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História O Herdeiro de Velaris - Feysand fanfic - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Capítulo XI


Narrador

Foi preciso apenas meio pensamento de Feyre – interrompido por uma contração – para que Rhys aparecesse de volta em casa. Ela chamou Ada e Madja antes de chamar seu parceiro, esperou elas chegarem para, só então, pedir para Rhys vir.

Ele chegou desesperado, pálido e nervoso. Correu para o lado de Feyre, que estava na banheira, Ada e Madja com ela. Assim que viu o estado de sua parceira, ele grunhiu, perguntando às duas curandeiras o que estava acontecendo.

Feyre estava se contorcendo de dor e piorando a cada momento.

Ada fez um exame de toque e olhou para Madja com preocupação.

- Ela está se curando muito rápido. – disse a mais nova. – O colo do útero dilata e depois se cura.

- O que isso quer dizer? – Rhys perguntou a qualquer uma das duas.

- Quer dizer... – Madja ponderou sua resposta. – Quer dizer... Que precisamos dar a ela alguma coisa para diminuir a velocidade do processo de cura.

Ada já estava com uma seringa na mão e, dentro dela, havia um líquido translúcido com cor de lavanda.

Feyre gritou de dor quando mais um centímetro se fechou. O bebê estava perto, ela conseguia sentí-lo logo ali, mas ele não conseguia sair.

Assim que o líquido lavanda foi aplicado, ela deixou um suspiro de alívio escapar. Não aliviou as contrações – na verdade, as deixou mais fortes – mas pelo menos agora sentiu que seu filho tinha mais espaço para descer tranquilamente.

- Eu quero sair daqui – ela disse.

Rhys a colocou de pé e depois a pegou no colo. Ela grunhiu a cada movimento, fazendo com que seu parceiro a olhasse com uma preocupação de outro mundo. Ele a colocou delicadamente na cama segundos antes de ela gritar novamente e agarrar sua mão.

۞

Da sala, Mor, Amren, Azriel, Elain, Nestha e Cassian ouviam Feyre urrando de dor.

Cass estava sentado no sofá ao lado de Nestha. Elain estava encolhida em um canto, murmurando algo para si mesma. Azriel estava parado à janela, as sombras se juntavam mais em volta dele a cada grito abafado de Feyre. Amren parecia a própria face da calma, sentada em sua poltrona habitual com um livro em mãos, mas ela não estava prestando atenção às palavras, apenas aos gritos de sua Grã-Senhora. Mor estava andando de um lado para o outro desde que Ada e Madja levaram sua amiga para o quarto enquanto grunhia de dor. Rhys aparecera poucos minutos depois e subiu sem sequer olhar para qualquer um deles. Mor pensava já ter visto todas as expressões do primo, mas quando ele escancarou as portas com o rosto pálido e os olhos arregalados de desespero e angústia e atravessou para o quarto sem se importar em falar com alguém ou mesmo em fechar a porta atrás de si, ela percebeu que aquilo, aquele desespero, era algo que ela nunca vira antes. Já tinha visto ele desesperado, claro, mas jamais daquela forma, jamais tão... selvagem.

Os gritos de Feyre pioravam a cada hora. Ela já estava em trabalho de parto a quase seis horas e sem nenhum sinal de que estava perto de terminar.

۞

As horas foram passando. Hora após hora após hora Feyre continuava a gritar. Ada teve que aplicar uma segunda dose da poção lavanda depois de algum tempo, quando viu que apenas a primeira dose não daria conta.

Rhys ficava mais angustiado a cada hora, mesmo ali, ao lado de sua parceira, não conseguia conter a angústia. Especialmente quando ouvia os gritos, gemidos e grunhidos de dor que ela emitia a cada contração.

Enquanto isso, a cidade em torno deles não fazia ideia do que acontecia. As vidas dos cidadãos continuavam iguais, cada um seguindo seu cotidiano. Mais além, Devlon discretamente pediu para a sacerdotisa do acampamento que fizesse uma prece pela Grã-Senhora – não que Rhysand ou a própria Feyre fossem saber disso algum dia.

Com o passar de mais algumas horas, Madja anunciou que era chegada a hora de Feyre empurrar o bebê para fora.

Ela gritou mais do que tudo, tentando com todas as suas forças empurrar a criança.

- Não consigo... Não consigo. – ela sussurrou, a voz já rouca.

- Consegue sim. – Rhys falou, segurando a mão dela com mais força. – Você consegue.

Mais gritos se seguiram, e Feyre precisou parar.

- Tem alguma coisa... Tem algo errado.

Ada e Madja trocaram olhares que sugeriam exatamente a mesma coisa.

- O que foi? – Rhys grunhiu para as duas.

- Feyre... Você está perdendo muito sangue. Seu períneo está dilacerado, você... – Ada engasgou com as palavras – está tendo uma hemorragia.

A Grã-Senhora parou por alguns instantes, reprimindo a dor que se acumulava dentro dela e, afastando o olhar de Rhys, disse para as curandeiras:

- O que acontece comigo não importa. Se precisarem fazer uma escolha... O bebê vive.

- Feyre, não... – Rhys começou a dizer, mas foi interrompido.

- Vocês entenderam? – ela perguntou às curandeiras, que ficaram mudas.

- Não! – Rhys esbravejou, intercalando o olhar furioso entre Madja e Ada.

- É sua Grã-Senhora quem está pedindo! – Feyre respondeu no mesmo tom, calando seu parceiro.

Apesar de tudo, Feyre odiava ter que usar o próprio título, odiava ter que usar a própria autoridade, mas sabia que Rhys não permitiria que ela fizesse aquilo.

Ela gritou logo em seguida, fazendo força e tentando fazer com que o bebê saísse com vida.

Longos minutos se passaram, mas nada além da perda de sangue constante de Feyre parecia acontecer.

Quando sentiu a própria consciência se esvaindo, a Grã-Senhora olhou para as curandeiras.

- Eu preciso que salvem a criança... – ela grunhiu com uma contração, contorcendo-se, e gritou. – É uma ordem!

Então ela olhou para seu parceiro, o macho que estivera ali com ela, segurando sua mão, durante as várias horas de trabalho de parto, o macho que ela amava mais do que qualquer coisa no mundo. Ela o puxou fracamente para mais perto e sussurrou para ele:

- Eu te amo.

Rhys sentiu, então, aquela ponte, aquela vida entre eles – o laço da parceria – se contorcer e gritar. Ficava mais tenso a cada segundo.

Até que os olhos de Feyre se fecharam.

E um rugido saiu da garganta de Rhysand.

Ele pegou aquele laço de parceria – os poucos pedaços que restavam dele e que ligavam sua mente à de sua parceira – e fez como havia feito na primeira vez. Ele puxou aquele laço e implorou que ela o segurasse.

- Não desista. Fique comigo, você precisa lutar! Você consegue... – a voz lhe falhou – É seu destino. É o nosso destino. Então junte as suas forças e volte para mim.

Os segundos que passaram pareceram uma eternidade.

Mas Feyre abriu os olhos. A dor voltou com força total quando ela se ajeitou na cama com a ajuda de Rhys e empurrou.

- Força, Feyre! – Ada disse.

- Falta pouco, você está quase lá! – Madja encorajou.

Alguns empurrões depois, Feyre jogou a cabeça nos travesseiros quando um choro se instalou pelo quarto e por toda a casa.

Um soluço de alivio irrompeu da garganta da Grã-Senhora.

Rhys beijou a testa dela, sussurrando palavras de conforto.

Mas ela estava pálida, empalidecendo mais a cada minuto.

- O que está acontecendo? – Rhys perguntou para Ada.

- Ela perdeu muito sangue. – foi Madja quem respondeu enquanto a curandeira mais jovem trocava os panos que estavam sobre Feyre.

Ao reparar no olhar de Rhysand, a curandeira mais velha rapidamente emendou sua resposta:

- Mas ela ficará bem, só precisa descansar.

Aquilo trouxe para Rhys um pouco de alívio, e seus olhos se voltaram para o pequeno bebê nos braços de Madja, enrolado nas próprias asas e embrulhado delicadamente em uma manta azul.

Tão lindo... O Grão-Senhor jamais havia visto um bebê mais lindo. Assim que aquele pacotinho de amor foi colocado gentilmente nos braços de Rhysand, ele percebeu que era aquela a razão pela qual vivia nos últimos nove meses.

Ele sentiu um toque leve em seu braço e se virou para Feyre, que olhava para ele com olhos vítreos. Apesar da palidez, algumas lágrimas escorriam por suas bochechas e ela sorria levemente. Aquilo partiu algo dentro dele, que passou o bebê para os braços da parceira com muito cuidado. Ela parecia tão frágil... Tão fraca e cansada... E aquilo pesou sobre ele.

Ela podia ter morrido. Ela quase morreu!

Isso despertou nele os instintos de proteção. Ver a parceira ali, debilitada, com o filho dos dois nos braços – tão frágil quanto ela naquele momento – despertou nele algo primitivo.

Rhys deitou ao lado de Feyre, sentindo o cheiro dela, inspirando-o como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

- Você conseguiu. – ele sussurrou para ela, passando um dos braços pelos ombros dela.

۞

Mor e os outros esperaram uma hora antes de subir para o quarto. Quando abriu a porta, foi recebida por um rosnado de Rhysand, que mantinha uma das mãos na de Feyre enquanto ela segurava o filho dos dois com a outra. Assim que todos entraram, Rhys rosnou de novo e Mor não teve certeza se aquele rosnado era daquele mundo.

Mas Feyre acariciou a mão dele com a própria e direcionou os olhos para os do parceiro, quase que dizendo “Está tudo bem”

Só então Mor parou para reparar na situação da Grã-Senhora. Ela estava coberta até a cintura com um lençol branco, sua pele estava pálida demais e os olhos estavam vítreos, quase apagados.

- Ela teve uma hemorragia – Rhys explicou rapidamente assim que se sentiu desconfortável demais com o olhar da prima sobre a parceira.

Então fora isso. A razão para Rhysand estar tão animalesco era aquela. Depois de saber disso, Mor chegou à conclusão que não podia julgar o primo, pois sabia que ele não conseguiria viver sem Feyre.

E o bebê... O pacotinho azul nos braços pálidos da fêmea que poderia ter morrido. Tão pequeno e frágil e poderoso.

- Precisamos limpar o bebê e fazer alguns testes – Ada disse para Feyre, que assentiu.

- Vá com ela. – Rhys disse para a prima. Não foi um pedido, ela percebeu, mas um comando. Ele não ligava se estava sendo educado ou não.

Mor assentiu e foi atrás de Ada. Os outros a seguiram pouco depois.

۞

 

Rhysand

Depois que todos saíram, meu coração se apertou. Eu não deveria ter falado daquele jeito com Mor, não deveria ter rosnado para minha família, mas...

- Elas não deveriam ter te dado aquela poção para diminuir a velocidade da cura. – falei simplesmente para minha parceira, que segurava uma de minhas mãos.

Ela estava tão pálida, e eu conseguia sentir o cheiro do sangue que se empoçava ali. O sangue dela. Feyre poderia ter morrido. Nosso filho poderia ter morrido. Eu poderia ter perdido os dois. Mas minha parceira estava ali, segurando minha mão e respirando. Respirando... O peito dela se movimentava com dificuldade, mas ela estava ali.

- Você sabe que eu me curo com mais facilidade do que outros feéricos. Se elas não tivessem me dado a poção, provavelmente eu ainda estaria dando à luz, Rhys. Eu não teria aguentado.

- Teria sim.

- Você sabe que não.

Os olhos dela estavam quase sem vida quando ela os direcionou para mim. Eu sustentei seu olhar por alguns segundos.

- Você teria se sacrificado. Pensou que nosso filho teria mais valor que você.

- Para a Corte, ele tem.

- Mas para mim... Eu não teria conseguido viver sem você. A vida não teria sentido.

- Nosso filho faria ter sentido.

- Mas ele não teria você.

- Mas teria você para contar sobre mim.

Eu a abracei.

- Não seria a mesma coisa.

- Então ainda bem que nada aconteceu.

- Você quase morreu, eu não chamaria isso de “nada”.

Ela mordeu o lábio inferior.

- Você entendeu o que eu quis dizer.

- Jamais quero sentir aquilo de novo... A tensão... O laço...

- Eu sei, eu também senti.

- Você sabia... Sabia que as chances eram pequenas.

Silenciosamente, ela assentiu.

- Ada me contou na última consulta. Eu entrei na mente dela para ver... e ela me contou que as chances de eu sobreviver eram... mínimas.

- Por que não me contou?

- Não queria te deixar apavorado. Você tinha outras coisas para se preocupar.

- Você sempre foi minha prioridade e sabe disso.

- Eu sei... Eu não... – ela soluçou, uma lágrima escorreu por sua bochecha. – Eu não queria aceitar.

- E quase morreu por isso.

- Mas não morri. Eu estou bem.

- Dificilmente alguém acreditaria que você está bem.

Um fantasma de um sorriso dançou pelos lábios dela.

- Só preciso de algumas horas até estar totalmente curada.

- E “algumas” são exatamente quantas horas?

Ela olhou para as próprias mãos, depois para mim.

- Eu vou ficar bem.

Beijei a testa dela e depois coloquei meu queixo sobre seus cabelos enquanto ela descansava a cabeça no meu peito.

- Prometa para mim – comecei a falar, mas as lágrimas e os soluços me interromperam. – Prometa para mim... Que numa futura situação em que você souber que tem riscos de vida, você vai me contar.

Ela acariciou meu braço suavemente e depois beijou-o.

- Prometo.

A porta se entreabriu e Mor entrou com nosso filho nos braços. O cheiro suave invadiu o quarto.

- Será que agora posso saber o nome do meu afilhado, ou vou precisar continuar chamando ele de “bebê”?

- Iremos anunciar o nome amanhã. – falei.

Já era muito tarde para anunciarmos o nome do bebê a todos. Cassian, Azriel, Nestha e Elain tinham se recolhido algum tempo atrás. Além disso, Feyre estava exausta, assim como eu.

- Muito bem – foi a única resposta de minha prima, que colocou cuidadosamente o bebê nos braços de minha parceira e saiu, fechando a porta atrás de si.

- Você conseguiu, Feyre. – beijei a testa dela mais uma vez. – Conseguiu.

- E agora temos nosso menino conosco.

- Sim – suspirei.

Nosso menino.

Nosso Hazael.


Notas Finais


Meus queridos... COVID-19 chegou no Brasil.
Já tinha chego, mas parece que agora a situação é pior.
Se cuidem, evitem o contato físico, leiam sobre os sintomas e, se apresentarem algum, liguem para o serviço de saúde da sua cidade/seu estado. Procurem não sair de casa, lavem as mãos, usem o álcool em gel e POR FAVOR tenham empatia para com as outras pessoas - os idosos principalmente. Se estão saudáveis (e eu espero que estejam), usem esse tempo para ler um livro, para ler fanfics (essa aqui principalmente haha) e para se protegerem. Alertem as pessoas perto de vocês e ajudem quem puderem da melhor forma que puderem.

Beijos (de longe) pra todos vocês e até o próximo capítulo.


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