História O garoto do 304 - Capítulo 21


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Categorias EXO
Personagens Do Kyung-soo (D.O), Kim Min-seok (Xiumin), Park Chan-yeol (Chanyeol)
Tags Chanmin, Olhos Coloridos, Sexta Feira
Visualizações 48
Palavras 3.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Madrugada de sexta!!
Arrá!!!
Postagem na sexta como combinamos kkkkk
Boa leitura!

Capítulo 21 - O começo


Kyungsoo encarou o garoto sentado no degrau da escada usando uniforme escolar e a mochila apoiada no degrau de baixo, aos seus pés, com confusão.

Chanyeol levantou o rosto para fita-lo e encolheu os ombros diante da forma desconfiada com que era olhado de volta. Não disse coisa alguma, limitou-se a desviar os olhos do rosto dele. Seria mais fácil escapar daquela situação constrangedora se não o fitasse, afinal tudo o que menos queria sobre si era aquele olhar de julgamento por estar — obviamente — gazeteando aula naquela quinta. No entanto, Kyungsoo não o ignorou. Aproximou-se, sentou-se ao seu lado e ficou em silêncio junto consigo.

O garoto notou que ele usava roupas de ginástica. Deveria estar voltando de alguma sessão na academia e em vez de pegar o elevador, aproveitara para subir as escadas até o quarto andar — onde morava — só para continuar com o corpo quente. No entanto, Chanyeol estava ali, sentado no meio do caminho. Entre o terceiro e o segundo andar, fingindo que não existia e que não estava com medo de encarar Minseok ou a mãe ou qualquer pessoa depois do que acontecera na sua cozinha no dia anterior.

Uma atitude vergonhosa, admitia a si mesmo, porém não conseguia se forçar a fazer outra coisa. Fugir parecia a melhor opção, mas não era como se pudesse morar naquela escada para sempre e também, não achava que podia fugir para a Amazônia e morar com o pai, levando em conta como tinha escutado — sem querer — a mãe conversando com ele pelo telefone. Agindo como se Chanyeol, de repente, tivesse se tornado um problema grave. E para o bem da verdade, sentia-se como se realmente fosse. Um problema causado exclusivamente por Kim Minseok.

Soltou um suspiro, recebeu uma olhada de esguelha de Kyungsoo, mas fingiu não notar assim como não queria notar a forma como ele apertava os dedos uns nos outros, um tanto nervoso. Deveria estar ponderando sobre começar o assunto ou não, só deixar que Chanyeol falasse quando quisesse. Mas Chanyeol não achava que queria falar, mas alguma coisa em si quis que o mais velho começasse o assunto.

— E então, você gosta de escadas? — Kyungsoo decidiu começar pateticamente e o Park mordeu o lábio.

— Aqui é silencioso. — deu de ombros, fitou seus pés e se perguntou o que sua avó acharia dessa atitude.

Um garoto do seu tamanho não deveria se esconder assim, ela diria e pensar nisso só serviu para encolher-se mais onde estava. Era um covarde de primeira. Enquanto seu pai estava por aí explorando o mundo e sua mãe trabalhava para sustenta-lo, Chanyeol escondia-se como se sua vida dependesse disso. Drama demais, uma vozinha sussurrou para si. Drama demais para alguém daquele tamanho.

— Na escola não é silencioso? — a voz do vizinho era suave, cheia daquele tom paternal que Chanyeol sentia falta.

— É. — respondeu. — É só que... — suspirou, se sentia a pessoa mais idiota do mundo inteiro. Estava mesmo surtando por conta de um beijo? — Eu não quero ir hoje. — resolveu dizer.

— Algum motivo especial? — Kyungsoo tentou mais um pouco.

O mais velho sabia que havia alguma coisa de errado. Conhecia Chanyeol tempo suficiente para saber que ele não se esconderia na escada do prédio se não estivesse com algum problema e pela forma como parecia receoso em falar sobre a escola, Kyungsoo acreditou que o garoto poderia estar tendo problemas com algum valentão. Não seria novidade, afinal o Do já havia passado por aquilo na sua adolescência por conta da sua altura, então, achava que algo parecido poderia ter acontecido com o outro.

— Não. — respondeu, mordeu o lábio. — Bem, sim. — Kyungsoo o fitou esperando mais do que aquelas palavras. — É que... — o motivo queria sair dos seus lábios, mas as palavras pareciam tão embaralhadas em sua mente que Chanyeol não conseguia externar.

— Chanyeol, tudo bem. — o vizinho resolveu tentar tranquiliza-lo. — Se alguém estiver sendo mal com você na escola, não precisa ficar com vergonha de contar a alguém.

— Não é isso. — abaixou o rosto, apoiou as mãos sobre os joelhos. — É só que Minseok me beijou. — contou de uma vez, os olhos fechados bem apertados. — E minha mãe viu e eu... eu não sei o que fazer, pensar ou... não sei. — suspirou.

Kyungsoo riu. Chanyeol abriu os olhos e o fitou, havia aquela parcela de incredulidade no seu olhar. Não achava que aquilo seria motivo de piada, mas o riso do mais velho parecia tão espontâneo que só serviu para fazer o Park murchar mais um pouco. Era mesmo um garoto patético, se assegurou. Sentiu quando a mão do outro parou sobre seu ombro num aperto reconfortante.

— O beijo foi ruim o suficiente para que quisesse se esconder aqui? — havia um tom engraçado na sua fala, quase fez Chanyeol relaxar.

— Não é isso. — respondeu e o mais velho comprimiu os lábios para evitar um sorriso, coisa que só serviu para fazer o garoto corar. Sentiu as orelhas quentes. — É só que minha mãe viu e... se ela estiver chateada comigo? — os olhos pareceram muitos grandes para Kyungsoo.

O Do apertou mais um pouco seu ombro e retirou a mão em seguida, meio suspirou antes de tentar formular uma boa resposta para aquilo, pois agora conseguia ver qual era o real problema do garoto. O real motivo que o fazia se esconder ali. A mãe. O pai. A família.  Kyungsoo conhecia muito bem a realidade de pessoas LGBT’s na sociedade coreana. Expulsos de casa, renegados pela família e amigos. Vivendo à margem da sociedade como cães sarnentos. Não queria esse destino para Chanyeol, afinal ainda era só um garoto.

— Sua mãe não parece o tipo que ficaria chateada com isso. — Kyungsoo resolveu dizer. — Mas deveria tentar conversar com ela. — o encorajou e Chanyeol assentiu.

Sabia que teria que fazer isso em algum momento. Não podia fugir e muito menos se esconder para sempre. Deveria enfrentar seus medos da forma como pai costumava lhe aconselhar.

— Como sabe que ela não está chateada? — se escutou perguntar, aquela pontinha de insegurança na voz.

Kyungsoo suavizou o olhar sobre si. De repente, o Park sentiu-se menor ali. Não passava de um garotinho diante daquele adulto, tão alto em sua sabedoria de ter tantos anos nas costas.

— Você é um bom garoto, Chanyeol. — falou, segurou suas mãos. — Se ela te ama, não vai invalidar isso por conta de um simples beijo.

Chanyeol piscou os olhos muito rápido, tentando afastar as lágrimas. Mas não conseguiu, o que serviu para que Kyungsoo soltasse suas mãos e o pegasse num abraço apertado. Retribuiu o abraço, apertou-o na mesma intensidade com que se sentia confuso com aquela situação inteira. No entanto, no fundo, sabia que não era só confusão que havia no seu peito. Era medo. Tinha medo que os pais o rejeitassem, que seus amigos fizessem o mesmo e que de repente, ele se tornasse alguém descartável.

Quando se afastou do mais velho, o garoto notou que havia o começo de um sorriso surgindo no seu rosto e antes que pudesse perceber já sentia as bochechas queimando, porque sabia o que aquilo significava.

— Então, — Kyungsoo cutucou suas costelas. — você e Minseok estão namorando.

E sem poder se controlar, Chanyeol sorriu enquanto assentia de levinho.

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            .

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Minseok com certeza acreditava que havia algo de errado.

De olhos fechados enquanto Kris inclinava-se sobre si, beijando-o devagarinho, o Kim ponderava o que havia de errado realmente, mesmo que mexesse seus lábios na mesma intensidade com que a do mais alto. Não rejeitou o beijo. Só o aceitou como se estivesse no meio de algum experimento confuso. Sentiu quando as mãos dele pararam em sua cintura e seu corpo foi puxado para mais perto.

Ele tinha gosto de uva e frango, culpa da sua refeição naquele intervalo feita alguns minutos atrás. Contudo, Minseok acreditava que tinha gosto de menta por conta das balinhas que estivera mastigando minutos antes e quando havia optado por não comer no refeitório naquele dia. A vontade havia sumido de si quando percebeu que Chanyeol havia simplesmente sumido naquela quinta. A expectativa de encontra-lo no elevador, de vir junto consigo para a escola e de aproveitar da sua companhia no intervalo, tinha sido simplesmente jogada no lixo.

E isso o frustrara o suficiente para terminar ali, dentro do vestiário masculino, na quadra, durante os últimos minutos do intervalo com Wu Kris colado em si em um beijo desajeitado. Queria empurra-lo, mas estava desanimado o suficiente para simplesmente deixar que aquilo chegasse ao fim por si só.

Não achava que o problema fosse o garoto alto. Devia ser algo em si. Tinha quase certeza, afinal já havia beijado antes. Outros garotos. Uma garota, uma vez. Nada tão surpreendente. Beijar era normal, pensou. O que havia de ruim em um beijo? Deveria deixa-lo animado, ainda mais quando pensava em quem estava beijando. Kris era legal. Não deixava que mexessem consigo e costumava estender sua proteção até Jongin. Também era inteligente e não parecia ter ninguém naquela escola que o odiasse, coisa que explicava sua incrível popularidade alcançada em tão pouco tempo.

Todos gostavam daquele cara. Qualquer um se sentiria eufórico com a simples possibilidade de beija-lo. Qualquer um, pensou amargo e estendeu as mãos até o abdômen dele, pretendia empurra-lo e acabar com aquilo de uma vez. Era óbvia a sua apatia. No entanto, Kris parecia ter um pensamento diferente quando simplesmente segurou suas mãos ali, as fez deslizar para baixo da camisa do seu uniforme e tocar sua pele. Minseok abriu os olhos, as bochechas queimando, assustado demais para esconder.

Puxou as mãos para longe como se elas estivessem pegando fogo e afastou-se do mais alto. Não estava pronto para aquilo. Kris abriu os olhos e o fitou confuso com a forma como o outro se afastava. Minseok deu um passo para trás, sentiu suas costas baterem na parede e o garoto alto lhe sorriu, envergonhado.

— Desculpe. — pediu, ergueu a mão e colocou-a na nuca, envergonhado demais para disfarçar. — Eu não queria assustar você. — o Kim notou a forma como ele corava, desviou o olhar e encarou seus pés.

O aparelho celular pesava no bolso da sua calça, quis deslizar a mão até lá e digitar alguma coisa para Kris. Talvez, um “tudo bem” ou um “eu nunca fiz isso”, mas abandonou a ideia quando lembrou-se que estava ensinando língua de sinais para ele e que este já conseguia entendê-lo parcialmente. Por isso, apenas disse como não estava confortável com aquilo, que não achava que eles sequer fossem se beijar e que... bom... não estava exatamente gostando.

— Está dizendo que eu beijo mal? — Kris pareceu quase indignado e Minseok riu enquanto balançava a cabeça em negação. — Então, qual o problema? — ele se aproximou, parou ao seu lado na parede do vestiário.

“Meus pensamentos estão longe”. Deixou-o saber, afinal não havia para quem contar sobre aquilo. Havia Jongin, mas achou que seria esquisito falar sobre Chanyeol quando eles eram amigos. Era mais fácil trazer Kris para aquele assunto do que afasta-lo e para o bem da verdade, queria poder externar aquilo de uma vez. Com alguém de verdade. Alguém que pudesse olhá-lo nos olhos e dizer que aquilo tudo era uma burrice sem tamanho, porque estava mais do que óbvio que Chanyeol só estava brincando consigo.

O Wu deve ter notado o seu cansaço com aquilo, porque simplesmente deslizou a mão até a sua, fez um carinho sutil com o dedão e Minseok levantou o rosto para fita-lo. Eles podiam voltar a se beijar a qualquer momento, percebeu. Kris estava deixando mais do que claro o quanto o queria, não só para beijos, mas para algo mais importante que o Kim não sabia o que era e tinha medo de descobrir, porque não sabia se podia corresponde-lo e tudo que menos queria era quebrar o pobre coração jovem daquele garoto.

— Você gosta de alguém, não é? — o sino-canadense adivinhou antes que o próprio soubesse o motivo de toda aquela angústia.

Minseok continuou a fita-lo, como se no seu rosto houvesse algum tipo de resposta, um manual de como lidar com aquilo, de como dizer a ele sobre toda aquela coisa tão esquisita que crescia no seu peito. De repente, só desejou voltar a beijá-lo, apenas para se distrair daquele assunto. Era complicado falar, era complicado pensar, era simplesmente tudo tão complicado ainda mais para alguém como ele que nunca havia tido uma vida estável. Tinha medo de ser devolvido para o abrigo a qualquer momento e então, poderia ser alocado em outra família ou só podia viver até os 19 no abrigo e até lá, não achava que conseguiria manter qualquer relacionamento, se é que havia alguma possibilidade de ter qualquer coisa com o garoto do 301, quando tudo o que ele fazia era fugir de si.

A angústia deu lugar a toda uma frustração por coisas que nem sequer tinham acontecido ainda. Afastou a mão da do mais alto, preferia que eles voltassem aos beijos ou que fingissem que nada daquilo aconteceu. Parecia a melhor opção no momento, mas outra opção melhor era aquela em que simplesmente contava tudo de uma vez. Assentiu para ele, dando uma confirmação a pergunta que tinha sido feita. Era isto. Gostava de alguém. Gostava daquele garoto. Gostava de Chanyeol.

Kris ficou em silêncio, comprimiu os lábios e Minseok esperou o momento em que ele fosse cruzar os braços, se mostrar bravo ou qualquer coisa nesse sentido, mas nada daquilo aconteceu. O que havia era apenas o olhar castanho dele se tornando um tanto triste, o que só serviu para fazer o Kim sentir-se um tanto culpado, porque estava mais do que claro o quanto tinha partido o coração daquele garoto.

“Desculpe”. Se viu na obrigação de pedir e o Wu balançou a cabeça em negação na sua direção, rejeitando seu pedido. Não havia pelo que se desculpar, ele parecia querer dizer, mas não disse. Só ergueu as mãos na sua direção, enlaçou seus dedos e subitamente ficou à sua frente, prendeu-o tão rápido que Minseok se assustou. Ele aproximou-se mais e o beijou, simples e calmo. O Kim aceitou. Fechou os olhos e deixou que Kris se despedisse de si daquela forma.

O som do fim do intervalo tocou ao longe e eles se separaram, as mãos do mais alto soltaram as suas. Ele não olhou para trás quando saiu do vestiário e muito menos disse qualquer coisa, só afastou-se como se Minseok não estivesse mais lá e para o bem da verdade, ele sentia como se não estivesse. Era estranha a sensação de abandono que o acometeu diante da forma como o outro ia embora, fazia-o pensar que era exatamente para aquilo que servia: para ser abandonado.

O peito doeu de forma inesperada e as lágrimas se acumularam no canto dos seus olhos. Ergueu o rosto, piscou muito rápido. Não queria chorar ali, na escola, porque sabia que não ia conseguir parar se começasse. Então, se forçou a respirar fundo, mordeu o lábio inferior que começava a tremer, fechou as mãos em punho. Voltou a se encostar na parede e ficou muito quieto ali. Sabia que as aulas tinham começado, mas não conseguiu forçar os pés para fora daquele lugar, por isso, permaneceu. Sozinho. Abraçou uma rejeição que começara consigo, parara em Kris e se estendia até Chanyeol.

Sentou-se no chão daquele lugar e tentou reunir coragem para voltar as aulas, mas a mera possiblidade de encarar Kris depois daquilo fazia seu estômago revirar. Recebeu uma mensagem de Jongin em algum momento, mas não respondeu. Só ficou ali até escutar o sinal que anunciava o fim das aulas. Respirou fundo, andou até a sala de aula, recolheu seus materiais e foi embora o mais rápido que conseguia, mas acabou demorando demais no ponto de ônibus, pois aquele de quem fugia o encontrou lá.

Não entendeu porque ele estava lá quando nem sequer era o ônibus que pegava, mas Minseok determinou-se a não prestar atenção em si, plano esse que foi por água abaixo quando o mais alto sentou ao seu lado no ônibus e parecia querer conversar. O Kim resolveu esperar pelo que viria e não demorou tanto até que Kris começasse a falar.

— Não foi certo ir embora daquele jeito. — começou a dizer. — Então, eu só queria me desculpar acompanhando você até em casa.

O garoto abaixou o rosto, envergonhado e Minseok sentiu vontade de rir, mas limitou-se a erguer a mão e toca-lhe o ombro, passando para si um pouco de tranquilidade. Estava tudo bem, queria poder dizer. Não tinha como ficar com raiva daquele garoto, pensou ao mesmo tempo que apoiava seu rosto no braço dele. Eles seguiram viagem juntos, pararam em um lugar para tomar um sorvete. Conversaram e riram de algumas coisas. Parecia que tudo estava no lugar, ninguém estava indo embora. Eles eram só amigos, tinham esquecido do momento estranho no vestiário. Era como se nunca tivesse existido beijo algum. Eram apenas Kris e Minseok.

O Kim quis convida-lo para ir até seu apartamento. Eles podiam assistir alguma coisa juntos, rir mais um pouco. Minseok queria fotografa-lo, guardar sua foto no seu diário. No entanto, Kris deixou para outra hora. Tinha que voltar para casa, se demorasse mais a família responsável por si naquela cidade podia ficar preocupada e Minseok concordou. Deu-lhe tchau, pediu que lhe mandasse uma mensagem quando chegasse em casa. Recebeu um sorriso de despedida do outro e um afago nos seus cabelos, um beijo tímido na bochecha.  

Ficou parado na entrada do prédio. O viu ir embora. Tão alto, tão grande. Seu corpo foi sumindo entre as outras pessoas que passavam por ali, tornou-se menor a medida que se afastava e o peito de Minseok se aqueceu inteiro com a forma como percebia que gostava daquele garoto. Eram amigos mesmo.

Esperou que ele dobrasse na esquina para poder entrar no prédio. Entrou no elevador. Seguiu sozinho naquela caixa de metal e teria seguido sozinho pelo corredor até em casa quando a porta do 301 se abriu revelando um Park Chanyeol visivelmente nervoso. Percebeu que o outro o estivera esperando e seu rosto corou inteiro com aquela possibilidade, as mãos agarraram as alças da mochila e os pés ficaram paradinhos. Nem sequer tinha virado-se de frente para ele, só o olhava.

Chanyeol mordeu o lábio em uma ansiedade que estampava cada detalhe de Minseok. Encararam-se. Alguma coisa nos dois sabia que se virassem as costas um para o outro ali, não havia mais volta. Ou davam um passo em direção um ao outro ou esqueciam aquilo de uma vez. Só que ainda eram tão novos, tão inexperientes. 15 anos apenas, nenhum grande feito e já cheios de responsabilidades. Minseok não achava que seria justo simplesmente arrastar Chanyeol para aquela bagunça que era a sua vida.

Abaixou o rosto, deu um passo para longe dele e em direção ao seu apartamento. Realmente, não havia nenhuma justiça em arrastar aquele garoto para toda aquela coisa. Havia coisa demais para contar, havia pormenores dolorosos que poderiam só afasta-lo de vez. Beija-lo ontem havia sido uma atitude idiota. Alimentar aquele sentimento também era. Tão, tão, tão idiota.

Sentiu os olhos arderem, ergueu as mãos para limpar as lágrimas. Queria entrar logo em casa, correr direto para seu quarto e esconder-se no guarda-roupa. Ficar ali por tempo suficiente até aquela queimação no peito sumir, contudo, seus passos pararam. O braço foi segurado, seu rosto se virou em direção a quem o segurava e o coração travou as batidas. Alguém havia roubado todo o seu ar.

— Eu sei que tenho sido um idiota. — Chanyeol começou a dizer. — Mas, por favor, não desista de mim assim.

O aperto no seu braço afrouxou, a mão dele deslizou dali até a sua, apertou seus dedos de um jeito leve. A língua molhou os lábios, os olhos continuavam nos seus. O fitava tão profundamente que Minseok achou que podia entrar em combustão a qualquer momento e nem sequer haviam se beijado. Não tinham feito nada demais, disse a si mesmo. Ele, que havia beijado Kris mais cedo não sentira metade das coisas que Chanyeol lhe proporcionava com aquele olhar tão incisivo.

— Vamos começar de novo, o que acha? — ele propôs e Minseok piscou os olhos, sentia os cílios molhados.

Devolveu o aperto nos dedos de Chanyeol, aproveitou para enlaçar a mão dele na sua. Olhou em volta. Fitou a porta do apartamento do mais alto aberta, mas descartou a ideia de ir para lá quando lembrou-se da forma como a mãe os vira na cozinha no dia anterior. Lançou um olhar para o seu apartamento, tão perto e vazio, mas não queria correr o risco de ter que explicar qualquer coisa aos seus responsáveis. Por isso, só puxou Chanyeol em direção a porta que levava as escadas do prédio

O Park pareceu visivelmente confuso quando a porta se fechou atrás de si e Minseok subiu em um degrau a mais apenas para ficar da sua altura. Mas a confusão foi embora no momento em que o Kim passou os braços em volta do seu pescoço e o trouxe para perto. O beijo veio como uma confirmação.

Sim, eles podiam começar de novo.

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        .

               .

1996

Kang Jisoo era uma garota normal.

Com 1.60 m de altura, ela não costumava chamar muito atenção. Passava despercebida em muitos lugares e suas amigas eram as que recebiam mais olhares dos garotos. Não que ela estivesse interessada em garotos naquele ano, era apenas que o dia dos namorados estava chegando e Jisoo não achava que valia a pena se juntar ao seu grupo de amigas no sábado para cozinhar chocolates para alguém. No entanto, não queria estragar a diversão delas reclamando sobre o quanto nenhum garoto estava interessado em si. Era melhor apenas ir e se divertir com elas e quanto aos chocolates... bom, sempre podia leva-los para casa e comer sozinha nas madrugadas de estudo. E foi exatamente o que fez naquele ano.

Observou de longe suas amigas entregarem seus chocolates aos garotos que gostavam. Riu com elas. E mentiu sobre seu pretendente imaginário. Não havia ninguém. Jisoo estava focada demais em entrar para uma faculdade para pensar nisso. Tinha planos de ir para fora da Ásia, de fazer um doutorado na Inglaterra ou nos Estados Unidos. Passar as férias no Texas ou em Las Vegas. Com certeza queria conhecer Las Vegas, estava aprendendo inglês justamente para isso.

Seu professor de inglês gostava da sua dedicação. Ele sempre a elogiava, costumava ser bastante atencioso diante das suas dúvidas e não ria de si quando errava a pronúncia de alguma palavra. Ele a fazia se sentir segura em procurar mais conhecimento.

Contudo, naquele ano, mesmo diante da forma como se esquivava de relacionamentos românticos, março lhe reservou uma surpresa.

Veio em forma de uma pequena caixinha. Cabia na palma da sua mão e dentro havia um anel delicado, adornado com uma única pedra. Suas amigas riram, maliciosas. Brincaram consigo sobre aquilo, mas Jisoo só conseguia achar estranho simplesmente porque não havia garoto algum interessado em si. Mas o anel naquela caixa deixava claro o quanto estivera errada, principalmente pela frase que viera gravada dentro do anel.

“Minha garotinha especial”.

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                          .

Na sexta, Wu Kris não apareceu na escola.


Notas Finais


*O dia dos namorados na Coreia é comemorado em etapas. Começa em fevereiro, com as garotas presenteando os garotos de quem estão a fim. Em geral, elas fazem chocolates e entregam para eles. Em março, são os garotos que receberam chocolate que retribuem o seu amor, por assim dizer. Em geral, significa que o garoto é afim de você também kkkk. Depois disso tem outras etapas.
Bom, em março foi quando a Jisoo (mãe do Minseok) recebeu seu primeiro "presente". O simbolismo desse ato era pra mostrar que ele "devolvia" o interesse dela por ele, só que ela nunca correu atrás de ninguém.
....
É isto.
Esse foi o cap mais grande até agora e a previsão é que vá crescendo com as próximas postagens.
xoxo e até a próxima sexta.
....
Twitter: @Srtaomegakim
Gato curioso: https://curiouscat.me/SrtaOmegaKim


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