História O Inverno Sem Fim - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.540
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - R U Mine?


As pessoas, normalmente, não costumam imaginar coisas ruins acontecendo em suas vidas. E quando acontece, alguém carrega o peso da culpa nas costas. E assim era possível encontrar esse enorme peso nas costas de Rias e Phelipe.

Do lado de fora do hospital, Phelipe tentava se acalmar depois de ouvir aquelas coisas. Imaginou que Rias estaria chorando neste momento. Talvez pela carta, talvez por sua reação. Decidiu andar um pouco mais e parou em frente à janela onde se podia ver o quarto de Rias. Ficou a observando de longe por um tempo. Morgan, Wattson e Dahan ainda estavam no quarto, conversando com ela. Tentando distrai-la, tentando fazer com que ela parasse de chorar. Respirou fundo e decidiu voltar para dentro. Tentou se convencer de que o motivo era por estar muito frio lá fora. Mas ele sabia que era por precisar conversar com ela.

Tirou o casaco que estava com pequenos flocos da neve que continuava a cair. Entrou no quarto 221 e deixou o casaco sobre o sofá. Coçou de leve sua nuca e olhou para Rias. Ela o olhava de volta, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Se ela deitasse na neve, poderia passar despercebida de tão pálida que sua pele estava. Respirou fundo. O quarto ficara em silêncio desde que entrara no cômodo. Isso estava o incomodando. Não só a ele. Todos pareciam estar desconfortáveis com o tamanho silêncio. Mas ninguém ousou dizer algo. Phelipe ou Rias teriam que o fazer.

- Posso conversar contigo por um instante? – arriscou dizer, enfim.

- Claro. – Rias esboçou um pequeno sorriso. – Vocês poderiam nos dar licença? – perguntou para Morgan, Dahan e Wattson, assim que olhou na direção deles.

- Claro, Kath. Sem problemas. – respondeu Wattson. Sem mais cerimônias, saíram do quarto, deixando o casal sozinhos no quarto. Claro que iriam zoar Phelipe depois por esse drama todo, e principalmente por ter pedido para ter ficado a sós com ela.

- O que você acha que vai acontecer lá dentro? – perguntou Dahan.

- Eu poderia arriscar em dizer que eles vão ficar. Mas acho que o Phelipe não está nesse clima. – respondeu wattson.

- Só espero que não se matem. – Morgan falou, um tanto preocupado. Aguardaram em frente a porta do quarto. Sentaram nos bancos que ocupavam o corredor que dava acesso ali. O silêncio chegava a ser sufocante.

 

- Você poderia me explicar o que foi aquilo? – perguntou Rias com a voz carregada de tristeza e um pouco de raiva.

A expressão que Phelipe carregava no rosto era séria, rígida. Como se fosse sair gritando com o primeiro que aparecesse em sua frente. Rias encolheu-se um pouco na cama ao perceber que ele estava daquele jeito. Sentiu medo do que iria acontecer, do que ele iria falar. Sentiu medo de que ele saísse por aquela porta e nunca mais fosse voltar.

Rias começou a analisar o comportamento dele. E percebeu algo que não tinha visto antes. E desejou não ter visto, por sentir seu coração despedaçar aos poucos. Phelipe carregava uma aliança no dedo. O medo só aumentou. E mais uma vez, desejou não existir. Desejou a morte. E mais uma vez, sentiu a vontade de chorar. Mas segurou as lágrimas com o que lhe sobrava de forças.

Passou apenas alguns segundos após a pergunta de Rias. Mas o clima estava tão tenso, estava tão quieto o ambiente, que pareceu uma eternidade.

- Eu... Ahn... Sei lá, Kath. – Phelipe começou a dizer, enquanto andava em direção a cadeira que estava ao lado da cama de Rias, sentou-se, escondeu o rosto entre suas mãos e suspirou. Olhou fixamente para o rosto confuso de Rias. – Fico querendo saber o motivo de você ainda conversar com eles. Depois de tudo que já fizeram contigo.

- Fê...

- Não, Kath. Espera eu terminar de falar, por favor. – Rias engoliu em seco, e mexeu a cabeça dizendo que sim. – Preciso dizer algo que, infelizmente, demorei a perceber. E senti medo de não poder dizer algo. Medo de ser tarde demais. Me sinto extremamente culpado. – uma pequena pausa. – Eu gosto de você, Kath. E sei que você gosta de mim também. Tem aquela famosa frase, né? “Só se dá valor a alguém quando o perde”. E eu fiquei assustado de ter a possibilidade de te perder, quando você veio pra cá. Quando o médico saiu do seu quarto e disse que você havia entrado em coma. – esfregou as mãos em seu rosto e passou sobre o cabelo, nervoso. – Me senti tão culpado que passei a vir com muita frequência, te visitar. Passava noites. E quando eu sentia estar prestes a entrar em desespero... Eu saia. Pra beber. – mais uma pausa. – E me sentia arrependido depois de beber. – Phelipe aproximou-se mais de Rias. – Eu ficava aqui, colocava suas músicas preferidas, contava sobre meu dia. Tentava me comunicar, sabendo que não teria uma resposta. Era difícil, doloroso. Mas sobrevivi. Assim como você. – Phelipe começou a acariciar o rosto de Rias. Enquanto ela apenas o olhava, absorvendo cada palavra.

- Eu fico feliz, por esse sentimento ter se tornado recíproco. De verdade. E me desculpa por isso ter acontecido comigo. Eu queria realmente lembrar do que aconteceu. Mas está um vazio. – Rias começou a dizer, sentindo um alivio em poder falar aquilo que estava preso na sua garganta há tanto tempo. – Eu gosto muito de você, e Deus sabe há quanto tempo. – soltou uma risada. Sabia que era mais que um apenas gostar. Sabia que o amava. Mas não era o momento de dizer. Ainda não. Rias não estava preparada, nem Phelipe.

Ele levantou da cadeira, se aproximou de Rias, diminuindo mais ainda a distância entre seus rostos. Ela percebeu o brilho nos olhos dele, e a malícia em seu sorriso. Ele já sabia que ela tinha percebido a intenção dele, e entendeu que poderia ir em frente. Acariciou a bochecha dela, que ganhara um tom leve de vermelho, segurou o rosto dela e selou seus lábios. Sem perceber, ela prendeu um pouco a respiração. Seu coração bateu mais rápido, parecia que a qualquer momento, iria pular para fora do seu peito. Segurou a blusa dele e o puxou para mais perto.

O beijo começou calmo. Existia uma mistura de carinho, paixão e saudade. Encostaram suas testas e pararam de se beijar. No rosto de ambos, um grande sorriso estava estampado. Porém, no rosto de Rias, o sorriso foi se desfazendo aos poucos, ao lembrar da aliança que vira no dedo de Phelipe. A mesma mão que segurava a blusa dele, o empurrou de leve, afastando-o um pouco de si.

- Não acho que isso tenha sido o certo a se fazer agora. – falou Rias, assim que afastou o Phelipe. No rosto dele, uma expressão confusa. – É injusto com sua namorada.

- Namorada? Do que você tá falando, Kath? - Com uma mão, Rias apontou para a aliança que estava no dedo de Phelipe. Com a outra mão, cobriu sua boca. – Ah, isso? – soltou uma risada. – Não é isso que você tá pensando, Galbraith. Relaxa. Era pra ser uma surpresa, mas acho que eu estraguei. – levantou a mão em que a aliança estava. Com a outra mão, pegou um pequeno embrulho que estava no bolso da calça e entregou para Rias. – Era mais certo eu te entregar isso quando você saísse daqui...

Rias pegou o pequeno embrulho com cuidado. Um sorriso brincou em seus lábios quando uma aliança parecida com a que ele estava usando, caiu em sua mão. Era um anel parecido com o que era exibido no filme O Senhor dos Anéis. Sua cor era preta, na parte externa havia letras élficas, e na parte interna estava seu nome.

- É lindo... – disse Rias com a voz trêmula. – Obrigada, Fê.

Antes que qualquer um deles pudesse dizer algo mais, ouviram batidas na porta.

- Ahn... O casalzinho aí vai demorar? – perguntou Wattson, ao colocar apenas o rosto pra dentro do quarto. – O horário de visitas vai acabar daqui a pouco... E não pode ficar todo mundo aqui.

Rias e Phelipe começaram a rir.

- Podem entrar. Está tudo bem. – respondeu Rias, com um enorme sorriso no rosto.

- Nossa... – disse Wattson com um ar aliviado. – Achei por um momento que vocês iam discutir feio, ou algo assim.

E então, os amigos de Rias repararam que Phelipe e ela estavam bastante próximos, com uma intimidade que só era dada àqueles que já se beijaram, que estão namorando. Todos exibiam um belo sorriso nos rostos. Sorrisos que não eram vistos há tempos, com a ausência de Rias. Wattson, Dahan e Dahan apenas pensavam “Finalmente! Depois de tanta enrolação...

- Ei, Kath. – falou Dahan. – Temos que ir. O horário de visitas já está pra acabar, e depois que acaba, só uma pessoa que pode ficar. – Dahan lançou um olhar à Phelipe. E sorriu. – Melhoras. – aproximou-se de Rias e deu um beijo rápido em sua testa.

Todos se despediram e saíram do quarto 221. Rias e Phelipe ficavam se olhando, conversaram sobre coisas aleatórias. Phelipe contou algumas histórias de dias que Rias não estava presente. Ela se sentiu triste, mas não demonstrou. Riu com alguns fatos. Phelipe decidira passar a noite, para tentar amenizar a saudade. Ouviram música, se abraçaram, Phelipe deitou na cama junto dela e ali adormeceram.



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