História O Grito Do Silêncio - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Tags Amor, Justiça, Misterios, Segredos, Traição, Vingança
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Palavras 9.776
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu amei esse capítulo e vocês?

Capítulo 11 - O Reencontro


Fanfic / Fanfiction O Grito Do Silêncio - Capítulo 11 - O Reencontro

Não sei o por quê, mas acordei com uma enorme disposição.
Era de se estranhar, eu sei.
Tomei meu banho e desci para tomar café.
Minha mãe estava na cozinha,quando me viu,abriu um grande sorriso.O clima estava melhor entre nós.

-Oi meu amor! Preparei seu café da manhã. Como acordou hoje?-Perguntou ela.

-Eu dormi bem,obrigada. Acho que estou um pouco atrasada para a escola.Não estou?- disse eu bebendo o suco em um gole só.
Ela olhou o relógio.

-Está um pouquinho, mas nada muito preocupante. -Disse ela.Comi e bebi tão depressa que acabei derramando suco na blusa.

-Droga. Vou me trocar e já volto. -Falei.E continuei resmungando quando cheguei ao quadro.

Coloquei a primeira coisa que vi.Uma blusa social branca, uma calça jeans e um tênis.
Estava estranho. Clary diria " horroroso". Mas eu tinha pressa.

Desci novamente as escadas e me despedi da minha mãe.

Após 20 minutos de caminhada, eu já estava cansada ao chegar no estacionamento da escola.

-Que roupa é essa?-Perguntou ela enquanto se aproximava. -Acordou atrasada?

Comparei os nosso visuais.
Ela estava perfeitamente arrumada, como uma Barbie.
Bem diferente de mim.

-Nem tanto. -Respondi.-Acabei derramando suco na blusa e troquei pela primeira coisa que vi pela frente.

-OK.Já entendi. Nem vou julgar. Mas poderia ser algo mais feminino. -Disse-me ela.- Adivinhe só quem me ligou ontem à noite? Adivinhe mesmo.

Nem precisei pensar muito.

-O único que poderia ter ligado ontem à noite para você é Perseu.Estou certa?

Ela começou a bater palminhas e sorriu.

-Isso mesmo.Só podia ser ele.Quem mais seria? Ficamos umas duas horas ao telefone. Falamos sobre todos os assuntos possíveis. Até sobre as estrelas. E sabe do que mais? Ele disse que os meus olhos são como as estrelas de tão brilhantes. -Ela soltou um suspiro que me pareceu apaixonado.

Abri um sorriso que com certeza estava dizendo" se juntem logo,droga".

-Vocês se merecem.Já reparou no jeito que seus olhos brilham ao falar dele?-Perguntei à ela.
Tenho certeza de que ela não sabia.

-Sério mesmo?-Perguntou ela de um jeito inocente. - O que você acha de nos encontrarmos? Você,Joseph  Simon também assim que ele aparecer. E eu e Perseu. -Ela se jogou nos armários,como se pronunciar o nome de Perseu a deixasse tonta.

-Claro.Vai ser ótimo.  -Respondi rindo.

No final de todas as aulas,eu já estava no estacionamento para ir embora quando meu celular vibrou no bolso.
A mensagem era de Joseph.

Joseph: Encontramos Simon. Ele está perto de La Push.Siga em direção oeste e continue a pé até uma cabana.Ele precisa falar com você urgente.Fique atenta ao telefone. Tome cuidado.

Mal havia acabado de ler a mensagem e passei a força para as minhas pernas para que eu conseguisse andar rápido.
Meus pensamentos estavam confusos demais para distinguir cada um deles.
Eu sentia uma estranha mistura de adrenalina e insegurança.
Eu Queria ver Simon o mais rápido possível. Eu precisava dele.
Simon era uma fonte de força e esperança. E também porque eu o amava.
Talvez menos do que ele merecia,mas amava.
E eu sentia insegurnaca pois os sentimentos dele complicaram muito nossa amizade a oito meses atrás.
Não só os dele,mas os meus também. Infelizmente.

Cerca de 35 minutos de caminhada até La Push,segui em direção oeste.
Encontrei uma trilha entre as árvores e segui a pé.
Andei por muitas árvores e arbustos.
O caminho parecia que não ia terminar nunca.
Devo ter caminhado uns oitenta metros.
Porém,finalmente,avistei uma casinha de madeira da cor azul escura.
A moto de Simon estava estacionada bem a frente.

Subi as escadas de madeira gasta que levavam até uma porta.
Respirei e inspirei e a abri.
O chão estava cheio de latas de cerveja,licor,vinho e até vodca.
Supûs que eram de Simon.
Mas preferi não pensar que eram dele.

Olhei em direção Leste e avistei Simon.
Ele estava sentado de costas para a porta de entrada,olhando a janela.
Ele não  me notou até eu pisar em um caco de vidro e fazer um barulho estridente.

Simon se virou lentamente e me fitou por alguns segundos.
Simon estava com barba,olheiras debaido dos olhos e uma expressão exausta.Ele parecia ter envelhecido. Mas ainda pude enxergar ali,aquele menino da minha infância.

Antes que eu pudesse me mexer,ele já estava me abraçando
Apertei ainda mais ele,sentindo uma ligação entre nós.
Pude sentir que ele estava chorando, enquanto apertava o meu corpo.A essa altura eu também estava.
Eu queria agora abraçá-lo até toda essa saudade sumir e se tornar apenas uma lembrança.
Foi tempo demais sem ele,mas finalmente encontrei a penúltima peça do meu quebra cabeça.
Quase pude sentir me sentir feliz.
Mas o quase já era alguma coisa.

-Nunca mais faça isso comigo. Ouviu bem?Nunca mais...-Sussurrou Simon.Percebi que a voz dele havia mudado. Agora era mais grossa,forte e vibrante.
Não disse nada.Só senti o mundo girar bem devagar enquanto abraçava Simon.

Fiquei ali tempo o suficiente para recuperar as forças.

-Estou aqui agora.Você está aqui. Me diga como você está?-Segurei o rosto de Simon entre a palma das minhas mãos, como uma mãe preocupada.

-Estou bem agora.Agora sim,estou me sentindo o homem mais feliz do mundo.-Ele disse-me sorrindo. -Você me fez muita falta,Laura.

-Você também,Simon.

Dei outro abraço nele e ficamos mais um bom tempo abraçados.
Queria ficar ali para sempre.
Mas enxugamos as lágrimas e nos sentamos abraçados no sofá.
A casinha era pequena,mas era acolhedora.
Tinha uma sala que era formada pelo sofá, o aparelho de rádio e a televisão que estava desligada.
Bem atrás da sala ficava a cozinha com um balcão e uma mesinha pequena.
Bem à frente, havia o terraço.
Que iluminava o lugar.

Tentei a todo custo não olhar para as garrafas de bebidas no chão.

-Onde esteve? Todos têm procurado por você... estávamos muito preocupados. -Disse a Simon.
Eu estava acolhida no sofá, e Simon estava com os braços em volta do meu pescoço.

-Lá perto norte da Escócia. Eu acho.A verdade é que eu não estava indo para lugar nenhum. Só peguei a moto e saí sem rumo. Eu precisava ficar sozinho,se não iria explodir. Entende o que eu estou tentando lhe dizer?-Perguntou Simon.
Eu sabia bem o que ele passou.
Eu passava pelo mesmo todos os dias...

-Entendo. Claro que entendo. Mas...você está bem? De verdade? Apesar de tudo? -Perguntei olhando diretamente para ele.

-A alguns minutos atrás, eu estava péssimo. Agora eu posso dizer que estou bem.Apesar de tudo.-Respondeu Simon também  olhando para mim.

Ele estava acariciando meus braços, mas não tive coragem de afastá-lo apesar do toque íntimo. Só voltei a colocar minha cabeça.

-Laura...eu realmente...sinto tanto pelas coisas que aconteceram...Joseph me contou tudo e até agora eu não consigo acreditar em como tudo virou de cabeça para baixo em apenas uma noite! Passei esses meses todos pensando em como as coisas poderiam ter sido diferentes,sabe? E não consigo chegar ao ponto da coisa.

Suspirei e senti meu peito subir e descer, pela respiração lenta.

-Eu também, Simon. Também não consigo entender como tudo mudou de repente. Foi rápido demais. Nem tive tempo de dizer adeus.-Lembrei-me de como vi Simon pela última vez e rapidamente levantei a blusa de Simon até a barriga,mas não restara nada ali.
Somente os músculos bem definidos de Simon.

-Aquilo não foi nada.-Disse Simon sorrindo. -Quer dizer, doeu um pouco depois . -Ele refletiu um minuto e pegou uma faca de cozinha e a fincou na coxa dele.-Foi mais ou menos assim.

Meu estômago revirou.

-Ah,não! Por favor,não faça isso! Tire-a daí! Agora!-Falei um pouco nervosa.
Ele riu e tirou a faca da coxa naturalmente.
Voltei a olhar para ele
A expressão de riso se desfez.

-Nada se compara com a dor que senti ao perder você. Nada se compara e nada se comparará.

-Bom,eu estou aqui agora. Talvez...eu tenha algum propósito nessa vida.-Falei.

-É,acho que tem sim. -Simon disse me fitando. - Se tem uma coisa que eu aprendi na marra nesses meses, foi que a gente deve valorizar a pessoa que se ama como fosse o último dela nessa terra.Porque a gente nunca sabe quando vamos ver ela por uma última vez.E eu pretendo fazer valer essa reflexão a partir de hoje.

Peguei a mão dele e a apertei.

-Já está fazendo,Simon. De um jeito torto,nós estamos aqui não é?

-É.Isso já fez valer tudo o que eu passei.

-Mas agora...você deve se preocupar consigo mesmo.Sabe disso,não sabe?

Simon abaixou o olhar do meu.

-É,Kronos está atrás de mim.Eu já sei.O Alpha é mesmo um grande merda que não dá uma dentro e já contratou outro enviado dos infernos.

-Promete que vai tomar cuidado? É Sério, Simon. Você está sendo caçado por cães ferozes em busca do osso.Eu nem quero pensar no que Kronos faria com você, se o pegasse.

-Eu vou tomar conta de mim mesmo,pode se tranquilizar. -Simon apertou minha mão. -Vou ficar uns tempos escondido nessa cabana e vou bolar algo para despistar esse Kronos.

-Quem será ele?-Eu refleti. -Me dá arrepios só de pensar em ele fazendo a mesma coisa que fez com o meu pai com você.Ou qualquer outro Slavery.

-Não sabemos quem é, mas com certeza, é um Anjo Caído bem cruel. O que também não é nenhuma novidade.Eles são todos iguais àquele Dlyan. A propósito,ele morreu? Você viu como ele morreu?

-Acho que foi em um incêndio.-Falei me lembrando. -Miguel estava lutando contra ele quando aconteceu.

-Eu queria ter feito mais naquela noite. Queria ter feito mais por nós dois.Quem sabe as coisas teriam sido diferentes? Me culpei por isso todos os dias...-Disse Simon. Interrompi ele antes que continuasse a falar.

-Ninguém teve culpa do que aconteceu, Simon. -Falei para ele.Mas ele não voltou a me encarar.
Estava com o olhar paralisado na frente.
Como se estivesse preparando uma verdade para jogar em cima de mim.

-Você sabe que isso não é verdade. Existe um culpado. Além do Alpha.Além do Dlyan.Você sabe disso.-Falou Simon com firmeza.
Fiquei olhando para ele.
Mas só pela expressão dele,eu vi em quem  ele estava pensando.
Afastei-me um pouco dele,a fim de fazer ele notar que não deveríamos conversar sobre aquilo.

-Não,não. Não vamos ter aquela conversa. Não vim aqui para isso,Simon.-Disse com aspereza.
Ele olhou para mim,mas logo desviou o olhar.

-Tudo bem. Desculpa. Não quero falar sobre isso.Eu finalmente estou bem e não quero ficar mal de novo. -Disse ele-Dança comigo? Sempre quis fazer isso com você...

Dei uma risada de desconcentração.

-Dançar? Aqui? Como?-Perguntei.

Simon me levantou do sofá e colocou uma suave música no rápido.
The  Scientist,de Coldplay.

Me pegou pela cintura e começou a dar passarinhos leves comigo.
Pousei minha cabeça no ombro dele e fechei os olhos.
Simon Levis era o único que me trazia uma esperança tão grande que até eu mesma duvidava.
Com um simples ato, como esse.
Dançar. Ele fazia tudo parecer fácil demais.
Fazia o mundo parecer de mentira.
Era por isso que eu o amava.
Pelo simples de Simon ser apenas o Simon. 

-Acha que vamos terminar bem? -Murmurrei para ele.

-De certa forma,eu espero que sim.Desde que estejamos juntos. -Disse Simon.
Eu não disse nada,só continuei acompanhando o compasso da música. Junto com o movimento dos nossos corpos.

Simon se aproximou de mim e o seu rosto ficou perto de mim.
Ele olhava para mim como se estivesse implorando por algo de que precisava.
Ele se aproximou mais e eu não tive coragem de me mexer.
Simon pegou a minha mão e me puxou.
Ele me beijou de repente e eu não tive tempo o bastante para impedir.
A calmaria da música e do ambiente,me manteram quase estática.

Mas o meu celular vibrou novamente e isso me fez cair na real rápido.  Era outra mensagem de Joseph.

Joseph: Encontramos ele.Na Rua do Restaurante Enzos.

Meu coração pareceu sair pela boca ao ler aquilo.
"Ele" só poderia significar alguém...

-Sempre no caminho...-Falou Simon entre os dentes.

Não pensei em mais nada e saí pela porta. Simon saiu em seguida atrás de mim.

-Vai atrás dele agora? Depois de tudo o que aconteceu? Ele não te quis, lembra? Ele te magoou.Feriu você. Te fez chorar e sofrer. E você ainda tem a capacidade de sair daqui por ele?-Falou Simon atropelando as palavras.
Continuei andando pela trilha depressa.

-Ele não teve culpa de nada.- Disse eu,não querendo oferecer mais detalhes.

-Não teve culpa? Ele foi o verdadeiro causador disso tudo. Se ele não tivesse aparecido na sua vida para destruí-la,se ele não tivesse seduzido você, se ele simplesmente tivesse desaparecido da sua vida quando você exigiu que ele desaparecesse,nada disso estaria acontecendo. Quantas vezes vou ter que dizer que isso não vai acabar? Você vai acabar morrendo, Laura! Você esteve perto da morte, diversas vezes. Não foi uma vez.Foram várias! Quantas mais serão necessárias para que você se dê conta do que está fazendo?-Simon começou a elevar o tom da voz.
Apesar de parte do que ele disse ser verdade, não me virei.

-Já falei que ele não teve culpa. Ele só estava tentando me proteger daquilo que eu não sabia.-Disse eu calmamente.

Passei por uns arbustos e vi que estava me aproximando da estrada principal.

-Proteger? E como ele pretende fazer isso?Matando você? Porque é exatamente isso que vai acontecer se você não parar. Por favor,me ouça.Pela nossa amizade,pelo menos. -Implorou Simon.
Meu coração apertou, mas não parei.

Quando finalmente cheguei ao final da trilha,com muito esforço, me virei para encarar Simon.
Ele me fitava de olhos arregalados e uma expressão angustiante.

-Tchau,Simon.Eu preciso mesmo ir.-Eu disse à ele.

Ele não respondeu. Dei as costas,mas segundos depois, senti as mãos de Simon no meu braço.
Ele me puxou e antes de uma reação minha, ele me beijou outra vez.
Me afastei três segundos depois.Olhei para ele,não acreditando que ele fez isso de novo.

-Eu te amo.-Disse  Simon olhando no fundo dos meus olhos.Eu acreditava. Mas mesmo acreditando, andei para longe de Simon.

Olhei para trás depois de alguns metros e vi a figura de Simon diminuindo. Ele ainda estava parado no mesmo lugar que eu o deixara.
Aquilo me machucou dolorosamente.
Mas eu não podia me enganar nem enganar aos meus sentimentos desse jeito.
Eu amava Miguel.Mais do que eu queria amar e pretendi amar.
Como podia amar à Simon assim também?
 

Demorei meia hora para chegar a rua do Enzos,um dos populares restaurantes.
A rua estava totalmente deserta.
Os comércios e as lojas estavam fechadas.
Já havia escurecido e só havia iluminação por causa dos postes com lâmpadas luminárias.
Olhei ao redor e não vi nada além de escuridão.
Até que...uma sombra surgiu.
Me aproximei mais,com os olhos enchendo-se de águas.
Os passos foram diminuindo cada vez mais.
E então, o meu coração parou.

O rosto de Miguel estava bem diante de mim. O impacto foi como se eu estivesse encontrando ele pela primeira vez.
Veio aquele coração acelerado,aquele feio na barriga, aquele nervosismo, aquelas pernas bambas.
Tudo de novo.Todo o amor.
Todo o desejo.Toda a saudade sufocada. 

Ele continuara o mesmo.Vestia camisa xadrez, calça preta e uma jaqueta de couro preta.
Nossos olharam se cruzaram como uma estrela cadente cruzando o céu. E eu abri um sorriso trêmulo.
Era a hora.A Nossa era.

Corri desengonçadamente até ele e pulei em seu colo.
A força de colisão foi tão grande,que o meu peito doeu.
Mas não me importei.
Era ele ali.Em carne e osso.
Não era a minha imaginação. Era real.
Tão real que eu podia sentir o cheiro fantástico dele,sua pele,suas mãos nas minhas costas me segurando com firmeza e ainda pude sentir cada batida lenta do meu coração.
O mundo parou naquele exato momento.
Só existia nós ali.Só existia o presente.
Não pensei em absolutamente nada nem em ninguém.
Era só e o seu abraço mágico.

-O paraíso...-Sussurrou Miguel.Envolvi a cintura dele com as minhas pernas. Não queria soltá-lo nunca mais.Aquele,era o meu paraíso. E eu queria mergulhar de cabeça em Miguel pelo resto da minha vida. Apertei o pescoço dele com os braços e beijei sua nuca,inspirei o seu cheiro que me fazia flutuar. - Eu só posso estar no paraíso...

Ele continuou a sussurrar com uma voz suave e eu sorri de olhos fechados.
O calor dele se misturou ao meu e as batidas do meu coração foram ficando audíveis, como um ensaio de uma escola de samba.

-Estou aqui.É real. Pode olhar para mim.-Falei com a voz falhando.Me desprendi lentamente dele e ele me colocou devagar no chão, pondo as mãos no meu rosto.

-É você. Você está aqui.-Voltou a falar Miguel parecendo não acreditar no estava vendo.
Ele sorriu ao olhar para com os seus olhos negreiros.
Miguel me desmontou por dentro e por fora com esse sorriso único.

Voltei a sorrir.Mesmo tremendo, acariciei o rosto dele.Sorri mais ao me dar conta de que era real.

-Nunca estive tão feliz...eu...eu...estou me sentindo tão completa por te reencontrar.-Eu falei,mal raciocinando direito.
Não havia palavras para expressar o que eu estava sentindo. Deixei que o silêncio se encarregasse disso para mim.

-Eu amo você, Laura Vancuever. -Miguel disse,retomando uma expressão séria.
Ele puxou minhas costas e me roubou um beijo ousado.

Nesse momento,uma chuva forte começou a cair bem abaixo de nós.
Mas isso não nos impediu de nos beijarmos.
Só nos motivou mais ainda.
Beijei-o com contentamento,com saudade,com força e ousadia.
Tudo isso para mostrar à ele que o meu amor não havia mudado com o passar do tempo.
Meu amor não enfraqueceu mesmo depois de tantos meses, ele continuava firme e forte como no primeiro dia.

Miguel segurou minhas costas com força, enquanto me mantinha presa em seus braços tentadores. E pela forma maravilhosa que me beijava,dava para perceber que ele também me amava muito.
Ele chegava à mesma conclusão que eu,de que nos amávamos na mesma medida e intensidade.
Eu nunca duvidei disso,mas agora,depois desse tempo,percebi que não importava quanto tempo ficássemos separados.
Nós nos amaríamos.

Meus braços fecharam-se em volta do seu pescoço e minhas mãos prenderam-se em seus cabelos molhados pela chuva.
A água que caia nos lábios de Miguel,caia nos meus também.
Compartilhávamos agora da mesma saliva,matando a saudade das nossas línguas.
Aquele beijo, eu nunca me esqueceria.
Entre mil beijos, o dele seria iria se destacar.

Seu corpo, se encaixava de modo perfeito no meu.
A maneira com que suas mãos acariciavam minha pele molhada pela chuva, a maneira com que ele me beijava era de acabar com qualquer medo.

-Eu também te amo,Miguel.-Sussurrei para ele quando interrompemos o beijo por alguns segundos.
Ele me fitou e passou os dedos pela minha bochecha.

-Você é o meu tudo,Anjo. Você é a minha vida.O meu mundo. Eu te amo e nunca mais quero me afastar de você. Não quero ficar longe um só minuto da sua presença. Não sei como eu adquiri tanta força para suportar esses oito meses,mas dentro de mim,sua voz me encorajava a prosseguir.E foi só por causa disso que eu me mantive de pé todos os dias.Porque eu sabia que eu iria te encontrar logo. Foi graças à essa esperança que eu consegui te esperar.E eu esperaria o tempo que fosse.
Em toda a minha existência, eu cometi erros terríveis. Mas o erro do qual eu nunca irei  me arrepender,foi o de ter me rebelado contra os céus. Eu caí,e isso foi a coisa mais maravilhosa que já me aconteceu. E sabe por quê? Porque eu conheci a mulher da minha vida.A única que conseguiu me transformar em alguém melhor e diferente. A única que me fez perceber que eu nunca precisei de nada nem de ninguém.Só precisei e preciso de você. Só você, conseguiu despertar dentro de mim um sentimento tão bom e puro. E eu não abriria mão de você, por nada. Eu luto você,eu morro por você, eu me desfaço de tudo o que me engrandece nessa terra,por você. Você é a minha garota e eu percebi quando você já  não estava  mais aqui que eu nunca vou aprender a viver sem você. Nem mesmo mil e uma declarações serão capazes de exemplificar tudo o que eu sinto quando estou perto de você. Eu te amo,amor! E não me canso de dizer isso,nunca.

Um sorriso enorme se abriu em meu rosto.
Miguel também sorriu.
Tanto que até mostrou os dentes branquinhos e perfeitamente alinhados.
Ele me ergueu no ar e eu gritei de felicidade.
A chuva lavou os meus medos e regou a minha esperança de que éramos feitos um para o outro.
Dei outro beijo carinhoso em Miguel,sugando a água de seus lábios. Não queria largá-lo nunca mais.
Queria cavalgar em cima de seus lábios, sentindo a vibração única que ocorria entre nós.
Éramos sem explicação. O que fazíamos era sem explicação.

Ele me pousou lentamente no chão, enquanto ainda devolvia o meu beijo carinhoso.
Depois sussurrou em meu ouvido.

-Quero fazer algo.

-Pode fazer o que quiser hoje. Eu aceito tudo. -Eu disse agarrando a mão dele e fomos para algum lugar.
Não me importei qual.
Só queria estar com ele.
Escondido ou não.
Essa noite, proclamei que nada nem ninguém iria nos atrapalhar.
Eu seria dele essa noite e ele seria meu.
Nenhum pensamento iria me desviar de Miguel.
O amanhã era incerto.E eu sabia disso.
Mas enquanto eu estivesse com Miguel, tudo estava certo...

Miguel me levou à uma boate noturna.
Devo admitir que a ideia me surpreendeu.
Eu nunca havia ido à uma balada noturna.
Mas o lugar parecia amigável.
Havia várias luzes de diversas cores sobre o globo  e a pista de dança também era colorida.
Não larguei a mão de Miguel, um minuto sequer.
Ele me guiou até o centro da pista, onde várias pessoas dançavam loucamente ao som de uma música chamada Swim,de Chase Atlantic.

Entrelacei  meus dedos nos de Miguel e eu me juntei ao seu corpo.
Ele tocou a minha cintura e subiu com as mãos para as costas, sem parar de me encarar.

-Por que estão todos olhando para nós?-Perguntei observando os olhares tortos de homens e mulheres.

-Porque estamos ensopados.-Respondeu Miguel e eu olhei para as nossas roupas molhadas pela chuva.

-Devemos tirá-las,então?

- Teremos a oportunidade, mas em um lugar mais reservado.-Ele disse colando o seu peito no meu.
Envolvi seu pescoço com os braços e senti meus quadris mexerem discretamente ao som da música.

-Tenho certeza de que poderemos levar isso com...profissionalidade.-Eu disse encarando-o e sorrindo.
Miguel riu e moveu o corpo também,dançando.
Ele exalava sensualidade masculina.

-Podemos,mas eu não quero.E você?

-Não quero.-Eu respondi enfim.

-Então,anjo, dance comigo até a noite acabar. -Sua voz sexy me fez fechar os olhos.
Era um convite que eu não negaria nunca.

Meus ombros se moveram para o lado,com a música pulsante e mais ou menos,sensual.
Era o clima perfeito para nós dois juntos.
Minha cabeça moveu-se se um lado para o outro de olhos fechados, sentindo a música se infiltrar nas minhas veias e o meu organismo começar a produzir hormônios.
Meus quadris também moveram-se enquanto as mãos de Miguel o seguraram com força.
A pele dos braços dele estava colada na minha, seu peito musculoso e sexy pressionado contra o meu, sob uma fina camada de roupas molhadas.

Apesar da agitação à nossa volta, eu sentia o mundo girar devagar.Bem devagar...

Miguel e eu estávamos tão perto um do outro quanto nossas roupas molhadas.
O queixo dele se apoiou no meu ombro e ele subiu com a cabeça para o meu pescoço.
Ali,seus lábios tocaram.
Suspirei e toquei com as mãos seus ombros.

-É um truque de mágica? Essa coisa de me hipnotizar desse jeito estando com você?-Perguntei.

-Não,só são os seus desejos e vontades te corrompendo...-Falou Miguel baixo no meu ouvido.

Ele passou as unhas pelas minhas costas e subiu as mãos pelos meus ombros.

-Sou uma menina boa para ser corrompida?-Eu ri e senti que Miguel também sorriu.

-Você é. Mas caras como eu corrompem garotas como você.-Miguel falou e a malícia fez eu me arrepiar. - E garotas como você,gostam  de se serem corrompidas assim.

Ele  mordeu o meu pescoço e eu joguei minha cabeça para trás.
O que Miguel tinha de tão monstruosamente sexy que conseguia me deixar assim?

-Me ensina a fazer isso com você também. Te corromper. -Pedi.Meus olhos permaneciam fechados. Os hormônios em ação.

-Faz assim...-Ele murmurrou ao pé do meu ouvido. Ele pegou a minha mão e a colocou sob o abdômen dele.Depois,guiou- a até o peitoral.Foi subindo com ela até as costas. Miguel pegou a minha outra mão e a colocou cravada nos seus cabelos.-  Assim...

Ele "obrigou" minha mão esquerda a tocar um pouco abaixo do seu umbigo.
Ele pegou a outra mão e a colocou atrás da sua nuca,mandando o meu rosto ir para frente.
Nossas bocas colaram uma na outra.
Mas ele deixou que eu o beijasse da forma que eu queria.
Segura, mordi seus lábios e os puxei.

-E assim...- Ele falou por último e "obrigou" meus lábios a se direcionarem para o seu pescoço.
Onde ali,eu o chupei.
Deixando uma marca roxeada.
O gosto dele sob a minha língua foi tão doce quanto sorvete de morango.

Abri os meus olhos e vi que Miguel estava me encarando.
A acão de "pegação" me deixou bem zonza.

-Já estou bem estimulado e corrompido. Fez um bom trabalho,anjo.- Miguel disse balançando a cabeça.
Ele pegou uma das minhas mãos e fez eu dar um rodopio em volta de mim mesma.
Corei de vergonha.
Olhei para uma bela mulher de vestido, dançando e mostrando seu corpo.
Senti que eu era uma completa estranha.
Afinal,quem é que vai para uma boate vestida de blusa social branca, calça jeans e tênis?

-Não tenho corpo para isso.-Falei e olhei de novo para a mulher. - Nem curvas.Quer dizer,olhe para mim... -Acrescentei apontando para o look que com certeza Clary desaprovaria.

-Estou olhando. -Disse Miguel me fitando. - E estou adorando a visão.

Abaixei a cabeca e ri de vergonha.
Abracei Miguel e reconheçamos a dançar.
As pessoas começaram a gritar e eu me encolhi nos braços de Miguel. Começou a tocar SoMo- Ride.
Meu corpo estava relaxado e leve.
Senti que poderia fazer aquilo pelo resto da vida.

-E não é somente eu que estou adorando a visão. -Disse Miguel olhando para o outro lado da balada,onde um grupo de rapazes bebendo olhava fixamemte para mim.- Isso está me irritando.

-Vamos mostrar para eles quem é que está no controle.-Eu disse, arrumando toda  e qualquer desculpa para ter outro beijo de Miguel.

-Gostei da proposta, amor.Vamos por em prática. -Ele disse.

Balancei a cabeça para cima e para baixo, e puxei a blusa ainda molhada de Miguel.
Beijando-o novamente. Ele me beijou como...se eu pertencesse à ele.
E isso foi ótimo para mim.
Era isso o que eu queria.
Pertencer somente à ele.

-Vamos beber alguma coisa.-Disse Miguel após o beijo de 25 segudos que me deixaram instantamente tonta.
Ele pegou a minha mão e fomos de mãos dadas até o bar.

Onde nos sentamos, próximos um do outro.

-Pode mandar descer. -Disse Miguel ao garçom. -Mas para a jovenzinha aqui, traz uma água sem gás.

Olhei para ele,levantando as sobrancelhas.

- Como assim"Jovenzinha"- Perguntei.

Miguel sorriu, provocando-me.

-E não é?

-Eu vou acompanhar este senhor!-Falei para o garçom batendo na mesa. Voltei a olhar para Miguel,que estava me encarando com humor.

- Você conseguiu ficar mais atrevida. É tentador para mim.- Ele disse.

-As consequências pediram uma dose a mais de atrevimento da minha parte.-Falei sorrindo com certa malícia.
O garçom trouxe os dois copos de uísque com gelo e Miguel tomou o dele.

-Saúde.-Ele disse para mim.

-Saúde. -Falei bebendo o meu.
Estava pouco me lixando para o que iriam falar de mim.
Eu estava vivendo outro momento, curtindo outra vibe.
Só por alguns minutos, estava vivendo da forma que eu queria.Isso me fazia bem? Beber com Miguel?  Então,eu o faria.

-Coloca mais uma no meu copo.-Falou Miguel para o garçom depois que o dele acabou.

Sentada na cadeira e observando as pessoas dançando, movi meu tronco ao som da música Wrecking Ball,de Miley Cyrus.
A pessoa que estava responsável pela playlist de músicas,possuia um bom gosto para apreciar um bom som.

Miguel bebia o uísque com gelo e olhava para mim.
Eu dançava sentada e também olhava para ele.
Estava mais apaixonada como nunca agora.
Eu caí na "rede" de encantos dele.

-No que está pensando? -Me perguntou Miguel.

Ao invés de falar,pensei:

Em como o meu corpo se encaixa no seu.Em como seu calor se irradia pela minha pele. Em como você me faz bem por inteiro.

-Em você. -Eu respondi chegando perto dele.

Miguel sorriu,como se a resposta fosse a mais coerente possível.
Ele puxou minha mão e segurou meu rosto  com uma mão e me deu outro beijo lento.
Foi como se eu estivesse flutuando.Segurei a outra mão de Miguel e encaixei a minha na dele.
Apesar de ele não poder sentir fisicamente,queria que ele sentisse tudo o que eu sentia quando ele me beijava, no coração dele.
O beijo parou e outra vez,me senti zonza.
Abri e fechei os olhos para me recompor,mas ao fazer isso,vi que a expressão de Miguel se transformou de um minuto para o outro.

-O que foi,Miguel?-Disse eu,notando o modo que ele olhava para a entrada da balada. -Miguel?

-Nina Stercks está aqui.E não está sozinha. Está com alguns Slaverys. -Ele respondeu não olhando nos meus olhos. Ouvi ele xingar baixinho. -Droga.Sabem que estamos aqui.

-O quê?Como?-Eu perguntei.
Mal havia entrando em um clima tranquilo,e já entrei em outro tenso.

-Vamos.Preciso tirar você daqui. -Falou Miguel pegando minha mão e me levando para os fundos da balada.
Caminhamos rápido até os fundos e me concentrei para não ficar muito nervosa.
 
Abrimos a porta de ferro e saímos para o lado de fora.
A rua estava completamente deserta.
Mas,uma mulher conhecida por nós apareceu como um fantasma na nossa frente.
Miguel estancou e puxou meu braço para atrás dele,me protegendo.

-Ah!O casalzinho 10/10 já se reencontrou?-Nina Stercks falou com veneno na boca. - Espero que tenham...matado a saudade.Mas eu queria lhes fazer uma pergunta antes de eu ir embora.Você,Laura.Seu pai sabe da sua desobediência? Ou será que sabe que você não perdeu a memória?

Ela sabia a resposta. Mas a satisfação que ela sentia ao me lembrar disso, era cruel.
Nina Stercks estava mais bonita que da última vez que a vi.O batom vermelho nos lábios, a sombra preta nos olhos e o blush lhe dando um toque de vermelho na bochecha,só fortalecia ainda mais a beleza imortal dela.

-E você, Miguel. -Ela falou com ele.-O Alpha sabe que você está andando por aí com a filha dele? O que será que ele faria se descobrisse isso?

-Deixe Laura fora deste assunto,Nina.Sabemos que isso é pessoal para você. -Miguel interveio. A voz antes,sexy e relaxada,estava fria e cortante.

-Como deixar a personagem principal fora? Foi com ela que eu fiz o acordo. E vejo que ela não levou muita fé nele,não é?-Disse Nina.

Miguel olhou para mim,como se estivesse pedindo uma explicação. Mas não falou nada.
Tínhamos muita coisa para conversar e explicar...

-De qualquer forma,independentemente, isso é uma rixa nossa.-Disse Miguel. Olhei para ele,também.- Laura não faz parte dessa rixa pessoal.

-Bom,mas eu tenho ela na palma da minha mão. E agora?-Nina ergueu as mãos.

-Você não vai contar nada ao Alpha, Nina. Se quisesse contar, já teria feito. -Enfrentou Miguel à ela.

-É,você está correto.Eu poderia ter contado a hora que eu quisesse. Mas você,Miguel, não está me deixando outra opção. A sua insistência nessa humana proibida, está acabando com o pouco de bom senso que eu tinha até agora. Está me deixando brava.- Ela falou a última palavra, quase vomitando. - E você,Laura. Está me atrapalhando. E eu já te disse que não iria permitir que você fizesse isso de novo. E nós fizemos um acordo, certo? Mas você não cumpriu-o.E agora,estou vendo que somente ser sensata não é o bastante para manter os pombinhos afastados. Terei que...tomar algumas atitudes.

Ela fez um aceno com a mão e de trás dela,saíram dez Slaverys. Uma gangue.

-O que o Rei pensaria se um Anjo Caído assassinasse dez Slaverys do Exército dele,sem a permissão? Será que ele iria ficar chateado com você, Miguel?-Nina fez as perguntas e sorriu.-Eu acho que sim.Eu acho que você vai levar a culpa por dez mortes essa noite. E vai ter que se virar para explicar isto para o Rei.

Miguel apertou mais a minha mão e disse algo em meus pensamentos.

Corre,se esconda atrás da caçamba de lixo e espere por mim.Vá.

Apesar de não entender o que iria se passar ali,eu saí correndo de trás de Miguel.

Atravessei a rua e olhei para os dois lados à procura da caçamba de lixo.
A avistei do lado direito da rua.
Corri até lá e me escondi atrás dela.
Controlei minha respiração ofegante e olhei para o local onde eu havia deixado Miguel.
Abri a boca em forma de " O".

Nina Stercks estava armada com um punhal e usou este,para rasgar  a pele dos  dez Slaverys.
O primeiro, ela pegou-o pelo pescoço e cortou-o abaixo do queixo.
O segundo, ela enfiou a faca no coração.
O terceiro,ela cravou a faca no olho do Slavery,depois quebrou o pescoço dele.
O quarto,ela rasgou as costas dele,como se estivesse rasgando papel.
O quinto, ela apenas usou as mãos.
E arrancou os dois braços dele.
O quinto Slavery,ela o jogou na parede e lhe deu uma apunhalada nas costas.
O sexto,ela bateu tão forte no queixo, que ele saiu do lugar.
O sétimo, ela deu um soco no estômago e arrancou de lá...os órgãos internos!
O oitavo, ela o apunhalou no peito também.
E o novo,ela quebrou o pescoço. Cravando o punhal na caixa craniana.

Ela havia matado nove Slaverys! Arrancando partes dos corpos dele como se estivesse arrancando partes do corpo de um boneco de plástico.
Mas por quê? Por que ela fez isso e por que os Slaverys não tentaram nem ao menos...se proteger?
Eles pareciam estar com sono,ou bêbados. Ou hipnotizados pois não tinham reação alguma perante ao que acontecia.
O que foi aquilo? E onde estava o décimo Slavery?

Tentei colocar meus pensamentos em ordem,mas fracassei.Estava chocada com o show de mortes que vi ali.

-Divirta-se com essa nova dor de cabeça, Miguel...-Ela falou para ele,jogando o punhal cheio de sangue para Miguel.

Não vi mais o que aconteceu, quando alguém puxou o meu braço bruscamente e sem nenhum charme.
Lá estava o décimo  Slavery que Nina trouxe consigo.

Ele me arrastou até uma rua mais estreita e me encostou na parede.

-Me solta, agora!Me larga!-Gritei.
Mas o Slavery continuava a me apertar.Ele abriu os botões da minha blusa e tentou me beijar.

-Socorro!Alguém me ajuda!Me solta!-Gritei o mais alto que pude,mas o Slavery não soltou.

O mais estranho de tudo, era que ele não falava nada.
Parecia estar amortecido.

Com a velocidade de um raio,Miguel veio e imobilizou o Slavery com muita habilidade.
Mas nas mãos do Slavery estava uma arma.
Ele a apontou para mim.
Miguel imediatamente pegou a arma dele e enfiou o punhal contra a barriga dele.

O sangue vermelho e escuro,saiu da boca dele.
E ele foi caindo aos poucos no chão.
Após estar morto,Miguel o soltou e veio até mim.
Ele olhou para mim e se agachou à minha frente.

-Tudo bem?-Perguntou Miguel fechando os botões da minha blusa.
Assenti com a cabeça e Miguel me levantou do chão.

-O que...foi...isso?-Perguntei com a voz engasgada.-O que foi...por que ela os matou?

-Nina os matou para poder colocar a culpa dos assassinatos em mim.-Miguel respondeu. -Ela matou os Slaverys para que o Alpha fique sabendo disso e eu me envolva em problemas. Ele não vai ficar feliz quando souber do que aconteceu aqui e é isso o que ela quer. O último Slavery ela deixou vivo, foi para te atacar e eu não ter outra opção a não ser matá-lo.Se o Alpha investigar o caso,vão ver as minhas digitais estão no Slavery morto e vão me culpar pela morte dos outros nove Slaverys.

-Eles...por que eles não lutaram para se proteger?

-Porque eles estavam sendo manipulados por ela. Nina entrou na mente dos Slaverys para que eles não reagissem.

O choque foi maior que o anterior.
Nina Stercks era mais louca do que eu pensava.

-Meu Deus...ela agora vai contar tudo ao Alpha.Vai te incriminar, Miguel. E agora? O que a gente faz?

Miguel olhou fixo para o vazio.

-Eu ainda não sei.Estou pensando em algo para manter ela de boca fechada, mas...-Ele de repente virou o rosto para mim.- Que acordo foi esse que ela fez com você?

Suspirei profundamente.

- Ela...me encurralou em uma noite. Ela me viu com Joseph depois de ele ter matado alguns Slaverys para me proteger. Ela já havia descoberto tudo sobre mim.Porque ela é espiã do Exército. E ameaçou contar para o Alpha, caso eu não prometesse que iria ficar longe de você. Eu tive que prometer isso,ou então, ela iria falar tudo o que viu.E ia colocar em risco não só à mim. Joseph, Perseu e Simon estavam em perigo. Eu disse à ela que iria me manter afastada de você...mas agora.Não sei mais.

-Ela não possui limites.-Disse Miguel parecendo com ódio. -Ela me quer a todo e a qualquer preço. Mesmo eu deixando claro que não a quero mais.

-Essa é a rixa pessoal entre vocês?

Ele balançou a cabeça.

-Quando eu estava procurando por você, eu encontrei com ela por acaso.E ela tentou se insinuar para mim de novo.Eu não gostei disso e falei algumas verdades para ela. Ela levou para o coração tudo o que eu disse e agora está obessecada.

-Claro.Dor de mulher rejeitada é a pior de todas.-Eu falei me virando de costas. -Agora ela sabe que estamos juntos. Mais uma verdade que ela tem para jogar para Valentini.

-Ela ainda não é mais inteligente que eu,Anjo.-Miguel disse seguindo meus passos inquietos. - Ela não sabe o meu jogo.

-Em que está pensando?

-Fazer o que ela quer.Fingir por um tempo que eu estou querendo ela.E assim, ela vai se dar por satisfeita.Vai manter a atenção voltada para mim e deixar você de lado um pouco.
Não me agrada essa ideia, mas é a única forma de ela parar de nos perseguir.Também é a única forma de ela não contar nada do que sabe para o Alpha.

-Você então vai...ficar com ela?-Questionei.

-Não,amor.A presença dela me dá enjoos. Não vou ficar com ela fisicamente. Nina Stercks é medíocre. Ela se contenta com o pouco que eu lhe der.Se eu lhe entregar um pouco de atenção, um pouco de elogios e um pouco de leves toques,ela vai ficar cheia. Eu nem preciso encostar nela para deixá-la no ponto.

-Então,você vai...elogiar ela,vai  ficar do lado dela um pouco, como se estivesse interessado? Irá usar os seus dotes físicos sensuais para fazer o que ela quer? Bom,eu pensei nisso também. É um bom plano,mas...não sei.Talvez ela fique mais obessecada ainda por você.

-Estamos encrencados, amor.-Disse Miguel chegando perto de mim.- Nina Stercks está com uma prova que nos incrimina e isso pode prejudicar seriamente você. Minha preocupação não sou eu,e sim você. Para mim,qualquer plano para te manter segura da fúria do Alpha,deve ser tentado. Mesmo que eu não me agrade dele,entende? Mas eu te amo demais e eu faria tudo o que eu pudesse e não pudesse para te ver bem.

Abracei Miguel e suspirei.
Mal havíamos nos reencontrado, e já estávamos enfrentando a fria tempestade de eventos catastróficos.

-Também me preocupo com você,Miguel. E se não der certo e Nina contar sobre essas mortes ao Alpha?

-Não vai contar, eu vou cuidar para que não conte. Vou dar um jeito nessa bagunça,prometo. -Ele beijou o alto da minha cabeça. -Mas nós...vamos ter que nos manter escondidos.Nosso esquema vai ter que ficar off line.

-Nosso esquema?-Falei levantando minha cabeça.

-Ninguém precisa saber que é algo bem mais sério.

-E ninguém precisa saber do que rola entre nós.

-No total sigilo,mas é gostoso assim.Você não acha?

Dei uma risada.

-É,eu acho sim. -Fiquei na ponta dos pés e dei um selinho em Miguel.

Subi na garupa da moto de Miguel e ele começou a pilotar para algum lugar.
Demorou uns vinte minutos, para eu avistar o edifício azul de 25 andares em que estive com Miguel quando ele tentou me matar, colocando aquela visão de eu me jogando do alto do prédio.

-O que estamos fazendo aqui?-Perguntei.

-Você não sempre dizia que queria conhecer minha casa? Pois acho que chegou a sua hora.-Respondeu Miguel, manobrando a moto.
Um sorriso largo se abriu em meu rosto.

-Sério? Você mora nesse edifício onde tentou me matar?-Miguel riu.

-Aqui foi onde os meus sentimentos por você cresceram, embora isso tenha ocorrido de maneira desastrosa. Mas foi aqui.-Disse Miguel seguindo o meu olhar pelo prédio enquanto ele embicava a moto para entrar no estacionamento.- Este edifício foi construído por Anjos Caídos.Aqui,não preciso me esconder.

Ele desceu da moto  e eu desci também. Peguei a mochila e a coloquei nas costas.
Passamos por uma área escura e completamente vazia.
Caminhamos de mãos dadas por um túnel.
O cenário assustava.
O chão de tijolos de concreto.
As paredes também de concreto.
Depois de quase duzentos metros,começamos a subir alguns lances de escadas.

Após terminarmos,paramos em frente à uma portinhola.
Miguel retirou algumas chaves do bolso e começou a destravar uns vinte cadeados na porta.
Por fim,ele abriu o último cadeado e abriu a porta.

-Seja bem-vinda.-Disse Miguel esperando eu entrar.
Criei coragem e entrei.
Abri a boca diante daquele cenário.
A casa de Miguel era pequena
Mas o que tinha de pequena, tinha de linda.

O sofá preto de couro ficava em frente à uma coleção de quadros na parede.
Ao todo, eram cinco quadros que cobriam toda a parede preta.
No primeiro quadro, mostrava as asas de um Anjo Caído sendo jogadas no fogo.
No segundo quadro, retratava um Anjo de Luz sendo condenado  por uma luz tão forte que só podia ser Deus.
No terceiro quadro, ilustrava um coração sendo esmagado por uma mão ao fundo.
O sangue escorria e a pintura parecia bem realista.
No quarto quadro, era a imagem de um cavalo alado negro.
Me aproximei mais para ver as letras pretas embaixo da imagem.

"O inferno já caminha sobre a terra."

E no último quadro, estava uma pintura um pouco diferente. Um Anjo Caído caia em um poço profundo e uma mão o ajudava a sair de lá. Como um resgaste.

A cozinha ficava bem ao lado da sala.Ao invés de uma mesa,havia um balcão grande mármore preto e brilhoso.
E em volta dele,ficava umas cadeiras de ferro com estofado preto.
Também havia uma geladeira preta e a pia.
A casa de Miguel era linda! E tudo exalava o cheiro dele.
Aquele cheiro suave de terra molhada e chuva...
Estava tão distraída que nem ouvi Miguel fechando a porta.
Olhei para ele,enquanto colocava as chaves no balcão preto.

-Nossa...eu não esperava por isso aqui.-Disse eu,ainda abismada com aquilo.Era tudo tão limpo e cheiroso...tudo tão Miguel.

-O que você esperava? Alguns caixões, marmorras e pentagramas invertidos?-Perguntou Miguel reprimindo um sorriso.
Me sentei no braço do sofá, meio desconcertada.

-Não.Pentagramas invertidos não. -Destaquei.
Ele pegou uma cadeira de ferro e sentou -se nela.

-"Pentagramas invertidos não "-Repetiu Miguel ironicamente.

Olhei ao meu redor,tentando decifrar o que cada canto daquela casa queria dizer.
Mas o que mais me arrancou a atenção,foram aqueles quadros.
Me levantei de novo para examiná-los de perto.
Parecia que eles tinham algo a demonstrar.
Cada um deles parecia representar um sentimento diferente.

-Esses quadros...foi você quem os pintou?-Minha curiosidade foi maior e perguntei à ele.

-Fui pintor em 1939.-Respondeu Miguel.- Naquela época, eu queria me lembrar de quem eu realmente era por trás daquela máscara. Por isso,comecei a pintar para expressar o que eu sentia. Não era nada além de ódio.

Olhei para ele,atraída por suas palavras sinceras.

-Mas esses não são os meus prediletos.-Acrescentou Miguel, se colocando do meu lado.-Tenho um em especial. Um que vale mais que a minha própria vida.

-Apenas um? Eu posso ver?-Perguntei.

-É claro que pode. Mas tem que fechar os olhos por enquanto.

Balancei a cabeça positivamente e me sentei no sofá. Tapei os olhos com as duas mãos e falei:

-Prometo que não vou olhar.

-Eu vou saber se você olhar.Então,por favor, seja boazinha.-Disse Miguel.

-Está bem.-Falei.É claro que eu não ousaria olhar.
Com certeza essa pintura deveria ser muito importante para Miguel.
Ele geralmente não dava valor para objetos insignificantes.
Esperei pacientemente, batendo os pés no chão.

Mas não tirei as mãos dos olhos.

-Pode olhar agora. -Ouvi a voz de Miguel dizendo.
Tirei rapidamente as mãos dos olhos.
E o que eu vi,fez minha respiração ficar presa.
Era um quadro cuja a pintura era eu.
Parecia que eu estava me olhando no espelho de tão real que era.
Eu estava com as mãos nos ombros,meus cabelos longos e ruivos caiam no meu rosto.
O verde dos meus olhos estavam vívidos e brilhosos como o verde da natureza.
Mas não era só isso que encantava na pintura.
Eram as asas brancas que eu tinha! Eram tão grandes que sobressaiam do quadro.
Tão brancas que pareciam as nuvens ou até mais que isso.
Brancas como a neve.Era lindo!

-Oh!É lindo! Eu nunca vi algo tão...bonito em toda a minha vida.-Falei completamente surpresa e maravilhada.-É tão belo...

Passei os dedos pela pintura e a textura era mais magnífica ainda.
Não dava para acreditar que aquilo era uma pintura. Era mais que isso.
Uma riquíssima obra de arte.
Observei as letrinhas negras que se encontravam bem abaixo da pintura.

"Anjo.Aquela que sempre amei e sempre amarei."

-Claro que a imagem real é bem mais bela.Isso é só um rascunho inferior.-Falou Miguel sorrindo para mim.-Quero que ouça algo.

Ele retirou um lençol preto que estava ao lado do sofá. E lá embaixo,estava um piano completamente preto!Mal percebi-o em meio à parede negra.

Miguel sentou-se em uma banquinho retangular em frente ao piano.

-Sente-se aqui. -Disse ele.Sem hesitar,me sentei ao seu lado.
Ele esperou alguns segundos e começou a tocar uma canção suave e melodiosa.
Ele tocava nas teclas com uma habilidade que eu nunca havia visto.
As notas foram ficando cada vez mais suaves.
E eu fui ficando cada vez mais hipnotizada.
Ele continuava a tocar aquele som calmo e maravilhoso.
Parecia que o piano havia sido feito para Miguel. O preto entrava em contraste com os olhos concentrados em cada nota.
Fiquei olhando para Miguel, ouvindo aquela melodia divina.
E vi que eu estava cada vez mais apaixonada por Miguel.
Cada segundo, eu estava mais envolvida sentimentalmente.
Meu coração parecia reconhecer ele como o homem da minha vida.
O meu amor,o meu desejo, não parava de crescer.
Era como se Miguel fosse o meu redentor.O amado da minha alma.
Conforme ele tocava,eu me admirava mais e mais pela pessoa que ele era.
Conforme as notas iam ficando mais suaves, eu ia me apaixonando pela sua perfeição, sua incrível e indiscutível, beleza que transparecia em tudo o que ele fazia e falava.
Miguel Burwell suscitava o amor real e puro em mim todos os dias,todos os minutos e todos os segundos.
Eu me apaixonava por ele a cada nova frase,cada nova sensação,cada novo beijo.
Era um amor que nunca envelheceria,que nunca diminuiria.
A música chegou ao fim e Miguel retirou as mãos do piano.
Olhou para mim como se o olhava. Com muito amor.
Com os olhos brilhando.
Os dele,pareciam dois faróis.

Antes que eu o beijasse, ele me beijou. Foi naquele beijo que eu vi que nem a morte, nem a distância, nem as regras,nem os obstáculos, nem as batalhas, nem os céus, mudariam algo entre nós.
Era como a nossa própria lei:
Indestrutível, incontrolável, indivisível e inevitável.
Um amor que se renovava dia a dia.Noite após noite.

-Você me pegou de jeito, Laura. -Murmurrou Miguel com os olhos fechados. -Eu amo isso.

-O quê?-Perguntei também de olhos fechados.

-Amar você. Eu amo amar você. -Ele abriu os olhos e me encarou sério. -Não achei que eu fosse bom o suficiente para amar alguém, mas então, veio você. E me transformou no homem rendido aos seus pés que eu sou hoje.

Abri os meus olhos e fiz carinho nos cabelos de Miguel.

-Eu amo isso.-Eu repeti a fala dele.

-O quê?

-Estar perto de você para poder te ouvir falar assim.-Sussurrei em seu ouvido. - Eu tenho a absoluta certeza de que você foi o único que eu amei, o único que eu amo e o único que eu amarei para sempre...

A declaração sincera que eu fiz, fez Miguel sorrir.

-Repete isso para mim,por favor.

-Eu amo você,Miguel...

O rosto dele transpareceu uma alegria quase vista.
Ele puxou meu rosto e me beijou novamente. E ficamos longos minutos sentindo o calor um do outro. Sentindo nossos corações ligados o tempo todo.
Eu tive que esperar oito meses para poder me declarar assim para ele e agora que estamos juntos, eu não iria perder tempo.
Iria dizer tudo o que precisava ser dito.

Passamos horas conversando.
Nem me importei se eu tinha que voltar para casa ou não.
A verdade era que eu perdia a noção que o mundo existia com Miguel ao meu lado.

-Está com fome?-Perguntou ele.
Estávamos sentados no sofá e eu nem havia percebido que estava morrendo de fome.

-Para falar a verdade, estou com muita. -Respondi de imediato.
Ele sorriu e se levantou do sofá.

-Vou preparar algo para você.-Disse ele.Observei-o enquanto ele pegava algo na geladeira.

-Desde quando você tem comida dentro de casa?

Geralmente, "pessoas normais" armazenavam comida dentro de casa.Mas Miguel não precisaria desse luxo.

-Tem uma loja que vende alimentos bastante atrativos perto do edifício. -Ele olhou para mim enquanto colocava o macarrão no fogo.- Queria que a sua primeira vez aqui fosse privilegiada. 

Sorri para ele.Apesar de ele ter feito isso por mim,era difícil imaginar Miguel empurrando um carrinho de supermercado escolhendo produtos e não rir.

Depois de uns três ou quatro minutos, Miguel me trouxe um macarrão, com salada e até uma folhinha de hortelã.
Dei uma garfada e quase caí para trás. Era bom demais!

-Hum...isso é bom demais...-Falei saboreando-É delicioso.Você não me contou que era tão bom cozinheiro.

-Não sou.Só quando a situação pede. Quer vinho?-Indagou Miguel.

-Vinho? Você comprou vinho também?

Ele se levantou novamente do sofá e foi até o armário de cozinha.  Pegou duas taças de vidro.E por último, pegou uma garrafa de vinho.
Sentou-se no sofá e despejou o vinho nas duas taças.
Miguel ofereceu uma delas à mim.

-Esse eu não comprei.Estava guardado há mais de vinte anos.Na época, recebi de um vendedor.Ele disse para mim só bebê-lo com alguém que fosse realmente importante para mim.-Miguel abaixou o olhar e olhou para a taça em sua mão. -Cheguei a pensar que nunca abriria essa garrafa.Mas pelo visto, chegou o dia.

Erguemos nossas taças e bebemos o vinho sem retirar nossos olhares um do outro.
Eu nunca havia bebido vinho antes.
Minha mãe sempre me proibiu, mas essa noite, isso não valia.
Não com Miguel ali.
O vinho desceu pela minha garganta como um suco de uva sem açúcar. Porém,o saber era maravilhoso.

-Você está me colocando sob sua influência. -Falei sorrindo.- Está me embebedando e isso não me parece certo.

-O álcool torna tudo melhor. Mas a sua acusação de embebedamento me parece falsa.

-E por que parece falsa?

- Porque você quer beber,só que passou metade da sua vida achando que não deveria.

Balancei a cabeça e ri.

-Você é bom com isso.

-Eu sou muito bom.

Depois de um segundos refletindo, toquei no assunto.

-Estou preocupada. Valentini está se envolvendo com a minha mãe e isso está...me deixando muito preocupada. Ele quer alguma coisa de mim,ou então, ele não teria se dado o trabalho de me sequestrar. -Falei suspirando.
Miguel pousou a taça de vinho no chão e eu pousei a minha do lado da dele.

-Eu sei.Andei rondando a sua casa nesse tempo e descobri o namoro dele com a sua mãe. Ele está se divorciando de Adeleine Moss,o casamento dele não ia bem já faz tempo. Mas é óbvio que ele não escolheu a sua mãe em aleatório.Ele quer alguma coisa dela. E de você, principalmente. Mas não se preocupe. Não vou deixar nada acontecer à sua família.

-Estou com medo.Estou tentando parecer corajosa para enfrentar Valentini, mas dentro de mim,eu ainda tenho medo do homem terrível que ele é. Tenho medo de não conseguir me livrar desse...tormento que ele me colocou.

Miguel segurou minha mão e se aproximou.

-Eu e você estamos juntos agora. E nós vamos lutar juntos contra ele.Realmente,não será fácil. Mas nós vamos arrumar uma estratégia para pegá-lo desprevenido. Por enquanto, as coisas devem ficar como elas estão. Nesse meio tempo,vamos criar um plano para chegar até ele.E no momento certo,ele morre.Não vou descansar até conseguir isso.-Respondeu Miguel.

-Valentini é horrível, Miguel. Se você soubesse...-Fechei meus olhos.- Ele merece tudo de ruim que há nesse mundo. Desde que eu sofri aquele acidente e quase perdi a memória, eu...tenho tentado armazenar todo este ódio por Valentini dando dentro de mim para liberá-lo no momento certo,mas tem sido tão...dolorido.Ter que ver ele com a minha mãe, ter aguentar as falas dele perto de mim depois de tudo o que ele fez com o meu pai,ter que aguentar esse silêncio depois de todo o inferno que eu passei naqueles oito meses trancafiada em  um castelo na Transilvânia, levando choques,sendo isolada como um animal,tratada como uma louca...eu não estou aguentando mais viver suportando tanta dor.

-Anjo,eu vou jurar uma coisa  para você agora. Abra os seus olhos. -Ele disse firmemente e eu abri os olhos. - Valentini vai pagar por cada lágrima que você derramou naquele lugar. Ele vai receber multiplicadamente mil tudo o que você teve que suportar e tudo o que vêm suportando. Ele vai devolver com sangue toda a afronta  que você tem que ficar aguentando calada. Eu juro para você que ele vai pagar por cada erro,cada pecado, cada atrocidade que ele cometeu contra você e contra a sua Família. O Reino dele vai ruir e eu vou te levar no local da destruição para você assistir à derrota dele de pé.

As palavras dele estavam frias. Revoltosas.Não tinha como não acreditar que Miguel faria realmente aquilo tudo.

-Está bem. Eu acredito nisso.-Sussurrei.

Miguel deslizou os dedos pelo meu queixo.

-Se você não se lembrasse de mim,eu seria considerado um cara de sorte. Porque eu teria o trabalho de te conhecer e fazer você me conhecer  mais uma vez.Teria a chance de fazer você se apaixonar por mim mais uma vez. E eu teria a incrível chance de me apaixonar mais uma vez por você.

-Você...como você sabe que...

-Anjo, o meu amor por você é espiritual. Você acha que eu não sentiria em meu coração caso você estivesse correndo perigo? Acha que eu não sentiria que você estava precisando da minha ajuda? Eu senti quando você estava perdendo a memória. E pude reverter o quadro antes que fosse tarde...

-Eu jurava que era só um sonho...-Eu disse,de boca aberta.
Miguel então realmente havia conseguido  impedir que as minhas lembranças sumissem...

-Abismo nenhum, consegue separar a força dos meus sentimentos por você. Meu coração é ligado ao seu.E isso é...irreversível.

Abri um sorriso e deitei minha cabeça no ombro dele.

-Obrigada. Novamente, você me salva do perigo...

-Já está virando profissão isso.

-A culpa não é minha se eu sou um imã para o perigo.

-Não é.É só genes ruim.

Levantei minha cabeça e ri.

-Esta é a única explicação que você pode me dar?

-Bom,considerando o fato de que adoro ser o seu herói nos momentos em que você está em perigo, é a segunda explicação que posso te dar.

-Hum...eu adoro o meu herói. Eu me meteria em mais confusões só para ser salva mais vezes por ele.-Eu disse me sentando ereta.

Miguel deu um sorriso.

-Não fala isso nem brincando, sua moleca.-Ele me pegou no colo e me colocou sentada em cima dele.Prendi minhas mãos em seu pescoço e o meu rosto estava na altura da sua boca.

- Qual o pagamento que você quer receber por me tirar das confusões em que me colocou e que também sou colocada?-Perguntei,abrindo um sorriso moleque.

-Nada que você não tenha vontade de me dar...-Disse Miguel, assumindo a sua posição de homem sexy que me trazia arrepios. -É algo bem simples,satisfatório para ambos...

-O que é?
Miguel colocou os dedos nos meus lábios.

-Eu poderia te falar,mas eu prefiro te mostrar como quero fazer isso.-Ele disse e a voz dele me trouxe,mais uma vez,uma excitação dentro de mim.

Ele aproximou a boca da minha e me beijou apaixonadamente.
Retirei a jaqueta dele e me fundi em sua pele.
Miguel abraçou minhas costas com as mãos e sua língua invadiu minha boca.
Sua boca se deslizou para o meu pescoço e eu senti o toque da língua ali.
O que fez meu coração pulsar.

-Está bom assim?-Perguntei rindo e ofegando.

-Não,quero mais disso.- E ele voltou a me beijar de uma forma eloquente.
Era a perdição de qualquer mulher, a necessidade de qualquer uma.
Mas para a minha felicidade e vaidade,ele era só meu.



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