História O Imperador - Capítulo 6


Escrita por: ~ e ~DeadPuppet

Postado
Categorias The GazettE
Tags Imperador, Japao, Período Meiji, Reituki, The Gazette, Yaoi
Visualizações 46
Palavras 4.465
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Lemon, Luta, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, esse capítulo foi TODO escrito pela Maatsu, e não é por nada não mas ficou demais... Espero que gostem tanto quanto eu gostei.

Capítulo 6 - Traição e Injustiça


Fanfic / Fanfiction O Imperador - Capítulo 6 - Traição e Injustiça

No pátio do palácio estava toda a tropa de Tatsumi, haviam acabado de voltar de uma batalha. Alguns estavam feridos, não era nada de grave, eles poderiam suportar.

Todos estavam ali reunidos a mando do Imperador, durante a batalha foi informado que havia um traidor e Tatsumi como um bom mandante iria descobrir quem era.

Todos os soldados estavam perfeitamente enfileirados observando Tatsumi e Kai que andava de um lado para o outro analisando as expressões de cada um presente ali.

- Essa é a última chance para se entregar. - ditou o general, parando com as mãos para trás.

Mesmo participando da batalha, sua farda azul continuava impecável, o brasão e  os detalhes dourados brilhavam de longe. Dessa vez Tatsumi não havia participado dela, Kouyou havia ido em seu lugar, afinal já tinha 23 anos e em breve substituiria Yutaka em seus serviços.

Todos os soldados ali continuaram em silêncio, mas houve um em especial que decidiu tomar a frente e se aproximar. Tal gesto fez com que todos se olhassem entre si e cochichassem.

Kai o olhou surpreso, nunca imaginara que seria ele o traidor.

- Qual seu nome? - perguntou Kouyou sem sair do lado do pai.

- Akira. - respondeu olhando de relance para ele. - Suzuki Akira. - completou voltando a olhar para Kai que negou com a cabeça disfarçadamente.

- Você se declara culpado? - Kouyou voltou a perguntar e Akira apenas abaixou a cabeça.

- Sim, eu sou o traidor. - respondeu com firmeza na voz.

- Kai. - chamou Tatsumi. - Prenda-o e  o deixe sem água e nem comida até o dia de seu enforcamento. - ordenou e todos os soldados voltaram a cochichar. - Encerramos por hoje. - concluiu e alguns soldados ali seguraram o loiro e  o arrastaram até uma pequena casa feita de madeira que ficava próximo ao estábulo.

O lugar haviam celas e geralmente era usado para prender animais ou algumas pessoas que desobedecessem seu senhor.

Ao longe Takanori assistia a toda a cena, seu pai não lhe permitia participar de situações assim porque ele "estragava tudo" querendo ser piedoso o tempo todo. Sempre visava o lado bom da pessoa e aquilo poderia prejudicar certas situações.

Akira não resistiu ao ser levado até a cela, por mais que os soldados o arrastassem sem necessidade. Jogado encolhido em um canto ficara cabisbaixo e em silêncio o tempo todo.

- Não é você. - comentou Kai apoiando-se nas grades. - Quem é? - o loiro apenas lançou um olhar a ele, mas nada disse. - Akira... por que está fazendo isso? - perguntou com tom de pena na voz e  o outro apenas virou o rosto.

Não havia nada ali dentro além de restos de feno, correntes e algumas fezes de animais. Era escuro e também muito úmido, apenas um suspiro era o suficiente para gerar eco.  

Kai sabia que não adiantaria insistir em falar com ele, o conhecia muito bem para saber que Akira era teimoso demais, quando decidia algo ele não voltava a trás, não importava o quanto insistissem.

Saber que seria enforcado por algo que não havia feito certamente era um choque, mas tentava demonstrar que não estava nervoso e nem com medo. Era durão demais para admitir algo que lhe fugisse dos padrões de soldado inabalável.

Akira era uma dos melhores soldados de Tatsumi, em luta sabia empunhar uma espada como ninguém, até mesmo o imperador havia se impressionado com tamanha agilidade. Quando ele está lutando com sua katana, ela parece estar dançando em sua mão em uma sincronia muito bem elaborada.

[...]

Durante o jantar, como sempre era feito, apenas Tatsumi e seus filhos se sentavam a mesa enquanto alguns criados lhes serviam e retiravam as louças sujas. Por mais que fosse de praxe Takanori convidar Kai para fazer companhia aquele momento, o general recusava de certo modo não se sentia bem em frequentar um lugar junto com Tatsumi e Kouyou.

Tatsumi comia sua refeição tranquilamente enquanto Kouyou tagarelava sobre a grande vitória que haviam conquistado. Takanori até aquele momento apenas havia espalhado alguns grãos de arroz e desmanchado todo o salmão com os hashis.

- Por que ainda não comeu? - perguntara Tatsumi.

- Não estou com fome. - deu de ombros enquanto ainda brincava com a sua tigela de gohan.

Kouyou ainda continuava falando por mais que ninguém ali estivesse prestando atenção, ou pelo menos pareciam não estar.

- Finalmente descobrimos quem era o traidor, não é papai? - comentou dando um sorriso antes de levar um grande pedaço de salmão à boca.

- Como sabem que era ele? - perguntou o outro o olhando de relance.

- Ele confessou. - deu de ombros ao falar de boca cheia.

Takanori sentia-se enojado ao ver o irmão comer, ele comia como se aquela fosse sua última refeição e não se importava em usar as mãos em vez dos hashis. Nem mesmo um animal faminto comia daquele jeito.

- E acha que só uma confissão é o suficiente para incriminar alguém? Precisa de mais do que isso. - respondeu fazendo uma expressão de nojo com aquela cena.

- De que importa? Já foi decidido, ele será enforcado no final de semana. - novamente deu de ombros, agora chupando os dedos gordurosos.

- Já basta. - ditou alterado, jogando em cima da mesa o lenço que estava em seu colo. - Estarei no quarto lendo. - concluiu se levantando ao pegar uma maçã da fruteira que estava no centro da mesa.

- Isso mesmo. - falou Kouyou. - Quando eu substituir o papai pedirei para vários escrivães escrever alguns livros e mapear algumas estrelas para deixar você ocupado. - zombou dando um sorriso de canto enquanto se servia com mais comida.

- Se você acha que para ser imperador é preciso apenas ter músculos e saber empunhar uma espada, eu apenas lamento. - retrucou tomando completamente a atenção do irmão. - Irei pedir aos deuses para que suas batalhas sejam sempre vitoriosas, com licença. - fez uma reverência para Tatsumi antes de sair.

Aquelas palavras fizeram Kouyou franzir o cenho e parar completamente de comer. Até o momento seu pai nada disse, apenas terminou sua refeição em silêncio.

Takanori estava tão furioso com aquilo que nem percebera que Kai estava no corredor e acabou esbarrando em si, derrubando a maçã no chão.

- Ei, ei, cuidado. - falou o general ao segurar o rapaz que parecia estar desnorteado. - Aconteceu algo? - Takanori apenas lançou um olhar com o cenho franzido.

- O que você acha? - respondeu mal educadamente. - Eu não suporto mais ele. - comentou e Kai certamente sabia de quem ele estava falando. - Ele é porco e um tremendo grosseiro, não tem modos nem na presença de nosso pai. - confessou, agora colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto dava um longo suspiro.

- Kouyou só está sendo ele mesmo. - defendeu por mais que soubesse que aquilo era idiotice.

- Ah claro, a cada dia ele se torna mais imbecil, isso é normal, ou talvez seja uma doença. - resmungou de modo que fizera Kai rir.

Após Takanori ter completado 20 anos, era visível que os dois irmãos não se suportavam mais, tanto a estupidez quanto a ingenuidade um do outro os irritavam. Os dois só ficavam juntos no mesmo espaço quando era para resolver algo com Tatsumi e no momento das refeições.

O garoto pegou a maçã do chão e ficou olhando para ela sem nenhuma vontade de comê-la, estava injuriado, irritado e  o que mais desejava era socar pelo menos uma vez a cara de Kouyou.

Mas infelizmente ele era mais forte e mais ágil para fazer qualquer coisa.

- Quer caminhar um pouco? - perguntou o general, sabia que o rapaz não estava bem e também sabia como faze-lo se acalmar.

Takanori apenas fez um bico torto como resposta e pelo ombro, Kai o guiou até o pátio do palácio.

Naquela noite o céu estava limpo, haviam poucas estrelas mas a lua estava enorme, a ponto de iluminar boa parte daquele cenário.

Por um tempo os dois caminharam lado a lado sem dizer nada, apenas sentindo a brisa gelada e ouvindo a melodia desordenada das cigarras.

- "Quando eu substituir o papai pedirei para vários escrivães escrever alguns livros e mapear algumas estrelas para deixar você ocupado." - começou Takanori fazendo uma voz engraçada ao tentar imitar o irmão. - Eu ainda não acredito que ele vai substituir o papai. - fez um gesto com a cabeça totalmente desaprovado.

- Segundo as regras, ele é o primogênito, então assim será. - comentou Kai enquanto andava ao seu lado com as mãos para trás.

- Regras, pff... - riu soprado. - Nunca ouvi papai falar sobre essas tais regras e também em nenhum livro do palácio está escrito isso, automaticamente não é obrigatório. - disse indiferente ficando na mesma posição que o moreno.

- Sim mas, é o que geralmente acontece durante as gerações, foi assim que seu pai se tornou imperador.

- Você poderia convencê-lo a mudar de idéia. - disse com um leve sorriso no canto dos lábios. - Sabe pedir para que outra pessoa o substituísse.

- E quem seria? - perguntou curioso virando o rosto para olha-lo.

- Você. - Kai ficou espantado com o que acabara de ouvir, acabou diminuindo o passo e ficando para trás, Takanori apenas se virou e continuou caminhando dessa vez de costas. - Ninguém melhor para substituir meu pai do que você, Kai-san. - ainda havia um sorriso no canto de seus lábios.

- Eu? Imperador? - riu divertido e  o rapaz fez uma expressão confusa. - Eu não tenho capacidade para isso e já estou velho demais.

- Que isso, você é gentil, compreensivo, sabe manejar muito bem uma espada, consegue dar ordens quando necessário e... - olhou para os lados e colocou a mão ao lado da boca como se fosse cochichar algo. - É bem mais novo que o papai. - brincou tirando uma risada do general.

- E por que acha que ele iria aceitar? - perguntou curioso.

- Ora, simples. - se virou, voltando a caminhar normalmente enquanto Kai ainda continuava atrás de si. - Eu sei que você é mais do que um servo para ele. - naquele momento o moreno parou de andar, sua expressão era mais espantada ainda e Takanori só percebeu que o outro havia parado porque não ouviu nenhuma resposta vinda dele.

- E-eu não sei do que está falando. - com a voz trêmula tentou negar, era uma coisa totalmente falha, pois Takanori sabia quando alguém estava mentindo.

- Não precisa mentir pra mim. - riu voltando a onde o general ainda estava parado. - Faz um tempo que eu notei que o papai fica diferente quando está perto de você. - continuou ao passar o braço em volta do seu e puxa-lo para andar. - A quanto tempo? - perguntou visivelmente curioso.

- O que?

- Que vocês estão juntos.

- Nós não estamos juntos! - respondeu ofendido franzindo o cenho, mas suas bochechas coradas o denunciavam. Takanori apenas ficou o observando com um sorriso sapeca nos lábios fazendo o general soltar o ar dos pulmões como se estivesse se rendendo. - Já faz um tempo.

- Quanto tempo?

- Muito tempo. - concordou com a cabeça e por um momento as lembranças do passado vieram rapidamente em sua mente.

- E vocês já, hmm... se, beijaram? - perguntou nada discreto e Kai voltou a fazer aquela expressão assustada.

- Que tipo de pergunta é essa?!

- Só curiosidade. - deu de ombros. - E então, já? - o moreno hesitou em falar, mas o rapaz não parava de olha-lo, era como se estivesse o julgando apenas por pensamento. - Eu prometo que não conto a ninguém. - esticou o dedinho de sua mão para que o general o entrelaçasse.

- Já. - respondeu dando-se por vencido ao entrelaçar seu dedo ao do outro, tal gesto fez Takanori dar um largo sorriso.

- E como foi? Digo qual a sensação? Tento imaginar como seja quando leio livros de romance, mas provavelmente não seja a mesma coisa, não é?

- Não. - Kai riu. - É uma coisa que não tem como explicar, você só vai saber quando fizer um dia.

- E se esse dia não chegar?

- Chegará. - respondeu com convicção. - Quando você se casar com a mulher que seu pai escolheu. - Takanori novamente fez aquele bico torto e ficou olhando para qualquer ponto no chão.

- E se eu não gostar dela?

- Com o tempo você irá gostar, afinal, ela será sua futura esposa e mãe de seus futuros filhos.

- Eu não sei nem beijar ainda, quem dirá fazer um filho. - comentou e Kai gargalhou alto, tapando a boca em seguida para que não chamasse a atenção de qualquer outro soldado que estivesse ali por perto fazendo sua ronda.

- Ei! Isso não tem graça! - resmungou dando um soco em seu braço, o moreno estava lacrimejando de tanto rir.

- Ok, ok, desculpe. - tentou se desculpar ainda rindo.

Quando Kai se recompôs, ainda continuaram caminhando, Takanori ainda estava com o braço em volta do seu e o general ainda continuava com as mãos para trás.

- E você? Não pensa em ter esposa e filhos? - perguntou o rapaz.

- Eu nunca levei jeito com mulheres e depois que conheci seu pai, percebi que não precisava de uma.

- Mas, sem uma mulher, você não pode ter filhos. - comentou e Kai parou de andar, ficando parado a sua frente o observando com um pequeno sorriso nos lábios.

- Você e seu irmão são meus filhos. - disse e Takanori franziu o cenho confuso. - Bom, não de sangue é claro. - riu um tanto nervoso. - Mas ajudei a cuidar de vocês desde quando estavam na barriga de sua mãe e sinceramente, não os trocaria por nada nesse mundo. Por mais que seu irmão seja um grosseiro, como você disse. - brincou tirando um sorriso do garoto, em seguida beijou o topo de sua cabeça como não fizera a tempos. - É melhor você ir descansar, já está tarde. - pediu e o menor se despediu mesmo contrariado, ainda não estava com sono.

Ao voltar para o palácio, Takanori ia em direção ao seu quarto jogando a maçã para cima que ainda não havia dado nem mesmo uma mordida, até que sem lembrou do que havia presenciado de manhã.

"O deixe sem água e nem comida até o dia de seu enforcamento."

Tais palavras de seu pai eram duras, era uma injustiça deixar o tal prisioneiro sem um simples alimento, por mais que ele fosse morrer em poucos dias.

Sem que seu pai soubesse, Matsumoto foi até aquela prisão, queria pelo menos vê-lo, saber quem era.

- Eu quero passar. - disse para o soldado que barrava sua entrada em frente à porta.

- Sinto muito, mas não poderei permitir. - respondeu seriamente sem nem mesmo olhar nos olhos do garoto, era extremamente proibido que qualquer servo ali no palácio mantesse contato visual ou corporal com o Imperador ou sua família, Kai era o único que o fazia.

- Como não? - perguntou incrédulo.

- São ordens de seu pai, meu senhor. - Takanori balançou a cabeça revirando os olhos, ainda não era acostumado com toda aquela formalidade e frieza quando falavam consigo.

- Eu só quero vê-lo. - implorou e o soldado nada fez, apenas ficou olhando para frente enquanto segurava a bainha de sua espada presa na cintura. - Certo. - bufou franzindo o cenho e dando as costas para ele.

O garoto esperou por alguns segundos e com um sorriso travesso nos lábios correu em direção ao soldado no intuito de ultrapassa-lo, mas o mesmo acabou o segurando e o impedindo de entrar. Takanori gritava e se debatia para que o soltasse, mas o homem apenas acatou ao pedido quando Kai apareceu para pega-lo.

- Eu não disse que era para você ir descansar? - perguntou o general visivelmente irritado.

- E como eu posso descansar quando uma pessoa inocente está passando sede e fome?! - respondeu alterado, estava ofegante pelo esforço que havia feito e sua roupa estava toda abarrotada. - Eu só quero alimenta-lo! - defendeu-se e o moreno passou a mão pelo rosto, já estava cansado daquilo.

- Takanori, por favor, se seu pai souber...

- Que se foda meu pai, que se foda o Imperador! - Kai arregalou os olhos, nunca havia o visto responder desse jeito. - Vocês se preocupam demais com o que ele vai pensar ou fazer. - concluiu por fim dando as costas e finalmente indo para o seu quarto.

Se jogou de bruços na cama e gritou conta o travesseiro, aquele absurdo todo era demais para si e ás vezes até desejava que não fosse filho de alguém tão importante. Assim não teria tantas regras e formalidades para cumprir.

[...] 

No dia seguinte, Takanori estava decidido a pedir ao seu pai para que mudasse a ideia de pelo menos alimentar o prisioneiro, sentia-se mal quando alguém estava sofrendo e não podia ajudar.

- Mas pai, por favor. - pediu ao estar ajoelhado a sua frente.

- Eu já disse que não Takanori. - respondeu sério. - Você precisa aprender que a vida não é perfeita e que precisa ser rude às vezes, até mesmo com os filhos se necessário.

- Isso não é ser rude, é tortura. - retrucou. - Que mal vai lhe fazer ceder um pouco de pão e água?

- É apenas uma lição, ele pediu por isso, não devemos ter piedade de um traidor.

- Ele já vai morrer enforcado e quer tortura-lo ainda mais? - questionou incrédulo, seu pai estava visivelmente irritado e Kouyou apenas se divertia com aquela cena.

- Takanori... - suspirou cansado. - Eu tenho assuntos mais importantes para tratar, por que não vai aprender algo útil para ter um futuro promissor? - o rapaz franziu o cenho, principalmente quando viu seu irmão com um sorriso cínico no rosto.

- Se a mamãe estivesse viva, tudo seria diferente. - ditou por fim vendo seu pai franzir mais o cenho, fez uma breve mesura para ele e saiu dali encarando o irmão que parecia zomba-lo apenas através do olhar.

À partir daquele momento Takanori teve a certeza de que se quisesse algo, deveria conseguir por conta própria, não poderia depender de seu pai e de nenhuma outra pessoa. Estava disposto a fazer o que fosse preciso para seguir sua intuição, afinal era como o Kai, ela nunca falhava.

Esperou anoitecer para poder colocar seu plano em prática, iria conversar pessoalmente com o prisioneiro e tirar suas conclusões, precisava saber se ele era mesmo o traidor.

De madrugada, preparou-se para sair, dentro de um saco de pano colocou alguns pães e um cantil com água fresca, se cobriu com uma manta negra para poder se camuflar melhor no escuro e rumou em direção a cela obviamente se escondendo de alguns soldados que passavam por si.

Sabia que não conseguiria passar pela porta pois havia um soldado ali fazendo a guarda e então foi para a parte de trás daquela casa, ali havia uma janela com grades.

O problema é que ela era alta demais para ele.

Até momento Akira estava dormindo - ou pelo menos tentando - já que sentia muito frio  e fome. Assustou-se quando aquela pequena bolsa caiu perto de si, temeroso se aproximou para ver o que era e quando a abriu, surpeendeu-se.

- Come. - falou Takanori. - Se ainda estiver vivo aí. - riu, afinal não conseguia enxerga-lo para saber.

- Eu não quero. - respondeu voltando a jogar o saco para o outro lado através das grades.

- Qual é, estou arriscando minha vida pra te trazer comida. - disse voltando a jogar a sacola.

- Eu não pedi que viesse. - novamente tentou passar o saco pela janela. - Não precisa ter piedade de mim.

- Mesmo se você pedisse, tenho certeza que ninguém viria, além de mim é claro. - comentou de certo modo se exibindo.

- Aqui não é lugar para mulheres. - respondeu e o garoto franziu o cenho.

- Minha voz é mais grossa que a sua! - comentou ofendido.

- E isso importa?

- Você vai querer comer ou não? - questionou já irritado.

- Talvez... só um pouquinho. - o garoto revirou os olhos, jogando mais uma vez o saco pela janela.

Akira o pegou e retirou o cantil e um pedaço de pão, poderia comer apenas um pouco, mas estava faminto demais, sua boca estava ressecada e seu estômago queimava pois já estava a dois dias sem comer e nem beber.

Takanori ficou ali do lado de fora o tempo todo, apenas esperando o momento certo para perguntar o que tanto sua mente lhe perturbava.

- Por que está aí? Digo, por que se entregou?

- Isso não é da sua conta. - o moreno franziu o cenho novamente, seria difícil falar com ele.

- Eu só quero te ajudar.

- Eu não preciso da sua ajuda.

- Escuta aqui cara, você não tem amor próprio não? Deixa de ser imbecil. 

- É o meu amigo. - começou dando-se por vencido, aquilo talvez não fosse chegar a lugar nenhum já que iria ser enforcado dali a poucos dias. - Eu me entreguei para salva-lo.

- Ele não é seu amigo, ele está fazendo você pagar por um crime que foi ele quem cometeu.

- Você não entende...

- Eu entendo que você é um idiota.

- Isso não é problema seu, seja lá quem você for. - respondeu mal educadamente agora jogando pra fora a sacola vazia. - Agora se puder me deixar em paz, eu agradeço. - Takanori revirou os olhos, nunca havia lidado com alguém tão teimoso quanto ele.

Durante o resto da semana o garoto sempre levara alimento para Akira escondido, tentava tirar algumas informações suas, mas até mesmo seu irmão Kouyou era mais compreensível do que ele.

Quando chegara o dia de seu enforcamento, Takanori acordou o barulho de um alerta que ecoava por todo o palácio. Vestiu-se rapidamente para ver o que estava acontecendo e quando aproximou-se do aglomerado de homens, viu que o soldado que ficara fazendo a guarda de Akira estava morto com a espada cravada em sua barriga.

- Ele fugiu! - gritou um dos soldados ao sair de dentro da pequena casa.

- Um dos cavalos no estábulo sumiu. - comentou outro soldado.

Takanori correu de volta para dentro do palácio, deveria falar com seu pai mas aparentemente ele já sabia de tudo.

Quando entrou no salão, haviam alguns homens ali presentes, seu pai e seu irmão também estavam. Kai estava ali, mas diferente dos outros, ele era o único que estava de joelhos diante de Tatsumi.

- Pai? - o chamou aproximando-se. - O que está acontecendo? Por que essas pessoas estão aqui?

- Tirem-no daqui, por favor. - pediu e alguns soldados o seguraram.

- Pai... me soltem! - ordenou tentando se soltar, mas os homens apertavam com força seus braços.

Kai ainda continuava de joelhos e com a cabeça baixa, dois homens rasgaram suas roupas deixando suas costas à mostra e o seguraram pelos braços. Até o momento Takanori não havia notado, mas nas mãos de Kouyou havia um chicote, o mesmo que era usado para adestrar os cavalos.

O loiro mel se posicionou atrás do general e sem pensar duas vezes bateu em suas costas fazendo um barulho seco do couro conta a pele, o moreno se contorceu e fez um esforço para não gritar. Kouyou o chicoteou mais uma vez, dessa vez fazendo um corte em sua pele.

- Não! - gritou Takanori se debatendo para se soltar dos homens que tentavam o arrastar para fora dali. - Por que está fazendo isso?! Papai! Por que está fazendo isso?! - gritava fazendo sua voz sair mais rouca do que já era. Tatsumi apenas fechou os olhos, não suportava ver Kai sofrendo mais uma vez.

Kouyou o acertou mais algumas vezes, já estava ofegante e quando ia dar seu último golpe, seu irmão interferiu o empurrando para longe.

- Não se atreva a encostar nele novamente, nenhum de vocês! - ordenou sério ao abraçar o general no intuito de protegê-lo, seu rosto já estava molhado devido as lágrimas igualmente a Kai, a diferença é que seu choro era de raiva.

- Não se meta Takanori, ele libertou nosso prisioneiro e devido a isso ele é um traidor também. - falou Kouyou.

- Kai não tem nada a ver com isso. - respondeu passando a manga de sua blusa contra o nariz. - Fui eu... fui eu quem o libertou. - encarou seu pai, naquele momento não estava com medo nem mesmo do que poderia acontecer consigo depois.

- Taka, não... - sussurrou Kai ainda chorando e o garoto o abraçou mais forte fazendo com que seu rosto se escondesse em seu peito.

- Você não sabe o que está dizendo. - continuou Kouyou, agora recebendo um olhar mortal de seu irmão, suas íris azuis estavam quase escondidas pela pupila dilatada.

- Cala a boca, embuste..  - sua voz soou mais grossa que o normal, ela ainda estava rouca mas não tanto quanto no momento em que estava gritando.

O loiro franziu o cenho visivelmente irritado, não iria permitir que seu irmão falasse consigo daquele modo. Apertou com força o cabo do chicote que ainda segurava e tentou acerta-lo, mas quando ergueu o braço seu pai o impediu segurando seu pulso.

- Quero vocês dois em meus aposentos agora. - ordenou Tatsumi ao lançar o mesmo olhar para os dois.

- Eu irei, quando eu estiver terminado de cuidar dos ferimentos dele. - contrariou Takanori. - Enquanto ele não estiver bem e em segurança, eu não irei. - ditou por fim, sério do mesmo modo que seu pai estava.

- Você vai contrariar uma ordem de nosso pai?! - perguntou incrédulo.

- Eu já não mandei você ficar quieto? - retrucou voltando a encara-lo. - Depois, se o senhor quiser, pode me matar, deserdar ou fazer qualquer coisa, mas não agora. Não enquanto Kai precisar de mim.

Quando Tatsumi viu Takanori enfrenta-lo, a imagem de Kisaki veio em sua mente, seu filho estava defendendo o general como sua esposa defendia os outros e principalmente Kouyou quando criança.

O imperador nada disse, apenas soltou o pulso de Kouyou e caminhou para fora do salão, os dois irmãos se encararam até Kou se afastar e seguir seu pai. Quando Takanori se viu ali sozinho com os soldados, permitiu-se suspirar aliviado por ainda estar vivo e inteiro.

 


Notas Finais


E aí manas, atualizamos rápido, não? 🌚

Estamos muito empolgadas em escrever essa fic que acabamos até deixando as outras de lado (eu pelo menos :v)

Estaremos aguardando ansiosas pelos comentários de vocês o/


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...