1. Spirit Fanfics >
  2. O Inferno Do Meu Paraíso - Dramione >
  3. I Know What You Did Last Summer

História O Inferno Do Meu Paraíso - Dramione - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


B
O
A
.
L
E
I
T
U
R
A

Capítulo 5 - I Know What You Did Last Summer


Fanfic / Fanfiction O Inferno Do Meu Paraíso - Dramione - Capítulo 5 - I Know What You Did Last Summer

"Eu sei o que você fez no verão passado"

Malfoy




Estamos eu, Blásio e Theo do lado de fora da sala de Defesa Contra as Artes das trevas esperando dar o horário para entrarmos em sala, ouvindo Pansy falando sem parar, um segundo sequer, sobre a festa de sexta a noite, ela quer decidir todos os detalhes quase que imediatamente e planejar tudo agora. Mal começou a manhã de segunda-feira e já vejo ela roendo as unhas de animação. 


Eu tento me concentrar no que ela fala sobre luzes coloridas ou algo assim, mas a minha cabeça lateja e eu não paro de pensar numa coisa específica que martela minha cabeça. Hermione Granger.


Cruzes, Pansy não parou de falar um segundo sequer dela desde que me encontrou na biblioteca. Estava convicta de que eu e a Granger estávamos fazendo algo escondidos. E isso me fez revirar os olhos tantas vezes que eles também doem. Tudo bem que foi esquisito achar nos dois sozinhos, em um canto afastado da biblioteca sem estarmos brigando ou algo do tipo, porém Pansy viajou longe com suas teorias e isso me fez ficar irritado.


Não irritado pelas teorias, e sim do modo que eu me senti em relação a Hermione Granger naquela pequena conversa que tivemos. Como se o tempo estivesse parado, e fossemos apenas nós dois naquela biblioteca, o modo como nos encaramos e aquele arrepio que eu senti, sendo que não tinha vento nenhum. Também como quando eu quase me abri todo a ela, iria contar como estava me sentindo como se isso fosse simples, e um instinto.


Quando a salvei do Trasgo me senti da mesma forma, fixado ao olhar dela, sem conseguir me desviar.


É uma sensação de agonia, sem contar que quando me aproximei dela nessas duas vezes, senti aquela sensação de que tem algo grande está vindo a acontecer aumentar rapidamente, como se a sensação se esvai se dela e viesse diretamente pra mim. E isso é horrível, uma pressão na minha cabeça, por que eu odeio mistérios, odeio surpresas e isso na minha cabeça dizendo que vai acontecer algo me faz ficar com medo do que pode ser, já que a última vez que senti algo do tipo acabei virando um comensal.


Minha cabeça está cheia de coisas, estou preocupado com minha mãe sozinha naquela casa com meu pai, pois ela desenvolveu crises de ansiedade e quem a vem ajudando e cuidando dela nesses momentos de tensão sou eu, no decorrer do verão as crises foram diminuindo até que tornassem pouco frequentes. Mas ainda aconteciam e por isso não quis, nem por um segundo sequer, vir a Hogwarts e deixar ela sozinha com meu pai, que não faz nada. Ele passou o verão todo trancado em seu escritório fazendo eu não sei o que. Ele saia apenas nos horários de refeição, e ainda por cima ficava reclamando de tudo o que pudesse reclamar. Se pudesse reclamar da cor da mesa, ele reclamava, estava um chato. E isso me faz lembrar de ter que mandar uma carta para minha mãe. 

Faço uma nota mental para me lembrar de fazer isso mais tarde. 


Outra das coisas, é minhas noites. Tudo bem que eu não quero incomodar Theo e Blásio, mas eu não posso ficar sem dormir para sempre, e ficar na torre de astronomia é arriscado.  Passei apenas essa noite sem dormir e já estou em decadência, estou bocejando a cada minuto e logo, Pansy como é, vai começar a perguntar o porquê que pareço tão cansado. Já fui a curandeiros, tentei meditação, fazer algum tipo de exercício para livrar meus sentimentos ruins, mas meus pesadelos continuam acontecendo, se fossem apenas isso… o ruim é que eu grito, me desespero é sufocante e real, cada um deles. Isso que é tão assustador.


Eu encontrei um modo de desabafar o que estou sentindo, não é potente ao ponto de me livrar dos meus demônios internos, porém ajuda tanto!


 A muito tempo, minha mãe havia me dado um caderno médio, azul marinho, de folhas amareladas e sem nada escrito. Eu fiquei confuso quando recebi o presente, e tudo o que minha mãe me disse sobre foi: “Para caso um dia você precise.”


E eu acho que mães prevêem o futuro, porque hoje em dia eu não ando sem esse caderno.


Não é um diário. Eu não escrevo nele o meu dia a dia, ou algo assim. É uma forma de desabafo mais criativa. São textos que eu escrevo apartir dos meus sentimentos, sejam eles bons ou ruins, e desde que a guerra acabou ele vem sendo meu aliado nos piores momentos já que é ali onde desconto todo tipo de coisa. 


E eu acho que se alguém me estressar até certo ponto eu posso usar ele e bater na cabeça da pessoa.


Ou seja, esse caderno é o meu melhor amigo.


Com tudo rodando na minha cabeça, o que eu posso fazer é apenas respirar fundo e continuar vivendo.


Aos poucos volto a realidade, quando vejo Pansy bufar na minha frente e me encarar com raiva.


Franzo o cenho. — O que foi? 


— Você poderia por favor, falar para Blásio que não há problemas em colocar luzes coloridas na festa? — Eu rio da cara raivosa de minha amiga, eles não param de se alfinetar um segundo sequer, isso é uma maneira de demonstrar o quanto se gostam?


— Ah, legal Pansy e onde é que você vai arrumar essas luzinhas? Vai para Hogsmeade? — Blásio pergunta na defensiva ao meu lado, Pansy grunge a ele e eu troco olhares divertidos com Theo ao meu lado.


— Vocês não vão brigar de novo, né? Poxa o tempo todo isso. — O Nott intervém, tentando parecer autoritário mas o sorriso em seu lábio desfaz toda sua pose. E então ele vira seu olhar todo a Blásio: — Deixe que Pansy cuide disso, a ideia veio dela mesmo e…


— Não, não — interrompe o Zabini — só quero saber como Pansy vai fazer para ir ao mundo trouxa e buscar essas luzes dela… 


A garota dá de ombros e olha indiferente a Blásio.


— Isso não é da sua conta Zabini. 


— Então não venha perguntar minha opinião dá próxima vez.


— Olha só, vocês precisam mesmo armar esse show por uma luzinha. Temos a semana toda para decidir isso. — Reviro os olhos, e eles suspiram. E após alguns segundos de silêncio, extremamente do nada, Theo começa a rir, histérico, seguido por Pansy.


— Como somos idiotas! — Exclama Theo, fazendo Blásio rir também. Eu os encaro sem entender nada, e simplesmente rio da situação estranha.


É um riso verdadeiro e leve, junto a eles e eu sinto como se isso fosse um encaixe certo. 


Ainda estamos dando umas risadinhas quando sinto um cutuque em meu braço, parecendo desesperado.


Me viro instantâneo e meus amigos também olham para a pequena garota, de cabelos aloirados, que olha os próprios pés, nervosa. Ela ergue para mim uma carta, que receoso pego e no momento que vou perguntar quem era ela, e o que tinha na carta, ela sai correndo. Nem sequer me deixa ver seu rosto.


— Credo, que garota estranha. — Diz Pansy quando volto a olhar meus amigos, todos os três olham interessados para a carta em minha mão e eu em seguida abro um sorriso.


— Parece que não estou tão mal assim, hum — digo convencido, e Blásio solta uma risadinha debochada ao meu lado.


— Quero ver o que essa garota escreveu para você. — Theo tenta arrancar a carta da minha mão, porém sou mais rápido e não deixo.


— Não parecia que ela iria te entregar uma carta de ódio, mas é bem possível… — Blásio comenta e eu reviro os olhos olhando ele entediado. 


— Não estraga o clima, cara. — e então encaro a carta em minha mão, e logo em seu envelope já tem algo escrito, com uma letra curvilha bem difícil de entender, da qual eu preciso aproximar a carta de meu rosto para entender. Sem pensar muito começo a ler em voz alta: — Com muito amor e carinho, de Camilla Cameron para… Harry… Potter…


Leio o último nome de forma lenta e desanimada, não desvio o olhar da carta, mas consigo ouvir meus amigos gargalhando alto. Mas que merda?!


Por que aquela garota me entregaria uma carta, que tem como destinatário o “santo” Potter? Ela com certeza não sabia que estava entregando a mim a tal carta.


— Ei, Draco. — Pansy chama minha atenção. — Não precisa ficar chateado cara… — E ela continua rindo, com Theo e Blásio a acompanhado.


— “Não estraga o clima cara” — Blásio me remeda e faz Pansy rir mais alto, e eu faço uma careta a eles e sigo para a porta da sala de aula, eles vem atrás de mim, ainda rindo e fazendo piadinhas. 


Até que vejo ele sentado em uma das mesas centrais da sala, com Hermione Granger ao seu lado. Ela segura a mão dele com força e eles se encaram de forma intensa, balanço a cabeça negativamente e me aproximo com calma.


— Uma garota te enviou essa carta… Achava que sua namorada era um Weasley, Potter. — Digo, jogando a tal carta sobre a mesa deles. Hermione Granger solta a mão de Potter lentamente, e se vira para mim com uma infelicidade evidente, mantenho minha expressão divertida no rosto. E o da cicatriz pega a carta rapidamente. 


— Ele só não especificou qual dos Weasley é. — Theo completa minha frase, e nosso grupo ri da piada idiota dele, mas os dois a nossa frente não parecem gostar nem um pouco, já que nos encaram com desgosto. Hermione revirou os olhos. 


— Vocês estão no segundo ano ainda por algum acaso? — ela responde, quando paramos de rir e eu levanto minhas sobrancelhas diante de sua revidada. Pansy ri sozinha.


— Vai com calma Granger. Não foi na má intenção. — Ela responde com a voz calma, e Hermione a encara por um tempinho, tentando decifrar ela eu acho. Mas logo volta a olhar para todos nós, com olhares sugestivos. Blásio coloca a mão sobre meu ombro e balança a cabeça.


— É… acho que eles perderam o senso de humor depois da guerra… Vamos nos sentar… — Ele diz então nos direcionamos a uma mesa de distância deles, ao meu lado se senta Blásio, seguido por Pansy e atrás de mim vem Theo, e rapidamente sentam Daphne Greengrass e Goyle ao seu lado. Vejo agora se sentando junto a Harry Potter e Hermione Granger, o Weasley e ouço Daphne e Pansy comentaram algo sobre ele estar ignorando Hermione. E eu me pergunto de onde elas tiram essas informações.


Eu e meus amigos conversamos mais um pouco, antes do professor aparecer, o que logo acontece. Quando saindo de sua sala, um homem moreno aparece sorridente e animado.


— Bom dia alunos! Sou o professor Richard Brown, leciono em Defesa Contra as Artes das trevas como já sabem, essa é a minha primeira vez em Hogwarts… Sejam bem-vindos a mais um ano! — Ele coloca o livro em seus braços, grande e pesado sobre sua mesa e arrasta a lousa para o centro da sala. Ele começa a explicar algo sobre vampiros e essencias para evitar eles. No início estava tudo bem, apesar que eu não fui com a cara do professor, porém conforme a aula ocorria, com a sala inteira em silêncio, fixados na explicação do mesmo, algo que não acontecia desde às aulas com Snape eu percebo que suas referências as aulas anteriores são totalmente incompreensíveis para mim. Toda vez que ele dizia que já tínhamos visto aquela tal parte da matéria expressava uma careta, não me lembrava disso.


No final das contas, visto que ainda tínhamos algum tempo antes da aula acabar ele nos passou algumas páginas para fazermos, revisando a matéria, e meus olhos quase saltaram de meu rosto ao abrir as páginas. Eu passei o olhar rapidamente pelas perguntas e percebi que não entendia nada


Tentei procurar ajuda em alguns textos espalhados pelo livro mas nada estava ajudando. 


Começando a ficar desesperado. Encarando o livro fixamente e apertando com força minha pena, tentando me fazer lembrar de algo… qualquer coisa.


Murmúrios frustrantes saem da minha boca várias vezes, e eu não consigo lembrar de nada que me ajude. 


Enquanto ainda tento me concentrar em achar respostas, sinto um olhar fixo em mim, e eu levanto os olhos, vendo Hermione me olhando curiosa mais a frente, olho questionador a ela que não expressa nenhuma reação.


— Gosta do que vê, Granger?! — sussurro para ela, que ergue os ombros à medida que seu rosto ganha um tom a mais, ela reprime os lábios e diz:


— Dê um tempo, Malfoy! — Ela responde rapidamente  e se vira para frente, respirando fundo. Eu sorrio de sua reação e volto a me concentrar no livro a minha frente. 



Quando a aula finalmente acabou, estava já me preparando para sair da sala com meus amigos, quando o Sr. Brown pede que eu fique mais um pouco. 


Receoso me aproximo de sua mesa, até que todo mundo tenha saído ele respira fundo me olhando.


— Draco Malfoy, não é? — Ele pergunta e eu apenas assinto com a cabeça, ele anota algo no caderno a sua frente que eu não consigo detectar o que é, então se vira para mim de novo. — Olha Sr. Malfoy, eu estive reparando em como você estava aéreo durante minha aula, e em como parecia confuso enquanto fazia as atividades propostas. E então olhando seu histórico escolar aqui… — ele abre uma enorme pasta, e de dentro tira um conjunto de papéis, começando a folheá-los. — Você não esteve muito presente nas aulas do sexto ano, não entregou trabalhos, faltou inúmeras aulas e os acontecimentos seguintes só impulsionaram mais. E percebo que você não apresentou hoje ter revisado ou procurado aprender tais matérias perdidas…


Eu o ouço em silêncio, apenas concordando com suas palavras vez ou outra com um aceno de cabeça, ele continua citando fatores óbvios de como estou mal na matéria, até finalmente chegar ao ponto.


— … e se isso continuar desta forma você irá atrasar a turma, entende? Por isso, quero que rapidamente aqui, você responda umas perguntas, para que eu saiba como poderei te ajudar, tudo bem? 


— Certo… — respondo lento, ele me ergue o papel com as perguntas e uma pena, eu me sento na cadeira em frente a sua mesa e começo a responder às mesmas.


Eu quase não entendi nada, se quer uma ou outra, então por isso coloquei o que eu acharia ser. Estava com certeza errado, mas não havia muito o que eu poderia fazer.


Entreguei a folha ao professor e fui em direção a próxima aula.



***



O resto do dia se passou de forma rápida, graças a Merlin o único professor que veio falar algo comigo após a aula foi o Sr. Brown. E então, por enquanto estava livre. 


Ele apareceu após a minha última aula de Teoria da Magia solicitando minha presença na sala dele antes do jantar, para falarmos sobre o meu desempenho. Ele não parecia muito animado, e isso era de se esperar. 


Logo após, me direcionei ao campo de quadribol junto ao time da Sonserina, no exato momento em que o time da Grifinória saia de lá, após trocar olhares raivosos com alguns deles fomos aos testes e é claro que como todos esses anos, eu acabei sendo selecionado como apanhador. Theo goleiro, Blásio artilheiro e Pansy virou a capitã. Comemoramos com umas comidas que trouxeram da cozinha na sala comunal, e com muita conversa.


Não fiquei muito, então já cansado, fui até o meu dormitório, tomei um banho e coloquei uma roupa mais leve. Fiquei um tempo sentado na minha cama, enquanto os outros ainda riam e falavam alto na sala. Estava tentando escrever, mas não saia nada. Nada mesmo. 


Comecei com: “A solidão é…


Mas não consegui terminar, e apesar de conhecer bem esse sentimento, eu não sei que palavra por para completar a frase. Fico fixado ao papel por um tempo. Minha falta de concentração ultimamente está sendo impressionante.


Desistindo de escrever, eu desço as escadas até a sala comunal, não encontrando ninguém ali. E só então percebo que já está na hora do jantar, sai correndo dali, e vou em direção a sala do professor Brown. 


Chegando na mesma, encontro a porta entreaberta, um sinal de que é pra mim entrar. A sala está quase que escura, tem uma vela ou outra acesa, diante de mim, na mesa do professor tem o Sr. Brown e a novíssima diretora Minerva.


— Draco, que bom que chegou! Estavamos te esperando. — O Sr. Brown diz. 


Eu adentro melhor na sala, meio receoso. Por que Minerva está aqui? Puta merda! 


— Tem algo de errado? — Pergunto inocente, me aproximando deles e Minerva assinde.


— Sim, algo de muito errado. — Direta como sempre, ela me responde e eu engulo em seco. Encarando o professor afirmar com a cabeça para ela. — Draco, após corrigir a pequena folha de exercícios que ele lhe passou mais cedo, o Sr. Brown veio me procurar imediatamente.


Ela olha para o homem, que entende logo e continua: — Pedi para que fizesse aquela folha para que eu avaliasse seu desempenho, e ver no que eu poderia te ajudar,— ele pega a folha e ergue em minha direção. — o problema é que você sabe menos do que eu imaginava… pelas anotações dos professores anteriores, já desde o quinto ano você começou a se afastar das atividades escolares e isso fez suas notas caírem, no quinto ano você conseguiu se recuperar gradativamente. Já no sexto, foi de repente, sua nota estava baixa e subiu de uma hora para outra. A Sra. Mcgonagall me confidenciou ter sido trabalho do ex-professor Severo Snape, e isso explica você ter passado de ano mesmo sem saber a matéria.


Ele explica, e eu respiro fundo a cada palavra, reconhecendo cada ação. Eu sei o que pode vir a seguir, ou ser expulso ou obrigado a repetir de ano. Ser expulso seria magnífico, já que eu não quero estar nesta escola, mas minha mãe ficaria arrasada com tal notícia e ela arrasada é o que eu menos quero ver no momento.


Não preciso nem explicar por que não quero repetir.


— E…? — Pergunto medroso, e Minerva suspira.


— Poderíamos dizer que irá repetir seu sexto ano. Mas decidimos te dar chance de tentar se recuperar e se formar ainda esse ano. — eu suspiro de alívio — Você tem duas semanas para estudar os dois primeiros capítulos da matéria do último semestre do último ano e então, passaremos uma prova diagnóstica para ver como foi a semana de estudos. Se foi boa, você continuará com os estudos extras normalmente, se não for boa, tiramos você do quadribol.


Eu me engasgo com a própria saliva. 


Oh não! O quadribol não! 


Uma das melhores coisas que eu sei e gosto de fazer.


Sim, é uma boa proposta a de minha Diretora, o problema é que não tem como eu estudar sozinho. Além de eu não saber a matéria eu não saberia por onde começar. Precisaria de um guia! E de uma pessoa muito boa para me ajudar em tal. O problema é que nenhum dos meus amigos chega a ser tão bom nessa matéria, a ponto de saber revisar cada detalhe comigo de forma clara e eficiente.


Eu nem sei se existe alguém que poderia fazer algo assim por mim, na livre e espontânea vontade… ou seja, eu estou muito ferrado. 


— Está de acordo, Sr. Malfoy? — Pergunta o professor, e eu assinto. Eu não tenho escolha, tenho? — Ótimo, então já pode ir jantar. 


Eu mando um aceno de mão aos dois antes de virar as costas e sair andando em direção a saída da sala. E quando já estava na metade da sala, algo ou melhor um relampo de luz passa por meus olhos, isso, seja lá o que for, vinha de de baixo de uma mesa. No chão, um caderno prata estava jogado, que sua capa brilhante, se iluminava na luz das velas. Olho em direção ao professor e Minerva, que conversam seriamente sobre algo e nem parecem perceber que ainda estou na sala. Visto isso, pego o caderno no chão.


Saio da sala de Defesa Contra as Artes das trevas, com o caderno em mãos, o observando curioso. Iria a biblioteca para tentar escrever algo e aproveitar para pegar um livro para que durante a noite eu pudesse começar a estudar… qualquer coisa que talvez ajude. Meu coração bate desfreado de ansiedade e nervosismo, estou em êxtase agora, eu não sei o que eu vou fazer nem como vou conseguir estudar nessas duas semanas. Então preciso pensar rápido.


 Estava tranquilamente andando em direção a biblioteca, enquanto lia a primeira página do caderno, escrito com uma letra cursiva e bem feita havia escrito: “Este diário pertencente a Hermione Granger, favor não ler e me entregar imediatamente, antes que seja azarado!”, eu rio da afirmação  e balanço a cabeça.


Sinto muito, Granger, mas não gosto de receber ordens.


 Já iria passar para a primeira página do diário, quando sinto algo bater contra minha perna. Fecho o caderno rapidamente e observo a pequena menina, do primeiro ano, me olhando amedrontada antes de segurar firme a camisa com o brasão da Grifinória em seus braços e sair correndo. Com cenho franzido, percebo em minha frente, uma multidão de garotas e garotos do primeiro ano. Estão super animados com algo, e bloqueiam o corredor, ou seja, eu não consigo passar.


Solto um grunhido irritado, e tento ver o que eles tão idolatrando tanto e para minha –não– surpresa, é Harry Potter e Rony Weasley mais a frente, sorrindo e espalhando autógrafos. 


Reviro os olhos para a situação. Que ótimo! Para o insuportável do destino, fazer com que novamente eles entrassem no meu caminho pareceu não ser suficiente. 


Eu poderia simplesmente dar a volta e percorrer o caminho mais longo, porém não estou satisfeito com simplesmente deixar para lá. Então me encosto na parede, e espero que até a última criança vá embora, para assim eu sair.


— Qual a porra do problema de vocês? — Pergunto, quando saio da escuridão, aparecendo de frente a ambos que me olham, primeiramente alarmados e logo em seguida raivosos.


— Qual é o seu problema, Malfoy? — Retruca o da cicatriz, nervoso e eu rio debochado. 


— O problema é que eu simplesmente não consigo mais andar pela escola já que os heroizinhos da guerra me impedem de fazer isso! Vocês não poderiam ter o bom senso de dar autógrafos no armário de vassouras? Ou na sua casa Weasley, não tem o mesmo tamanho? 


Rony ruge e já ia vir para cima de mim, quando Harry o segurou pelos ombros, e balança a cabeça freneticamente.


— Não tem nada melhor para fazer do que ficar atormentando as pessoas não, Malfoy? 


— Só queria poder passar por um corredor sem ter que me importar com crianças histéricas atrapalhando. — Minha expressão se torna séria, diante do olhar repressor que Potter me lança, e o Weasley lança-me um olhar cheio de ódio e ergue as sobrancelhas bem altas.


Eu queria poder dizer que me redimi facilmente com todos, mas ainda tenho minha natureza preconceituosa e cheia de inimizade habitando em mim. E em momentos como esse, que eu estou com raiva que ela explode, e sai tudo de minha boca, sem que eu possa pensar antes em como impedir uma briga. 


— Sinto muito por sua inveja, doninha irritante. — Me responde o Weasley, com um sorriso presunçoso no rosto, eu semicerro os olhos diante dele, e reprimo os lábios, tentando não avançar nele, e quebrar todos os seus dentes até ele não poder sorrir mais.


— Inveja do que, mesmo? Das suas vestes de segunda mão? — respondo indiferente e ele balança a cabeça dando um passo em minha direção, eu não me movo, só o encaro desafiador. 


A uma tensão no ar.


— Ora, seu filhote de comensal! — Desta vez quem já ia para cima dele sou eu, se Potter não tivesse segurado o braço dele, e o afastasse dali, bufando de fúria eu apenas os observo ir embora, com Harry tentando acalmar o ruivo ao seu lado. Fico parado ali no meio do corredor, respirando fundo inúmeras vezes, até a raiva se dissipar. O que demora um tempinho para acontecer.


Droga, Draco! É assim que você quer se redimir? Humilhando outras pessoas? Patético! 


A vozinha irritante de minha consciência ecoa na minha cabeça e eu a mando calar a boca. Mas que bosta! Eu agi por impulso e daí? Acontece, merda. 


Eu preciso aprender a me controlar. Mais uma coisa para as  milhares em minha cabeça. Isso já está me pesando e eu preciso pensar logo em como resolver algum desses meus problemas senão surto.


Eu abaixo a cabeça, murmurando para mim mesmo sair dessa escola vendo ali em minhas mãos uma das soluções desses problemas: o diário de Hermione Granger. Sorrio com a ideia que me aparece de repente e me encosto na parede, abrindo uma página qualquer do diário deixando a sorte me guiar.


“Estou me sentindo mal, acho que minha atitude foi meio egoísta, apesar de ser para protegê-los.”


É a única frase naquela folha, curioso eu viro a página rapidamente.


“Sim, eu fiz isso, agora que a ficha caiu de verdade. Querido diário, eu obliviatei meus pais, apaguei suas memórias sem a concepção deles, e estou me sentindo horrível por isso. Os mandei para Alemanha por precaução, fiz isso pois estou em uma jornada com Harry e Rony agora, estamos procurando as Horcruxes de Voldemort, para enfim destruí-lo. Sabia desde o início que não seria algo fácil e talvez perigoso, e realmente está sendo. Para mim, dentro da cabeça de meus pais, perder a filha deve ser doloroso demais, e eu não quero correr o risco de fazer eles sofrerem. Esse é o motivo! Foi algo egoísta de minha parte? Será? Quero tanto contar aos meus amigos, mas acho que iriam me julgar. Quem em sã consciência faria isso. Oh, diário, estou confusa diante do arrependimento e o que eu acho certo…” E a página se acaba.


Bomba! Que interessante, Granger, vemos aqui uma relíquia pronta a ser usada contra você. Eu sinceramente não estou muito afim de seguir esse plano mirabolante, Hermione vai me achar uma pessoa horrível de novo e vai achar que menti para ela sobre o que conversamos mais cedo na biblioteca. 


Mas, tempos difíceis requerem medidas desesperadas, então…


— Malfoy! — Meu coração para, ao ouvir aquela voz conhecida, de forma ríspida, não desvio o olhar do caderno por um instante, respirando fundo.


Vamos lá Draco!


— Granger. — Respondo o mais calmo que posso, e tento exalar confiança a ela. Levanto meu olhar para vê-la, e a encontro com o rosto contorcido de raiva, ela usa uma calça larga e uma blusa de malha justa, o que me faz estreitar os olhos.


— Olha só, eu acho que temos muito assunto para tratar, começando que hoje mais cedo você…  


A voz dela está extremamente alta, qualquer um que passasse perto poderia a ouvir claramente, e estava cheia de raiva e ódio e na intenção de fazer ela parar de falar, minha voz soa mais alta que a sua, se sobrepondo.


— Sim, sim. Temos muito assunto para resolvermos e tratarmos, mas tem algo mais importante para tratarmos agora…  — eu me desencosto da parede e me ponho de frente a ela, que fica tensa e morde o lábio inferior me encarando. 


E então, eu ergo meu braço, junto ao caderno em minha mão, fazendo com que ela perceba como estou superior com àquilo em mãos. Seus olhos se arregalam e ela fica encarando o caderno por um bom tempo, com as sobrancelhas quase juntas. 


— O-onde conseguiu isso? — ela gagueja, e eu finjo indiferença. 


— Isso? Estava jogado no chão da sala de Defesa Contra as Artes das trevas... que ironia do destino eu ter o encontrado. 


Ela engole em seco e sem nenhum aviso prévio avança sobre mim, tentando pegar o caderno, mas eu desvio, levantando o braço o máximo que posso observando a baixinha dando pulinhos para alcançar, sinto vontade de rir da cena, porém me contenho. E ela não desiste! Puxa meus ombros para baixo tentando fazer com eu me abaixe mas não funciona muito.


— Me devolva isso, Malfoy! — ela diz autoritária, com o queixo em meu peito, olha tão fixamente o caderno que dá medo. Eu balanço os ombros, tentando me livrar de seus braços, mas ela fixa suas unhas ali.


— Droga, Granger me solte. — Peço e ela ri histérica.


— Não, até você me devolver isso! 


— E qual o problema de estar comigo? Não faço do tipo fofoqueiro. 


— Anda Malfoy, é pessoal! Não gostaria que pegasse suas coisas né? 


— Não, definitivamente. — ela mais uma vez coloca todo o seu peso sobre mim, tentando me rebaixar e mais uma vez é em vão. — Deveria saber que não é tão pesada assim para me abaixar.


— Me devolva antes que eu chute o que tem no meio de suas pernas.


Ponto fraco, ponto fraco!


Eu sei o que você fez no verão passado! É por isso que está tão desesperada, não é? Tem medo que eu conte para todo mundo que lançou um obliviate em seus pais? — Ela para de tentar alcançar o caderno, e me olha em desespero, seu olhar se fixa no meu por muito tempo, sua respiração fica ofegante de repente, e eu vejo sua testa franzir.


— Você… leu? — ela sussurra, com a voz arrastada e eu apenas ergo as sobrancelhas para ela, que se afasta rapidamente de mim, dando um gritinho agudo, e eu abaixo meu braço finalmente que já começava a doer, ela não tenta pegar, só fica me encarando chocada.


Seus olhos me parecem marejando, ou eu só estou imaginando coisas? 


— Acho que você não quer que ninguém saiba disso, não é? Por que, o que iriam pensar da garota que obliviatou os próprios pais, e ainda mais sem o consentimento deles? É algo pessoal como você disse…


— Ninguém vai acreditar em você! — Ela grita, parece tão indefesa agora, uma criancinha. Minha cabeça gira, eu não deveria estar fazendo isso, mas eu estou, eu… eu preciso.


— Eu tenho o seu diário, com suas palavras e sua letra. Basta mostrar… 


— Você é um mostro, um idiota, cretino.


Eu sei.


— Precisamos fazer um acordo, Granger.


Ela não responde, apenas me encara, esperando que eu continue, e eu respiro fundo, com o peito doendo.


— Você me dá aulas particulares, sobre a matéria passada de Defesa Contra as Artes das trevas, e eu guardo seu segredo e diário. E prometo devolvê-lo assim que acabar as aulas. 


— Me devolva o diário agora, ou nada feito.


— Já dei meu preço, não pretendo voltar atrás! 


Ela tem a respiração descompassada, fica encarando o diário em minha mão por um tempo. Seus lábios se pressionam um contra o outro, e sua mão aperta a borda da camisa. Balança a cabeça algumas vezes, e eu pressiono meu punho, fechando a mão tão fortemente que chega a doer, se ela não me responder logo eu tenho a leve impressão de que posso andar para trás. 


Porque tão difícil?


— Ta! — Ela grita finalmente. — Me encontre amanhã na biblioteca depois da aula, leve um caderno e sua pena. Eu estou fazendo isso por meu diário Malfoy, pois se não me devolver ele depois de tudo eu te lanço um Avada Kedavra, juro!


— Tem a minha palavra.


— Eu não acredito nela! — Ela responde de forma fria, virando as costas e indo embora, seus passos estão pesados e cheios de raiva. E eu sou tomado pelo sentimento de culpa.


Droga! Eu sou um enorme babaca!


Eu nunca vou mudar?



Notas Finais


Comentem, é super importante para mim e para a continuação da história!


Me siga no Instagram:
https://www.instagram.com/hyuugasmary?r=nametag


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...