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História O Garoto do Capuz Vermelho - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Dimetilsulfeto (DMS)


É automático. Derek não percebe, distraído, até que esteja sufocando o gemido rouco no fundo da garganta com um ruído estrangulado. A mandíbula cerrada pelos espasmos, e então é isso. Seus dedos se enroscam mais difíceis nos cabelos descoloridos à altura do seu quadril, fios mais ásperos do que deveriam ser, provavelmente resultado de químicas anteriores. E ele ejacula.

Seu cérebro é apenas vagamente ciente do ocorrido enquanto seu sistema nervoso faz todo o trabalho, empurrando e bombeando. É instintivo, Homo sapiens ou Homo lupus. Os primitivos não sabiam fazer melhor do que pedras lascadas, mas ninguém precisou ensiná-los a foder.

Stephen Hawking foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, mas ainda mantinha ereções e seu cérebro brilhante. Mesmo a paralisia do corpo, atrofiado e debilitado em uma cadeira de rodas mal podendo falar, não era ponto para seu sistema parassimpático não perseguir seu objetivo. Freud assumiu que, especialmente os seres humanos, eram em essência movidos pelas sinapses sexuais, pelo dedo na boca, pela bexiga cheia. Psicanálise freudiana de merda e suas besteiras(1). Embora um bebê ter sua primeira ereção ainda na barriga da mãe era uma coisa fodida e estranha - ou, veja o gosto dos fetos por brincar com seus "apetrechos"(2). Hawking é o exemplo, com sua bela e saudável prole de filhos - a vida e suas maravilhas, todo ser vivo quer deixar seu esporro para trás, veja as samambaias. Derek está perdendo alguma coisa.

Seu aperto escorrega dos cabelos da mesma quando ela se levanta, o olhar fixo em Derek. Os quadris da mulher pendem de lado, os joelhos sujos da calça jeans de cintura baixa, permitindo breves vislumbres de pele ao acaso. Enquanto estão falsamente escondidos entre as duas construções industriais fechadas àquela hora da tarde, à sombra das paredes rebocadas sem tintura com pequenas janeletas de vidro no topo por onde o ar das grandes turbinas de ventilação circulavam porcamente. Ainda assim, um pequeno espetáculo para quem quer que estivesse atrás das câmeras de segurança, se alguma vez elas estiveram realmente ligadas. Derek não pode se importar menos, ele guarda o pênis macio e fecha o zíper da calça.

A garota sorrir com humor e morde os lábios brilhantes:

_ Estamos na maresia, garotão? - ela brinca. E Derek sabe o que é antes mesmo que as palavras possam ser ponderadas melhor, é também o que ele ainda não aprendeu a suprimir dada sua fisiologia ambivalente, intersexual. Por trás de toda ciência enfadonha, ele aprende sobre a causa da sua "excitação", da "lubrificação" de um ômega cheirar diferente. Não é realmente como o cheiro do mar em ressaca, apenas um similar idiota de componentes. Uma mistura estranha de dimetilsulfeto (DMS) e reações químicas biológicas naturais, Derek também sabe para que serve. Sua utilidade para o... Ele claramente prefere não lembrar, apenas que é bom para o ômega "assegurar os filhotes". Besteira.

Derek se lembra de alguns meses atrás ler sobre cientistas que buscavam clonar a substância ômega em laboratório por algumas de suas propriedades 'protetoras', mas ainda não era parecido o suficiente com o de um ômega verdadeiro. Apenas um símile bastardo. 

O cio por sua vez tinha um odor próprio e particular. Mas temporário, um hormônio sazonal.

Derek é ensinado ainda na adolescência a biologia humana e lobisomem, ele lembra que 10% porcento do esperma de um homem saudável consiste em espermatozóides enquanto os restantes 90% é formado por líquidos produzidos pelas glândulas vesiculares e próstata, a última responsável por produzir a secreção viscosa que define o odor do esperma e também tem a função de neutralizar a acidez do resto da urina que fica na uretra e na vagina(3).

Mas em um ômega, essa mesma secreção também se desvia para lubrificação interna, inútil e desnecessária, não é como se Derek fosse permitir que alguma garota fosse tocar na sua maldita bunda de qualquer maneira, fetiche ou curiosidade. "Foder com um ômega", como certa vez uma garota de cabelos castanhos na altura dos ombros e olhos asiáticos, cintilou sob ele. A lembrança desagrada Derek. Seu semblante caindo em desgosto, um pós-orgasmo desperdiçado jogando merda em seu prato. Foi apenas por isso que ela estava lá? Curiosidade de que como "funcionava" um ômega? Seu lobo rosna com as presas à mostra para a memória desagradável.

Ele volta-se para a mulher à sua frente, ela cheira a perfume genérico e cigarros caros. Derek não fuma, mas poderia. Dizem que a nicotina tem efeitos terapêuticos para o sistema nervoso, claro, se você não é um fodido viciado. Ela se inclina, Derek poderia dar um tempo ainda melhor a ela em seu carro, ou talvez um hotel se ela esperar um pouco?

_ Uma pena que seja ômega. - ela lamenta, brincando com o restolho de barba no queixo do mais alto. Derek suspira, ele também lamenta.

Derek observa através das vidraças da pequena lanchonete de beira de estrada o movimento da única rua de acesso, porcamente iluminada pelos poucos postes de luz, a despeito de sua visão noturna perfeita. Ele fita longamente o estacionamento quase vazio defronte o estabelecimento, exceto pelo seu camaro e uma motocicleta ano 2016, enquanto morde automaticamente o hambúrguer. Seu lobo está desgostoso com o sabor genérico de carne, gorduroso e além do ponto. O jovem lupino tem gostos mais… naturais quanto mais a lua se aproxima, mas tolera o que ele sabe que será tudo o que terá nos próximos dias: Derek não pode se dar ao risco de correr em turno completo em áreas que não conhece. Que pertence a outras matilhas. Mesmo para os lobisomens, principalmente para os não-nascidos, um lobo em turno completo é incomum. Derek apenas engole a abocanhadas cheias, a todos os dentes alvos e fôlego, procurando livrar-se o mais rápido do fast food barato.

_ Batatas fritas encaracolados - Derek desvia a atenção das vidraças para o recém chegado, com facilidade o lobisomem havia ouvido alguém caminhando próximo à sua mesa, o solado gasto de um tênis escorregando a cada passo; um pouco descoordenado diria, mas ele certamente não esperava ser interrompido pelo dono dos mesmos - ... pode melhorar seu dia.

O estranho sorri todos os dentes, largo e fácil. Derek não viu muito desses. É exagerado. O lobisomem abaixa a cabeça recusando um segundo olhar e volta a comer. Não é com ele, Hale se decide.

_ Posso me sentar? Aqui é o melhor lugar com o sinal de WiFi. - Derek não responde, ele pode sentir a pequena mentira no leve recuo do batimento cardíaco do desconhecido. Alguém mais sábio já o teria deixado em paz no primeiro olhar, Derek continua devorando o lanche. Um aviso prontamente ignorado quando o rapaz se senta à sua frente, acenando para a garçonete de busto baixo e diastema, não mais que dois milímetros entre seus dentes superiores frontais. Derek olha por baixo das pálpebras, o homem com não mais que 21 anos batucando levemente na mesa. O lobisomem bufa baixo.

_ Aquele carro é seu? Parece rápido. - o garoto acena com a cabeça para o lado de fora das janelas com um bico nos lábios finos, e boca larga. Derek pára, finalmente olhando diretamente para o mais novo de capuz preto abaixado e estampa de alvo no peito da camiseta*. O que grita nerdice e expressões de merda, cujo cabelo está à três dedos do couro cabeludo. Derek sente algum enfado, seu semblante obscurece, seu lobo está mais interessado em terminar de comer e ir embora do que "bater papo" com estranhos.

A garçonete de avental amarelo chega, os cabelos amarrados em um rabo de cavalo e um bloquinho de notas nas mãos, o cúmulo do idealismo proletário do Tio Sam. A América ainda é uma merda embalada para presente de muitas maneiras. O garoto sorrir e faz seu pedido entre algumas observações sobre o lugar, "muito acolhedor embora duvidoso" - Derek grunhe mentalmente ante a franqueza ou falta de tato do garoto - , e sobre diferentes sabores de café que sequer são ofertados no estabelecimento periférico. Muita informação e pouco conteúdo.

_ ... Acho que o mesmo que o grandão aqui parece bom, hmm, o que você acha? - o estranho não espera por uma resposta antes de continuar: - Sim, também acho. Ah, e duas porções de batatas fritas encaracoladas. - ela balança a cabeça com humor educado e sai com o pedido. Derek observa por um momento o garoto se segurando para não brincar com os pacotes vazios de ketchup e maionese, ou talvez até com os próprios dedos? O garoto cheira a uma doçura febril. Como… ansiedade. Hiperatividade.

_ Nascido ou mordido?

_ Como? - Derek diz por reflexo sem se apropriar da pergunta, ele tem certeza de que não gostaria de fazê-lo.

_ Você. - o garoto responde apontando para Derek, o lobisomem pode achar isso um pouco ofensivo. Um dedo apontado para si nunca significou boas coisas. - Nascido ou mordido? - o humano maneia a cabeça com cumplicidade, Derek franze a testa para o movimento; não havia nada de cúmplice ali, apenas invasão indesejada e deliberada. Por que mesmo ele responderia algo assim a um desconhecido? - Você sabe. Qualquer pessoa com algum senso normal pode dizer que você é lobisomem, basta olhar: você é todo… - o garoto inclina a cabeça pensativo - ... você sabe.

_ Eu deveria? - Derek pergunta, segurando o hambúrguer perto da boca e mordendo-o. O garoto pôde ter sido inteligente o bastante para reconhecer que Derek era um lobisomem, mas não sagaz o suficiente para se manter longe.

_ É uma pergunta imprópria? - O garoto pede depois de um minuto sem qualquer resposta da parte de Derek. A pergunta não era apenas imprópria, era ofensiva. Era como perguntar a sexualidade de alguém aleatoriamente. Você simplesmente não faz, pois não é da conta de ninguém, além da própria pessoa. Naturalmente, heterossexual é a resposta esperada e mais aceita - a qual Derek tem certeza que é. Ele gostou de… sexo com mulheres. Enquanto ser humano ou lobisomem foram duas vertentes diferentes. No que dizia aos lobisomens, ser um lobo nascido era motivo de orgulho, um que muitos em seu lugar se gabariam. Derek nunca foi bom nisso.

O pedido do rapaz chega, a mesma garota de antes acomoda o hambúrguer e os dois pacotes de batatas à frente dele, e sai com um sorriso simpático e um segundo olhar em Derek, será que ela havia os ouvido? Não, ouvido ele. Derek lança um olhar para o rapaz, a pele branca e pontilhada com pintas de nascença. Os olhos alheios brilham âmbar sob a luz artificial das lâmpadas fluorescentes. O garoto sorri amigável sob seu olhar, as sobrancelhas ligeiramente levantadas com curiosidade. Uma presa fácil, não existe desafio ou ameaça ali. Nem seu cheiro é ameaçador, mas Derek não pode dizer sua taxonomia. Seu ômega bufa, ainda mais interessado em sair em turno completo por aí do que travar qualquer socialização com um desconhecido aleatório.

Derek se levanta, tirando da carteira uma nota de 50 dólares, Ulysses Grant parece particularmente terrível naquela nota, e a deixa sobre a mesa. Uma gorjeta generosa. O garoto parece querer dizer alguma coisa. Derek encaixa e puxa o zíper da jaqueta até a base da garganta,  ele se vira e se dirige para a porta de saída sem uma única palavra.

_ Ei! - o garoto chama, Derek o ouve, embora não pare ou se vire, - Meu nome é Stiles à propósito, se você estiver se perguntando. - Derek não. A porta se fecha com um breve som de sinos às suas costas, ele não pára mesmo depois disso.


Notas Finais


1. Sigmund Freud, mais conhecido como o pai da psicanálise, realmente apontou para uma sexualidade nos seres humanos desde a tenra idade. Abordando até conceitos um pouco... "peculiares" segundo a "moral". Particularmente tendenciosa.

2. Sim, bebês fazem isso. Embora eu tenha lido originalmente em livros, e sites americanos à respeito. Essa é uma opção em português para verificação:
https://www.google.com/amp/s/www.uol.com.br/universa/listas/feto-pode-ter-erecao-veja-outras-curiosidades-sobre-o-penis-do-bebe.amp.htm

3. Descrição real do processo do sistema reprodutor masculino.

4. O dimetilsulfeto é real. É primariamente um composto que as algas liberam e assim originam o cheiro da maresia, e quando sob certos processos biológicos em conjunto com outro composto é utilizado para preservação dos espermatozóides em laboratórios.

E ei, estamos lidando com muita Ciência de merda mesmo nessa fic ksk, além de um linguajar escrachado, indiscreto, e faria sentido um ômega produzir esse composto para assegurar os filhotes. Eu vou explicar isso melhor mais adiante e darei os devidos links, não faço agora para não acabar com a surpresa, eu acho.

* besteira da minha parte, mas alguém percebeu? Ks o Stiles está vestindo a mesma roupa que no episódio em que ele conhece o Derek em Teen Wolf, ~(u.u)~ amo jogar esses tipos de paralelos.

Desculpem a demora, esse capítulo já estava aqui no site HÁ SEMANAS só faltava enviar, mas não consegui antes >.<

Enfim, nosso Stiles em cena! Rs


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