História O Homem Duplicado - Capítulo 1


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Categorias Neo Culture Technology (NCT), Red Velvet
Personagens Chenle, Doyoung, Irene, Jaehyun, Johnny, Joy, Kun, Personagens Originais, Seulgi, Taeil, Taeyong, Ten, Yuta
Tags Drama, Herdeiros, Jaeyu, Johnil, Johnny, Lovexhate, Máfia, Mafia!au, Markchan, Markhyuck, Taeil, Yujae
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Palavras 8.050
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu demorei pra conseguir escrever esse plot, mas no fim saiu o primeiro capítulo! Espero que vcs curtam!!

Capítulo 1 - Quando as coisas não saem como o planejado


Capítulo 01 

Quando as coisas não saem como o planejado

 

Era um dia como qualquer outro, a não ser pelo fato de que a família Seo daria uma festa naquela noite e Johnny precisaria ligar para um certo alguém que o tirava do sério em todas as esferas. Um baixinho, muito do marrento diga-se de passagem, e petulante também. Todas essas coisas podiam ser ditas de Moon Taeil; ao mesmo tempo um rival e um parceiro nos negócios. Esses dois não se bicavam e precisavam ter muita paciência um com o outro, coisa difícil de conseguir nos últimos tempos. 

Discou o número no celular, e enquanto esperava a chamada completar, observou tudo pela janela. O dia em Seul é bonito, as nuvens dão um belo contraste entre  branco e o azul do céu e o tempo não parece seco. Johnny presta atenção em seus funcionários que se movimentam naquela manhã. Tudo precisa estar perfeito nos pequenos detalhes para a festa de boas-vindas do senhor Seo que havia voltado de suas férias em Paris somente para nomear seu filho mais velho para o tão sonhado cargo de CEO dos negócios da família. Um conglomerado de empresas no ramo da moda, gigante tanto na Coreia quanto fora dela.

— Alô? — Falou assim que a chamada atendeu, mas percebeu uma respiração agitada, irritada do outro lado da linha.

— O que você quer Johnny? Nossa reunião é somente na outra semana que eu saiba.

Johnny riu, mordendo o lábio inferior. — Você acha que eu queria te ligar? Eu fui obrigado.

— Puts! Conta outra!

Johnny sai da janela e passa a andar pelo quarto, precisa procurar alguma roupa para vestir e tomar café.

— Vai haver uma festa aqui hoje e preciso que todos venham, para mostrar apoio em minha nova jornada como CEO da S&J. — Disse, segurando o celular entre o ouvido e o ombro enquanto mexe em suas roupas, a procura de uma calça para vestir.

— É sério? Eu não vou Johnny… Você sabe que é sempre estressante ter que olhar pra essa tua cara.

— Heheheh, sei sim, você me ama tanto que não consegue suportar… — Johnny disse, ouvindo Taeil gritar palavrões do outro lado da linha, mas deixou o celular jogado na cama para vestir-se. Ao pegá-lo de volta, Taeil ainda esbravejava palavras desconexas. — Tá certo, tá certo… Mais tarde eu passo aí para te pegar. — Desligou a ligação, ignorando a voz nervosa do outro lado e desceu em seguida.

Sentou-se à mesa rapidamente para tomar seu café da manhã, mas ouviu um pigarro alto. Johnny levantou a cabeça e encontrou seu pai, sua madrasta e uma mulher ao lado dela, ambos com uma expressão não muito agradável.

— Filho, porque não colocou uma camisa? Sua irmã está aqui hoje. — O homem disse entredentes, tomando o café e olhando torto para o filho.

Johnny olhou para a mulher ao lado de sua madrasta. Não a conhecia, ela não costumava morar naquela casa e raras vezes a viu em sua vida. Apenas sabia que seu nome era Bae Joohyun, mais conhecida por Irene por conta de suas propagandas e ensaios artísticos como modelo renomada que era. Era uma mulher linda que exalava sensualidade e Johnny não podia ignorar isso.

O rapaz soltou uma risada e falou: — Não é como se ela nunca houvesse visto um homem sem camisa não é? — E piscou para a mulher, que o encarou sem expressão.

Bae Soomin, a mulher que todos chamavam de sua madrasta fechou a cara e seu pai continuou a tomar o café. Johnny engoliu dois pãezinhos e tomou um gole rápido do café, levantando da mesa com pressa.

— Seja bem-vinda. — Acenou para a “irmã” enquanto saía apressado.

Irene sorriu e acenou com a cabeça para o rapaz, tornando a tomar seu café em silêncio com os outros dois.

×××

Do outro lado da cidade, Jung Yunoh acordava tranquilamente. A noite anterior havia sido maravilhosa. Enquanto ainda estava deitado olhando para o teto, mentalizava tudo que fizera e se pegou a sorrir. Gostava de tê-lo ao seu lado, de sentir seu corpo colado ao seu, seu cheiro… Não sabia dizer ainda se o amava, mas gostava de todas essas sensações. Olhou ao redor e viu um cartão na mesinha. Inclinou-se e abriu o tal envelope.

“Yunoh, estou indo. Não se preocupe, saí disfarçado, portanto não me viram e ninguém sabe que está hospedado nesse quarto, pode confiar.

Nakamoto Yuta”

Guardou o envelope consigo, sorrindo. Confiava naquele homem e tinha certeza da sua competência quando o negócio era realizar seu trabalho. Levantou da cama, tomou um banho rápido e saiu tranquilamente do hotel, terminando ali sua hospedagem. 

No caminho para sua casa verificou suas mensagens no celular e viu uma de Johnny, que o convidava para uma festa naquela noite. Sorriu animado; a noite prometia coisas inimagináveis.

Ao chegar em seu apartamento, trocou de roupa e ligou a TV do quarto. Os noticiários falavam da grande noite em que o fundador da S&J Empreendimentos estaria dando uma festa e faria um comunicado oficial. Todos estavam ansiosos para descobrir.

Jaehyun pegou o celular e discou o número dele.

— Yuta? — Falou, ouvindo a respiração pesada no outro lado da linha. — Está tudo bem com você? Chegou bem em casa?

— Yunoh... Oi, cheguei sim... — Disse baixo, como se fosse um crime estar falando. — Eu estou bem, e você? 

— Eu cheguei agora... — Andou pelo quarto, sorrindo e lembrando da noite dos dois naquele hotel. — Quero que você vá comigo para a festa da S&J hoje.

— O quê? Isso... isso é impossível Yunoh, não podemos ser vistos juntos, você sabe.

Jaehyun fez um bico amuado e enfiou os dedos da mão esquerda no bolso da calça, levemente nervoso.

— Mas eu quero te ver… eu preciso te ver.

— Esqueceu que você é o príncipe aclamado? Sem escândalos, sem problemas, não costuma andar com ninguém porque afinal você é de todas as mulheres Jung Jaehyun. — O homem disse, com seriedade na voz, mas um tanto magoado. 

Yunoh odiava quando ele o chamava por esse nome. Andou até a cama e sentou-se, tentando sorrir.

— Eu posso ser de todas para esse pessoal, mas você sabe de quem eu realmente sou. — Ouviu o suspiro profundo do outro lado, sabia que conseguia mexer com aquele homem como ninguém. — Eu vou enviar um carro para você as dezenove. Esteja pronto.

— Mas Yunoh...! Você não tem juízo mesmo! 

— Não preciso. — E desligou o celular, jogando-se na cama, olhando para o teto daquele apartamento e sorrindo.

×××

Taeil quase não podia se controlar. O ódio que sentia daquele idiota mimado aumentava a cada dia. Era impressionante como Johnny sempre o tirava do sério com seus joguinhos sem noção. Não era para os dois se falarem, não era nem para eles terem se conhecido, mas infelizmente os negócios se encarregaram disso. Como eram filhos de famílias influentes na Coreia do Sul, acabaram por se esbarrar anos atrás e foi quando começou o inferno na vida do Moon. Suas famílias cresceram como rivais, com os mesmos empreendimentos e depois com o mesmo contrabando de armas, e justamente por isso as famílias costumavam brigar muito no passado. Porém, quando Johnny e Taeil se conheceram, decidiram acabar com essa briga de famílias rivais e criar uma irmandade com outros colegas, donos de empreendimentos, no objetivo de proporcionar lucro para todos, mas com seus territórios delimitados de ação; assim não haveria brigas e nem discussões quando cada um fosse realizar um trabalho ou vender algo, digamos, ilicitamente. Ou seja, o objetivo é fazer seu negócio com tranquilidade e sem mexer no negócio dos "irmãos". Porém, Johnny e Taeil na maioria das vezes não conseguiam se suportar e viviam brigando como cães e gatos, trazendo mais problemas do que deveriam.

Taeil queria poder segurar o pescoço de Johnny e esmagá-lo com as próprias mãos por querer que ele, um dos Moon, comparecesse em uma festa dos Seo.

— Aquele ridículo...! Eu... eu queria muito acabar com toda aquela risadinha idiota dele no telefone... — Disse, bufando — Ele se acha o tal! 

— Eu acho que você tá paranóico com esse lance das famílias. — Seu melhor amigo, Kim Dongyoung, estava lá tomando café com ele naquela manhã de sexta-feira. — Seu pai já faleceu e só resta você e sua irmã, que não quer se meter nos negócios da família como sabemos. — O rapaz tomou o suco de laranja em um gole só. — Essa briga já acabou faz tempo, o Senhor Seo não ficará preocupado em te ver lá.

Taeil franziu a sobrancelha e pensou por alguns segundos, até que gargalhou alto. Doyoung fechou a cara, era incrível como o amigo tinha dessas loucuras de uma hora para outra.

— Hahaha! Obrigado por isso amigo, já sei que meu lugar é nessa festa hoje.

Doyoung estranhou muito a animação do rapaz.

— O que você tá tramando?

— Nada demais. — Taeil sorriu malino. — Só que agora é a hora de realmente me notarem.

Doyoung balançou a cabeça e riu baixinho, Taeil costuma ser quieto no seu canto, mas quando coloca uma ideia na cabeça não larga por nada.

××× 

As horas se passaram e o jardim do casarão da família Seo já estava arrumado para a grandiosa festa. Alguns convidados já chegaram e pareciam animados. O jardim era grande e florido. Perfeito para festas daquele tipo. Mesas decoradas com toalhas ornamentadas foram colocadas mais ao centro, algumas torres de flores em pontos estratégicos davam um ar elegante e sofisticado ao local. Um pequeno palco foi montado mais à frente, onde ficaria a banda e onde seriam realizados os anúncios oficiais. Seria uma festa e tanto e a maioria dos convidados eram empresários, chaebols famosos, cantores e atores, modelos, pessoas da alta sociedade e amigos íntimos da família. Uma festa voltada apenas para os negócios.

Johnny termina de se vestir. Um terno simples e casual, mas que sabia que o deixava com o ar pomposo e sensual que só ele carregaria em toda sua aura naquela noite. Não cumprimentou mais seu pai naquele dia e nem sua meia-irmã ou sua madrasta, não as suportava, nunca suportou a ideia de ver que seu pai casara tão rápido com outra mulher quando sua mãe desaparecera misteriosamente nos seus dezesseis anos, e isso é  uma das coisas que mais perpassam sua mente. Onde sua mãe estaria afinal? Estaria viva atualmente? O que realmente aconteceu naquele dia em que ela sumiu? Eram perguntas frequentes e que talvez durasse a vida inteira, já que tentou de todas as formas encontrá-la, mas sem sucesso. Não podia afirmar que confiava em seu pai e naquelas duas que estavam sob o mesmo teto que ele, infelizmente.

Suas tardes foram regadas a monitorar como andam as encomendas dos negócios naquela semana e onde precisaria ir para resolver pendências. Agora rumava para a casa de Moon Taeil, para trazê-lo até a festa. O sol começa aos poucos a se pôr e com isso espera que o outro já esteja arrumado. Não teria paciência de o esperar.

Estacionou o carro em frente aquela casa enorme e distante, correndo para a campainha e tocando-a loucamente. Um barulhinho logo foi ouvido de alguém que atendia.

— Residência dos Moon, quem deseja? — A voz de um senhor de mais ou menos meia idade pôde ser ouvida.

— Oi… — soltou um pigarro preso na garganta ao falar. — É o Johnny, preciso falar com o Taeil, vim aqui buscá-lo para a festa.

— Festa?

— Sim, ele não avisou nada?

De repente o silêncio reinou por alguns segundos, mas o senhorzinho voltou em seguida.

— Ah! Agora que lembrei! Ele já foi.

— Como assim? — Johnny franziu a testa, encucado.

— Ele preferiu sair cedo, pois passaria em outro lugar e de lá iria, então ele já foi, acho que deve ter se esquecido de te avisar, sinto muito.

— Sem problemas. — Johnny fechou a cara e se afastou do portão, entrando em seu carro e arrancando com tudo. Era incrível como Taeil tinha dessas coisas e ele sempre caia em seu jogo. Sentia-se patético.

××× 

Taeil chegou à festa junto de Mark e Donghyuck, dois membros de sua irmandade e companheiros fiéis em diversas situações. Moon Taeil era dono de empreendimentos no ramo da moda assim como a família Seo. Depois que seu pai faleceu conseguiu expandir seus negócios para a China e o restante da Ásia, ganhando mais prestígio por conseguir esses feitos antes dos trinta anos. 

Naquela noite sentia-se deslumbrante com seu melhor terno e anéis que costuma usar na mão esquerda. Seu cabelo era uma das formas de chamar a atenção, já que havia recém tingido de vermelho, e pelo visto estava conseguindo, pois muitos o elogiaram e quiseram tirar fotos, perguntar sobre o visual e o que ele esperava da festa. Taeil apenas sorriu para todos e disse que coisas grandiosas estavam por vir, atiçando mais ainda os jornalistas. 

Mark Lee era de uma família de políticos e contava com muitas influências no senado, sendo o deputado federal mais jovem do estado nos seus vinte e seis anos, almejando um senado no futuro, quem sabe. Já Donghyuck era filho de empresários novatos no ramo da construção civil, um empreendimento que vinha crescendo ao longo dos anos, seus vinte e cinco anos podiam ser poucos para muita gente, mas o rapaz entendia como ninguém dos negócios. Todos os olhares se voltaram para os três homens de ternos chamativos, com seus olhares misteriosos e sorrisos de dentes à mostra. Eles sabiam como fazer uma entrada triunfal.

No outro lado via-se Jung Jaehyun, o conhecido príncipe da nação que dava entrevistas, contando sobre como realizava suas doações para as crianças carentes e mostrando seu melhor sorriso. No canto direito estava Lee Taeyong, dono das maiores franquias de restaurantes da Coréia, e ao seu lado estava Seulgi e Ten, seus sócios e incríveis dançarinos de balé contemporâneo. Ambos exalam beleza e sensualidade em seus vinte e nove anos.

Mas a entrada triunfal foi sem dúvidas a de Zhong Chenle logo em seguida. Aquele garoto tinha apenas vinte e três anos e já administrava metade dos empreendimentos de sua família. Fábricas de bebidas alcoólicas feitas de arroz, renomadas em toda a Ásia, um império jamais derrubado. Repórteres e mais repórteres seguiam o garoto, querendo saber das boas-novas em seus negócios.

E nisso a festa seguiu animada. Muita música, bebida e comida à vontade para os convidados. Do alto da sacada, o senhor Seo observa tudo com um sorriso no rosto. Aquela festa daria mesmo o que falar, pensou ele. Sua esposa apareceu e o tocou de leve.

— Então… vamos?

— Agora não, quero observar um pouco mais. — Respondeu sem olhar para trás.

A mulher deixou-o a sós e foi receber os convidados com a filha.

Johnny chegou bufando, queria o mais rápido possível encontrar Taeil e entender porque ele o fez de idiota, fazendo-o dar viagem perdida. Precisa saber o que aquele homem anda tramando, pois sabe que quando age dessa forma, com certeza está tramando algo, conhece bem a peça. Os repórteres o notaram assim que botou os pés no jardim, mas John Seo foi mais rápido, desvencilhando-se de todos e rumando para uma mesa que lhe chamou a atenção. Mark e Donghyuck se encontram lá, comendo e bebendo à vontade. Johnny olhou para o lado e viu que um homem de cabelo vermelho bebia ao lado dos dois, mas o ignorou, aproximando-se.

— Ei Mark! Você viu o Taeil? — Perguntou com pressa, mas assustou-se ao ver aquela figura de cabelo vermelho em sua frente.

— Eu estou aqui, não me reconheceu? — O ruivo indagou, sorrindo.

— Vo-você pintou o cabelo de vermelho? — Johnny estava perplexo.

— Sim, gostou?

Mark e Donghyuck olharam para aquela cena e tentaram não rir.

Johnny ficou vermelho e parecia que ia explodir a qualquer momento. — Tá horrível! Você saiu mais cedo pra isso?

Johnny sentou ao lado de Taeil na mesa e já foi logo atacando os doces em uma cesta. O ruivo o seguiu, voltando a se sentar com a cara emburrada.

— Você tá querendo levar um tiro bem no meio da cara não é Seo John? Desde quando eu lhe devo satisfações das coisas que faço?

— Tá, não quero saber disso, mas não acredito que me deixou perder viagem ao te buscar para esta bendita festa!

— Outra coisa que não lhe devo é explicação. Eu quis vir por minha conta mesmo, você não é meu pai para me buscar em todos os lugares. Já disse que ver sua cara é estressante demais já. — Taeil fechou a cara e afastou a bandeja, pegando o restante dos doces.

— Ei! Eu queria comer sabia? — Donghyuck murmurou, indignado.

Johnny ia falar, mas achou melhor permanecer calado. A última vez que quis discutir com o baixinho por mais tempo, os dois quase se mataram. Apenas sentou-se à mesa e por ali ficou.

Garçons chegaram com champanhe e os quatro aproveitaram para pegar mais bebidas. No outro lado do salão, na parte de fora mais precisamente, Nakamoto Yuta sai de uma limousine um pouco acanhado, mas segurando a respiração e um sorriso ao ver tantas fotos suas sendo tiradas. Não queria estar ali, não era o seu ambiente, mas não pôde deixar o motorista esperando lá fora. No fim se arrumou e seguiu para a festa, mesmo a contragosto. 

Enquanto diversos repórteres e fotógrafos passavam por ele, tentando uma entrevista, o rapaz correu para se esquivar e assim já se viu na entrada daquele jardim enorme e cheio de pessoas. Um misto de raiva, falta de ar e admiração foram sentidos. Yuta andou um pouco mais e viu ele. Jung Yunoh, o homem que mexia com todos os seus sentidos. Ele falava com alguns repórteres e algumas mulheres se aproximaram de si. Nakamoto mordeu o lábio inferior. Sabia que Jaehyun era um homem requisitado, mas não podia deixar de sentir um certo ciúmes de todos. Sempre cercado de mulheres, com fama de pegador de todas, mas no fundo a única coisa que ele fazia era foder com os rapazes.

Aproximou-se devagar dos repórteres e observou bem aquele rosto angelical. Jaehyun era um Deus grego, como todas as capas de revista de moda diziam. Vestido com um terno branco clássico e aqueles cabelos rosados só o deixavam mais bonito ainda. Yuta não podia parar de olhar e foi nisso que se ferrou ao ter o olhar de Yunoh no seu. Suas pernas quase vacilaram, mas se manteve firme a encará-lo. Yunoh era um destruidor de corações nato, e enquanto terminava de falar com os repórteres, mostrou o seu melhor sorriso, aquele sorriso que acaba de vez com o japonês.

Jaehyun terminou sua entrevista e se despediu de todos com uma reverência típica. Yuta riu baixinho ao ver o quanto o modelo se esforça para parecer um santo na frente de todos. Mas logo esse riso se perdeu ao vê-lo andar em sua direção. Parecia que o ar havia acabado e Yuta tentou se segurar em pé. 

Yunoh passou os dedos por seus cabelos rosados e arrumou bem sua gravata. Os olhos continuaram vidrados em seu objeto de desejo. Yuta queria fugir dali, não era seguro que os vissem juntos naquela festa. Pegou um copo de vinho que um garçom ofereceu e desviou o olhar, observando as mesas e todas as pessoas que conversam animadas. Mas foi impossível, pois logo sentiu um suspiro perto de seu ouvido.

— Me encontre no banheiro em vinte minutos. — Ouviu aquela voz que tanto ama dizer e sentiu seu corpo inteiro arrepiar. Olhou para Jaehyun, mas ele já seguia a passos rápidos até o local combinado.

Yuta deixou seu copo em qualquer lugar, respirou fundo e andou um pouco ainda pelo salão, precisava fingir que nada havia acontecido. Depois passaria no banheiro, como quem não quer nada.

××× 

 

No outro lado do jardim estava Taeyong em uma mesa perto de Johnny e dos outros. Ten e Seulgi se sentavam com ele e os quatro conversavam entre si.

— E aí Johnny? Quando será o pronunciamento? — Taeyong perguntou.

Johnny olhou em seu relógio e sorriu. — Acho que exatamente, agora.

— Ansiosa para ver. — Seulgi disse, animada demais.

— Faz muito tempo que não vemos o pai de Johnny, espero que ele esteja em seu juízo perfeito para tomar essa decisão louca de passar tudo para o nome do filho. — Ten comentou.

Seulgi riu. — Cuidado com o que fala, sabe que o garoto é meio louco né?

— Tal pai, tal filho. — Taeyong disse. — James John Seo nunca foi o cara mais são das ideias. O que se sabe é que ele cometeu diversas coisas que nem imaginamos.

— Eu sou um inocente na frente dele. — Ten disse, rindo baixinho.

A banda parou de tocar e um mestre de cerimônias surgiu no palco montado no meio do jardim.

— Boa noite convidados! Nós estamos aqui para dar as boas-vindas a todos vocês! — Todos responderam em uníssono o boa noite de forma animada. 

O homem sorriu e então tornou a falar: — Como sabem, também daremos as boas-vindas para o nosso anfitrião, que retornou de Paris para nos dar ótimas notícias hoje! — Muitos já começaram a aplaudir, super animados.— Recebam nosso ilustre. James John Seo! — James Seo surgiu com a esposa de dentro do enorme casarão, em um tapete vermelho que foi colocado lá somente para o anfitrião pisar. Com toda sua pompa e sendo ovacionado por todos, deu um beijo na testa da esposa e subiu ao palco, seu sorriso era contagiante como o do filho e todos sentiram-se radiantes com sua presença. As câmeras e os fotógrafos voltaram-se para o poderoso homem.

— Boa noite! — Disse. — Como bem sabem, os empreendimentos S&J estão se expandindo a cada novo dia. Nossos negócios saíram da Ásia e hoje temos uma parte deles sendo gerenciados na Europa, Oceania e logo mais, América. — James parou e palmas surgiram. — Como bem sabem, trabalhamos com moda. E moda segura, socioambiental e livre de escravidão. Nossos colaboradores são bem pagos e trabalham dignamente para fazer com que artigos de luxo possam ir para as mãos de vocês, vocês mesmos que estão aqui hoje. — O homem apontou e pôde ouvir algumas risadas. — Mas, lembrando que a S&J também está nos lugares mais pobres, ajudando a quem mais precisa. Nossos trabalhos em áreas mais pobres, visando a educação e cursos profissionalizantes estão crescendo a cada dia. — Mais palmas foram ouvidas. — E é com todo esse orgulho, de ver que estamos crescendo e buscando melhorar todos os dias, que anuncio minha aposentadoria. — James olhou e viu que algumas pessoas lamentaram em seus lugares. — No entanto. — Disse, com o dedo para cima e cheio de sua pompa. — Não posso esquecer que em minha família, a tradição e o legado permanece em todas as gerações. A S&J já existe há quase cem anos. Começou com meu avô, meu pai, comigo. E hoje eu passo a administração total a meu querido filho, Johnny Seo! — O homem aplaudiu e chamou seu filho, sorrindo ao ver as palmas de todos os presentes.

Johnny cumprimentou os amigos próximos e até Taeil, que mesmo a contragosto, o parabenizou. Olhou ao redor para todos que sorriam alegres, e seguiu para o palco, feliz demais para conter seu sorriso. Ao subir, abraçou o pai com força, respirou fundo e falou: 

— Boa noite a todos. Quero dizer que estou muito feliz de ver que meu pai confia o suficiente em mim para administrar boa parte de seu legado. Quero fazer esse legado prosperar cada vez mais, fazendo de tudo, até aliando-me aos ditos “inimigos”. — disse, fazendo o sinal de aspas com a mão, o que fez todos rirem alto. Johnny encarou Taeil com um riso enviesado, arteiro, com pensamentos impuros demais dentro de si em relação ao ruivo. — Bom, agora que dei meus agradecimentos, fiquem livres para me parabenizar aqui no palco também!

Algumas pessoas correram até o palco, desejar coisas boas para o mais novo CEO de uma empresa trazia coisa boas. 

Ser CEO é uma responsabilidade e tanto, mas que Johnny sabia ser capaz de gerenciar. Estava orgulhoso de si e por mais que não fosse gerenciar toda a empresa, boa parte dela já era dele. Em questão de tempo teria tudo para si e não deixaria que aquela mulher que se casou com seu pai tomasse o que é seu.

— Ei vocês vão lá na frente falar? — Mark perguntou, terminando de tomar seu whisky.

— Eu vou. — Donghyuck respondeu.

Taeil sorriu malino. — Ah, essa eu não perco por nada. — E levantou da cadeira, ainda com aquele riso arteiro em seus lábios.

Mark balançou a cabeça. — Isso não vai dar certo.

Na mesa ao lado Taeyong ao ver que Moon Taeil se dirigia ao palco gargalhou alto.

— Do que você ri tanto? — Seulgi foi a primeira a perguntar.

— Olhem ali! — Apontou ao longe e os outros dois viraram para ver o motivo da risada. Quando Ten percebeu, segurou o riso também.

— Não acredito que o Taeil vai mesmo falar alguma coisa.

— Ele vai é armar mais um de seus shows pra cima do Johnny, vai vendo. — Taeyong respondeu.

— Agora essa festa tá ficando mais interessante. — Seulgi se virou, não perderia por nada aquilo. 


 

×××

Johnny já terminara de falar e agora os convidados subiam ao palco para os agradecimentos. Yuta olhou para a hora e alarmou-se ao ver que os vinte minutos já havia chegado. Correu então pelo jardim e entrou no casarão, observando os detalhes daquela enorme sala de visitas. Não era atoa que os Seo eram uma das famílias mais ricas de Seul. Só aquela casa dava umas cinco da sua. Um salão enorme, com uma mesa ao canto, com comida e bebida à vontade. Decoração luxuosa nas cortinas que Yuta pensou consigo que deveria ser o melhor tecido já feito. Um tapete vermelho estava por ali na entrada, foi por ele que James Seo havia saído acompanhado da esposa.

Continuou a andar devagar, mas um homem com vestes pretas apareceu em sua frente, assustando-o. Pensou consigo que devia ser um dos guardas.

— O que você está fazendo aqui? O baile ainda não começou. 

— Eu… estou procurando o banheiro.

— É para lá. — Disse, apontando para uma sala à direita.

— Obrigado. — Yuta agradeceu e desviou seu caminho, retornando para a tal sala.

Entrou no local e viu que era um corredor iluminado, as paredes pintadas de amarelo, ajudavam a contrastar com a iluminação branca. Andou mais um pouco e logo já estava no banheiro. Enorme, com um espelho gigante em uma das paredes, que dava para ter uma vista do corpo inteiro. Olhou para as pias e ficou embasbacado com a riqueza de detalhes em dourado, tanto na pia como nas torneiras. De um lado dava para ver as cabines e do outro os vasos sanitários. Yuta encostou na pia e ficou lá, esperando.

— Pensei que não fosse vir. — Ajeitou sua postura ao ouvir aquela voz tão conhecida.

Jaehyun saiu de uma das cabines com aquele sorriso característico que só ele tinha, e que deixava o jovem Nakamoto transtornado. Mas, não iria se intimidar. Enfiou as mãos nos bolsos da calça social e olhou sério para o modelo.

— Sabes que não deveria estar aqui. — Disse seguro de si. — Eu cuido dos seus negócios, não sou pago para ficar me divertindo em festas. 

Jaehyun passou os dedos pelo cabelo sedoso e encarou bem Yuta.

— Você não foi pago para vir aqui. Sabe disso não é? 

Yuta engoliu em seco. Não, não era pago para estar ali, e no fim das contas nem sabia direito o que estava fazendo. Era arriscado demais para os negócios de Yunoh e sua família. Os Jung eram uma das famílias que havia ficado rica por todos serem famosos. Jung Jaehyun era o príncipe de Seul, modelo, ator, cantor e o que mais todos quisessem que ele fosse. Um Deus grego intocado e que não cometia erros. Seus pais eram músicos famosos e sua mãe foi modelo por muitos anos. Suas irmãs mais velhas também eram famosas por serem modelos e atrizes renomadas, ganhando diversos prêmios de atuação e vendendo diversas cópias de discos. Os Jung além disso eram donos de boates e clubes noturnos por toda Seul. Era o negócio que mais dava lucro para a família. Jaehyun havia assumido tudo naquele ano e a pose de homem perfeito poderia cair por terra caso alguém descobrisse.

— Não… não fui. — respondeu quase sem voz.

Jaehyun se aproximou mais e estendeu a mão. Yuta sabia o que ele queria chamando-o para aquele lugar, só Deus sabia o quanto queria bater aquela porta e fingir que não o conhecia, desistir do trabalho e sumir. Mas não conseguia, estava hipnotizado. Segurou sua mão e Jaehyun apontou para a cabine em um gesto mudo, com riso safado estampado nos lábios. Entraram rapidamente e quando menos percebeu estava sendo beijado no pescoço.

— Você não tem juízo mesmo né Yunoh? — Yuta disse, sorrindo involuntariamente. 

— Eu não preciso de juízo, preciso de você. — Jaehyun disse, encostando o japonês na parede e deslizando as mãos suavemente por todo seu corpo, explorando em cada lugar.

Yuta também não podia ficar parado. Colocou as mãos na nuca alheia e levou seus lábios até o pescoço de Jaehyun, que grunhiu baixinho. Nesses momentos mais íntimos Yuta sempre pensa como se estivesse em um sonho bom demais para ser verdade, no entanto sabe que uma hora precisa acordar e encarar a realidade. O momento não era o mais apropriado. Alguém podia entrar a qualquer minuto naquele banheiro e ouvir os gemidos altos dos dois se o negócio entre eles esquentar muito.

Jaehyun encarou Yuta por um segundo e segurou seu rosto, beijando-o apressado. Parecia que o tempo para aqueles dois era curto demais e eles precisavam aproveitar cada segundo juntos. Sentindo seu corpo responder as investidas, Yuta mordeu o lábio alheio com força e sentiu o corpo tremer quando ouviu os gemidos do modelo. Jaehyun espalmou as mãos na bunda do japonês, e subiu-as para o zíper daquela calça social que queria arrancar desde que o vira vestido nela. No entanto, Yuta o parou com destreza.

— O que foi? — questionou, um pouco atordoado.

— Não vamos transar aqui. — Disse Yuta com firmeza, e sem dizer mais nada saiu da cabine às pressas. Deixando Jaehyun cheio de tesão sozinho.

×××

Taeil havia tomado algumas bebidas, não lembrava ao certo a quantidade, mas sóbrio mesmo não estava há um bom tempo. Seu objetivo no entanto, era subir naquele palco e falar algumas verdade na cara de toda aquela escória que ali se encontrava, e de quebra contar um pouco sobre o Johnny que ninguém conhecia. Só queria que aquela fila andasse mais rápido. John Suh tinha mesmo tantos admiradores assim?

— Acho melhor você desistir de fazer o que quer Taeil. — Ouviu a voz perto de seu lóbulo e ao virar viu quem era.

Franziu a testa. — O que você acha que vou fazer Lee Taeyong? — Cruzou os braços, virando de frente para ele.

— Não sei… Talvez tentar sabotar a noite do Johnny?

Taeil gargalhou alto. — Não se preocupa, no máximo quero causar uma vergonha nele.

Taeyong nada disse, apenas assentiu com a cabeça e ali permaneceu. Taeil virou-se de volta para seu lugar e sorriu, era o próximo da fila.

— E quero dizer que seu pai fez uma ótima escolha o colocando-o como o mais novo CEO claro… Você é um exemplo a ser seguido… — Um senhor de meia idade falou, fazendo Taeil se contorcer por dentro.

— Muito obrigado senhor Takeshi. — Johnny agradeceu despedindo-se do homem e olhando para o próximo que subia. 

Taeil sorria como se tivesse ganhado uma aposta, mas Johnny não era nada ingênuo. O ruivo ajeitou o terno com maestria e encarou bem aquele homem de olhar travesso. Não sabia bem como definir seus sentimentos naquele momento, um misto de raiva e ódio? Talvez fosse isso mesmo.

Virou-se para todos e sorriu. 

— Boa noite! Já que sou o último a desejar os parabéns ao Johnny, vou fechar com chave de ouro! — Disse, ouvindo algumas risadas.

— Olha bem o que vai dizer. — Johnny rosnou com os dentes cerrados e Taeil quis rir.

Envolveu a cintura do maior com o braço esquerdo e apertou bem no local. Johnny olhou bem para Taeil e mordeu o lábio inferior, esperando a cobra dar o bote.

— Bem, como todos sabem eu sou um dos Moon e nós éramos inimigos mortais dos Seo há muitos anos, mas hoje quero dizer como isso tudo começou! — A atenção de todos se voltou para o discurso de Taeil. — Se tem uma coisa que eu e minha família prezamos é a palavra de um homem e os Seo nunca foram esse tipo de pessoa! Eles não são confiáveis! — Algumas pessoas passaram a rir, outras colocaram as mãos no rosto, surpresas com as revelações. James Seo olhava para aquele show e só queria acabar com tudo. — Johnny é a pior pesso-

— Então pessoal! Moon Taeil é muito brincalhão como bem sabem! — Johnny gritou, interrompendo o ruivo que já brigava pelo microfone enquanto as pessoas se acabavam de rir. — Mas tem uma coisa que nenhum de vocês sabe! Isso tudo é uma brincadeira pra mostrar como eu estou me aliando aos ditos “inimigos”. — Apontou para um Taeil raivoso enquanto todos gargalhavam. — Eu e o Taeil estamos noivos e vamos nos casar em breve!

— O quê? — Taeil gritou.

— É o quê? — Taeyong que estava perto do palco também gritou.

A imprensa se chocou, os fotógrafos passaram a tirar mais fotos, os jornalistas correram para o palco, e foram empurrados pelos seguranças, a pedido de Johnny. Não queria ter que lidar com jornalistas em um momento como esse.

James Seo levantou, espantado com a revelação que nem ele sabia. Joohyun e Soomin ficaram um pouco surpresas também. Joohyun principalmente, por não saber quase nada sobre o meio irmão.

— É isso pessoal! Depois darei mais informações sobre isso. — Johnny disse, agarrando um Taeil histérico em cima daquele palco. — Agora o baile vai começar! Estejam à vontade para seguir para o salão. — Terminou de dizer e desceu do palco segurando Taeil e praticamente empurrando-o para que andasse.

Enquanto todos iam para o salão os dois foram para uma sala reservada que ficava no jardim. Taeil não parou nem um minuto de xingar Johnny pelo caminho. Os outros rapazes seguiram os dois mais atrás, precisavam saber que história de noivado era aquela.

— Você vai dizer amanhã mesmo para todos os jornais que isso é a maior mentira que você já contou em toda a sua vida!

Entraram na sala e Taeil ainda estava puto, andando para todos os lados e xingando baixinho. Os outros rapazes surgiram logo mais e entraram na sala.

— Foi a primeira coisa que se passou em minha cabeça, ou eu falava isso ou teria que fazer algo pior para calar sua boca!

— Tipo o quê? — Taeil disse, chegando perto de Johnny e encarando-o com os olhos em brasa.

— Ah sei lá!

Taeyong apenas estava observando em silêncio. Johnny era mesmo um sacana de marca maior. Mark e Hyuck não conseguiam conter as risadas, aqueles dois eram mesmo um belo casal como sempre diziam.

— Eu… eu vou te matar! — Taeil gritou, avançando no pescoço de Johnny e desferindo um soco em seu rosto. Os outros rapazes avançaram nos dois e os separaram. Taeyong e Mark seguraram Taeil com pressa antes que ele tentasse mais alguma coisa.

— Ei! Vocês não podem brigar! — Seulgi disse. — Será possível que eu tenho que ser a única sensata aqui?

— Eu não quero mais saber de nada! Esse filho da puta acha que eu não posso matá-lo amanhã mesmo se eu quiser? Pois eu posso!

Johnny tocou nos lábios inchados e levantou o rosto para encarar o ruivo que ainda o xingava. Riu soprado e sentou-se no sofá, cruzando os braços em silêncio.

— Taeil, mantenha a calma homem! Você é o cara mais velho de todos nós e parece a criança mais birrenta na maioria das vezes. — Seulgi brigou mais uma vez.

Taeil respirou fundo e enfim se acalmou, pedindo para ser solto. Taeyong e Mark se afastaram e cruzaram os braços, a espera de mais algum movimento daqueles dois.

— Eu não vou desfazer o que disse. — Johnny falou, dando de ombros. — Depois esses jornalistas irão esquecer tudo isso se a gente não se casar mesmo.

— Jura que eles vão? Você é famoso Johnny! — Taeil gritou. — Amanhã estará estampado em todas as revistas e jornais que o filho de James John Seo é gay!

Johnny riu. — O que não é nenhuma mentira.

Mark e Hyuck riram, Taeyong permaneceu na sua calado, ao lado de Chenle que nada dizia. Ten e Seulgi balançaram a cabeça, aqueles dois não tinham jeito mesmo.

— Pois que você sustente isso agora, pode ser uma estratégia até que inteligente! Vocês não pensaram nisso?

Johnny refletiu e sorriu. — Até que pode dar certo mesmo.

A conversa foi interrompida quando Jaehyun apareceu na sala, atraindo a atenção de todos.

— Perdi alguma coisa? — Perguntou, curioso.

— Nada demais, só o Johnny e o Taeil sendo duas crianças como sempre. — Seulgi respondeu. — Eu vou para o baile, sejam discretos por favor. — Saiu da sala, seguido de Ten e Taeyong.

Taeil ajeitou seu terno e seguiu para a porta.

— Isso ainda não acabou, amanhã a gente vai conversar muito sobre isso. — Apontou para Johnny, que balançou a cabeça, concordando. Taeil deu meia-volta e saiu apressado, sendo observado por todos.

— Eu só quero é beber hoje e nada mais. — Chenle se pronunciou, saindo da sala com Mark e Hyuck.

Johnny respirou fundo, passou os dedos pelos lábios inchados do soco que recebeu e soltou um muxoxo baixo. Levantou do sofá e andou, passando por Jaehyun sem dizer nada. 

Yunoh coçou a nuca, encucado. Não sabia o que havia acontecido, mas se era algo com Taeil e Johnny logo mais descobriria.

×××

O baile estava lotado. A banda tocava um blues arrastado. As pessoas cochichavam sobre os acontecimentos da noite enquanto tomavam seus espumantes. Havia comida à vontade e alguns casais que dançavam animadinhos no meio do salão.

Jaehyun estava sentado em uma mesa junto de outros atores e bebia um pouco de whisky com gelo. O assunto da noite era o tal noivado de John Suh com Moon Taeil, que era um rival nos negócios e Yunoh já podia imaginar o que poderia ter havido de verdade. Aqueles dois não se bicavam, e aquilo cheirava a armação. Mais tarde descobriria de qual dos dois surgiu a ideia. 

Em meio a tantas risadinhas, comida e bebida, Yunoh só conseguia pensar em uma coisa: Nakamoto Yuta. Ele havia fugido, tinha ido embora e a vontade de Yunoh era ir até sua casa e tomá-lo em seus braços. Porém, não podia. O perguntariam porque estava saindo tão cedo de uma festa importante para sua imagem. Tentaria permanecer ao menos naquela mesa sem ser importunado por alguém.

Chenle fez jus ao que queria, pegava todas a bebidas e as entornava em segundos. Mark e Donghyuck ficaram preocupados com o garoto e passaram a cuidar dele. Seulgi dançava animada no salão com Ten e Taeyong, os três já nem sabiam mais quem eram e já sabiam que mais tarde acordaram nus em uma cama. Era sempre assim quando enchiam a cara. Moon Taeil sentara-se no bar e ali estava sendo sua diversão. Beber e descobrir mil maneiras de como matar John Suh sem ser pego pela polícia. Não podia acreditar que aquele filho da puta havia mesmo inventado uma história absurda sobre noivado. Na manhã seguinte teria vários jornalistas na porta de sua casa e contaria toda a verdade para eles. Não estava e nunca iria querer ser noivo de um idiota mimado.

Em uma mesa gigante, ao canto do salão, Johnny batia os pés descontroladamente. Seu pai não o dirigiu mais a palavra e o olhava com cara de nojo, o que demonstrava que na manhã seguinte teria que ouvir muito do velho. Fora Taeil e suas manias de querer estragar tudo. Tinha ciência da imensidão daquela mentira, mas na hora não pensou bem e apenas disse. Agora teria que arcar com as consequências de dizer que estava noivo de seu rival nos negócios. No entanto, estava preocupado com Taeil. Quando ele ficava com raiva, as chances de cometer mais alguma besteira além das que tentou naquela noite era enorme. O problema é que apesar de seu pai não lhe dirigir mais nem a palavra, não queria que ele saísse da mesa, sabia disso. Os outros acionistas da empresa também o enchiam o saco com conversas sem sentido e bebidas que fingia beber. Não podia simplesmente sair dali, teria que esperar ao menos um dos mais velhos decidir ir embora, o que era quase impossível naquele momento, já que o baile estava mesmo animado.

Tentou oferecer mais bebidas para os mais velhos com o tempo, e quando percebeu que alguns já pareciam mais grogues, levantou com a desculpa de que iria ao banheiro. Correu pelo salão lotado de pessoas alegres demais e olhou em todos os lugares para visualizar aquele baixinho idiota. Esperava que ele já não estivesse cometendo loucuras ou revelando algo sobre sua vida a alguém.

Suspirou aliviado ao vê-lo minutos depois dormindo no chão, perto do bar. O homem era tão pequeno que ninguém percebeu que ele estava ali pelo visto. Johnny segurou o riso ao chegar perto e ver que Taeil ainda o xingava baixinho, falando coisas como “seu escroto, vou te matar” e “eu te odeio”. 

— Ele disse alguma coisa grave? — Perguntou ao barman.

O homem branco e sorridente demais inclinou sobre o balcão e riu ao ver Taeil deitado ali.

— Nada demais, só que iria te matar se o visse.

Johnny deu um suspiro, aliviado.

— É de praxe. — Esticou as mãos, segurando o Moon e o erguendo com força. — Bom, vou levá-lo, obrigado por cuidar dele.

— De nada. — O homem disse, acenando com a cabeça enquanto limpava um dos copos sujos que Taeil usara.

×××

Johnny ignorou os xingamentos de Taeil e o carregou de lado com certa dificuldade, já que o ruivo não conseguia andar direito. Um dos guardas o ajudou a carregar o Moon quando o viu pelos corredores. Chegaram nas escadas e os dois, Johnny e o guarda, subiram os pés do bêbado em cada degrau. Ao chegar no primeiro andar, o guarda enfim foi dispensado e os dois seguiram a sós para o quarto.

Não que Johnny não estivesse bêbado, sabia que havia exagerado um pouco por causa daqueles acionistas que o empurraram um monte de whisky, mas sua tolerância pelo visto era maior que a de Taeil. Já o conhecia por exagerar em alguns momentos e armar alguns shows quando foram para algumas festas juntos, principalmente quando ficou com raiva de alguém ou não estava em seus melhores dias.

— Eu te odeio Johnny sabia? — Taeil disse baixinho quando acordou.

— Eu sei, eu sei… — Johnny respondeu, parando em frente ao quarto e abrindo a porta. Não sabia se segurava Taeil ou se empurrava a porta. Decidiu encostar o ruivo na parede e assim poder empurrar a porta.

— Mas eu preciso dizer isso quantas vezes forem preciso. — Taeil ainda muito grogue, continuou a dizer.

— E eu vou dizer todas as vezes que sei disso. — Johnny respondeu, agarrando Taeil e o puxando para dentro do quarto.

Taeil encarou-o um pouco assustado. — Onde está me levando?

— Para o quarto ora, você precisa dormir, já bebeu demais por hoje.

— Me deixa em paz Johnny! — Gritou, tentando se afastar dele com força.

Johnny o ignorou, jogando-o na cama de casal e o cobrindo com o edredom às pressas.

— Fique aí e descanse. Vou pegar água para que possamos nos hidratar.

— Ei! Pega um remédio para dor? Minha cabeça tá péssima.

Johnny riu. — Bem lembrado, minha boca tá latejando com o soco que me deu. — Disse, saindo apressado.

Taeil encostou a cabeça e olhou ao redor, o quarto estava um pouco escuro e tudo parecia girar cada vez que ele levantava mais a cabeça. Com muito esforço conseguiu alcançar um abajur na mesinha ao lado da cama e assim teve uma visão melhor daquele quarto enorme. Era o quarto de Johnny, sabia disso, mas não sabia se era uma boa ideia estar ali.

Alguns minutos depois a porta abriu-se e Taeil estava deitado, quase dormindo quando se ergueu no susto. Johnny se aproximou com a jarra de água e a colocou na mesinha ao lado. Sentou-se na cama e começou a tirar o paletó, jogando-o sobre uma cadeira.

— O que eu estou fazendo aqui no seu quarto? — Taeil logo perguntou, depois de observar em silêncio os movimentos de Johnny.

— Era o único lugar que eu podia te trazer.

— Já vou logo avisando que estou bêbado e vulnerável, nem tente abusar de mim.

Johnny gargalhou alto. — Credo! Você acha que tenho coragem de fazer isso?

Taeil fez um bico, desconfiado. — Hmm… não sei, não confio em você…

— Tsc, tsc! — Queixou-se, em tom reprovativo. Johnny encheu o copo de água, tomou o remédio e fez a mesma coisa com Taeil, que bebeu em um gole só, pedindo mais água depois.

Quando os dois terminaram de se hidratar, Johnny se aproximou de Taeil.

— Tira esse paletó. — Falou, ajudando a puxá-lo. Jogou a peça de roupa no chão mesmo e desligou o abajur, deitando-se ao lado do Moon.

— Ei! Ei! O que tá fazendo aqui?? — Taeil gritou, assustado.

— Eu vou deitar na minha cama ora. — Johnny respondeu, irritado.

— Quê? Sai já daqui! Não vou dormir ao seu lado de jeito nenhum! — Taeil esbravejou, empurrando o maior para fora da cama.

— Não vou sair, é minha cama! Só durmo em meu quarto nessa casa! — Johnny gritou, tentando segurar os braços de Taeil.

Começou uma guerra naquela cama. Taeil empurrou Johnny para o lado com toda a força que tinha, tentando expulsá-lo da cama sendo também puxado no processo, quase caindo da cama. A guerra ainda durou por mais alguns minutos, com os dois se estapeando e disputando quem conseguia tirar quem da cama primeiro.

— Sai daqui!

— Não vou!

— Será possível que vou ter que te dar outro soco?

— Não estou nem aí!

Taeil se jogou em Johnny e ficou por cima dele. A cama se mexeu, fazendo barulho. O edredom e os lençóis já estavam todos abarrotados a essa altura. Lá de dentro não dava para ouvir o barulho da festa, o que tornava o barulho dos dois mais alto. Johnny segurou os pulsos de Taeil e o puxou para o lado, deitando por cima dele. Os dois se encararam à meia-luz e buscaram o ar para conseguir respirar, já percebendo o quanto haviam se cansado com aquela briguinha de gato e rato.

— Chega Taeil, você está bêbado e eu não vou sair da minha cama só porque você quer. — Johnny disse, encarando o ruivo e respirando fundo. Não dava para ver bem sua fisionomia, mas podia jurar que estava corado.

Taeil em um movimento súbito puxou Johnny pela camisa com força e beijou-o, enfiando a língua com pressa na boca alheia e causando um estranhamento bom em ambos. Era a primeira vez que se beijavam e por estarem bêbados parecia que tudo se intensificava. Johnny levou um susto de início, mas logo cedeu ao beijo, encostando seu corpo no do ruivo e sentindo o quanto ele estava quente. 

Mas, Taeil entendeu que aquilo não era certo e ao acordar de seus devaneios, mordeu os lábios de Johnny com força, empurrando-o para o lado de modo brusco.

— Caralho seu filho da puta! Porque me mordeu? — Gritou, passando os dedos pelos lábios que pareciam sangrar mais do que nunca agora.

— Você mereceu.

— Porra! Eu levo um soco e uma mordida e você acha que eu mereço tudo isso mesmo?

Taeil riu. — Desculpa pelo soco, foi no impulso. — Disse. — Mas não peço desculpas pela mordida, você realmente mereceu.

— Ótimo. — Johnny disse, irônico.

— Ótimo. — Taeil repetiu.

— E por que me beijou mesmo? Foi só pra me morder?

— Claro que foi! E pra te tirar de cima de mim! Acha que iria te beijar por outro motivo?

— Sei lá… Talvez porque no fundo você me ama? — Johnny disse, em tom sacana.

Taeil balançou a cabeça, em negação. — Só se eu estivesse ficando louco! — Gritou. — Chega dessa conversa, preciso dormir. — Virou-se e buscou acalmar sua mente e coração que batiam rápidos por causa daquele beijo impulsivo.

Johnny virou-se também e achou melhor tentar dormir, mesmo achando estranho que o cara que estava ao seu lado havia lhe dado o um soco, um beijo e uma mordida, tudo na mesma noite. Riu consigo mesmo fechando os olhos, a manhã seguinte seria cheia de mais problemas para lidar.


Notas Finais


Muita coisa aconteceu nesse capítulo hein? Johnny e Taeil juntos são uma figura!! AMOOOO
Mas e aí? O que acharam desse primeiro capítulo? Fiquem à vontade pra comentar, me xingar e surtar!!
Meu twitter é @makaalbarn1485


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