História O Homem de Todas as Minhas Vidas - Capítulo 21


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Sakura Haruno, Sasori
Tags Itachi, Itasaku, Sakura, Sasori, Sasosaku
Visualizações 98
Palavras 3.912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei meus xuxus



Boa leitura!

Capítulo 21 - Capítulo Vinte


A pior parte do enterro são as condolências que vem a seguir. É horrível ter que ouvir as pessoas lamentando, nos abraçando. É terrível ficar ali, em pé, esperando que todos terminem de dizer o quanto estão sentindo. Começo a ficar com falta de ar, uma ligeira tontura se instala quando a última pessoa me abraça. Quero ir embora, quero chorar o resto do dia sozinha.

Estamos seguindo para a casa da vovó, no carro de Sasori. Quando passamos em frente ao Konoha, sinto uma forte pontada no peito. Levo a mão espalmada ao coração, perguntando em meu íntimo se ela sofreu. Disseram que foi um ataque fulminante, que a encaminhou à morte pouco depois. Levo as mãos à cabeça, querendo muito que todas as minhas dores se curem.

Suspiro alto quando desço do carro. Não será fácil entrar em casa e sentir o cheiro dela por todos os lados. Abrir a geladeira então, está fora de cogitação. Não quero topar com sua massa caseira ou o resto do molho pesto. Não posso nem pensar em sentir o aroma do pão de calabresa ou do mousse de maracujá.

Mamãe se despede de Sasori e entra. Ele, por sua vez, parece aguardar que eu diga alguma coisa. Não digo nada, não estou aqui, não estou disponível no momento. Estou mais para “deixe seu recado após o sinal.”

– As chaves. – ele me estende um molho e eu demoro a entender.

– O quê? Quando? – meus olhos vagueiam das chaves para os olhos de Sasori.

– Fui buscar ontem à noite.

– Foi buscar meu carro no chalé? E o que aconteceu por lá? – gaguejo.

– Não aconteceu nada. Apenas peguei o seu carro e trouxe de volta. – só agora noto que meu carro está na garagem.

– O que disse para o Itachi?

– Nada que ele não precisasse ouvir.

– O-que-disse-a-ele? – friso bem cada palavra.

– Isso realmente importa, Saky? Quer discutir isso agora?

– Não, não quero. – estou tão brava que quero socar alguma coisa. – Nem posso imaginar o que disse a ele, Sasori. Escute: Itachi é uma vítima nessa história toda, assim como você.

– Do que está falando? – suas sobrancelhas se unem quando ele segura meu braço.

– Não quero falar sobre isso agora, não estou em condições. – puxo o braço de volta, irritada.

– Você me prometeu. Disse que me contará esse segredo, essa coisa do seu passado que está matando você. E também quero saber o que fazia na casa do professor. Mas vou respeitar o seu momento, o seu luto.

– Ótimo. – chuto uma bituca de cigarro para o meio fio.

– Sim, ótimo. – apesar de exasperado, logo Sasori recupera o tom gentil e me puxa para um abraço. – Não quero brigar, Saky. Eu só quero entender o que Itachi está fazendo na sua vida. Não o quero na sua vida, você compreende isso?

– Compreendo. – balbucio, sentindo-me culpada e um tantinho ofendida.

– Nós só conversamos, está bem? Não rolaram socos nem nada assim.

– Que seja, pouco importa agora. – desvencilho-me do abraço de Sasori.

– Quer que eu fique? Posso ficar, é só você pedir.

– Eu quero ficar sozinha. Entende isso? – meus olhos fitam o chão.

– É claro que sim.

– Sei que precisa trabalhar, então, não se prenda por mim, você já fez demais.

– Faria qualquer coisa por você e vou dizer: eu amava a sua avó. Vou sentir muito a falta dela.

– Eu também. – enxugo uma lágrima. – Pode ir, Sasori, vou ficar legal.

– Saky, estarei de plantão essa noite. Se precisar de algo, qualquer coisa, ligue na delegacia ou no meu celular.

– Obrigada, Sasori, por tudo.

– Vai ficar bem mesmo?

– Vou sim.

– Essa dor não vai durar para sempre. Vai passar, eu prometo.

– É, vai passar. – suspiro e ele me beija.

 

∞ ∞ ∞

 

Passa de uma da manhã. Estou rolando na cama, literalmente sufocando. A qualquer momento, sinto que as paredes vão se fechar ao meu redor, esmagando-me.

Olho para a cartela de comprimidos. Não, não quero tomar essas porcarias para relaxar. Para o que eu sinto, não há remédio. Há um imenso vazio em meu peito, como se os pulmões tivessem sido retirados. A falta da minha avó nunca poderá ser preenchida. Penso se esse não seria o momento de ir embora, voltar para São Paulo com a minha mãe. Essa pode ser minha última oportunidade.

Levanto-me. Estou usando uma camisola de cetim preta, dessas curtinhas e gostosas para dormir. Abro o guarda-roupas e pego um roupão preto, bem quentinho.

Dou uma olhada para dentro do quarto da vovó. Mamãe está dormindo, abraçada ao travesseiro, ainda usando sapatos de salto. Sem fazer barulho, entro no quarto e retiro os saltos, colocando-os no chão, ao lado da cama. Cubro minha mãe com uma manta e saio do quarto, deixando a porta entreaberta. Desço a escada tentando não emitir ruído algum.

Sei que vovó guardava cigarros em casa, ela era ex-fumante. Quando encontrei o maço, certa vez, ela me disse que o mantinha apenas para um caso de extrema urgência.

Estou num caso extremo, apesar de ter fumado poucas vezes na vida.

Encontro o maço na cozinha, no fundo do armário de pratos. Procuro o isqueiro e o encontro, ao lado do forno microondas. Vou até a garagem e me sento num banco antigo, desses com muitas histórias para contar.

Vovó disse que beijou meu avô, pela primeira vez, sentada nesse banco. Ele pertenceu à minha bisavó. Aliso a madeira e a imagem da minha avó e do meu avô, aos beijos, me faz sorrir por um breve momento. Só mesmo a vovó para conseguir arrancar um sorriso meu.

Acendo o cigarro e engasgo na primeira tragada.

Não, não é isso o que vai aliviar a minha dor. Também nem adianta pensar em encher a cara, não vai funcionar. Penso em ligar para Sasori, mas o que ele poderia fazer? E estou brava com ele, apesar de dizer que pouco importava o que tinha ou não acontecido no chalé.

Vou até a sala, pego as chaves do carro e apago o cigarro no cinzeiro de cristal. Sem bolsa, vestida somente com a camisola e o roupão, descalça... entro no carro e ao invés de dirigir sem rumo, sei exatamente para onde devo ir.

Não levo mais do que quinze minutos para estacionar. A luz da varanda está acesa e Itachi se levanta quando me vê chegar. É um alívio vê-lo, é muito bom saber que ele existe.

Desço do carro e caminho em sua direção. Itachi faz o mesmo, demonstrando surpresa ao me ver ali, naquele horário. Ele não diz absolutamente nada, apenas permite que eu o abrace. E ali ficamos, por tempo indeterminado.

 

∞ ∞ ∞

 

– Saky, está frio e você está congelando. Por que não entramos?

Enxugo o rosto na lapela do roupão. Meus pés descalços viraram duas pedras de gelo, diferentes do resto do meu corpo que queima ao contato com Itachi.

– Acho melhor não. Eu só precisava vir... eu queria muito esse abraço.

– Eu faço um chá para você. E podemos acender a lareira também. – o tom de Itachi é urgente, como se quisesse me segurar por aqui. Não quero ir embora, não estou a fim de voltar para a casa da vovó hoje.

– Chá? Talvez eu fique se você tiver algo mais forte.

– Acha uma boa ideia? – um sorriso divertido passa pelo rosto de Itachi. Seus fios negros estão flutuando com a brisa e seu olhar violeta me prende num redemoinho de emoções conflitantes.

– Prometo não ficar bêbada, não é minha intenção.

– Venha. – a mão de Itachi toca a minha e sinto aqueles arrepios que só ele consegue causar. – E fique bêbada se quiser. Prometo cuidar de você.

Quando a porta do chalé se abre, preciso fechar os olhos por um segundo. Tudo está exatamente como me lembro, todas as mobílias no mesmo lugar. Com exceção dos pertences de Itachi, o restante transpira Tsunade.

– Desculpe. Talvez não seja boa ideia, esse chalé deve trazer muitas recordações. – Itachi se detém.

– Não. Quer dizer, sim. Mas não é algo ruim. É bom estar aqui e você está comigo, então, não é de todo o mal.

– Vinha sempre aqui? – Itachi leva as mãos aos bolsos da calça, fitando minhas expressões.

– Não muito. Só quando queria pensar e o chalé estava desocupado.

– Sente-se. Vou acender a lareira e preparar algo mais forte do que chá.

Estou de frente para a lareira, sentada em uma poltrona confortável, dessas antigas e bem largas. O tecido me abraça e esquenta enquanto Itachi revolve a lenha.

O chalé é pequeno, mas a sala é imensa. É separada por um degrau, o que a deixa com dois ambientes bem definidos. Lembra um chalé de caça, ou algo bem parecido com isso. Tudo é rústico e muita madeira foi usada na construção. O pé direito é alto, deve ter uns quatro metros. O teto deixa as toras de madeira aparentes, o que torna o chalé super charmoso.

Itachi remexe em um armário, na cozinha americana. Vovó reformou todo o ambiente quando os inquilinos anteriores depredaram as antiguidades. Agora, a cozinha é moderna, o que contrasta muito bem com o restante. É um casamento perfeito.

Vejo uma encadernação sobre a mesa de centro. Tenho vontade de pegar, mas não o faço. Sinto que posso estar invadindo a privacidade de Itachi. Acho que se trata de seu último livro, aquele no qual ele escreveu o refrão da música de John para Sakura.

Itachi coloca uma peça interessante sobre a bancada da cozinha. É um kit para aquecer o conhaque. Despeja o conteúdo da garrafa em uma taça de vidro e acende o bocal.

Após esquentar duas taças, ele me serve uma e se senta ao meu lado. Por algum tempo, só escuto o crepitar da lareira e os barulhos naturais do lado de fora. O conhaque esquenta a minha alma e eu começo a me sentir melhor, quase relaxada.

O fogo dança no ritmo da brisa que entra pelas frestas da veneziana.

– Sasori esteve aqui, não é? – quebro o silêncio.

– Esteve.

– O que aconteceu? – não tiro meus olhos do fogo.

– Nada que mereça ser partilhado.

– Ele foi grosseiro?

– Foi muito educado, dadas as circunstâncias.

– Nem imagino o que isso queira dizer. – meu sorriso é tenso quando trago os pés para cima da poltrona, cobrindo-os com o roupão. Meu Deus, estou de roupão!

– Olhe, o que Sasori disse ou deixou de dizer, pouco importa.

– Foi por isso que acompanhou o enterro da vovó de longe? – insisto.

– Ele pediu para eu manter distância. Ele está certo, Saky. Vocês estão juntos e ele se sente ameaçado. Eu me sentiria da mesma forma.

– Sasori não tem o direito... – trinco os dentes.

– Se vocês estão juntos, ele tem sim todo o direito.

– Não o defenda. – rebato, indignada. – Isso só mostra que ele não confia em mim.

– Confia em si própria, Saky? – Itachi gira a taça nas mãos.

Não respondo e Itachi não refaz a pergunta. Ela fica no ar, reverberando entre as paredes do chalé. A vontade que tenho é de responder: “Não confio em mim quando estou perto de você.”

Mas, enfim, melhor ficar calada.

– Por que está aqui, Saky?

– Não tenho resposta para essa pergunta. – minto, bebericando mais um gole.

– Quer falar sobre ela? Me contar suas memórias?

– Não sei se estou pronta para falar da minha avó.

Silêncio. Não é um silêncio ruim, é um não falar que me acalenta. Estou cada vez mais calma e tranquila. O efeito da bebida, do fogo, de Itachi ao meu lado... sinto as pálpebras pesando, o corpo se entregando, a respiração se tornando mais longa e profunda.

Vejo Itachi se levantar e tirar a taça da minha mão. Já estou fechando os olhos quando ele me toma nos braços, carregando-me para o quarto. Deita-me com delicadeza sobre a cama, cobrindo meu corpo encolhido com um lençol macio com aroma de sândalo.

Não, não é o lençol que cheira a sândalo, o aroma vem de outro lugar. Identifico vários bastões na mesa de cabeceira, mergulhados em um óleo perfumado. É dali que o aroma se desprende, invadindo todo o quarto. Itachi faz menção em voltar para a sala quando o seguro pelo braço.

– Por favor, fique. – suplico, fechando os olhos novamente.

– Saky...

– Por favor, Itachi.

Ouço as molas da cama rangerem quando ele se deita. Aninho a cabeça em seu peito, sentindo a dor se dissipar imediatamente. O corpo está leve, quase flutuando e sei que Itachi é o motivo de me sentir assim.

Sei dos perigos e principalmente, conheço o final dessa história. Ainda assim, não me imagino em outro lugar no momento. Estou em casa, estou segura.

Adormeço...

Sonho com a última vida, alguns dias depois do meu pai proibir que eu veja John. Foi um pandemônio quando ele cantou a música dedicada a mim no restaurante. Papai quase teve um surto e Lauren parecia querer me matar.

John foi banido do restaurante e os Lost Dogs não tiveram outra alternativa a não ser procurar outro vocalista. Não falei mais com o meu pai depois disso, a não ser monossílabas.

Por quase um mês fiquei de castigo. Se eu precisasse sair, não poderia em hipótese alguma ir desacompanhada. Lauren quase não me dirigia a palavra e, quando o fazia, era para reclamar por estar servindo de babá. Eu já estava farta daquilo, meus nervos viviam à flor da pele.

Ninguém sabia, mas eu via John todos os dias. Ele aparecia de madrugada e jogava pedrinhas na minha janela. Não conversávamos, apenas nos olhávamos de longe.

No começo, aquilo me preenchia. Dias depois, já não bastava mais.

Numa tarde, estávamos só mamãe e eu em casa. Tranquei a porta do quarto e fiz uma corda, utilizando os lençóis recém-lavados e passados. Minha mãe me mataria, isso era um fato.

Mas vou dizer: eu não estava nem aí com as consequências, precisava ver John de qualquer maneira.

Ninguém me viu sair. Não foi nada fácil descer pela corda de lençóis e eu acabei ralando minhas pernas na descida. Mas nenhuma dor se comparava a que retumbava em meu coração.

Esgueirei-me pelos becos, utilizando as sombras para me ocultar. Demorei mais tempo que o de costume para chegar ao casebre.

Ouvi o som do violão de John ao longe. Apressada, corri em direção à casinha, ansiosa demais para perscrutar o local em volta.

Alcancei meu destino, com os cabelos molhados de suor. John estava na varanda e, ao me ver, seu sorriso iluminou a escuridão. Seus dedos pararam de dedilhar e ele avançou na minha direção, embevecido da minha imagem.

Os beijos de John me tiravam do eixo, faziam com que mais nada tivesse importância. Suas mãos percorriam meus cabelos, minhas costas, meus braços. Não conseguíamos nos largar.

Os beijos só cessavam enquanto buscávamos mais ar.

Apesar de assustada, eu o desejava mais do que qualquer coisa. John foi gentil e parecia temeroso com o meu bem-estar. A todo o momento perguntava se eu queria parar, mas eu não respondia com palavras. Meus beijos escaldantes e os movimentos do meu corpo falavam por mim.

Cercados por essa atmosfera de desejo que nos incitava a continuar, eu cheguei aos céus e toquei as estrelas. Eu não sabia, não poderia imaginar que algo assim existisse.

Eu ficaria viciada em John e nesses momentos a dois. Não conseguia parar de sorrir, acreditava que nunca mais sustentaria outra expressão no rosto.

Sobre uma esteira tosca, nossos dedos estavam entrelaçados no ar. Minha respiração ainda era descompassada. Eu vestia a camisa de John e ele estava apenas com uma samba canção. Se eu morresse agora, iria embora feliz.

Mas então, sem qualquer aviso, a porta de madeirite foi escancarada, violentamente. Meu pai, acompanhado de outros pais do bairro, invadiu o casebre. A expressão de choque e desespero deu lugar a outra coisa: fúria.

Descobri que Lauren havia nos dedurado. Mas como ela sabia onde nos encontrar? Eu não fui seguida, tenho certeza disso.

Então, minha ficha caiu.

Quando não servia de babá para mim, Lauren saia de casa, com a desculpa de estudar na casa de Justine. Mas naquela tarde, correndo para John, eu lembro de ter visto Justine ajudando o pai na mercearia. Meu Deus, é claro!

Lauren devia ter descoberto sobre o casebre e ficava, à espreita, vendo e ouvindo John. Ela estava apaixonada por ele, fazia todo o sentido.

Meu pai bradava e vociferava. Pegou-me pelos cabelos, gritando e me sacudindo no ar.

Para John, foi a gota d’água. Ele voou para cima do meu velho e a luta entre eles começou.

Em pânico, tentei apartar a briga, sem sucesso. Os outros homens apenas olhavam, alguns riam e um outro me encarava como se eu fosse o próprio diabo encarnado. Um ser impuro e indigno.

John bateu em meu pai com violência e, ao me ouvir gritar e chorar, ele parou.

Trôpego, caminhou até onde eu estava, com sangue em sua camisa, rosto e mãos. Ouvi os gemidos do meu pai, ainda no chão. Dois homens ajudavam para que ele se reerguesse.

Nesse ponto, John me abraçava e eu tremia.

Foi quando eu vi.

Um dos homens entregou algo reluzente a meu pai. Com a mão firme, ele pegou a arma e mirou em John. Não houve tempo para nada, a voz não saiu da minha garganta.

O tiro foi disparado nas costas de John e naquele instante, senti como se tivesse sido atingida também. Um calor sufocante se abateu sobre mim e quando percebi, eu queimava.

Caímos os dois de joelhos, ainda abraçados.

Asfixiando, notei que a vida de John se esvaia. Ele me fitou uma última vez e queria dizer alguma coisa. Seus lábios se moviam nervosos, mas nada foi dito. Seu corpo desabou no chão e o meu caiu sobre o dele.

Vi quando seus olhos se fecharam. Uma dor lancinante me consumia, isso porque eu ainda respirava. Lembro-me de alguns flashes depois disso: meu pai gemendo num canto, os homens me socorrendo, alguém verificando a pulsação de John, uma mão estancando o sangue na altura do meu estômago.

O tiro que acertou John, transpassou o seu corpo, atingindo o meu. O mesmo tiro que matou o homem da minha vida estava prestes a me levar. E eu desejava morrer.

Os homens discutiam, em pânico. Meu pai nada dizia, estava em choque, era notório. O sangue me subia pela garganta e eu sabia que era questão de tempo.

Vi quando minha mãe e Lauren irromperam o casebre. Mamãe levou a mão à boca, mal contendo o grito que feriu meus ouvidos. Minha irmã se aproximou, ajoelhando-se ao meu lado. Tomou a minha mão e sussurrou, num arrependimento que me cortou ao meio:

– Perdão, Sakura. O que foi que eu fiz?

– Tudo bem. – respondi, num fio de voz.

E então, Lauren tocou o peito de John e começou a chorar, descontroladamente.

Um dos homens fez menção em me pegar no colo, prestes a me levar dali. Tive forças para dizer não. Eu não queria ser salva, não havia motivos para isso.

Estendi a mão para o meu pai. Ele não se moveu. Ficou ali, parado, me encarando.

A dor que eu sentia começava a ficar mais branda a cada minuto que passava. A visão de John, ao meu lado, era a visão do apocalipse. Pouco importava agora, logo estaríamos juntos novamente.

Minha mãe gritava e gritava e gritava. Precisou ser amparada e carregada para fora do casebre. Lauren estava debruçada sobre mim, sentia suas lágrimas escorrendo pelo meu rosto como se fossem minhas.

– Pai? – chamei, quase sem forças.

Ele não se moveu, mas sei que estava me ouvindo.

– Eu o perdoo.

Dito isso, a morte tocou o meu corpo e a escuridão fechou minhas pálpebras, para sempre.

 

∞ ∞ ∞

 

Acordo sobressaltada, gemendo, suando e chamando por John. Há tempos eu não acordava dessa forma, aos gritos.

Sinto que mãos quentes me amparam. Demoro algum tempo para entender onde estou e quem está me abraçando. Itachi.

– Está tudo bem, eu estou aqui. Está segura agora.

– Não! O que estou fazendo, meu Deus? – enterro o rosto nas mãos. – Eu vou acabar nos matando.

– Saky?

Vejo que os primeiros raios da manhã começam a entrar pelas frestas. Nem imagino que horas sejam. Itachi ainda me abraça e eu estou com o olhar fixo no vazio, rememorando meus últimos momentos ao lado de John.

– Eu não deveria ter vindo. Onde estou com a minha maldita cabeça? – percebo que o roupão está aberto e eu o fecho, desvencilhando-me de Itachi. Levanto da cama num salto, procurando por chinelos que não tenho. Descalça e completamente transtornada, caminho de um lado para outro antes de me decidir. Preciso ir embora, agora.

– Costuma ter pesadelos frequentes? – Itachi pergunta, me encarando.

– Desde criança. – digo, sem olhá-lo. – Itachi, eu realmente preciso ir. – meu tom é urgente e nervoso.

– Saky, você chamou por John. Quem é ele?

– Escute, não podemos mais fazer algo assim. É imprudente e vai acabar nos matando, você compreende? Precisa esquecer que existo. Melhor ainda: precisa ir embora de Vila Rica. Se você não for, irei eu.

– Do que está falando?

– Nossa história só tem um desfecho, Itachi. E esse final é sempre trágico para nós dois. Não posso permitir, não dessa vez. Vou escrever um novo final, tudo será diferente nessa vida. Itachi, me perdoe por eu ter vindo, por ter colocado nossas vidas em risco, de novo.

– Saky, você não está falando coisa com coisa.

– Estou sim. Eu realmente preciso ir. Por favor, esqueça que me conheceu. Não ouse pensar em mim. Eu sou a morte, Itachi. Eu sou a tragédia.

Procuro as chaves do carro e me lembro que ficaram na ignição. Olho para trás e o vejo de pé, confuso.

– Não vá embora assim, você não está em condições para dirigir. – ele se aproxima e dou dois passos para trás. Preciso sair já daqui.

– Eu estou bem, vou ficar legal. Por favor, não tente me seguir, isso é sério. Promete?

– Saky, eu preciso entender sobre o que está falando. Não vou permitir que vá embora dessa maneira. Se quiser mesmo ir, eu levo você.

– Não! – grito, irada. – Não ouviu nada do que eu disse? Não podemos mais nos ver, Itachi. Nunca mais, você me entendeu?

– Saky...

– Não, Itachi, eu já disse não! – pisando duro, caminho para a sala, escancaro a porta e ao sair, bato-a com firmeza.

Ouço a porta se abrindo atrás de mim e Itachi sai em meu encalço. O que devo fazer? Não posso mais permitir que meu coração tome as rédeas, preciso ser racional e pensar em como nos manter seguros.

– Pare, por favor. – Itachi me puxa pelo braço. Ao ficar de frente para ele, engulo em seco. O mundo sai de foco e eu me perco, para variar.

– Me deixe ir, Itachi. – balbucio, tentando em vão escapar de suas mãos. – Me solte, é sério. Eu preciso ir, quero estar em casa quando minha mãe acordar. E tem o Sasori, não quero que ele saiba que passei a noite fora, com você. Não posso fazê-lo sofrer.

A feição de Itachi muda no instante que menciono Sasori. Ele me solta, tombando a cabeça para trás.

– Está bem para dirigir? – a pergunta é dura como pedra.

– Estou. – entro no carro e dou a partida. Abro o vidro, mas não me vem nada à cabeça para dizer.

– Isso não acaba aqui, Saky.

– Não vou discutir com você. Vá embora de Vila Rica enquanto há tempo. – dito isso, acelero a Pajero. Quando finalmente estou fora da propriedade, a toda velocidade, enxugo uma lágrima silenciosa e um sussurro escapa dos meus lábios tensos: “Eu amo você.”


Notas Finais


Aguardo vocês nos comentários!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...