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História O fim e o começo - Capítulo 6


Escrita por: e itshamesbitch


Notas do Autor


Olá, espero que tenham tido uma excelente semana.
Boa leitura! ❤

Capítulo 6 - Moeda da Sorte


Fanfic / Fanfiction O fim e o começo - Capítulo 6 - Moeda da Sorte

SOFYA HIDALGO

 

De todas as formas Jonas era estranho. No mesmo momento em que ele estava bem, me respondendo normal, ele fechava a cara, como se estivesse sentindo uma dor horripilante ou morreria a qualquer momento. Por um instante me vi preocupada, sabendo que ele poderia estar com confusão mental, uma reação normal para alguém que havia levado uma pancada na cabeça. Pedi uma ajuda divina mentalmente,  não há de perder uma segunda pessoa naquele dia. 

Meus pensamentos tenebrosos foram afastados pela visão e contemplação da estufa e a exposição de flores do lado de fora do castelo. O local, apesar do vento frio, e a garoa caindo em nosso rosto ainda assim, exibia uma visão esplêndida. Possuía uma grama verde bem cuidada, onde eu poderia deitar e ficar observando o céus, sem necessidade de sair, ou estar em outro lugar a não ser aquele. Havia uma fonte que jorrava a água límpida no centro da região, em que eu e Jonas fomos contemplar mais de perto. Sentia que até mesmo os olhos do garoto percorriam a exuberância e elegância da fonte. Ela passava a tranquilidade enquanto a água caia sobre o fundo, fazendo um barulho calmo. 

Jonas levou as mãos ao bolso da calça, enquanto tirou uma moeda de dentro dela, apontando para mim. Fiquei sem saber o que deveria fazer, ou como lhe responder.

- Pega. - Ele disse, apontando para a fonte. 

Segurei o objeto, lhe apreciando. Não era de alto valor, mas me pareceu importante para ele. Olhei para o fundo da fonte, havia varias e varias outras como aquela no seu interior. Fitei a placa, que estava da altura do abdômen dele, em que estava escrito:

 “ A todos aqueles que tenham um desejo insolucionável, atire uma moeda com os pensamentos voltados a sua realização.”

Imaginei que mesmo bruto, ele estava me dando um gesto gentil, talvez fosse a forma de ele me dizer um obrigado. 

Coloquei na palma da mão, fechando os olhos e pensando no meu maior sonho: poder vivenciar um amor arrebatador, que me fizesse arder por dentro e reviver todas as chamas apagadas que havia dentro de mim. Respirei fundo e joguei com todas as forças a moeda no local, tanto que ela bateu na escultura que estava no meio da fonte e se apossou ali. 

- Nossa que sortuda! - pensei, olhando para Jonas que estava em um movimento que desconhecia dele, acho que ele estava sorrindo discreto, tentando disfarçar levando uma das mãos a boca, sorrindo da minha desgraça. 

Por alguns instantes pensei que talvez não precisasse de sorte, desejo, ou magia, não precisava me desperdiçar com aquilo pois já havia o encontrado, o destino já havia me presenteado. Soltei um suspiro, seguido de um sorriso, ao ver o horizonte, a estrutura da estufa feita de vidro, dando um ar romântico a minha desventura sem série da minha vida amorosa. 

 

LOUIS HOFMANN

Que desgraça! Encontrei uma pessoa pior do que eu na vida. 

Ofereci para Sofya a moeda em sinônimo de piedade, sabendo que ela não estava mais suportando me ver calado o dia todo, mas eu sabia porque, estava focado no meu emprego atual. Olhava por todos os cômodos do castelo, mesmo sendo um local improvável de conter alguma pista sobre a quem era o assassinato.

Procurei por pistas até mesmo na fonte, o que eu havia aprendido em anos de profissão era que sempre, em qualquer lugar poderia haver a oportunidade de conclusão do trabalho. Também estava com leve pressentimento de estar sendo observado, o que era uma sensação normal e presente nas 24 horas da minha vida, até mesmo quando me deitava, por vezes nem conseguia dormir. Sabia que em algum dia a balança da justiça cairia para mim, e me atingiria, se estaria satisfeito ou não, não poderia saber, ou apostar, a única certeza que tinha, e que nunca mudaria era que eu era um alvo, e que eu também deveria concluir os projetos o quanto antes, o mais rápido possível. Mesmo não estando animado para retornar ao meu ano, 2020, e toda a sua pandemia e o caos, sabia que não poderia estar para sempre ali, isso alteraria todo percurso natural da história. 

Observei os cabelos negros voando ao vento de Sofya enquanto ela olhava fixa para a estufa de flores, não entendia porque as mulheres tinham tamanha fissura e admiração por flores, era um objeto tão banal e inútil, existia apenas para ocasiões, eventualidade, como a morte por exemplo. Claramente, aquele bando de gente inútil estavam sem serviço, e com muito dinheiro no bolso, para gastar com tamanha futilidade.

A garota, minha acompanhante por outro lado estava deslumbrada com seu reflexo pela vidraça do local, enquanto observava a nossa silhueta se aproximando através do vidro. Se a conhece melhor arriscaria que ela estava feliz, acabara de esquecer que em momentos antes estávamos em um velório, enterrando um paciente, que patética! Ela chorou tanto pela morte daquele homem, se soubesse quantas pessoas já havia visto  morrer enlouqueceria, a morte era a minha melhor amiga, meu sustento, a única vez que a neguei foi a de minha mãe, mas porque era injusta, haveria de ser eu em seu lugar. Mas naquele momento, afastei esses pensamentos da minha mente, estava em uma missão como o Senhor do Tempo, ele não havia de ter piedade. Imaginei como seria se pudesse usar aqueles equipamentos de jardinagem que haviam dentro da estufa ao meu favor. A faca, que usavam para cortar cairia bem em qualquer ocasião, já que ela era a queridinha dos vilões porque poderia caber no bolso de qualquer jaqueta ou calça, a enxada, que era um elemento mais fora de cena, ficava sempre esquecida para os atos finais, quando alguém queria cavar uma cova para esconder o corpo, ou esconder as pistas que denunciavam o crime, para mim, ela poderia servir como um suporte, para um golpe único e certeiro, fatal. Uma enxada era grande amiga já que se bem posicionada e intensificada seria a conclusão do processo. A tesoura, talvez fosse o elemento mais macabro, servia para podar as plantas, e também picotar o corpo humano em partes menores, fazendo com que ficasse mais leve e fácil para se desfazer do morto. Era um dos jeitos mais gostosos de se cometer o ato. Particularmente, amava. Isso sim era uma morte com classe, sem deixar rastro. 

Meus olhos também contemplaram outros equipamentos, que desconhecia os nomes, mas sabia que seria útil. Alguns eram pontiagudos, outros, fáceis de se carregar, pensei em até um deles mesmo, colocar discretamente em meus bolsos, acho que ninguém perceberia, mas Sofya precisava se desligar de mim, me esquecer um pouco, já que não parava de fazer perguntas e lançar um olhar, romântico, encantada com a beleza das flores. 

Algo quebra a minha atenção: 

- Compre uma rosa para sua amada! - um velho negro de barbas branca, um boné listrado na cabeça, e expressão cansada me oferecia um balde de variedade em rosas, envelopada em um papel pardo. 

Nego com a cabeça, sabendo que não preciso daquilo, mas contemplo a beleza de Sofya, ela parecia interessada, com o olhar vibrante para o objeto.

- Vamos são só 2$.... para fazê-la feliz - ele contemplou a garota, sabendo que os cabelos longos negros eram sinônimo de sorte para qualquer homem que estivesse ao seu lado.

Ignorei a sua presença, enquanto ela me observou e notou que eu não cederia às vontades do velho homem, nem por ajuda, ou piedade, então finalmente quebrou o silêncio entre nós, com pesar nas palavras, eu sabia o quanto doía nele fazer a recusa, mas não iria me distrair com aquilo, se tivesse que gastar meu dinheiro com algo, ou focar a minha atenção, seria nas ferramentas que estavam a mercê de minhas mãos.

- Muito obrigada, no momento não queremos...mas agradeço. - disse calma, enquanto o seu olhar fitava o homem que devolveu na mesma moeda.

- Eu que agradeço, fazia tempo que não via um jovem casal tão bonito nas redondezas do castelo, vocês se parecem com os primeiros donos, um jovem homem esbelto loiro de olhos claros e a duquesa de cabelos longos sorriso enriquecedor, poderiam fazer uma interpretação deles…- sorriu, tendo em  mente as memórias e comparação, nitidamente me lembrei do quadro exuberante que havia no hall de entrada, realmente, tirando as roupa horrorosas da realeza talvez, bem ao longe, minha fisionomia e de Sofya, nós dois pudéssemos ser comparados a eles. Senti minhas bochechas corarem em desaprovação a cena.

- Nós não somos… - A garota tentou negar, enquanto eu me afastava daquele mausoléu, que inferno o homem estava tentando fazer, ela já estava sensível demais por causa da velório, agora isso, nós comparar ao casal real. 

Ouvi sua voz baixa, sussurrando. 

- Que pena… por que deveria!

Rodei o pescoço tentando aliviar a tensão e a preocupação, não estava afim de ser distraído por homens vendedores ambulantes de merda. Mordi os lábios olhando para o fim da estufa, procurando por notícias da minha encomenda, mas no final das contas eu já sabia, que talvez não tivesse nada ali que pudesse me ajudar. 

Senti a presença de Sofya nas minhas costas, por um momento pensei que a garota iria me tocar, mas negou o movimento quando a apreciei. 

- Não liga para o que ele disse, só está sendo gentil. - disse, sabendo que a minha expressão era séria e cansada, mas era por outros motivos. 

- Acho que quero ir embora. - admito, sabendo que não poderia permanecer naquele lugar por mais nem um momento sequer.

Sofya apenas confirma com a cabeça em sinal de aprovação, no final das contas ela resolveu que deveria comprar uma flor para lembrar daquele momento. Eu só ignorava os seus passos, imaginando o quão patético e distraído do meu percurso natural eu estava sendo, indo para um castelo, com uma garota, a realeza o circo dos horrores históricos. Andei a passos curtos na sua frente, deixando para trás enquanto dava um jeito de despedir das pessoas que estavam trabalhando na exposição da estufa, ela nem os conhecia mais fazia questão, isso era um tremendo desperdício! Fiquei imaginando se ela soubesse o quanto o tempo era algo precioso, e o quanto ele valia para o Senhor do Tempo, talvez ela parasse de balbuciar bobagens e fizesse algo mais útil. 

Pouco tempo depois já estávamos dentro do trem, de volta às origens e meu percurso natural de trabalho, naquele momento prometi para mim mesmo que nada mais, nem mesmo que envolvesse um velório ou acidente, me desviaria do meu percurso de concluir o pedido de morte.

(...)

Acordei com a luz atravessando a fresta da janela, relutante contra as minhas vontades eu tornei a dormir na sala da casa de Sofya. Não havia tempo de procurar um lugar para ficar, ou dinheiro sobrando para gastar, ainda não havia sido pago. Então calculando as chances de aquilo me favorecer, preferi ficar por ali, até porque também a garota não me deixaria em paz enquanto não soubesse que o nosso acidente não me causará nenhuma sequela ou machucado. 

Passei as mãos no meu cabelo, tentando arrumar em uma posição, dando a entender que eu tinha penteado, pestanejo os olhos ainda sabendo que pela a intensidade do sol já era um bom horário para se levantar, enquanto tento fazer, contemplo o cheiro do café fresco. 

- Bom dia…— a passos largos Sofya sai de trás do balcão que ligava a cozinha com a sala em uma espécie de conjugado. Em suas mãos uma xícara que parecia ser café, e um pedaço de bolo. 

Não a respondi, já que o vestido verde em que ela vestia havia tirado a minha concentração. Ele ia até a altura dos joelhos, mesmo assim pode contemplar as suas pernas grossas e morenas, o que me deixava um pouco desconcentrado. 

- Eu fiz bolo de cenoura, e espero que não se importe, mas já estou saindo para o trabalho.- ela colocou os objetos nas minhas mãos, como se eu não conseguisse fazer aquilo sozinho. 

Depois olhou em meus olhos, receio que esperando por alguma resposta que não obteve. Bateu as mãos no quadril, como se quisesse me compreender, ou ler a minha alma, mas era impossível. Bom, pelo ao menos eu esperava que fosse, já que tinha muitas coisas a esconder. 

Em pouco tempo, sabendo que eu não a responderia, ela pegou uma bolsa e a chaves pelo hall de entrada.

- Deixei uma cópia das chaves em cima da mesa, caso precise. Beijos, estou indo. - disse enquanto fechava a porta. 

Eu senti o cheiro do bolo em minhas mãos, e só então lembrei de onde eu conhecia a familiaridade. Minha mãe amava fazer bolo de cenoura, principalmente quando chovia nas tardes de inverno, ela dizia que o gosto era para aquecer o coração, e cenoura era o alimento favorito do coelho, e coelhos tinham coração grande, que contemplava todos os imensos filhos. Não fazia muito sentido para mim as suas comparações mãe, mas de lembrar da fantasia, e de como éramos felizes eu tive uma súbita vontade de abandonar tudo, ou uma forma interior de concluir tudo e cair o quanto antes fora daquele lugar. 

Mordi o bolo. 

À semelhança era esplêndida! Se pudesse levar algo daquele lugar, de 1990 seria as mãos de Sofya, ela cozinhava perfeitamente. 

SOFYA HIDALGO 

Amarrei os cabelos em uma tentativa de coque alto, mas como os fios eram muito lisos eles sempre caem em um momento inesperado, olhei a minha fisionomia pela espelho do banheiro no hospital, sabendo que talvez eu poderia ter tirado mais um dia de folga, pois ainda não estava totalmente recuperada. A morte do Senhor Harrison havia me afetado inteiramente, apesar do paciente ter sido uma pedra no meu sapato, ele fazia o meu serviço de enfermeira valer a pena. 

Sai do local, sem muita animação. Tentei ajeitar o uniforme para parecer o mais recuperada possível, não queria ser dispensada novamente. 

- Sofyaaaaa… - ouvi uma voz bem ao fundo, parecia não querer chamar minha atenção. Ignorei, sabendo que seja o que for, não quero lidar com nada hoje, pois poderia desabar em choro a qualquer momento.

- Então a madame não está escutando??? - senti dois braços me envolverem, de ambos os lados, elas riam enquanto eu levei um breve susto.

- Vocês ainda vão me matar um dia! - admito. 

- Claro que vamos, te matar de prazer, só se for. - Dalila se mantia firme em tirar da minha cabeça da ideia de um príncipe para minha virgindade.

- Você é patética! - digo, enquanto faço uma careta, ela me retribui. 

- Mas vamos falar de coisa boa. - Andamos pelo corredor como três Marias de mãos entrelaçadas. - Um passarinho verde me contou que você… estava em boas companhia ontem. - Gaby afirmou, eu sabia o que elas gostariam de saber. 

- Na verdade, a gente não sabe se a companhia é tão boa assim, eu só vi a silhueta dele de longe, no banco, madame pode contar tudo para gente! 

- É uma longa história. - afirmo lhes afastando de mim, entrar naquela conversa faria o meu peito apertar ainda mais, talvez isso também estivesse influenciando nas minhas emoções hoje, eu estava extremamente sensível, poderia ser pela morte, ou por ter sonhado em ser uma duquesa, e ele o príncipe. Mas sabia que Jonas odiava a ideia, ele nem se quer provou do meu bolo, ou elogiou, ou … nada, ele não me respondia em nada.


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui 🖤


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