História O general da minha vida - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Tags Bear, Homens Mais Velhos, May-december, Militares, Ursos
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Palavras 5.336
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


A partir deste capítulo a história fica mais quente.

E a foto abaixo é de Mirella, a filha do general Roberto.

Capítulo 4 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction O general da minha vida - Capítulo 4 - Capítulo 4

Sérgio

 

– Quando será a viagem e quantos dias ficaremos lá, senhor? E o que precisaremos levar? - depois de oito meses de convivência direta com o general Roberto, aprendera a obedecer as ordens dele sem fazer muitas perguntas, com certeza não repetiria meu comportamento de quando ele me convidou para assessorá-lo aqui no Rio. Aprendi muito nesse tempo, embora só tivesse 19 anos muitas vezes via uma grande distância entre o que eu era quando entrei naquele quartel e o soldado uniformizado que estava agora diante do meu chefe. Os cursos que fizera ajudaram muito, mas acho que o fundamental foram as pessoas que eu conheci, como seu filho Gerson, que praticamente me botou debaixo de sua asa e, com sua inabalável força de vontade, ajudou a desmontar um pouco mais minha casca. Entre alguns dos lugares que ele me fez conhecer, estavam as ruas de Ipanema, a quadra da mangueira, uma roda de samba na lapa e, porque não, um clube de idosos bem ativos em Copacabana que me mostraram que animação não é um privilégio dos jovens (desconfio que ele quis me prevenir para não envelhecer antes do tempo). Nem sempre eu ia nesses lugares de boa vontade, pois percebi que muitas vezes ele queria me empurrar alguma garota, geralmente amigas de sua noiva, e em algumas ocasiões ele precisou fazer sutis ou não tão sutis chantagens emocionais comigo para que eu o acompanhasse. Mas no fim eu sempre acabava me divertindo, tinha de reconhecer.

– Apenas uns quatro uniformes, dois ou três pijamas e algumas roupas civis para uma eventualidade. Mas conhecendo você como conheço, aconselho-o a arranjar alguma mala extra, não tenho dúvidas que você vai querer adquirir alguns livros em espanhol nas livrarias colombianas. Ficaremos lá duas semanas, e já fiz as reservas num hotel.

– Hotel? Quer dizer que não ficaremos num quartel?

– Não seria o ideal, visto que embora a maioria dos rebeldes tenha sido dominada sempre pode haver um louco e quartéis são muito visados por essa gente. Vamos ficar num quarto com duas camas, e tem uma academia no hotel, separe também roupas para exercícios. E não se preocupe com roupas sujas, o hotel tem lavanderia e isso tudo ficará na conta do Exército.

– Tudo bem, providenciarei isso – disse e me despedi, mas na verdade estava longe de estar tranquilo. Depois de tantos meses, aprendera a disfarçar e a me contentar com a atenção e a estima sincera do meu superior, mas minha paixão por ele não diminuíra nem um pouco. Sim, era paixão, já aceitara o irrevogável, fiquei atraído por ele logo que o conheci e essa atração se transformou em algo mais à medida que o conhecia e vi que seu exterior atraente era só uma parte de um ser mais profundo e especial. E as vezes que ele me acompanhou e a Gerson nos passeios só contribuíram para isso, pois eram os únicos momentos em que o via sem uniforme e, de bermuda e camisa regata ou polo, geralmente deixando ver alguns fios grisalhos do seu peito, ele parecia mais humano e, portanto, acessível. Não poucas vezes vi mulheres rodeando-o como aves de rapina, e só não me aborrecia muito porque logo percebi que ele não dava atenção a elas, tanto Gerson quanto Mirella reclamavam que o pai parecia ter feito voto de castidade – reclamação que, aliás, estendiam a mim.

Ignorar as cantadas que também me davam não era difícil, uma das coisas que aprendera naqueles meses foi a ser sutil quando queria me desvencilhar de algo. Não sentia atração por garotas e fingir algo que não sentia só para ficar conforme a sociedade era desgastante e me tiraria a energia de que precisava para fazer um bom trabalho. Sendo assim, melhor continuar solteiro e satisfazer minhas necessidades sexuais me masturbando. Pena que isso estava ficando mais frequente e minha imaginação se tornava cada vez mais criativa, comigo divagando sobre tudo o que eu poderia fazer caso um dia partilhasse a cama do general. Cheguei até a comprar uma edição do Kama Sutra gay que guardava escondido, e comecei a sonhar com ele me beijando, agarrando todo meu corpo e fazendo amor comigo em todos os lugares possíveis, até sobre a grama do Jardim Botânico, se não fosse pedir demais. Quando ele me disse que não se acanhasse em lhe dizer o que me angustiava, foi preciso muito esforço da minha parte para não dizer “Eu quero que você me possua!” E agora eu teria de passar duas semanas com ele no mesmo quarto! Mas enfim, talvez eu pudesse aguentar.

Preparei tudo e uma semana depois voamos para Bogotá numa viagem com escalas. Dessa vez já não era marinheiro de primeira viagem e pesquisei bastante tanto sobre voos internacionais como sobre a Colômbia, de maneira que aguentei bem o tempo de viagem, vendo filmes a bordo e lendo. Até apreciei bastante O Contador, filme com Ben Affleck, um dos meus atores preferidos e bonito como sempre. Pena que, pelo personagem ser um justiceiro autista, eu não podia contar com nenhuma cena de cama, embora com certeza nunca filmariam a que eu mais queria ver com ele, que era a de Bruce Wayne e Clark Kent admitindo que sempre foram apaixonados um pelo outro, rasgando suas roupas e se devorando numa cama por horas. Eram personagens marcantes da minha infância e, com ele e Henry Cavill a interpretá-los, acabei por vê-los de uma forma bem mais erótica. O pior é que ele estava na cadeira ao lado da minha, e assistir um filme com um lindo homem maduro ao lado de outro lindo homem maduro era uma verdadeira tortura. Talvez eu devesse ter considerado me tornar ator, pois nunca imaginei que conseguiria disfarçar minha ânsia febril.

Assim que chegamos, fomos recebidos por autoridades militares de lá e conduzidos até o hotel, fizemos o check-in e chegamos no quarto com nossas malas. Entramos e escolhemos nossas camas, que eram idênticas e bem espaçosas, até que o general abriu sua mala e me disse:

– Sérgio, essa viagem foi cansativa. Você se importa se eu tomar um banho?

– Não, general. O senhor toma e eu faço isso depois.

– Nesse caso, obrigado. Se quiser pode ver um pouco de televisão. - e depois de abrir a mala e selecionar uma roupa tirou a camisa, revelando um peito largo e peludo, com fios grisalhos bem distribuídos, costas largas e bronzeadas, e em seguida a calça, onde sua bunda redonda e cheia era destacada por sua cueca branca tipo sunga, que também não escondia o volume considerável na frente. Fiquei hipnotizado por aquela visão e por pouco não gritei, mas felizmente ele não percebeu e foi direto para o banheiro. A ideia da água percorrendo aquele corpo nu e maravilhoso foi o pensamento mais excitante que passou pela minha cabeça desde que minha libido despertou, e tratei logo de separar minha roupa. Depois de esperar uma eternidade, ele saiu já vestido e pude tomar meu banho, fazendo questão de me masturbar para ver se me acalmava. Saímos para jantar, onde fiz o possível para manter uma conversa convencional, e depois voltamos para o quarto. Para não dar bandeira, tomei a iniciativa do banho dessa vez, já levando o meu pijama, mas não deu muito certo, pois quando eu abri a porta já vestindo meu pijama ele estava diante de mim segurando o dele, como se esperasse eu sair para entrar no banheiro, só que com um detalhe: a toalha enrolada nos quadris. O susto (e a excitação) foi tão grande que acabei dando um passo para trás.

– Calma, Sérgio. O que houve? - precisava inventar alguma desculpa rápido para que ele não percebesse.

– Nada, senhor. É que eu não esperava que o senhor já estivesse na frente da porta e me sobressaltei. Mas pode tomar seu banho.

– Ah, bom. Tenha uma boa noite. - Ele entrou calmamente no banheiro e fechou a porta, enquanto eu observava o ondular dos seus ombros largos e bronzeados, bem como dos seus quadris perfeitos, e me perguntava o que faria se aquela toalha caísse e mostrasse para meus olhos famintos sua bunda ou o seu pau. Aquela imagem ficaria guardada em minha cabeça para sempre, acontecesse o que acontecesse, e para tentar dissipá-la fui para a cama e fechei os olhos sem pensar em mais nada, na esperança de que o sono chegasse antes dele voltar. Não chegou e percebi seu retorno pelo barulho da porta se abrindo e ele se deitando, mas fingi que dormia. O sono não vinha, enquanto ele logo começou um ressonar suave, e minha saída para não amanhecer insone foi me masturbar discretamente, tomando o cuidado de cerrar bem minha boca para não me fazer ouvir. A única vantagem agora é que eu não precisava imaginar, visto que o objeto daquele ato estava bem perto de mim.

No dia seguinte fomos tomar café e nos arrumamos para o seminário. Fui apresentado a outras autoridades militares, e quando as palestras começaram percebi que meu espanhol se aprimorara o suficiente para que eu conseguisse entender as intervenções. No total eram muito boas, esperava que eu conseguisse aprender o suficiente para contribuir de alguma forma para acabar com esse detestável problema que era o tráfico de drogas (no futuro, visto que agora eu não passava de um soldado e estava começando a pensar em como me tornaria um cabo), de maneira que anotava cuidadosamente as intervenções mais sérias. Nos intervalos percebi que o general aproveitava para conversar com alguns colegas, possivelmente comentando sobre os problemas do Brasil e como poderia resolvê-los, e procurava não incomodá-lo, embora ele sempre fizesse questão que almoçássemos juntos para trocarmos impressões sobre as palestras. Ficava satisfeito porque ele gostava de me ouvir e, quando concordava com algo que eu dizia fazia questão de expressar.

Voltamos para o hotel no fim da tarde e aí começou outro problema pra mim.

A academia.

Como passávamos quase todo o dia no seminário, o único horário que nos restava para nos exercitarmos era a noite, de maneira que eu teria de fazer os exercícios junto com ele. Ele mesmo fez questão de reforçar que já havíamos perdido o dia anterior e não poderíamos deixá-la de lado por mais tempo. Assim, fomos para o quarto vestir nossas roupas de exercícios (eu no banheiro e ele no quarto, para economizar tempo) e nos dirigimos para lá. E como eu imaginei, foi uma tortura. Consegui fazer todas as séries direitinho, mas de vez em quando eu parava para vê-lo, sem saber como evitei babar – eu já o vira de uniforme, de roupas informais, de cueca e até de toalha, mas vê-lo suando de regata e bermuda, bem como as expressões que ele fazia ao se exercitar e o cheiro másculo que ele emanava, uma mistura de seu perfume com odor natural, era sexo puro. Lembrei das minhas aulas de ciências e biologia sobre os mecanismos de reprodução e imaginei que aquele suor reluzente, que eu daria tudo para provar, com certeza liberava milhares de feromônios, só que ao invés de atingir uma fêmea em idade de procriar, atingiam a mim, um pobre rapaz gay (literalmente) que precisava ficar no armário para sobreviver (embora meu olhar clínico não descuidasse das várias frequentadoras, inclusive algumas mocinhas, que babavam por ele). Terminamos nossas séries (se ele percebeu que de vez em quando eu olhava para ele não demonstrou) e fomos para nosso quarto tomar banho no esquema de sempre.

Essa foi nossa rotina nos cinco primeiros dias, e só conseguia dormir às custas de masturbações diárias (com receio de despertar comentários entre os funcionários do hotel, arranjei uma camiseta barata onde eu descarregava meu sêmen quando atingia o orgasmo e a escondia num saco para lavá-la durante meu banho). Como eu sofria ao ver o cara por quem estava apaixonado tão perto e não poder tocá-lo, mas ao menos tinha o consolo de que acumulei várias recordações picantes para alimentar minha alma nos dias solitários. Até que um dia ele recebeu um convite para sair com outros generais e perguntou se eu não queria acompanhá-lo.

– Agradeço, general, mas estou muito cansado. Vou ver um pouco de televisão e depois dormir.

– Entendo, Sérgio. Qualquer coisa me mande uma mensagem, vou levar meu celular comigo.

– Fique tranquilo, general. Divirta-se. – procurei tranquilizá-lo.

– Até mais tarde. - Disse ele com um sorriso e saiu.

Coloquei num canal de documentários, mas o assunto era tão chato que acabei caindo no sono, para acordar horas depois e perceber que acabara adiando a hora do meu banho. Assim, um pouco mais tranquilo, fui para o banheiro com minha toalha, tomei meu banho e comecei a me enxugar, já fora do box, quando de repente a porta se abriu e dei de cara com o general Roberto, já sem camisa e começando a abrir a calça, aparentemente também disposto a tomar banho. Sua cara parecia tão espantada quanto a minha, e mal tive tempo para esconder meu pênis com a toalha, num movimento que foi tão desastrado que acabou deixando meu traseiro descoberto.

Ficamos nos encarando sem dizer nada por vários minutos, até que o general chegou perto de mim e disse:

– Porra! Juro que nos últimos dias fiz de tudo pra me segurar, mas isso é tentação demais.

E depois de me agarrar, jogou a toalha no chão e me beijou com lábios famintos.

 

Roberto

 

Eu sempre podia culpar Sense8.

Não sei porque, logo que cheguei no Rio, li uma resenha sobre essa série, que falava em 8 pessoas que compartilhavam uma conexão incomum, vivendo em lugares diferentes mas se comunicando umas com as outras, chegando a compartir orgasmos ou fazer sexo telepaticamente. Como eu tinha a assinatura do Netflix, comecei a assistir alguns episódios e a história de Lito e Hernando chamou minha atenção. Ambos eram rapazes bonitos e inteligentes e, embora às vezes Lito fosse um pouco diva, nenhum deles tinha postura de gay. Também eram caras com qualidades e defeitos, mas o que me chamou a atenção foi a maneira como eles realmente se amavam e significavam tudo um para o outro. Quando eles faziam sexo, via-se que eles se entregavam de corpo e alma, o amor e o tesão eram contrabalançados de forma que um complementava o outro. As orgias me impactaram, as cenas na parada gay me comoveram, mas para mim a mais comovente foi a cena de amor na praia, onde eles estavam tão imersos um no outro que se permitiram aquele momento de intimidade num lugar público, onde estavam ao alcance de qualquer um que andasse por lá.

Sempre soube que existiam gays, até sabia de alguns comentários eventuais sobre figuras do Exército, e sinceramente sempre achei que todo mundo tinha o direito de amar, se eu fora feliz com minha esposa porque deveria negar isso a outros? Só que aquela foi a primeira vez que me permiti ver uma cena de sexo entre homens e, principalmente, percebi que esse sexo podia ser bonito.

De vez em quando me pegava pensando nisso, não sei como ninguém percebeu que às vezes eu parecia aéreo. E para completar comecei a sonhar com algumas das cenas, notadamente a da primeira orgia, quando Lito possuía Hernando na cama deles, mantendo o rapaz de quatro enquanto o penetrava num ritmo frequente. Acontece que nesse sonho era eu penetrando Sérgio e ele me beijando e pedindo por mais.

Confesso que não entendia porque isso acontecia comigo. Sim, o rapaz era bonito, inteligente e trabalhador, de um excelente caráter e estava solteiro. Mas não só eu não era gay, como isso seria errado de mais de uma maneira, tanto por ele ser meu subordinado quanto porque havia entre nós 36 anos de diferença, com algum esforço eu poderia ser avô dele. Se nos envolvêssemos e isso viesse a tona, nossas carreiras estariam ameaçadas. E ele gostava de mim e me tratava como referência, mas achava que eu era para ele como um segundo pai ou um professor.

Acontece que, depois que isso começou, passei a prestar mais atenção nele do que já prestava. Vi que quando ele sorria sua boca fazia uma covinha, que lhe dava um ar juvenil, que seu corpo era tão bem desenhado que o uniforme vestia nele como uma luva, que aqueles belos olhos verdes estavam sempre atentos e que ele tratava todas as pessoas, dos meus colegas de generalato aos faxineiros, com a mesma educação e interesse. Mas só percebi que a coisa estava séria quando me vi olhando para a bunda dele e pensando como ela parecia ser firme.

Quando fui chamado para o seminário em Bogotá disse que só iria se ele fosse junto, já que era meu secretário e guarda pessoal, e não vi nada demais em compartilhar um quarto com ele, afinal fizera isso com outros colegas em viagens. Só que a coisa começou a mudar já no avião, quando percebi que ele parecia concentrado demais no filme que assistia e ao mesmo tempo incomodado com minha presença. E quando chegamos e fomos pro quarto ele tentou disfarçar mas percebi imediatamente que ele se desconcertava quando eu tirava a roupa para tomar banho, já que ele nunca se despiu na minha frente e pareceu assustado ao me ver com a toalha enrolada na cintura. No dia seguinte, acordei antes dele, e quando me levantei fiquei maravilhado com o quão lindo ele ficava quando dormia, tão jovem, frágil e relaxado ao invés do rapaz determinado e focado que sempre era. Só despertei-o porque não tinha jeito, precisávamos ir para o evento.

Tentei seguir com minha rotina nos dias seguintes e dediquei-me de corpo e alma ao seminário, aproveitando os intervalos para dialogar com meus colegas mas não perdendo o costume de almoçar com ele para ouvir suas opiniões sobre as palestras, já que ele era um excelente observador. E fiz questão de que ele e eu continuássemos com nossas rotinas de exercícios, já que era o que nos mantinha saudáveis. Até porque talvez se eu descarregasse toda a minha energia nos aparelhos eu deixasse aqueles pensamentos de lado.

É impressionante como uma raposa velha como eu ainda consegue cometer erros. Não só não me esgotei como comecei a ficar mais excitado ainda, nunca tinha visto o rapaz com pouca roupa e aquela camiseta regata e o short só ressaltavam o quanto ele era perfeito. A pele dele brilhava quando suava, e pela primeira vez me perguntei qual seria o sabor de um suor masculino (ao menos mal ele não cheirava, se pudesse definir o que sentia de seu aroma era um misto de juventude e inocência). Seus ombros eram largos e seus bíceps perfeitos, sem mencionar as pernas e as coxas, ele era uma verdadeira obra de arte.

Mas o pior era a noite. Mesmo ele não se mostrando pra mim sem roupa, algumas vezes acordei e percebi, por mais que ele disfarçasse, que estava se masturbando, e a sensação de ser um voyeur dele me causava um ardor totalmente novo. Não sei como disfarcei isso com ele quando estávamos juntos, acho que o treinamento que recebi para ocultar emoções quando estava em missão ajudou (mas faço questão de frisar que sempre soube separar as coisas e nunca deixei de ser emotivo com minha família, Marina sempre deixou claro que ela podia ter se casado com um militar mas não com uma máquina, e que se eu fosse seco com ela ou com as crianças acabaria por fazê-los sofrer).

Até que, na noite do quarto dia, acordei de madrugada e ouvi-o balbuciar. Preocupado, levantei-me e fui ver se ele precisava de algo, até que percebi que ele na verdade estava sonhando. Tentei voltar para a cama, até que ele pronunciou um nome: o meu.

– Ah, me beija, Roberto, faça de mim o que quiser, eu sou seu, sempre fui seu… - pelo jeito como ele pronunciava as palavras, era sem dúvida um sonho erótico.

Não sei como não bati em alguma coisa ou não gritei, mas consegui voltar para a cama, onde encaixei os fatos e constatei aquilo que no fundo já sabia há meses: meu secretário, que estava moldando com carinho e diligência nos últimos meses com a finalidade de torná-lo um militar competente e útil para o Brasil, era gay e estava apaixonado por mim.

Só isso explicava a maneira como ele ficava tímido quando me via com pouca roupa, aqueles olhares longos de vez em quando (bem como as caras feias que ele fazia quando alguma mulher me cantava e achava que eu não percebia) e o fato de que ele não tinha nenhum interesse em garotas, chegando a evitar sair com Gerson, que já se tornara seu melhor amigo no Rio, quando percebia que ele ia tentar dar uma de Cupido. Essa descoberta me apoquentou o juízo durante horas, estava pensando seriamente em conversar com ele e explicar que entendia, mas não poderia haver nada entre nós, e foi com alegria que aceitei o convite dos meus colegas para jantar fora, talvez fosse bom para mim e para ele ficarmos um pouco afastados. Só que mais uma vez o tiro saiu pela culatra, só pensava no quanto seria interessante estar ali com ele e partilhar de sua inteligência e deslumbramento com as coisas que não conhecia. Tanto que só fiquei o tempo necessário e voltei para o hotel, nem cheguei a beber nada.

Quando cheguei, encontrei o quarto escuro e a TV desligada, então deduzi que ele estava dormindo e, para não incomodá-lo resolvi tomar meu banho sem ligar a luz. Assim, tirei a camisa, abri a braguilha da calça e a porta do banheiro, ficando surpreso ao perceber que suas luzes estavam acesas, revelando que Sérgio acabara de tomar banho e estava se enxugando, completamente nu. Ele se assustou e procurou cobrir sua frente com a toalha, mas não impediu que eu visse seu traseiro modelado nem muito menos seu peito amplo, coberto com uma quantidade discreta de pelos, sua pele impecável e, principalmente, a fome que saltava em seus olhos quando me encarou. Foi a coisa mais linda que já vi e não pude resistir, agarrei-o e beijei-o.

Na hora ele ficou surpreso, mas assim que se deu conta do que estava acontecendo ele retribuiu meu beijo com uma força que não me surpreendeu, sempre soube que as pessoas discretas geralmente escondem almas ardentes. Sem desgrudar dos meus lábios uma única vez, começou a puxar minha calça e minha cueca para baixo, de forma que logo fiquei tão nu quanto ele e foram nesses amassos que chegamos ao quarto.

Ele agarrou o meu pênis e pareceu se inclinar para baixo, mas o detive.

– Sérgio, para muitos o que vamos fazer agora é errado, e não podemos contar a ninguém, ao menos por enquanto, para não prejudicarmos nossas carreiras. Além disso, quero lhe dar a opção de pararmos por aqui, caso você queira, você não tem de se sentir obrigado a nada, não farei nada para você se não fizermos sexo, você continuaria a ser meu auxiliar do mesmo jeito.

– Senhor, agradeço o interesse, mas eu quero isso, talvez desde o primeiro dia em que lhe vi. É um sonho que está se realizando, não troco isso por nada.

– Ótimo, resistir a você definitivamente não seria fácil. - beijei-o novamente e continuei. - Mas também há outra coisa que tenho de falar: não trouxe preservativos comigo, pois desde a morte da minha esposa, há cinco anos, nunca mais fiz sexo. De qualquer forma, sei que você é virgem, e entre aqueles exames que fizemos antes da viagem há um de DSTs. Ele me foi enviado pelo meu e-mail e posso te mostrar – e dizendo isso peguei meu celular, abri o aplicativo de e-mails e abri o arquivo que continha o resultado para que ele o visse: todos negativos.

– Ótimo, senhor, embora eu saiba que o senhor é um homem de palavra e eu não teria o que temer. De qualquer forma, também recebi os resultados dos meus exames e faço questão de mostrá-los – ele pegou o próprio celular, acessou um aplicativo semelhante e me mostrou seu exame, também negativo. Estávamos livres para ter sexo desprotegido, o que só tornava as coisas mais excitantes.

Vendo-o sorrir de um jeito que nunca se permitira, beijei-o novamente e conduzi-o até a minha cama, dizendo-lhe que não se preocupasse, que agora eu daria prazer a ele e depois cuidaríamos do resto. Quando já estávamos deitados, deixei seus lábios para lamber sua orelha e seu pescoço, ele cheirava maravilhosamente e o fato de estar recém-saído do banho só reforçava isso. Minhas carícias o faziam estremecer e prossegui implacável, prestando atenção agora às suas axilas levemente peludas, que percorri com a língua, antes de me voltar para seu peito, que primeiro lambi e depois suguei a partir de cada mamilo. Era diferente fazer isso com um homem ao invés de uma mulher, já que era peludo e mais firme, mas era tão gostoso que foi um sacrifício parar. Em seguida, foi a vez de dar atenção ao seu tanquinho, definido como poucos que eu já vira, e que acariciei com a língua e o nariz. A cada carinho ele se contorcia, até que cheguei ao objetivo principal, segurando seu pênis e masturbando-o. Ele olhou para mim como se estivesse em dúvida de que eu seria capaz de fazer, mas já decidira que ele merecia nada menos que entrega total, sem mencionar que eu estava louco para saber como era o gosto do gozo dele.

Coloquei a ponta na boca e comecei a lamber e sugar, tentando alcançar o máximo que podia pois ele definitivamente era bem-dotado. Mas ele disse que não me preocupasse, ambos éramos virgens nesse tipo de sexo e poderíamos aprender aos poucos. Assim procurei me concentrar na glande, praticamente devorando-a e evitando usar os dentes, enquanto constatava uma fome que desconhecia em provar aquele sêmen jovem. Aproveitei a posição em que estava para acariciar seus mamilos e percorrer seu corpo, até que ele me disse que estava próximo de gozar e intensifiquei a chupada, até ele começar a gemer, se contrair e inundar minha boca com um líquido pastoso e de gosto estranho, mas que engoli sem vergonha nenhuma. Quando deixei seu pênis limpo, beijei-o compartilhando o sabor de seu próprio esperma e ficamos abraçados e nos beijando por alguns minutos, até ele me pedir:

– Quero ser seu, general, por favor me possua.

– Sérgio, em primeiro lugar acho que já está na hora de, fora do quartel ou outros ambientes de trabalho, você me chamar de Roberto, não? Afinal acabamos de fazer sexo. E sim, eu quero tirar sua virgindade, mas saiba que pode doer, e não tenho experiência. Se você se ferir, por favor me diga que eu pararei e tentaremos outras formas de termos prazer. - eu adorava aquele rapaz antes mesmo de nos tornarmos amantes e a última coisa que eu queria era machucá-lo.

– Não se preocupe, Roberto, tenho lido um pouco sobre o assunto nos últimos meses e sei como fazer para me preparar. O que eu preciso é que primeiro você lamba meu ânus ou cuspa nele, para me lubrificar, e depois insira três dedos, primeiro um e depois acrescentando cada um aos poucos, para alargar minha entrada. Quero ter hoje tudo o que sonhei no último ano, não sei quando será nossa próxima oportunidade. - era irônico um professor ser ensinado pelo aluno, mas se ele sabia como fazer isso seguiria suas orientações à risca.

Depois de tranquilizá-lo dizendo que não tinha a menor vontade que essa fosse nossa única transa (afinal ainda tínhamos pelo menos nove dias em Bogotá e com certeza eu daria um jeito de continuarmos no Brasil), fiz com que ele se deitasse de costas e comecei a percorrer seu corpo, começando pelas pernas e coxas até chegar ao seu bumbum, que era realmente lindo e duro. Não resisti à tentação de mordê-lo, o que ele me respondeu com gemidos, até que o alarguei para visualizar a entrada, que lambi impiedosamente ao perceber que ele adorava essa carícia, embora não fosse sacrifício nenhum para mim sentir o gosto daquela pele macia e limpa. Quando achei que ele já estava bem lubrificado, comecei a introduzir os dedos conforme ele me dissera, e quando ele já estava confortável com três arrebitei seu bumbum e entrei no ânus de um homem pela primeira vez.

Embora ele fosse o virgem (afinal eu já tinha procriado duas vezes), senti como se fosse eu que estivesse sendo apresentado a uma nova realidade. Eu estava nu com um belo e apaixonado rapaz, que me oferecia seu corpo sem reservas, e as sensações que meu pau me passava enquanto friccionava com sua carne eram carregadas de luxúria. Ele começou a gemer e a contorcer seu braço numa tentativa de agarrar meu bumbum e imprensá-lo contra seu ânus, e isso só me estimulou a intensificar os movimentos, enquanto agarrava suas costas para enchê-las de beijos e mordiscadas. Seu estremecimento me excitava, e passei a esfregar minha barba sobre seu pescoço e sua orelha, o que o levava a contorcer seu rosto de forma esquisita, até que eu senti que tinha de beijá-lo de novo e o aproximei de mim. Beijei-o com paixão e de forma desajeitada, e percebi que aquilo não bastava, eu tinha de vê-lo enquanto o penetrava. Assim, perguntei se poderíamos tentar fazer com ele de frente para mim deitado na cama (uma posição que depois descobri se chamar “frango assado”), e como ele concordou deitou-se de costas na cama e, após repetir os cuidados que fizera antes, penetrei-o como queria.

Como descrever o que acontece quando encontramos uma conexão que nos isola do mundo? Eu fui feliz com minha esposa e tive prazer quando fui pra cama com ela, coisa que ocorreu várias vezes nos 25 anos em que ficamos casados, mas o que Sérgio me oferecia era muito mais que isso, era uma entrega tão intensa que desafiava todos os tabus que diziam que estávamos fazendo algo errado e pagaríamos por isso. Mas como poderia ser errado, se eu me descobria cada vez mais encantado por ele e seria capaz de tudo para protegê-lo do mundo de maneira que nada de mal lhe acontecesse? Como podia ser errado se ele me olhava como se eu fosse o herói que esperara a vida inteira e era ele que puxava minha cabeça para baixo para que eu lhe desse mais e mais daqueles beijos embriagantes de boca aberta? Parecia que quando enroscávamos nossas línguas queríamos entrelaçar nossas almas, era tanta paixão que ficava em dúvida se aquilo era saudável. De qualquer forma era difícil pensar com tantas sensações diferentes, como a do seu peito firme contra o meu e do enroscar dos nossos pelos, das suas pernas se movendo para ficarem por cima do meu bumbum, que ele também segurava e acariciava com mãos fortes como a me incentivar que fosse mais fundo, ou das mordidas que ele eventualmente dava no bico do meu peito e que eu punia beijando-o com ferocidade. Até que uma hora minhas investidas foram ficando mais intensas e gozei abundantemente dentro dele, como nunca havia gozado antes. Felizmente já havia sido informado de que os quartos tinham isolamento acústico, não queria que ouvissem nossos gemidos.

Quando me acalmei, saí de seu interior e, ao ver que minha barriga estava melada, percebi que o fizera gozar de novo. Satisfeito, fui buscar no banheiro uma toalha para nos limpar e, depois de acomodá-lo em meu peito, dei-lhe um beijo suave na boca.

– Se isso for um sonho, não quero acordar nunca – disse-me ele com uma expressão sonhadora.

– Não é um sonho, meu garoto, é a vida. Obrigado por me proporcionar a melhor noite do mundo.

– Eu é que agradeço. Podemos repetir?

– Sim, mas não agora. Ambos estamos cansados e precisamos dormir, mas amanhã felizmente não haverá seminário e temos o dia todo para nós.

– Amém a isso – e com um último beijo ele se acomodou no meu peito e adormeceu, deixando-me feliz e leve como há muito tempo não me sentia.


Notas Finais


E então, qual a opinião de vocês sobre a primeira vez deles?


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