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História O Garoto que Tinha Asas - Capítulo 49


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!!!
estou aqui para avisar que esta história linda e simplesmente inesquecível vai acabar precisamente no capitulo 55.
E sobre a História do klaus perdi todos os meus manos escritos desta História :( ,quando o meu pc resolveu queimar mais só consegui salvar os mano escritos desta História que estou publicando.
Bjs #BoaLeitura!!!

Capítulo 49 - O anjo dela


“E a flor conhece o beija-flor

e ele lhe apresenta o amor

e diz que o frio é uma fase ruim.

Que ela era a flor mais linda do jardim

e a única que suportou.

Merece conhecer o amor”

(Flor e o Beija-flor, Henrique e Juliano)

Lorenzo 

— Você não vai arrombar minha porta, sabe quanto ela custa? — pergunta Bernardo do outro lado, ultrajado pela minha sugestão.

— Fala pra ele — ordena Justin cruzando os braços. — Fala logo — repete quando o olho com dúvida.

— Me falar o quê? — pergunta perdendo o pouco de paciência que havia restado desde que ficou preso com os ratos em um porão imundo que não era limpo desde a Segunda Guerra Mundial. — Melhor falar logo, tem uma aranha me olhando feio aqui dentro.

— O cara está lá fora — estranhamente Justin decide que essa seria a notícia mais fácil por isso a contou primeiro.

— Porra. — Escutamos ele se jogar contra a porta, é inútil. Ele ia acabar quebrando um braço e a geringonça não ia nem trepidar. — Como ele conseguiu? Vocês têm certeza? — berra como se não estivéssemos a uma droga de porta (nota: porta muito resistente) de distância.

— Viana acha que sim — lamenta Justin. — Só pode ser, o carro está parado na porteira a alguns minutos, ela está observando, até agora ninguém saiu de dentro dele. — Bernardo não responde, apenas berra um palavrão atrás do outro. Como eu já sei todos de cor e ele não parece ter criatividade para me ensinar um novo, jogo a bomba nele de cara.

— Sua mulher entrou em trabalho de parto. Ou você deixa eu arrombar a porta ou o moleque vai nascer naquele sofá encardido. — Não sabemos se ele ouviu, porque ele fica quase um minuto inteiro em silêncio que passamos trocando olhares confusos.

— Você ouviu? — pergunta Justin de maneira impaciente.

— Se afastem da porta. — Ele parece calmo e isso é preocupante. Não penso duas vezes e pulo para longe agarrando Justin novamente pela camiseta e o trazendo comigo. Não damos mais do que alguns passos quando um estouro faz Justin dar um pulo de susto e quase me faz fazer xixi nas calças. Mas que porra! Novamente outro estouro preenche o silêncio, mas por esse já esperávamos, Bernardo chuta a porta passando por ela na velocidade da luz — depois de atirar

na maçaneta — sem nem ao menos olhar em nossa direção. Ele corre para a sala e praticamente se joga em cima de Liz puxando seu rosto em sua direção. Se ele achou que seria recebido com um sorriso por uma mulher amável estava redondamente enganado. Ela agarra seu queixo e berra em sua cara com ferocidade.

— Você é o culpado! — Ele franze o rosto de dor, mas não se move. — Tudo isso é culpa sua! Você deveria estar parindo.

— Calma, baby — fala de forma estranha já que não consegue abrir a boca direito.

— Calma? — pergunta rindo diabolicamente. — Vou ficar calma quando alguém disser a palavra cesariana e estiver com um bisturi na mão e sabe o que eu vou fazer depois que seu filho sair das minhas entranhas? — Ele nega com a cabeça e com os olhos arregalados. — Pegar a sua arma emprestada e dar um tiro no seu brinquedinho. — Ele geme com a dor imaginária da cena que, com certeza, está se desenrolando na sua mente. — Pra nunca mais correr o risco de passar POR ISSO, PORRA!

— Deus, até eu tô com medo dela — murmura Helena se levantando do sofá antes que sobre para ela. — E pensar que ela era tão doce e adorável.

— Helena Cristina, volta aqui e segura na minha mão, senão eu juro que não respondo por mim. — Não precisa falar duas vezes. Minha irmã caminha até ela rapidamente e estende a mão fazendo uma careta de dor antecipada.

— Onde está a Viana? — pergunta Bernardo ainda com a voz anasalada, já que Liz não larga seu rosto. Me viro trezentos e oitenta graus e não a vejo em lugar nenhum. Subo as escadas correndo e entro no quarto que o menino dorme sem me preocupar em ser silencioso, ele se remexe e se vira na cama suspirando. Ela não está lá. Desço os degraus às pressas e vou até a cozinha. 

Quando vejo o bilhete em cima da mesa, meu mundo desmorona. Porque mesmo que seja inconscientemente eu sei o que ele diz. Eu sei que ele diz adeus. Fico olhando para ele por um tempo sem coragem de ler as palavras e constatar que acertei em cheio na suposição. Por que agora? É quando me lembro do telefonema... Será que... Será que ela me abandonou por ele? E o menino que dormia no andar de cima, será que ela o abandonara também? Abandono a covardia e avanço em cima do papel o desdobrando com urgência e leio as palavras. Suas últimas palavras.

“Eu queria lhe dizer tantas coisas, mas agora elas parecem tão sem importância. Tudo o que você precisa saber é que eu amo você de todo meu coração e serei eternamente grata por você ter permitido que eu morasse dentro de você por algum tempo, meu lar. Você sempre será o meu lar. Não se atormente por nunca ter me dado uma prova de amor, o sentimento esteve o tempo todo em seu olhar e, acima de tudo, em seu medo. Eu sei, eu vi. Conheço o medo como ninguém e se tem algo que eu aprendi é que ele revela a verdade. Cuide da minha vida, está bem? Agora você é tudo o que ele tem. Prometa-me que será um lar para ele quando eu partir. Ele precisa desesperadamente de

um lar, Lorenzo. Mas agora temos que nos despedir. É o fim, anjo, não tem mais volta. Com amor, Viana.”

— NÃO. NÃO. NÃO. — Escuto alguém gritar. Somente quando Bernardo me dá um tapa na cara fazendo com que eu acorde e erga a mãos instintivamente para cobrir o rosto dolorido descubro que sou eu. Ele abre as pernas e se inclina quando o olho esperando que eu revide, e se surpreende quando faço o oposto me jogando sobre ele.

— O que é isso? — pergunta atônito.

— Ele desenvolveu essa mania de abraçar machos agora, sabe Deus porque — murmura Justin, rindo. 

Sou invadido por uma desolação tão grande que me agarro mais a ele para não cair. Sinto as lágrimas começando a se formar atrás dos meus olhos e tenho um lampejo de lucidez. Preciso achá-la. Solto Bernardo e saio correndo até a sala, mas antes que eu chegue a porta ele se coloca à minha frente.

— O que foi, Monstro? — Agora ele parece verdadeiramente preocupado colocando a mão sobre a arma presa à cintura sem nem mesmo perceber o gesto. O faro dele era tão bom que chegava até a me surpreender.

— Ele pegou a Viana — sussurro inconsolável tentando transpassá-lo para passar pela porta, mas ele me impede segurando meus ombros com firmeza.

— Me explica isso — ordena olhando nos meus olhos com firmeza. Eu me afasto e lhe entrego o bilhete. Quando ele abaixa o rosto para ler aproveito sua distração e saio pela porta. Corro pelo quintal até a porteira e salto a madeira com um pulo tateando os bolsos em busca das chaves do carro. Me desespero quando não as encontro.

Me viro para trás e vejo Justin e Bernardo correndo em minha direção enquanto Helena leva Malibu para o outro carro amparando-a, com Miguel dormindo profundamente em seu colo, provavelmente para levá-la até o hospital agora que é seguro sair. Minha vontade é refazer o caminho até eles e abraçar o garoto, mas vai ter muito tempo pra isso. Porque independente do que aconteça com a mãe dele, agora ele é meu. Sempre foi, desde o primeiro instante constato de repente.

— Não acho as chaves, ela deve ter pego — grito antes que eles me alcancem. Justin derrapa ao meu lado e xinga alto cruzando as mãos atrás da nuca, mas Bernardo não se abate abrindo a porta do motorista do meu carro com violência e se agachando para mexer em alguma coisa atrás do volante. Segundos depois para minha surpresa o motor ruge e se levanta com um misto de orgulho, eficiência e preocupação no olhar. Antes que eu possa esboçar qualquer reação, Justin corre até o veículo e entra na parte traseira e Helena encosta o carro de Bernardo ao nosso lado, ele caminha até o vidro traseiro e enfia a cabeça por ele.

— Vou chegar a tempo de ver o nosso filho nascer, eu prometo! — Ele beija seus cabelos suados e ela sorri fracamente.

— É bom mesmo — murmura fechando os olhos, aproveitando o espaço entre uma e outra contração. — Agora vai salvar a Viana e traga ela de volta.

— Não morre, senão eu te mato! — berra minha irmã para Justin agarrando o volante com força o suficiente para os nós de seus dedos ficarem brancos, ela não solta nem para enxugar o rosto coberto de lágrimas.

— Eu também amo você, garota do rio — diz olhando-a apaixonadamente.

Ela funga e assente.

— Eu te amo, garoto dos olhos azuis. — Ela se volta pra mim. — Cuida dele, Monstro? — implora soltando um soluço, fazendo com que eu queria abraçá-la.

— Sempre. — Eu sempre cuidaria deles. Não perco mais tempo, encurto a distância que me separa do volante em segundos berrando para Bernardo entrar logo no carro, o que ele faz. Passo na frente das meninas pisando fundo no acelerador, derrapando a cada poucos metros me afastando o mais rápido que consigo. Bernardo se inclina para fora da janela com uma pistola nas mãos, concentrado e com os olhos aguçados a procura de qualquer indício. Ele vai berrando as coordenadas se baseando nas marcas de pneus na terra que parecem mais recentes enquanto Ian murmura alguma coisa inconcebível no banco de trás.

— O que você está fazendo? — pergunto olhando pelo retrovisor com curiosidade e pouca paciência para ter algo em que pensar ao invés de ficar maluco me torturando com uma cena mais macabra do que outra. Viana se machucava em todas elas.

— Rezando — murmura sem abrir os olhos. — Eu não tenho uma arma e não estou no volante, isso é tudo o que eu posso fazer por você agora. 

Estranhamente suas palavras são o suficiente para fazerem com que as lágrimas que eu estava segurando de todas as formas possíveis desde que vi o bilhete em cima da mesa venham à tona.

— Pare de chorar, seja macho, porra, e vê se você se concentra — briga Bernardo me olhando de rabo de olho e voltando a se concentrar no chão e na arma em suas mãos. — Ela precisa de você agora, não é o momento para ser egoísta.

— Talvez seja o momento para ser um pouco solidário, ele não está acostumado a sentir nada do que está sentindo. Nunca perdeu um amor antes… — Justin se cala percebendo que não está ajudando embora eu saiba que essa era sua intenção.

Faço o que Bernardo pede, enxugo o rosto com as costas de uma das mãos e seguro o volante com a outra acelerando mais, fazendo como justin, rezando.Porque talvez essa seja a única maneira de conseguir um milagre.

— Ali! — berra Justin, vendo o carro antes de nós. Um carro preto sem placa está estacionado de qualquer jeito no acostamento em cima da vegetação da estrada de terra deserta.

Vou perdê-la. Esse é o único pensamento que permeia minha mente enquanto abro a porta do carro e saio correndo pela estrada sem nem ao menos ter desligado o motor. Tenho a sensação de poder sentir seu medo correndo pelas minhas veias a metros de distância, algo sobrenatural e indefinido, ou talvez seja o meu próprio medo, eu não sei. A única coisa que eu sei é que até o ar tem aroma de tempo perdido.

Eu não vou chegar a tempo e vou perdê-la.

Posso escutar os passos de Bernardo no asfalto atrás de mim, mas não paro ou diminuo o ritmo esperando por ele, nem mesmo quando ele grita meu nome repetidas vezes. Pelo contrário, a cada passo seu que escuto me esforço e corro mais rápido, com mais ânsia e vontade. Seus passos são o que me movem e me impulsionam a correr contra o tempo. Eles são a trilha sonora da minha dor. 

Me aproximo do carro, me desviando dele e entro no matagal. Empurro a vegetação com fúria porque no momento ela é tudo o que me separa de Viana. Quando a clareira surge à minha frente eu a vejo, ajoelhada. Ela está de costas com as mãos presas para trás com uma arma apontada para sua cabeça, seus ombros tremem e eu sei que ela chora, mas permanece em silêncio aceitando de bom grado o castigo que lhe impõem. Quero chorar, gritar, me virar e não olhar. Quero pedir para que ele se afaste, para que não atire, para lhe poupar. Quero apagar ela da minha memória, deixar de amá-la, não vê-la morrer. Eu quero mais uma vez salvá-la.

Meu medo é o ar que respiro, é a perna que eu jogo uma em frente à outra, é as braçadas que eu dou no vento ao me movimentar, é o sentimento que me rege, me domina e me cega. Não tenho medo da arma, da dor ou da morte, meu único medo é perdê-la. Escuto a arma sendo engatilhada, estou perto, tão perto. Eu poderia agarrá-lo, jogá-lo no chão, matá-lo. Mas e se eu não for rápido o suficiente e ela se machucar? Fecho os olhos, não quero ver seu sangue jorrar, não quero vê-la cair sem vida, não quero uma existência onde ela não exista. Não penso, apenas reajo. A decisão já estava tomada no dia em que ela disse que eu tinha asas, eu era seu anjo. Por isso eu me jogo na frente da bala por ela lhe dando a prova de amor que ela tanto queria. Em um primeiro momento, eu não sinto dor alguma, apenas uma pressão no peito que faz eu me desestabilizar e cambalear para trás alguns passos. Não vejo nada ao redor, apenas escuto. Um estampido alto e gritos, muitos gritos. Sei que alguns são dela e suspiro aliviado por saber que está bem o suficiente para gritar meu nome, mas a sensação de alívio dura pouco quando meu peito arde como se estivesse em chamas e eu percebo que algo está errado.

Tudo parece acontecer em câmera lenta dali em diante.

Caio de joelhos no chão abaixando o rosto para encontrar a frente da minha camiseta sendo encharcada por um líquido vermelho, minhas mãos são instintivamente colocadas em cima da mancha, eu as afasto e as olho com pavor e incredulidade. Estão viscosas, manchadas com meu sangue. Meu subconsciente sabe exatamente o que aconteceu, mas decido não me preocupar com isso, no momento tudo o que importa é a mulher que derrapa ao se jogar ao meu lado em meio a grama afundando os joelhos na terra e as mãos onde as minhas pousavam, assim como eu encharcando-as de sangue. Ela empurra meu peito tentando estancar o sangramento e chora abertamente clamando por socorro de maneira desesperada. Seu rosto está desfocado, mas sei que é ela por causa da voz e dos cabelos negros como a noite que voam ao meu redor conforme ela cola seu rosto ao meu implorando para que eu resista. É quando eu as vejo. O par de asas douradas que parecem sair de suas costas. Elas batem ligeiramente quando ela se mexe me deixando fascinado e entorpecido.

Anjo.

— Asas... — murmuro me afogando no meu próprio sangue. — você tem asas. — Apago.

 


Notas Finais


Mais um capitulo emocionante para vcs, se gostaram me deixem saber


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