História O Jogo Escarlate - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, LGBT, Mistério, Orange, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo 04


Laurie apoiou os pés na mesa, tornozelos cruzados, enquanto pegava um bocado de lamen com o hashi. Ela observou o monitor, o sistema estava procurando o dono do DNA que Katherine tinha entregado a ela algum tempo antes. O sistema era lento, então ela decidiu não ficar observando o monitor. Ela ouviu uma batida na porta e virou a cabeça nessa direção, Katherine estava parada ali, esperando para entrar. Laurie fez um gesto com a mão para que ela entrasse.

O escritório de Laurie, assim como o de Katherine, era pequeno. Era um pouco menor porque ficava enfiado num antigo quarto de depósito no laboratório. Claro que nem todos os técnicos tinham um, mas Laurie tinha um depois de anos trabalhando no Instituto e provando vez depois de vez que ela era boa no que fazia. E apesar do lugar apertado, ela era quase tão desorganizada quanto Camile. Como ela fazia tantas coisas caberem num lugar pequeno como aquele?

“Acho que vou ficar bêbada só com o cheiro do seu hálito” Laurie disse depois que engoliu o lamen, Katherine entrou no escritório.

“Hum” Katherine revirou os olhos, qual a fixação em piadas ruins? “Encontrou algo?”

“O sistema está procurando.”

“Limitou as buscas?”

“Eu-” o computador emitiu um bipe “Um resultado, ótimo. Isso foi rápido Laurie tirou as pernas da mesa e se inclinou “Oh, merda…”

“O que foi?”

“Wallace Thorne” Laurie soltou um gemido de desgosto e se deixou encostar completamente nas costas da cadeira outra vez.

“A enciclopédia viva de criminosos é Simons, não eu” Katherine apontou “O que esse cara vez?”

“Ele foi condenado há alguns anos. Pedofilia, estupro infantil e assassinato. Encontraram vídeos e fotos no computador do cara. Camile não vai gostar disso.”

“Bem, se ele foi condenado, por que diabos o pênis dele foi mandado para Simons?”

“O porquê eu não sei, mas aqui diz que ele escapou da prisão há dez dias. E é disso que ela não vai gostar?”

“Por que?” Laurie desceu a página para mostrar as informações sobre a prisão do homem. E ali estava, preenchendo a lacuna que dizia quem era a pessoa responsável por colocar as algemas e ler os direitos do homem, F. Simons, Camile. E o nome se repetia na coluna de quem foi responsável pela investigação “Oh…”

“Agora você entendeu o problema aqui” Laurie pegou mais um bocado de comida “Ela colocou o bastardo na prisão e ninguém teve a decência de falar que ele fugiu? Isso vai dar merda.”

Katherine assentiu, ela podia imaginar como seria desagradável colocar alguém na prisão e esse alguém escapar e ninguém contar isso. Era um tanto injusto.

***

Todos tem uma rotina, até um serial killer. Acordar às seis da manhã todos os dias, tomar um banho quente e tomar o café-da-manhã simples, constituído de duas torradas frescas e uma caneca de café com um toque de canela. Ir para a academia de seis e meia até às oito horas, a maior parte do tempo se concentrando em exercícios de força. Estar às dez na porta do trabalho. Às seis da tarde, voltar para seu apartamento barato. E às sete e meia da noite, ir para seu esconderijo. Se divertir até às nove horas. Voltar para o apartamento, um lanche da noite ouvindo o noticiário, um banho breve e então ir dormir.

No dia seguinte, tudo outra vez.

Até o dia de ir caçar e o dia de jogar o lixo fora.

Eram sete e trinta e quatro quando ele subiu as escadas, um copo de chocolate quente em uma mão e o rolo de corda na outra mão. Abriu a porta. O homem sentado na cadeira no centro da sala estava em um estado deplorável. Sem comer desde aquela última refeição antes de escapar. Antes de seguir o plano que uma moça bonita lhe ofereceu.

Eu vou te ajudar, ela havia dito em uma das últimas cartas, eu vou te ajudar a se vingar da vadia que não entendeu o seu amor por aquela menina.

Então acabou ali, amarrado e torturado.

Havia um sorriso convencido no rosto do assassino, os olhos brilhando como se fosse uma das melhores coisas da sua vida. Talvez fosse. Era como atender um chamado. Deixou a corda e o café na mesma mesa onde os outros instrumentos estavam. Tirou as chaves das algemas do bolso da jaqueta. Primeiro, soltou os tornozelos. Então soltou as algemas que prendiam os braços do homem. Em um movimento nada delicado, empurrou ele para o chão, barriga para baixo. O chão era frio e manchado. O homem ainda estava fraco da mutilação do dia anterior. Antes que ele tentasse escapar, o assassino estava sobre ele.

Se ajoelhou, quase sentado sobre a lombar. Amarrou os pulsos juntos, tirou uma foto do bolso para conferir se havia acertado o nó. Havia mais um pedaço da corda. O assassino guardou de novo a foto e se levantou. Sua mão coberta passou sobre os instrumentos até encontrar um deles, um martelo. Com uma porrada forte de cada vez, com paciência acertando o mesmo ponto até o osso sofrer uma ruptura, o assassino quebrou as pernas do homem em vários pontos. Fazendo mais estrago nos joelhos e onde a perna encontrava o torso. Em certo ponto, o homem havia parado de gritar e somente gemia quando a cabeça de ferro acertava sua carne.

O assassino largou o martelo quando se sentiu satisfeito. Agarrou um dos tornozelos do homem  e puxou para trás o máximo possível, o que era bastante depois de uma hora de tortura. Amarrou e depois fez o mesmo com o outro tornozelo. Puxou a corda, apertando até que os ombros estivessem quase deslocados. Sabia que era quase impossível respirar naquela posição, então usou um dos panos que mantinha guardado como uma pequena almofada improvisada, mantendo o homem com o rosto virado. Não era bondade, era só porque ele precisava continuar vivo até o dia certo.

Devolveu o martelo ao lugar certo. Mesmo que o chocolate já estivesse frio há muito tempo, terminou de beber enquanto descia as escadas.

Nos próximos dias, só iria lá para conferir se o homem estava vivo e dar um pouco de água. Ele não podia morrer cedo, não é mesmo?

***

Camile cruzou os braços, olhando para o quadro com o cenho franzido em concentração. Ela passou as duas últimas horas organizando as fotos. De um lado, eram as imagens de Lars. Do outro, da breve investigação e as típicas fotos de um caso de tentativa de estupro. Algumas, mais para baixo, eram fotos que a polícia tirou da última vez que a esposa do homem foi parar no hospital.

“Ei, Simons” Maxwell Cook chamou a detetive antes de entrar no escritório.

“Ei, chefe” ela não desviou o olhar do quadro, o homem se aproximou e parou ao lado dela.

“Achei que você estava em um caso envolvendo um homem torturado.”

“Uhum” ela apontou para as fotos no lado direito “São fotos do caso que ele foi acusado de tentativa de estupro.”

“Vingança?”

“Não sei, mas consegue ver?” O homem deu um passo para frente, prestando mais atenção.

“Algumas marcas são iguais” virou o rosto para ela “Acha que o assassino está imitando?”

“Eu não sei” Camile pegou a pasta “A garota se matou algum tempo depois, anticongelante. A vítima? Foi envenenada com anticongelante.”

“Isso não é coincidência.”

“Não” Cook observou que Camile havia marcado as fotos com três cores diferentes, circulando hematomas e machucados. Alguns tinham duas cores de caneta e uma interrogação.

“Pode me explicar isso?”

“Azul é para as marcas semelhantes a da tentativa de abuso, vermelho é para as marcas comuns em vítimas de violência doméstica e preto é para as marcas de espancamento comum e tortura.”

“O assassino definitivamente sabia quem esse cara era. Mas porque degolar?

“Eu não sei. Se ele é tão metódico quanto parece, não faz sentido ser algo só para garantir a morte.”

“Pode ser uma assinatura? Ouvi sobre o pacote e o bilhete.”

“Talvez seja. Laurie ainda não me mandou o nome do cara, talvez não esteja no sistema. Mesmo se for uma segunda vítima, é pouca informação, não dá para descobrir o padrão.”

“Seu trabalho é adivinhar as coisas.”

“Eu não sou vidente.”

“Eu sei, Simons” ele encolheu os ombros “Como vai a coisa com Cooper?”

“Menos pior do que eu esperava.”

“Você deveria considerar a proposta de trabalhar sempre com a mesma pessoa” Camile suspirou e deu a volta na mesa “Simons.”

“Eu não preciso de um parceiro.”

“Nem se for um policial? Ou algum legista menos mau humorado que ela?”

“Não, obrigada.”

“Você trabalha bem com um parceiro.”

“Eu não preciso de um, estou bem com esse sistema de às vezes trabalhar com alguém.”

“Considere.”

“Eu vou dizer não todas as vezes. Eu não vou mudar de ideia.”

“Os seus maiores casos foram com um parceiro.”

“Eu trabalho nos casos que você manda eu trabalhar ou que você deixa Solomon mandar. Se nenhum dos dois me quer em um caso grande, ótimo, menos estresse.”

“E você não gosta nem um pouco da carreira que você montou em casos fortes?”

“Se alguém é assassinado, eu tenho que descobrir quem matou. Simples assim. Se eu tive casos grandes, é por me colocaram neles.”

“Porque você é boa.”

“E eu não sou mais boa porque eu não quero um parceiro? Você pode me forçar a trabalhar com alguém, por que continua perguntando?”

“Porque isso não é um projeto de escola onde os dois podem se odiar sem comprometer a vida de ninguém. Eu só quero te convencer.”

“Eu só quero trabalhar em paz.”

“Está bem, Simons, como quiser.”

Ela observou ele sair antes de se jogar na cadeira, colocar os braços na mesa e enfiar o rosto neles.

Uma coisa sobre parceria: os dois se protegem. Ela tentava proteger qualquer um com quem ela trabalhava. Era um esquema simples, um protegia e outro era protegido. Em uma parceria, era menos só ela. O problema era que ela podia fazer alguém confiar nela, pelo menos acreditar que ela estava tentando. E ela não podia confiar.

Uma parte da coisa era ela poder confiar na outra pessoa, o que não era fácil. Se ela desse uma ordem, a pessoa tinha que ouvir, não importava a condição. Fosse só ficar no carro ou mandar a outra pessoa fugir e não se preocupar em esperar ou tentar levar ela.

E um problema maior: se o seu parceiro se machuca, a culpa é sua.

Indiretamente ou não. Por não ouvir você ou por tentar te proteger. Camile tinha esse instinto protetor que às vezes era uma desvantagem. Vezes como quando ela trabalhava com Katherine. Parte do seu trabalho era observar e ela observava a legista. Era mais fácil ignorar porque ela sabia que se tentasse ver melhor a dor e entender o sofrimento da mulher, ela acabaria se machucando porque não existia uma realidade onde Cooper a deixaria ajudar.

Era mais fácil ser o lobo solitário.

***

Camile fechou os olhos, tentando relaxar, enquanto as mãos de Sarah passavam pelos seus ombros. Os dedos pressionando com certa delicadeza os músculos, fazendo a mulher relaxar lentamente sob o toque firme. Camile deixou a cabeça cair para trás, apoiando no ombro da mulher atrás dela. A detetive começou a passar o dedo pelo joelho dela, em desenhos aleatórios e invisíveis. A água morna era confortável, cheirosa junto com os sais de banho que ela gostava. Esse era um dos detalhes que a fazia gostar tanto de Sarah, ela era atenciosa e em algumas noites, ela fazia um banho especial para ajudar Camile a se sentir melhor.

Era melhor ainda quando Sarah entrava com ela na água morna. Tinha certeza de que esse foi um dos motivos pelo qual Sarah escolheu uma banheira que era mais do que grande o suficiente para duas pessoas.

“Um dólar por um pensamento” Sarah murmurou no seu ouvido .

“E quantos por um racional?”

“O preço que eu te ofereço é um beijo.”

“Um beijo, é? Parece um bom preço” ela virou o rosto para Sarah, que a beijou carinhosamente (como em 90% das vezes).

“Tudo bem no  trabalho? Você parece tão estressada nos últimos dias.”

“Não é tão ruim, o problema é que casos com crianças são realmente desconfortáveis. Acho que eu nunca vou esquecer como a menina estava…”

“Vai ficar tudo bem” deu um beijo atrás da sua orelha “Talvez você devesse ligar pro  Jake.”

“Eu vou pensar nisso.”

Sarah sorriu contra seu ombro e desceu suas mãos pelas costas, massageando com cuidado. Camile acabou gemendo baixinho, ela gostava da sensação de pressão que aliviava a tensão nos seus músculos. As pontas dos dedos empurrando a pele quente, se enterrando na carne firme. Uma das coisas de conhecer alguém por muito tempo é ser capaz de ver as mudanças. Não só na personalidade, mas no corpo. E Sarah não tinha problema nenhum em admitir que ela realmente achou agradável ver como Camile havia mudado. Mais confiante, sabia usar melhor a inteligência que tinha e aprendido a lidar com os próprios defeitos. E, bem, se Sarah não soubesse sobre a atração por garotas (ou a paixonite por Camile que ela sentia há um tempo), ela saberia quando viu Camile de camisa sem mangas alguns meses depois que ela havia começado a ir na academia para tentar se preparar para entrar na Academia de Polícia em breve.

A culpa não era dela, era da sua alma.

De qualquer maneira, além de ver, ela gostava de tocar e de massagear. Seja de um jeito não muito recomendado para menores de dezoito anos ou só para aliviar a tensão, como naquele momento.

“Tem esse cara, Stohl, ele me odeia” Camile falou.

“Por que? Você é a pessoa mais fofa que eu já conheci.”

“Elogios vindo de você não contam muito.”

“Idiota.”

“Xingamentos também não” Sarah revirou os olhos “Cook disse que talvez seja porque eu não sou daqui ou porque eu  consegui a vaga e ele não.”

“É o que acontece quando você é muito melhor do que ele. Esse cara é só um machista babaca.”

“Todo machista é babaca, é algo redundante, querida.”

“Eu sei” seus dedos chegaram na cintura dela “Vai ou não ligar pra ele?”

“Ele não é mais meu terapeuta.”

“Ele é seu amigo, não é?”

“Acho que sim.”

“Quando você vai começar a nova terapia?”

“Eu não tenho tempo para ir em uma consulta.”

“Você sempre tem.”

Camile riu baixinho, claro que ela tinha tempo, ela só não queria arranjar tempo para começar uma nova terapia. Ela não achava agradável ter que começar de novo. Se acostumar com uma nova pessoa e recontar certos detalhes. O caminho para confiar e se sentir confortável com alguém para falar sobre coisas que se falam em terapias.

Sarah beijou seu ombro, manteve uma mão não sua cintura e usou a outra mão para escorregar até o estômago. As pontos dos dedos subiram, tocando no vale entre os seios da detetive até chegarem no pescoço. Ela traçou a pequena cicatriz perto demais da jugular. Sarah lembrava daquele dia como se fosse ontem.

O medo, o desespero da ligação dando a notícia sobre o adolescente maluco que entrou na estação de polícia com armas e facas. Camile mal havia começado, estava há seis meses de uniforme. Foi um pesadelo, não é exatamente agradável servir de escudo humano de alguém e muito menos com um canivete afiado. A cicatriz se formou somente onde a ponta afundou quando um atirador treinado acertou o homem pelas costas. A bala chegou a atravessar ele, mas o colete à prova de balas debaixo do colete impediu que o machucado fosse maior do que um hematoma.

“Você precisava fazer esse caminho todo?” Sarah sorriu contra seu ombro, deixou a palma encostar na garganta e pressionou o indicador e o médio contra o ponto de pulso “Não precisa checar a minha pulsação” ela sentiu a vibração enquanto Camile falava.

“Eu sei.”

Mesmo assim ela manteve a mão ali. A que ainda estava na sua cintura até aquele momento mudou de posição, se movendo sobre a pele molhada e quente.  Subindo até a altura do estômago e descendo até um pouco abaixo do umbigo.

“Você poderia parar de me provocar” Camile murmurou, Sarah podia sentir seu coração batendo cada vez mais rápido.

“E você nem gosta…”

“Hunf.”

Camile não tinha um argumento melhor, não naquele momento. Não enquanto Sarah tocava exatamente onde precisava para fazer Camile precisar dela. As unhas curtas da detetive se cravaram na pele da coxa de Sarah quando ela decidiu parar de provar e tocar onde ela sabia que deveria. Devagar, muito mais devagar do que seria interessante para Camile.

Ela admitiria: ela não havia escolhido aquela banheira só para aqueles banhos calmos e relaxantes.

Sarah tirou a mão do seu pescoço e envolveu sua cintura, segurando ela firmemente contra seu corpo.

Camile arqueou as costas quando Sarah cuidadosamente empurrou dois dedos para dentro da detetive. Curvou do jeito que sempre tocava aquele soft spot que fazia ela não precisar de mais do que algumas estocadas para levar ela até o limite.

“Eu achei que esse banho era para relaxar” Camile falou ainda tentando normalizar a respiração.

“Um pouco de sexo nunca faz mal.”

“Eu já notei.”

“Eu amo você” Sarah murmurou contra seu cabelo “Mais do que qualquer um.”



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