História O Início do Recomeço - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Aurélio Cavalcante, Camilo Sampaio Bittencourt, Ema Cavalcante, Jane Benedito, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurieta
Visualizações 655
Palavras 6.755
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, estou de volta! Eu tirei um tempinho de férias porque minha cabeça precisava descansar, mas cá estou novamente! Eu to morrendo de amores por esse capítulo, espero que vocês gostem também! ♥

Por favor, deixem comentários, isso é de ESXTREMA IMPORTANCIA, porque através dos comentários eu consigo saber se estão gostando ou não, se devo continuar a história ou se devo seguir outro rumo para ela, então por favor, comentem! Além do mais, isso me estimula e muito! Também podem me chamar no twitter (@ dixonfanfic) ou deixar perguntinhas anônimas (ou não) no curious sobre a fanfic ou sobre qualquer outra coisa que quiserem, quero estar o mais próximo possível de vocês! ♥ (curiouscat.me/dixonfanfic).

OBS: Desculpem qualquer erro ortográfico.

Capítulo 4 - Três Caixas e Uma Grande Surpresa


Fanfic / Fanfiction O Início do Recomeço - Capítulo 4 - Três Caixas e Uma Grande Surpresa

Mais um dia renascia. As frestas do sol que brilhava lá fora adentravam e invadiam o quarto de Julieta, trazendo a sensação de calor e de boas energias. Ela abriu vagarosamente os olhos, ainda sonolenta. Encontrou o lado esquerdo da cama vazia, mais uma vez. Passou a mão lentamente pelo lençol frio e suspirou tristemente. Já fazia uma semana desde que Aurélio tinha dormido ali, junto dela. Isto porque, seu filho e Jane estavam passando uma temporada no Vale do Café. Camilo agora trabalhava junto da mãe, finalmente honrando o apelido de Príncipe do Café que lhe fora dado. Sendo assim, o herdeiro sentiu necessário estar perto da Rainha do Café por algum tempo, para acompanhá-la nas negociações e aprender ainda mais.

Na última noite esplendorosa que o filho do Barão passou na fazenda, Jane e Camilo tinham ido repousar na casa da Dona Ofélia, mas depois disso decidiram que seria melhor passarem todas as noites na residência da empresária, por conta do espaço que era maior do que na casa da família Benedito e também porque ali tinham privacidade, já que a sogra do seu filho não sabia respeitar tais limites, não por mal, mas porque era da personalidade dela. Dessa forma, era impossível que Aurélio dormisse ali, pois, nenhum de seus amigos e família sabia que ambos mantinham essa rotina e claro, seu filho discordaria de tal fato, já que levava os princípios da sociedade muito a sério, pois era assim que ela o havia ensinado.

Levantou-se e descalça caminhou até a janela, sentia o piso frio entrar em contato com as solas dos pés, trazendo uma sensação de refresco. Abriu as cortinas e permitiu que a paisagem do jardim ficasse expostas para a sua visão. Apreciou as rosas que estavam tão bem cuidadas e tratadas, pareciam mais vermelhas, mais vivas do que eram antes, talvez sejam apenas os olhos de Julieta, que agora estão alegres e libertos, permitindo-a apreciar melhor os pequenos prazeres da vida. Suspirou novamente. Ela sentia falta de Aurélio, de passar a noite com ele, de repousar a cabeça no peito dele e ouvir a respiração mansa, de sentir as carícias em seus cabelos, que sempre a faziam pegar no sono tranquilamente. E sentia ainda mais falta de acordar ao lado do amado, que a chamava com um bom dia preguiçoso, um sorriso sonolento e os cabelos bagunçados.

Isso era a única coisa que lamentava atualmente, não poder estar todas as noites e manhãs na companhia do filho do Barão, dado que, os problemas já não eram mais constantes na vida pessoal de Julieta, pois, ela e Camilo agora estavam convivendo em perfeita harmonia, bem como, tinha ganhado grandes amigos, e ainda, estava oficialmente namorando Aurélio Cavalcante. A calmaria acompanhava os negócios também, já que a ferrovia estava funcionando e assim, facilitava a exportação do café, e, Susana já não era mais sua sócia, não tinha ninguém mais tramando contra ela nos negócios; sequer sabia onde estava a antiga amiga.

Afastou os pensamentos que a cercavam, conforme se distanciou da janela. Precisava começar a se arrumar, pois, mais um dia de negócios se iniciava. Sem pressa, deslizou pelo corpo um vestido vermelho bordô, que apesar de rendado dava um ar mais suave para a mulher. Julieta havia parado de vestir preto há pouco tempo, ainda estava a acostumar em se ver dentro de roupas mais leves e vivas. Apesar das novas vestimentas, ela optou por continuar trajando cores fortes e com rendas, simplesmente não conseguia imaginar-se com cores delicadas e juvenis, acreditava que isso fugia da sua personalidade e também já não era mais uma jovem para usar tais trajes, apesar da insistência da sua enteada.

Alisou o vestido com as mãos, apenas para ter certeza de que estavam sem saliências e no devido lugar. Após confirmar no espelho que os trajes abraçavam perfeitamente o corpo, ela sentou-se em frente à penteadeira e passou a escovar os cabelos ondulados e rebeldes, que se encontravam embaraçados por conta do repouso noturno. Olhava-se e via a nova mulher que era. A mudança da sua alma refletiu nas afeições. Já não possuía tantas marcas de expressão, as bochechas eram coradas, os olhos possuíam um brilho deixando-os mais castanhos e os cabelos estavam vivos, chamativos. Mesmo sem maquiagem ela gostava do que via, de como sua imagem estava, porque refletia a imensa felicidade que estava a sentir.

Prendeu os cabelos com grampos, em uma espécie de coque, deixando algumas mechas caírem e emoldurarem o rosto. O penteado era outro detalhe que havia mudado, já não usava mais aquele antiquado e trabalhoso, apesar de ainda não usar as madeixas soltas, agora fazia um penteado mais leve, um pouco solto e que a deixava com a aparência mais jovem e delicada.

Pegou a maquiagem que estava disposta em sua penteadeira e de maneira concentrada a aplicou no rosto, cobrindo alguns detalhes na pele que não deseja mostrar, mas que não chegavam a ser imperfeições. Não era nada muito forte ou marcado, optou por algo simples, apenas o suficiente para deixarem os seus olhos mais destacados, as bochechas coradas e os lábios rosados. Após terminar de passar os produtos na face, olhou para e espelho e sorriu. Estava do jeito que gostava, suave mas elegante.

Calçou as tradicionais botas com pequenos saltos, para a deixarem alta, já que tinha a estrutura mais baixa do que as pessoas ao seu redor. Pôs-se a caminhar e ao descer as escadas estranhou ao se deparar com Jane e Camilo sentados na sala de estar.

Franziu as sobrancelhas e enrugou a testa. Tal fato era incomum, normalmente, ela acordava cedo, com os primeiros raios de sol e por isso tomava café da manhã sozinha, visto que, os demais costumavam dormir até mais tarde. Claro, com exceção do filho do Barão, que quando estava ali também acordava ao alvorecer.  

Mas hoje, o filho e a nora já estavam trajados e visivelmente bem acordados, pois sussurravam um para outro, juntamente com algumas risadas baixas e alguns beijos apaixonados. Um sorriso terno nasceu nos lábios da Rainha do Café ao ver a cena em sua frente. A nora e o filho sempre foram um casal apaixonado e extremamente carinhoso um com o outro, como algum dia ela pode duvidar desse amor? Afastou imediatamente os pensamentos nebulosos que uma vez ou outra insistiam em voltar. Havia prometido para si mesma que não iria mais se torturar pelo que fizera no passado, quando era uma pessoa completamente diferente do que é agora.

— Bom dia! — Julieta disse feliz, adentrando completamente no cômodo e fazendo-se notar a sua presença. Isso fez com que os jovens se separassem do beijo que compartilhavam e soltassem um riso tímido, envergonhados por terem sido pegos em flagrante. Lembrou-se que a uma semana atrás era ela quem estava em tal situação, constrangida por ter sido pega aos beijos com o namorado. Camilo passou a semana inteira, sempre que possível, provocando a mãe com piadas a respeito da situação, agora era o momento perfeito para ela retribuir tais brincadeiras. — Vejo que acordaram demasiadamente cedo hoje. — O casal balançou a cabeça positivamente, enquanto arrumavam-se no sofá. — E também acordaram bastante... animados, digamos assim.

Camilo que bebericava um pouco de água no momento, afogou-se assim que as palavras ditas pela genitora chegaram aos seus ouvidos, bem como, a olhava com os olhos arregalados e assustados. Jane instantaneamente ficou com o rosto avermelhado, mas sequer percebeu isso, já que batia delicadamente nas costas do marido, em uma tentativa de ajudá-lo. Julieta exibiu um sorriso orgulhoso e divertido quando viu a surpresa do casal, pois, não era do seu feitio fazer comentários desse gênero. Mas em sua defesa, somente fez isso porque o filho também estava fazendo o mesmo com ela, e além do mais, a relação atual dos dois permitia que brincadeiras desse tipo fossem trocadas entre os dois.

— Com todo respeito, minha sogra. — Jane pigarreou, o marido ao lado ainda se recuperava do pequeno choque. — Mas acredito que a senhora tem passado muito tempo com Dona Ofélia Benedito. — Ambas as mulheres soltaram um riso divertido.

O rosto da loira não estava mais avermelhado. A menina, apesar de tímida, já era acostumada com tais comentários vindos da mãe, que eram ainda mais intrusos do que este. A verdade é que a nora estava certa, ela tem passado bastante tempo com a sogra do filho e a mulher grisalha tem a ensinado que muitas vezes deixar os filhos envergonhados pode ser muito engraçado.

— Nós acordamos cedo pois, tínhamos um compromisso importante hoje. — Camilo declarou após recuperar-se completamente. O casal jovem trocou um olhar com sorrisos bobos e voltaram novamente a atenção para a morena.

Novamente, Julieta estranhou, ambos a olhavam de uma maneira engraçada e animada. E também, tinha o fato de que os dois tinham acordado muito antes e já haviam ido a um compromisso importante. Quer dizer, quem marca um compromisso tão cedo dessa maneira? Antes mesmo do sol raiar? Ela resolveu não pensar muito sobre o assunto, respeitaria a privacidade dos jovens e quando eles se sentissem confortáveis contariam, afinal, parecia ter sido um compromisso que deixaram ambos muito alegres.

— Hoje não teremos nenhuma reunião e muito menos negócios importantes a tratar, será apenas trabalho de rotina. Caso queiram, vocês podem voltar a dormir e tirar o dia de folga. Acredito que um compromisso tão cedo tenha os deixado cansados e também, desde que chegaram ao Vale do Café não tiraram um dia sequer para aproveitar a estadia.  — A Rainha do Café pronunciou tais palavras e viu os dois acenarem positivamente.

O dia de trabalho hoje seria relativamente tranquilo, claro, se nenhum imprevisto acontecesse. Só teria que realizar algumas visitas nos cafezais, ver como estavam as terras, a produção e as condições dos trabalhadores. Por isso, resolveu dispensar o filho, não via necessidade de que o herdeiro a acompanhasse, visto que Aurélio poderia ir com ela. O filho do Barão era muito comunicativo, e por isso, quando ele estava junto os trabalhadores sentiam-se mais a vontade para dizer os problemas que os cercavam e até mesmo fazer reivindicações. Julieta admirava isso e achava de extrema importância, mesmo sendo rígida quanto ao trabalho, ela prezava o bem estar dos seus funcionários.

Mas sinceramente, o maior motivo para ter dispensado o filho, era para passar alguns momentos somente na companhia do namorado. Afinal, de uma propriedade para a outra eles poderiam fazer algumas paradas e aproveitar um momento a sós, que problema teria nisso, não é mesmo? Somente o pensamento de ficar sozinha com Aurélio fez os pelos do seus braços se arrepiaram e os olhos brilharem mais.

— Agora, se vocês me dão licença irei tomar o café da manhã. — Julieta disse após receber a confirmação do filho de que este tiraria o dia de folga.

A empresária retirou-se deixando os jovens na sala e caminhou até o cômodo ao lado, no ambiente em que eram servidas todas as refeições. Ao adentrar parou imediatamente por conta da surpresa que a invadiu.

A mesa não estava posta, não tinha nenhum mantimento em cima dela ou sequer a tolha que era sempre colocada para o café da manhã. Mais uma vez naquele dia a mulher franziu a testa. Isso nunca havia acontecido, a mesa sempre estava arrumada quando Julieta descia, dado que, os funcionárias já sabiam dos seus horários de cor. Algo de muito estranho estava acontecendo ali e ela iria descobrir.

Observou que no seu lugar da mesa tinha uma bandeja de prata, com um envelope e uma rosa em cima. Aproximou-se e pegou o papel delicadamente em suas mãos. Ao abri-lo se deparou com uma mensagem.

"O céu azul e o sol brilhante exigem serem apreciados. Hoje o café da manhã será servido no jardim."

Julieta conhecia bem a caligafria daquele bilhete, era de Aurélio. Não pode evitar o sorriso que nasceu em seus lábios, aquela mensagem iluminou o seu coração. Claro, ela deveria ter logo desconfiado de que ele tinha algum envolvimento com isso. O filho do Barão era cheio de surpresas, estava sempre trazendo novidades no romance dos dois e a marcando com ótimas lembranças.

Pegou a rosa em suas mãos e a cheirou. Essa flor já não era mais apenas o símbolo dela, mas sim, o símbolo dos dois e do amor que compartilhavam. A rosa representava um código que só eles eram capazes de decifrar. Segurando firmemente o bilhete e a flor, se direcionou para o jardim.

— Aproveitem o dia. — A Rainha do Café declarou para o casal jovem que continuavam sentados no sofá e que apenas se entreolharam com um sorriso quando a viram passar apressada. Camilo e Jane por certo iriam desfrutar o dia, mas tinham a certeza de que Julieta Bittencourt iria aproveitá-lo ainda mais.

Os passos da empresária eram rápidos, pois ela estava ansiosa para ver o seu amado e aproveitar um bom café da manhã na companhia do mesmo. Logo, foi capaz de avistá-lo. Ao meio do jardim, entre as flores, estava colocada uma mesa com duas cadeiras e lá estava Aurélio.

O homem estava de pé e parecia concentrado tentando organizar as coisas dispostas na mesa. Pode observar que ele usava um terno cinza muito elegante, tentou buscar em sua mente uma vez que o viu com esses trajes mas não foi capaz de encontrar em nenhuma de suas memórias. A morena gostou do que viu, pois ele ficou ainda mais bonito com este terno, se é que isso era possível.

Diminuiu os passos até parar definitivamente, ainda um pouco distante da onde se encontrava a mesa. O filho do Barão ao perceber a presença, ergueu os olhos e encontrou diretamente os dela, que sorriam e brilhavam deixando-o completamente hipnotizado.

— Com licença, senhor. — Julieta pronunciou as palavras com um tom ético, como se o homem a sua frente fosse um desconhecido.  — Eu recebi um convite para um café da manhã no jardim. O senhor poderia me informar se este é o lugar correto? — Ela ergueu o bilhete que estava em suas mãos, com um sorriso brincalhão nos lábios e deu mais alguns passos.

Aurélio deixou escapar um riso da garganta e se aproximou da morena. Desde que Julieta se desprendeu de todos os traumas, medos e dores, ela se tornou uma mulher mais leve e que constantemente fazia brincadeiras. Esse humor fez com que o homem se apaixonasse ainda mais por ela. Na frente dos outros, apesar de agora ser atenciosa, a Rainha do Café ainda optava por se manter séria, mas com o filho do Barão era diferente, ela se sentia livre e confortável para ser quem quisesse ser, inclusive para fazer brincadeiras tolas como essa.

— Sim, a senhora está no lugar correto. Seja muito bem vinda, Dona Julieta. — Aurélio pegou a mão da namorada e depositou um beijo educado, mas demorado. Um sorriso se fazia presente em ambos os lábios. — Está especialmente bela esta manhã, se me dá a honra de dizer.

— Eu poderia acreditar em suas palavras, se você não as me dissesse constantemente. — Julieta ergueu as sobrancelhas. O botânico frequentemente fazia tais elogios, deixando-a muitas vezes sem graça e sem saber o que responder para o mesmo. Nunca nenhum homem a havia elogiado tanto igual ele. Lembrou-se de que quando o filho do Barão começou a elogia-la, ela acreditava fielmente que não passava de um cortejo chinfrim. Quem diria que o cortejo chinfrim a faria se apaixonar perdidamente por esse homem?

— Digo isso porque a cada dia que passa você fica ainda mais linda e eu ainda mais apaixonado. — Aurélio estava dizendo a verdade. Não sabia como era possível ou quais eram os segredos de beleza da Rainha do Café, mas a cada dia que passava ela estava mais bela e exuberante, bem como, ele se apaixonava mais e mais, não só pela formosura dela, mas também pela essência, pela personalidade e pela força da amada.

Ele sentiu as mãos da namorada tocarem os lados do seu rosto, como se o estivessem emoldurando, os dedos faziam pequenas carícias na pele. Não demorou muito para sentir os lábios dela nos seus. Eram delicados e deliciosos. O beijo aconteceu de forma lenta e amorosa, entre gemidos abafados, as línguas entrelaçavam-se quentes, molhadas. A doçura da boca de ambos era um deleite de sensações e prazeres guardados durantes dias e horas de saudades.

Aurélio levou as mãos para a cintura da mulher, puxou o corpo dela mais próximo ao seu e intensificou o beijo, mudando de ângulo, contornando com a língua o interior da boca em uma sutil provocação. Isso fez com que Julieta gemesse baixinho e a respiração oscilasse, enquanto sentia as mãos dele desenharem sua cintura em movimentos delicados.

O beijo foi interrompido, o ar se fez necessário. Encostaram a teste uma na outra, enquanto recuperavam o oxigênio perdido, o botânico depositou vários beijinhos no canto da boca, salpicando com amor os lábios em êxtase.

— Vamos comer, antes que o café esfrie. — O filho do Barão sabia que se continuassem nesse ritmo o café da manhã acabaria sendo esquecido. Apesar de desejar passar o dia inteiro beijando os lábios deliciosos da namorada, ele tinha planos importantes para esta manhã. Pegou a mão da Rainha do Café e se direcionou até onde estava a mesa. Puxou a cadeira para que a amada se sentasse e em seguida, sentou-se na cadeira a frente.

Julieta esqueceu o bilhete e a rosa em cima da mesa e agora observava atenta tudo ao redor. O jardim não estava como era de costume. Havia mais flores do que o normal e todas foram colocadas de maneira diferente, as cores se misturavam de maneira harmônica e encantadora, bem como, o perfume era presente e gracioso. Ergueu os olhos e somente agora percebeu que um pergolado de madeira tinha sido posto ali, nele estavam pendurados alguns enfeites com rosas, era adorável. Os olhos caíram sob a mesa, a qual era coberta por uma toalha branca e enfeitada com ramos verdes e flores brancas, de maneira mágica. Claro, em cima haviam diversos mantimentos que certamente estavam apetitosos.

— Aurélio... — A Rainha do Café deixou um suspiro maravilhado escapar dos lábios. — Está tudo tão lindo! Como você fez isso? — O lugar favorito da empresária era o jardim, sempre achou o local mais belo e agradável da fazenda, mas hoje, de alguma forma, o loiro havia conseguido o deixar ainda mais deslumbrante. Tudo ali, a maneira em que foi disposto e a essência que circulava no ambiente era romântico. Aurélio era um homem apaixonado e fazia questão de demonstrar isso de todas as maneiras possíveis, e claro, a morena amava tal característica.

— Eu estou feliz que tenha gostado, mas um mágico nunca revela os seus truques. — O filho do Barão deu uma piscadela e com isso arrancou uma gargalhada da morena. Ele amava ouvir aquele riso, senti-se tão sortudo. Serviu o café para ambos, do mesmo modo que serviu uma fatia de bolo de fubá com cobertura de creme com coco, o favorito dela.

— É como se você tivesse lido os meus pensamentos. — Julieta disse, recebendo uma erguida de sobrancelhas do namorado, que a questionava de maneira silenciosa. A mulher arrastou a mão direita pela mesa e a uniu com a do amado. — Hoje pela manhã, quando acordei, tudo o que eu desejava era poder tomar café da manhã com você, estar junto de você, apenas nós dois.

— O seu desejo se tornou realidade. — O botânico declarou, recebendo um aceno positivo da mulher. — E o meu também, porque pela manhã eu compartilhava do mesmo querer que você. Para ser sincero, todas as manhãs eu desejo acordar em sua companhia e todas as noites eu desejo poder me deitar com você, Julieta. — Aurélio beijou novamente a mão da morena, e ela exibiu um sorriso terno e realizado. Ambos estavam na mesma página, com os mesmo desejos e sabiam disso.

Continuaram a conversar enquanto tomavam o café da manhã. Nenhum assunto sobre os filhos ou o trabalho foi abordado, resolveram falar sobre temas que envolviam somente eles e os seus gostos. Dialogaram sobre os livros que estavam lendo e compartilharam o que achavam que aconteceria ao final da história, sobre as flores no jardim e sobre os deliciosos bolos que Judite havia feito para esta manhã.

Os raios de sol ainda eram fracos, visto que, era o inicio da manhã. Batia também uma leve brisa que trazia o frescor para os seus corpos. A claridade fazia com que os olhos de Julieta ficassem ainda mais castanhos, vibrantes e intensos, como se fossem mel puro. Aurélio amava a cor daqueles olhos e as emoções que eles lhe transmitiam, foi uma das primeiras coisas pelo qual se apaixonou nela.

Da mesma maneira, os olhos do filho do Barão ficavam ainda mais azuis com a claridade, como se fossem estrelas no céu, tão brilhosos e encantadores. A sensação que a Rainha do Café tinha é que poderia se perder completamente dentro daquelas íris sem fim, que eram tão profundas e convidativas, capazes de dizerem tantas coisas.

Já havia se passado cerca de quarenta minutos que estavam ali, continuavam com as mãos dadas em cima da mesa, já não comiam mais, apenas aproveitavam a conversa e apreciavam a companhia tão desejada um do outro.

— Eu trouxe três caixas com algumas surpresas para você. — Aurélio disse retirando de um suporte que estava escondido ao lado da mesa duas caixas rosas decoradas, do tamanho médio, fazendo com que a namorada ergue-se uma de suas sobrancelhas, questionando-o. Entregou ambas as caixas para ela, que ao pegá-las colocou delicadamente em cima da mesa.

Ao abrir a primeira deparou-se com um livro de capa marrom. Sorriu ao ler o título “Poesias Completas de Machado de Assis”. Não precisou de muito tempo para Aurélio perceber que Julieta era completamente apaixonada por poesias, mesmo que as lia escondida em seu quarto para que ninguém soubesse. Tal obra havia sido lançada há alguns anos atrás, mas ela ainda não a tinha adquirido e em algum momento comentou isso com o namorado. Agora, ele a presenteava com tal título, o que fez o coração da morena se encher de emoção, pois mostrava tantas coisas. Revelava que ele escutava tudo aquilo que ela dizia, por mais tolo que fosse, e ainda mais, se importava o suficiente para comprar este presente.

— Aurélio, eu não sei o que lhe dizer. — Julieta pegou o livro nas mãos e começou a folhá-lo, como se quisesse absorvê-lo ali, imediatamente. — Eu queria tanto este livro e estou tão animada para lê-lo! — A animação era evidente na voz da morena, que tirou por um momento os olhos da obra em suas mãos e olhou diretamente para as íris do loiro. — E eu desejo lê-lo com o senhor.

— Seu desejo é uma ordem, Dona Julieta. — Tal fala de Aurélio fez com que Julieta soltasse um leve riso. Observou o livro por mais alguns segundos e o guardou novamente da onde havia o retirado.

Em seguida, abriu a segunda caixa e encontrou alguns sonhos que eram vendidos na casa de chá da Dona Agatha. Ela amava comer aqueles doces todas as vezes que ia até o local, eram extremamente deliciosos e recheados com um creme que somente a proprietária do estabelecimento sabia fazer. O filho do Barão achava graça quando iam até o ambiente, pois, Julieta sempre asseverava que não iria saborear tal sobremesa, já que continha muito açúcar e provavelmente não fazia bem para a saúde, nem para o corpo, mas quando chegavam lá ela nunca conseguia resistir e se rendia completamente ao mau em forma de doce.

— Isso é tão injusto! — A Rainha do Café falou indignada. — Você sabe que não resisto a esses doces da Dona Agatha! Aurélio Cavalcante, você será a minha ruína! — Pegou um dos sonhos e abocanhou, fechando os olhos e sentindo o doce sabor na boca.

Aurélio riu ao ver a maneira com que ela comia, parecia uma criança que havia acabado de ganhar o primeiro doce em toda a sua vida. Mas bastou apenas uma mordida para que ela deixasse o sonho em cima da mesa. Lambeu os lábios retirando os resquícios do doce que havia ficado nas beiradas da boca, tal gesto fez com que o olhar do namorado caísse para os lábios dela; ele sentiu um calor percorrer pela espinha e se espalhar rapidamente pelo restante do corpo. Em ato contínuo, Julieta levou os dedos a boca, rapidamente se livrando do açúcar que ali tinha ficado.

— Estou agradecida pelos presentes, mas me disse que eram três caixas e aqui só vejo duas. — A voz da morena o tirou dos devaneios lascivos que atravessaram a sua mente ao assistir aqueles simples gestos da mulher. Ela apontou com os dedos para as duas caixas, que estavam abertas em cima da mesa. Ela mal conseguia esconder a animação para saber o qual seria a terceira surpresa.

— Isso porque a terceira caixa ainda esta comigo. — Logo após completar a frase, Aurélio levantou-se calmamente e se ajoelhou em frente a Julieta, que permanecia sentada. Retirou uma caixa pequena de veludo preta que estava escondida no bolso do paletó e a abriu, mostrando para a namorada uma aliança.

— Aurélio... — A voz da mulher saiu como um sussurro. Dentre todas as surpresas ela jamais esperaria por essa. Observava o rosto do namorado que exibia um sorriso nervoso e um olhar esperançoso, tão ao contrário da própria expressão. Ela encontrava-se com a boca entreaberta e os olhos castanhos assustados, surpresos. Por um momento não sabia o que pensar ou o que dizer, mas não foi preciso porque logo o filho do Barão desandou a falar.

— Desde que eu te conheci senti vontade de mudar, de recomeçar do zero, livrar-me dos mimos, do comodismo, da preguiça e lutar por tudo aquilo que eu havia deixado para trás, que eu acreditava não ser necessário quando na verdade era. — Os olhos azuis encaravam profundamente os castanhos, que o olhavam arregalados, de certa forma espantados. — Eu me tornei um filho e um pai melhor. Me tornei o homem que eu sempre quis ser mas que nunca tive coragem de lutar para me tornar. Saí da minha zona de conforto, me tornei útil e depois de tantos anos eu me reencontrei, e foi você quem me inspirou. Eu encontrei a minha essência, eu encontrei você.

Julieta sentia o seu coração palpitar, estava acelerado, a adrenalina corria por cada veia sua, como se tivesse acabado de viver um grande aventura. As palavras que o loiro falava entravam em seu coração e enchiam os seus olhos de lágrimas, fazendo-os lagrimejar. Ela podia sentir como ele estava nervoso nesse momento, mas mesmo assim, falava com tanta firmeza, com tanta certeza e sinceridade. Deixou um pequeno sorriso de canto quase imperceptível se instalar nos lábios, queria poder dar-lhe muito mais do que isso, mas o seu rosto insistia em manter-se chocado.

— Quanto eu olho o teu sorriso, quando eu ouço o seu riso, o meu coração para e minha alma anseia que eu veja essas imagens todos os dias, para sempre. — Aurélio continuou. — Assim como também quero ver os seus cabelos bagunçado quando acorda e ser o primeiro a te desejar bom dia em todas as manhãs. Quero ler contigo antes de dormir e depois te aconchegar em meus braços, até pegar no sono com o teu cheiro. Quero sentir a tua boca e a tua pele na minha, pela eternidade. — Os próprios olhos do filho do Barão lagrimejavam agora e ele pode ver uma lágrima tímida escorrendo pelo rosto da namorada. — Eu quero que os meus netos sejam os seus, assim como os seus sejam os meus também. Eu te amo perdidamente e quero envelhecer junto de você, mesmo que isso não soe mais tão romântico como soaria se nós tivéssemos vinte anos. — Em meio algumas lágrimas Julieta soltou um riso divertido com o comentário, fazendo com que o botânico a acompanhasse também. Mas logo o riso se desfez e apenas permaneceu dois sorrisos bobos e olhos molhados. — Julieta Sampaio, você aceita se casar comigo? — A última frase foi dita lentamente e suave, mas com ênfase.

Uma memória se acendeu na mente da Rainha do Café. Lembrou-se de um dos primeiros encontros que teve com o filho do Barão, quando este se ajoelhou em meio ao restaurante, suplicando pela sua família, mas ao mesmo tempo admitindo que a admirava. Nunca nenhum homem havia reconhecido ela, as suas conquistas nos negócios e declarado contemplação por ela ter conseguido espaço e se sobre saído em um mundo só de machos, pelo contrário, sempre duvidavam da sua capacidade, questionavam os seus métodos de negociação e de como ela fez para chegar onde chegou, sempre atribuindo os créditos ao crápula do Osório, mesmo que este já estivesse morto. Mas não Aurélio, ele era diferente e mesmo que na época não fosse capaz de confessar, ela pensou naquilo por meses.

Hoje a cena se repetia, Aurélio estava ajoelhado novamente em sua frente, estavam quase na mesma posição do que aquela no restaurante quando os caminhos deles se cruzaram. Ele segurava a respiração, aguardava nervoso por uma réplica dela, assim como naquele primeiro encontro, e também, mais uma vez esperava ansiosamente por uma resposta que mudaria ambas as vidas. Entretanto, dessa vez ele não admitia apenas a admiração que tinha por ela, mas sim o seu amor e a vontade de compartilhar o mesmo teto, a mesma cama e os mesmo beijos para sempre, até mesmo na eternidade. Ela levou as mãos até o rosto do namorado e delicadamente o cariciou com as pontas do dedos. Analisava cada detalhe dele.

Assim como nenhum homem nunca havia dito que a admirava, nenhum homem havia dito que a amava. Nenhum homem havia tido paciência para esperá-la, para enxergá-la, para compreende-la, para cuidar dela e de suas feridas emocionais. Aurélio foi o único, que lentamente se aproximou, que não a apressou e o único que a respeitou. Como ela poderia dizer não para aquele homem que tanto a amava, e que tanto ela amava? Como poderia dizer não quando compartilhava dos mesmo desejos que ele? Quando também queria dormir e acordar todos os dias em seus braços? Ela o queria tanto quanto ele a queria e por isso, pela primeira vez em sua vida, não sentiu medo da ideia de ter uma vida conjugal.

— Sim! — Julieta pronunciou com firmeza, mesmo que sua voz estivesse embargada pela emoção que a invadia. Abriu um sorriso brilhoso e sentiu mais uma lágrima de felicidade escorrer pelo rosto. — Aurélio Cavalcante, eu aceito me casar com você.

Aurélio soltou o ar que segurava em seus pulmões. Por um momento ele acreditou que ela diria não. Temeu que a estivesse pressionando demais, que os traumas e medos dela ainda a impedissem de ter uma vida conjugal. Mas quando escutou aquele 'sim' e viu o sorriso que nasceu nos lábios rosados da morena, ele sabia com todas as certeza que nada, nenhum trauma ou medo poderia separá-los, estariam juntos pela eternidade, para todo o sempre.

Viu as lágrimas que corriam pelo rosto da amada e sentiu as que escorriam em seu próprio rosto. Entretanto, logo sentiu os beijos de Julieta em suas bochechas, impedindo que as lágrimas continuassem a rolar. Ela circulou os braços em volta dele e ele dela, se perderam em um abraço caloroso, feliz. Ao se separarem encostaram as testas uma na outra e fecharam os olhos, ficaram assim por alguns segundos, em uma tentativa de se recuperarem das fortes emoções.

— Deixe-me colocar o anel em seu dedo. — Aurélio se afastou e retirou a aliança da caixa. Colocou lentamente o anel no dedo anelar da mão direita de Julieta. Os sorrisos estavam estampados nos rostos e era inevitável que não estivesse, dado a alegria que sentiam no momento. Levou a mão até a boca e beijou logo acima do anel. — Dona Julieta Sampaio, a senhora agora é oficialmente a minha noiva!

Julieta, em um instante, colocou a sua boca na dele, se envolvendo em um beijo lento e quente, como o sol daquela manhã. Desenhou com a língua a forma dos lábios do homem, com toque leves e suaves, encorajando-o a retribuir, o que imediatamente ele fez. Ambos bailavam em sincronia, transformando em um beijo perfeito e apaixonado. Ela circulou os braços ao redor do pescoço do filho do Barão, e as mãos trataram logo de acariciar os cabelos dele.

Aurélio esqueceu a caixinha do anel em algum lugar em cima da mesa e ainda ajoelhado colocou as mãos na cintura da amada. Saboreava o doce gosto dos lábios de Julieta, sentindo-se inebriado de amor e desejo. Um beijo cheio de promessas e juras de eternidade. Sentia o nariz dela roçando ao seu enquanto os lábios e línguas os guiavam apaixonados. Quando os lábios dela estavam colados ao seus parecia que existia somente os dois no mundo e nada mais. Entretanto, o ar se fazia necessário e apenas por isso separam os lábios, mas mantiveram os braços entrelaçados envolta do corpo um do outro.

— Pela expressão que você fez quando me ajoelhei, eu posso afirmar que de todas as surpresas, essa foi a que mais te deixou definitivamente surpresa. — Novamente ambos soltaram um riso divertido juntos. Aurélio estava correto, sem dúvidas esta foi a que mais a surpreendeu.

— Você está correto. — Julieta levou uma de suas mãos até o cavanhaque do botânico e o acariciou, em seguida escorregou a mão pela bochecha, testa e enfim os cabelos que ficavam no alto da cabeça. Ela amava decorar cada parte do rosto dele. — Mas também foi a surpresa que mais me deixou feliz. — Assim que a morena completou a frase, mais um beijo foi trocado entre o casal, dessa vez um selinho demorado e amoroso.

— É melhor entrarmos, os raios de sol estão começando a ficar fortes e quentes. — Aurélio declarou ao perceber que o sol agora estava ardente e agressivo, já que não era mais o início da manhã.

Ambos se levantaram, Julieta decidiu que levariam o livro e os sonhos agora e assim que chegassem na residência poderiam apreciar uma boa leitura acompanhada de uma deliciosa sobremesa, o restante das coisas seria recolhida pelos funcionários. Por isso, pegou o livro em suas mãos e Aurélio a caixa de doces. Não tinham por hábito andarem de mãos dadas, mas hoje era diferente, se dariam este prazer que apenas casais mais jovens costumavam ter.

— Então quer dizer que os filhos de Ema e Ernesto me chamarão de avó, e os filhos de Camilo e Jane te chamarão de avô? — Caminhavam de mãos entrelaçadas. Essa era uma das partes que mais havia a emocionado, pois a fez imaginar ela e Aurélio cercados por netos, brincando com eles e contando-lhes histórias dos livros, bem como, as suas próprias histórias.

— Eles não vão lhe chamar da avó. — O filho do Barão disse e a Rainha do Café imediatamente parou a caminhada. Ela olhava-o de maneira confusa. — Lhe chamarão de vovó Julietinha. — Aurélio soltou uma gargalhada e Julieta revirou os olhos, segurando um riso.

— Muito engraçado, Aurélio. — Ambos voltaram a caminhar, mas com os corpos mais próximos um do outro, ombro a ombro, praticamente encostados.

— Não gostou? Tudo bem, eu tenho outra ideia. Eles poderão lhe chamar de vovó Juju. Não, melhor! Lhe chamarão de vovó Jujuba! — Disse animado, como se fosse uma ideia genial e Julieta lançou um olhar incrédulo quando escutou tamanha sandice, fazendo com que o riso de Aurélio aumentasse, junto com a vontade de provocá-la.

— De maneira alguma me chamarão assim! — A Rainha do Café asseverou e manteve o olhar indignado sob o amado, que continuava a rir. Essa mania que o filho do Barão tinha em provocá-la em todas as oportunidades possíveis a deixaria louca qualquer dia desses.

— Chamarão sim, porque eu vou ensiná-los. — Escutou o seu nome ser exclamado e sentiu um leve empurrão que Julieta deu contra o seu corpo, como uma maneira de protesto.

— Petulante! — Desde que conhecera Aurélio ela o definiu com esta palavra e agora ela não podia ter mais certeza de que definitivamente essa sentença o descrevia perfeitamente. Mas a verdade é que ela gostava dessa característica dele, a fomentava. — Vamos ver quem é mais forte. — Ela falou com a típica voz da Rainha do Café, mas escondia um sorriso nos lábios que apenas o botânico era capaz de reconhecer.

Jane e Camilo observavam da janela do quarto o casal caminhando no jardim. No inicio, o filho da empresária alegou que só iria assistir por alguns segundos, mas os segundos se tornaram minutos e ali ele ficou, acompanhando todo o momento do casal mais velho. A esposa tentou de todas as maneiras tirá-lo dali, insistia dizendo que era um momento particular e que ele não deveria ficar olhando mesmo que fosse de longe, mas logo desistiu quando percebeu que seria incapaz de o tirar dali. E sem ao menos perceber, Jane também se rendeu a tentação e junto do marido assistia cada momento do casal, como se estivessem vendo uma peça teatral romântica. Não podiam escutar o que ambos diziam, mas não precisavam, o amor entre eles era capaz de ser visto apenas pelos gestos e olhares.

No momento em que viram Aurélio se ajoelhar aos pés de Julieta ficaram tensos, ele parecia falar tantas coisas, ao contrário dela que não se movia. O filho do Barão estava a algum tempo ajoelhado e os dois já estavam preocupados de que a resposta seria não. Tudo bem, talvez não fosse tanto tempo assim que ele estava ajoelhado, mas a ansiedade e expectativa dos jovens fez com que tudo parecesse uma eternidade.

Camilo desejava tanto ver Julieta casando com Aurélio. Ele era um homem bom, integro e principalmente, amava muito a sua genitora. Sabia que sua mãe também amava muito aquele homem, mas não sabia qual seria a resposta ou a reação dela a tudo aquilo. Julieta apesar de ter mudado nos últimos meses, ainda tinha as suas opiniões fortes e decisões, que o menino não conseguia entender. Isso era algo que não mudaria porque fazia parte da personalidade dela, era o que a tornava quem ela é e Camilo a amava dessa maneira, mas se sentia triste de vez em quando, porque percebia que isso ainda a impedia de ser feliz muitas vezes.

Tinha consciência de que sua mãe poderia dizer não para Aurélio e tinha mais consciência ainda de que isso a deixaria infeliz, por isso o seu corpo estava tão tenso e a respiração presa, percebeu que estava mais nervoso do que o próprio filho do Barão. Por que está demorando? Por que ele está falando tanto? E por que ela não está dizendo nada? Essas perguntas circulavam pela sua cabeça e o fato de não poder ouvir o que era dito naquele jardim apenas o deixava mais angustiado. Mas no momento em que viu a genitora acariciando o rosto de Aurélio e em seguida beijando o rosto dele e o abraçando, ele sabia que a resposta tinha sido sim.

Escutou Jane exclamar ao lado “ela disse sim!”, a esposa estava animada e ele também, mas tamanha era a sua emoção que sequer conseguia colocar em palavras. Ao vê-lo colocar a aliança no dedo da genitora sentiu os olhos lagrimejarem, estava feliz, pois Julieta Bittencourt disse sim para a felicidade.

A Benedito percebeu a emoção do marido, viu os olhos dele e o esforço que o mesmo fazia para não derramá-las. Entrelaçou os dedos com os de Camilo e deitou a cabeça no ombro dele. Compartilhava da mesma alegria, sua sogra se casaria com um homem bom e que a amava imensamente, seria feliz, assim como ela e Camilo.

— É bom saber que o nosso compromisso hoje de manhã surtiu um efeito positivo. — Camilo declarou com a voz embargada. — Porque mamãe não sabe como foi difícil organizar todas essas flores e enfeites praticamente no escuro.

Os dois jovens soltaram um riso divertido. Quando Aurélio pediu a mão de Julieta para Camilo e contou como seria o plano do pedido de casamento, o casal se voluntariou para ajudá-lo. Sendo assim, haviam acordado cedo para ajudarem o filho do Barão a organizar o jardim, tiveram que fazer tudo isso em um silêncio absoluto para que Julieta não acordasse e também com o auxilio de velas já que ainda era madrugada, foi difícil, trabalhoso e cansativo.

Mas agora, olhando a sua mãe caminhando de mãos dadas com o namorado, gargalhando e com um brilho diferente nos olhos, Camilo sabia que todo o esforço valeu a pena e que faria tudo de novo, pois nada no mundo valia mais do que ver a sua genitora feliz, do que ver a sua mãe sendo amada e principalmente, amando. 


Notas Finais


Desculpem o capítulo grande, mas que ando escrevendo bastante HAHAHA.

Beijokas e até a próxima! ;*


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