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História O Jogo - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo 6


Jimin 


É com o coração aos pulos que desligo a chamada. Não esperava que ele dissesse isso. Nem um pouco.

“Quero transar com você de novo.”

Bem, é claro que ele quer. Sou incrível na cama. Mas de jeito nenhum vou dormir com esse cara de novo, não depois de ter passado o dia me sentindo a própria Hester Prynne. Só que a autocrítica com que estou me atacando é bem mais contundente do que qualquer coisa que a pobre sofreu na mão dos puritanos.

Nossa, não fui feito para sexo casual. Me sinto… profanado. O que é ridículo, porque se alguém foi profanado ontem foi Jungkook.  Não só o seduzi, como o amarrei e montei em cima dele como se fosse meu próprio parque de diversões.

Sou um putinho.

Você não é um putinho.

Tá, talvez eu não seja. Talvez seja só um homem de vinte e dois anos que se divertiu sem compromisso uma vez na vida.

O único problema é que gosto de compromisso. Sexo e relacionamento andam de mãos dadas para mim. Adoro ficar abraçadinho, ter piadas internas e ficar até tarde conversando. Sou membro de carteirinha do Clube do Namoro e, depois de ontem, posso dizer com sinceridade que o Clube do Sexo Casual é uma merda. A noite foi incrível, mas a vergonha não vale os orgasmos.

Suspirando, jogo o telefone na almofada do sofá e pego o roteiro que estava lendo antes de Jungkook me interromper. A peça escrita por outro aluno vai ser meu trabalho de conclusão de curso na Briar. Sou um dos dois protagonistas masculinos e, embora o material seja um pouco melodramático para o meu gosto, estou ansioso para os ensaios. Desde a minha estreia no teatro em Boston, neste verão, fiquei com comissão para atuar na frente de uma plateia ao vivo de novo.

O que é só mais um fator para contribuir com o meu estresse neste momento. Minha carreira está numa encruzilhada, e não tenho ideia de qual caminho seguir.

Quando entrei na faculdade, pedi ao meu agente para se concentrar em só encontrar projetos de verão para mim. Seria muita tentação largar a graduação caso aparecesse um papel atraente, e eu queria o meu diploma.

Agora que estou perto de me formar, tudo pode acontecer. A temporada de projetos-piloto começa em janeiro, e Ira já me mandou um monte de roteiros de seriados e novelinhas ao estilo Glee, além de várias comédias românticas que em geral me fariam salivar.

Sempre achei que estava destinado a papéis cômicos. Comecei a atuar ainda no ensino médio, e todos os papéis que fiz foram leves e divertidos, destacando minha persona de garoto comum e engraçado. Sonhava em ser um queridinho das comédias românticas. 

Até que, no último verão, saiu uma convocação para uma peça superséria, supertriste, dirigida por Brett Cavanaugh, vencedor do Oscar e lenda viva. Não sei como, mas meu agente conseguiu que eu fizesse um teste para Cavanaugh, e, para meu espanto completo, ganhei o papel — o irmão mais novo e viciado em heroína da atriz principal. O espetáculo durou só dois meses, mas foi um sucesso estrondoso. Desde então, recebi uma tonelada de ofertas para testes em papéis mais dramáticos, tanto para o teatro como para a TV.

E alguém me falou que Cavanaugh está num projeto novo para os palcos, dessa vez, num teatro pequeno de Nova York…

Merda. Por que estou tão tentado a desviar o curso que estabeleci para mim mesmo? Cogitar papéis dramáticos é uma coisa, mas teatro?

Hollywood dá muito mais dinheiro. Mais reconhecimento. Oscar, Globo de Ouro, farras de compras na Rodeo Drive.

Encaro a pilha de roteiros na mesinha de centro. E se for chamado para um desses pilotos que o Ira mandou e o seriado deslanchar? Ou se conseguir um papel num desses filmes? Eu poderia estourar. Então por que estou fantasiando sobre teatro?

Ainda estou perdido em pensamentos quando o telefone toca. Dou uma olhada na tela e, por um segundo, acho que é Jungkook, até ler com mais cuidado e perceber que é um M, e não um J. Ai. Meu ex-namorado e meu caso de uma noite só estão literalmente a uma letra de distância. Será que isso significa alguma coisa?

Matt está te ligando, seu idiota.

É, talvez lidar com isso seja mais importante agora.

Meu peito se enche de ansiedade. Não deveria atender. Não mesmo.

Atendo.

— Você tá bem?—, são as primeiras palavras que ouço.

Matt parece tão nervoso que decido tranquilizá-lo depressa. 

— Tô. Por que não estaria?”l

— Passei no alojamento depois da aula ontem e você não estava. E mandei mensagens a noite toda.

— Eu sei.– Engulo em seco. — Dormi na casa de uma amiga. Eu…– Engulo de novo. — Eu disse que não queria ver você.

— Queria que você mudasse de ideia.– Não tem como não notar o tormento em sua voz. 

— Cacete, amor. Sinto sua falta. Sei que só faz dois dias, mas estou morrendo de saudade.

Meu coração se parte em dois.

— Eu errei, tá legal? Já entendi tudo agora. Não devia ter dado um ultimato e definitivamente não devia ter dito que a sua carreira de ator não vai dar em nada. Estava chateado e descontei em você, e você não merecia isso. Quando fui na sua estreia, em Boston, fiquei bobo. É sério. Você é muito talentoso, amor. Sou um imbecil de dizer aquelas merdas todas para você. Não quis dizer nada daquilo.

Ele está praticamente implorando, e outro pedaço do meu coração se quebra.

— Matt…

— Você é a pessoa mais importante da minha vida– , interrompe ele, a voz embargada pela emoção. — Você significa o mundo para mim, e quero me enforcar por ter afastado você de mim. Por favor, amor, me dá mais uma chance.

— Matt…

— Sei que posso consertar tudo. Só uma chance, e…

— Matt!

Ele para.

 — Amor?–, pergunta, incerto.

Minha garganta está incrivelmente apertada, quase como se estivesse tentando me impedir de dizer as próximas palavras. Mas a culpa está me ruindo por dentro. Não posso simplesmente sentar aqui e ficar ouvindo Matt implorar, não quando estou me sentindo desse jeito. Engulo de novo e forço minhas cordas vocais a funcionarem.

— Dormi com outra pessoa ontem à noite.

A resposta é um silêncio ensurdecedor que parece se arrastar por toda a eternidade. A cada segundo que passa, meu estômago se revira mais.

— Você ouviu o que eu falei?–, sussurro.

Ouço um ruído abafado.

 — Ouvi.

Nós dois ficamos quietos. A dor e a culpa continuam a apunhalar minhas entranhas. Involuntariamente, retorno ao dia em que conheci Matt. Foi durante a apresentação dos calouros, e lembro de ter pensado que ele era o garoto mais fofo que eu já tinha visto, com o cabelo castanho bagunçado, que hoje ele usa bem curto, olhos brilhantes cor de avelã e a bunda mais bonita do planeta. Sendo o linguarudo esquisito que sempre fui, comentei sobre a fofura da bendita bunda, e as bochechas dele ficaram mais vermelhas que a camisa do Red Sox.

Naquela noite, jantamos juntos num dos refeitórios.

Uma semana depois, éramos um casal.

Mas agora, três anos depois, estamos separados, e acabo de confessar que dormi com outro. Onde foi que a gente errou?

— Com quem?

O questionamento me assusta. 

— O quê?

— Quero saber com quem foi– , repete Matt, categórico.

O desconforto aperta o meu peito. 

— Não importa. Não vai acontecer de novo. Foi…– Respiro fundo.— Foi um erro estúpido. Mas achei que você deveria saber.

Ele não responde.

— Matt?

A respiração irregular ecoa através da linha. “

— Obrigado por me contar–, resmunga.

Em seguida, desliga.

Levo um tempo para afastar o telefone do rosto. Corro os dedos pelo cabelo, e minha mão treme incontrolavelmente.

Nossa. Isso foi… brutal. Uma parte de mim se pergunta por que eu fui falar. Não pulei a cerca nem nada disso. Eu não tinha obrigação nenhuma de contar para ele. Na verdade, se tivesse ficado de boca fechada, podia ter poupado a dor que ele deve estar sentindo agora. Mas sempre fui honesto  com Matt, e uma parte burra e culpado de mim insistiu que ele merecia saber.

Um gemido angustiado escapa da minha boca. Meu coração está doendo de novo. A culpa agora é ainda pior, um nó bem apertado esmagando meu estômago.

Em vez de voltar para o roteiro, pego o iPod e coloco os fones de ouvido.

Então puxo o cobertor até o pescoço e ponho “Wrecking Ball”, da Miley Cyrus, no repeat, porque a música resume muito bem como estou me sentindo agora.

Destruído.




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