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História O Holmes Perdido - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Os irmãos Holmes são iguaizinhos.


- Oi, fofa. – Disse ele, um de seus informantes. – Só vim para dizer que uns agentes bem estranhos acabaram de sair do prédio do governo. Acho que isso não vai acabar bem, sabe, tive de subir o muro para conseguir ver, estou todo lascado. Estamos todos lascados, na verdade.

         - Pode ser mais especifico?

         - Claro que posso, fofa... TEM UMA BOMBA NO PRÉDIO!

                       

 

             Seu coração ficou sem bater por um segundo, e naquele segundo seu mundinho vibrou e d’Arc ficou enjoada de medo.

            Myc e Sher estão no prédio, foi a primeira coisa que raciocinou. A segunda foi os diversos modos que aprendera a como desativar uma bomba, e a terceira foi em como uma bomba caseira dificultaria o pensamento anterior.

            Seu próximo reflexo foi virar o corpo para o prédio em que acabara de sair e entrar apressada.

            Sem pânico, ela repercutiu a sentença em sua cabeça, completamente despreparada para lidar com situações perigosas. Jogou sua mochila de lado, esquecendo que dentro dela estava dentro seu notebook.

            Uma bomba é um ataque terrorista.

Um ataque terrorista é algo muito crítico.

            Deve ser uma bomba bem-posta, não apenas para assustar.

            Uma bomba que atingiria Mycroft. Alguém extremamente poderoso e vital para o governo inglês.

            Usou um cartão com um nome falso para poder entrar nas áreas privadas do prédio, passou reto pela sala onde Mycroft, Sherlock e John discutiam alguma coisa.

            Entrou no escritório de Mycroft.

            Onde alguém esconderia uma bomba?

            Não foi preciso pensar muito.

            Foi até o quadro e com um jeitinho retirou-o da parede. Ali uma placa fina, mas cheia de fios e com um cronômetro existia, todo seu material gritando apenas uma coisa: perigo.

            - Oh, não. – Sherlock resmungou, se aproximando da bomba. – Temos três minutos para evacuar o prédio.

            Mycroft pôs o telefone no ouvido e deu a ordem de evacuação a quem quer que estivesse do outro lado da linha. John, a seu lado, não ficou tenso, vendo que já se deparara com o perigo de ser explodido uma vez.

            D’Arc reconheceu o tipo da bomba. Haviam várias outras espalhadas, a “bomba mãe” explodia levando as demais a explodirem também.

            - D’Arc. – Alguém a chamou, impaciente. Era Mycroft.

            Ela lhe lançou um olhar curioso.

            - Sim?

            - Vamos.

            Mas d’Arc ficou parada.

            - Para onde?

            As feições de Mycroft mudavam minimamente, quanto mais tempo alguém observador passava com ele mais isso ficava claro. Seu cenho franzia, apenas uns traços surgiam em sua testa, seus olhos se apertavam um pouco, sua arcada dentária se remexia, mexia quase imperceptivelmente o dedo anelar da mão esquerda. Seu queixo se ergueu.

            Tomou ar, analisando sua irmãzinha e sua pergunta estúpida.

            - Caso não tenha percebido, há uma bomba atrás de você, precisamos ir embora. Levará no máximo um minuto para nos afastarmos o suficiente do prédio.

            - Mas achei esse prédio tão bonito. Não quero que ele exploda.

            John, notando que não era hora para os Holmes tentarem compreender em que planeta sua irmã estava, tomou a frente e disse para Sherlock:

            - Você não sabe desarmar uma bomba?

            E voltaram à mesma situação do metrô-bomba. Sherlock mordeu um interior da bochecha, encarando aquele horror de fios.

            - Vamos sair daqui. – Ignorou a pergunta de John.

            D’Arc olhou para o trio saindo da porta, ela se perguntou se nenhum deles pensava em quão antigo e importante historicamente aquele prédio era para simplesmente deixa-lo explodir. As pessoas não tendiam a proteger os símbolos que marcam sua sociedade?

            James Moriarty surgiu ali, apenas em sua mente, apoiado na parede, tornozelos em “x”, mãos largadas ao lado do corpo e cabeça pendendo para o lado.

            - Vida, querida. – Ele murmurou. – As pessoas pensam na vida delas.

            - É, você tem razão. – D’Arc respondeu para sua imaginação.

            Mycroft, o real, na entrada da porta, disse: - Vamos, agora. – E disse em tom de ordem.

            Seu Jin sumiu.

            D’Arc, ainda em mente a hierarquia deixada por seus pais quando eram mais jovens, obedeceu ao irmão mais velho.

 

Eu vou sair, volto logo, obedeçam ao Mycroft.

Mas por quê?

Ele é o mais velho! Se comportem, eu já volto.

 

Na saída do prédio, d’Arc parou.

- Já volto. – Afirmou, voltando para dentro.

- Vai para onde?! – John gritou.

D’Arc já estava longe para ouvir, foi para a sala principal e pegou sua mochila que largara ali quando entrara. Ouviu um “bum”, e depois outro. Ficou olhando a poeira cair do teto, o lustre tremer violentamente.

Saiu com calma dali pela garagem, andando para não suar. Suor. Toda aquela água morna recheada de ureia sobre sua pele.... Sentia um nojo tremendo só de imaginar.

Esperou alguns minutos em um banco próximo, ouviu sirenes e viu carros e polícia e ambulâncias. Uns policiais isolaram a área com fita amarela, uma mulher recebia atendimento médico não por ferimento, mas sim por estar em meio a um ataque de pânico.

D’Arc avistou de longe Sherlock junto a John, eles tinham sido barrados pelos agentes de Mycroft. Agora discutiam sobre alguma coisa, possivelmente importante na qual era requerida a atenção de d’Arc.

Então ela foi. Mesmo com preguiça ela foi.

Andou em meio aquele caos até ser notada pelo irmão.

Sherlock primeiro olhava para um homem baixo, cabelos grisalhos e jaqueta grossa, astral cansado. Depois ele olhou em volta, como não tivesse paciência em discutir tal coisa e por fim parou os olhos nela, na pessoa que procurava.

Ele fitou-a com aqueles olhos sérios e depois abaixou o rosto, voltando a falar com o tal policial, agora com os ombros descansados e maxilar morno.

John, assim que notou, tomou rumo a d’Arc.

- Você é maluca?!

Ela estranhou a pergunta.

- Bom, é possuo um nível de psicopatia alto, então acho que se encaixa no conceito de “maluca”. Mesmo que essa palavra generalize muito as distorções mentais. Por que a pergunta?

John abriu e fechou a boca, balançou a cabeça em negativa, como se não acreditasse no que ouvisse.

- Sabe a parte mais ruim...estranha disso tudo? – Ele perguntou, quase rindo de sua situação. – É que você é igualzinha a eles. Completamente igual a seus irmãos.

- Está se referindo à visão indiferente à cenários que comumente são dados como errados ou perigosos?

John encolheu os ombros:

- Também.

D’Arc viu Sherlock se aproximando, mãos enfiadas nos bolsos, expressão dura.

- Suponho que tenha saído pela garagem. – Ele deduziu. – Aquele deve ter sido por onde os terroristas saíram, por isso não haviam bomba por esse lado.

- Sim.

D’Arc e Sherlock se encararam.

Era estranho depois de tanto tempo olhar para seu irmão, aquele garotinho com cabelo rebelde e bochechas fofinhas. D’Arc se lembrava de cada dia, cada brincadeira e conflito.

Se sentia culpada por tudo o que acontecera. Não apenas se sentiu, ela era culpada.

Um nó se formava em sua garganta apenas em encarar seus irmãos, temendo que um só gesto entregasse toda sua vida amarga. O que ela mais temia era que eles a olhassem com repúdio ao terem conhecimento de toda a verdade, a verdade que d’Arc fez Eurus prometer não contar quando encontrasse Sherlock em Sherrinford.

D’Arc foi quem parou de encarar primeiro. Era tão desconfortável.

Após esses seus pensamentos o que saiu de sua boca foi:

- Você é alto.

- E você é baixa.

Ambas as afirmações eram verdade.

- Batata?

- Vamos.

John vendo aquilo apenas confirmou suas palavras, d’Arc era igualzinha à Sherlock e à Mycroft. Tanto no jeito de ver o mundo quanto no modo peculiar de dialogarem.

 

 

D’Arc apenas aceitou o convite por estar com fome e por amar aquelas batatas. Enquanto Sherlock fazia os pedidos ela teve que esfregar sutilmente as palmas das mãos na saia do vestido, nervosa.

Seu coração batia forte contra as costelas, se falasse naquele momento provavelmente só iria gaguejar.

A imagem de seu querido Jin surgiu novamente. Ele estava com fones de ouvido, telefone na mão, óculos escuros e chiclete de morango.

D’Arc murmurou: - Alguma sugestão?

- Sugestão de quê? – Perguntou Sherlock, a seu lado.

D’Arc rapidamente o cortou:

- Não estou falando com você.

Jin suspirou e tirou os fones, os colocando num bolso do terno. Ele tirou os óculos e lançou um olhar de deboche para d’Arc.

- Sabe que é simples fazê-los errarem em suas deduções. Fez isso com os disfarces. Mas acontece, querida, que agora você está afetada emocionalmente. – Ele fez uma breve pausa. – E, querida, você é tão fofa quando está emocionada. - Disse lentamente, se deliciando com suas palavras. 

Certo, Jin não a ajudou. Na verdade, apenas piorou a situação.

- Não ponha a culpa em mim. – Disse ele, ar desleixado. – Sou apenas uma criação da sua cabeça. Um modo de autoproteção. Faz com que “eu” dê as más notícias e não você as “descubra sozinha”. Assim você não se oprime.

Piorou ainda mais.

- Batata? – Sherlock ofereceu, olhando para o movimento das pessoas.

D’Arc aceitou de bom grado, sem perceber que seu Jin imaginário sumia.

Ficaram mais uns instantes em silencio.

- E então, com quem falava?

- Só tem você e Watson aqui, como poderia estar falando com outro alguém?

Sherlock franziu sutilmente o cenho, apertou os olhos, também apertou um lábio contra o outro.

Agora d’Arc concordava em parte com Watson, Mycroft e Sherlock possuíam reflexos quase idênticos. Era interessante essa ligação deles.

E.… dela também?

 

 

NÃO

 

 

            A voz de Trixie tomou sua cabeça. Era óbvio que d’Arc não era como eles. Ela era escória, lixo, ninguém a desejava. Imagine só comparar ela a seus irmãos? Quase se espancou por sua completa falta de senso.

            - Você perguntou “alguma sugestão” e se não estava conversando conosco, com quem conversava?

            Certo, era claro o empenho de Sherlock em conseguir descobrir os segredos por trás da tragédia de Musgrave. Mas empenho para saber mais sobre ela? D’Arc se perguntou se o irmão estava em sã consciência.

            Ela não era interessante.

            Nem digna da atenção de qualquer pessoa.

            - Eu fiz uma pergunta e ele respondeu. Apenas isso.

            Silencio.

            D’Arc pegou mais uma batata. Tão bom!

            - E o que ele respondeu?

            - Nada que eu não soubesse.

            Talvez Sherlock tenha dito alguma coisa, ou talvez um míssil tenha caído na praça, d’Arc apenas se desligara do mundo e saiu andando.

            Sua mente voara para um assunto completamente diferente.

            Parou de repente, na calçada, virou para trás e viu seu irmão. Seus olhos estavam apertados, ele raciocinava.

            - Sherl. – Disse d’Arc. – Sabe onde vende lápis-de-cor?



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