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História O Hóspede - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Ato VII


A alegria pela cena que de maneira privilegiada assistira pela manhã, foi sufocada pela notícia desagradável que chegou aos seus ouvidos cerca de três horas depois; os lances para arrematar seu clã já haviam começado. É claro que ele sabia que o amigo loiro não iria desampará-lo, Naruto sem sombra de dúvidas deveria estar fazendo tudo o que podia para retardar o máximo o maldito leilão, ainda assim, era dolorosa a  possibilidade de ele não conseguir salvar o único patrimônio que lhe restara. O que não deixava de ser uma grande ironia, no fim das contas, já que durante boa parte da sua vida, Sasuke cogitara seriamente a hipótese de se livrar definitivamente daquelas edificações amaldiçoadas e mal-assombradas. E agora, independente de querer ou não, isso podia acontecer. A qualquer momento.

Esse pensamento incômodo martelou por sua cabeça durante um bom tempo.  Deslocou-se até a parte externa do distrito, onde podia perceber discretamente alguns ninjas do pelotão ANBU a vigiá-lo impudicamente. Rolou os olhos, aborrecido e sentou-se no gramado, embaixo de uma árvore a fim de deleitar-se com a sombra. Fazia um dia bastante quente e seco, o que proporcionava as aves que ali passavam um vôo sem grandes interrupções, seguido por uma cantoria suave.  Sasuke observou os pássaros por alguns minutos, completamente entediado.

—Bom dia,Sasuke-kun. — ele ergueu os olhos para fitar a sua linda anfitriã, que o observava analiticamente com o semblante cauteloso. — Posso me sentar?

Evitou comentar que a casa era dela e que ela podia fazer o que quisesse, não seria tão imbecil ao ponto de destilar grosseria sobre a Hyuuga, que vinha o ajudando muito, seria desnecessariamente estúpido. Ela não merecia esse tratamento, então, apenas balançou a cabeça sugestivamente. Hinata sentou-se ao seu lado,  imitando-o e encostando a cabeleireira preta-azulada também a arvore.

—Você provavelmente deve ter escutado a conversa entre meu pai e Kou. — pressupôs ela, ambos tinham seus olhos voltados para a imensidão límpida e clara do céu.

—Era só questão de tempo até os lances começarem. — balbuciou frivolamente.  Nesse momento, a portadora do Byakugan virou-se para fitá-lo. —Eu já deveria mais conformado à uma hora dessas, mesmo assim... Imaginar que outro imbecil possa se apoderar da única herança que me restou da família... — bufou, passando as mãos pelos cabelos. — É muito mais do que frustrante, hime. É desesperador.

Hinata meneou a cabeça lentamente, em concordância, afastando algumas mechas de seu rosto e colocando-as para trás de suas orelhas. Claro que nunca antes passara por nada parecido, mas imaginava como deveria ser difícil para o Uchiha.

—Você vai conseguir recuperá-lo. — balbuciou calmamente, levando sua mão até a do moreno de olhos escuros, que acompanhou, interessado, o movimento feito pela princesinha do clã Hyuuga. Hinata sorriu-lhe e Sasuke permaneceu inexpressivo, encarando-a. — Eu prometo, vou fazer de tudo para que aqueles conselheiros decrépitos lhe devolvam sua casa, Sasuke-kun.

O ex-nukenin, catatonicamente observou os traços femininos bastante delicados da kunoichi, que tinha os cabelos parcialmente presos e vestia um yukata azul, sem nenhum atrativo, exceto por um obi preto simples.  Sasuke mordeu a boca, concentrando seu olhar na mão feminina estendida sobre a sua.  A morena não se intimidava com a falta de reação do outro,  e também não o forçava a esboçar qualquer que fosse sua reação. Ela entrelaçava seus dedos aos dele sem qualquer aviso prévio, trazendo-o para si de maneira firme e bastante amigável. A quentura da pele alva contrastava com a frieza da sua, fazendo-o inconscientemente erguer a sobrancelha, observando a mão dela sobre sua; parecia tão pequena e delicadinha em comparação com a sua, maior, áspera. Cheia de sangue e responsável por ceifar vidas num passado distante... Levantou a cabeça para fitar novamente o rosto de Hinata, que continuava a encará-lo com o mesmo sorriso dócil e otimista de sempre e sentiu um leve arrepio atravessar sua espinha.

Que diabo de mulher era aquela, porra? Ele se aproximou ainda mais da morena, encostando sua cabeça a dela, fazendo com que ambas as testas se tocassem ainda que suavemente, e ele observou-a prender a respiração em expectativa. Sorriu minimamente, com satisfação. Os olhos escuros imergidos nos claros dela.

—Seu pai está olhando diretamente para nós. — sussurrou ele, percebendo que a própria respiração encontrava-se alterada, numa ansiedade incompreensível. Hinata aproximou-se ainda mais dele, roçando seu ombro calidamente ao dele, que encarava-a fixamente sem desviar os olhos um segundo que fosse.

—E os ninjas da ANBU também. — retorquiu, num tom de voz bastante inaudível.  O Uchiha permitiu-se sorrir ainda mais. — Se você se mover mais um milímetro que seja, eles vão querer fazer chover kunais em cima de você, Sasuke-kun.

Ele fungou uma risada malévola, que transformou-se num charmoso sorriso de canto, repuxando os cantos superiores de seus lábios.  Ele claramente estava pouco se fodendo para os ninjas da ANBU, ou pior ainda, para o próprio líder do clã Hyuuga. A única coisa que lhe importava, naquele momento, era descobrir se Hinata era tão boa de beijo quanto aparentava ser. Inclinou-se suavemente na direção da kunoichi, que arrepiou-se em expectativa, e sem necessitar dizer qualquer palavra que fosse, Sasuke a tomou nos lábios, beijando-a delicadamente. Ela suspirou, entreabrindo a boca para que a língua dele obtivesse passagem e então se acomodou ainda mais a ele, levando sua mão até o rosto másculo do shinobi, segurando-o carinhosamente.  Sasuke retribuiu, aprofundando ainda mais o beijo e levando ambas as mãos sobre a cintura da morena. O beijo era lento, mas não menos excitante, as bocas encaixavam-se perfeitamente uma na outra, parecendo ter sido exclusivamente moldadas um para o outro.

Foi à vez de o próprio Sasuke suspirar durante o beijo, sentindo o maldito calor espalhar-se indesejavelmente pelo seu corpo. O ápice veio quando a kunoichi mordeu lentamente a sua boca, fazendo-o emitir um suspiro mais alto. Ela sorriu divertida, e então se afastou dele. Os dois respiraram fundos, encarando-se demoradamente, sem mover um músculo que fosse para afastar-se um do outro.   As bochechas de Hinata estavam tingidas em um rubor que deixava claro a sua excitação. Ele mordeu a própria boca, desejando agarrá-la novamente, mas isso teria de ficar para a outra hora.

Infelizmente, eles não estavam sozinhos ali; possuíam um público de espectadores para assisti-los.

— O que diabos está acontecendo aqui?! — vociferou Hiashi nervosamente, atraindo a atenção da dupla de morenos que se viraram para encarar o homem. — Afaste-se da minha filha agora, Uchiha!

—Papai... — a morena o fitou de maneira repreensiva.

—Cala a boca. — disparou, Hiashi inclinando-se para agarrá-la pelo braço, no entanto, teve seu pulso agarrado por Sasuke que o segurou com rispidez. O ex-nukenin fitou demoradamente o Hyuuga, que arregalou os olhos, aborrecido pela insolência. — O que você pensa que está fazendo, Uchiha? Solte-a imediatamente desgraçado!

—Solte-a primeiro, se não quiser perder o braço. — retrucou com frieza, com os olhos intercalando entre o negro habitual e o vermelho da sua kekkei genkai. — Você é surdo? Eu mandei você soltá-la, Hyuuga.

Hiashi irritou-se com a petulância, levando a filha a soltar um palavrão aborrecida e a afastar o próprio braço, revoltadamente antes de se levantar.  Sasuke também se levantou, encarando Hiashi Hyuuga com o máximo de desprezo que lhe cabia.  O líder do clã  avançou na direção do outro, agarrando-o pelo colarinho do quimono, o que não serviu para intimidar Sasuke, mas sim para perturbá-lo ainda mais.

—Quem você pensa que é para me dar ordens, maldito?! — disparou envaidecidamente. — Essa é minha filha. Esse é meu clã.

—Tem certeza de que realmente quer brigar comigo, Hiashi? — arqueou a sobrancelha.

—Já chega vocês dois. — exclamou Hinata preocupadamente, ameaçando interpondo-se entre os dois homens, no entanto foi plenamente ignorada.

—Eu vou enxotá-lo daqui como o verme desprezível que você é! — gritou Hiashi, ativando a sua kekkei genkai. Sasuke fungou uma risada seca, aproximando-se ainda mais do velho.

—Você não vai tratar Hinata dessa maneira porca enquanto eu estiver aqui. Acredite, os membros do seu clã e os ninjas da ANBU não serão o suficiente para me impedir de te matar.

—Está me ameaçando, seu filho da puta insignificante?

—Vai saber quando eu estiver o ameaçando. — disparou Sasuke, sendo empurrado para trás por uma Hinata claramente preocupada. Ela piscou os olhos, engolindo em seco.

É óbvio que ela gostou de vê-lo tomar a frente da situação para defendê-la, mas isso não significava que era algo desejável, visto que estavam sendo observados pelos demais membros e servos da família, além da própria ANBU que se mostrava presente em peso.  Ela virou-se para fitar o pai, que parecia prestes a cometer um homicídio.

—Tire-o daqui agora mesmo, Hinata!

—Não! — rebateu aos gritos, erguendo a cabeça para encará-lo. — Sasuke não vai a lugar nenhum.  Ele é meu hóspede, e se insistir em expulsá-lo, quem deixará esse clã será você, portanto,coloque-se no seu lugar. — dizia com firmeza, encarando-o fixamente. Hiashi piscou bem os olhos,cambaleando para trás e Sasuke sorriu satisfeitamente, com orgulho. — Vamos, Sasuke.

Ela sabia que aquilo iria lhe custar caro.

O pai encarou-a com um desdém indisfarçável,  fechando as mãos em punhos, parecendo se controlar para não acertá-la e ela engoliu em seco. Atrás de si, o seu segurança pessoal estava enfrentando o mesmo dilema interior.



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