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História O garoto da lua - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoas! Essa história também foi feita de presente para minha namoradinha. Um estilo bem diferente do que escrevo normalmente.

Talvez não fique claro, mas minha inspiração veio do filme "A noiva cadáver".

Boa leitura!

Capítulo 1 - Salvação ao luar



O vento soprava violentamente entre os galhos curvos da floresta densa. As árvores pareciam sussurrar entre si durante o chacoalhar de suas folhas e celebravam a chuva fina que as visitava. Os pequenos roedores se divertiam caminhando pelo chão espesso e úmido atrás de algo para se satisfazerem, porém o seu rotineiro hábito noturno fora interrompido pelos passos apressados de um rapaz sobre a relva. As árvores, agora acanhadas simplesmente pararam de sussurrar e o único ruído a ser ouvido era a respiração daquele jovem que nesse momento se encontrava repousando brevemente em um tronco, mas ele não se deu ao luxo de ficar parado por muito tempo e logo voltou a andar, desta vez mais calmo e silencioso.


Jiang Cheng era um homem morto, ao menos seria se aqueles guardas o encontrassem. Ele não tinha arrependimentos de seu feito, mas também não achava certo morrer por aquela razão. Ele apenas havia feito justiça. Havia matado o bispo que condenará sua mãe a morte. Sua mãe podia não ser a melhor pessoa do mundo e sim, ela era uma bruxa, mas nunca fizera mal a ninguém, pelo contrário viveu isolada dos demais justamente por isso, porém bastou um simples murmúrio dos malditos aldeões daquela vila para que ela fosse queimada. Uma verdadeira humilhação em praça pública que a julgou como se fosse uma criminosa. 


Somente a memória do corpo de sua progenitora ardendo fora o suficiente para que ele desse um jeito de entrar na catedral e matasse o bispo com suas próprias mãos, entretanto o que para ele tinha sido um ato de justiça para os demais havia se significado algo repulsivo e hediondo perante Deus. Coisa que sinceramente deixava Cheng com vontade de rir, a figura de Deus para ele não passava de invenção para justificar a maldade daquelas "fiéis" ignorantes. Ele não acreditava naquele ser, portanto ele não sentia medo de ser julgado por algo que não existe. E se tivesse oportunidade de voltar naquela cidade vivo faria questão de incendiar a catedral inteira com todos ali.


Se sua mãe concordaria com seus atos? Pouco importava, ela já estava morta de qualquer jeito. E nem mesmo sua lembrança poderia acalmar o ódio no coração de seu filho ou confortar o sentimento vazio que o afligia.


— Eles são piores do que aquilo que chamam de demônio. — sussurrou para si ao apoiar as costas em um tronco úmido.


Mordeu os lábios em desgosto, sua garganta seca pelos gritos frustrados que segurou. Esperava o momento certo para desabar em lágrimas em meio aquela escuridão, afinal, mesmo que repleto de fúria o sentimento de amargor era maior. Escorregando lentamente até ficar completamente sentado no chão úmido e frio, ele passou a reparar em seu próprio estado. As roupas sujas pelo sangue do bispo, a pele molhada devido a chuva e a correria, contento alguns arranhões por esbarrar nos galhos espalhados pelo ambiente, o cabelo bagunçado pelo vento que antes passeava pelas árvores. Cheng abraçou seus joelhos e após alguns segundos em silêncio para ter certeza que ninguém havia o alcançado ele desatou a chorar. O peito ficando apertado chegando ao ponto de se sentir sufocado pelas próprias lágrimas.


"A verdade é: Eu tenho algum motivo para ficar vivo?"


Era um pensamento cruel consigo mesmo, porém a realidade era que ele não conhecia ninguém, sua única família não estava mais viva e há muito tempo se mantinham isolados socialmente justamente para evitar armadilhas. Jiang Cheng não sabia e não tinha vontade de conviver com outros, mas ser morto por aqueles que cometeram tal injustiça com sua mãe não era algo que ele estava cogitando.  Com um suspiro pesado ele voltará a andar tentando se abstrair daquelas questões mesmo que fossem impossíveis de esquecer, as lágrimas ainda pairavam em seu rosto. 


Como forma de distração sua mente acabou por remeter a uma singela memória de sua mãe. Aquela floresta era recheada de contos que ele escutava quando criança. Segundo ela, existiam diversos espíritos e criaturas mágicas, ainda pequeno ele acreditava facilmente naquilo, agora já um homem questionava se sua mãe estava sendo sincera ou se apenas queria que ele ficasse longe daquele embrenhado de árvores. 


"Talvez fossem os dois", pensou rindo da lembrança, mas logo a expressão alegre cessou em seu rosto pela tontura repentina.


As pernas de Cheng começaram a pesar pelo cansaço, ele nem ao menos havia dado dez passos, mas sentia o corpo inteiro arder. Apoiou-se em uma rocha para evitar uma possível queda, mas isso não o impediu de cair de joelhos. Respirava rapidamente como se toda a sua energia tivesse sido drenada. Levou sua destra até a região de seu peito segurando com força o tecido esfarrapado, seu coração parecia estar sendo apertado fazendo com que a dor se espalhasse, a garganta arranhava por dentro e o ar não entrava mais em seu corpo. A sensação de desespero aumentava, com o olhar apavorado ele tentou erguer a cabeça para chamar por ajuda mesmo que sabendo que estava distante demais das aldeias e de que aquilo poderia o entregar. As imagens daquela fogueira voltavam para sua mente, os gritos de sua mãe, a comemoração daqueles aldeões. Seria o mesmo com ele? Por que que ele estava fugindo? Não seria melhor se entregar de uma vez? Aqueles pensamentos o atormentavam desde do momento em que matou o homem que era considerado um "santo". Cheng se sentia sem rumo, ele estava completamente...


— Assustado. — aquela voz melodiosa soou próxima de seu ouvido.


Cheng tentará se afastar, mas seu corpo estava pesado e nem ao menos a própria cabeça conseguia manter levantada.


— Não, não tenha medo. Olhe para mim.


Como se tudo não tivesse passado de um mal-estar todo o peso em seu corpo desapareceu. Um alívio tremendo o fez respirar profundamente notando o oxigênio voltando entrar em seu organismo. Antes que pudesse dizer algo duas mãos seguravam seu rosto e o puxavam para cima. Aquela tez macia fazia carinho com os polegares nas bochechas de Cheng, aquele ato o causou uma estranha sensação de paz e sonolência como se agora ele não precisasse mais estar alerta, pois estava seguro.


— Oh. 


Por dado momento, ele esqueceu as palavras e a única coisa que conseguiu expressar foram murmúrios perante a beleza da figura em sua frente. A pele daquele ser brilhava levemente, e os cabelos longos e negros só deixavam ainda mais evidente. Seu rosto possuía um semblante doce, olhos tão verdes feito a relva, ele até mesmo podia conseguir ver a pequena lua escondida naquelas pupilas, usava roupas brancas manchadas do sangue que escorria por seu peito. Cheng sabia que aquele ser mesmo parecendo não era humano. Sabia que deveria fugir, mas por alguma razão percebeu que fazer isso não adiantaria em nada.


— Seu coração está tão pesado. — o garoto desconhecido se ajoelhou ficando na altura de Cheng. — Você está solitário, se sente desamparado, não é? 


O rosto alheio ia se aproximando enquanto as mãos desciam para os ombros de Cheng de modo carinhoso. As lágrimas voltaram a rolar por seu rosto, pois depois de tanto tormento finalmente alguém estava o acolhendo.


— Você não precisa mais sofrer. — ele foi abraçado pelo o outro, um calor gentil fazendo seu corpo formigar. — Tudo irá ficar bem agora, descanse.


— Não posso, eu tenho que ir embora. Se ficar eles irão me achar facilmente e--


Seus lábios foram parados pelo indicador alheio, devagar teve seu corpo deitado em meio de folhas e cascas de árvores. O garoto deitou-se sobre ele. Este que fazia carinho em seu rosto enquanto ambos se encaravam. Um suspiro profundo veio por parte de Cheng, pois finalmente havia compreendido. Ele não precisava mais fugir de algo, ele teria paz agora.


— Obrigada. — murmurou para o outro enquanto desviava o olhar para o céu. 



A lua estava no auge de seu brilho. Cheng sorriu ao notar isso.



— Boa noite, filho da bruxa. — ele disse para logo depois beijar suavemente os lábios de Cheng, o deixando completamente sonolento.


— Boa noite, garoto da lua.


E ele finalmente adormeceu.


Quando seu corpo foi encontrado pelos guardas já havia amanhecido. O rapaz estava ajoelhado com a mão direita apertando a região de seu peito, porém o que deixará aqueles homens um tanto  abismados não fora a posição, mas a expressão do rosto de Cheng. Sua cabeça estava erguida, os olhos abertos, os lábios repuxados em um sorriso que poderia ser belo, mas se tornará assustador na face de uma pessoa morta.








Notas Finais


Elogios e críticas são bem-vindos!
É provável que eu faça uma extra nessa história para contar a lenda do Garoto da Lua, veremos.

Beijos de Vivi


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