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História O Garoto de Cabelo Vermelho - Jikook - Capítulo 18


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, boa noite ❤️

Esse capítulo foi um pouco complicadinho de fazer porque seria o último. Eu tive que retirar
umas coisas, acrescentar outras, pensar nos próximos capítulos e como seriam... Mas deu tudo certo.

Espero que gostem, assim como eu gostei de como ele ficou. Como de costume, chorei enquanto escrevia.

Estou com preguiça de revisar, mas assim que bater a coragem eu volto aqui e corrijo os erros.

Boa leitura:

Capítulo 18 - Capítulo Dezessete



A reunião com o sr. Oh ocorreu tranquila, de modo que ambos os lados ficaram satisfeitos com os termos. Encontravam-se Oh, Jungkook e Jimin na sala do mais velho, conferindo os últimos acertos.

O ruivinho ficou grande parte do tempo calado. Quase não entendia o que era dito pelos mais velhos. As únicas vezes em que abriu a boca foi para concordar com algo que Jungkook dizia.

— Jeon Hana me contatou. Disse que houve um contratempo na questão do casamento, mas que logo vai resolver. — Jungkook soltou um longo suspiro incomodado. — Mas não se preocupe, eu não pretendo reaver o acordo, de todo modo.

— Não estou preocupado. Nunca quis me casar com sua filha. Se aceitei o acordo com minha mãe foi unicamente um ato de desespero para tentar salvar o pai do Jimin.

— Nunca ? Vocês namoraram quando eram adolescentes.

— Sua filha me deu motivos suficientes para que eu nunca chegasse a pensar em casamento.

— Vamos mudar de assunto. — Oh afirmou sorrindo sem graça.

Jimin apertou levemente a mão do moreno. Tudo bem que Jungkook estava certo, mas não era bom que ficasse dando suas patadas no homem que iria investir em seu negócio.

Mas Jungkook era impulsivo demais.

— Melhor assim. — ele concordou e lançou um olhar para o ruivo que significava “tudo sob controle”.

— Então, essa sua equipe pode dar conta das novas filiais ?

— Ela ainda não está completa. Mas conheço alguns nomes bons, bastantes promissores. Vou contatar todos e daremos início aos trâmites.

— Ótimo. — eles se levantaram e apertaram as mãos. — Como sempre, estou impressionado com seu talento de gerenciar negócios.

— Obrigado. Vamos, meu bem ?

Jimin também apertou a mão de Oh, e depois segurou na mão do namorado.

Eles saíram da empresa ainda de mãos dadas, e caminhavam pela calçada seguindo até um ponto de táxi.

— Ai, eu quase esqueci! Tenho a entrevista na universidade hoje às três da tarde.

Jungkook olhou em seu relógio. Ainda faltavam quarenta minutos até lá.

— Ainda dá tempo. — O moreno disse calmamente e se voltou ao motorista. — Amigo, poderia pegar a avenida Tchaikovsky ? Poderíamos chegar mais rápido através dela.

— Claro, pode deixar comigo. Se eu não fosse um taxista, seria motorista de fuga.

Jimin começou a mexer nos próprios dedos de maneira descoordenada. O nervosismo e a ansiedade tomando conta da sua sanidade.

— Vai dar tudo certo. — parou de bater o pé no chão do veículo quando sentiu a mão do moreno pousar sobre a sua. — Está preparado para isso.

— Sim… eu… você me ajudou treinando comigo pra entrevista.

— Exatamente. Além do mais, você é inteligente, talentoso e simpático. Tenho certeza que essa vaga já é sua.

Jimin suspirou, erubescendo com os elogios.

— Você tem razão. Eu consigo... Que tal um beijinho de boa sorte ?

Jungkook sorriu e aproximando seus rostos, beijando-o levemente.

— Que tal dois ? — ele indagou ainda com os lábios juntos, e o beijou novamente. Dessa vez com mais intensidade.

O motorista fungou, e eles separaram o beijo.

— O senhor está bem ? — Jimin questionou preocupado.

— Estou, é que… sabe, eu sempre fico emocionado quando vejo casais apaixonados.

— Aaah que fofo não é, Jungkookie ? — O moreno sorriu concordando.

O restante da viagem, o motorista contou para eles várias das histórias de amor que presenciou, entre os passageiros que circularam com aquele veículo.

O ruivinho achou todas muito lindas, algumas divertidas e outras constrangedoras. Já o moreno, deu graças aos céus quando as instalações da faculdade apontaram na próxima esquina.

— Boa sorte meu jovem. — o motorista ditou quando eles desembarcaram.

— Obrigado!

Eles seguiram pelo caminho que levava ao prédio da  administração. A senhorita da recepção os recebeu com bastante simpatia, e os direcionou ao andar onde fica a reitoria.

Ao saírem do elevador, Jimin travou os pés no chão. O frio subindo por suas pernas e instalando-se na boca do estômago.

— O que foi ?

— E se eu… eu quero desistir. Eu tô com medo.

— Medo de que ?

— Não sei… e se eu falhar ?

Jungkook respirou profundamente e segurou as mãos inquietas do menor, ficando de frente para ele.

— Então eu vou segurar sua mão, e você não estará sozinho. Poderá tentar outra vez, tens a vida inteira pela frente. O importante é nunca desistir. — Jimin assentiu. — Você confia em mim ?

— Confio. — respondeu sem hesitar.

— Eu também confio em você. — Ele acariciou seu rosto e depositou um selinho em sua testa. — Vamos ?

Jimin soltou um suspiro mais tranquilo.

— Sim, estou pronto.

Jungkook o levou até a porta da reitoria e ficou do lado de fora esperando, durante todo o tempo da entrevista.

Com o coração apertado, ele forçou o corpo contra a própria mente que dizia para que ele entrasse naquela sala, para segurar a mão do seu ruivinho. Sabia da capacidade dele, mas tinha momentos que Jimin era apenas um bebê, e ele queria protegê-lo do mundo.

Depois do tempo que pareceu uma eternidade, Jimin finalmente abriu a porta da sala e saiu. Ansioso, o moreno caminhou ao seu encontro e sentiu seu coração diminuir o compasso, ao ver um sorriso no rosto do menor.

— E então ?

— Ele foi muito legal. Eu fiquei nervoso e comecei a gaguejar, então ele deixou eu fazer um origami com um folheto de uma companhia aérea. — informou mostrando a dobradura de papel no formato de um ganso. — Eu disse pra ele que isso me acalma.

Jungkook sorriu encantado.

— Você é mesmo um neném.

— Bom... Aí ele disse pra esperar a resposta que vai chegar através de uma carta.

— Então agora é só esperar. — Jimin assentiu. — Vamos pra casa dos seus pais ? Temos que falar com eles.

Ele anuiu e logo eles pegaram um transporte e encaminharam-se à casa dos Park.

Jimin, que tinha uma chave extra da casa de seus pais, abriu a porta para que ele e Jungkook entrassem. O interior da residência estava silenciosa e parecia que ninguém estava em casa, mas ambos sabiam que Eunjin estaria cuidando da confeitaria, e Dakho provavelmente poderia estar descansando no quarto.

Eles seguiram pela sala e corredor até chegarem na cozinha. Levaram um grande susto ao ver o homem alí, parado de frente a geladeira.

— Papai ? — o ruivo questionou surpreso. Dakho se locomovia com a ajuda de uma cadeira de rodas, o menino então ficou bastante feliz por vê-lo de pé.

O Park derrubou um pratinho com uma fatia de pizza no chão. Deixando as costas ereta, ele elevou a palma na altura do coração.

— Que susto, filho. Pensei que fosse sua mãe.

Ele tentou se abaixar devagar para limpar a bagunça, mas Jungkook foi mais rápido e se prontificou a ajudar.

— Eu pensei que o senhor não conseguia andar sozinho. — o sorriso estava estampado em sua face. — Há quanto tempo consegue ?

— Alguns dias apenas. Mas por favor, vocês dois, não digam nada para Eunjin. Quero fazer uma surpresa.

— Hmmm e no que está pensando ?

— Vamos pro sofá e eu conto. Ela pode chegar a qualquer momento. — o mais velho sorriu envergonhado, por ter sido descoberto pelo filho e também por influência-lo a acobertar sua mentira. — Sabem, dentro de alguns dias vai ser o nosso aniversário de casamento e eu gostaria muito de renovar os votos com ela.

— Que coisa linda, pai! — Jimin exclamou e girou para o moreno. — Nós vamos ajudar, não vamos ?

— Vamos sim. — Jungkook confirmou com um sorriso. — E acho que tenho uma ideia. Lembrei de algo que ela disse…

A ideia que o moreno propôs foi muito bem aceita pelos outros dois. Algumas opiniões foram adicionadas e logo eles tinham o plano completo, para as bodas de zircão.

Algumas horas mais tarde, Eunjin finalmente chegou em sua casa, encontrando seu marido, filho e genro no sofá, assistindo na televisão um filme com Jackie Chan.

— Como foi na entrevista, meu querido ? — Eunjin perguntou, logo após acenar para Jungkook e beijar seu marido na testa.

— Foi ótimo mãe. Eu fiz um origami e o reitor gostou. — ele não quis revelar o quanto esteve nervoso, mas sabia que sua mãe compreensiva como era, iria entender e lhe dar muito apoio.

A ruiva abraçou o filho com bastante força e o beijou na bochecha.

— Que orgulho do meu Minie! — Ela depositou sua bolsa em cima da mesa de centro e largou-se no sofá. — Fica pra jantar conosco, Jungkook ?

— Claro. — Ele sorriu para a mais velha e trocou olhares apreensivos com Jimin. “A hora é agora”, pensou. — Eunjin, há algo que nós queremos falar com você.

Preocupada, a ruiva arrumou a postura no sofá e mirou filho e genro.

— Aconteceu alguma coisa ?

— Não. Quer dizer, nada que deva se preocupar... Bom, sem enrolações, eu chamei o Jimin para morar comigo em meu apartamento.

A princípio Eunjin não esboçou nenhuma reação. Porém, aos poucos a mulher foi mostrando-se abalada com aquela afirmação.

— Nada que eu deva me preocupar ? — ela perguntou. — Você quer levar o meu bebê da minha casa, e eu não devo me preocupar, você diz.

— Mamãe… — Jimin tentou articular, entristecido por ver sua mãe com um semblante tão chateado.

Mas antes que exprimisse alguma coisa, foi gentilmente interrompido por seu pai, que tocou em seu ombro pedindo silenciosamente a vez na fala.

— Eunjin, meu amor — ele se dirigiu a ruiva carinhosamente. — nosso Jiminie já tem vinte anos. Não foi para isso que o criamos ? Para que ele voasse em liberdade, em busca de sua felicidade.

— Sim, mas… — com os olhos cheios de lágrimas, a mulher não teve forças para continuar.

— Ele vai continuar sendo o nosso Minie, mesmo morando em outro lugar. — com um gesto carinhoso, ele limpou as lágrimas no rosto da esposa. — Ele vai ser o nosso pequeno príncipe para sempre, e nada vai mudar isso.

— Eu te amo muito mamãe. Vocês dois. — Jimin tomou a fala segurando nas mãos de ambos. — Mas eu quero muito ir com o Jungkook. Quero construir uma vida ao lado dele, a pessoa que eu tanto amo.

— Então vá meu amor. — Eunjin disse. As lágrimas embaçando sua vista. — Vou sentir muita saudade. Mas sua felicidade é o que mais importa.

— Mas, mãe. Nós vamos nos ver todos os dias na confeitaria. — Jimin sorriu. A essa altura ele também já estava chorando.

— É verdade, não é ? Oh… perdoe os dramas de uma velha dramática… — tentou amenizar o aperto no coração usando de bom humor. — Mas prometa que sempre vai vir aqui em casa pra almoçar com seus pais. Você e Jungkook.

— Prometemos. — Eles disseram juntos.

— Eles crescem tão rápido... — Eunjin comentou em um suspiro.

— Você me disse uma vez que tenta ser um bom homem, Jungkook. — Dakho se dirigiu ao mais moço. — Estou certo de que você é um. Se fosse meu filho saiba que teria muito orgulho de ser seu pai.

— Obrigado. — o moreno piscou algumas vezes para conter as lágrimas. — Saiba que essas palavras significam muito para mim.

— E já que eu vou ser abandonada mesmo — Eunjin brincou, fazendo drama. — Bem que vocês dois poderiam preparar o jantar pra mim, né ?

— Mas está muito tarde. — Dakho olhou em seu relógio. — Que tal uma pizza ?

Jimin e Jungkook olharam para o mais velho lembrando-se da cena na cozinha, e ele deu de ombros fingindo demência.

— Eu faço os pedidos. — Jeon alcançou seu celular e pediu as comidas.

E alguns minutos depois, os quatro estavam comendo juntos na mesa, entre conversas animadas e sorrisos sinceros.

— Vocês vão dormir aqui hoje ?

— Melhor, né amor ? — Jimin olhou para o moreno a fim de confirmar, e o mesmo assentiu concordando. — Está muito tarde.

— Sim. Amanhã cuidaremos da mudança.

Dakho assentiu e eles voltaram a comer.

Na manhã seguinte, todos haviam se levantado cedo. Jungkook ajudou Jimin a empacotar suas coisas, e quando finalmente tudo já estava pronto, longos abraços foram dados antes que o ruivinho partisse para morar com seu namorado.

Quando chegaram no apartamento, novamente o moreno o ajudou a organizar suas coisas pelo novo ambiente. Jungkook já havia separado vários espaços para o ruivinho utilizar a seu bem entender.

Assim que terminaram as arrumações, eles se deitaram no tapete felpudo da sala.

— Por que tudo branco ? — Jimin perguntou, se referindo as paredes.

— Gosto de cores neutras. Mas se você quiser mudar alguma coisa…

— Ah, acho que um azul ficaria bem atrás daquele sofá.

— Então vamos pintar.

— Sério ?

— Sim meu bem, o apartamento também é seu.

— Bem, então — Ele sentou em apenas um movimento, sentindo-se entusiasmado. — vamos colocar algumas fotos nossas nela. — disse apontando para a mesma parede.

E Jimin continuou a compartilhar suas ideias. Todas foram aceitas pelo moreno, mesmo que para ele fossem um pouco coloridas ou exageradas demais. Mas o que ele queria era que Jimin se sentisse realmente em casa.

Nada mais justo que o apartamento ter um pouquinho dos dois. E Jimin teve a sensibilidade de compreender isto, deixando a decoração meio a meio.

🍰


Em uma cotidiana manhã fria de inverno, ao chegarem em casa após mais um longo dia de trabalho. Jungkook foi o primeira a notar um pequeno envelope no formato retangular, no chão na frente da porta assim que eles entraram no apartamento.

Ele se abaixou para pegar a correspondência, chamando assim a atenção do menor.

— O que é isso ? — ele indagou curioso.

— Está endereçada à Park Jimin. — respondeu entregando-o. — É da faculdade que você fez a entrevista.

— Ai meu deus. Será que eu consegui a bolsa ?

— Bom, só vamos saber se você abrir. — disse com voz suave.

— Eu não consigo… abre pra mim ?

Jungkook sorriu assentindo e pegou o envelope. Jimin o olhava apreensivo enquanto ele abria o envólucro e lia o conteúdo de dentro.

Era difícil ler suas expressões, já que o moreno manteve-se com um semblante neutro o tempo todo.

— Você foi aceito! — logo, um enorme sorriso se fez no rosto do moreno. — Eu disse que você iria conseguir!

Incrédulo, Jimin pegou a carta e ele mesmo leu em voz alta:

— A Universidade Nacional de Seul tem o prazer de informar que Park Jimin foi aceito no curso de Pâtisserie… — ele parou de ler para erguer o olhar até o moreno, que sorria orgulhoso. — Eu consegui.

— Meu futuro chef confeiteiro — Jungkook o abraçou pela cintura. — parabéns meu amor.

— Obrigado! — ele separou o abraço e andou sem sumo pela sala enquanto murmurava: — Vou ligar pros meus pais. Vou ligar pro Hobi. Vou ligar pro Tae. Vou ligar pra todo mundo!

Estava tão feliz que procurava o celular pelos sofás, sem ao menos perceber que ele já estava em sua posse, na mão direita.

Gentilmente, Jungkook se aproximou dele e segurou sua mão, mostrando-lhe o aparelho.

— Aqui, meu bem, faça suas ligações. Convide todos a estarem amanhã na confeitaria. Vamos comemorar sua conquista e também aproveitarmos para ajudar seu pai com o plano dele.

— Isso! Boa ideia. — ele deu as costas para o maior e iniciou a série de ligações.

Jimin passou horas conversando e contando sobre sua mudança para a casa de Jungkook e sua aceitação na faculdade para Hoseok. E depois mais algum tempo conversando com Taehyung. Ele mal se deu conta de que já estava tão tarde, até que presenciou o moreno cochilando no sofá.

— Amorzinho — Jimin o chamou pacientemente até que ele despertasse. — Vamos pra cama ? O sofá é desconfortável pra dormir a noite toda.

Ainda um pouco desorientado, Jungkook olhou ao seu redor e assentiu, apenas se deixando levar pelo menor.

Quando chegaram no quarto, o mais velho lançou-se na cama e apagou de vez. Jimin riu da cena fofa e logo subiu atrás dele e o abraçou como se fosse seu grande urso de pelúcia.

Jimin gostaria de ter acordado na mesma posição em que foram dormir, mas assim que o dia amanheceu ele estava jogado de um lado da cama com as pernas esticadas sobre as costas do moreno.

Ele acordou ouvindo os resmungos do maior, enquanto ele tentava se levantar tirando aquelas pernas de suas costas.

Jungkook permaneceu sentado com seu cabelo todo bagunçado, olhando para um ponto fixo enquanto ainda "despertava" de seu sono. Jimin se levantou escovou os dentes e lavou o rosto, o moreno ainda permanecia sentado olhando para lugar nenhum.

— Jungkook ? — ele se aproximou sorrindo. — Acorda!

— Hm ?

— Você tá bem cansadinho ainda né ? Me ajudou a mudar os móveis de lugar, pintar algumas paredes que faltavam. Ainda foi dormir tão tarde.

— Não, já acordei. — respondeu sorrindo.

— Quando a gente chegar eu vou te fazer uma massagem bem boa.

Jungkook sorriu ao receber um beijo na bochecha e viu quando Jimin sumiu pelo corredor em direção à cozinha. Ele finalmente se levantou para fazer suas higienes, pensando no quão bom era acordar de manhã com alguém carinhoso como o ruivinho, cheio de amor e ternura.

Lembrou-se das vezes em que era acordado pelos gritos histéricos de sua mãe, enquanto a mesma listava todos os defeitos e falhas de sua vida. Apontando também os possíveis erros e fracassos que estariam por vir.

Ele abriu a portinha do armário sobre a pia. Era infinitamente diferente da casa de seus pais, pelo simples fato de não conter uma dúzia de calmantes e outras drogas nas quais ele usava para tentar fugir da triste realidade em que se encontrava.

Havia alguns produtos que o ruivinho utilizava e o vidro estava intacto.

Não havia gritos e discussões. Apenas o cheirinho gostoso que vinha da cozinha, e o cantarolar baixo do ruivinho que era como a voz de um anjo nos ouvidos de Jungkook.

Após tomarem café juntos, o moreno se adiantou a lavar a louça, antes que Jimin tomasse mais um trabalho para si. Era assim como ele era, gostava de mimar as pessoas, e com seu Jungkookie não seria diferente.

Eles abriram juntos a confeitaria do centro e algum tempo depois, os primeiros clientes já estavam chegando.
Em uma das mesas, Dakho e Taehyung ajudava Jimin com os pedidos feitos através do site.

A confeitaria sempre estava cheia, mas em certos momentos era possível dizer que o movimento estava baixo. E foi quando Jimin chamou sua mãe para descansar um pouco, já que a mulher estava trabalhando desde cedo sem parar.

— Mas ainda tem tanto serviço... — ela tentou articular a medida que era guiada pelo filho até a mesa em que seu pai e Taehyung estavam.

— Acho que podemos parar um minuto pra comemorar a conquista do Jimin.

— Sim, é verdade — a ruiva confirmou. — meu amor, parabéns.

Ela abraçou o filho e os quatro conversaram sobre como as coisas estavam caminhando bem. E em dado momento, os mais jovens se levantaram deixando Dakho e Eunjin a sós.

Ele tomou a mão da esposa que estava em cima da mesa e ela o fitou com curiosidade.

— A minha vida nunca foi fácil, precisei encarar muitas coisas até chegar até aqui, e quando recebi aquele diagnóstico pensei que… — ele começou. Eunjin ficou ouvindo, esperando ele concluir. — Mas a parte mais tranquila de toda minha caminhada foi o momento em que te encontrei. E hoje quero renovar meus votos com você, reafirmar meu sim e dizer o quanto fui abençoado e feliz em ter você na minha vida. Minha companheira, meu amor. Eu amo você desde aquele dia que nos conhecemos no colégio, e quando dançamos naquela cafeteria foi quando tive a certeza de que queria ter você para sempre ao meu lado.

Ele fez sinal para o filho e o ruivinho escolheu uma música na jukebox.

Dakho se levantou quando It must have been love começou a tocar. A ruiva arqueou as sobrancelhas com os olhos bem abertos. As lágrimas pararam de descer enquanto olhava impressionada a visão do marido que até minutos atrás dependia de uma cadeira de rodas, e agora, estava de pé diante dela.

Ainda sem palavras, ela segurou a mão que estava erguida para si em um claro pedido para dançar e se levantou, sendo guiada até um espaço aberto. Embora estivesse pensando em milhares de coisas que poderia falar, ela apenas abriu a boca sem que nenhuma palavra saísse de sua garganta.

Dakho sorriu gentil e as lágrimas correram novamente por sua face. Ela o abraçou pelo pescoço e deitou a cabeça em seu ombro, sendo mutuamente abraçada pelo mais velho.

— Eu te amo tanto! — Ela sussurrou levantando a cabeça. O rosto avermelhado e molhado, alguns fios ruivos grudados nas lágrimas pela bochecha. — Aceito me casar com você em todas as outras vidas.

Eunjin nunca quis riqueza em dinheiro ou qualquer outra coisa de valor material. Tudo o que desejava era dançar com seu companheiro uma última vez, mas aquela seria uma de várias outras mais que poderia compartilhar ao lado dele.

Eles abraçaram-se com força e continuaram a dançar juntinhos, como se estivessem na mesma cafeteria quando tinham dezoito anos.

De longe, Taehyung, Jungkook e Jimin observaram a particular comemoração de bodas de zircão de um casal companheiro, amantes de uma vida inteira.



🍰


ALGUMAS SEMANAS DEPOIS…

Quando chegou em casa após mais um dia cansativo administrando e cuidando de duas confeitarias e as demais que estavam prestes a ter a construção iniciada, Jungkook deu de cara com uma sala cheia de livros espalhados pelos sofás, em cima da mesinha de centro, pelo chão.

Várias canetas, lápis e marcadores, além se cadernos e apostilas que estavam sobre o colo do ruivo. Este, dormia tranquilamente com fones nos ouvidos e a cabeça tombada para trás, no encosto do estofado, e a boca bastante aberta.

Jungkook riu daquela cena, e se colocou a organizar a bagunça. Ele organizou os livros em cima da mesinha, guardou as canetas e ademais, organizou as apostilas e tirou os fones do ouvido dele, ajeitando também sua postura no sofá.

Jimin abriu os olhos e quando viu o moreno tão pertinho de si, sorriu espreguiçando-se.

— Oi. Que horas são ? — questionou procurando o celular que estava em seu bolso, e agora, sobre os livros na mesinha.

— São quase dez.

Jimin se espantou em como já estava tarde e mais ainda ao olhar em sua volta e ver tudo organizado.

— Você arrumou tudo ? — ele fez que sim. — Não precisava.

— Parecia que um furacão passou por aqui. O furacão Jimin. — O ruivo sorriu e inclinou o corpo para puxar os livros de volta, mas foi impedido pelo maior. — Está estudando desde que horas ?

— Desde que cheguei da aula.

Jungkook comprimiu os lábios preocupado. Ele admirava o quanto o ruivinho estava se dedicando aos estudos, mas se continuasse daquele jeito poderia acabar ficando doente.

— Sei que talvez essa pergunta pode soar estranha mas, você não está estudando demais ?

— É que eu tenho uma prova amanhã…

— Eu entendo. Mas veja, você já estudou o suficiente, agora precisa dar uma trégua a seu corpo e mente. Precisa comer algo leve e descansar pra ajudar na memorização de tudo que você estudou.

— Eu já comi.

— Então espera aqui sentadinho que vou fazer chá pra nós dois.

— Tá bom. — ele assentiu e aguardou abraçando o próprio corpo, tentando se aquecer do frio que fazia.

Poucos minutos depois, o mais velho retornou trazendo duas canecas de chá de hortelã.

— Queria que o Hobi estivesse aqui no meu aniversário.

— Ele disse que não vai poder vir porque está em sua semana de provas.

— Eu entendo. Mas mesmo assim eu queria muito ele aqui.

— Vocês vão poder se ver nas férias.

Jimin tomou mais um pouco do seu chá e sorriu assentindo.

— Sim… Jungkookie, você tá tão otimista.

— Estou ?

— Sim. Antes você temia mais as coisas, ou não acreditava tanto em si mesmo. Mas agora sempre tem um argumento positivo para as coisas.

— As consequências de estar vivendo com você.

— Te amo muito! — Jimin sorriu, se aproximando do maior e aconchegando-se em seu abraço.

— É melhor irmos para a cama antes que a gente durma aqui mesmo.

— Verdade. — Jimin concordou já sabendo que estava prestes a adormecer novamente.

🍰


Assim como Jungkook havia lhe dito, foi tranquilo fazer aquela prova depois de ter relaxado na noite anterior. Foi como se ele tivesse acabado se tirar os olhos dos livros, e as respostas estavam todas diante de seus olhos.

Após a última aula, ele saiu da faculdade direto para a confeitaria que sua mãe administrava juntamente com Dakho. Seu moreno não estava lá naquele dia, mas sua intenção era apenas passar para dar um beijo em seus pais.

Mas o que deveria ser uma rápida passagem, perdurou por algumas horas e na volta para casa, ele ainda acabou passando na casa de seu amigo Taehyung, e conversou por vídeo chamada com Hoseok. Yoongi havia saído sozinho para comprar alguns mantimentos.

Quando finalmente o ruivinho chegou em casa, trocou algumas palavras com sua vizinha Jennie quando encontrou a mesma saindo para trabalhar no elevador.

E assim que abriu a porta do apartamento, franziu o cenho ao notar primeiramente, que as luzes estavam apagadas. Mas ele logo notou que algumas velas estavam iluminando o comodo, juntamente à pétalas de rosas pelo chão como uma pequena estrada indicando o caminho que ele deveria seguir.

Ele jogou a mochila no sofá, e seguiu pelo caminho indicado até chegar na cozinha. Havia uma mesa com uma toalha branca, alguns pétalas sobre ela, velas iluminando o ambiente, dois pratos e duas taças, duas cadeiras, e Jungkook sentado em uma delas, olhando-o com um olhar sereno e um sorriso que quase fez Jimin perder o fôlego.

Estava tudo tão lindo que Jimin nao teve certeza que alguma palavra sairia de sua boca caso a abrisse, então decidiu mantê-la fechada.

O mais velho se levantou e caminhou até ele, segurando em suas mãos.

— O que é tudo isso ? — Jimin conseguiu articular uma pergunta.

— Resolvi adiantar uma pequena comemoração particular do seu aniversário. Apenas entre nós dois.

— Pequena ? — Jimin perguntou com um enorme sorriso. — Jungkook, isso é muito, muito lindo. Não precisava…

— O amor da minha vida está fazendo vinte e um aninhos. É claro que precisava. Você merece muito mais.

— Obrigado. — quase sem palavras, Jimin apenas deixou-se ser guiado até sentar em uma cadeira.

Após servi-los, o moreno logo ocupou a outra cadeira de frente para ele.

— Você que fez ? — Jimin perguntou inalando o cheiro delicioso da comida posta para eles.

— Sim. Falei com sua mãe e ela me disse que esse é seu prato preferido.

— Está com uma aparência maravilhosa. — Jimin afirmou fechando os olhos e inalando o aroma mais uma vez. — O cheiro também.

— Então, vamos ver se realmente acertei nos temperos.

Jimin assentiu ansioso, e provou da comida enquanto o moreno aguardava em silêncio.

— Não é possível... — Jimin comentou sério, fazendo um pouco de suspense. — Não é possível que você conseguiu deixar a receita ainda melhor.

Jungkook sorriu aliviado, quase pensou que havia feito alguma besteira e estragado o jantar.

— Você não deveria brincar desse jeito com o coração de pessoas mais velhas.

— Desculpa — Jimin sorriu alto entregando uma taça ao moreno. — Toma, bebe um pouco de vinho.

— Quase infartei agora. — ele tomou alguns goles vendo o outro sorrindo negando com a cabeça.

Eles continuaram comendo, saboreando dos dotes culinários do moreno, enquanto faziam planos de viajar ao Japão e visitar os amigos de Jimin.

— Vai ser tão perfeito. Sempre quis ir pro Japão por causa dos animes.

— Você vai adorar. A cultura, a culinária e os lugares.  Há muitas coisas que quero te mostrar por lá.

— Já estou super ansioso! — Ao terminar, Jimin esperou ansioso pela sobremesa, enquanto o mais velho terminava de tomar seu vinho. Como ele não havia se pronunciado sobre, Jimin resolveu perguntar pelo melhor, em sua opinião: — E a sobremesa ?

— Oh, eu esqueci... — Jungkook colocou a taça sobre a mesa e o olhou com um semblante totalmente culpado. — Droga. Mas espera aqui, trouxe dois potinhos com torta de limão, eu vou buscar.

— Tudo bem, Jungkookie, não tem problemas.

— Não, não. Fica aqui que eu vou buscar.

Jimin anuniu e permaneceu sentado, enquanto o moreno se ausentou por alguns minutos. Logos ele ja estava de volta e colocou cada potinho sobre a mesa, um na frente do ruivinho e outro para ele próprio.

— Torta de limão é a minha preferida. Você tá perdoado por ter se esquecido da parte mais importante de um jantar.

Jungkook levou uma mão ao coração e soltou um suspiro aliviado.

— Ainda bem que tenho o namorado mais compreensivo do mundo.

Jimin sorriu da brincadeira, que não deixava de ser verdade.

— Posso ? — perguntou colocando a mãos na tampa do pequeno pote e o moreno assentiu.

— À vontade meu bem, pode se servir.

Ansioso para saborear sua fatia da torta, Jimin abriu a tampa mas o que viu ali dentro não foi um pedaço do seu doce favorito. Havia uma pequena caixinha e o ruivo franziu o cenho, erguendo o olhar até o maior.

Jungkook assentiu.

Ele desceu os olhos novamente até o potinho e pegou o pequeno objeto de dentro. Ainda um pouco confuso, não muito certo do que seria aquilo, ele olhou para Jungkook novamente, e ele estava sorrindo, acenando com a cabeça para que ele fosse em frente e abrisse a pequena caixinha.

Quando o ruivinho finalmente a abriu, se deparou com um anel de brilhantes. Cravejado com diamantes e uma pedra de topázio azul no centro.

Ele ficou mudo, sem conseguir expressar qualquer reação, apenas com a boca aberta e os olhos piscando meio atordoado pela emoção.

Jungkook se levantou e após dar a volta na mesa, ele agachou apoiando-se em um joelho e tomou a mão livre do ruivinho sobre as suas.

Quando teve a total atenção do mais novo para si, ele respirou fundo e perguntou:

— Park Jimin, você aceita se casar comigo ?

Continua…



Notas Finais


Muitas emoções T_T

Tive que parar nessa parte pq senão ficaria muito grande o capítulo, então, até a próximaaaaa ❤️❤️❤️❤️❤️❤️


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