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História O Início - Capítulo 1


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Notas do Autor


Esse livro existe no wattpad minha conta é @punkispoodle

Capítulo 1 - Prólogo


Aviso: Todo capítulo tem um vídeo do YouTube com uma música especial, a imagem acima é uma representação de uma das personagens principais: Viúva Negra. Comentem quais músicas querem para os próximos caps e sejam bem - vindos.


Relatório da missão, dias atuais.
17 horas e 35 minutos pelo Horário de Brasília.


O fim do mundo começou pelas mãos de uma mulher.


Se você estiver lendo esses relatórios pela primeira vez, espero que saiba que eu fiz o possível para impedi-la e falhei. Não havia outro modo, no entanto. Ela era parte da minha família, apenas uma mulher com sede de vingança.


E uma mulher com sede de vingança é capaz de tudo. Além do mais se eu a matasse, minha madrinha jamais me olharia nas festas de fim de ano em família.


Seus cabelos esvoaçantes e agora negros, antes castanhos, balançavam naturalmente com uma lufada de ar gerada por outra queda de um prédio enquanto ela caminhava na minha direção.


Todos os meus pesadelos estavam se tornando minha realidade.


Essa é a história da minha vida. Ou melhor, do fim da minha vida. E a pior parte dessa história, sem sombra de dúvidas, foi ela ter pintado aquele cabelo.

Envio esse relatório para Malcolm Pace, General das Forças Armadas pela ABIN — a Agência Brasileira de Inteligência, espero que eles se mantenham de pé quando as coisas ficarem realmente difíceis.



Eu sou Janet Baker, uma mulher de vinte e cinco anos. Uma roteirista em ascensão, uma sobrevivente, viciada em café, duas tatuagens, um piercing.


Minha vida tinha tudo para dar certo.


Á minha frente, ela parecia andar em câmera lenta, seus olhos vermelhos - sangue, sobrenaturais, cravados em mim de modo que eu quase podia ouvir a música Run the World da Rihanna tocando na minha cabeça, o que era terrivelmente inapropriado, ela não era um bom exemplo feminista a se seguir. E naquele momento eu soube que seria o fim.



Eu não sabia classificar aquilo como horrível ou maravilhoso. Uma parte de mim ficava orgulhosa pelo poder feminino, afinal uma única mulher estava destruindo o mundo e levantando sozinha uma Ditadura Mundial, mas a outra parte de mim estava ali, devastada.



A verdade é que morrer seria uma droga.


No fundo eu não queria aquilo, não queria morrer. Queria estar dentro do meu apartamento com duas latinhas de Coca Cola, um balde de pipoca, um pijama de cupcakes e uma pantufa de panda assistindo uma temporada inteira de Arrow.


Minha mente anota que a cauda de seu vestido negro tinha tons alaranjados e vermelhos, como se imitasse o fogo e se eu sobrevivesse eu perguntaria sobre o estilista dela. Realmente, ela sabia fazer propaganda de uma marca. Talvez em uma vida passada, ela tivesse sido uma vendedora ou freelancer, mas o fato era que as cores de seu vestido remetiam ao animal que deu origem ao seu apelido quando os policiais começaram a investigar casos de assassinatos causados por ela: Viúva Negra, uma aranha altamente venenosa que matava os machos de sua espécie logo após o acasalamento, negra, com pequenos detalhes em azul e alaranjado, exatamente como os tons do vestido.


Ela era como a espécie da aranha. Perigosa, mortal. Uma assassina a sangue frio.


Foco, Janet. Penso comigo mesma, observando o que acontecia ao meu redor. Não havia tempo para pensar em moda ou em eufemismos.


A cidade estava sendo destruída diante dos meus olhos, alí em Barueri, na grande São Paulo, os prédios residenciais próximos a Avenida Paulista haviam sido reduzidos a pilhas e pilhas de tijolos e ferros retorcidos enquanto outros caíam, desabando como blocos de montar.


A única palavra plausível para classificar aquilo era: Caos.


Pelo menos não haveria mais machismo, nem preconceito, nem homofobia, nem transfobia, nem nenhum discurso de ódio, nem violência, ou gente defendendo político para poder usar uma arma de fogo em nome de "justiça", tão pouco um Ministro da Educação assassinando o português no Twitter. Todos morreriam mesmo, até que não seria ao todo ruim.


Eu só não conseguia aceitar o fato de não poder viver para ver o meu nome na Calçada da Fama em Hollywood ou no Business Book, ter o meu trabalho reconhecido era minha meta de vida desde que me mudei para São Paulo. E, de repente, tudo perdeu a importância.


Naquele momento eu buscar pensar positivo. Pensar em quais seriam os pontos positivos se o mundo acabasse e a humanidade entrasse em extinção.


Bem, seria o fim do macho escroto.


Isso era, certamente, um ponto positivo.


Olhando para cima eu buscava pensar em mais pontos positivos para minha lista mental. O céu estava escuro e o sol estava sendo encoberto pela lua em um eclipse levando a cidade a uma total escuridão. O perpétuo fim da estrela mais brilhante era visível, o sol se apagaria para sempre.


Como os outros países estariam lidando com isso naquele momento?


O som da sirene de polícia se chocava contra o som de muitas ambulâncias, presas no engarrafamento com seus homens presos dentro dos carros, desmaiados em cima da buzina da viatura. Os soldados que tentaram manter uma linha de frente contra Viúva Negra e o Exército das Trevas jaziam mortos aos meus pés criando uma espécie de montanha de corpos humanos alguns mutilados, outros decapitados, centenas de corpos jorrando sangue empilhados uns sobre os outros. A polícia montada estava desmanchada entre um punhado de cadetes e civis que desmaiaram, caindo de sua montaria.


A Lua de Sangue, exatamente como o trecho da profecia que o Oráculo havia proferido — um efeito natural quando se tinha um eclipse lunar, os raios solares iluminam a lua, deixando - a vermelha — Era visível a olho nú, vermelha e brilhante encobrindo o sol e trazendo trevas a cidade, tal como os Maias previam quando o assunto era o fim do mundo.


Era uma visão assustadora. A lua brilhante em um tom de vermelho sangue, um acontecimento raro, que geralmente era efeito de um evento astronômico conhecido como Super Lua que ocorria apenas por uma distância de alguns anos.


São Paulo agora era o Caos na Terra, prédios estavam desabando simultaneamente, levantando nuvens de poeira, enquanto todos dormiam, desmaiando, vítimas da droga sintética - jamais teriam forças para lutar contra ela. Carros pegavam fogo e aviões despencavam, desabando do céu e explodindo ao tocar o solo, os passageiros morriam na hora e nada os acordava, não haveria ninguém para salvá-los. A sinfonia de sons mais assustadora que uma pessoa pode escutar em vida.


Já parou para pensar no fim do mundo? O fim da existência da vida na Terra? —  a mulher riu em algum lugar atrás de mim e caminhou na direção oposta, levando a lâmina consigo, o som das suas garras de ouro em seus pés era ensurdecedor. Meu coração batia forte contra as minhas costelas, movo meus braços tentando impedir a ardência da fricção das cordas que amarravam meus pulsos e tornozelos na cadeira de madeira, em vão.


— Como o bater de asas de uma borboleta, algo tão simples que estava lá o tempo todo mas importante a ponto de desencadear tudo isso. Se ela não tivesse cruzado o meu caminho naquele dia você poderia permanecer viva agora, mas era o destino dela morrer e é o seu também. — ela raspou a lâmina da foice nos meus braços e riu sarcasticamente. Meu corpo tremia e uma lágrima solitária descia do meu rosto, àquela altura eu já era incapaz de esboçar qualquer reação, temendo finalmente estar ficando a beira de um colapso, em pânico. A mulher parecia se divertir com o meu sofrimento. Virou a cadeira onde eu estava amarrada e puxou meus cabelos me forçando a olhar para onde ela queria. Ver a cidade sendo destruída.


São Paulo jamais seria a mesma e ali, em Barueri, eu podia compreender seu plano em curso. As pessoas estavam dormindo dentro de carros como se Hipnos, o deus do sono tivesse se penalizado delas, deitadas no meio das ruas, nas calçadas e em bancos, vítimas de uma doença mortal, diversos veículos pegavam fogo em plena Avenida Paulista, podia escutar as sirenes de ambulâncias e viaturas que ainda estavam ligadas, enquanto seus motoristas dormiam em um sono profundo. Um grupo de soldados do Exército Brasileiro havia sido convocado, horas antes, para tranquilizar os moradores e ajudar a população local no ápice da pandemia, em vão, agora centenas de soldados dormiam uns sobre os outros em pilhas e pilhas de mortais.


Naquele ângulo também podia olhar para o rosto dela, seu cabelo estava tingido de preto e descia em uma trança elaborada até abaixo de sua cintura. Ela usava uma coroa de ossos e ouro negro na cabeça, pareciam colados uns aos outros por piche e cal.


Eu temia que aquelas pessoas nunca mais acordassem, afinal eu não sabia os efeitos daquela droga mas sabia que a substância era uma variante, quase como uma mistura da cloud nine e a cocaína, todos estariam sob o comando dela quando acordassem, dependentes, como zumbis, um dos efeitos naturais da cloud nine era o canibalismo, suas vidas já seriam as mesmas. Com essa droga ela conseguiria uma ditadura mundial, ela dominaria o mundo.


— Você nunca vai vencer! — solto um rosnado e cuspo no chão arenoso aos meus pés, próximo a ela e a mulher encapuzada apenas sorri sem ter medo algum do meu poder - ou da loba que havia em mim. Medo também era algo que eu não tinha, não medo dela mas seu poder, que exalava o pavor, fazia meus ossos tremerem.


— Ah não, querida? — ela gargalha, sinica, debochando. — Eu já venci.


— Não acredite nela, Jane! — ele grita atrás de mim, caído entre inúmeros corpos, ele tentava escalar por entre eles como se subisse uma montanha. Alguns decapitados outros em pedaços, vítimas de uma carnificina cruel que quando os outros humanos acordassem provavelmente pensariam se tratar de um atentado terrorista. — você é forte! Pode vencê - la.


Me viro para encontrar os olhos negros dele, havia sangue em sua camisa e sua armadura estava em pedaços, observar aquele minúsculo ponto cinzento em sua íris. Mesmo ferido ele tentava se levantar e lutar, resistir.


Seus olhos estavam ali. Vivos, brilhantes quase como se me dissessem que ele acreditava em mim, como sempre acreditou quando ninguém mais acreditava, o homem que eu amava, que eu desejei na adolescência, o garoto magricela que eu conheci no Ensino Médio, que me machucou na juventude e me amou quando eu cresci.


Seus olhos, me levando para uma realidade em que estivéssemos bem, um com o outro, felizes e sem nenhum monstro nos torturando. Independentemente de tudo ao nosso redor, ele ainda acreditava em mim.


E então, com um sorriso, Scorpion, meu algoz, aparece, escondido entre centenas de soldados do exército inimigo enquanto Viúva Negra ria de sua própria sorte cortando algumas cabeças e despedaçando algumas vítimas ao meio empilhando uma nova leva de corpos ao seu lado direito. Lambia as mãos manchadas de sangue e sorria como uma criança provando doce.


Fecho os olhos me lembrando os últimos momentos bons que tive. O livro, escondido entre camadas de roupa, parecia esquentar, podia sentir cada palavra escrita com tinta preta alí, cada verso amaldiçoado.


As lembranças me remetem a dias atrás, relaxar com meus amigos em um sábado à tarde, sentindo o sol queimar a minha pele enquanto ele beijava minha barriga radiante de alegria com a ideia de que seria pai, alguns deles aceitando uma proposta promissora de emprego, nossa mudança repentina para outro país, um futuro. Meu felizes para sempre.


Livre e alegre, como os raios de sol que me queimavam naquele sábado. A vida em meu ventre, o poder em minhas veias.


— Nada disso teria acontecido se não tivesse conhecido ele naquele dia Janet, você poderia estar viva se não tivesse escolhido e se casado com ele — ela puxa meu cabelo me ameaçando com a lâmina, raspando a parte afiada contra o meu pescoço. Sua voz exalava o ódio que ela sentia, a raiva e o descontentamento. Ela não pareceu notar o livro, se eu tivesse pelo menos uma distração, poderia pegá-lo, tentar algo que nos salvasse.


— Mas agora... O que eu quero é concluir o meu plano e infelizmente, para você. — Ela sussurra ao meu ouvido e roça a lâmina contra o meu pescoço pressionando a ponta da faca contra minha garganta. — Isso significa a sua morte. Sorria e aprecie o espetáculo.


Ele grita quando Viuva Negra estende a faca para ele, sorrindo.


— Vamos tornar as coisas mais divertidas. Uma chance. — ela explica, obrigando - o a aceitar a arma. — você ou ela, querido.


Lágrimas brigavam dos meus olhos, minha garganta doía, meus pés estavam machucados e meus pulsos cortados pela corda que me mantinha presa a cadeira mas eu não me arrependia. Não me arrependia de nada, mantenho o sorriso para ele sabendo que ele me conhecia bem o suficiente para notar que eu tinha um plano mirabolante em mente, morreria ao lado do homem que eu amava e sentia vontade de sorrir sobre como tudo aquilo era clichê. Uma piada do Universo.


Tinha chegado alí por conta dos meus pesadelos, minhas anotações sobre eles permaneciam frescas na minha memória, algo que me aterrorizava na infância, um quebra - cabeças que chegava até uma assassina fria e cruel, sádica e psicopata que sentia prazer em matar para se vingar de todos aqueles que a machucaram na infância. Uma mulher que tinha feito um pacto com o demônio apenas para obter vingança.


Ele se aproxima de mim assim que Scorpion, o monstro do Tártaro, o liberta apenas para entretenimento próprio, se arrastando e mancando por ter torcido o tornozelo minutos antes, seus olhos destruídos e seu corpo trêmulo, coberto por cortes, ferimentos e marcas de batalha, sussurrando um "desculpe" em silêncio, seus olhos negros tremiam e o brilho neles havia morrido, aquilo era demais para que eu suportasse.


Então, ele estende a lâmina no alto murmurando algo incompreensível, a desce em minha direção, fecho os meus olhos sabendo que aquele seria o meu fim e sinto o golpe da faca queimar em meu peito, o sangue empapar minha camisa. Um último suspiro, um último adeus.


Minha vida se passa diante dos meus olhos e percebo que não me arrependo de nada do que fiz ou deixei de fazer, minha mente vagueia em como a minha história chegou aquele ponto. A minha morte.


Sabia que aquele não seria o fim, minha alma reencarnaria, encontraria outro corpo, outro Hospedeiro para realizar os desejos dos Deuses. Acreditava naquilo da mesma forma que acreditava que aquele assassino a minha frente pagaria por todos os crimes que cometeu.


O abraço, ainda com a lâmina enfiada no meu corpo e sinto suas lágrimas pingarem em mim. Éramos um só, como ímãs opostos sempre se encontrando. Poderiam se passar vidas e vidas, reencarnações atrás meu destino havia se conectado ao dele eternamente.


— Eu te amo. — sussurro em seu ouvido, sentindo minhas forças esvaírem e meus olhos pesarem. Minha mente relembrava nossa história, voltando no tempo, como um analgésico. Nosso passado, indo para o dia em que tudo mudou, o dia da morte de Camille. O acontecimento fatídico que mudou nossos destinos, uma lágrima caí e desaba solitariamente no solo enquanto eu apago. — Para sempre.





Notas Finais


Este livro existe no Wattpad pela conta @punkispoodle eu sou a BruxinhaDark, sejam bem - vindos.


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