História O inesperado depoimento da Condessa de Inverness - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Hiruzen Sarutobi, Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Madara Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Concurso Sete Pecados, Ira, Madasaku, Narusasu, Pansaki, Pecado Capital, Sasunaru, Século Xix, Século Xx
Visualizações 109
Palavras 2.000
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Literatura Feminina, Policial, Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Para todos que já sucumbiram à ira.

Capítulo 1 - Capítulo Único


O INESPERADO DEPOIMENTO DA

CONDESSA DE INVERNESS

 

Meu amado filho,

É com muita dor em meu coração que escrevo esta carta para ti. Não há tempo para mensagens muito longas, e embora eu sequer desejasse precisar escrever-te, já não sou a mesma garota tola cujo um dia sentiu-se otimista sobre o mundo para pensar que o verei em breve.

Suplico para que não cresças a odiar-me. Não suportaria receber tal sentimento do único ser capaz de preencher a minha existência com bons frutos. A verdade querido, é que nenhuma mãe deveria ter que se separar da sua criança; esta é uma crueldade que jamais serei capaz de perdoar. No entanto, até que tudo seja resolvido, preencherei meu pobre coração com as poucas lembranças que tenho sua e, com a certeza de que um dia nos reencontraremos.

Ao pôr-do-sol do seu vigésimo aniversário, estarei com você.

Amo-te, meu pequeno Sirius.

 

— Por sua mãe.

 

Londres, 1915.

— Não compreendo o motivo pelo qual a Vossa Graça exigiu que fosse eu a ouvir seu depoimento — confessou Sasuke. — Sou um mero jornalista iniciante. Peço perdão, mas não acho apropriado que seja eu a escutá-la.

Observou a mulher sentada do outro lado da mesa de madeira. Cautelosamente analisou-a; tratava-se de uma mulher muito bonita: a pele clara era desprovida de qualquer deformidade, combinando perfeitamente com o tecido caro de tonalidade avermelhada que cobria boa parte de seu corpo, deixando somente os braços aparentes, esses que eram parcialmente cobertos por uma camada rendada da cor creme, que a vestia como uma segunda pele por cima do vestido escarlate. As flores ramificadas da costura davam-lhe uma jovialidade e delicadeza que Sasuke não poderia ignorar. E embora soubesse que a mulher encontrava-se no auge de seus 35 anos, os traços graciosos, como os olhos grandes e verdes vibrantes, as bochechas enrubescidas, devida àquela tarde particularmente quente em Londres, e os peculiares fios rosa que foram penteados em um coque baixo na lateral esquerda de sua cabeça, ocultos pelo chapéu de porte médio da cor creme, com três rosas vermelhas pregadas juntas no lado esquerdo.

O cordão de grossos botões de pérolas circundava o pescoço delicado. Nas mãos — que estavam cruzadas sobre a mesa — usava um par de luvas rendadas com o mesmo padrão de costura da segunda vestimenta que trajava. Sendo um bom observador, percebeu que havia um anel, com uma grande pedra de obsidiana de contornos prateados, em seu dedo anelar da mão esquerda. Porém, o padrão da jóia não condizia com um anel de casamento.

— Certamente há alguma verdade em suas palavras, senhor Hatake — sorriu contida — mas, acredito que és a pessoa certa para ouvir-me. — A voz da Condessa era doce, contudo havia uma sonoridade que demonstrava uma imponência que somente era adquirida com anos em sua posição nobre.

Sasuke permanecera em um silêncio que incontáveis vezes causava desconforto em suas companhias, entretanto, a Condessa mostrava-se paciente perante seu ato corriqueiro. Com os dedos nervosos, bateu-os sobre a madeira a sua frente enquanto ponderava se estava fazendo a coisa certa, pois ainda que fosse um pedido (mesmo tendo parecido uma exigência a primeira vista) da própria Condessa de Inverness, acreditava que não era a pessoa adequada para ouvir um dos depoimentos mais aguardados por longos sete anos.

Era bem verdade que se encontrava curioso, afinal era um jornalista. Seu trabalho consistia em encontrar as matérias mais cobiçadas entre seus semelhantes e, mais comentadas pelos cidadãos. E seria ignorância da sua parte desprezar um depoimento que outrora fora motivo de diversos boatos, desde os mais simples aos exagerados e fantasiosos.

Suspirou, rendendo-se à sua natureza curiosa.

— Certo. Primeiramente, preciso que a Vossa Graça se apresente — disse Sasuke, e ele percebeu quando a mulher sorriu o suficiente para que rugas se formassem abaixo de seus olhos.

Não confiava nela totalmente, principalmente pela atitude questionável ao exigir ficar somente em sua presença, sendo ele, proibido de anotar quaisquer confissões ou fragmentos de sua história. Hiruzen Sarutobi — o delegado —, também possuía um olhar desconfiado, mas ninguém ousou contestá-la; não seria Sasuke que iria fazê-lo.

Ela respirou profundamente, portou-se ereta na cadeira desconfortável e o olhou nos olhos.

— Chamo-me Sakura Haruno Uchiha, sendo o nome do meio o de batismo, o último, herdado do meu casamento com o Conde de Inverness, Madara Uchiha — disse Sakura.

— Vossa Graça casou-se somente com o Conde de Inverness?

— Sim. Fui prometida ao meu falecido senhor desde o meu nascimento; meu pai entregou-me a ele assim que tive meu primeiro sangue, aos 14 anos.

— Apaixonaram-se? — indagou Sasuke, recebendo uma risada graciosa em resposta.

— Certamente não. Fora uma união devido aos bens materiais. Os bens de minha família estavam escassos, então papai ofereceu-me como uma troca por um baú de ouro. No início, tentei amar o meu senhor. Todavia, essa se mostrou uma atitude impossível.

— E como era o casamento dos senhores?

— Exemplar. O Conde era atencioso e carinhoso comigo, cortejava-me, mesmo após a consumação da nossa união. Comprava-me dálias, as minhas favoritas, e tecidos caros para costurar meus vestidos. — Sasuke pensou que para um casamento arranjado, cujos noivos não eram apaixonados, as circunstâncias da união eram melhores do que imaginara. — Mas Madara era desprezível. Tratava-me como se eu fosse uma boneca, onde descontava suas frustrações. E depois, pensava que poderia curar-me com jóias e roupas caras. Por incontáveis anos, comprava-me dálias sempre que me obrigava a saciá-lo. Eu o repudiava.

O rancor era perceptível em sua voz que outrora possuía uma sonoridade doce e tranquila, mas que se transformara em um tom ríspido ao falar sobre o marido.

— A senhora já havia tentado fugir?

— Uma única vez. Quando os homens de Madara me encontraram, levaram-me imediatamente até ele. Eu os ofereci ouro, tudo o que eu tinha, mas eles negaram. No final das contas, compreendi que eu não era a única a temer meu marido. Quando cheguei ao castelo, Madara me arrastou pelos cabelos até seus aposentos e lá, violou-me — sorriu pequeno ao notar o desconforto de Sasuke. — Não fora a pior parte, já estava habituada a este tipo de violência. — O Hatake sentiu uma quentura na pele, não por causa do calor, mas sim pela raiva que fervia em suas veias. Desprezava a violência, principalmente àquela. — Ele pegou uma adaga de prata, deitou-me na cama e mutilou minhas costas. Mais tarde, descobri que ele tinha feito o símbolo de sua família em minha pele.

“No dia seguinte, acordei sentindo-me diferente. A esperança de que um dia poderíamos tornar nosso casamento feliz, morreu juntamente da garota tola que um dia fui. Alguns meses depois, descobri que carregava no ventre o meu primeiro filho. A princípio, eu odiava aquela coisa dentro de mim. Na época, não a via como uma criança inocente, mas sim como uma constante lembrança de todo o horror que passei ao lado daquele homem”.

Obrigou-se a engolir seus próprios ressentimentos. Havia sido criado pelo pai, Kakashi Hatake. Na infância, quando perguntava sobre a mãe, as respostas eram sempre curtas e rasas. Entretanto, apesar da tristeza que assolava seu coração sempre que sonhava com um rosto que sequer vira, aprendera com Kakashi que sua mãe tivera os próprios motivos para deixá-los.

— A criança está viva? — detestou a forma como sua voz saiu quebrada. Não poderia negar, sentia pena da criança.

— Graças a Deus, sim, ele está vivo. — Sasuke sentiu-se confuso devido o tom de alívio entrelaçado a fala da Condessa. — Quando o tive pela primeira vez em meus braços, amei-o. Amei-o tanto que não pude permitir que ele vivesse comigo, que ele vivesse com o pai. E embora a grande maioria dos Uchiha me odiasse, o primogênito de Madara, um rapaz que fora concebido em outro casamento, tratava-me como se eu fosse sua própria mãe. E com a ajuda de um dos guardas do castelo, ele cuidou para que a criança fosse tirada do país — desviou o olhar quando percebeu uma lágrima solitária manchar a bochecha delicada de Sakura. Tentando controlar a voz, ela voltou a falar. — Neguei-me a saber como executariam o plano, assim como não permiti que me confidenciassem o paradeiro do meu filho. Meu coração fora partido em inúmeros pedaços, e eu entendia que ele jamais voltaria a ser o mesmo.

— O Conde descobriu a sua façanha?

— Eu o contei. Jamais presenciei meu estimado marido tão furioso, era como se o próprio diabo houvesse tomado conta de seu corpo. Ameaçou-me, mas o garanti de que se ele voltasse a tocar-me, nunca mais veria o filho.

— E ele voltou a tocar-te?

— Por um tempo, não. Porém, ele decidira que ainda era jovem e eu certamente era saudável o suficiente para conceder-lhe outra cria. Voltamos a ser o que éramos antes, no entanto, já não me feria como outrora.

— Este fora o motivo pelo qual a Vossa Graça fugira duas noites antes do massacre da família Uchiha?

Sakura encarou-o em absoluto silêncio. Ela tinha um brilho indecifrável nos olhos.

— Sócrates disse que, deve-se temer mais o amor de uma mulher do que o ódio de um homem.

A compreensão chegou a Sasuke como um soco no estômago; ao se lembrar dos relatos do massacre, seu estômago pareceu entrelaçar-se em suas entranhas ao ponto de desejar vomitar. 

Podia visualizar as peças se encaixando; quando as autoridades chegaram ao Castelo de Inverness a Condessa já não estava lá, durante sete anos seu paradeiro manteve-se em mistério. As especulações eram surpreendentes: havia aqueles que acreditavam que a Condessa havia fugido com um amante, outros, que ela fora sequestrada pelo indivíduo que matara sua "família", mas nenhuma especulação chegara perto da verdade. 

Não poderia pronunciar uma única palavra sem que seu almoço subisse por sua garganta, e parecendo perceber seu estado a Condessa voltou a falar:

— Duas noites antes do Grande Dia, viajei até um vilarejo escocês que era conhecido por, supostamente, abrigar um grupo de bruxas. Fora quando conheci Ino Yamanaka; ela ofereceu-me um veneno infalível e fora com ele que preparei, dois dias depois, um banquete para toda a família Uchiha. — Sasuke conseguia notar o ódio que transbordava dos olhos da Condessa, que agora já não chorava e sim, encarava-o com os olhos tão vazios quanto o seu próprio coração. — Esbanjaram-se, morrendo engasgados com a própria arrogância. Contudo, como a boa esposa na qual fui educada para ser, mostrei-me atenciosa para com o meu amado marido.

Ela parou somente para sorrir sem qualquer humor.

— No entanto, dei a ele algo que pudesse apenas enfraquecê-lo. Nem mesmo em seu últimos instantes em vida Madara mostrou-se humilde, sendo assim matei-o sufocado com a própria soberba — olhou para Sasuke que estava mais pálido do que naturalmente era. — Diga-me, senhor Hatake. Qual é o maior orgulho de um homem?

— A senhora…

— Eu lhe respondo senhor — fitou-o com os olhos obscurecidos pela ira. — O maior orgulho de um homem é aquilo que possuem entre as pernas. Somente por ele, pensam que podem fazer o que bem entendem. Roubam a liberdade de uma mulher, destroem tudo o que tocam. Este é o poder de um homem: a sua genitália.

— Não entendo, o Conde fora encontrado em pedaços — forçou-se a dizer.

— Ora, senhor Hatake, de que maneira o senhor queria que meu marido coubesse em uma sepultura, quando o seu ego era maior do que o próprio castelo?

— O massacre fora horrendo, senhora. Não posso acreditar que tivestes tal coragem.

— Responda-me senhor Hatake, o que faria pela pessoa que amas? — indagou. — Perdoe-me o quão direta serei; o que faria pelo senhor Naruto Uzumaki?

Provavelmente perdera toda a sua cor no momento em que Sakura pronunciara o nome de seu companheiro. Ninguém além de seu pai sabia sobre o seu relacionamento amoroso com o policial Uzumaki, uma vez que viviam em um tempo onde o romance entre casais do mesmo sexo era visto como obra demoníaca. Entretanto, confissão alguma houvera sido tão inesperada para ele quanto aquela que ela diria a seguir.

— Bem, fora o que eu fiz pelo meu filho — inclinou-se para frente e tocou-lhe na bochecha, havia ternura em seu toque. — Fora o que eu fiz por você, meu amado Sirius.


Notas Finais


— Esta história fora escrita para o “concurso sete pecados”, sendo o pecado escolhido por mim a “ira”;

— Algumas considerações sobre a história: no tempo em que a mesma fora ambientalizada, casamentos arranjados eram tão comuns quanto comprar pão na padaria pela manhã. Sendo corriqueiro, homens mais velhos, casarem-se com jovens de 14 (ou menos) à 18 anos de idade. Normalmente a regra primordial era que a mulher já tivesse tido o seu primeiro sangue ou seja, sua primeira menstruação; Sakura casou-se aos 14 anos, tendo Madara na época 30 anos. Abomino completamente esse tipo de situação, entretanto, adicionei a história uma situação que um dia fora real e que infelizmente houve pessoas que sofreram com isso. Principalmente as mulheres;

— Violência pra mim só em Game Of Thrones e Vikings. Sou contra atos odiosos e opressores, no entanto, usei da Ira para escrever esta história. Nada de repetir em casa;

— Sasuke tem 20 anos;

— Agradecimentos a @suuhsz pela capa 💙

Espero que tenham curtido a história ;)


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