História O grande arrogante - Capítulo 1


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Categorias A Fantástica Fábrica de Chocolate
Tags Charlie, Chocolate, Wonka, Yaoi
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Palavras 3.578
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello!
Devo dizer que esta oneshot me surgiu meio que do nada, mas foi bem legal de escrever.

Por mais que ele tenha me dado ideias de como estender seu conteúdo, preferi manter como algo curto só pra apreciar mesmo, uma leitura rápida de banheiro :)

Espero que goste :)

Capítulo 1 - O grande arrogante - capítulo único


Charlie Bucket nunca iria assumir, por mais que Willy Wonka o olhasse daquele jeito afiado, com um sorrisinho que poderia enlouquecer qualquer um com sua arrogância; que Wonka tinha razão. O Bucket nunca assumiria que Willy era sua melhor aquisição e nem mesmo que a padaria, que seu avô Joe tinha lhe dado de herança, só se ergueria com aquele gênio ao seu lado. A verdade é que ele não podia assumir isto ou estaria dando toda a vitória para Willy e não podia ser tão fraco perante aquele confeiteiro - que só permitia ser chamado de chocolateiro mesmo que não trabalhasse só com chocolates. 

E o Bucket sabia que só assumir a derrota não era o bastante para Willy Wonka. Não mesmo, pensou enquanto seus dedos corriam pela mancha que estava em seu pescoço e que fora gerada pelo petulante Wonka. Mais do que petulante, Willy era arrogante e egoísta e… “um gênio”, choramingou o dono da padaria Bucket. Tinha colocado ordem na casa, reordenado a equipe e até mesmo contratado a melhor contadora que já tinha visto em vida. Além disso, nada, absolutamente nada, era impossível para aquele cara. 

- Me faça ovos de chocolate chocarem passarinhos, Willy, e talvez eu assuma a minha derrota. - Charlie havia dito. 

Talvez, se não estivesse tão cansado ou não estivesse sob os efeitos de uma ou duas taças de vinho suave, ele não tivesse caído naquela armadilha, mas havia caído. Willy Wonka não ficava bêbado nunca, pelo visto; muito diferente de Charlie, que era bem fraco para o álcool, mas ao mesmo tempo não negava uma taça de vinho - vício que herdou da mãe, que havia herdado da mãe dela e assim sucessivamente.  

- Vamos, estrelinha - O chocolateiro sussurrou, colocando um pouco mais de ironia ao usar o apelido que Charlie odiava amar. Seu maldito sorriso tão perto, que Charlie tinha que abaixar os olhos para vê-lo melhor e assim não conseguia esconder o desejo que tinha de beijá-lo.

Céus! Como o Bucket queria ver mais daquele sorriso! Seu corpo todo se arrepiava só de lembrar como aquela boca era capaz de atacar alguém e até mesmo seu pescoço parecia forçar-se a ir para frente em busca de mais beijos e mordidas. 

- Hn. - O dono da loja gemeu. Não podia abrir a boca. 

- Não seja um mau perdedor. - Wonka avançou um pouco mais, seus olhos violetas brilhando. 

Quem, em todo o mundo, tinha olhos violetas? Charlie pensou desesperado. Ele não tinha como fugir de Willy. Estava prensado entre o balcão e o corpo do chocolateiro, os braços dele segurando o mármore para não deixar as laterais livres ao Bucket. Não, Willy Wonka nunca fugia de um desafio e parecia ter um prazer a mais por tudo o que Charlie falava. 

- Tudo bem, meu caro, eu posso ter esta resposta por meus próprios meios. 

Enfim, Willy Wonka atacou. Ele sempre atacava. Seguia em direção ao mais novo como um felino e então encurralava-o para em seguida o atacar. Ah, como era bom ser atacado por Willy! 

Não dava para saber ao certo o motivo. Talvez fosse como Wonka parecia sempre estar faminto pelo outro ou como beijava habilmente. Charlie podia jurar que não era pela forma como sua virilha se encaixava a dele e nem pelo baixíssimo gemido que o chocolateiro dava, nem era pela mão ousada que sempre o tocava na cintura, por baixo da camisa de botões que, subitamente, aparecia aberta ou para fora das calças. Nem iria dizer que era por se sentir especial só por poder sentir a pele das mãos de Willy, que viviam enluvadas. 

Não! Provavelmente era por toda a proibição que havia entre eles. 

Um era chefe do outro - mesmo que ninguém entendesse quem era quem nesta hierarquia -, os dois eram homens, os dois só ficavam naquele jogo erótico na cozinha da padaria, o que poderia fechar o prédio e, principalmente, porque nunca passavam de beijos e carícias leves. 

Tudo bem. Charlie já havia perdido as contas de quantas vezes tinha se aliviado ao pensar no empregado, nem poderia explicar sua frustração todas as vezes que Willy simplesmente ria, interrompendo o momento, e então partia deixando apenas um:

- Boa noite, estrelinha. Durma bem.

Charlie piraria. Sabia disto. Pelo menos teria dinheiro para arcar com seu tratamento, pensava animado quando se pegava pensando abobalhadamente em Wonka ou quando acordava de madrugada pensando em como precisava, urgentemente, ter o chocolateiro para si. Só uma noite. Uma mísera noite. Precisava, pelo menos uma vez na vida, ir até o fim. Saber como era Willy Wonka em seu deleite máximo. 

Por todo doce do mundo, tinha que ser naquele dia! Pensou desesperado, a boca de Willy colada a sua, a língua dele roubando a resposta que ele queria. Então, como Wonka sempre fazia, ele sorriu, a língua recuando como uma serpente, os dentes - caramba, como eram alinhados! - se mostrando enquanto ele se afastava com aquela vitória imaculada que tinha, segundos antes de seus olhos se abrirem para ver o estrago que tinha feito no mais novo. 

Um riso anasalado saiu de Willy Wonka e então ele abriu a boca. Havia um pássaro de chocolate em sua língua. O mesmo pássaro que estava na boca do herdeiro, o mesmo pássaro que fora encomendado e, como os dois sabiam, tinha nascido de um ovinho que Willy criara. 

- Ah, Charlie! - Wonka tinha dito mais cedo, quando a cozinha já estava vazia, o herdeiro na porta apenas para dar adeus e pedir que o mais velho fechasse bem a padaria. - Venha aqui, fiz algo que você vai gostar. 

Charlie deveria ter recuado e sabia bem disto, mas não conseguia. Não quando era Willy lhe pedindo algo. 

- O que foi?

- Aqui. - Disse o chocolateiro, estendendo um ovinho de chocolate para o dono da padaria e colocando-o em sua boca. - Não morda! - Pediu com urgência. 

Charlie correu a língua pelo ovinho, sentindo o chocolate derretendo de forma prazerosa, ganhando um toque de menta a cada derreter. Entretido, Charlie só percebeu que estava encrencado quando se viu pressionado contra a bancada, a mão nua de Willy em sua bochecha. 

Ninguém tinha contado com a pele de Willy, pois o máximo que o chocolateiro permitia, era que se visse o rosto pálido, normalmente concentrado demais para se importar com quem o via, mas sempre atento o bastante para ameaçar demitir - ou demitir de uma vez - o pobre coitado que se hipnotizava pelo jeito dele trabalhar.

Willy Wonka era sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Já tinha virado a noite junto com o herdeiro da loja, ambos em um desafio silencioso de quem duraria mais tempo. Ambos ficaram, mas Charlie se rendeu ao sono em algum momento, dando ao mau humor de Willy, a diversão de espalhar fotos do Bucket dormindo.

Ainda tinha dias que ele encontrava uma ou outra escondida pela loja.

- E então? - Willy questionou daquele jeito arrogante.

Charlie sabia que tinha pedido. Ele sempre, de algum jeito, perdia. Só não era possível saber se ele realmente detestava perder, uma vez que Willy Wonka arrancaria a confissão de sua derrota do mesmo jeito animalesco com que retirava a luva usando os dentes.

Então viria a carícia no rosto, o beijo roubado, o segundo beijo, aquele que sempre deixavam as pernas de Charlie bambas e por fim, como um carrasco aplicando a sentença de morte, ele sorria, se afastava, recolocava a luva e voltava ao trabalho, esperando o momento em que Charlie iria embora para que pudesse ir embora também. 

Willy não adoecia, não faltava, não atrasava. Parecia até que morava na lojinha ou que era parte de sua decoração e na verdade Charlie era apenas um funcionário qualquer do lugar. Wonka sabia tudo da loja, quanto cada doce precisava ser vendido para gerar lucro, quanto ele precisava investir para lançar algo novo, quanto tempo duraria a nova faca que havia comprado. Cada pequena coisinha, cada vírgula daquela padaria, estava correndo em Willy - ou assim ele fazia parecer. 

- Talvez - o Bucket gaguejou, tentando conter a derrota na garganta, - talvez desta vez você tenha conseguido fazer um ovo chocar.

- Ah, meu caro Bucket, não estou pedindo para que você falar sobre o que eu sei que consegui fazer.

- Oh, então? - Arriscou. 

- Diga, Bucket, que é um perdedor. - Willy sussurrou, a língua correndo pelos lábios para mantê-los úmidos. 

- Nem nos seus so…- nhos, o herdeiro da lojinha iria dizer, mas parou brutalmente quando Wonka o puxou pelo cós da calça. 

- Sabe o que mais desprezo neste mundo, Bucket?- Cusspiu o nome de Charlie, o desgosto em cada sílaba vazava da boca dele e batia na bochecha de Charlie. - A porra de um homem sem palavras.

Charlie Bucket estava com a boca ressecada, assim como sua mente havia entrado em alerta contra o perigo que Willy havia se tornado de uma hora para a outra.  Normalmente, quando o chocolateiro se irritava, nascia uma tensão sexual entre os dois que seria saciada depois joguinhos bestas onde, no máximo, virariam beijos e mordidas roubadas. Mas, naquele momento, não. De algum jeito macabro, Charlie sabia… Sabia que… 

- Eu não trabalho com pessoas como você. Babaca. -  Nos olhos púrpuras, Charlie viu que havia perdido. Não que havia perdido aquela brincadeira de gato e rato que tinha se metido no fatídico dia em que Willy surgiu pela portinhola da loja, a sineta tocando enquanto ele entrava animado, a bengala em uma mão, a cartola em outra, óculos escuros protegendo metade da cara branca. 

- Senhor Joe, eu voltei! - Ficou a cargo de Charlie explicar que, primeiro, o avô tinha morrido e, depois, que a lojinha estava quase falida e o melhor seria vender o prédio em que ela estava. Willy escutou a história como se estivesse escutando que o mundo iria explodir na hora seguinte e não havia mais tempo para fazer nada de bom, só que no final, ele disse - não seja tolo, estrelinha, vamos fazer o vovô Joe se orgulhar de ter comprado esta padaria e lhe dado.

Mas… raivoso, Willy reitou as luvas, jogando-as no lixo e colocando as luvas de inverno avermelhadas que ele sempre usava ao menor sinal de frio. Ele resmungava, ignorando que Charlie ainda estava travado no mesmo balcão, olhando para tudo desmoronando. 

- Onde está a droga da minha bengala? Ah, sim…

Faça algo, Bucket! Charlie pensou agoniado, as mãos agarrando a borda do balcão. Se Willy saísse daquela loja ele não ia voltar. Nunca mais. 

A luz do banheiro se apagou, Willy saía do lugar fechando a porta, a bengala na mão, a cartola na cachola. Ele iria embora, a lojinha faliria e Charlie jamais se perdoaria por ter perdido tudo devido ao seu medo de fazer algo. 

- Wonka! - chamou, fazendo com que o chocolateiro parasse o passo que dava para o fim daquela história, esperando pacientemente que o dono da loja se aproximasse a passos largos, os sapatos sociais batucando ruidosamente no piso de mármore que forrava a cozinha. - Eu confesso, - Charlie anunciou na metade do caminho, - você venceu. A padaria só sobrevive por você ser um gênio.

Estavam cara a cara. O orgulho do mais novo caído ao chão para que o peito ficasse nú e pudesse ser destruído pelo chocolateiro. No entanto, se isto fosse o bastante para fazer Willy ficar, então estava tudo bem, Charlie abdicaria até mesmo de sua liberdade por aquela lojinha.

- Acha mesmo que isto basta? - Wonka tinha um jeito de franzir os lábios, unindo-os em um bico asqueroso, que deixava claro o desgosto que ele sentia. 

- Não? - O excêntrico funcionário deixou a bengala escorada na parede e lançou um olhar que dizia ‘eu realmente me surpreendo com sua burrice, garoto’, o que fervilhou algo em Charlie. - Então que merda tenho que fazer para que você não se vá? O que você quer de mim?

Willy amenizou os traços do rosto antes de repetir:

- O que eu quero? - Os dedos enluvados agarraram a gola de Charlie, o puxando para dentro do banheiro como um cachorrinho era carregado à força para o banho. A luz acendeu poucos segundos antes de Charlie ser jogado contra o balcão do pequeno cômodo. Suas mãos conseguindo parar o corpo antes que a barriga batesse contra a pia alta. 

- Hey! - Tentou protestar, mas foi calado com um puxão de cabelo que lhe forçou a olhar para o grande espelho que o refletia. 

- Agora você entende o que eu quero? -  Willy rosnou ao pé de seu ouvido, os olhos fixados aos seus, se olhando pelo reflexo límpido. - Porque, porra Bucket, você é o cara mais burro que eu conheço!

Apesar de Charlie não conseguir compreender como WIlly Wonka poderia, realmente, querer algo com ele, Willy não conseguia entender o motivo de Charlie não conseguir ver isto com tamanha clareza. Oras, ele não fazia de tudo pelo garoto? Não estava sempre fazendo o impossível possível, tornando suas fantasias culinárias, suas brincadeiras, reais? 

- Caramba, eu fiz você chocar um ovo com a boca!

Sendo que tudo o que conseguia pensar era que queria mais do que só beijar o herdeiro da lojinha onde tinha começado sua carreira. Afinal, havia voltado depois de anos estudando, pois sentia que precisava agradecer ao homem que tinha lhe dado oportunidade de começar. Vovô Joe tinha lhe aberto as portas mesmo tendo um cozinheiro fantástico naquela época.

E, não bastando abrir as portas de sua loja,  tinha lhe dado o direito de criar algo novo, desde que não perdesse material - ah, como Willy havia perdido material! Mas, quando alguém da cozinha ia reclamar, Joe o olhava com carinho e dizia:

- Tudo bem, ele é um bom garoto. Vou tirar dos meus lucros.

Quando Willy perguntou o motivo dele fazer aquilo, de dar tanta chance para alguém que era claramente um fracassado, a resposta era:

- Você me lembra Charlie, meu neto querido. Uma criança linda e criativa. A idade de vocês é bem parecida, espero poder te apresentar um dia.

Willy passou dias escutando histórias de Charlie Bucket, sobre como ele tinha queimado o bolo, como tinha colocado fermento demais no pão, como foi o responsável pelos bolinhos de canela e amendoim que venderam no outono passado e fora um sucesso. Willy realmente queria conhecer aquele menino, mas não foi possível. 

De manhã, ele ia para a escola. A tarde, ajudava na lojinha e antes do jantar, tinha que fazer a lição de casa, mostrar para o vovô Joe e então poderia ir para casa, onde o pai nem teria notado a ausência do filho, pois estudava suas eternas especializações em odontologia, resmungando como doces deveriam ser proibidos para crianças do mesmo jeito que cigarro e álcool. 

Nas férias, Willy podia criar. Joe ficava com ele por uma ou duas horas além do expediente, normalmente dormindo em uma cadeira na sala de administração - ele nunca concordava que fora pego dormindo, mesmo quando a cara estava amassada e a baba escorria pela lateral da boca. 

E isto lembrava Charlie, Willy começava a perceber. 

Neto e avô eram parecidos e era uma pena que Willy nunca os veria juntos, mas ficava feliz de finalmente ter conhecido o neto daquele senhor que havia sido o patrocinador de seu desenvolvimento. E, bom, Charlie era mais doce do que alguém poderia explicar e muito mais criativo e desastrado, quando se falava de cozinha, do que Wonka, um dia, poderia expressar. 

Mas era perfeito. 

De um jeito único, que mesmo ocupado, largava tudo para ajudar quem pedia ajuda. Se a receita desse errado, mas ainda desse para comer, então ele doava. Se o pão não fosse todo vendido, ele doava. Se tinham o dobro do lucro… bom, ele fazia um café da manhã comunitário na outra semana. 

Ele estava sempre pensando nos outros, mas se alguém tocasse em seu orgulho… Já era demais, Wonka sabia disto e já tinha visto o garoto virar fera diversas vezes por conta disto. 

Contudo, Willy não aguentava mais só brincar de gato e rato com o herdeiro, pois começava a sentir uma necessidade enorme de tê-lo. 

Santo cacau! Não tinha uma noite que ele não sonhava com aquele cara e agora, mesmo no meio do trabalho, seu corpo começava a imaginar que seria ótimo estar amassando o corpo do Bucket, no lugar da massa de pão ou que poderia olhando cuidadosamente para a boca dele, no lugar de ver o ponto do caramelo. 

Era enlouquecedor trabalhar e ter a mente comparando que aquilo poderia ser com Charlie e não com algum alimento! Então, toda noite, antes de ir para casa, Charlie fazia questão de dar adeus e também toda manhã ele fazia questão de dar oi. Willy começava a sentir o braço reclamando de tanto trabalho que estava tendo e não era só em relação a amassar pão ou bater bolo na mão!

Que tudo fosse ao inferno! Era impossível saber o que Charlie pensava de todas as suas investidas e de tão cansado, Willy havia decido partir. Não era mais jovem para ficar gastando energia com joguinhos de flertes que só o deixariam excitado!

 - Sua ofensa me agrada muito, Wonka, mas poderia soltar meu cabelo?

Willy soltou um riso amargo e rápido. 

- Bucket, tudo o que eu menos quero fazer neste momento é te soltar.

O coração de Charlie deu um salto, finalmente captando uma pequena ponta de esperança naquela situação. 

- Então não solta. - Sussurrou, os olhos azuis presos nos roxos. 

- Não ouse brincar com isto, Bucket.

Ah, não, não era brincadeira. De algum jeito, quando os dois se viram pela primeira vez, unidos por um velhinho que já havia partido, um senhorzinho que contava as histórias do neto para o um garoto que trabalha na sua loja e que também contava as criações de seu funcionário favorito ao neto, algo nasceu. Quando a lojinha estava abrindo, quando Willy anunciou seu retorno, os dois corações bateram ansiosos. 

Ah! Ambos pensaram assustados, sem saber que há menos de um metro a frente, o outro sentia o mesmo coração disparado.

Charlie sempre se perguntou o que passava na cabeça de Willy enquanto se beijavam e Willy sempre pensava quem vinha à mente de Charlie Bucket quando era prensado contra um dos balcões ou paredes daquela loja. 

Será que por uma fração de segundo, ele dominava a mente do outro?

O Bucket girou no eixo e pela primeira vez ele beijou Willy Wonka. Pela primeira vez ele tinha tomado aquela atitude, a iniciativa, entregando-se ao chocolateiro arrogante que não aceitava ordens de ninguém na cozinha. 

- Hn - Willy gemeu, tentava desesperadamente arrumar um pouco de energia para que pudesse dominar aquela situação. 

- Acredita em mim agora?

- Talvez, -  sussurrou ainda de olhos fechados, ainda sentindo o mais novo por perto. 

- O que falta para virar um sim?

Wonka sorriu de forma divertida, os olhos abrindo afiados, brilhando como se fossem contar um segredo. Colado ao corpo de Charlie, ele tinha plena noção de que o mais novo sentia seu desejo inflando.

- Ah, minha estrelinha, eu não aceito pouca coisa.

- Imaginei - Charlie mordeu o lábio inferior. 

- Vai arriscar?

- Arriscar?

- Ser meu, Bucket.

O corpo de Charlie arrepiou e sua virilha latejou de desejo. 

- Se vou ser seu, então me chame de Charlie.

As luvas de Willy Wonka foram jogadas contra a parede, os dedos ansiando por tocar ainda mais em Charlie, na única pessoa, em todo o mundo, que parecia apta para tocar a pele mais importante de todo o corpo de Willy. 

O herdeiro foi erguido, a boca devorando a do homem que surgiu em um dia de fevereiro qualquer, mas que não deveria partir jamais. Suas nádegas tocaram o balcão da pia, o frio da cerâmica se espalhando por todo o corpo, mas não aplacando a chama ardente que lhe queimava o âmago. Willy tinha um jeito único de beijar, de dominar, de ser voraz, mas calmo, como quem prova um vinho e tenta achar todas as notas da bebida requintada e caríssima.

- Charlie… - Wonka gemeu em alerta. Os dedos do dono da padaria estavam no cós da calça do chocolateiro e, se continuassem, não haveria mais volta. Isto tudo o chocolateiro avisou com apenas um gemido, suave, baixo, mas intenso. 

- Willy… 

Os dois voltaram a se beijar. As roupas foram extraídas com fúria, botões voaram, peles se marcaram com arranhões e mordidas que ecoavam em blasfêmias e rugidos. Pescoço, mamilos e coxas eram provocados, levados ao limite, postergando o desejo. Os nomes foram ditos, os cabelos agarrados, o espelho sussurrando a beleza do que acontecia. 

Lilás e azul se encontraram quando os olhos tentaram anunciar que o limite havia chegado e, perante o gozo animalesco, o cupido suspirou aliviado com o amor que estava plantado naqueles dois companheiros. 

O casal sorriu um para o outro. Apaixonados. Amando. Felizes pela reciprocidade, por saber que havia mais alguém o amando, por saber que ao terem perdido uma das pessoas mais importantes de suas vidas, outra entrou. 

E que nesta nova vida, há um cantinho especial para viver. Orgulhosos, arrogantes, mas perfeitos um para o outro. Deixando o dia dia tão doce quanto a vida que levariam pela frente.

 


Notas Finais


Finite.


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