História O Garoto do Quarto 402 - Capítulo 2


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Categorias EXO, Girls' Generation, SHINee
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Taemin Lee, Tiffany
Tags Baekhyun, Exo, Imagine Exo, Sobrenatural
Visualizações 274
Palavras 4.432
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Meu Deus... 4k de palavras.
Eu mereço um prêmio.
Não sei nem o que falar.

Capítulo 2 - Bem no início de Novembro


 

Eu observava o café quente e puro cair dentro da minha caneca ao mesmo tempo em que conversava e ria, sobre coisas banais, com Chanyeol que estava escorado ao meu lado na bancada onde repousava a cafeteira.

Andamos até a mesa que ficava no centro da sala e ali nos sentamos. Nós dois viramos amigos bem rápido, até. Chanyeol era o típico adulto idiota e divertido com a alma brincalhona. Um contraste com a minha personalidade geralmente mais pacata, mas quando eu dava para um lado mais bagunceiro, era quase tão escandalosa quanto ele.

- Aí eu estava tão atrapalhado que acabei entrando no carro errado! A motorista ficou me olhando de um jeito assustado épico. – Uma risada saiu por entre seus lábios.

Não pude deixar de revirar os olhos, desacreditada, com um sorriso de canto surgindo no rosto. Chanyeol era surpreendentemente desligado.

- Eu não sei porque ainda fico surpresa com essas coisas vindas de você. – Assoprei o líquido escuro que preenchia o interior da caneca, antes de bebê-lo.

- O pior foi quando o marido dela foi entrar no carro e me viu sentado em seu lugar. – Suspirou profundo, parando de rir de repente como se uma lembrança ruim o consumisse.

Fiz o possível para ficar séria ao tentar imaginar o que havia acontecido em seguida.

- E o que ele fez? – A curiosidade falou mais alto e soltei a pergunta cuja resposta eu tanto queria saber.

Porém, antes que o meu amigo poste pudesse me responder, uma figura peculiar entrou na sala. Era um homem - provavelmente médico pois usava um jaleco - e o peculiar era que em sua cabeça encontrava-se um gorrinho, semelhante ao de papai Noel, com a única diferença sendo o par de chifres, de alguma espécie da família cervidae, saindo dele.

No meio de seu rosto estava uma bolinha vermelha – tipo aquele nariz de palhaço feito de um plástico vagabundo e que só servia para deixar a voz, de quem o usava, fanha -, talvez para representar o nariz de uma rena.

Eu não sabia se devia rir ou ficar com medo de ver uma figura dessas no hospital, em pleno início de novembro. Chanyeol, esse sim, não fez questão alguma em, quem sabe, considerar pensar se devia rir ou não.

- Lu Han, mas o que é isso? – Perguntou, com o rosto lentamente ficando vermelho por causa de uma crise de risada que parecia tão boa que não conseguia ter outro barulho além do típico ‘’limpador de janelas’’, o deixando sem ar.

Nesse momento eu tentei me concentrar apenas em meu café. Minha educação não me permitiria rir de um estranho bem na cara dele. Apesar de que estava difícil manter a seriedade com a risada de Chanyeol praticamente no meu ouvido, me lembrando do elemento cômico à nossa frente.

- Bom início noturno para você, Park! – O desconhecido falou em um tom divertido, com a voz minimamente fanha causada por aquele nariz vermelho, se aproximando da mesa e puxando uma cadeira para sentar. – Já é exatamente 18h. Você não deveria estar indo para casa agora já que eu vou cobrir o seu turno? – Cruzou as pernas por debaixo da mesa, inclinando o corpo para frente.

Seu comentário me fez olhar de imediato para o relógio na parede, podendo ver que de fato já eram seis da tarde – ou noite. Nunca soube a diferença -.

E como em um passe de mágica: O mais alto parou de rir, se levantando subitamente.  

- Ai caramba, já é 18h? – De relance olhou para o mesmo relógio que eu, arregalando levemente os olhos. – Eu não posso perder o ônibus das seis e quinze. S/N, eu tenho que ir. Desculpa sair assim, mas ainda preciso me trocar. – Deu um beijo no topo de minha cabeça e apenas assenti, vendo-o sair apressado. Antes de sair totalmente, parou na porta e virou-se para o outro médico. – Ah, e Han... – Esperou que este o olhasse. – Você está passando muito micão, cara. – Sorriu ladino, indo embora de vez.

E ficou somente eu e o tal Han na sala.

Eu também preciso ir, mas se eu não falar nada ele pode me achar mal-educada.

- E você... – Ele pronunciou, finalmente me notando, antes que eu pudesse dizer algo. – Eu não sabia que tínhamos uma médica nova. Eu sou Lu Han. – Apoiou a cabeça em uma das mãos.

- Eu sei. – Sorri meio sem jeito. – Ouvi Chanyeol falar. Aliás, aqui nesse hospital todo mundo é sempre tão desinformado?

- O seu nome é S/N, certo? – Assenti. – Também ouvi Chanyeol falar. E respondendo a sua pergunta: Aqui é um dos hospitais mais conceituados de Seul. Acho que todos têm coisas mais importantes para fazer do que saber de algo pequeno assim. – Sorriu doce.

Eu juro... Juro que tentei não fazer aquela cara desconcertada. Juro que tentei ignorar essa patada. Não sei se obtive sucesso. Mesmo Lu Han com o seu tom gentil e o sorriso para amenizar, o olho da minha alma ainda assim sentiu a dor.

Acho que ele notou o meu súbito silêncio ou eu não consegui disfarçar o quanto fiquei sem graça. Quem sabe os dois.

- Ah, sinto muito. Eu não queria ser rude! – Desculpou-se.

Mas já sendo...

- Tudo bem. – Tentei abrir um sorriso tranquilo, mas saiu um sorriso amarelo horrível. – Eu ainda não tinha visto você por aqui. – Mudei rapidamente de assunto enquanto dizia interiormente que não era para ter ranço desse homem ainda.

- Eu estava de licença médica há um mês. Voltei hoje, finalmente. Não aguentava mais ficar em casa. Minha mãe não me deixava nem lavar a louça. – Bufou revirando os olhos.

Certo, um marmanjão desse morando com a mãe. Podemos ver que lhe falta vergonha na cara.

Opa, calma aí, S/N. Olha o ranço querendo aparecer. Pense em coisas alegres, coisas alegres... Como, por exemplo, a hora que você finalmente vai poder sair do trabalho e voltar para casa.

Ai, meu Deus! O trabalho! Eu tinha esquecido que eu deveria estar trabalhando ao invés de bater papo com esse cara. Ele é o culpado por meu atraso.

Quero dizer, ele não é culpado por nada e eu não tenho ranço dele.

Levantei rápido, fazendo o Lu me olhar assustado.

- Eu tenho que ir imediatamente para o meu posto. Foi legal te conhecer, doutor Lu.

- O prazer foi meu. – Sorriu, estendendo a mão para que eu apertasse. Apenas fiquei olhando por alguns segundos e saí andando em passos rápidos, deixando ele no vácuo.

Vi quando ele, totalmente sem graça, colocou a mão estendida no gorrinho, o ajeitando, para disfarçar.

Toma essa!

S/N, que coisa feia. Você é uma adulta madura!!

Enquanto caminhava até o elevador que me levaria ao subsolo, fiquei me martirizando mentalmente por pensar coisas ruins do doutor Lu Han.

Como o pensamento de querer que a temporada de caça fosse aberta e os caçadores viessem até esse hospital procurar um cervo como alvo.

Entrei no elevador, apertei o botão e quando as portas iam se fechando, escuto Tiffany gritar.

- SEGURA A PORTA! – Vinha correndo até mim, com os seus saltos fazendo barulho no porcelanato do chão.

- Meu Pai amado, sunbae. Por que tanta pressa? Você podia ter caído com esses saltos no chão liso. – Comentei quando ela entrou.

Ela colocou uma mão sobre o peito, respirando profundamente.

- Eu precisava ir até o necrotério e como te vi, aproveitei para ir com você. Aliás, eu já te falei para me chamar só de Tiffany. Somos amigas. Faz uma semana desde que você me conheceu e todos os dias te falo para me chamar só de Tiffany. – Bufou chateada. – Como você é teimosa.

Isso é verdade e confesso que faço de propósito para irritá-la.

- Sinto muito, sunbae. – Desculpei-me, sentindo ela dar um tapa de leve no meu braço. Rimos com isso. – Mas porque você tem que ir até o necrotério?

A ouvi pigarrear.

- Preciso que você me entregue o laudo da paciente do quarto 421. O doutor responsável está pedindo. Você já fez, não é?

- A paciente que chegou ontem e teve uma parada cardíaca da qual não foi possível a reanimação? – Perguntei para confirmar e Tiffany assentiu com a cabeça. – Já fiz, sim. Se eu bem me lembro, a causa foi um tamponamento cardíaco.

As portas se abriram e saímos do elevador, indo direto ao meu local de trabalho. Dentro do necrotério já estavam alguns dos corpos cuja autópsia eu iria fazer. Aquilo parecia deixar Tiffany um pouco desconfortável.

Direcionei-me até a minha mesa, procurando o laudo requerido na pequena pilha de papéis.

- Aqui está. – Avisei, pegando as folhas e dando uma olhada rápida. – Sim, é esse aqui mesmo. Como eu disse, a causa foi um tamponamento cardíaco. – Entreguei para a mulher.

- E o que causou isso? – Perguntou, tomando as folhas em mãos.

- Foi um traumatismo cardíaco. Essa paciente foi vítima de um acidente de carro, certo? – Lancei uma pergunta retórica e logo voltei a falar. – O impacto do corpo contra as estruturas do automóvel ocasionou em um hemopericárdio.

- Ela estava estável e de repente ocorreu uma parada cardíaca. Uma pena que não conseguiram reanima-la. – Falou com a voz um tanto quanto triste, mas se recompôs. – Bem, muito obrigada, S/N.

Assim que Tiffany saiu, eu coloquei as minhas luvas, touca e máscara facial hospitalar para começar as autópsias. Meu trabalho foi tranquilo, como todos os dias dessa última semana. Depois daquele acontecido no qual ouvi o choro nesse necrotério, nada mais aconteceu. Desde aquele dia, tentei não ficar impressionada com a história do homem em coma e obtive sucesso, mesmo com Kyungsoo tentando me botar medo sempre que via uma oportunidade.

As horas foram passando muito rápido à medida que eu estava concentrada, e já deveria ser por volta de meia noite, quando comecei a sentir a minha vista minimamente pesada.

Eu precisava de café.

E comida.

Um riso anasalado me escapou quando senti a minha barriga roncar logo após ter esse pensamento.

Guardei o corpo depois de terminar a necrópsia do mesmo e tirei a minha proteção que antes tinha colocado.

Fui até a minha mesa pegar a minha caneca e leva-la comigo, mas não a achei. Só então lembrei que, quando saí da sala de descanso, a deixei lá. Certa disso, segui meu rumo até o andar principal do hospital.

Hoje sim estava uma loucura. Médicos e enfermeiros corriam para lá e para cá, empurrando macas, levando equipamentos médicos para outras salas e buscando medicamentos. Eu nem sabia o que estava acontecendo.

Mais à frente avistei uma enfermeira de costas para mim, que olhava para uma prancheta, e anotava alguma coisa rapidamente. Eu me aproximei dela que, quando terminou de fazer suas anotações e se virou, quase me deu um encontrão.

- Misericórdia! – Exclamou deixando a caneta cair. – Sinto muito.

- Hyuna, o que está acontecendo? – Perguntei e abaixei para pegar a caneta derrubada, logo a entregando para a mulher à minha frente.

- Um ônibus em alta velocidade foi fazer uma curva e virou em cima de dois carros. Temos muitos feridos. – Respondeu ao pegar o seu pequeno objeto de volta. – Desculpe-me pela pressa, mas preciso correr.

Balancei a cabeça em compreensão e abri espaço para Hyuna passar.

O melhor seria ir logo para a sala de descanso e parar de atrapalhar a passagem do corredor onde estava. Voltei a andar, finalmente chegando em meu destino. Estava totalmente vazio, mas isso já era de se esperar.

Meu olhar foi direto para a mesa, procurando pela minha caneca, mas não a encontrei ali.

- Valeime... Onde é que está esse troço? – Perguntei para o nada enquanto colocava as mãos na cintura. Rodei os olhos na sala, atrás da caneca que ganhei do meu ex-namorado, por fim vendo-a ao lado da cafeteira. – Ah, você está aí.

Fui até lá, vendo que tinha um pedaço de papel no meio da alça dela. Peguei, notando algo escrito.

‘’ Ainda tinha um pouco de café dentro da sua caneca, então eu bebi. Não se preocupe, eu lavei depois. Espero que não se importe. By: Lu Han. ‘’

Minha boca se abriu em um perfeito ‘O’. Mas que abusado esse doutor.

- Belíssimo. O meu negócio foi usado por um desconhecido. – Murmurei completamente emburrada, amassando o recado e o jogando no lixo ao lado. Devo lavar ou confiar que foi lavado?

Decidi não confiar e lavei a caneca na pia que ficava em um dos cantos da sala. Tentei não demorar nesse pequeno intervalo que fiz para tomar café e logo já estava saindo do local com uns dois biscoitos nas mãos, pronta para voltar ao meu posto.

Os biscoitos estavam gostosos, apesar de não saber por quanto tempo estavam naquela salinha. Infelizmente eram insuficientes para me encher. 

No corredor, vi o ser humano por quem estou tentando, e falhando miseravelmente, não criar ranço. Ele ainda estava com aquele gorro ridículo na cabeça e o nariz de plástico no rosto. Sorria para uma criança que estava deitada na maca a sua frente, falando alguma coisa engraçada que a fez rir em meio ao choro, no mesmo tempo em que aplicava uma injeção no braço dela.

Não me contive e acabei me aproximando silenciosamente, a tempo de o ouvir falando um pouco.

- Olha só! Já apliquei. Doeu? – Perguntou para o menino, que balançou a cabeça negativamente, deixando algumas lágrimas escorregarem por seu rosto, mas não acho que seja por causa da injeção. – Você foi muito forte e corajoso. Merece um brinde. – Lu Han enfiou a mão no bolso de seu jaleco e de lá tirou um nariz vermelho, parecido com o que ele usava, e colocou no rosto do garoto que não hesitou em abrir um curto sorriso e rir nasalmente. Sua expressão facial mostrava que ele estava sentindo dor, e só então notei que sua perna direita estava lavada em sangue.  

Entregou a agulha que segurava para um enfermeiro enquanto outro levava a maca do menino para algum lugar.

- A injeção que apliquei em seu filho vai aliviar ainda mais a dor e fazê-lo dormir. Assim que ele apagar, vamos começar com a cirurgia. – Falou para uma mulher que estava por perto, observando tudo com uma aflição palpável.

- C-certo. Muito obrigada, doutor. – Ela se curvou e logo saiu apressada, seguindo o mesmo caminho em que o enfermeiro levou o menino.

- Você é pediatra? – Perguntei, me aproximando mais, vendo Han se sobressaltar assustado.

- O que? – Virou-se com uma mão no peito e olhos arregalados. – Que susto. O que está fazendo aqui?

- Você não respondeu a minha pergunta. – Insisti.

- Ah... – Levou uma mão até a nuca, segurando ali. – Eu sou cirurgião pediátrico.

- Hm... Então você cuida de crianças. – Sorri cruzando os braços. – De repente não acho mais esse gorro tão ridículo assim. Continua sendo estúpido, mas não tanto quanto achava antes. – Comentei na cara dele mesmo. Ele levantou as sobrancelhas, visivelmente achando graça de meu comentário.

- Que bruta... – Falou com a voz carregada de falsa mágoa. – Está assim porque você não ganhou um também? – De seu bolso tirou outro nariz vermelho, referindo-se a ele em sua pergunta. – Quer? – Trouxe o objeto para perto de mim, na altura de meu rosto.

Soltei uma risada divertida.

- Sai daqui. Você tem um estoque disso? – Empurrei a sua mão para longe da minha face. – Eu não preciso entreter pessoas mortas.

- É para alegrar o seu ambiente mórbido, legista. – Deu a desculpa. – É legista, não é? – Assenti. - Kyungsoo falou de você. – Explicou, guardando o nariz de plástico de novo em seu bolso.

- Ah sim... Mas me fale, por que você está usando... Isso? – Falei a última palavra com desprezo, apontando para o seu rosto e cabeça.

- O natal está chegando! – Abriu um sorriso de orelha a orelha.

- Doutor... Ainda estamos no início de Novembro. – Arqueei uma sobrancelha, não acreditando naquele motivo.

- Ei, eu realmente estou assim por causa do Natal, mas também é porque, como eu sou chinês, o meu sobrenome significa veado. – Fez uma expressão desconcertada, coçando a cabeça. – Então eu gosto de brincar com isso sempre que tenho oportunidade.

Não pude evitar demonstrar minha surpresa.

- Chocada que Lu significa veado. – Prensei os lábios, segurando um riso.

- Eu gosto disso, apesar de ter sofrido muito bullying na infância. Mas, quando eu voltava chorando para casa, minha mãe sempre me dizia: Faça de sua fraqueza, a sua fortaleza!

Nessa hora, a minha consciência pesou por querer rir e por ter chamado aquilo de ridículo. Esse meu bendito coração mole...

- Entendi... – Pigarreei, olhando para uma parede qualquer. – E, me diz aí, o que aquela criança tinha? – Eu estava louca pra mudar de assunto e realmente curiosa.

Automaticamente a cara de Lu Han se fechou com a pergunta.

- Eu não sei se você soube do acidente envolvendo o ônibus e os dois carros, mas esse menino estava em um dos carros com o pai, que está passando por uma cirurgia agora. A perna direita do menino se quebrou em vários pedaços e é necessária uma cirurgia também. Na ambulância ele foi medicado com remédios para acabar com a dor, mas só aliviou. Então eu estava aplicando um mais forte.

- Pobre criança... – Em meu rosto estava uma expressão de compadecimento. – Ele tem o que? Oito anos? Tão novo e tendo que passar por isso... – Suspirei.

- Sim. E eu preciso ir logo me arrumar para fazer a cirurgia. A gente se vê mais tarde. – Acenou e foi andando.

Depois disso tudo, resolvi também seguir o meu caminho.

Enquanto voltava ao trabalho, mais uns dois corpos haviam chegado. Eu recebi a triste notícia de que um deles era o pai do garotinho de mais cedo. Senti-me bem triste com esse acontecido.

As coisas só foram se acalmar lá para as duas da manhã e eu dei graças a Deus por isso. Como já havia finalizado o meu dever, no momento, e queria pregar os olhos por pelo menos alguns minutos, resolvi ir direto para o pequeno quarto que dividia com Hyuna. Ele ficava no andar principal, como os outros, em um corredor distante e que sempre estava quase vazio. Era no mesmo corredor da sala de fisioterapia.

Mantinha-se sempre tão quieto pois no corredor do lado oposto ficavam os quartos dos pacientes da emergência, ou os que precisavam de uma observação constante após uma cirurgia de alto risco.

Eu andava até lá, mas parei no meio do caminho quando vi uma criança correndo exatamente para o corredor dos quartos da emergência.

Obviamente era suspeito e isto me fez franzir o cenho. Resolvi seguir o projetinho de gente e perguntar o que ele estava fazendo perambulando pelo hospital às duas da manhã.

Ao virar o corredor, logo vi a criança escondida embaixo de um banco. Aproximei-me dela e agachei em sua frente, para vê-la melhor. Era um menino, e um detalhe que me chamou a atenção é que ele tinha pouquíssimos cabelos em sua cabeça e vestia uma roupa hospitalar.  

- Ei, garoto. O que você está fazendo correndo por aí? Onde está a sua mãe? – Perguntei.

- Shhh! Fecha a matraca! Você vai acabar me fazendo ser descoberto. – Sussurrou para mim em um tom mal-educado.

Só consegui arregalar os olhos com essa afronta. Essa criança acabou de me mandar calar a boca?

- Ser descoberto por quem? – Continuei a perguntar, ignorando totalmente o ‘’pedido super gentil’’ para ficar em silêncio.

O garotinho bufou, revirando os olhos.

- O meu amigo, dããã... Agora sai daqui. Sai, sai.

Agora tudo fazia sentido. Ele deveria estar brincando de esconde-esconde com o amigo dele.

- Mas não é muito tarde para brincar? Vocês dois deveriam estar dormindo. Venha comigo... – Estiquei o braço para puxar o menino dali, mas ele se afastou.

- Tia, vai embora. Você vai acabar me entregando. – Resmungou.

Tudo o que eu pude fazer foi expirar forte. Eu estava disposta a deixar o pirralhinho ali e ir procurar algum outro médico que o fizesse voltar para o quarto dele.

E foi exatamente isso que comecei a fazer. Levantei-me, pronta para dar as costas. Antes que pudesse dar um passo à frente, escutei a vozinha do guri.

- Se encontrar o meu amigo por aí, não fala onde eu estou escondido.

- Boca de siri. – Olhei para trás, vendo que o menininho me encarava por debaixo do banco, e passei os dedos na boca como se fechasse um zíper.

Andando para outra direção atrás de algum médico que pudesse dar conta da criança, acabei passando na frente de um banheiro. Decidi, então, entrar ali.

Tranquei-me dentro de uma cabine porque precisava urinar com urgência e, quando eu já estava dando a descarga, pronta para sair dali, ouvi a porta do banheiro se abrir.

Algo normal, é claro. Até eu escutar alguém abrir a porta de cada cabine daquele banheiro, e não de um jeito muito delicado.

Podia ser o menino procurando outro esconderijo. Mas no banheiro feminino?

Meus ouvidos podiam captar o barulho que os pés da pessoa faziam ao andar e era, com certeza, um som pesado demais para ser causado por uma criança. Minhas dúvidas foram sanadas quando, quem quer que seja, parou em frente à porta da cabine onde eu ocupava. Os tais pés estavam virados para mim e eu podia ver a ponta deles claramente já que a porta não era rente ao chão.

Não estavam calçados e pareciam muito ser pés de um homem. Um homem adulto. Eu já podia sentir o medo me invadindo.

Desci a tampa do vaso sanitário, sentando silenciosamente. Arfei quando, do nada, um murro foi dado na porta de alumínio. Imediatamente tampei a boca com as duas mãos e recolhi as pernas para cima do vaso. Eu estava tentando não respirar fazendo barulho, mas estava difícil. Minha respiração estava pesada demais.

Pelo movimento que os pés fizeram, pude ver que a pessoa se abaixou, possivelmente para olhar o interior da cabine.

Na minha cabeça eu já estava começando a rezar em latim.

Pude escutar quando o homem começou a andar de novo e os barulhos sumiram totalmente. Ele já deveria ter ido embora e, mesmo assim, fiquei uns dez minutos em silêncio, sem mexer um músculo.

Eu me levantei de uma forma tão lenta que parecia que eu não ia sair de lá nunca. Fui destrancar a porta e vi que a minha mão estava tremendo.

Sem nem olhar para os lados ou para o espelho, lavei as minhas mãos e saí quase correndo daquele banheiro. Eu já não queria mais nem dormir e a primeira coisa que fiz ao sair daquele lugar, além de respirar profundamente, foi zarpar a procura de qualquer pessoa e falar da criança que brincava pelos corredores.

Por sorte, ao virar em algum lugar, que não prestei atenção, pude ver uma porta se abrindo. Por ela passou quem?

Lu Han.

E, boy...

Juro que a visão que eu tive me fez esquecer, por um momento, o que eu ia fazer.

Ele estava tirando a máscara facial de seu rosto ao mesmo tempo que puxava a touca de sua cabeça. Os cabelos dele se mexeram de um jeito harmonioso no processo.

Se isso fosse um filme, seria a típica cena em câmera lenta. Não que eu não tivesse visto assim. Juro, de novo, que vi.

Aquela era a primeira vez que eu via Han sem os seus cômicos adereços e ele era ainda mais bonito.

- S/N, você está bem? – Ouvi a voz dele, nenhum pouco fanha, falando comigo e pisquei os olhos rapidamente como se acordasse de um transe. Quando ele havia me visto e chegado tão perto? Espero não estar com uma cara de bocó. – S/N... – Cantarolou, estalando os dedos em frente ao meu rosto. – Aconteceu alguma coisa?

Eu deveria ficar em silêncio e deixar ele falar mais? A voz desse homem ficava inacreditavelmente bela sem aquele nariz de plástico.

- Aah... – Abri a boca, não encontrando palavras para formular uma frase. Lu Han arqueou uma sobrancelha.

- B... – Zombou de mim. – Você está com cara de retardada. – Soltou uma risada.

E é assim que o encanto se perdeu. Voltou a ser o bobalhão.

- Não é nada. – Bufei, cruzando os braços. – Só fiquei surpresa por ver você sem aqueles negócios de cervidae.

Foi a vez dele de cruzar os braços.

- Bom... Não dá para fazer uma cirurgia com aquilo, não é?

Oh, nem tinha notado que eu estava na frente da porta que levava para as salas de cirurgia.

- Ainda estava em cirurgia? – Soltei a pergunta, com os olhos vidrados na touca e máscara que ele embolava e guardava no bolso.

- A cirurgia daquela criança de mais cedo não era algo fácil. Foi mais complexo do que um quebra-cabeças. – Rodou o pescoço, fazendo estralar. – E o que você está fazendo por aqui?

E foi aí que lembrei do moleque brincando e do acontecido no banheiro. Acho que Lu Han era uma pessoa ideal para eu falar sobre o gurizinho.

Abri a boca para contar, mas Hyuna apareceu bem na hora.

- Com licença! – Começou exasperada. – Alguém viu Kim Jong Woon? O menino não está no quarto dele. Já é a terceira vez na semana que ele some de madrugada.

Han pareceu ter ficado tenso.

- A criança com câncer do relatório de pacientes cujo caso você me deu para estudar? – Se aproximou de Hyuna que assentiu. – Como foi isso?

Devo dizer que no dia inteiro, ainda não tinha visto este Lu tão sério. No entanto, eu achava muito difícil esse menino e o que eu vi serem crianças diferentes.

- Era exatamente sobre isso que eu ia falar com você, doutor Han. – Intrometi-me na conversa. – Ainda agora eu vi um menino se escondendo embaixo de um banco do corredor da emergência. Tentei trazê-lo comigo, mas ele teimou. Deve ser esse que sumiu. Ele disse que estava brincando com um amigo.

E agora, ambos à minha frente estão me olhando de um jeito confuso.

- Tem outra criança fora da ala infantil? – Lu Han perguntou seriamente para a enfermeira que ficou bem desconcertada.

- Não. Eu tenho certeza que não. – Ela olhou para o chão. – Eu vou conferir.

- Faça isso. E depois vá até o quarto de Park Jae No, o que acabei de fazer a cirurgia. Assim que ele acordar, precisa ser medicado com analgésicos. – Ordenou. Hyuna balançou a cabeça em afirmação e saiu em passos apressados. – Eu vou ver se eu acho o Jong Woon. Obrigado por avisar.

Agradeceu e foi saindo. E eu estava sozinha de novo, com receio de voltar ao necrotério. 


Notas Finais


Luhanzinho apareceu *^*
a


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