabe?

_Você tinha doze anos, descobriu seus poderes e explodiu dezenove adolescentes.

_Sabia que um deles era meu melhor amigo? Que uma delas ela minha namorada?

_Não.

_Ou mesmo que o primeiro a morrer era meu irmão mais velho?

Alexei ficou em choque, não sabia absolutamente nada disso. E não era de seu conhecimento que alguém mais soubesse. A própria história de Ruan era proibida de ser contada pelo acampamento, mas é impossível conter o boca-a-boca ainda mais quando alguns dos campistas haviam perdido irmãos.

_O Nome do meu irmão era Gabriel Montez. Na época ele tinha dezessete. Já havia aprendido a dominar os poderes da nossa mãe e se não fosse por ele nem eu nem Maria chegaríamos ao acampamento. Ele dominara os poderes quando tinha apenas treze anos, mas aos onze já demonstrava grande potencial. Nosso pai era um Capitão do exército mexicano. Meu irmão fora educado desde criança com uma disciplina inquestionável e quando chegamos acampamento ele quis fazer o mesmo comigo. Não me leve a mal, tudo que importava para ele era que eu aprendesse a me defender, mas acima de tudo defender Maria. A garota não era muito bem minha namorada, mas foi com ela que eu beijei pela primeira vez. E quando ela começou a namorar o Viktor eu senti-me destruído. Eu era só uma criança. Meu amigo, Viktor, estava chateado comigo, pois eu vivia desmarcando nossos encontros para ficar com meu irmão, mal sabia ele que não era minha opção. Até que chegou o dia da caça a bandeira. Meu time foi dizimado, mas alguns semideuses mais velhos decidiram tirar com a minha cara ao invés de acabar com o jogo. Colocaram meu ex-amigo, para lutar comigo, ele era dois anos mais velho e naquela ideia aquilo fazia bastante diferença. Todos caçoavam de mim, até meu irmão apenas me chamava de lixo e covarde, e dava ordens para eu levantar e acabar com todos. Mas porra eu era uma criança._ Lágrimas surgiam nos olhos de Ruan._Foi quando senti o fogo, um fogo interior incomparável a qualquer coisa que eu já tivesse sentido. Dei com minha espada com toda força contra o escudo do Viktor, cheguei a amassá-lo, hoje lembrando posso notar os olhos assustados deles, eu já devia estar emanando aquela energia azulada, dei outros três golpes. O terceiro cortou o escudo e o braço de Viktor. Mas mesmo assim eu não parei, só foi necessário mais um acerto. Minha espada continuava ali, mas em volta dela a energia azul estava na forma de outra espada dez vezes maior. Meu golpe foi horizontal e eu cortei Viktor ao meio, como uma faca fervendo corta manteiga. E a energia azul da espada dissipou-se para todas as direções acertando todos os que estavam ali. A chama azul apenas cessou após matar todos aqueles semideuses, Quíron viu tudo quase de camarote, mas quando percebeu o problema era tarde demais. Depois de tudo senti uma flecha perfurando meu peito e o tranquilizante teve efeito imediato. Dezesseis dias depois eu acordava pronto para minha primeira aula exclusiva sobre controle de poder, e você era meu mestre.

_Então aquela foi a única vez que você tinha usado seus poderes até agora?

_Sim. De vez em quando eles aparecem. Mostram a vontade de fugir. Mas usar de verdade fora só daquela vez e hoje.

Ambos ficaram em silêncio.

_Eu sou uma jaula de madeira, com um predador furioso dentro dela.

_Você conseguiu controlá-lo bem contra meus raios.

_Na verdade não, eu estava mirando nos céus. E mesmo assim você estava a uma distância boa, além de eu não estar verdadeiramente estressado ali._suspirou._ Acredite Alexei, não há outro jeito. Esse amuleto que está no seu pescoço é o selo da magia. Ele deve ser colocado em mim e segurado pelo canalizador. Ele absorverá a maior parte da energia, mas ainda assim o canalizador vai ter que aguentar uma boa quantidade. A nossa chance está em você despejar a energia em formas de raio enquanto canaliza.

_E como é um processo sem volta, não há como você sobreviver.

_Ou você absorve tudo e me mata, ou o amuleto devolve o que absorveu para mim.

_Queria que as coisas fossem diferentes Ruan.

_Todos queríamos Alexei, mas lidar com as escolhas difíceis é o papel de um líder. Agora pode deitar e dormir, nós ainda temos um bom caminho a percorrer.

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Maurício não sentia mais nada, estava em um ambiente completamente escuro, vazio e com o ar pesado. Deitado no chão sentia-se fraco e indisposto.

Correntes negras que ferviam como lava se arrastaram em sua pele até suas mãos, amarraram-nas e puxaram-no para cima como um pedaço de carne em um açougue.

Logo ele estava nu, e seu corpo queimava.

Já havia quebrado alguns bons ossos, sido golpeado fortemente pelos mais diversos semideuses e monstros, no entanto, nunca sentira algo como aquilo. Era como se agulhas ferventes e tortas se enfiassem em sua pele. Fala que era como derramar álcool em carne viva seria um eufemismo para o que o filho do Tártaro sentia naquele momento.

Ouvia-se barulho de correntes sendo arrastadas pelo chão em volta de Maurício. Quando ela parou seu movimento cíclico e acertou as costelas do semideus seu grito de desespero fez-se presente.

Não gritou nada em específico, apenas um sonoro “Ah” que vinha do fundo de sua garganta. Ele sorriu e surpreendendo seu torturador respondeu:

“Sabe Pai, minha coceira é aqui do outro lado.”

Dessa vez as correntes acertaram-no nas costas, em dois pontos diferentes. A dor absurda apenas ajudava a esquecer as anteriores quase tão terríveis.

“`Ao menos inteligente você é um pouco.” Respondeu Tártaro, aparecendo em sua frente.

“Pai... Por que você parece o Romário?” perguntou Maurício segurando sua risada.

“Sua mãe era brasileira e gostava de Futebol. O que eu podia fazer?”

“Sei lá, virava o Pelé.”

A chicotada agora fora no rosto, e o semideus agora jurava que seu maxilar não estava mais no lugar certo.

Tártaro começava a enrolar as correntes em sua mão, fazendo o mais infernal dos socos ingleses enquanto dialogava com seu filho.

“Acha que vai chegar às correntes assim?”

Um soco do outro lado do rosto. Bastante sangue pingava da boca de Maurício.

“Esse cabelo ridículo, aquela máscara de merda. Aquela jaqueta de couro, você se acha algum badboy dos anos oitenta garoto?”

Agora o gancho direcionara-se à costela.

“Bem aí, a coceira é bem aí”

Tártaro, explodindo em raiva golpeou-o sem parar.

“Nem respeito por mim você tem. O que acha que eu fiz pra conseguir aquelas correntes?”

Maurício sabia a resposta, mas manteve-se calado.

“Tem ideia de quantas pessoas eu torturei até confessarem ou ficassem completamente retardadas? Eu fiz um filho de Ymair, o nosso Deus da matemática, não conseguir multiplicar por um de tanta porrada na cabeça, dor e falta de ar que ele sofreu. E naquela época eu ainda nem havia me juntado a Chaos.”

            “Seu monstro.”

            “Eu mal me lembrava de tudo isso até o aleijadinho começar a mover as peças. Mas quer saber? Foda-se. Vivemos em um mundo onde ninguém mais acredita na nossa existência. O próprio falso Deus pelo qual nos trocaram está perdendo sua credibilidade. Não é engraçado? Humanos achando que vem do nada, achando que são alguma coisa. Pelo menos minha geração tinha a decência de encontrar o próprio lugar.”

            “Então porque destruiu a todos?”

            “Pois eles mereciam, por mais que aceitassem os deuses não os obedeciam. Por que você pretende defender essa plebe menino? Porque não pode ser como eu? Abraçar seu lado Caótico e trazer a agonia a todos.”

            “Você fala como se não soubesse que isso é o que meu corpo mais deseja. Tornei-me professor, pois queria aprender tudo sobre estilos de luta. EU não mato, não sou corruptível.”

            Tártaro olhava com um rosto confuso, sentia-se surpreso, mas as lembranças deixavam-no admirado.

            “Comparado aos outros Deuses não posso reclamar de ti como Pai, apesar da pouca comunicação cuidara de minha chegada até o acampamento. Mas é meio foda ser seu filho sabe. O que você acha que esperam do filho do Tártaro? Por isso me dediquei tanto a cuidar das pessoas, tive sempre o maior cuidado para nunca feri-las e advinha só? Depois de um tempo valeu a pena. Hoje todos me dão bom dia alem de serem gentis comigo. Vale a pena ser o diferente, vale à pena abrir mão do orgulho e ceder um pouco. Vale à pena confiar. Aquelas duas garotas confiaram em mim e agora estão mortas. O que eu vou fazer sobre isso? Nocautear os dois semideuses e chamar a polícia.”

            “Você parece sua mãe falando. Ela era uma policial militar no Rio de Janeiro. E era absolutamente honesta. Quando você tinha quatro anos ela saiu pra trabalhar e te deixou em uma creche. Naquela noite ela salvou dois policiais corruptos. Que vieram a matá-la poucas horas depois porque ela havia descoberto todo o esquema e eles sabiam que ela era honesta demais para aceitar qualquer coisa como aquela. Eu mesmo te busquei na creche e te levei aos braços de Quíron.”

            De repente não haviam mais correntes, apenas um Pai e um Filho.

            “Eu nunca vou me arrepender pelas coisas que fiz garoto, a tortura e a punição são o que eu sou.”

            “Não estou te pedindo para ser diferente, estou pedindo para ME deixar ser diferente. Toda vez que eu luto eu reconheço sua voz na minha mente, dando dicas de onde meus oponentes sentem mais dor. Pai eu nunca poderei julgar se você foi um herói ou um vilão. Mas tenho certeza que se for pelos seus métodos eu não quero chegar a lugar nenhum”

            “Pelo jeito o seu lado Pimentel é maior que a minha influência sobre ti. Então sei lá, volte lá e arrebente eles de beijos. Não sei o que quer que eu diga.”

            “Pode só desejar-me boa sorte.”

            “Boa sorte garoto, mas só uma coisa, se você por acaso encontrar com o presidente do país, sabe? O que pôs crianças em jaulas.”

            “Pode deixar, vai ser seu presente de dia dos Pais”

            E com um fist bump para com seu Pai, Maurício retornou ao seu corpo.

            Ao acordar suas energias voltaram completamente. Teve uma brevíssima luta contra os dois semideuses e nem precisara matar a Mantícora visto que ela morrera enquanto ele estava em sono profundo. Vasculhou a mochila dos semideuses desacordados e com uma corda encontrada lá os imobilizou e chamou a pólicia, mas sabia que demoraria a chegar.

            Antes de ir embora seu Pai o advertiu:

            “Está esquecendo algo importante perto do carro.”

            E ao chegar lá recuperou sua espada e notou uma pessoa caída ao chão; Valentine Morgen.

            Ela havia escapado do carro antes da explosão, mas estava seriamente ferida por queimaduras e arranhões. Maurício viu-se com duas opções, deixar sua amiga ali e torcer para que os oficias cuidassem dos três, torcendo para que nenhum deles acordasse um pouco antes e com isso terminassem o serviço em Valentine antes de chegar ao filho do Tártaro. Ou a carregar pro extensos dezessete quilômetros dando-lhe quantidades dosadas da ambrosia que ele tinha para sua recuperação, sabendo que assim ficaria sem ambrosia quando chegasse às correntes e seja lá o que estivesse guardando elas.

            “E então garoto? Tu és ou não um Pimentel?”

         E com um sorriso no rosto Maurício vestiu a segunda mochila em suas costas, segurou sua companheira como um marido segura sua recém esposa e começou a caminhar.


Notas Finais


Então é isso, espero que tenham gostado do Retorno. Vou sempre postar assim que possível.


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