História O Genro - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags 37/17, Dongsaeng!jimin, Hyung!jungkook, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Minkook, Miri
Visualizações 1.585
Palavras 4.205
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiro eu queria agradecer à Ggukies do Busan City por ter feito essa capa e esse banner maravilhosos para mim. Sério, Ggukies, você arrasou e eu nunca vou deixar de jogar isso na sua cara! <3

Depois eu queria agradecer à Lollyvato também do Busancity por ter betado minha sinopse! Obrigada, minha linda!

E por fim, mas não menos importante (na verdade eu só segui a ordem das entregas kkk), eu quero te agradecer de coração por ter betado o capítulo um, KookieDoPark! (também do Busancity), não deve ter sido fácil ler minha fic, ok? Kkkkkkkk então muito obrigada mesmo!

Agora sobre apoio emocional: muito obrigada por ter lido esse capítulo e me incentivado para postar e continuar O Genro, Pinkmilk! Você é uma ótima esposa e amiga! <3 TEAMO (vão pedir capa pra ela lá no Busan City).
E podem ir lá seguir o Busan City também, é o nosso mundo só para Jikookas <3

No mais: nos vemos nas notas finais e uma ótima leitura!

Capítulo 1 - Jungshook


Fanfic / Fanfiction O Genro - Capítulo 1 - Jungshook

― O Jimin vai ficar tão fofo com esse moletom. ― Jeongguk murmurou entre seus solilóquios, observando como o tecido azul com estampa de gatinho combinava bem com seu genro. Havia saído do trabalho e decidido comprar aquele maldito carregador portátil que sua filha, Jieun, já o estava cobrando tinha um mês, mas não se podia mandar Jeon Jeongguk a compra de um objeto sem esperar que ele voltasse sem no mínimo mais três ― E essa camisa listrada combina comigo. Ok, vou levar. ― comentou, feliz demais para alguém que estava gastando.

Após passar no caixa e pagar tudo, o moreno finalmente decidiu que era hora de ir, estava atrasado mais do que uma simples hora para o jantar e se bem conhecia a filha, esta provavelmente morreria de fome, mas não se levantaria para fazer um simples sanduíche. Suspirando, o médico acabou apressando os passos, fazendo o barulho da bota ecoar pelo estacionamento cheio de carros, porém vazio de pessoas.

― Eu poderia comprar fast food... ― tinha a mania irritante de falar sozinho, o que era um porre quando se esquecia de que havia mais gente no recinto. Uma vez murmurou para uma paciente que ela poderia ter câncer de mama, quase perdeu o emprego e a mulher a vida, de tão perto que a coitada  chegou de um infarto.

No fim acabou dando meia volta e indo até o McDonald’s mesmo. Médico cardiologista? Ele só conhecia Choi Seunghyun e este não estava nem mesmo perto (graças a Deus). Acabou comprando dois lanches bem gordurosos, refrigerante para Jieun e milkshake para si, a academia estava aí para salvá-lo depois. Ao voltar para o estacionamento colocou os copos no porta-bebidas, as sacolas no banco de trás e os lanches no carona. Não demorou nem mais um pouco, estava começando a esfriar e Jeongguk era um homem tão precavido que havia esquecido o casaco em casa.

O hospital andava tão cheio ultimamente que nem mesmo havia tido tempo para comer besteira com a filha ou perguntar a ela como como andava os estudos e namoro. Era o ano de vestibular de Jieun e a menina queria fazer Direito, seguir os passos da mãe. Jeongguk costumava revirar os olhos em brincadeira quando Jieun mencionava sua paixão e vontade de entrar no curso, o médico achava graça da destoante entre o curso da filha com o do namorado, que queria Dança.

Já havia visto Jimin dançar em sua casa, foi em uma brincadeira entre amigos e ainda era girlgroup. Mesmo brincando e zoando com Taehyung, o genro mandava muito bem com a dança. Ele se mexia com uma fluidez impressionante, bem melhor do que Jeongguk e olha que quando o médico decidia querer dançar mesmo, ele não brincava em serviço. Com certeza Jimin teria um futuro brilhante na profissão de dançarino.

Não era nenhuma surpresa que Jeongguk babasse o ovo do genro. Jimin era um amor de pessoa, muito esforçado, gentil, divertido, talentoso e tratava sua filha como uma princesa, e o sogro como um irmão mais velho. A boa aparência também só contribua para que o moreno aprovasse o outro como genro perfeito. O único defeito no adolescente, que nem era um defeito seu para falar a verdade, era a família conturbada que tinha, um pai alcoólatra e uma mãe que nunca desejou ter filhos – fazia Jeongguk recordar-se da própria família caótica e isso, por incrível que parecesse, só o fazia se apaixonar cada vez mais pelo genro, compadecido pela situação familiar de Jimin Jeongguk praticamente o havia adotado como segundo filho.

Portanto, não era nenhuma novidade o quanto prezava pelo futuro de Jieun e Jimin como um casal, já tinha até aderido a nova moda de juntar os nomes dos dois para formar um shipp: tinha 2Ji, Minji, mas seu favorito mesmo era Mineun. Afinal o lembrava um pouco da palavra Minion, o personagem que Jimin havia se fantasiado no último Halloween, o que o fez ficar uma gracinha.

Esperou que o portão automático abrisse com o comando do controle e assim pode adentrar a própria residência com seu SUV branco, onde apenas estacionou com o carro na garagem de vidro. Ativou o alarme, abrindo a porta que estava no canto direito do cômodo transparente, e adentrando o corredor relativamente estreito que o levaria diretamente até a sala. Pendurou o molho de chaves no chaveiro e andou até a cozinha, ignorando a escuridão presente na casa, mas ponderando, afinal a única pessoa presente ali antes era uma estudante de ensino médio se preparando para o vestibular.

Colocou os dois lanches em cima da pia e deu um gole em seu milkshake de oreo antes de refazer o percurso, abandonando as compras no sofá retrátil e reclinável da sala e subindo até o quinto degrau da escada que conectava o primeiro com o segundo andar da casa. Miri, sua poodle branca como neve, deveria estar dormindo em algum canto da casa, visto que não correu em sua direção para fazê-lo tropeçar nas próprias pernas – cenário comum no cotidiano do médico.

― Jieun ah? ― chamou, ouvindo um baque seguido do barulho de canetas caindo no chão ― Tudo bem aí?

― Pai! ― a menina gritou de volta, possivelmente vindo em sua direção dado os passos pesados que passou a ouvir ― C-chegou tarde.

― Passei no shopping ‘pra comprar aquele seu bendito carregador portátil. Foi caro. ― estranhou a ausência dos gritinhos eufóricos da filha e desceu os degraus ― Vamos comer, comprei lanche.

― ... ‘Tá.

Jeongguk retorceu o rosto em direção aos livros espalhados por sua linda sala. Eram montinhos de coreano no sofá, matemática na mesa de centro, geografia no chão. Além do pote de sorvete vazio no porta-copos em um dos braços do sofá. O médico sentiu algumas muitas veias de irritação quase estourarem em sua testa, pois odiava desorganização desde criança, quando descobriu ser portador de rinite.

― Você chegou cedo. ― a frase da menina lhe fez erguer uma sobrancelha confuso. Atrasado para o jantar era o que definia Jeon Jeongguk no momento. Lançou um olhar para as escadas por cima do ombro, onde Jieun descia afoita em seu pijama rosa mal colocado. Sua filha estava descabelada e parecia aérea, a única coisa que denunciava que Jimin não estava ali em cima era o rosto inchado e vermelho de quem havia acabado de chorar as pitangas, mesmo assim era sempre bom averiguar:

― Jieun ah, por algum acaso o Jimin-ah está aqui ou veio aqui? ― perguntou, agora virando o corpo todo em direção à citada. Embora sua aparência no dado momento fosse caótica, Jieun era bonita, lindíssima na verdade; tinha os cabelos castanhos na altura das costelas, a pele leitosa e o corpo magro de quem vivia pela dieta, mesmo que possuísse os olhos pequenos que ia contra o padrão coreano, havia herdado o famoso rosto formato em V e a boca pequena do pai, lhe garantindo ao menos a nota 9 no quesito beleza.

A morena tremeu sob a pergunta. Jeongguk percebeu o nervosismo surgir assim que Jieun passou a mordiscar os próprios lábios e a arrastar os dedos do pé descalço pelo assoalho de madeira. Jeongguk só pode abaixar a sobrancelha que há pouco acabara de erguer e cruzar os braços.

― O Jimin? ― a voz feminina saiu esganiçada, meio travada e o médico jurou ter visto, graças a forte luz da lua que passava pela greta da cortina, um vislumbre de chuva nos olhos de sua tão amada filha ― Não. Ele não está aqui. Por que estaria?

― Ele não vem aqui há um tempinho, né? ― questionou, tentando fisgar na memória a última vez que tinha visto o genro. Três semanas atrás, Jieun e Jimin, dois medrosos de carteirinha, inventaram de assistir Annabelle 2 juntos no sofá da sala e o próprio Jeongguk que pagou o pato mais tarde, tendo que abrigar dois adolescentes ridiculamente assustados em sua cama quando uma tempestade começou. Jieun tinha se agarrado ao seu braço como um coala em árvore, já Jimin quase fundiu suas mãos juntas. Tinha sido gostoso ter os dois consigo, lembrava-o da época em que a morena era apenas uma bebezinha, quando a vida, por ser pai solteiro, era mais difícil e emocionante. Havia sido bom cuidar de Jimin também, ainda mais porque o garoto parecia realmente apegado a si. Pensando nisso, não podia deixar de se preocupar com o genro ― Ele está bem? Vocês discutiram?

Mas a reação que teve em seguida não foi nada do que esperava: Jieun foi ficando rosa, depois vermelha e por fim quando o médico achou que a menina explodiria, ela enfim abriu um berreiro. Sua filha, aquela que se pudesse colocar em um potinho a prenderia dentro, tampou o rosto com as duas mãos e começou a soluçar. Inclusive se o médico não tivesse sido rápido em abraçá-la, ela provavelmente teria ido ao chão.

― Jiji, meu amor? ― praticamente gritou, sentindo o desespero sobressair. Era um médico calmo e profissional, mas quando o assunto se tratava de sua filha, a mesa virava drasticamente e Jeongguk perdia a maioria de suas estribeiras ― Shh, para de chorar. Aconteceu alguma coisa? ‘Tá doendo em algum lugar, bebê? Fala para o papai.

― N-não é c-comi-igo! ― a garota o respondeu em prantos, para o desespero do moreno. Puxou-a pelo rosto, segurando nas duas bochechas quentes e molhadas por lágrimas, encarando as feições retorcidas pelo choro a sua frente, até muco escorria pelo nariz alheio. Jeongguk se alarmou, sentindo o coração falhar duas batidas.

― Aconteceu algo com o Jiminie? ― perguntou rapidamente, sentindo os órgãos se embolarem um no outro.

― Nós terminamos, pai! ― Jieun gritou de uma vez, fazendo o impossível, que era chorar ainda mais. A primeira reação do médico foi suspirar em alívio, a segunda foi piscar duas vezes em direção ao seu bebê ― Jimin terminou comigo!

― C-como assim? Você fez alguma coisa? O que ele te disse? ― lançou a sequência de perguntas sem se importar com o estado da garota, apenas a manteve presa junto ao peito, sentindo-a tremer em seus braços. Seu pobre bebê, e não falava isso pensando unicamente na filha, mas também no genro, o qual era tão apegado. Jimin terminando com Jieun? Impossível!

Eles se amavam, eram perfeitos um para o outro. Jeongguk sempre sonhou em um dia poder conduzir sua princesa até o altar, em direção a um Jimin completamente feliz, ambos formados e realizados. O médico zeraria a vida nesse dia, mas agora dessa imagem perfeita e utópica só lhe sobrava um quadro quebrado.

― E-eu... Eu! ― enquanto isso, ainda grudada a si, Jieun parecia lutar contra as lágrimas para conseguir responder o mini questionário do pai, e compadecendo-se da tristeza da filha o médico decidiu dar o tempo necessário para que as respostas viessem.

― Não precisa falar nada. Amanhã a gente conversa sobre isso, meu bebê. ― murmurou, beijando o topo da cabeça alheia, apertando o corpo feminino mais forte ― Vai passar, vai passar. ― confidenciou, mesmo sabendo que essas palavras não eram muito verdadeiras.

 

Duas horas e um copo de milkshake (e refrigerante quente) depois, enquanto passava de cinco em cinco minutos pelo quarto onde sua filha ressonava baixinho, zelando pelo sono dela, Jeongguk conseguiu pensar no que Jieun o havia contado mais cedo.

Aparentemente seu casal perfeito tinha dado um tempo há três semanas, justo o tempo que Jimin não aparecia, isso por insistência do genro. E hoje, quando voltaram da escola, o garoto terminou o relacionamento com a desculpa de que o estava atrapalhando nos estudos.

Mas era mentira! Todo mundo sabia a disciplina formidável que Jimin tinha nos estudos. Ele cronometrava todo seu tempo e ainda seguia a risca o próprio cronograma, nem mesmo Jeongguk, um adulto nos seus 37 anos, não conseguia seguir a droga uma lista de tarefas, mas aquele garoto sim.

Massageando as têmporas, só naquele momento o moreno teve cabeça para enfim tomar um banho, já passava da meia-noite e amanhã teria que atender no hospital, em contrapartida não trabalharia a tarde toda. Estava eufórico antes, por isso não sentiu o peso do sono. Mesmo agora, horas depois, continuava sem querer pregar os olhos, sentia que não deveria se meter nessa história, mas poxa... Ele e Jimin eram um sogro e genro tão próximos, chegava a ser um absurdo a ideia de que um dia parariam de se falar, contudo era essa a realidade do momento, encarando o fato de que o adolescente havia saído do grupo da família, que possuía de fato apenas Jeongguk, Jieun e ele. Agora era uma conversa normal entre pai e filha, e dessa já havia a que usava para mandar a menina tomar juízo e ir estudar. O grupo "Família Jeon-Park" se perderia para sempre.

Jeongguk suspirou tristemente.

― Acho que eu estou muito sensível. ― murmurou para nada em específico, antes de ligar o chuveiro e deixar que a água quente – o médico costumava sentir muito frio – lavasse todas as impurezas de seu corpo. Saudades de Jimin o respondendo "Você não está muito sensível, é só o mundo que as vezes esquece que você ainda é um bebê." ― Ahhh, meu genro dos sonhos. ― choramingou ― Ainda não acredito que Jieun deixou você escapar.

Lamentando mais um pouco, Jeongguk fechou o registro, ainda pensando se deveria procurar pelo genro para tirar satisfação ou não. Mas espantou os pensamentos, daria o tempo para Jimin e não se meteria no relacionamento dos dois. Provavelmente voltariam amanhã ou semana que vem...

Isso.

Eles se amavam, e o amor resolvia qualquer problema no final, não era?

 

[...]

 

Bom, por duas semanas, o amor não resolveu nada. Jeongguk continuava sem seu genro, Jieun ainda chorava pelos cantos da casa e se descuidava cada vez mais com o próprio corpo, e Jimin permanecia incomunicável. As mensagens nunca eram visualizadas e as chamadas sempre caíam na caixa postal. E quando o garoto atendia, sempre havia uma desculpa bem na ponta da língua. Tal como agora.

Eu estou com alguns amigos, Jeongguk hyung. ― a voz na linha tremeu ligeiramente, Jeongguk apenas mordeu o lábio inferior.

― Mentiroso. ― acusou em tom baixo, chutando uma pedrinha que estava próxima ao seu pé esquerdo.

C-como?

― Eu estou na frente da sua casa agora mesmo. Consigo te ver pela cortina. ― um silêncio mórbido se seguiu na linha, antes de Jeongguk eliminá-lo com um suspiro relativamente longo. Em seguida massageou a têmpora, como se estivesse com dor de cabeça e o movimento o possibilitou ver o momento exato que Jimin abria a cortina para vê-lo ali parado ― O que está acontecendo, Jiminie? Por que vocês terminaram?

Você está aqui mesmo...

― É claro que sim. ― afirmou, tentando enxergar a feição do genro ou ex-genro, mas o sol laranja se pondo estava justamente atrás da casa do mais novo, impossibilitando-o de enxergar muita coisa, mas criando um halo de luz branco por cima de Jimin, o que o deixava angelical ― Não quer conversar?

O adolescente o ficou encarando por segundos, ponderando se deveria ou não fazer o que o adulto pedia, no fim apenas mordeu os lábios e assentiu fracamente.

― Tudo bem. ― falou baixo, mas o fato de que a chamada ainda estava em andamento tornou a frase bem audível ― Podemos ir ao parque? Meu pai já está aqui.

― Sem problemas. ― concordou, finalizando a ligação. Não demorou nem um minuto para que o jovem aparecesse em frente a porta de entrada, a fechando e caminhando até si com um sorriso simples nos lábios. Jeongguk acompanhou o movimento, fazendo uma breve análise de como Jimin se encontrava: ainda de uniforme e com os olhos um pouco vermelhos.

― Vamos andando? ― lado a lado, Jimin quem indagou primeiro, indicando com o queixo a calçada que com alguns minutos de caminhada os levariam para o parque do bairro. O médico não pode deixar de sorrir para o ex-genro, por mais que a situação pedisse o máximo de seriedade e até mesmo rigidez de sua parte.

Apesar do clima leve, o caminho foi feito sob o silêncio de ambas as partes. Os dois estavam envolvidos demais nos próprios pensamentos, que eram muitos ao mesmo tempo, o que tornava quase impossível externalizá-los um de cada vez. O sol caía preguiçosamente, dando ao céu aquela cor rosada do fim da tarde com o começo da noite. A silhueta esbranquiçada meio amarelada da lua já podia ser vista lá no topo, reivindicando as horas que brilharia tanto quanto possível. Era meio louco pensar que o sol dando adeus agora, ao mesmo tempo já dava bom dia para o outro lado do mundo; e enquanto Jeongguk se preparava para ter uma conversa com Jimin, para depois ir para casa, tomar banho, jantar e dormir, outra pessoa no exato momento estaria reclamando sobre o quão quente o dia estava, em um ônibus cheio direto para uma rua lotada, tão antagônica e vazia que agora os dois caminhavam, ainda lado a lado, porém um pouco distantes um do outro. Esse pensamento dava à Jeongguk a certeza de que por mais que o homem tentasse, nunca ele seria capaz de controlar o mundo ou até mesmo entendê-lo completamente. O assustava, mas também o tranquilizava, enquanto na Terra, nunca faltaria ao menos um propósito para o ser humano.

Às vezes Jeongguk sentia falta de sua juventude. De seu tempo de glória, calças rasgadas, skate embaixo do all star surrado, camisa grande demais para o corpo, boné e headphones. Lembraria de como esse Jeongguk ligeiramente rebelde passaria pela loja de piercings e tatuagens com um olhar desejoso. Ou de como esse mesmo garoto, considerado um descolado entre a roda de amigos, passava a noite em claro estudando para os exames de admissão na faculdade. O Jeongguk daquela época tinha dois propósitos: 1) fugir da realidade e 2) ainda estar conectado à Terra por pelo menos um fio de nylon. Hoje, aquele garotinho já havia ido embora. Por vezes Jeongguk ainda o encontrava, em sonhos ou no reflexo do espelho, sempre sorrindo orgulhoso. O adulto em si acenava de volta, ciente de que todos os seus propósitos estavam completos. Havia conquistado a melhor faculdade, era muito bem sucedido, tinha uma linda menina que apesar de um pouco preguiçosa, ainda era uma boa garota que conquistaria o mundo. Suas orelhas não latejavam mais com a dor, mas seus piercings na cartilagem o lembravam de que havia sim realizado algumas vontades da adolescência. Sua ex-mulher não era uma megera e Jeongguk não sentia mais a necessidade de um amor avassalador, embora soubesse que provavelmente ainda acharia outra pessoa durante o caminho.

Mas sabia de uma coisa: sua vida estava completa. Carreira no auge e com Jieun seguindo seus próprios passos a partir do ano que vem, Jeongguk sabia que fora o desejo de comer sushi todas as vezes que via um anime, não lhe sobrava mais nenhum propósito o qual passar noites em claro pensando sobre. E a certeza disso o deixava um pouco triste. Ser realizado era um pouco triste.

― Jeongguk hyung? ― uma voz doce o acordou de seus solilóquios. Jeongguk teve que piscar duas vezes para ajustar o foco de sua visão em Jimin, o qual tinha as feições escuras por causa do anoitecer, que como sempre chegara rápido demais. O tempo passava rápido demais. Encarou mais uma vez o loiro, que lhe sorria lindamente, embora o médico pudesse ver a ligeira maresia que surgia nos cantos dos olhos pequenos. Eram bonitos e felinos ― No que estava pensando? Eu te chamei umas três vezes.

― Ah, eu só me distraí um pouco. Você sabe como eu vivo fazendo isso. ― desconversou, não querendo incomodar Jimin com seus medos de velho. O garoto tinha todo um futuro para brilhar ainda.

― Sim, Jungshook. ― brincou, rindo logo em seguida. Mas o som, ao invés  de confortar o médico como sempre fazia, o incomodou. O estudante não estava tão entusiasmado como sempre, pois geralmente os risos de Jimin eram sinceros. Contudo em vez de questioná-lo sobre isso, suas sobrancelhas franziram e o modo automático foi ativado.

― "Jungshook"? ― repetiu o que o adolescente havia dito, sem entender muito bem o significado por trás disso. Mas seus lábios continham um pequeno sorriso mesmo assim ― O que você quer dizer com isso?

― É algo que eu e a Jieun inventamos. Quando você se concentra demais ou é deixado de lado em uma conversa, costuma se perder nos próprios pensamentos fazendo essa expressão engraçada, sabe? Rosto parado, olhos fixos em um ponto aleatório e sempre arregalados, parecendo meio em choque. Você sempre parece que está tendo uma visão nessas horas, daí o apelido Jungshook.

― Ai meu Deus, eu costumo fazer muito isso? ― corou, levando uma das mãos para frente do rosto.

― Pior que sim. ― Jimin caiu na gargalhada e tanto quanto Jeongguk estava feliz em animar o garoto, ele também queria cavar um buraco no solo e se enterrar nele.

― Que vergonha. Eu devo ficar ridículo!

― Claro que não. ― o estudante o garantiu, ainda sorrindo abertamente ― Você fica adorável. Eu tenho fotos, um dia te envio elas. Ou... Ou... ― repetiu, parecendo meio tímido de repente ― Jieun-ah também pode te enviar, ela deve ter um monte ainda.

― Ah...

Havia chegado a hora de confrontar Jimin. Por um momento ele se esqueceu de olhar para o estudante e culpá-lo pelo sofrimento de sua querida filha. Na verdade, ele nunca o havia feito, sempre dando um jeito de arranjar outros motivos, as vezes até culpando Jieun no processo. Mesmo que Jimin tivesse pedido um tempo no relacionamento, mesmo que ele quem tivesse contado uma mentira para romper o namoro.

― Jimin ah. Por que você terminou com a Jieun? ― perguntou suavemente, só agora notando como a brisa da noite estava fria, Jimin tremia um pouco, então o médico não conseguiu se conter ao retirar o próprio casaco e colocar por cima do uniforme fino do garoto. O local não estava totalmente escuro, graças aos postes que davam uma iluminação alaranjada em todo o parque.

― Eu já disse, hyung... ― murmurou baixinho e encarou o chão – coisa que fazia quando geralmente estava mentindo ― Nosso namoro tem atrapalhado meus estudos..

― Jiminie. ― trocou a forma como chamava o ex-genro, agora usando um dos apelidos mais íntimos que tinham, pois não vinha acompanhado de nenhum tratamento formal ― Você sabe que não precisa mentir ‘pra mim. É a pessoa mais inteligente que eu conheço e o namoro de vocês era tão bonito, se gostavam tanto. Eu não consigo imaginar o porquê do término, por mais que tente, vocês dois pareciam muito apaixonados até o mês passado.

― Hum... ― ouviu o murmúrio, suspirando logo em seguida.

― Você traiu a minha filha? Apaixonou-se por outra garota, é isso, Jimin? ― perguntou com a voz mansa, mas queria tanto receber uma negativa. Tanto, tanto. Não sabia se conseguiria encarar o garoto novamente, caso ele tivesse traído sua filha. Já seria difícil não sendo seu sogro, por isso Jeongguk estava tentando reatar os dois.

― Eu não traí Jieun. ― não deixou de notar a voz sôfrega dele, percebendo como se encontrava respirando mais ruidosamente, quase como se estivesse tomando fôlego para fazer alguma coisa.

Uma brisa fria passou por ambos.

― Jeongguk. Eu gosto de você. ― o maior nem se incomodou pela forma informal a qual foi chamado, apenas sorriu para o menino, não ligando para o carinho súbito.

― Eu também gosto de vo--

Não! ― quase gritou, assustando o médico que arregalou os olhos ― Eu gosto de você...

― ... Eu também?

Nesse momento, se Jeongguk já estava assustado, quase enfartou ao ver o mais baixo enfim levantando a cabeça, algumas lágrimas lavavam o rosto do menino e ele tinha uma expressão magoada.

― Eu gosto de você. ― repetiu, deixando Jeongguk em silêncio para ouvi-lo ― Como um homem gosta de uma mulher. Eu realmente gosto de você, Jeongguk.

Cinco segundos. Por cinco segundos Jeon Jeongguk ficou tão em choque que sabia que Jimin poderia ouvir as engrenagens de seu cérebro funcionando em um segundo, e no outro pifando. Todo o processo de sinapse foi interrompido em seu corpo, enquanto o médico se preparava para rir da piada de seu ex-genro e dizer que também gostava de Jimin como um homem gostava de uma mulher, afinal um amigo gosta de sua amiga, não é? Um sogro gosta de sua nora. Eram vários exemplos cabíveis.

― Aish, você não vai entender mesmo, não é? Tudo bem, eu posso te mostrar. ― embora tivesse rido, não havia nenhuma sombra de humor nos olhos felinos. Não antes de Jimin passar as mãos pelo rosto, afastando as lágrimas para longe, mas não conseguindo dar um basta nas próximas que desciam. Seus olhos brilharam um pouco após isso e antes que Jeongguk pudesse comentar que Orion parecia ter mudado de galáxia e ido parar naquela que ficava dentro dos olhos do adolescente, Jimin já havia lhe beijado em praça pública. Na boca.

 

Jungshook.


Notas Finais


Link do SUV do Jungkook: https://www.noticiasautomotivas.com.br/images/img/f/novo-tracker-2017-branco-salao-1.jpg

Koé clã, eu já estou no quinto capítulo dessa fic. E vamo indo.
Vou atualizar essa fic daqui duas semanas. Se eu acabar essa história antes, eu passo a atualizar de três em três dias, beleza?

Divirtam-se, minha amiga tá aqui em casa, então eu vou sumir. Além do mais acabei de me mudar, a internet tá oscilando pra caramba, então eu ainda vou responder entregas de capa, banner, quem falou comigo, enfim.

Me digam o que acharam, teorias e essas coisas <3

Beijão, amo vocês ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...