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História O Galã do Meu Livro - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá, galera de cowboy!

Depois de um tempo em inativa, voltei com uma oneshot dos nomin. É a minha primeira vez escrevendo algo sobre NCT, então espero de coração que gostem e desejo a todos uma boa leitura!

Capítulo 1 - Haechan, O Cupido (Capítulo Único)


Durante suas férias de verão e de final de ano, Na Jaemin, um estudante de ensino médio de família humilde, ajudava na cafeteria de seu tio e mesmo recebendo pouco, era como garantia seus mangás e besteiras calóricas de final de semana. A cafeteria não era lá tão luxuosa ou grande, era praticamente um casa de esquina de tamanho médio, de paredes de tijolos à vista, duas janelas de batentes verdes que davam vista para dentro do estabelecimento um tanto escuro e uma porta de vidro e, acima desta porta, havia um cartaz com o nome da cafeteria: “Sunflower’s Coffee” e um girassol desenhado ao lado do escrito chamativo em amarelo com linhas pretas, delineando cada uma das letras. A ideia brilhante do nome veio de Lee Donghyuck, seu primo por parte de mãe, que atualmente estava em seu último ano do curso de inglês e dedicou o nome em uma secreta homenagem ao seu professor-barra-crush, diga-se de passagem, que o apelidou carinhosamente de tal maneira. O jovem canadense Mark Lee, da mesma escola de Jaemin, porém um ano mais velho, dava aulas de inglês em uma escola de línguas durante meio período, sendo o motivo de Haechan, apelido de Donghyuck, quase nunca pensar em deixar o curso — como havia feito antes com as aulas de natação, dança, karatê e pintura —, com exceção das épocas de prova, aí sim ele queria trancar o curso e fingir um desaparecimento. 

Seu dia de trabalho começava pontualmente à uma hora da tarde e finalizava às seis. Não era um trabalho horrível, apenas cansativo e, às vezes, até um tanto monótono, mas nada que chegasse ao ponto de estressá-lo. A cafeteria raramente lotava, então era apenas ele, que cuidava do caixa e tomava o papel de barista, sendo um fã de carteirinha de café, fazendo questão de tomar religiosamente todas as manhãs uma caneca cheinha, e Donghyuck, que geralmente era quem anotava os pedidos e os servia, ajudando quando necessário no caixa. 

Como de costume, abria todas as janelas esverdeadas e um tanto quanto antigas, fazendo com que os raios solares do período da tarde entrassem, esses que, na maioria das vezes, faziam com que luzes desnecessárias não fossem ligadas, liberando também o “ar antigo”, enquanto ouvia o outro garoto gritar de alegria atrás do balcão por receber um comentário de Mark em sua foto mais recente no instagram. Jaemin ainda ponderava se um emoji com carinha de gato com corações nos olhos poderia ser considerado, de fato, um comentário, mas decidiu guardar aquele pensamento para si, já que não gostaria de ver a cara chateada do primo e, de verdade, um Donghyuck feliz, fazia todos felizes. Ele chamava aquilo de “política universal da Haechan supremacy”. 

O de cabelos em tom puxado para o rosa, tinha como sonho e objetivo de vida ser um escritor de romance famoso, amava principalmente aqueles clichês que todos fingiam não gostar, mas liam escondidos ou pelo menos liam uma vez na vida. Era líder no clube dos adeptos a finais convencionais e felizes, vivia bem assim, então dificilmente era surpreendido com reviravoltas absurdas, tendo tudo sempre sob seu controle. Como infelizmente nem tudo são flores, havia um porém nessa história toda e, por mais que tivesse toda boa vontade do mundo, não tinha nenhuma inspiração para começar sua história, não saia nunca do primeiro parágrafo, em que falava sobre seu personagem principal. Sua frustração recorrente era o que sustentava suas reclamações diárias para Haechan, que não entendia muito bem o motivo da quantidade de estresse que o mais novo carregava apenas por não conseguir escrever um pouco. Veja bem, o aventureiro Lee Donghyuck tinha uma personalidade que trazia como bagagem seu bom humor e o fato de sempre estar de bem com a vida, não via tantos motivos assim para se estressar como o primo. 

Isso de não conseguir escrever durou um tempo, até ele chegar. 

“Ele quem?” vocês devem estar se perguntando agora mesmo. Ele não era nada mais nada menos que Lee Jeno, um jovem de cabelos loiros um tanto desidratados, roupas inteiramente pretas e estilosas, sempre com fones de ouvido e um piercing lingual, que passou a frequentar a “casa” (como os primos costumavam a chamar a cafeteria). 

Em seu romance, Jeno era o galã tentador, perfeito e charmoso dos clichês, o famoso heartbreaker que se apaixona pelo nerd excluído por alguma casualidade. Sinceramente, poderia passar noites e mais noites escrevendo e devaneando sobre como seria cada expressão facial sua de acordo com seus sentimentos, sua personalidade, ambições, segredos, vontades… Ah, isso era demais para Nana, contudo, “apenas fantasiar não arranca pedaço”, certo? E com esse pensamento desenvolvido essencialmente para quando tivesse um mental breakdown, fazia sua história caminhar cada dia mais. Encontrava-se em uma parte crucial para o desenvolvimento da trama, era o primeiro encontro do casal e advinha em qual lugar seria esse tal encontro? Se você pensou realmente em um café: meus parabéns, você acertou em cheio! E a coisa boa é que poderia escrever realmente tudo que observava sobre o rapaz na vida real e imaginar como seria um encontro sério entre os dois. “Poxa, Lee Jeno… Por que tão bonito?” suspirou com o pensamento, sendo interrompido: 

— Está difícil com a janela? — Provocou, rindo pela demora do outro em abrir as janelas, mal imaginando o que se passava na cabeça imaginativa de Jaemin.

— Não é minha culpa se essas janelas são milenares! — Rebateu, se fazendo de bravo, abrindo com toda sua força a janela, provocando um rangido em resposta a brutalidade usada. 

Procurando algum assunto, Donghyuck perguntou:

— Como vai a história? Conseguiu avançar “daquela” parte?

Jaemin sabia muito bem sobre qual parte estava falando e, suspirando pesado, deu (mesmo que indiretamente) sua resposta negativa à pergunta. 

— Poxa… — Batucou os dedos pelo balcão de madeira escura em busca de algo que pudesse animar o Na ou, ao menos, quebrar um galho, tendo uma ideia, que se conhecia bem o primo, provavelmente seria repudiada na velocidade da luz. — E se você, sabe, perguntasse diretamente a ele sobre como é beijar alguém com piercing na língua? 

Na Jaemin riu como se Haechan tivesse acabado de afirmar que dois mais dois é igual a um. 

— Claro, Donghyuk! Como não pensei nisso antes? — Ironizou, sentando em alguma das cadeiras, colocando o crachá com seu nome escrito. — Primeiramente: ele vai me achar um esquisitão que está flertando com ele descaradamente e segundo: eu preciso da perspectiva da outra pessoa, não a com o piercing. Entende? — Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, irritando o outro. 

— Ué, pense em algo melhor então! Credo. Se bem que, mesmo que ele encare a pergunta como um flerte, você ainda sairia ganhando. Pensa aqui comigo, e se ele gostasse e te chamasse para sair? Não é de hoje que você anda tendo uma quedinha por ele, que eu sei. 

— Eu não tenho… — Iria interromper, se não fosse o Lee retomando a liderança da conversa.

— Não me venha com essa historinha para boi dormir que eu não tenho mais oito anos, Na Jaemin! Além de você escrever sobre ele, ainda fica todo desconcertado quando ele vai ao caixa fazer algum pedido. Cara, toda vez é como se o Jeno fosse te fazer um pedido de casamento e não pedir apenas um expresso.

Não poderia retrucar dessa vez, os argumentos de Donghyuk eram, além de muito válidos, cem por cento verdadeiros. Não tinha apenas uma “quedinha” por Lee Jeno, tinha um penhasco, o Monte Thor inteiro, apenas não queria confirmar e apenas provar mais um pouco sua certeza. Era constrangedor ficar daquele jeito por alguém que nem ligava para sua existência e não, ele nem era daqueles apáticos que com o tempo a gente começa a pegar ranço, fazia questão de desejar boa tarde toda vez que entrava e já chegou até a elogiar o café ao Haechan ter aberto a boca e contado que quem preparava as bebidas por lá era o Na, entretanto, fora esse dia — lembrado até hoje, vale ressaltar —, nada saía muito fora do comum. Às vezes, bem raramente, ganhava sorrisos para sua coleção mental de “sorrisos do Jeninho” e mesmo que bem de vez em quando, eram guardados com todo amor do mundo. Se encontrava tão na dele que pensou até em escrever um trabalho em PowerPoint sobre o porque do sorriso tímido de Lee Jeno ser considerado a oitava maravilha do mundo contemporâneo.  

Ambos já posicionados em seus postos, o sininho que indicava a abertura da porta tocou os alarmando para ver quem entrava e que, para a felicidade e, ao mesmo tempo, desespero de Nana, era o de beleza etérea e motivo dos seus suspiros apaixonados. Dessa vez, trajava uma calça skinny preta, delineando suas coxas fartas, com uma corrente prateada em cada lado dos bolsos, um coturno inteiramente preto de couro e uma camisa de mesma cor e bem maior que seu real tamanho, o que o fazia parecer assustadoramente adorável e apertável para Jaemin, que se derretia só de o olhar, recebendo um “cuidado com a baba” sussurrado em seu ouvido pelo mais velho ao seu lado, se divertindo com toda a cena. Seus cabelos estavam bagunçadinhos com uma pequena mecha de cabelo loiro caindo sobre sua sobrancelha direita, e lápis preto passado não tão cuidadosamente assim em baixo de seus olhos. 

— Boa tarde. — Disse com a voz um tanto rouca, rumando em direção a alguma mesa, fazendo a mente de Jaemin explodir de vez e seus últimos dois neurônios pedirem demissão.

— É só um “boa tarde”, Jaem. Sem pânico. — Disse sussurrando mais uma vez a voz da razão de Jaemin, Haechan.

A relação dos dois ia além de apenas familiar, eram melhores amigos. Sempre estariam um para o outro, desimportante da situação e lugar e, apesar de personalidades um tanto quanto diferentes, se complementam, pois enquanto um pensava demais e era intenso demais, o outro não aparentava ligar tanto para as coisas, querendo levar tudo mais “na boa”. Quando o mais novo se assumiu para os pais, Donghyuck havia o ajudado muito, fora algo bastante complicado, já que, no começo, seus pais não pareciam ter aceitado tão sem problemas assim, como no caso de Haechan, em que seu pai, tio de Jaemin, já desconfiava e teve certeza da sexualidade do filho quando o mesmo apareceu com um namoradinho de escola em sua casa.  

Ele pedira como sempre um café expresso e um brownie. Não entendia como alguém pudesse ser tão mente fechada para as “várias” opções de cafés no menu. Okay, não eram “várias opções”, mas com certeza iam além de apenas café expresso. 

Voltando a pensar em sua história, perguntava a si mesmo se conhecia alguém que já teria beijado algum ser humano com piercing na língua, não deveria ser algo tão de outro mundo assim. Talvez Chenle já tivesse, mas fazia tanto tempo que não conversavam, que seria até inconveniente o chamar apenas para perguntar isso. Tinha tantas ideias para outras cenas, mas a cena do beijo sempre o atrapalhava e impedia de tocar as coisas para frente, a maldita cena do beijo! Imerso em seus pensamentos, não percebeu quando, com uma cotovelada, derrubou seu bloco de post-it no chão, se abaixou para pegá-lo e pensou alto:

— Ah… Eu não faço a menor ideia. 

— Não faz a menor ideia do quê? — De forma inesperada, uma voz o respondeu e era a mesma voz rouca de antes. Naquela mesma hora, ao que a vibração de suas cordas vocais entraram pelos seus ouvidos, pode sentir todos seus pelinhos eriçarem e um gelo tomar sua barriga. 

Pânico

O cérebro de Jaemin havia parado de funcionar, como se sua mãe tivesse o perguntado sobre o seu boletim. “Jesus, o que eu faço???”, respirou fundo, organizando rapidamente seus pensamentos para não passar tanta vergonha assim. “O que Haechan faria?”

 — Oi! Desculpa a demora, eu estava… —  Disse tentando parecer desimpedido, mas empacou ao final da frase. “O que eu digo? Que eu estava em pânico? Que eu estava treinando agachamento?”. — pegando meu bloco de post-it que caiu no chão. — Mostrou em suas mãos o bloco amarelo para, por algum motivo, comprovar o que havia dito. 

— Entendi. — Respondeu-o calmamente. 

Não queria que a conversa acabasse por ali, definitivamente não queria. Aquela poderia ser sua chance única de falar com o gato gótico de seus sonhos. “Pensa Jaemin, pensa... "

Às vezes você precisa apenas confiar em seu potencial... 

— Eu não fazia a menor ideia do que escrever. — Falou, sorrindo de forma nervosa. 

— Escrever? — Questionou curioso. 

— Eu estou escrevendo um… livro. — Ruborizou e desviou seu olhar para o chão, tentando não mostrar que estava envergonhado e falhando miseravelmente, retirando uma risadinha gostosa do de cabelos loiros. 

— Então você é um escritor!

— Eu não diria… 

— Sabia que você tinha jeito de artista! — Sorriu amigavelmente para o Na, que já aparentava que teria um infarto a qualquer hora se continuassem a conversa. Seu sorriso estava diferente, conseguia superar todos os outros mais tímidos, dessa vez mostrava seus dentes perfeitos e fazendo também com que seus olhos sumissem. “Um eye smile!" pensava animadamente, querendo poder capturar esse momento e mandar fazer uma camiseta com a imagem. — Aliás, que tipo de livro você está escrevendo agora? 

— Romance. Pena que acho que nunca vou terminar, não consigo sair de uma parte importante. — Desabafou.

Pensando por alguns instantes, teve uma ideia e, mal sabendo sobre o efeito que sua frase causaria, perguntou:

— Me passa seu número? 

“É agora que o bicho pega!”, poderia até ouvir a voz de Donghyuk em sua cabeça, como se tivesse pegado um megafone e começado a gritar, enquanto todos os alarmes estivessem soando o mais alto que possível, junto a fogos de artifício coloridos e dançarinos coreografados. 

— Número?? Meu número?

— Relaxa, eu te chamo no "Zap” e, se quiser, você pode me mandar sua história. Vai que eu possa te ajudar! — Falou como se fosse a coisa mais normal do mundo, o que, para Na Jaemin, parecia ser impossível, ou melhor, coisa de outro mundo.

Talvez não devesse acreditar tanto assim em seu potencial… 

— É verdade!

E o ato de “fingir demência”, querendo ou não, chega para todos. 

Nunca iria lhe mandar coisa alguma, nem se a Lady Gaga chegasse de jatinho e lhe pedisse aquilo pessoalmente, ele o faria. Seria muito embaraçoso, além de ser praticamente um suicídio social, já que Jeno era amigo de Mark Lee (Donghyuck descobriu ao stalkear o Instagram do professor pela primeira vez), que era amigo de todos e, numa cidade pequena como aquela, boatos se espalham mais rapidamente do que deveriam. Imagina o que diriam sobre o pobre e apaixonado Jaemin? “O stalker sem amigos que criou uma fanfic de milhares de páginas com Lee Jeno” estampado em todos os jornais, tinha calafrios só de pensar. 

Realmente, seu crime foi amar demais. 

— Aqui. — Estendeu seu celular para que o Na colocasse seu número ali, na ficha de contatos de seu celular. — Como posso salvar seu número?

“‘Amor da sua vida’ está bom?”

— Na Jaemin ou... só Jaemin, se você preferir. — Atrapalhou-se um pouco, nervoso por estar parecendo chato. 

— Salvei apenas como Jaemin. — Deu seu eye smile novamente, fazendo com que Jaemin tivesse uma combustão em sua mente mais uma vez naquele mesmo dia.

(...)  

— Na Jaemin! Ele falou que você tem “jeito de artista”! — Exclamou Haechan, arrumando o colchão onde seu primo dormiria aquela noite. 

— Sim, ele disse e o que tem de tão grande nisso? — Perguntou, não entendendo o motivo da euforia do garoto, que agora trajava seu pijama azul de frio, enquanto prendia suas madeixas castanhas numa grande presilha rosa no topo de sua cabeça.   

— Ele estava deliberadamente flertando com você!

— O quê?! — Enrubesceu, arregalando os olhos. “Impossível!”, pensou. — Dúvido.

— Então fique aí duvidando, fazer o quê! Mesmo que isso não tenha sido um flerte e eu esteja totalmente errado, coisa que eu duvido muito, ainda quer dizer que ele reparou em você. 

“Será que ele realmente reparou em mim? Vai que ele só queria ser gentil e eu estou aqui, me iludindo com toda essa história de ‘jeito de artista’”. O de cabelos rosados, usando ainda seu uniforme de trabalho, olhava fixamente para um ponto qualquer, procurando organizar seus pensamentos, mas fora interrompido por um travesseiro em sua direção. 

— Mas e então, Jaem? Você vai mandar a história para ele?

— Claro que não! Imagina ele lendo isso e descobrindo que ele é um dos personagens? Preferia ser atropelado por uma Kombi. Vamos, chega de falar desse assunto! Acho que ele nem vai me chamar mesmo. — Involuntariamente, deixou com que um beicinho fosse formado e, percebendo a infelicidade do Na, resolveu dizer:

— A esperança é a última que morre! E se o bobão do Jeno não te chamar de verdade, quem perdeu foi ele. Escreve aí o que te digo. 

— Agora sobre chamar ou não… Como vai você e o Mark?

— Ah, vai na mesma de sempre. Eu juro que eu faço de tudo e mais um pouco e aquele canadense tapado não me nota! Sério! Às vezes eu acho que vou ter que cantar pra ele.

— Cantar? — Perguntou, esperando curiosamente para ouvir a ideia doida que estaria por vir. 

— Exatamente! E a música inteira vai conter uma só frase: “Mark Lee, saia comigo hoje e me namore amanhã”. 

Brincou, mal sabendo que seria assim, cantando uma música de apenas uma frase em um show de talentos da cidade, em frente de toda a população, que chamaria oficialmente Mark para sair. Bom, mas essa história fica para outro dia, certo?

— Parece mais promoção do que uma declaração, Hechannie.

— Pelo menos eu vou tentar, ao contrário de certas pessoas… Aí! — Gritou dramaticamente, após Jaemin ter-lhe acertado um soquinho em seu ombro, o fazendo gargalhar com sua expressão falsamente teatral de dor. 

— Vou tomar banho e já volto. Vai escolhendo o filme enquanto isso, mas nada de terror, okay? Ah, quase me esqueci… Meu notebook está na mochila e a senha é “haechanverde123”

Fechou a porta e levou suas roupas de dormir consigo, deixando Donghyuck só, que já abria seu notebook rapidamente. Fazia tempo que não escolhia o filme das “quartas de filme”, dia da semana sagrado para ambos, que tinham essa tradição desde que se conheceram aos seus seis anos, quando os pais do Lee chegaram à cidade e foram jantar na casa dos pais de Jaemin. Quando clicou no botão de ligar, sua tela abriu em uma aba da web, era seu Whatsapp logado, onde tinha um “Oi" de um número desconhecido, que logo, pela foto de perfil, entendeu-se por Jeno.

E como os mais velhos dizem: “mente vazia, oficina do diabo”.  

Lee Donghyuck podia até aparentar ser, mas de bobo não tinha nada. Faz tempo que seu primo falava de sua paixão platônica e, por mais que fosse cansativo, não poderia fazer nada a respeito, além de tudo, era seu primeiro amor ou segundo… Não se recordava muito bem, mas, desimportante do lugar que Jeno pagasse como seu crush, ele se mostrava muito importante para o Na, mas o infeliz não tinha iniciativa alguma, era tímido demais e Haechan tinha medo que, por uma bobeira, perdesse sua chance e se magoasse se um dia visse seu boy magia com outro, e era algo bem possível de acontecer, pois Jeno não era o mais popular (cujo título era reservado a Mark) ou o mais bonito (reservado também a Mark, mas, dessa vez, era de acordo com sua própria percepção), porém era bem disputado entre as garotas e garotos da cidade. Para você ter noção, não havia aparentemente ninguém que não o conhecesse ou tivesse ouvido seu nome pelo menos uma vez.

Movido pelo ideal de ser o cupido de seu primo, respondeu seu “Oi" com um “Oi! Aqui está a história:”, anexando, depois de passar uns cinco minutos procurando, o documento que continha a história de Jaemin e enviando, se assustando com sua porta do banheiro abrindo e um Jaemin saindo de lá, em sua direção. Não conseguia nem fechar a aba, pois seu “notebook jurássico” havia travado. 

Agora Donghyuck temia por sua vida. 

— O que você… Meu Deus! — Pegou de forma desesperada o computador portátil das mãos do mais velho, vendo as mensagens que havia enviado e, por pura sorte, ainda não tinham sido vistas. — Eu não posso te deixar um segundo sozinho que você faz isso! Que raiva! — Estava possesso e o outro sabia disso, limitando-se apenas a ficar quieto no canto da cama. 

Selecionando todas as mensagens enviadas, clicou no ícone de lixo, aparecendo três opções: 1. “apagar para mim”, 2. “cancelar” e 3. “apagar para todos”. Em um delay mental, clicou na primeira opção e lá se fora sua doce chance de fingir que aquilo nunca havia acontecido. 

— Puta que pariu! O que eu fiz?! — Exclamou em pânico. 

— O que você fez?!  — Perguntou assustado pelo grito que Jaemin havia dado a pouco, esgueirando-se para espiar a tela e culpado o suficiente.

— Acabou tudo! — Disse de olhos marejados. 

— Acabou o quê?! Pelo amor de Deus, Jaem!

— Tudo! — Aproximou a tela de Donghyuck. — Eu apaguei a mensagem para mim. 

De forma calma, quase que sem vida, andou até o banheiro e fechou a porta com força e a trancou. Não sabia o que fazer, então resolveu apenas chorar até alguma luz iluminar sua mente.

Nada

O acastanhado resolveu o deixar só, já tinha feito muito estrago para apenas uma noite. Dez minutos, depois mais trinta minutos se passaram e agora faziam exatamente uma hora que estava preso naquele banheiro. 

— Saia daí! — Gritou, batendo na porta. 

— Nunca! — Gritou de volta. 

— Você não pode ficar no banheiro para sempre!

— Posso sim!

— E o Jeno?!

— Que Jeno, meu filho?! Que Je-no?! — Berrou novamente, dizendo o nome do dito cujo de forma a separar suas sílabas. — E, a partir de hoje, me chame de Roberto.

Haechan riu e pode ouvir uma baixa, quase inaudível, risadinha do outro e disse com pesar:

— Desculpa, eu não queria… 

— Está tudo bem, Haechannie. Eu nunca ficaria com ódio de você e eu sei que só quer o melhor para mim. — Abriu a porta cabisbaixo, deixando o Lee preocupado com sua face vermelha e inchada de tanto chorar. — Vou só esquecer isso de uma vez.

— Vamos assistir um filme então?

— Vamos. Eu escolho dessa vez. — Pegou seu notebook e abriu no catálogo da Netflix, mas sem antes excluir o aplicativo de mensagens de seu celular e fechar a aba em seu computador. 

Assistiriam alguma comédia romântica ruim e comeriam todas as comidas calóricas que os dois compraram no mercadinho antes de parar na casa de Donghyuck e dormiriam bem pesado, principalmente Nana, que morria só de pensar que amanhã ficaria cara a cara com ele. 
 

Ao contrário do que pensou, no dia seguinte não teve que ficar cara a cara com Lee Jeno e, para sua surpresa, nem no dia seguinte, chegando a conclusão de que teria levado um fora da pior maneira possível. Questionava-se se era tão desprezível assim a ponto do garoto nem sequer querer conversar, mesmo que fosse apenas para negar a reciprocidade dos seus sentimentos. 

No primeiro dia o esperou nervoso, sentia seu estômago embrulhar só de ouvir o sininho acima da porta tocar e, no final do dia, ao concluir que ele realmente não viria, sentiu um pingo de alívio, mas ainda havia o próximo dia… Bom, ele achava. Assim como antes, feito bobo, esperou o dia inteiro e ao final, nada de Jeno. 

Tentou ao máximo parecer bem com tudo aquilo, entretanto estava tão mal e acabado emocionalmente com tudo, que só queria se deitar em sua cama e chorar. O Na não estava bem e era perceptível a todos, pois suas olheiras ficaram mais escuras que o normal, não comia sua torta holandesa de sobremesa no horário de almoço por causa de sua ansiedade, parecendo que iria vomitar a qualquer momento, seus sorrisos mudaram também, não eram mais tão espontâneos como antes e mal prestava atenção ao que falavam. Decidiu pedir para dar um tempo no trabalho, talvez ficar um pouco em casa o ajudasse. Donghyuck, por mais que estivesse triste por perder o companheiro de trabalho, só queria o ver bem, então não questionou. 

Jaemin foi o mais depressa que possível para sua casa, trocou de roupas e adormeceu profundamente. Sua mãe perguntou o que havia acontecido consigo, apenas disse que precisava descansar, o que, por um lado, não era de toda mentira assim, tanto que no outro dia, até se sentia um pouco melhor — não que fosse sair dançando da cama ou algo assim. Saber que não precisaria abrir aquelas janelas velhas, limpar a porta de vidro com marcas de dedos e preparar aqueles cafés idiotas o deixavam mais calmo, porém, no fundinho, sentia falta da sua rotina no Sunflower’s Coffee. “Não pense nisso. Não pense nisso!”, reprimia o que sentia, mas era melhor assim, talvez nas próximas férias voltasse, quem sabe. 

Colocou sua melhor playlist para tocar, regou as plantas do corredor da sala, dobrou suas roupas acumuladas em pilhas nos cantos de sua cama, colocou o lixo para fora, assim como a sua mãe havia lhe pedido antes de sair e decidiu caminhar para limpar a mente. Talvez não necessariamente limpar, mas pelo menos organizar um pouco seus pensamentos. 

De qualquer forma, o dia estava ensolarado e não tinha muitas coisas para fazer. 

Morava bem próximo do centro, então as ruas perto de sua casa eram extremamente movimentadas (principalmente aos finais de semana) e cheias de lojas, tinha uma sorveteria muito boa nas proximidades, então resolveu passar por lá e comprar uma casquinha de sorvete de limão que tanto gostava. 

Já podia ver a placa da loja brilhando, que era uma casquinha toda feita em luz neon rosa, porém ouviu uma voz conhecida vindo em sua direção, Mark Lee era o dono dela. Tinha pouco tempo para pensar em como sairia daquela situação sem ser visto. Desviou para subir a rua correndo, rezando para não tropeçar. “Que desastre!”, pensou. 

— Maldito seja você, Lee Jeno, que me fez perder meu sorvete! — Exclamou irritado, chutando o asfalto debaixo de seus pés. 

Continuou sua caminhada tão chateado e pensativo por não poder tomar seu sorvete que não notou alguém em sua frente. 

— Des… — Ia dizendo quando se sentiu esbarrar em um corpo, até ver que havia colidido com Huang Renjun, um amigo de infância que não via há muito tempo, abrindo um sorriso gentil, sendo recebido também por um. 

— Grande Jaemin! Como vai, cara? Que saudades! — Disse animado de um jeito completamente descolado-demais-para-ser-considerado-Renjun. 

Havia mudado consideravelmente desde que fora morar com os avós na capital, Seoul. Era óbvio que mudaria desde o sétimo ano, mas não esperava tanta mudança assim para um garoto tímido com muita dificuldade em entender coreano. Seus cabelos agora eram de um loiro quase branco com as pontas pintadas de roxo, que, pelo que lembrava, era sua cor favorita, tinha também um piercing prata na sobrancelha direita e usava uma jaqueta de couro preta com um pequeno broche de tigre, provavelmente símbolo de sua antiga escola, por baixo da jaqueta, uma camiseta branca um pouco suja de terra (não conseguia pensar em um motivo disso) e uma calça jeans preta desbotada com um rasgo em cada joelho. 

— Vou bem e você? — Disse por educação, é claro. Não é como se fosse começar a chorar as pitangas para o Huang no meio da rua. 

— Vou bem também! Nossa, você mudou muito. Estou cho-ca-do! 

— Eu quem diga, Jun! Olha você… Um gato!

Ambos riram, jogando mais um pouco de conversa fora. 

— Como vai o Chenle?

— Chegamos aqui faz uma semana e ele parece estar bem mais feliz do que em qualquer dia em Seoul. Não entendia o motivo de tanta raiva no começo, até que descobri que o problema não estava na cidade e sim com um tal de “Park Jisung” da antiga sala dele. Eles namoravam, você acredita?! No sexto ano eu ainda era espinhento e só a ideia de beijar me dava nojinho, quem dirá namorar! 

— “Park Jisung”… Esse nome não me é estranho. Espera! Lembrei! Nossa, eles viviam juntos, mas era só você aparecer que ele sumia do mapa. 

— Não entendo o motivo, eu era tão legal!

— Para de mentira, você era um puta de um irmão protetor! Não podia ninguém chegar perto do Lele que você já fechava a cara!

 — Verdade, não posso contestar. — Disse risonho, enquanto passava as mãos pelo cabelo. — Chenle vai ficar muito feliz de saber de você. Seu número é o mesmo?

— Sim e o seu?

— Não, mas eu te mando mensagem, aí você salva. Eu ainda tenho aquela agenda telefônica na casa dos meus pais. 

— Entendi, vou esperar uma mensagem sua! — “Lembrete do dia: instalar o Whatsapp de novo”.   

— Estava quase me esquecendo de dizer… Eu vou dar uma festa na casa dos meus tios hoje à noite. Quer ir?

Pensou na possibilidade e lembrou de Haechan, o próprio “arroz de festa” e só iria se ele fosse.

— Posso convidar o Hyuck? 

— Claro, claro! Faz tempo que não vejo aquela peste também. Nossa, nostalgia total aqui. 

— Bom, foi muito bom te ver, Renjun, de verdade. Nos vemos hoje à noite então.

— Tchau, Jaem!

Se separaram acenando um para o outro em despedida e continuou sua caminhada.  “Até que caminhar não foi uma má ideia”

 

(...) 

Com a noite chegando, decidiu que se arrumaria na casa do primo, já que seu tio os daria carona para a festa que, pelo que Donghyuck disse, contaria com a presença de mais de metade dos jovens da cidade. 

Jaemin estava pronto e cheiroso, usava um moletom azul claro simples com uma calça jeans azul escuro marcando suas pernas finas, e nos pés usava seus All Star pretos e gastos de sempre, usando um correntinha sem pingente em torno de seu pescoço, para dar um charme a mais. Já Donghyuck, vestia uma camisa larga preta de linhas finas brancas verticais, que davam uma alongada em seu tronco e uma calça skinny preta e, para finalizar, nos pés, assim como Nana, um par de All Star, mas de cor vermelha. 

Passaram o caminho inteiro cantando as músicas que tocavam na rádio.

— Cuidem-se, meninos! — Aconselhou antes de fechar a janela e voltar para casa. 

A festa estava agitada e mesmo a casa sendo grande e espaçosa, parecia pequena com a quantidade de jovens bebendo, dançando, conversando e fazendo sei lá mais o que pelos cômodos. 

— Fico feliz em te ver mais animado. — Confidenciou pertinho do seu ouvido, fazendo o mais novo sorrir pela preocupação alheia. 

—  Parece que é o Mark ali. — Mudou de assunto, apontando discretamente para a escada, onde um grupo de jovens conversava alto, atraindo rapidamente o olhar interessado de Haechan.

— Eu vou lá!

— Vai que é tua, filhão! Vou pegar alguma bebida na cozinha, minha garganta está seca. — Empurrou-o de leve para frente, de alguma forma, o encorajando. 

Chegou perto da bancada preta de mármore que ficava no meio da cozinha e viu que, em cima dela, tinha alguns salgadinhos e vários tipos de bebidas alcoólicas, mas, mesmo com a variedade, não queria beber, então decidiu ficar com a lata de energético de sabor duvidável. A latinha roxa estava atrás de uma garrafa de vodka, provavelmente em lugar estratégico. Ouviu Renjun anunciar da sala que agora fariam brincadeiras e é claro que não participaria, podiam o chamar de careta ou do que quisessem, odiava brincadeiras de jovem em festas, fugia como o diabo foge da cruz, pois sempre acabava constrangido contando algum segredo ou sendo desafiado a beijar alguém, senão coisa pior… Então, com sua latinha de energético em mãos e a passos rápidos, cumprimentou o canadense que conversava animadamente com Haechan e subiu as escadas, passando pela fila para o banheiro, algumas pessoas bêbadas caídas no chão e casais se pegando. Achou um quarto que tinha uma grande porta que dava para uma sacada. 

“Perfeito”. 

Atravessou o quarto e chegou à sacada, sentindo a brisa da noite bater em seus cabelos rosa, gelando seu rosto em seguida. Encostou-se no vidro que delimitava tudo e abriu a bebida, fazendo um chiado entrar pelos seus ouvidos, tateando seus bolsos atrás de seu celular e fones, achando apenas o aparelho. 

“Deveria ter trazido meus fones, que raiva”. 

— Jaemin? 

Olhou para trás, procurando quem havia o chamado, se assustando um pouco ao ver quem se aproximava e, com uma roupa inteiramente preta, sem mostrar nada de seu corpo e com a mesma maquiagem em baixo dos olhos feita às pressas de sempre, parecia mais bonito que o normal (se é que isso era possível) e sentiu seu peito doer de cara, não conseguia parar de sentir o que sentia pelo loiro. Mudando seu foco, bebericou o líquido, odiando o gosto artificial de uva. 

Queria evitar contato para não se magoar, mas Jeno parecia querer o contrário, ficando ao seu lado, fazendo com que seus ombros quase se encostassem. Começaram a conversar, mas ainda não conseguiam fazer contato visual um com o outro. 

— Como sabia que eu estava aqui? 

— Mark. 

— Entendi. — “Óbvio! Quem mais poderia ser?” pensou, sentindo raiva do canadense. — Você contou para alguém sobre aquilo? 

— Só contei para o Mark. 

— Ótimo! — Exclamou ironicamente, como se fosse o fim do mundo. 

— Jaemin, não sei o que pensa sobre ele, mas o Mark não é fofoqueiro, por isso todos confiam nele e eu, como seu melhor amigo, pedi segredo. Não é como se fosse sair contando por aí. É algo entre nós

Em qualquer outra situação, teria achado aquela frase “é algo entre nós” emocionante, mas, na situação em que estava, preferiria ouvir muito mais um: “relaxa, vamos esquecer isso tudo”.

— Jeno. — Chamou-o para que o olhasse, logo conseguindo o que queria, recebendo olhos atentos esperando pacientemente para o que iria dizer, atitude essa que o fez gelar por completo. 

Precisava dizer aquilo ou iria engasgar de vez, então, colocou seu energético no chão e tentando ser o mais claro que possível, começou:

— Foi bem difícil para mim você ter descoberto meus sentimentos daquela forma, não havia planejado isso e, se não fosse pelo Haechan, aquela história nunca teria sido enviada. Deve ter sido chocante para você descobrir isso do nada, eu nem imagino o que faria em seu lugar. — Deu um riso nasal quase inaudível, tentando descontrair um pouco para concluir de uma vez o que iria dizer com tudo aquilo. — Bom, quero que saiba que está tudo bem e que não precisa se explicar ou algo do tipo, só vamos seguir em frente como se nada disso tivesse acontecido, okay? — Comprimiu seus lábios até se reduzirem a apenas uma linha fina em seu rosto e, num ato envergonhado, direcionou seu olhar para o chão que mudava de cor por conta das luzes coloridas da festa. 

— Talvez eu não queira esquecer. Eu… gostei bastante dela, sabe? — Respondeu sorrindo, fazendo com que Nana o olhasse assustado.

Jeno colocou suavemente sua mão direita na face fria de Jaemin, que hesitou um pouco pela surpresa e, com seu polegar, fez movimentos circulares em sua pele, acariciando seu rosto. Seus olhares se conectaram instantaneamente, e o jeito com que o loiro o olhava, como se fosse ler sua alma, fez Na Jaemin estremecer. 

Juntando seus corpos de uma vez, Jeno se aproximou lentamente de seu ouvido e sussurrou:

— Acho que posso te ajudar com aquela parte...

Ruborizou totalmente ao lembrar do que se tratava, da maldita cena do beijo. De caso pensado, colocou suas mãos na cintura fina de Jaemin e o encostou cuidadosamente contra a parede branca atrás de ambos. 

“Alerta vermelho! Alerta vermelho!”, era o que passava por sua cabeça quando percebeu em que situação estava, mas a silenciou, queria aproveitar cada segundo daquilo. 

— Posso? — Perguntou mesmo sabendo a resposta, querendo o provocar um pouquinho, ainda o olhando com toda a intensidade que podia. 

Nana, ansioso e com as pernas que pareciam mais geléia, o respondeu afirmativamente. O tempo parecia ter congelado, a única coisa que o lembrava que para dentro havia uma festa eram as luzes e a música abafada. 

Se antes havia uma pequena distância entre seus rostos, agora ela quase não existia mais, Lee Jeno distribuía selinhos em sua têmpora, descendo aos poucos para toda a extensão de seu pescoço, fazendo com que relaxasse e virasse um pouco a cabeça de forma com que deixasse aquela parte mais livre para ser explorada, coisa que não tardou a acontecer. O aperto em sua cintura, até então suave, tornou-se algo mais forte, não chegando a machucar, contudo acentuava o ar possessivo do maior. Não queria ficar parado enquanto recebia todas as carícias, gostaria de retribuir, queria o tocar também. Passou suas mãos em sua costa, rumando para sua nuca e juntou suas testas, o encarando na mesma intensidade em que era encarado. 

— Você é lindo. 

“Ele me chamou de lindo? Isso só pode ser um sonho…”, pensou, tentando recobrar seus sentidos.    

Então, por fim, selaram seu lábios em um beijo calmo e, ao se acostumar com o ritmo que tudo levava e sincronizar seus movimentos, Jaemin subiu suas mãos até o cabelo loiro, puxando um pouco, sentindo toda a textura das mechas descoloridas entre seus dedos e o piercing lingual deixava tudo ainda mais interessante do que esperava, sua sensação gelada em contato com sua boca o deixava mais desperto, procurando mais contato. Jeno era confiante em suas investidas, o que tornava beijá-lo algo inexplicavelmente bom, seus lábios tinham gosto de menta, delatando que havia se preparado previamente para isso. 

“Inacreditável.”

Cada partezinha de seu corpo se dissolvendo no dele, sua mente se afundando na imensidão que Lee Jeno era e, em toda a bagunça de seus sentidos e sentimentos, nunca pensou em querer tanto assim alguém como o queria naquele momento. Insano como seus lábios eram tão macios e como seu perfume era gostoso. 

Infelizmente, quando o ar faltou, tiveram de finalizar o ósculo, mas decidiram permanecer colados, não fazia sentido se separar, seus corpos pareciam se encaixar perfeitamente. 

 — E agora? — Questionou incerto. 

— Agora quem me diz é você. Bom, você já tem o que precisa para terminar sua história, certo? 

— Dane-se aquela história, Jeno. — Ao dizer isso, percebeu o Lee arquear uma de suas sobrancelhas com ar zombeteiro. — Eu... queria poder fazer isso mais vezes. 

— E quem te impede?


Notas Finais


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