História O Garoto do Terraço - Capítulo 14


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Jikook, Jimin, Minyoongi, Namjin, Namjoon, Rapmonster, Seokjin, Suga, Taehyun, Vkook, Yoonmin
Visualizações 9
Palavras 1.833
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Peço desculpas pela demora, mas eu estava atolado de trabalho e, como vocês vão perceber mais pra frente, eu não sabia como continuar.
Talvez eu não consiga postar mais uma vez por semana, talvez a cada quinze dias ou uma vez por mês. Prometo tentar ao máximo não prolongar demais.
Tenham uma boa leitura.

Capítulo 14 - Interlúdio - Envelope Pardo


O dia estava quente o bastante para que a luz do sol se fizesse amarelada desde o amanhecer, o ar estava parado, mesmo o céu dando os primeiros indícios branco acinzentados de que algumas horas mais tarde todo o calor se transformaria numa daquelas chuvas abafadas. Era possível sentir a temperatura de dentro do café fresquinho e aconchegante se você se sentasse perto o suficiente de uma das grandes janelas que dava para a rua comercial um pouco mais movimentada naquela época do ano. Eram férias de verão, os jovens e adolescentes em casais ou grupos de amigos andavam de um lado para o outro rindo, segurando uma casquinha de sorvete que derretia rápido demais.

Um sorriso involuntário surgiu nos lábios do homem sentado casualmente numa cadeira de ferro cobre com estofado meio duro demais. Homem sim, não era mais um garoto, ainda que ao encarar aquelas cenas na calçada pudesse ver a si próprio alguns anos mais novo, alguns meses antes de se tornar quem hoje ele era. Seu coração bateu forte no peito com o dejavu, e quase que automaticamente sua mão procurou pelo maço de cigarro no bolso esquerdo da calça ligeiramente apertada que costumava ser colada de verdade, mas andava perdendo peso ultimamente.

“Perdendo peso e fumando, de novo” pensou ele, enquanto fazia sinal para que a garçonete trouxesse o cinzeiro, e assim que ela o fez, ele ascendeu e tragou-o devagar. A primeira fumaça que atingiu seus pulmões quase o fez tossir, não estava mais acostumado é claro, fazia anos desde que parara, mas o hábito ruim retornou uma semana antes, quando ele começara a escrever. Recostou-se nos canos gelados do assento, cruzando as pernas, apoiando o cotovelo do braço esquerdo, cuja mão estava o cigarro, numa pose cuidadosamente arranjada para que parecesse relaxado e ao mesmo tempo descolado.

Ouviu um suspiro vindo da atendente à sua direita, do outro lado do corredor, atrás da bancada, e sorriu convencido, ele sabia que às vezes tinha esse poder sobre as pessoas, infelizmente isso costumava acontecer quando ele não estava sentindo-se bem. Era mais ou menos assim que achava que estava o seu humor, apesar de não estar particularmente triste ou feliz (era algo parecido com um vazio que fazia você sorrir para coisas desagradáveis e chorar com a menor das alegrias). Virou o rosto para o lado contrário à garota, e por um momento praticamente enxergou o brilho dourado do próprio cabelo loiro quando a faixa de luz do sol atingiu-o, na mente dele deveria estar realmente bonito na camiseta branca sem estampa, mas com um bolso colorido do lado direito, na calça jeans rasgada que deixava suas pernas ainda mais sexy.

Um copo de café gelado foi posto em sua mesa, o cheiro dele misturado com a nicotina acalmava-o de uma maneira inexplicável, porém o gole do líquido o deixou com uma leve careta no rosto, como sempre deixava. Ainda não gostava muito do gosto do pó preto, algumas vezes mal conseguia tomar uma dose inteira, só que ali, naquela situação estranha, com seus dedos apertando um pouco demais o envelope pardo repleto de folhas, de cópias, com a mão levemente soada deixando uma marca molhada onde a palma encostava, ele sentia que precisava desesperadamente da substância.

Já estava na metade do segundo cigarro quando ouviu pela décima vez o som doce do sino em cima da porta de entrada soar, mas desta vez era diferente, a pessoa que entrava ali interessava a ele. A moça bonita de cabelos pretos compridos, arrumados de uma forma a parecerem bagunçados, passou os olhos sob o local procurando por alguém, e quando encontrou-o algo energizante atingiu-a, parecia agora uns anos mais jovem talvez.

- Jimin-ah – a silhueta esbelta da mulher alta pelos saltos que usava estava coberta por uma camisa xadrez, evidentemente masculina, que cobria os shorts curtos e a camiseta vermelha de alcinhas finas – Você não mudou nada.

O homem, que quase na casa dos trinta ainda tinha na expressão cansada um pouco da juventude dos vinte, levantou-se para cumprimentá-la, mandando a nostalgia goela a baixo para que sua voz não falhasse ao direcionar-se a ela.

- Hani – Eles sentaram-se, e ela rapidamente pegou o cardápio das mãos da garçonete sem nem olhá-la – Quanto tempo, né?

- Uns cinco, seis anos, ou até mais – disse ajeitando a bolsa feminina em seu colo – A última vez que a gente se viu foi no...

- É, foi... – houve uma pausa em que ambos perceberam que não queriam tocar naquele assunto – Como você está? – perguntou ele mudando de assunto.

- Ótima – respondeu, e era o que aparentava, ela havia ficado mais bonita, a pele, as pernas longas, a unhas bem pintadas, a confiança que emanava, a aliança grossa e dourada no anelar esquerdo. Ela não havia casado com Hoseok, ele sabia, mas não era sobre isso que pensava enquanto a observava. Por um momento ele olhou para a própria mão, imaginando um objeto igual ali, decorando-o e sorriu triste, imaginando se dentro do metal coberto de ouro estaria escrito Min Yoongi ou Jeon Jungkook. Hani virou-se para chamar novamente a garçonete, fazendo seu pedido logo a seguir, o movimento tirou-o de seus devaneios – E então, estão aí? Os papéis?

“Está evitando perguntar como estou” pensou Jimin antes de tirar o envelope debaixo da mesa e entregar a ela:

- Aqui – um peso pareceu sair de seus ombros assim que o conteúdo trocou de mãos, um peso que logo desceria e se alojaria em seu peito – Eu escaneei as páginas do caderno e algumas do meu diário na época, caso seja interessante... – Ele pretendia continuar a frase, mas se calou assim que ela retirou os papéis que continham uma cópia acinzentada de sua própria caligrafia.

- Legal, tá bem legível, isso vai ajudar – falou ainda presa às páginas – Você tem o original né? – deu uma olhadela para ele por cima das folhas A4.

- Sim, ‘tá bem guardado – seu subconsciente se perguntou se a gaveta do criado mudo do lado da cama era um lugar para se considerar seguro, e sua expressão tornou-se um tanto suspeita por menos que um segundo.

- ‘Tá tudo aqui? A história inteira? – Ela passava o canto as páginas pelos dedos contando-as.

- Não... – remexeu-se na cadeira, ouvindo o som da própria respiração – Eu não consegui terminar a tempo...

- Parou onde?

- Quase no fim – respondeu aos olhos julgadores da mulher à sua frente, que balançou levemente a cabeça indagando mudamente onde exatamente a história havia parado, afinal ela conhecia a trama bem até demais – No dia do... - um suspiro – da loja de conveniência.

- Ah... eu lembro – assentiu, desviando o olhar, incomodada. Se não se enganava fora depois daquilo que o relacionamento dela com Hoseok e o seu com Yoongi haviam se desgastado.

- Você não ‘tava lá aquele dia né? – perguntou o loiro, já sabendo a resposta.

- Não – “ainda bem” pensaram os dois ao mesmo tempo, logo seu copo de suco verde chegou e ela pareceu gostar do sabor daquela coisa saudável demais para se chamar de bebida – Quando você acha que vai poder me entregar o resto?

- Não sei... Depois do próximo final de semana, talvez? – A morena concordou com o prazo que jamais faria para nenhum dos autores com quem trabalhava, mas sabia que ambos estariam bem ocupados nesses próximos dias – Você vai?

- Vou sim – a voz um pouco distante implicava que ela estava se indagando se Hoseok iria ou não, e como seria vê-lo, desviou-se do assunto antes que fosse tarde demais – Eu dei uma olhadinha na última página, não vi nada sobre as férias...

- É, eu parei por isso. Não sabia como continuar dali – um olhar entre os dois foi o suficiente para saberem que primeiro, narrar todos aqueles dias seria maçante para o leitor, e segundo, ele não havia continuado porque era essa parte da história que mais o machucava, não por estar ocupado com os preparativos ou sem conseguir encaixar as palavras certas numa frase. Os braços magros dela correram na mesa, e as mãos se seguraram, num aperto que mostrava que ela entendia e que desejava força para que ele pudesse continuar.

Tinha sido ideia de Jimin tudo aquilo. Escrever não seria somente uma forma de se libertar dos fantasmas do passado, mas também de mostrar que nunca o esqueceu, que cada dia que se passou o amor que sentia por Suga só cresceu, criou raízes e se alimentou da sua culpa, saudade e também da sua felicidade por todo aquele tempo. “Não sei se ele vai poder ver ou não, mas vou entregar para ele da forma mais grandiosa que eu conseguir, vou entregar nós dois para ele” foi o que o loiro disse mentalmente para si mesmo, ainda que soubesse no fundo da sua alma que não falava da história como palavras de um romance de fantasia, falava da sua vida em si. Queria recortar essa parte, colar num cartão postal e enviar para sabe-se lá onde é que Yoongi estaria agora.

Eles se soltaram, e o rapaz começou a pensar em algo para falar quando ouviu a voz suave dizer:

- Você pode tentar me contar se quiser – o sorriso em seu rosto era assustadoramente tranquilizador – As vezes contar para alguém antes faz ficar mais fácil – ele entendia o que Hani queria dizer, até porque tudo aquilo havia começado quando ele contou como eles haviam se conhecido para o...- O que você acha? – disse, interrompendo sua linha de pensamento.

- Pode ser – as palavras saíram tremidas e sem confiança por sua voz, ele focou-se na bela mulher à sua frente, tão poderosa e bem sucedida, uma das mais jovens editoras a conseguir um cargo tão alto numa empresa tão famosa, procurando nela a garota maluca e enérgica que conhecera no alto de seus vinte anos.

- Nós temos a tarde toda – contou a ele, como se dizendo “tome seu tempo”, após um silêncio longo demais.

Os dois pediram algumas coisas para comer, por mais que o estômago de Jimin estivesse meio revirado naquele momento. Depois de uma garfada da torta de Hani, uma fatia de bolo quase inteira e (a melhor parte) ascender mais um cigarro, ele começou com palavras incertas o que seria praticamente um flashback em HD, com cores vivas e 3D, que o transportariam para aquele dia que mudou tudo, exatamente TUDO:

- Eu lembro que tinham se passado quase dois meses que eu tinha voltado com Yoongi, que a gente ‘tava namorando de verdade...- as provas e as férias de verão passaram correndo pelos olhos dele, por mais que tivessem sido ótimos momentos ao lado do amado, não acontecera nada particularmente memorável naquele tempo. Então, como se alguém tivesse tirado o dedo do botão “avançar” e finalmente apertado o “play”, ele enxergou com clareza o amanhecer azul com cheiro do shampoo de Suga – O dia ‘tava quente, não tão quente quanto hoje, mas ‘tava, eu lembro de sentir isso antes mesmo de acordar de verdade...


Notas Finais


Apresentei a vocês o Jimin "do presente", e devo dizer que eu gosto muito mais dele do que do Jimin "do passado".
Esse capítulo apesar de ser apenas um interlúdio é importante para que possam entender o capítulo final.
Espero que tenham gostado.
Vejo vocês no próximo capítulo.


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