História O Homem que Mora na Colina - Reylo UA - Capítulo 6


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Categorias Star Wars
Personagens Finn, General Hux, Kylo Ren, Poe Dameron, Rey
Tags Reylo, Star Wars, Universo Alternativo
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Palavras 5.647
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Literatura Feminina, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, minha gente!!!

E esse capítulo passado que foi sucesso de público, hein?! Olha, fiquei pra lá de animada com tanta suposição e surtos para o que viria a seguir. OBRIGADA, SEUS LINDOS! <3

Neste capítulo, que vocês vão me desculpar porque ficou enorme, a tensão continua crescendo e Rey se vê as portas de um amadurecimento muito importante. Aqui nossa protagonista sofrerá mais um pouco, mas os caminhos podem estreitar sua relação com um certo Sr. Ren... ou não, rs.

Super beijo e ótima leitura pra todo mundo!

Capítulo 6 - Seis


O que você disse? — a Sra. Westerming perguntou à filha com os olhos arregalados, a velha senhora estava para lá de pálida.

Rey respirou fundo, reuniu toda a coragem possível em poucos segundos, e respondeu olhando principalmente para o pai:

— Eu amo outro homem, papai. Quero sua permissão para me casar com ele.

— OH, MISERICORDIOSO DEUS!!! — a Sra. Westerming trotou três passos vacilantes em direção a poltrona mais próxima e tombou dramaticamente, a mão sobre o coração e olhar angustiado como se lhe faltasse o ar — O que está acontecendo, August? O que é isso tudo? — lamuriou-se.

— Rey… filha… — O patriarca parecia para lá de atordoado. Seus olhos foram da ansiosa garota para o calado Sr. Ren, que observava a situação com uma tez intrigada — Mas como… Quem…

— Sr. Westerming, perdoe a intromissão — uma das empregadas introduziu-se com cautelosa na sala. A tensão era tão palpável que a pobre mulher sentiu um paredão invisível se erguer sobre ela e seu dever, ainda assim disse — Chegou uma visita para o senhor.

— Diga que espere, Mary! Que espere! — Frans recuperou-se momentaneamente de seu ataque para ralhar a funcionária. Logo em seguida, mirando o rapaz ao seu lado, disse-lhe: — Mil perdões pela minha filha, Sr. Ren. Ela está muito emocionada com o seu pedido então fala disparates.

— Senhores… — a empregada Mary voltou a pedir a palavra.

August se recuperou parcialmente do choque da revelação, tudo com o jovem Sr. Ren observando tornava a cena mais humilhante, e ordenou que a mulher desembucha-se de uma vez.

— É alguém realmente importante?

— Creio que sim — Mary crispou os lábios e fitou Rey de soslaio — O rapaz se apresentou como interesse romântico da senhorita Westerming e pede para conversar com urgência.

— MAS O QUE? Esse safado que ludibriou minha filha ousou vir até nós? — a Sra. Westerming se endireitou energicamente na poltrona. A dor no peito a abandonando com a rapidez de uma brisa refrescante no verão intenso — Sr. Ren, por favor, dê uma lição neste tipo que desonra minha família. Salve a honra de Rey!

— Senhora, fique calma — o Sr. Ren acalmou a enlouquecida mulher.

No pequeno intervalo de tempo em que Rey processava sobre o aparecimento de Poe e os chiliques infindáveis de sua mãe, ela pôde notar o olhar nem um pouco decepcionado, na verdade, quase divertido, que aquele convidado indesejado lançava sobre a situação. Definitivamente, ele estava de camarote naquele espetáculo.

— Diga a este senhor então para esper — retornou o Sr. Westerming para a empregada, porém foi interrompido pela entrada abrupta e esbaforida deste mesmo homem.

Os olhares de Rey e Poe se cruzaram de relance e neles havia um pedido de desculpas implícito. Para Rey, ela quase não conseguira honrar o acordo prometido, o de falar com os pais até aquele dia. Para Poe, ele estava atropelando os pedidos dela para não se intrometer na revelação. Agora, contudo, Rey sentia que seu amado não poderia ter aparecido em melhor hora.

Gostou, a seguir, de ver o olhar cumprido que o Sr. Ren deu a Poe, avaliativo e demorado, como se tentasse enxergar nele algo curioso ou, quem sabe, estivesse mesmo sentindo algum tipo de ciúme por ela. Algum sentimento tórpido. Nunca me casaria ou me apaixonaria por você, seu desprezível. Nem nos meus piores pesadelos, a garota concluiu em pensamentos.

— Senhores, me perdoem a intrusão — Poe começou, nervoso, parado à soleira do cômodo, apertando as mãos uma na outra ao passo que era encarado por quatro pares de olhos em um ambiente nada respirável. A empregada Mary, aproveitando a distração para o novo visitante, escapuliu pelo corredor.

— E quem é o senhor para invadir uma reunião particular? — August perguntou firme e rígido. Rey olhou angustiada para o pai, achou que ele seria o mais fácil para receber a notícia, mas as condições, de fato, não facilitavam para o casal.

— Senhor, todas as desculpas não serão suficientes — Poe argumentou, cabisbaixo — Sou o homem que vem se encontrando, quero que fique bem claro que com todo o respeito em todas as ocasiões, mas se encontrando, com sua querida filha única, a senhorita Westerming, durante este último ano. Me chamo Poe Dameron, não possuo muitas poses e nem carrego algum título de nobreza, toda via meu amor é genuíno. Quero me casar com ela e gostaria da permissão do senhor para tal ato.

A sala foi tomada por silêncio sepulcral. Quem observasse de fora pensaria que o cômodo havia se tornada uma catacumba medieval. A Sra. Westerming estava boquiaberta, enfim chocada o suficiente até para falar algo. O Sr. Westerming perdia a cor rosada do rosto, embora houvesse vestígios de indignação se formando em seus traços. Quanto a Rey, ela nem percebia que suspendia a respiração até o Sr. Ren dizer:

— Acredito que este não foi o melhor momento para eu estar aqui — seu vozeirão em tom apaziguador penetrou a todos — Assim, estou retornando para minha propriedade neste momento. Obrigado pelo chá, Sra. Westerming e um bom dia para todos.

Frans o encarou com as bochechas coradas de vergonha, seu repertório de exageros sendo sobrepujado pelo constrangimento de tudo aquilo. August arquejou um pedido de desculpas, embora os olhos continuassem fixos, como fogo, em Poe Dameron. E a filha do casal novamente reparou naquele jeito ladino como o Sr. Ren a fitou antes de ir. Oh, sim, ele está se divertindo com o nosso sofrimento!

— Pois a minha resposta é não — o Sr. Westerming respondeu fuzilando o homem a sua frente tão logo o outro visitando partiu.

Rey mirou estupefata seu pai e isto pareceu dar munição para a mãe começar:

— E quem é senhor, por um acaso? Um João-Ninguém sem posses ou títulos, hã? E, ainda por cima, desrespeitando uma moça de tradicional família ao se encontrar com ela as escondidas. Sedutor medíocre é o que parece ser! Casanova angariador de dotes! — se pôs de pé, aos gritos — Saiba que não há nada, absolutamente nada, para se roubar por aqui. Não mais, aproveitadorzinho barato — riu com escárnio para seu alvo.

— Mãe, pai? Por que estão agindo assim? — tremendo, Rey percebeu que chorava — Ele é o homem que eu amo! Por que? Por que?

— Rey, querida… — Poe olhou penalizado para sua moça.

— Suma daqui, Sr. Dameron. Não é bem-vindo — August encerrou a reunião farto de tudo aquilo. Não queria explicações nem nada, havia muito para se digerir para um dia só. Poe acatou a ordem e desapareceu pelo corredor do qual surgira minutos antes — E Rey, nós precisamos conversar…

— Não tenho mais nada para falar com os senhores. Nunca mais — ela soluçou, correndo para se trancar em seu quarto.

 

Rey recusou-se a receber os pais no quarto nos dois primeiros dias após o ocorrido daquela tarde. Deprimida em sua cama, pensou em mil e uma maneiras de pegar um cavalo no estábulo e cavalgar sem rumo pelo condado e, se possível, para além dele. Ela queria sumir. Seu corpo, entretanto, parecia ter sido drenado de forças, o que na verdade se provou ser a chegada de um leve resfriado. Durante a convalescença, apenas as empregadas tinham permissão para entrar no seu refúgio para lhe trazer sopas e infusões curativas, que ela bebia somente com muito esforço.

Embora a mãe fizesse o escarcéu conhecido diante da porta, fora o pai que decidira acatar a mágoa da filha, ordenando para que a esposa ficasse longe de importuná-la pelo período necessário.

Sobre tudo isso, o sentimento que mais corroía na garota era a raiva por uma pessoa muito particular: o Sr. Ren. Se não fosse ele e sua grande intromissão, ele e sua pegajosa presença ou ele e seu nefasto pedido, tudo seria diferente. August Westerming jamais expulsaria alguém de sua casa sem ouvir seus argumentos, ainda mais se eles interessassem a filha, bem como Frans Westerming não desceria tão baixo nas ofensas para destruir a moral daquele bom homem. O homem que ela amava.

Aquele intruso vestido em sua mortalha negra era uma espécie de ave agourenta que, desde o primeiro dia em que cruzou o caminho dela, fez tudo desandar.

Como estava Poe nisso tudo? O que ele pensava agora? Ela perguntava-se. Cansou de recordar todas as vezes em que contara ao namorado sobre a benevolência do pai ou os mimos da mãe, caso ela fosse com a cara de alguém. O que ele conheceu naquele dia foi algo diferente, um comportamento que nem Rey conhecia nos pais. Um ódio que simplesmente não pertencia a eles.

No terceiro dia de reclusão, finalmente chegou uma visita que fez Rey ter vontade de receber. Pouco antes do horário do almoço, uma mocinha baixa e de feições espevitadas veio de carruagem para a propriedade e pediu para subir e ter com a amiga. Instantes depois, Rose retirava o chapéu de pano da cabeça e sentava-se ao pé da cama da Westerming, a observando aflita:

— É verdade o que aconteceu?

— Do que você está sabendo? — Rey perguntou, olhando-a desconfiada em seus travesseiros.

— Eu falei com Poe… Ele me procurou — murmurou para a ocasião de alguém estar escutando atrás da porta.

— Minha nossa, Rose — a jovem sentou-se sobre o colchão — Você o viu? Como ele está? O que disse?

— Ele está preocupado com você — ela começou — Depois da tentativa fracassada de comunicar sobre vocês aos seus pais, o que na minha concepção foi deveras arriscado, ele ficou esperando-a no bosque, mas você não apareceu. Então, Poe esperou no outro dia e nada. E no outro também e nada de novo. Agora, aqui estou. Me diga, de onde veio esse plano maluco de informar o Sr. e Sra. Westerming, de supetão, sobre tudo isso?

Rey suspirou.

— Acredite, não havia alternativa melhor.

— Hã? — a moça fez cara de confusão.

— Rose, o que sabe sobre o Sr. Ren?

— Sr. Ren? Quando foi que ele entrou nessa conversa tão séria?

— Quando ele teve a ousadia de me pedir em casamento! — a outra espumou entredentes.

Rose estava estupefata o suficiente para boquiabrir-se naquela notícia. Precisando de algum tempo para juntar seus caquinhos de atonicidade com aquela confirmação, perguntou:

— Desde quando ele era interessado em você?

— Eu não tenho respostas para nada relacionado a este homem. Tudo que sei é que tenho um péssimo pressentimento sobre ele e então, naquele dia, o tal veio aqui pedir minha mão para os meus pais. Pior que isso, por algum motivo enigmático, eles estão encantados por aquele grosseirão e devem estar achando a melhor ideia do mundo me casar com ele. Se não fosse assim, papai não seria tão asqueroso com Poe como foi naquele dia.

— A sua vida é realmente uma loucura, minha querida amiga.

— Não estou para brincadeiras, Rose — disse amarga.

— Não estou brincando — Rose a tocou delicadamente na mão que estava sobre a colcha — Não conheço nada sobre o Sr. Ren, tudo que sei é aquilo que lhe contei em meu noivado: o novo habitante na casa da colina. Hoje, eu estou aqui como sua amiga e intermediária, já que seus pais apertaram o cerco ao seu redor. Quer enviar algum recado a Poe? Ele tem um para você — passou um bilhete para a amiga, que retirou do laço interno do seu chapéu lilás.

Rey pegou o bilhete com as duas mãos e seus olhos brilharam de expectativa pela surpresa. Levantando-se da cama, caminhou até a janela, um calafrio anunciava que a gripe não estava totalmente curada, e tratou de ler o que estava escrito à luz do dia.

Minha adorável senhora, como tem passado? Adorável porque nem seu rosto triste, o que vi naquele dia, apaga sua formosura, e senhora porque, não pense nem por instante que desisti de torná-la uma. Sou todo perdões por ter sido impulsivo e decidido ir até seu pai sem a sua permissão. Agora percebo o quanto fui estúpido e meu ato teve más consequências. Espero que não esteja encrencada e que possamos nos ver o mais breve possível. Estou ao seu dispor para retornar de joelhos na sua linda morada e suplicar pelo casamento junto ao Sr. Westerming. Me manda notícias o quanto antes por Rose, estou angustiado

Do seu eterno amado, Poe.

Uma lágrima solitária escorreu pelo olho direito dela ao terminar a leitura. Rose mirou a amiga com ares de pena, observando enquanto ela sentava-se diante da penteadeira, pegava tinta, pena e papel dentro da gaveta e começava a tecer sua resposta.

 

Cartas iam e vinham, Rose ia e vinha e, a cada dia, Rey tinha menos ressentimentos com os pais. Um dia sentou-se na mesa do café da manhã com eles e se alimentou sob os olhares ansiosos dos dois, comeu frugalmente e não se demorou muito à mesa, mas ficou feliz por aliviar um pouco da mágoa no coração. Eles não eram uma família dada a rancores e a jovem sentia falta dos comentários ácidos da mãe sobre a alta sociedade de Dantemir e as conversas banais, mas curiosamente profundas com pai, sobre o mundo e tudo o mais.

Uma semana depois de todo o ocorrido, ela encontrou coragem para ir ao estábulo escovar seu cavalo predileto e as cerdas da escova atritando suavemente nos pelos lustrosos do musculoso animal, levou mais das suas decepções embora. Era uma espécie de terapia estar ali. O cocheiro, o Sr. Wright, pai de Jonathan, mostrou-se uma pessoa tagarela e atenciosa com ela durante sua estada ali, algo que ele não era há um bom tempo devido a suas eternas dores artríticas.

Nas principais refeições, o purê de cenoura, um prato detestável para Rey, desapareceu como que num passe de mágicas e pratos que condiziam ao seu paladar surgiram nas mais diversas formas nos próximos dias. Mary e a outra empregada se tornaram caprichosas nos temperos prediletos da senhorita Westerming e também nos olhares bondosos para com ela enquanto diziam “Muito bem, senhorita, como tudo”.

A casa toda, aqueles empregados que a viram crescendo, além de seus pais, esforçaram-se bastante para ter a velha Rey novamente. Era como se eles estivessem em um complô bem-sucedido para apaziguar o que havia de ressentimentos dentro dela. O auge de sua melhora ocorreu em uma noite quando ela própria achou necessário conversar e por tudo as claras:

— Papai — sussurrou na porta entreaberta do escritório dele.

August ergueu olhos cansados de seus livros e focou a filha parada a sua frente.

— Rey — levantou-se da mesa e caminhou na sua direção — Está… tudo bem?

— Eu achei… Só achei que deveríamos conversar francamente — ela desabafou, uma lágrima boba escapando-lhe do canto do olho.

— Sabe de uma coisa? Eu também acho — disse sorrindo. Era seu bondoso pai ali outra vez — Mas antes, que tal um abraço?

Sem precisar pedir duas vezes, o Sr. Westerming foi rodeado pelos braços delicados da filha, que encostou o rosto em seu peito e chorou livremente. Não eram soluços, apenas silenciosas lágrimas que precisavam, com dias de atraso, deixarem o seu coração. Quando ela se acalmou eles foram para o sofá, próximo a janela, e decidiram ser francos um com o outro:

— Eu não deveria ter mentido para vocês. Foi errado esconder meu namoro desse jeito, eu sei — ela adiantou-se.

— Rey, querida, se formos falar de quem esconde o que acho que eu ganho com folga — ele confessou — Me diga, estou curioso, como tudo começou com este rapaz?

Tentando ser o mais sucinta possível, ela condensou a relação com Poe Dameron em pouco mais de cinco minutos de narração. Ao terminar o Sr. Westerming a olhava intrigado:

— Por que nunca me revelou sobre isso?

— Porque fui uma tola — suspirou — Se eu tivesse sido honesta desde muito antes, oh papai, não os constrangeria daquele jeito que o fiz com o Sr. Ren… Além disso, eu avisei a Poe que seria eu a contar, apenas eu, mas ele de algum modo sentiu que as coisas não iam bem e surgiu abruptamente na sala. Dali em diante, como sabemos, as coisas saíram do controle.

— Saíram sim — ele concordou — Peço desculpas também. Por mim e por Frans. Nós não deveríamos ter insultado e expulsado alguém tão especial a você como fizemos com ele. Chego a me sentir envergonhado desta atitulde.

— Poe entendeu, papai. Ele é maravilhoso e não se prende a primeiras impressões.

— Então a senhorita Helmer está mesmo trafegando recados entre vocês nessas muitas visitas que veio nos fazer esses dias — não era uma pergunta. Rey corou de leve e sorriu conspiratória — Filha, temo que nossos assuntos sejam sério a partir daqui — o pai respirou forte, como se tivesse de tomar um grande fôlego para o que viria a seguir — Acho que nunca me senti tão humilhado em toda a minha vida. Como fui do tudo ao nada é um mistério para mim e isto me torna ainda mais patético e indigno da responsabilidade de sustentar você e sua mãe…

— Ora papai, eu sei — ela confessou, os olhos compreensíveis — O senhor fez um ótimo trabalho por muito tempo se quer saber minha opinião.

— Obrigado, minha garotinha. E eu estimo muito sua opinião. Quanto a pedir segredo a Frans é tão útil como pedir que um cachorro não abane o rabo — concluiu.

— Mas é tão ruim assim?

— É — ele concordou e o gesto pareceu uma dificuldade sem igual — Em suma, estamos falidos.

Rey levou a mão aos lábios, espantada.

— E eu estou envergonhado do que vou dizer agora. Tudo que eu mais me orgulhava nesta minha insignificante existência era a certeza de que minha filha não viveria pressionada por dotes e casamentos arranjados, que eu a proveria e não a forçaria, sob nenhuma hipótese, a se envolver com alguém com quem não quisesse. Não foi assim comigo e sua mãe e, apesar de nós convivermos muito bem hoje em dia, naqueles primeiros anos era custoso ficar dentro do mesmo cômodo com ela. Nós nunca nos amamos, casamos forçados…

“Ainda assim, sua mãe teve um destino bom. O rapaz que ela amou antes de mim, um pobre coitado e miserável, morreu de um resfriado dois verões depois do nosso casamento e a mocinha com quem ele se casou tornou-se empregada na casa dos Robinson. Consegue imaginar sua mãe de doméstica na casa daqueles calhordas?”

— Não sabia dessa história — ela impressionou-se.

— Pois não conte a Frans, ela morreria de vergonha — ele pediu ao que ela prometeu — Retornando a casamentos e seus contratos, eu torci para que não tivesse de colocá-la nesta berlinda. Esperei que o seu coração batesse forte por quem quer que fosse, até por Jonathan se fosse o caso, afinal esse menino lhe dá cada olhadela cumprida — ela riu baixinho — Enfim, esperei na confiança que seu dote, o que passei a vida toda construindo, pudesse sustentar você e seu preterido. Eu tive fé o tempo todo.

— Mas papai…

— Me deixe terminar, está bem? — pediu lhe dando um tapinha gentil nas mãos.

— Está bem.

— Entre eu descobrir que estava perdendo minhas posses e você se encontrar as escondidas com este rapaz, fui convidado a morada do Sr. Ren sobre o pretexto de revisitar a casa do meu amigo. De fato, ele começou aquela visita me apresentando os lugares novamente, me trazendo boas lembranças do tempo em que tinha este amigo e contando sobre sua vontade de revitalizar o lugar. Mas, depois de um chá, me revelou o verdadeiro motivo: ele ficara encantado com você na festa de noivado da senhorita Helmer e temia ter criado uma péssima primeira impressão naquele evento.

— Ele não gosta de mim — Rey disse com convicção, por algum motivo não caía naquele argumento furado.

— Eu não sei, ele me pareceu honesto e muito ansioso durante o jantar.

— O jantar que o senhor armou para ele mudar sua primeira impressão? — perguntou astuta.

— Daqui em diante minhas sucessões desculpas não terão fim, Rey… Então sim, eu confabulei com o Sr. Ren para que ele tivesse uma segunda chance de fazer sua imagem para você.

— E falhou miseravelmente — ela colocou uma pedra sobre a questão — Papai, por que deixou que ele viesse me pedir em noivado daquele modo? Não quero desrespeitá-lo, mas este é o tipo de atitude que nunca esperaria do senhor.

— Eu sei, eu sei, querida — de súbito, o velho August estava fungando alto e escondendo o rosto. Rey fingiu não ver os olhos vermelhos do pai em consideração a sua honra.

— O que ofereceu? — perguntou-lhe. Aquela era a única explicação.

O Sr. Westerming demostrou o mesmo comportamento envergonhado de Poe dias antes. Cabisbaixo, praticamente nocauteado pelos muitos passos contrário ao seu caráter, ele respondeu:

— Ele sabe de minha condição. Fui franco com ele quando demostrou interesse por você. Eu disse que não podia oferecer um dote para o casamento já que estava prestes a falir. Então ele disse que não precisava de dinheiro, mas me ofereceria com muito gosto a quantia exata para saudar todas as nossas dívidas se pudesse levá-la ao altar. “É minha forma de agradecer pela amizade que teve com meu tio”, disse-me naquele dia.

Era isso então. O Sr. Ren estava se aproveitando do apuro financeiro da família para acuar um casal de velhos e comprar a filha deles. A raiva chegou a limites estratosféricos dentro da garota, que em nenhum momento culpou August por tudo aquilo. Era bem provável que o pai estivesse tentando enxergar alguma amistosidade entre ela e Ren para poder garantir um futuro abundante a cria e ainda morrer com dignidade na casa que havia construído com seu dinheiro e vitalidade.

— Eu posso reverter isto ao me casar com Poe…

— Eu o investiguei, filha. Sinto muito por isto também — ele manteve os olhos no tapete — Mandei um conhecido meu a Londres investigar os Dameron. Este seu rapaz mora em um cortiço a beira do Tâmisa. É um lugar realmente deprimente segundo descrições. Quanto ao seu emprego, ele limpa estábulos por alguns trocados, contudo não tem nenhum trabalho fixo.

— Sim, mas…

— Rey, você pode me odiar pelo resto da vida e eu merecerei cada instante deste sentimento, mas não. Eu não aprovo seu casamento com este homem. Sinto muito.

— Então aprova com o Sr. Ren? — ela disse com a voz alteando. O peito voltou a doer. Tentou se controlar, ser gentil e compreensiva, mas tudo se tornava pior ao ver o pai sentenciar sem nem ao menos estar de cabeça quente. Sua fala, ao contrário, era de alguém que havia pensado muito sobre aquilo tudo.

— Eu te quero feliz, filha, e feliz não significa acordar do lado do seu grande amor todos os dias. Felicidade pode ser, nesses tempos tão incertos, ter um teto digno para dormir e algo quente para comer. Vou lhe dizer algo sobre amores avassaladores, minha querida: eles acabam quando os problemas são grandes, os financeiros entre o maior deles.

— Não me casarei com ele.

— Tudo bem, não a obrigarei. Nós pensaremos em outra possibilidade — ele concordou finalmente a olhando — Nossa casa vai a leilão daqui um mês e eu estive pensando em mandá-la para a casa da Sra. Helmer por um tempo.

— O que? Leilão? — sua cabeça rodava. Rey levantou-se — Papai, o que está acontecendo?

— Eu já disse, Rey, estou falido. A propriedade será leiloada e eu tenho algumas semanas para descobrir onde a levarei. Meu primo em Hampshire vai acolher a mim e a Frans em um quartinho dos fundos, mas pediu que “gentilmente” você não fosse junto, primeiro porque a casa só cabe duas pessoas e segundo porque a esposa dele não quer senhoritas solteiras desfilando pelos jardins, nas palavras daquela criatura intragável.

“Juro que pensei em todas as possibilidades para levar nos três de uma vez, mas o tempo urge e não posso deixar sua mãe ao relento, fiz uma promessa ao pai dela. Assim, quando eu estiver por lá poderei procurar emprego de zelador, cocheiro ou jardineiro em alguma mansão e tentarei buscá-la para nos apertamos em um casebre melhor”.

— Diga que está brincando comigo, papai? — a voz era de desespero.

Ele finalmente não teve vergonha de chorar na frente dela. Limpando os olhos, as lágrimas rolando sem parar, respondeu:

— Eu falhei, filha. Eu falhei…

 

Certamente era a decisão mais mesquinha que ela tomaria na vida, a que mais decepcionaria o Sr. e a Sra. Westerming, contudo Rey não via saídas. Encarando sua casa, o lugar onde havia crescido e construído seu caráter, caráter em frangalhos agora, a jovem colocou o capuz da longa capa sobre a cabeça e decidiu tomar controle de seu próprio destino.

Era madrugada, tudo era silencioso e escuro, mas ouvidos poderiam estar a espreita ainda, portanto ela fez o máximo de silêncio que conseguiu, contornando os jardins e entrando no estábulo em busca do seu baio preferido. O cavalo a reconheceu prontamente, eram bons amigos, e saiu sem alardes a despeito de seus trezentos e tantos quilos, sendo guiado por sua condutora até a estrada. Dali, Rey conferiu se a trouxa de roupas estava bem fixa atrás da cela, montou sobre o lombo do animal e fitou pela última vez a forma escura e angular da casa. Com muita tristeza e um pouco de euforia, trotou na direção oposta.

Após alguns minutos em cavalgada veloz, vencendo a relva orvalhada debaixo de uma bela lua cheia naquelas planícies desertas, a moça vislumbrou a silhueta de um cavaleiro e seu cavalo, parados na estrada. Aproximou-se a trotes lentos então, observando a claridade noturna dos céus iluminarem a bela imagem do homem que a esperava. Os cachos, o olhar dedicado, os lábios prontos para um sorriso de felicidade: era Poe.

— Eu morri de saudades! — exclamou esperando-a descer do cavalo para abraçá-la. Ela retribuiu com carinho, amorosa e cheia de saudades também, embora a cabeça continuasse na casa que abandonara — Juro que acreditei que algo daria errado e você não viria — confessou, após um doce beijo.

— Disse na carta que viria, não disse? Aqui estou.

— É tão bom, tão bom ver que aceitou minha ideia! — a ideia de fugirem para viver o amor proibido nalgum longe dali. Qualquer lugar onde poderia ser a feliz Sra. Dameron.

Vou lhe dizer algo sobre amores avassaladores, minha querida, eles acabam quando os problemas são grandes, os financeiros entre o maior deles. A frase do pai veio intrusa em meio a pensamentos bons.

— A gente precisa tomar a estrada principal rapidamente, somente lá estaremos inalcançáveis caso seu pai queira nos encontrar. Precisamos ser rápidos, certo? — Poe parecia ansioso.

— Certo — ela concordou.

Com cada um subindo em seu cavalo, os amantes em fuga iniciaram a cavalgada rumo a Londres. Na cidade, Poe prometera, ele pegaria o dinheiro de um trabalho recente, se casariam as pressas e os dois embarcariam de navio para a América. O continente, escutara ele, era conhecido como a terra das oportunidades e dos novos começos. Poe ainda dissera para que ela pegasse algo de valor em casa para que pudesse vender na capital e angariar uma cabine melhor na travessia, mas Rey não tivera coragem.

Coragem. Como a encontrara para virar as costas para as pessoas que a educaram, ensinaram os melhores princípios e lhe deram uma ótima vida, em nome de uma paixão?

E esta paixão? Ela amava Poe Dameron e cada dia longe dele era uma noite sonhando com sua voz e seus sorrisos. Ela tinha certeza que ele a amava também, nenhum homem nunca a olhou e fez tanto por ela, se arriscou tanto, ensinou tanto, contudo, será que aquilo duraria? As palavras do seu pai eram as palavras de alguém que vivera quatro décadas a mais que ela… e não era prudente ouvir os mais experientes, para variar? O amor, ele superaria se os planos não descem certo? Se a América fosse um fiasco e se não houvesse mais do que pão seco e água fria todas as noites?

Como Rey ensinaria aos filhos, os montes que ela pensou em ter com Poe, sobre a poesia, a literatura e cavalgada, se não tivesse dinheiro nem para alfabetizá-los? Eles se tornariam os engraxates do Novo Mundo e ela uma ex-dama inglesa amargurada, esperando um marido ainda mais amargurado, para compartilharem o jantar mínguo do dia? Dia após dia…

Os cavalos subiram uma pequena colina depois da casa dos Robinson e o casarão portentoso deles pôde ser avistado ao longe. Rey lembrou-se da história sobre sua mãe e que ela poderia bem ter se tornado a senhora que limpava as camas e ouvia os desaforos do casal magnata daquela casa, caso escutasse seu coração. Rey não existiria e nem conheceria seu amado pai se isto acontecesse também.

Mais um quilômetro foi vencido pela agilidade dos cavalos e Poe conduzia o seu animal – não deveria ser dele, mas emprestado de alguém se o que seu pai dissera sobre sua condição fosse a real –, parecendo ter nascido para estar sobre o lombo equino. Era ágil, bonito e veloz vê-lo cavalgar.

E seu pai? August Westerming já fora um homem bonito, segundo sua mãe. Hoje ele era aquele bom velhinho, o seu amado pai. O pai que passara dos sessenta e teria de aprender a arar, reparar, conduzir ou qualquer outra coisa que um senhor caprichoso e bastante arrogante determinasse em seu futuro emprego. As dores nas costas não iriam embora jamais depois de um dia capinando. E ele certamente chegaria tão fatigado que não teria ânimo para ler seus livros, os autores russos empolgantes que eles amavam discutir, porque era pobre e sua vida seria acordar, trabalhar, comer e dormir, Todos os dias… até que seus olhos descansassem de vez numa morte estúpida, consequência do trabalho excessivo na terceira idade, isto porque tinha de sustentar a esposa caduca após a filha ingrata, que teve a chance de dar uma vida melhor a eles, fugir para outro continente. A chance que ela sempre dizia querer ter, mas não o fez por se achar melhor do que as outras moças da sua idade, as que se casavam por dotes e negócios – o casamento é um negócio! - para manter a família bem.

— Rey, nós precisamos ir — Poe parou o cavalo ao ver que ela parara de avançar, estando alguns metros longe dele.

Aproximando-se preocupado ao vê-la parada no mesmo lugar, ele mirou o rosto da amada e o sofrimento em sua maior definição nas expressões dela.

— Rey, vai dar tudo certo — tentou acalmá-la ainda montado.

Lentamente, a jovem deslizou para fora da montaria e apoiou-se sobre a sela por um instante. Poe desmontou e foi até ela:

— Nós vamos mandar cartas para eles, meu amor — disse — Eles ficarão bem.

— Poe…

— Sim? Vamos? Já podem estar perto s-

— Poe…— ela lutava contra os soluços enquanto ele parecia tapado ao sofrimento dela.

— Nós vamos parar em alguma taverna depois que for seguro e um chá vai…

— Acabou — encarou-o, o rosto lavado de lágrimas.

— É a primeira vez que você fica longe dos seus pais, eu entendo. Quando estivermos confortáveis em algum lugar eu vou te abraçar bem forte e você vai perceber como esta foi uma boa decisão.

— Não, Poe. Acaba aqui.

— Rey, o que é isso? — ele estava aflito.

— Não posso ir. Não serei eu se o fizer, entende?

— É exatamente isto — ele falava rápido — É fazer algo que nunca fez. Uma vez sequer não acatar os seus pais, afinal não é uma decisão tola. Eles querem te casar com um desconhecido e você estará fadada a infelicidade. Rey, eu te amo!

— É justamente isso, não há garantias — chorava — Nunca houve. Nada garante que eu não encontrarei a infelicidade ao trair meus pais.

— Você não está os traindo.

— Estarei se for, sei que estarei.

— Não fale isso!

— Eu te amo, Poe…

— Não, não, não — ele agarrou-a pelos ombros, em desespero — Não vá, não me deixe.

— Eu preciso — ela aproximou-se e aplicou-lhe um selinho delicado nos seus lábios. Poe aproveitou a aproximação para abraçá-la forte e implorar mais — Desejo-te toda a felicidade do mundo, meu querido.

— A minha só é possível com você, sabe disso — ele chorava também.

— E a minha não pode estar aqui sem também estar lá. Minha família precisa de mim.

— Ela é mais importante então? — lançou-se de chantagens no momento aflitivo.

Com muito esforço e tristeza, ela confirmou. Meias palavras nunca foram seu forte, Rey era resoluta e verdadeira não importava em qual ocasião fosse:

— Se eu estou te deixando neste caminho, infelizmente sim, Poe — trêmula, voltou a montar no cavalo — Me desculpe e seja feliz.

— Se você for é para sempre! — ele exclamou, despedaçado.

Com um aceno final de cabeça, tentando segurar o choro até estar de costas para ele, despediu-se em definitivo e tomou a trilha de retorno. Ao fundo, como um eco estrangulante no vazio, escutou a voz de Poe Dameron pela última vez e ela chamava o seu nome.

— REEEEEEEEEY!

Aquela linda voz, aquele lindo rosto, aquele lindo amor, tudo ficara para trás… e seu futuro tinha nome, sobrenome e um aspecto sombrio. Ele era Kylo Ren.


Notas Finais


E então, pessoal?

A grande pergunta que fica para este capítulo é: Rey fez a coisa certa?

Aguardo suas opiniões e até a próxima! ;)


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