História O garoto do 505 (mitw) - Capítulo 3


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Categorias TazerCraft
Tags Anorexia, D4rkmorgs, Mitw, Tazercraft
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Palavras 2.642
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Grupo de apoio


Fanfic / Fanfiction O garoto do 505 (mitw) - Capítulo 3 - Grupo de apoio

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— Eu já disse, não vou a lugar nenhum! — Tarik grunhiu outra vez, mostrando a língua para Mike.

— Tarik, é só uma vez por semana, algumas horinhas da sua noite de sexta-feira. Nilce disse que você precisa, que isso é importante! — Mikhael bateu o pé, gesticulando com as mãos, encarando o mais novo encolhido em sua cama, de cara feia.

— Eu disse “não”, Mikhael Linnyker! — cruzou os braços — Você chegou hoje de manhã, o que diabos sabe do que é importante pra mim? — falou de forma fria, virando-se para a parede e fechando os olhos.

O tatuado suspira, em busca de algo para falar que incentivasse o garoto problemático de sair da cama, e ir para o grupo de apoio. A reunião começaria em 15 minutos, precisava ser rápido, ou iria perder um ponto de confiança com a diretoria do internato.

— O que eu preciso fazer pra você confiar em mim? — perguntou sentando na borda do colchão. O dia todo, Pacagnan passou ignorando-o e se recusando a comer, e aquilo não era muito positivo.

— Nada. Suma. — resmungou.

Mike gentilmente toca a cintura do que estava de costas para ele, fazendo um carinho no local.

— Sei que você é fechado dessa forma para evitar que te machuquem. Está tão transtornado e deprimido com você mesmo que não come e nem se dá o trabalho de sair, ou de se arrumar para si mesmo. Não precisei de muito tempo para notar que tem a auto-estima baixa. Você é lindo, o que há de errado? — Linnyker tinha um tom de voz doce, pacífico, e Tarik não sabia dizer se odiava ou amava.

— Meu corpo. Minha vida. Nada que seja da sua conta. Agora, me deixa em paz. — pediu baixo.

— Eu vou ter que te levar, nem que seja arrastado.

— Não, você não vai tocar em mim. Não vou pra lugar nenhum.

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— Desculpe, estamos atrasados? — Mikhael pergunta após passar a porta dupla da sala, carregando Tarik em seu ombro, este se debatia.

— Ah, droga, me solta, porra! — reclama, batendo nas costas de Mike. O homem que estava em pé no meio do círculo de cadeiras faz uma careta para os dois, enquanto Mikhael solta Pac em uma cadeira vaga, sentando-se ao seu lado.

— Qual de vocês é o Tarik Pacagnan? — o homem de jaleco branco pergunta. Sua barba era crescida, mas cuidada, e seus cabelos escuros estavam em um topete muito bonito.

— Ele. — Mike aponta para o rapaz de pijama ao seu lado, de braços cruzados e bico manhoso — Eu tive que trazê-lo às pressas, então ele não teve tempo de se trocar. Desculpe.

— Tudo bem, aqui, os alunos podem vir da forma que lhes forem mais confortável, certo Alan? — o psicólogo pergunta, fitando um garoto no meio das pessoas.

Ele usava óculos igual o do Harry Potter, mas sem lentes, e tinha desenhado um raio em sua testa à lápis de olho. Mike achou interessante que o garoto usava uma cartola com três cartas de baralho coladas ao topo, e um macaquinho de pelúcia no ombro. Ele balança a cabeça positivamente, tal como a varinha “mágica” em sua mão.

Pacagnan abre um pequeno sorriso olhando o jeito do garoto esquisito, mas logo bufa, fitando o doutor.

— Você só é acompanhante? — o de jaleco pergunta para Mike e este concorda com um gesto de cabeça — Ok. Meu nome é Marques, seja bem-vindo Tarik. — abre um sorriso gentil para o jovem perturbado — Se apresente para o grupo. Seu nome, como prefere ser chamado caso tenha um apelido, e suas ideias. Fale também da razão que acredita ter sido trago até aqui.

Tarik olha feio para Mikhael e descruza os braços, fitando seus pés, juntando as mãos em um ato nervoso. Estava entre estranhos, longe de seu confortável quarto escuro, sozinho em sua cama, abraçado em uma pelúcia.

— Bom, sou Tarik Pacagnan, mas eu prefiro que me chamem de Pac. Tenho 16 anos… — fez uma pausa sentindo-se intimidado, passando a mão direita pelo outro braço — Eu não gosto muito de sair, e odeio meu colega de quarto novo. E não sei porquê me trouxeram para o grupo, não sofro de nada. — deu de ombros. Mike dá um riso soprado — O que foi, idiota? — perguntou rude ao badboy ao seu lado.

— Se tem uma coisa que você tem, são conflitos internos. — Mike respondeu lançando um sorriso charmoso para o menor — Mas, eu não tocarei no assunto, você quem precisa admitir isso e se dispor a lutar contra eles. — Tarik fica mudo, apesar de desejar xingar Mikhael.

— Esse é o espírito, Mike. — Marques diz, tomando assento entre os alunos — Todos viemos aqui para compartilhar nossos medos e inseguranças. Desabafar, e termos com quem fazer isto de forma segura é uma ótima maneira de aprender a lutar contra seus conflitos. Por isso, chamamos de “grupo de apoio”. É onde temos apoio para fazermos tal. Todavia, é necessário que olhemos para o fundo de nosso coração, e busquemos nas gavetinhas de nossas mentes todas as razões que nos fazem praticar coisas negativas, sejam em pensamentos, ou em ações.

O psicólogo faz uma pausa, cruzando a perna e tirando do bolso de seu jaleco uma caneta e um caderno de anotações. Marques olha para os presentes no grupo, até chegar em Alan.

Abre um sorriso para o garoto fantasiado. Ele tinha uma imaginação que expandia-se de forma curiosa, cada dia mais. Era tão criativo, que acabava afogando-se nisto. Porém, era extremamente inteligente, seus desenhos e poesias costumavam ser profundos, e as conversas com Ferreira rendiam horas e horas. Valia a pena.

— Começaremos por você, Alan. — Marques vira algumas páginas até achar as seguintes em branco — Como foi sua semana? — arqueou a sobrancelha.

Ali haviam cerca de 9 pessoas no total. Não eram muitas, mas a cada nova sexta-feira, alguém era liberado, e outros vinham. O grupo foi ideia de Nilce, sempre preocupada com seus alunos e o bem-estar deles. Apesar de ter dito outras várias vezes para que Pac participasse, este nunca aparecia.

— Bom, eu consegui falar com a Maethe. — ele abre um largo sorriso, apoiando o queixo na ponta da varinha, esta por sua vez, estava apoiada em sua coxa. Seu sorriso era muito bonito, e tinha olhos que expressavam certo divertimento — Ela riu da minha piada do Tijolinho. — Marques ri brevemente.

— E então? — incentivou que o paciente seguisse.

— Chamei ela para sair. — olhou para seus amigos da roda — Garotos, este final de semana estarei ocupado sendo o Príncipe Encantado da Minnie. — todos riram do jeito de Alan, de uma forma positiva, claro. Ele era extremamente engraçado, e apesar de sofrer de bipolaridade, todos conseguiam aturar seus chiliques.

— “Minnie”? — Pac perguntou franzindo o cenho.

— Ela sempre usa uma tiara da Minnie, sabe? — um loiro respondeu, este estava sentado ao lado de Alan. Pac o reconheceu, era o Rafael, um dos galãs da turma. Não conseguia entender o que um garoto popular e bonito como Lange fazia em um grupo de apoio.

— Mas então, Alan não será um príncipe encantado, será um rato, o Mickey. — murmurou uma garota de cabelo curto e rosa. Mikhael prendeu a respiração por um momento.

Ela fazia totalmente o seu tipo. Tatuagens, cabelo colorido, roupas no estilo “sad girl”, de uma forma sexy. Ela era muito bonita.

— Você tem razão, Barb. — Alan respondeu um pouco em choque, parecendo triste — Ah, mas eu serei um ratinho por ela. — sorriu de repente, piscando para Lange que apenas balançou a cabeça.

— E você, Cellbit? — Marques perguntou, após fazer algumas anotações em seu caderno — Como tem lidado com os desejos compulsivos de se machucar?

— Oh, esta semana eu consegui manter minha mente focada. Sempre que a ansiedade me consumia e sentia vontade de me arranhar, ou me bater, eu ia correr ao redor do ginásio, ou ficava me intrometendo nos desenhos do Alan.

— Ele conseguiu fazer umas coisas legais até. — Ferreira citou, parecia distraído lembrando-se das cenas que viveu com o amigo durante os dias que se passaram.

— Muito bem. Algo mais que queira compartilhar? — Marques sugeriu.

— Não, obrigado. — o loiro sorriu, juntando as mãos, balançando a perna incansávelmente. Sofria de transtorno de ansiedade, e sempre que estava em estresse, acabava se machucando.

— Barb? — Marques dirigiu o olhar para a moça que tinha toda a atenção de Linnyker.

— Uh, o que posso dizer? Semana agitada. — deu de ombros.

— Mesmo? — o psicólogo se anima — O que fez desde nossa última sessão?

— Eu fui irônica, Marques. — ela ri — Passei todos os dias indo para as aulas e voltando para meu quarto, me trancando lá e conversando com a Maethe ou dormindo.

— Algum pensamento desagradável, ou ainda permanece sentindo apenas falta do seu irmão? — o mais velho parecia hesitante com sua pergunta, não queria fazer com que Bárbara perdesse aquele humor que aparentava ter no momento. Geralmente, é cabisbaixa e pouco falante.

— Apenas um vazio estranho. Ainda não me acostumei com a falta dele. Mas, me desapeguei de alguns pensamentos ruins. Estou conseguindo. — sorriu triste. Marques balança a cabeça positivamente.

Tarik estava em parte entediado, mas por outro lado, um pouco mais confortável. Se deu conta de que todos ali tinham problemas. Eles não o julgariam pelos seus, pois compartilhavam tudo sem medo. Talvez, ele tivesse uma oportunidade de sentir-se abraçado, finalmente.

Afinal, não fazia ideia de que alguns dos presentes no grupo estivessem passando por algo complicado também. Por exemplo, Rafael, ou “Cellbit” como era chamado por ali. Sempre pareceu ter uma vida tão boa, perfeita. Quem diria que sofresse de ansiedade...

Após conversarem em grupo, cada um teve uma sessão particular com o psicólogo, e elas não duravam mais que 15 minutos, já que grande parte da coisa já acontecia durante a conversa compartilhada.

Tarik não conseguiu dizer muito para Marques na sessão dos dois, apenas que se sentia mal com sua aparência e que odiava sair de seu quarto, e que agora nem lá gostava de ficar mais, considerando o novo e irritante colega de dormitório.

Foi instruído a tentar ser mais empático com Mikhael, socializar com ele. Apesar de ser um estranho, se preocupou bastante em garantir que o mais novo fosse para a reunião, e que conversasse com o doutor.

Aquele papo com Marques fez com que Tarik refletisse sobre suas ações, mas seu orgulho não o deixava admitir que deveria ceder à ajuda de Linnyker. Odiava ter que ceder qualquer coisa.

——————«•»——————

— Viu como não foi o fim do mundo? — Mikhael perguntou quando voltaram ao quarto — Você até comeu um pedaço do bolo de chocolate servido no encerramento. — fechou a porta após acender as luzes, trancando-a.

Pacagnan se jogou em sua cama, sentindo-se cansado, e ainda muito irritado com Linnyker.

— É, e estou me sentindo culpado por isso. E pra você não foi o fim do mundo mesmo, ficava flertando com a Bárbara. — disse rouco. Mike abre um pequeno sorriso.

— Ela é linda, e faz o meu tipo. E muito mais gentil que você. — diz tirando sua jaqueta, guardando a mesma no armário.

— Bom pra ela, afinal, Deus me livre você pensar que estou sendo gentil com você. — revirou os olhos, sentando.

— Você não é? — Mike põe a mão no peito, fazendo uma careta engraçada — Eu jurava que você era legal comigo, estou com o coração partido. — sua expressão forçada se desfaz, dando lugar a um deboche provocante.

— Você é tão… Nojento e estranho. — Pac se levanta, indo até o banheiro.

— Eu mal cheguei, e você já está tendo crise de ciúmes, bebê? — Mikhael não hesita em provocar, retirando seus tênis. Tarik para na porta do lavabo, fuzilando Linnyker com seus olhos. Como um cara tão bonito conseguia ser tão irritante?

— Não é ciúmes. Morra! — bateu a madeira brutalmente, girando a chave. Do outro lado, o bad boy sorria, sentando-se na cama, puxando suas meias de seus pés quentes.

— Seja rápido, amor, quero tomar banho! — gritou.

— NÃO ME CHAME DE AMOR, CARALHO! — bradou de volta, dando um soco no espelho. Gemeu dolorido, vendo os cacos caírem contra a bancada — Porra! — olhou para sua mão, vendo um pouco de sangue escorrer das dobras de seus dedos.

— Ei, o que aconteceu aí? — Link perguntou já diante da porta, batendo duas vezes.

— Nada, seu merda. Some daqui. — sua voz saiu mais fraca desta vez, enquanto passava a mão esquerda pelo rosto, já que a outra estava suja pelo líquido escarlate. Mikhael tenta girar a maçaneta — Está trancada, imbecil.

— Não fala comigo assim, sweetheart. — Pac revira os olhos, não estava acreditando que o outro estava lhe chamando por apelidos carinhosos como se fossem um casal — Eu sei que não devia ter dado atenção para outra pessoa além de você, mas não precisa quebrar tudo. Sei que está loucamente apaixonado por mim, mas isso é recíproco, bebê. Não tem porquê se preocupar. Nunca te trairia. Agora, abre a porta, vamos ter uma D.R. decente. — pediu, batendo de novo.

— Puta que pariu, pare de falar como se fôssemos namorados, porra! — xingou outra vez — Você é nojento! — girou a chave, permitindo que o mais velho abrisse a porta e entrasse no banheiro.

— Me desculpa, você quem teve a crise de ciúme, não eu! — se defendeu, dando uma olhada pela bancada da pia — Ah, querido, você quebrou o espelho? — fez uma carinha triste, tocando a bochecha do menor — Não precisa disso, eu te amo, vamos nos casar semana que vem. — brincou, mantendo a expressão séria no rosto, como se toda a situação criada fosse real.

Os olhos de Tarik se enchem de lágrimas de repente e Mike deixa as brincadeiras de lado, puxando-o para seus braços, segurando em sua nuca e fazendo com que Pacagnan escondesse o rosto em seu peito. O menor o abraça, ignorando tudo, liberando seu choro, soluçando contra a camisa preta do tatuado. Recebe um beijo no topo da cabeça, e não reclama. Estava carente, e esse sentimento não era de dias, e sim, de anos.

— E-eu estou tão cansado de fracassar… — murmurou — Eu só estrago tudo.

— Calma, você só está estressado, não comeu direito, pelo que disse no grupo tem dificuldade em dormir bem, isso tudo acaba desencadeando emoções negativas. — Linnyker acaricia as costas dele, o confortando — Vem, vamos cuidar dessa sua mãozinha. — com cuidado, guia Pacagnan pelo quarto, o fazendo sentar em sua cama. Volta ao banheiro, pegando a pequena maleta de kit de emergência de socorros, e senta-se ao lado de Pac, segurando sua mão e fazendo um curativo, enfaixando-a.

Tarik mirava os detalhes no rosto de Mike enquanto este estava distraído com sua mão. Como ele podia ser tão bonito e tão legal? A forma que irritava Pac e suas brincadeiras eram positivas, saudáveis. Era alguém diferente de todos que já tinha conhecido em sua vida. E o quão paciente era?! Céus. Inacreditável.

Se fosse um de seus colegas antigos, teria o xingado de todos os nomes por quebrar a droga do espelho e o deixaria sozinho, cuidando de seu ferimento por conta própria. Não era muita coisa, claro que não, saía um pouco de sangue por ter ralado contra uma parte afiada de um caco espelho, mas nada grave.

— Pronto. — Linnyker termina, olhando para Pac em seguida.

— Como pode ser tão legal comigo? Eu sou horrível. — usou um tom cruel, observando Mike guardar as coisas de volta na caixinha branca.

— É só nosso primeiro dia como colegas. — suspirou, pondo-se em pé — Eu ainda posso começar a te odiar amanhã, amor, não se preocupe. — piscou, indo guardar a maleta.

Pac revira os olhos, ato que fazia com frequência, principalmente quando gostando de alguém. E ele sabia. E isso era o que o preocupava, já que Mike e ele eram dois estranhos.

— Pare de me chamar assim, vão pensar que somos namorados. — levantou-se, indo ao banheiro.

— E não somos? — Link dramatiza, pondo a mão na testa — Droga, você só me usou, cafajeste! — saiu do pequeno cômodo, fechando a porta. Pacagnan não segura um riso, Mike era alguém legal. Talvez ele não devesse ser tão cruel com o mais velho.



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