História O Jogo dos Deuses: Aquele que caça o divino. - Capítulo 2


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Sobrenatural, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Bem-vindos a confusão


Nós conseguimos uma pista de um possível ataque do caçador de meio-sangues em São Paulo, vamos para a cidade e nos separamos em equipes para facilitar a busca, todos estavam com um chip que era rastreável por aplicativo, assim seria fácil achar qualquer um que se perdesse. Laylah, July, Line e eu formamos uma equipe e estávamos explorando o esgoto. Não se preocupe, é bem mais agradável com a Line controlando a água para manter a maior parte das coisas desagradáveis longe da gente, mas ainda era nojento, ainda mais pelo cheiro. E você deve estar se perguntando por que estamos procurando no esgoto, bem, encontramos vários Ipupiaras mortos no esgoto, segundo a mitologia Guarani eles eram monstros marinhos, porém, de acordo com Line, eles haviam se espalhado como uma praga depois que o deus guarani das criaturas aquáticas, Mboi Tu'i, foi enfraquecido. Era agora comum que eles estivessem em esgotos. Os Ipupiaras que encontramos estavam com cortes específicos em regiões letais, e como não podem ser vistos por pessoas afetadas pela ilusão, eles tem que ter sido mortos por um ser divino, ou pelo caçador de meio-sangues. Acreditávamos na segunda opção, por isso estávamos procurando.

- A gente já passou por esse lugar. - Diz Laylah.

- Não passamos não, é que os túneis são parecidos. - Contesta Line.

- Vocês acham mesmo que o caçador vai estar nadando nesse monte de merda aqui embaixo? - Pergunta July.

- Ele sabia fazer magia de água, já que criou uma nuvem ao redor dele. Quem sabe ele possa fazer o mesmo que Line está fazendo para andar por aqui. - Respondo.

Nós recebemos uma mensagem de texto de Allen.

Saiam do esgoto
Matt vai ter uma nostalgia desagradável da primeira vez que nos vemos.


- Não gostei. - Digo.

- O que ela quis dizer com isso? - July Pergunta.

- Matt conheceu Allen quando enfrentava... Quer dizer, apanhava, para uma valquíria. - Responde Laylah.

- Mas que droga, até onde eu saiba as Valquírias tem mais ou menos o poder de um querubim médio, como o seu, não é, Laylah? - Comenta Line.

- Elas teoricamente tem a mesma força, poder é outra história, anjos tem um arsenal muito mais vasto. Mas se a questão for velocidade, elas fazem o trabalho rápido para não perder tempo. De qualquer jeito, pelo menos até onde eu saiba, July ainda é mais rápida que qualquer valquíria, pelo menos voando. - Laylah completa.

- Ok, chega de falação, tirem logo a gente daqui. - Digo.

Todos seguramos uns nos outros.

- tilemetaforá. - Diz Laylah, nos teleportando para fora do esgoto.

E falando em trabalho rápido, lá está a valquíria que me apresentou ao mundo divino, o primeiro ser mitológico que vi. Ela desce rapidamente, mas ao contrário da outra vez onde me atacou, me dá um cumprimento de honra, que eu respondo igualmente.

- Do que se trata? - Pergunto.

- Freyja não está feliz com você fora da ilusão. Odin muito menos. - Diz a valquíria. - Ambos deixaram claro que o único motivo para não te mandarem para Valhala é porque te devem por impedir Mictlantecuhtli. Mas, na verdade, imaginava que tinha sido você quem havia me chamado. Não te encontrava na superfície, por isso perguntei a sua amiga Allen onde estava.

- Te chamado? Eu não te... - Sou interrompido por uma flecha atravessando o peito da valquíria, em cheio no coração. - NÃO!!

Olhando ao fundo, notamos uma silhueta em meio a um nevoeiro, um homem segurando um arco.

- Ninguém mais vai morrer! - Grita July.

A nefilim dispara como uma bala na direção da silhueta antes que pudéssemos tomar qualquer atitude, ela se esquiva de uma flecha e atravessa a névoa de forma extrema, dissipando toda a fumaça.

- Nada... Como ele sumiu assim? - July pergunta.

Laylah com um pouco de dificuldade leva eu e Line para cima do telhado.

- Não fazemos ideia. - Respondo.

- O desgraçado usou você para atrair a valquíria... - Diz Line.

- Ele vai pagar por isso, Line. - Digo.

Nós avisamos todos do que aconteceu, obviamente, estávamos no lugar certo, já que vimos o caçador. Todos nos reencontramos e vamos até uma comunidade pobre próxima, precisávamos de dinheiro e coisas do mercado, pois nossos estoques estavam acabando. Juntos, descansamos numa casa que estava abandonada, no meio da noite começou a chover e pingar em todo lugar, obrigando Laylah a fazer alquimia nos pedaços da casa que não estavam bons e construir uma telha improvisada.

- Vocês humanos bem que podiam ter uma evolução genética para resolver esse problema do frio. - Diz Rogziel, antes de pegar no sono.

De manhã, descobrimos que esfinges estavam causando problemas próximo a parte do Brasil onde os deuses egípcios estavam instalados, o que parecia uma missão interessante. Nós nos resolvemos assim então: Laylah, July e Rogziel iriam deter um traficante local e pegar o seu dinheiro ilegal para nós. O resto do grupo, que não é aprova de balas como os anjos, vai para resolver o problema com as esfinges que haviam requisitado. Ambos deveriam demorar mais ou menos um dia, já que as anjos não poderiam voar ou mostrariam a divindade as pessoas, o que atrasa o trabalho delas. Guil nos leva até o município de Alfenas, em Minas Gerais, pousamos num bairro chamado Colinas Park.

- Vocês tem certeza que tem esfinge por aqui... UM LEÃO! - Pedra começa a gritar e correr para todos os lados.

Era uma esfinge, mas não uma do tamanho que esperávamos, era do tamanho da estátua de esfinge feita no Egito, enorme, se ela batesse sua cabeça contra o chão conseguiria esmagar todos nós. Começamos a correr, esperando a confirmação de Line que não tem ninguém por perto para usarmos nossos poderes.

- É, só tem dois moradores naquela casa, mas eles estão dormindo. Eu aviso se acordarem! - Diz Line.

Eu e Allen montamos no unicórnio da Line e voamos até próximo do rosto da esfinge, atirando trovões e luz sólida nos olhos, na tentativa de cegar o monstro. Quando a esfinge abre a boca para gritar de dor pelo que havia acontecido aos seus olhos, Line joga uma enorme bola de água para dentro, e Gabi a congela com os ventos de Niflheim, fazendo com que a esfinge ficasse com uma enorme esfera de gelo a impedindo de fechar a boca. Nessa hora, Santorius e Pedra terminam o selo de Equidna, usado para enviar monstros difíceis de matar para as prisões de Equidna ao redor do mundo, dessa maneira, conseguimos conter as criaturas mais bizarras que existem. A esfinge é sugada para dentro do selo enquanto se debate tentando se segurar, para finalizar, Agat atira um trovão na testa do monstro que não consegue se manter e é totalmente sugado para as prisões. Começam a surgir várias outras esfinges em sequência, mas dessa vez do tamanho normal. Uma das esfinges pula bem alto quase acertando nosso unicórnio, que se assusta e derruba eu e Allen do alto, antes que desabássemos no chão, somos salvos por um amortecedor de água criado por Line.

- Line, atrás de você! - Grito.

Line havia se distraído nos salvando e acabou sendo atacada por uma das esfinges nas costas, um arranhão enorme era visível e sangrava muito. Pedra acerta a esfinge com um golpe de sua macuahuitl matando o monstro na hora. Eu, Allen e Pedra carregamos Line para um jardim próximo sobre proteção dos outros membros do grupo. Santorius amarra uma esfinge nas correntes de suas foices, eu encosto minhas lâminas causando um raio que acerta a corrente, transmitindo a energia até a esfinge e a ferindo gravemente, a impossibilitando de lutar. Allen consegue uma mangueira e joga água nas costas de Line, as duas então estavam ocupadas até que nossa amiga se curasse. Pedra invoca a constelação de Hércules(que lhe dá super-força) com seu colar e começa a jogar as esfinges umas nas outras, também corta algumas com sua macuahuitl. Agat e eu fazemos uma dupla contra uma nova leva de 8 esfinges que chegaram no meio do combate.

- Matt, faça elas recuarem. - Diz Agat.

- þrumur völundarhús. - Digo a magia que cria um labirinto de eletricidade, e gasto um pouco mais de energia para que faíscas altas passem sobre as barreiras, assim as esfinges não poderiam pular por cima.

Agat começa a atacar as esfinges com trovões para enfraquece-las, eu levemente começo a mudar o formato do labirinto para um selo de Equidna feito de eletricidade, banindo todas as esfinges para alguma das prisões para monstros. Quando olhamos para o lado tudo aparenta estar resolvido, até que aparece outra esfinge, porém, esta estava servindo de montaria para uma meio-sangue.

- Prima! - Grita Allen. - Gente, essa é a filha de Atum.

- Ela é uma híbrida de peixe com humano? - Pergunta Pedra.

- Não, o deus Atum, seu idiota. Vai mesmo fazer a gente passar vergonha na frente da família dela? - Digo.

A garota nos convida para um festival onde alguns dos principais deuses egípcios iriam participar disfarçados de humanos.

- Vão aumentar a família, né? Me diz outro motivo para eles se mascararem de humanos! - Diz Santorius, rindo da cara de Allen. - Vamos ter novos bebês meio-sangues em breve...

- Só vão ser meio-sangues se a genética for compatível. Nem sempre rola, tá? O Matt mesmo é tataraneto de Thor, demorou mais de uma geração para ter alguém com a genética compatível na família e ser um meio-sangue. - Responde Allen, de cara fechada.

- A gente vai mesmo pra esse festival aleatório? - Agat estava com vontade de voltar para a favela e dormir.

- A gente resolveu o problema com as esfinges mais cedo do que o esperado. E também, pensa comigo, é um festival lotado onde os deuses egípcios vão se disfarçar de humanos. Me diz um momento melhor para o caçador de meio-sangues atacar do que esse? - Tento convencer Agat de que é bom irmos ao festival.

Agat dá a entender que concorda com base nos meus novos argumentos. Laylah nos envia uma mensagem dizendo que também resolveu o problema rápido, e ligo o GPS para que as anjos se teletransportem até nós.

- O festival vai começar daqui a cinco horas. Vocês tem alguma coisa para fazer? - A prima de Allen nos pergunta.

- O nome da prima dela é jayufanana. - Diz July, aparecendo ao meu lado do nada.

- Meu deus, você gosta de dar uma de vulto né? - Pergunto.

- Só com você, porque te irrita. - Ela solta um sorriso sincero, e mesmo com o aparelho dentário continua muito bonito.

- Tá bom né. Vou chamar ela de Jayu. - Digo.

Eu fiquei um pouco envergonhado quando percebi que pensei o quão bonito era o sorriso dela sendo que minha mente é uma porta aberta para ela.

- Te incomoda que eu leia sua mente o tempo todo, não é? Eu vou te avisar quando for ler de agora em diante, e só o necessário. - Diz July, sentando em um banquinho. - Vou descansar um pouco. Precisamos ir no mercado, chama a Rogziel que tá toda animada e depois nós vamos.

- Ela tá animada pra ir num mercado? - Pergunto. - Anjos são estranhos...

July fecha a cara.

- Ah, desculpa, não quis generalizar. Você é... - Sou interrompido por July.

- Pode parar, eu te perdôo. Sei que não fez por mal, mas cuidado com o que fala. Eu não posso te julgar muito pelo que pensa, mas o que fala é outra história.

Eu me sinto um pouco mal por ter magoado ela, então decido ir logo chamar a Rogziel para ir no mercado.

- Ei Rog, vamos no mercado? - Digo, e ela pula de alegria na mesma hora.

- Claro! Eu nunca vi um mercado humano, falam que tem tanta coisa lá!

Ela parecia uma criança, mas, até que era engraçada toda essa animação. Santorius aparece colocando a mão sobre meu ombro e me dando uma lista com a outra.

- Isso é só entre nós. Tem umas coisas meio estranhas, então, nada de falar que eu pedi. - Diz Santorius.

- Relaxa, não vou falar não. São só compras... Espera, pra que você quer uma boneca inflável? - Digo.

- Fica quieto e só compra, eu disse que é estranho. - Responde.

Eu dou de ombros e continuo perguntando se mais alguém tem algo que quer do mercado. Quando acabamos, July eu e Rogziel começamos a ir até o supermercado, quando escuto Laylah me chamando.

- Ei, não vai nem perguntar se eu quero ir!?

- Ah, desculpa, Laylah. Eu achava que você detestava mercado. - Digo.

- Detesto sim, mas qual é, você podia pelo menos ter me chamado... - Ela parecia um pouco desapontada. - Vai lá, vai. Trás um sorvete pra mim.

- Laylah, só... Desculpa, não é que eu esqueci de te chamar, é só que...

- Preferiu nem perguntar. Sou eu quem lê mentes, Matt. Não você.

Laylah se senta com Allen e Agat e elas começam a conversar.

- Você devia dar mais atenção para ela, idiota. - Diz Rogziel.

- Eu sei. Pisei na bola. - Digo.

- Ela é sua anjo da guarda, devia chamá-la para todos os lugares que você vai. - Diz July.

- Ela não é um querubim de guarda, e sim a anjo da noite. Descobrimos isso, você sabe, viu na nossa mente. - Comento.

- Ela não é um querubim de guarda, tudo bem. Mas Laylah ainda fez o juramento de sangue e também virou sua amiga, parceira. A anjo da noite ainda é sua guardiã, pelo menos, ela ainda vê assim. Parece que quem deixou de ver assim é você. - July completa.

As palavras foram como um tapa na minha cara. Realmente eu não estava mais vendo Laylah como a minha guardiã, só porque ela não era uma querubim de guarda.

- Para de pensar nisso e vamos logo. - Diz Rogziel.

Chegamos no mercado e começamos a comprar as coisas. Deram 2500 reais na nossa mão, o dinheiro que conseguimos quando detiveram o traficante. O mercado não era muito grande, mas tinha bastante coisa.


- Por que as pessoas estão colocando os produtos dentro desses grandes recipientes de metal móveis? - Pergunta Rogziel.


- Você quer dizer os carrinhos? Bem, olha, é assim: A gente pega os produtos e coloca dentro deles, para não ficar carregando tudo. Depois vamos com o carrinho no caixa e passamos todos os produtos no leitor e pagamos. - Digo.


- É um sistema até que bem simples. - Diz Rogziel.


- Olha, eu vejo esse lado, vocês vêem o outro. - Diz July, separando a lista em três.


Eu e Rogziel também nos separamos um pouco, mas vivíamos nos trombando, como quando ela abriu as asas para alcançar algo na prateleira de cima e eu tive que explodir a câmera de segurança com um raio para que não vissem a loucura dela, ou quando ela viu a seção de amostras e comeu toda a comida e bebeu todos os sucos, ou até quando entrou no frigobar para "experimentar as carnes", essa última parte foi nojenta porque a carne estava crua, mas a gente releva. Eu encontro ela pela última vez porque estávamos no mesmo corredor, nessa hora, um pai passa com uma criança dentro do carrinho.


- Ei, eu também quero um mini-escravo! Quanto custa? Onde fica? - Rogziel realmente não tem noção nenhuma, eu coloco minha mão de forma a tampar sua boca e digo ao moço que ela é meio louca mesmo, que tem distúrbios de atenção e mais algumas coisas.


Depois que o moço sai de perto, ela fica irritada.


- Não tenho nada disso que você falou, Matt!


- É, eu sei, você é um anjinho. Eu tive que inventar aquelas mentiras pra livrar a gente. Agora para de fazer confusão. - Digo.


Antes que eu me virasse, ela me pergunta uma última coisa.


- Matt, o que é esse tal de absorvente? Pediram um monte de tipos diferentes...


- Hã, pode deixar, eu vejo isso. - Digo, achando estranho que ela não soubesse o que era, mas tudo bem, deve ser alguma diferença doida de anjo.


July aparece na minha frente e pega a lista de absorventes.


- Deixa que eu faço isso, garotão.


- Você só tem doze anos. - Respondo.


- Eu comprava para a minha mãe. E respondendo a sua dúvida, que eu não vi na sua mente, mas na mente da Rogziel que leu a sua mente, anjos não menstruam porque os óvulos não envelhecem, elas tem os mesmos óvulos a vida toda depois que eles são produzidos.


- Ah, tá. Acho que eu não precisava saber disso. - Digo.


- É sempre bom matar a curiosidade.


July vai pegar os absorventes e aparentemente era só isso que faltava, portanto eu e Rogziel já vamos para fila do caixa. July nos encontra, mas ela parecia um pouco triste.


- O que foi, July? - Pergunto.


- Eu queria um jogo de tabuleiro que tem ali, mas ele custa 250 reais. É um jogo que eu costumava jogar com a minha mãe...


- Vou conseguir ele pra você. - Digo.


- Como? O dinheiro não vai bastar.


- Eu dou meu jeito. - Respondo sorrindo.


Era um daqueles caixas eletrônicos onde não tem ninguém trabalhando, que nós mesmos passamos os produtos e pagamos. Eu pego o jogo que July queria e vou até o Hortifruti, o peso na balança como maçãs e tiro a ficha de preço. Quando estamos no caixa, passo a ficha do Hortifruti no lugar do jogo e nós saímos correndo do mercado antes que alguém notasse. Começamos a rir assim que estamos longe.


- A Laylah não pode saber disso. - Diz July


- Tá bom. - Respondo.


Voltamos até o grupo e distribuímos as compras de cada um, também tínhamos comprado mochilas para todos, carregarem o que pediram. O festival ia começar em alguns minutos, os deuses egípcios que confirmaram presença apareceram, ainda em suas formas reais. Atum era parecido com os desenhos de Rá que via com Allen, chego até a me questionar, porque em algumas versões da mitologia, Atum e Rá eram o mesmo deus, chamados de Atum-Rá.


- Essa era uma fusão nada agradável. - Diz Atum, assumindo agora sua forma humana. - Não sei o que estão fazendo aqui, mas se for para algo além de curtir o festival, podem ficar tranquilos. Somos deuses, qualquer um que tentar nos matar seria um idiota suicida.


- Guil sozinho matou três deuses astecas durante a nossa missão. Vocês não são imortais, ok? Só queremos ajudar. - Digo.


Atum solta um leve suspiro e percebo que ele está tentando manter a calma.


- Os deuses astecas tinham muito menos poder do que nós egípcios. Além disso, eu aposto que vocês não sabiam que a presença de Ártemis, outra deusa, como contraponto, impedia-os de usar o poder máximo. A presença de um deus como oponente enfraquece o outro, esse mecanismo existe para que eventuais batalhas entre deuses não destruam tudo. Vocês conseguiam bater de frente com deuses porque existia Ártemis ali. Se naquela hora, que Mictlantecuhtli voltou a vida depois da morte de Ártemis, o arcanjo Camael não tivesse aparecido, todos vocês teriam morrido sem nem mesmo conseguir lutar. Acharam mesmo que podiam enfrentar deuses? Se enxerguem, idiotas. Vocês são um bando de crianças, com exceção do anjo da noite.


Não acho que se possa contradizer um deus. Atum nos deixa e vai ao meio do festival se divertir. Chegam então Osíris e Anúbis.


- Mas Osíris, você não foi assassinado por Set, e depois Anúbis ao te embalsamar criou a mumificação? - Pergunto.


- Ah, nem me lembre da traição de Set. Até hoje não tenho certeza se o perdoei. Mas Javé me trouxe de volta depois, e aí as coisas só pioraram. O maldito do arcanjo Gabriel numa crise de raiva com o papai influenciou um profeta a espalhar a palavra sobre um deus chamado Alá, ele literalmente criou uma religião e um deus, um deus expansionista, que tomou a maior parte da África e nos expulsou de nossa terra natal.


- Isso deve ter sido uma droga. - Comento.


- Pergunte a qualquer deus que vivia lá e teve que se mudar para o Brasil. Alá tem até anjos no lado dele.


Depois disso os dois dão uma simples despedida de mão e vão embora. Nessa hora, Laylah se aproxima de mim.


- Eles não sabem tanto quanto a gente. - Diz Laylah


- O caçador de meio-sangues já matou deuses, não é? - Pergunto.


- Sim. Mas se o que ele falou é verdade... Mas que porcaria, será que o caçador de meio-sangues é um deus?


- Se for, a gente tem um grave problema nas mãos. - Comento.

O festival estava começando, decidimos ficar de olho em pontos estratégicos, esses pontos foram definidos por Bell, a descendente de Athena. Eu estava perto de Hórus quando escuto um barulho atrás de mim, observando a sombra, vejo uma lança em silhueta. Pulo para o lado desviando de uma investida do homem misterioso, quando tento acertar seu corpo com uma lâmina ele havia simplesmente sumido.

- Te peguei! - Grita Laylah, pulando do teto agarrando um corpo magro, mais ou menos do meu tamanho, usando máscara, mas sem vida.

- Não é ele! - Aviso Laylah.

Nesse momento, um clarão de luz aparece ao lado de Hórus. Quando pensamos que havíamos perdido mais um deus para o caçador, eis que surge Jack, que com um escudo dourado defende um ataque de lança do caçador.

- Como a gente lida com esse cara? Ele se teleporta, controla água,luz, raios, o que mais? - Pergunto.

O escudo dourado de Jack começa a derreter. Nessa hora Hórus já havia se afastado e os outros deuses estavam saindo do festival não prezando pela própria segurança, mas pela segurança das pessoas que ali estavam, o que tenho que dizer que é bem nobre, considerando que a maioria dos deuses não liga para os humanos. As pessoas começam a gritar quando vêem uma lança capaz de derreter um escudo dourado aparecendo. Hórus volta para ajudar uma criança que estava perdida e é atingido na perna por um dardo do caçador. Aquele líquido escorrendo do dardo, eu não esqueceria: era o veneno da Jörmungandr. O que aconteceu depois foi um desastre, eu não sei se pensei rápido ou se não pensei antes de agir, mas sei que peguei a macuahuitl de Pedra e com um golpe cortei fora a perna de Hórus na forma humana, ao ver que ele estava vulnerável já que o dardo o perfurou. O deus grita de dor mas entende o que eu fiz.

- Laylah, teleporte! - Grito.

Ela vem e me agarra. Quando estava prestes a dizer a magia de teleporte, o caçador tenta atacar a anjo com a lança, sendo impedido por Pedra, que tropeça e ambos caem encima de Laylah. Ainda me segurando, ela recita:

- Tilemetaforá.

Nós fomos para algum lugar muito longe de onde estávamos, não acho que Laylah teve muito tempo para pensar aonde nós mandar, então ela simplesmente nos afastou de lá. Hórus não veio conosco, mas Pedra e o caçador vieram, o que de qualquer jeito mantinha o deus seguro. Laylah tenta acertar o caçador mascarado com seu gládio mas é atingida por um trovão disparado por ele, antes que ela reagisse, foi segurada pelo pescoço e sua pele começou a queimar, como se estivesse ardendo em chamas, quando ela estava quase inconsciente a soltou. Eu e Pedra tentamos atacar o mascarado, mas ele nos enrola com o que parecia uma corda mágica e saca uma caneta.

- Ah, vocês dois não sabem o que esse sigilo significa, mas a sua anjo com certeza vai reconhecer. - Diz o mascarado, com uma voz distorcida, enquanto desenha em dois papéis o que parecia um sigilo de banimento.

- NÃO! MATT! - Laylah mesmo sem forças tenta tenta se levantar e é atingida na cabeça, desmaiando.

Nós levamos uma surra. O caçador estava brincando com a gente, percebo isso quando ele coloca os sigilos de banimento no nosso corpo. A energia que emanava era claramente demoníaca.

- Boa viagem até o inferno garotos, e isso não é metafórico. Vamos ver como se saem lutando na base do inimigo. sklirí apélasi. - Diz o mascarado.

Em seguida eu acordo sozinho, extremamente suado, com calor, em um lugar estranho, olhando para um precipício ao lado, existiam o que pareciam 9 discos planos contando com esse, e no fim de tudo, só fogo. Apenas fogo, chamas infernais, e no centro das chamas, o que parecia ser um castelo. Os 9 círculos do inferno, e aquele lá embaixo deve ser o castelo de Lilith, onde hoje habita Lúcifer com sua nova esposa, Hella. Lembro que assim que foi descrito inferno nos livros de Laylah, e se encaixava quase perfeitamente com o que eu via. Se conseguia enxergar todos os 8 círculos abaixo de mim, então esse era o primeiro círculo, o Limbo. Me pergunto onde Pedra estava. Andando pelo Limbo, vejo algumas almas, observando seu comportamento noto que nenhuma delas estava exatamente sofrendo, mas apenas suspirando por ajuda e em desespero. Até onde me lembrava, esta era a parte mais tranquila do inferno e já não parecia nada agradável, me pergunto o que uma pessoa tem que ter feito para que Javé decidisse a jogar aqui.

- Matthew OdinGrandson no inferno... - Diz uma voz atrás de mim.

Me virando, pelo brasão, percebo que se tratava de um descendente de Hermes.

- Eu já imagino a minha fama... Aquele que matou o garoto que poderia impedir o chefe. Tenho certeza que antes do extermínio dos humanos vou ganhar um brinde por isso. Lembre-se do meu nome, Argon, o garoto que te mandou de vez para Helheim.

Eu procuro por minhas lâminas, mas elas não estão comigo.

- A procura disso? - Argon estava com elas, balançando-as nas mãos. - Vou ficar com isso, aí você não atira nenhum raio em mim.

Ele não sabe que as minhas lâminas voltam? Bem, não tenho muita escolha, chamo os objetos para mim. Assim que elas chegam a minha mão, noto um desenho nelas.

- Sigilo de explosão. Kaboom, gênio. - Argon Caçoa de mim.

Sinto um enorme baque, e essa é a última coisa que consigo me lembrar.



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