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História O golpe do destino - Capítulo 2


Escrita por: alltofavs

Capítulo 2 - Juventude


– Anda seu bobo, me diz o que aconteceu?

– Nada, Charlô só me deixa quieto

– Você é teimoso mesmo, Bimbo. E por que cê tá escondendo o rosto?

Quando conseguiu que ele olhasse para ela se assustou com o machucado na boca que estava sangrando

– Satisfeita? Agora me deixa sua metida

– O que aconteceu? Me deixa cuidar disso, vai infeccionar

– Tudo bem, mas seja rápida.

Charlô sabia onde ficava o malote de farmácia, pegou tudo que precisava para cuidar do primo brigão.

– Vê se não reclama

– Eu sou muito homem, não tenho medo disso. Ai ai, tá ardendo

– Cadê o homem aqui? Claro que vai arder, tá sangrando, mas me fala, por que você voltou da escola assim?

– Aquele Roberto te desrespeitou na minha frente, não vale a pena eu ficar repetindo as palavras dele. Ai saímos no braço, é claro que ele apanhou muito mais

Charlô tinha ficado surpresa e ao mesmo tempo alegre. Não imaginou que Otávio com quem ela vivia às turras pudesse a defender assim. Ela estava tão concentrada nos cuidados que nem percebeu o olhar do primo, Otávio tinha que concordar com o Roberto, a sua prima estava ficando cada vez mais bonita. Na verdade ele achou que ela fosse ser criança pra sempre.

– Então você hoje foi o meu herói?

– Bobagem

Foi preciso colocar alguma distância para tirar aquela névoa dos seus pensamentos

– Eu nem acabei

– Tenho certeza que você fez... um bom trabalho

– Espera

– O que? Eu preciso ir

– Tá faltando meu agradecimento, Bimbo

– Cum... – nisso ela deu um beijinho perto do canto da boca, onde estava sangrando – buca

– Para sarar mais rápido e obrigada.

Ela se foi o deixando ali desnorteado.

Charlô se trancou no quarto com o coração a mil, se olhou na penteadeira e estava ruborizada. Ela foi até o diário e passou a escrever a cena, ali estava seus maiores sonhos, o de viajar o mundo, conhecer gente, participar de comícios políticos, ser uma mulher libertária e além de tudo isso, o secreto sentimento que tinha pelo primo. Sim, ele a tirava do sério a maior parte do tempo, era chato, ranzinza, infernizava sua vida, quantas vezes rolavam pelo chão em brigas infinitas, puxões de cabelo e infinitas discussões. Sorriu. Mas de uns tempos para cá pensava em como de boca fechada, Otávio podia ser bonito com aqueles olhos bicolor. Lembrou-se da conversa entre as amigas, todas já tinham beijado, menos ela e se perguntou como seria o beijo do primo.

Otávio estava imóvel no quarto, o cheiro de Charlô ainda estava ali. Ele odiava se sentir ansioso dessa forma, não entendia o motivo das coisas entre eles terem mudado ou sempre tivera sido assim e só hoje ele se deu conta? Havia uma porção de mulheres por ai, deus não daria esse castigo de se interessar justo por sua prima a quem ele odiava e... podia vir a amar. Precisava urgentemente aceitar o convite do Tio Enrico sobre ir em um lugar que só tinha mulheres mais velhas.

Charlô sentiu o afastamento do Otávio, por dentro estava triste, mas por fora não o deixaria perceber isso. Talvez ele não gostasse dela da mesma maneira ou pior, achou sua ousadia ruim. Não pararia sua vida por isso e tinha certeza que superaria tudo, dentro desses quase 2 anos continuou vivendo através de amigos, amores platônicos, cartas, livros e alimentava também seu sonho de viajar o mundo.

*

– Charlote o que acha de fazermos uma festa junina?

– É sério, Tio Enrico? O senhor sabe que eu amo festas

Enrico adorava a vivacidade da sua sobrinha

– Então isso é um sim?

– É um claro, eu posso organizar tudo

– Claro, faça como quiser e lembre-se também que o Tavinho chega daqui a dois dias.

– Pode deixar, titio.

Otávio tinha decidido servir ao exército por um tempo antes de entrar na faculdade de Administração, por isso fazia alguns anos que não via a família. Tio Enrico disse que quando ele criasse bigodes poderia fumar charutos com ele, mal podia esperar por esse momento e mais ainda por ver sua prima Cumbuca, nunca pensou que sentiria tanto a falta dela, da última vez em que se viram, mal se cumprimentaram. Ele tinha imposto uma barreira entre os dois, mas hoje sabia que não tinha adiantado nada.

– O Otávio sempre olha pra essa foto e fica com essa cara de bocó

– Quem é essa menininha? Sua irmã?

– Não é da conta de nenhum de vocês. Assunto meu.



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