História O Fio Branco do Destino - Capítulo 8


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Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Kiba Inuzuka, Konan, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shion, Suigetsu Hozuki, Tayuya, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Akatsuki, Fio Branco Do Destino, Gaaino, Konoha High School, Mistério, Naruhina, Nejiten, Romance, Saino, Sasusaku, Shikatema, Ttmontgomery
Visualizações 34
Palavras 2.485
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, galeras! Bem vindos de volta!

Capítulo 8 - Conflitos


KONAN
 

-“Venha a nós o vosso reino, seja feita a sua vontade... ” aquela oração parecia mais um último suspiro de misericórdia. Cada letra dita parecia um lamento de tortura, ou dos piores tormentos que alguém poderia passar lá no quinto dos infernos. Aquilo entrava pelos meus ouvidos e fazia eu ter vontade de vomitar. Nenhum ser sobrenatural poderia me ajudar, se eles existissem, estariam rindo de mim, afinal, estava ou não sendo feita a “sua vontade”? O que me dava forças era saber que quando tudo aquilo acabasse eu poderia morrer. Me matar da pior forma possível seria uma delicioso presente como quando uma criancinha ganha um gigante ovo de páscoa. Eu era uma criança, mas tudo que eu ganhava era o direito de perder a minha alma cada dia mais enquanto eu sobrevivesse.
 

Minha mãe estava ajoelhada na porta, de frente para sua própria cama e chorava enquanto repetia por incontáveis vezes aquela mesma oração. Minha inocência de criança, aquela que foi roubada de mim, me fazia pensar se ela chorava pelos hematomas roxos em seu rosto e corpo, pelo sangue escorrendo de seu nariz e por quase ter morrido de tanto apanhar do meu pai, ou se ela chorava porque, depois do espancamento, ser obrigada a ficar ajoelhada e orando enquanto, na sua frente, meu pai, meu próprio pai, levava minha infância e minha inocência, enquanto puxava o meu cabelo e me penetrava, sua própria filha de 12 anos de idade, como se fosse uma prostituta barata. Eu não chorava. Se bem que lembro de sentir meu rosto molhado, mas não me lembro de sentir aquela tristeza e vontade de chorar. Eu estava sedada, eu não sentia nada porque eu não sabia o que sentir. A dor, a humilhação e o ódio,  ódio gigantesco que faria o próprio demônio parecer um santo, anestesiavam o meu corpo e tiravam todos os meus sentidos, fazendo com que os gemidos entrecortados por frases como “você é minha, cachorrinha do papai” e “se você parar de orar eu te mato e mato todos eles” fossem apenas ruídos distantes...

Acordei assustada, tensa e gelada. Lágrimas molhavam os meus olhos e eu estava tremendo, com o coração acelerado. Pensei que eu fosse infartar. Passei a mão no rosto e percebi que eu estava suando muito.
- Konan, está tudo bem? Você está passando mal? Está pálida... – Disse Karuí, penteando os cabelos e já uniformizada. Hannabi estava roncando, espalhada em sua cama e Karin não estava no quarto (era comum ela sumir à noite e aparecer somente de manhã).
-Está tudo bem, foi só um pesadelo! – Eu disse, voltando a me deitar e me cobrindo até a cabeça. Meu estômago doía, mas não era a primeira vez que eu tive aquele tipo de pesadelo, afinal, lembranças não podem ser apagadas e o passado se faz sempre presente...

Aquele sonho, ou melhor, aquela lembrança martelava em minha cabeça como se fosse muito recente. Talvez porquê de todas as vezes, aquela tenha sido a pior. Aquela não foi a primeira vez que o meu pai me usara como instrumento de tortura e prazer, e não foi a última. Mas foi a primeira vez que a mamãe foi obrigada a assistir de forma tão desumana e humilhante. Creio que ela sempre soube que meu pai abusava de mim, mas fingia que não. Ela nunca se importou com a gente de verdade, pois uma mãe que se importa com os filhos não permitiria que um homem fizesse tudo que meu pai fazia com a gente. Acredito que o único motivo para suas lágrimas era a humilhação. E por ter sido obrigada a profanar o nome de Deus diante de um ato tão pecaminoso. Afinal, ela era uma fanática religiosa e a igreja era a única coisa que importava para ela. Compactuar com o marido traficante, se embriagar e maltratar os filhos não era nada demais, afinal, tudo era perdoado quando ela ia assiduamente à igreja. Pelo menos ela achava. Isso tudo fez com que eu tivesse nojo do meu corpo, que eu me sentisse impura e imunda; que nada me fizesse ter vontade de viver e ainda, que eu me tornasse incapaz de sentir qualquer emoção. Eu era um objeto. E objetos não tem sentimentos, por isso, eu não tive vontade de levantar.

TEMARI

Eu até tento ser uma boa pessoa, mas parece que o mundo conspira contra isso e tudo gira a contra a minha paciência e eu sempre acabo surtando. Eu pareço um tsunami que devasta tudo e só percebe as consequências depois. Foi o que aconteceu nessa manhã, quando a minha mão decolou e pousou bem na cara da Hannabi Hyuuga. 

Eu estava quieta no meu canto, como sempre, observando abismada a falta de noção da loira oxigenada da Ino e sua gangue disputando qual pai era o mais malvado e sobre todas as vezes em que, como castigo, eles as deixaram na miséria.

- Isso não é nada. Quando eu tinha 14 anos o meu pai me deixou de castigo só porque eu tirei um F em matemática e me deixou DUAS SEMANAS INTEIRAS recebendo apenas metade da minha mesada. Que garota de 14 anos consegue sobreviver com apenas mil dólares?- Dizia uma garota alta e de olhos bem azuis. Eu não me lembrava do nome dela.

- Isso é horrível, mas minha mãe é a pior. Uma vez ela me obrigou a ir para Paris com ela só porque ela descobriu que eu havia bebido whisky no aniversário da minha prima e não quis me deixar ficar em casa. Foi horrível passar 4 longos dias naquele lugar brega e sem graça. Todo mundo vai lá, nem tem tanta graça. – Disse Ino, como se dissesse que foi obrigada a lavar banheiro de rodoviária.

Eu tinha vontade de vomitar ouvindo aquilo, sério, sem noção nenhuma a futilidade dessa gente rica, mas quem sou eu para julgar a realidade dos outros, né? Então voltei a prestar atenção no meu sanduiche que parecia muito mais interessante do que aquela conversa. Mas a cara dos alunos da Senju ouvindo aquilo parecia mais interessante que meu lanche. Logo ouvi Kiba colocar a mão no rosto, de forma dramática, e dizer para os amigos:

- Isso porque não foram vocês que ganharam uma casa de aniversário de 15 anos. Cara, fala sério, não é que eu esteja reclamando, mas eu esperava algo mais impactante, afinal, aniversário de 15 anos é uma data marcante na vida de qualquer adolescente e que graça tem ganhar uma mansão? Isso eu poderia comprar em qualquer época da minha vida, sabe... meus pais não tem noção nenhuma, parecem que nunca foram jovens... 

Lee, Sai, Naruto, Tenten e Sakura riam bastante. Na mesa ao lado, Shino, Shikamaru, Chouji e Aoba também estavam rindo.

- Pior foi comigo- Disse Naruto entrando na brincadeira- Pedi um continente de presente e eles me deram apenas as Maldivas para eu aprender a ser humilde. Fique uma semana chorando na minha praia particular. 

Os amigos riam. Eu ri também. Minha família vivia bem, mas não a ponto de metade da minha mesada ser mil dólares. Nem mesada meus irmãos e eu tínhamos, mas tínhamos uma vida confortável e instrução. Eu era grata por isso. 
Levantei para comer enquanto as tagarelas riquinhas ainda contavam mais e Sakura me cumprimentou, com cara de quem havia dormido pouco.

- Você está bem? – Perguntei.

- Sim, fiquei até tarde estudando e dormi pouco. Estou cansadíssima!

- Nossa, Sakura. Não sei como você consegue estudar tanto. Eu durmo antes de ler o primeiro parágrafo de qualquer texto.

- Eu gosto! Mas a Kurenai passou um trabalho e eu preciso me sair bem. Acredita que fiquei com apenas A no último trabalho? Quero um A+ agora.

- Aff, Sakura. E eu achando meu C- bom!

Estávamos voltando e conversando sobre o trabalho quando todo o refeitório ouviu Suigetsu gritar:

- Pago uma coca para quem acertar o lixo daqui!

Kankuro embolou alguns guardanapos e tentou acertar no lixo, sem sorte. Eu fiquei pensando se ele pegaria aquele lixo do chão depois, quando ouvi o estalo de uma lata de coca cola acertar o queixo de Sakura. Havia refrigerante na lata, fazendo com que ela estivesse mais pesada e deixando, assim, um enorme roxo no rosto da garota que tinha a pele pálida, ficando parecendo que tinha levado alguns murros no local. Houve um silencio, mas então pude ver Karin e Hannabi rindo exageradamente do feito, enquanto Suigetsu segurava a risada.

Algumas outras pessoas riam também, inclusive as amigas de Ino e até mesmo alguns alunos da Senju. Outros olhavam sem reação. 
Sakura estava vermelha e perplexa, sem reação. Não éramos tão próximas, mas aquilo me deixou com pena e, ao mesmo tempo, irritada. Como eu estava distraída, não vi quem jogou, mas pude ter certeza pois logo ouvi a Hyuuga mais nova gritar:

- Olha, Sui, acertei em cheio o lixo. Sakura, aproveita e vende a latinha para ajudar nas despesas, pelo que você veste, acho que uma é o suficiente!

Meu corpo ficou quente de raiva e quando eu vi, eu estava ao lado daquela garota ridícula de cabelos longos azuis e olhos perolados, segurando no colarinho de sua camisa e gritando:

- QUEM VOCÊ PENSA QUE É?

A garota parou e, por um instante, eu pensei que ela estava com medo. Mas logo ela deu um sorrisinho de lado, debochado, e ficou me encarando. Que ódio! Eu queria arrancar aquele sorrisinho da cara dela.

- Temari, não se meta! - Gritou meu irmão mais velho, Kankurou.

- E VOCÊ VAI DEFENDER ESSA VADIA RIDÍCULA? ISSO É BULLYING! NÃO SE META VOCÊ, KANKUROU!- Eu disse, furiosa!

-E o que você vai fazer? Vai me bater? – A dissimulada da garota disse ainda com a cara de deboche. Os amigos dela olhavam tensos, mas não moveram um dedo para ajuda-la. Ainda bem! 

Percebi que eu ainda a estava segurando, mas estava me controlando ao máximo para não bater nela ou xingá- la. Eu não podia mais me meter em problemas desse tipo, Orochimaru já avisara meu pai uma vez que se eu me metesse em problemas de novo, seria expulsa, pois eu era agressiva e era considerada uma ameaça para os outros alunos.

Sakura, com o rosto muito roxo onde foi atingida, colocou a mão no meu ombro, de cabeça baixa e me disse para esquecer aquilo. O tom baixo de sua voz e o rosto constrangido e vermelho me deixou com tanta pena que soltei a vagabunda e me virei. Eu não sei porque, mas eu sempre tive esse instinto de defesa e de justiça, mas as pessoas me compreendiam mal e me viam como uma barraqueira e agressiva. Eu não tenho medo de ninguém e sentia a necessidade de ajudar qualquer um que não conseguia se cuidar sozinho e, por isso, sempre me dava mal. Eu não era tão amiga de Sakura ainda, mas ela era legal, simples e já me ajudou com um trabalho quando eu estava sendo observada de perto por Orochimaru e Hidan. Me sentia endividada. Mas resolvi não sujar as mãos com o tipinho de Hannabi, não valeria a pena. Me virei para ir embora, mas senti um frio na espinha quando entendi o porquê do sorrisinho irônico de Hannabi e o motivo dela não ter  feito ou falado nada: Hidan, o inspetor, estava atrás de mim.

- Você viu isso? - Disse a dissimulada- Essa louca ia me bater!

Eu não vi quando ele chegara ali, mas quando Sakura foi atingida ele não estava (e acho que se estivesse, faria vista grossa, pois ele sempre defendia o grupinho do Sasuke).

- Você acha que está em condições de ameaçar alguém, querida? Estamos em outra escola, mas sua reputação continua a mesma! – disse ele, irônico.

- Não me chame de querida! - Eu disse, séria. 

- Tudo bem, “monstrinho” – ele disse a ultima palavra com desdém- eu ainda estou de olho em você e agora você acabou de se jogar na berlinda.

- Mas foi ela quem começou, olha o que ela fez! Olha o rosto da Sakura!- Eu disse, indignada. 

- Você não pode provar! – Disse Hannabi.

- Provar? Todo mundo viu! – Eu disse, olhando em volta. Os amigos dela permaneceram calados, assim como o grupo de Ino. Algumas pessoas que estavam perto ouviam tudo de cabeça baixa, como se não estivessem sabendo de nada. Fiquei incrédula. Coitada da Sakura, aquele bando de miserável estava compactuando com aquela medíocre. – Hipócritas! 

- Venha comigo! – Disse o inspetor.

- A culpa é minha. Me desculpe, ela não tem nada a ver... – disse Sakura, com a voz baixa, me defendendo.

- Pois então, venham as duas! – Disse ele.

- Então é isso, você vai nos levar para a diretoria? – Perguntei.

- SIM! E ambas ficarão na detenção! 

- Então, já que é assim...

Me virei e dei um tapa forte e barulhento na cara de Hannabi, fazendo o rosto dela virar. O rosto ficou tão vermelho e marcado com o peso da minha mão que me senti até mais aliviada. Seus amigos arregalaram os olhos, assim como Sakura. Todos se viraram para ver o que estava acontecendo e Hidan ficou perplexo e me segurou forte pelo braço.

- COMO OUSA? – Gritou ele.

- Já que vou ficar de detenção de todo jeito... – eu disse, com um sorrisinho.

- ELA MERECE EXPULSÃO! – Gritou Karin enquanto Hidan me puxava, seguidos por Sakura.

- Cala a boca, galinha! – Eu disse, antes de deixar o refeitório. 

Orochimaru, o puxa saco dos riquinhos, não me deu ouvidos é claro. Mas eu ainda era uma aluna que pagava normalmente a mensalidade e, para não correr o risco de ter o nome da escola queimado por mim (eu disse que faria um escândalo se ele me expulsasse), me deixou de detenção por 15 dias, proibida de sair para qualquer atividade de lazer e, ainda, teria que prestar serviço comunitário na escola, apagando rabisco de livros antigos da biblioteca e tirando chiclete velho grudados em mesas. A coitada da Sakura que foi a verdadeira vítima nessa história toda recebera a mesma punição. Hipocritas! Injustos! 

Sakura recusou o gelo e foi para o quarto, acho que queria chorar. Eu entendia e resolvi deixar ela em sozinha. Eu também estava furiosa e me sentia injustiçada, queria chorar também.  Pelo visto mais alguém queria chorar, pois quando entrei na biblioteca vazia e silenciosa, escutei barulho de choro, bem abafado. Segui calada pelos corredores que já estavam invadidos pela escuridão da noite e vi aquela senhora bonita de cabelos pretos, a nossa professora Kurenai, sentada, com os cotovelos apoiados na mesa de estudos e a cabeça entre as mãos, chorando angustiada. Queria perguntar o que foi, mas minha cabeça já estava cheia. Saí em silencio e deixei ela ali. No decorrer das duas semanas do meu castigo, aquela não foi a última vez que eu a vi ali, sozinha e chorando.


Notas Finais


Não desistam de mim! :)


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