1. Spirit Fanfics >
  2. O lado belo da dor >
  3. Love is a bitch

História O lado belo da dor - Capítulo 53


Escrita por:


Notas do Autor


na moral n sei se ficou bom mas é isso q temos p hj

Capítulo 53 - Love is a bitch


 

 

Estou voando tão alto como um pássaro

Mas minhas asas agitadas não podem evitar que você me ponha para baixo

Sua mamãe me diz que eu sou um tolo

E sim, talvez seja verdade

Porque eu não consigo parar de pensar em você

Marina escolheu um lugar reservado e modesto, mas com boa comida e música ao vivo. Ela achou que algum tipo de distração externa a ajudaria a controlar o turbilhão de sensações que Clara lhe causava. Estava errada, é óbvio, mas não percebeu isso até terminar de almoçar e se ver diante de uma Clara de olhar avaliador e divertido.

Era desconfortável se sentir tão despida daquela maneira tão simplista, mas a realidade era o que era e era aquilo. Isso tudo a deixava desestabilizada, mas não podia demonstrar, não na mesma proporção em que sentia.

- Me convidou para almoçar e vai ficar calada? – Clara questionou, arqueando as sobrancelhas em puro desafio divertido.

Marina baixou o olhar para o prato vazio e sorriu sem graça.

- É difícil estar perto de você – admitiu com a voz trêmula. Respirando fundo, ela ergueu os olhos e encarou Clara com firmeza. – Sua beleza testa meus limites.

Clara riu e balançou a cabeça em negativa.

- Marina, eu realmente amo seu humor, mas acho que devemos ser diretas sobre o objetivo desse almoço. – sua voz saiu segura e calma.

Marina suspirou e assentiu a contragosto. No fim, Clara tinha razão.

- Eu não sei nem por onde começar.

Clara concordou com um aceno lento.

- Olha, eu fui embora porque fui obrigada. Eu te amo tanto, Marina. Meus anos na Suíça foram os mais difíceis da minha vida. – confessou, esticando as mãos para tocar nas mãos de Marina que estavam unidas sobre a mesa.

Meirelles não recuou, apenas sentiu o calor das mãos de Clara contra sua pele.

- Por que demorou tanto a voltar? – Marina finalmente fez a pergunta que atormentava sua mente diariamente desde que Clara se foi.

Clara deixou uma tristeza profunda transparecer em seu rosto cansado.

- Porque Nicole estava por aí, pronta para nos destruir. Foi horrível para você, Marina, eu sei, mas eu perdi tudo. Absolutamente tudo. Tente se por no meu lugar. – pediu, encarando Meirelles com sinceridade. – Eu quero outra chance, Marina.

- Eu penso em você a cada segundo do meu dia. – havia desejo explícito em seu tom de voz. – A cada maldito segundo me imagino te beijando e tirando sua roupa. Mas eu tenho medo, Clara, porque se eu cair, não conseguirei levantar e dessa vez não posso te ver indo embora de novo. Eu simplesmente não suportaria.

- Eu não vou embora. Eu prometo, Marina. Eu prometo. – Clara apertou as próprias mãos contra as mãos de Marina. – Por favor, se permita.

Marina suspirou e puxou as mãos para o colo, quebrando o calor gostoso da pele de Clara contra a sua.

- O problema não é eu não te amar, é eu te amar tanto que chega a machucar.

- Marina... – Clara tentou intervir.

- Vou pedir a conta, precisamos voltar para o escritório. – anunciou abruptamente e fez um gesto para que um garçom se aproximasse.

Clara suspirou frustrada e afundou o corpo na cadeira. Não havia mais nada que pudesse fazer naquele momento e ela não sabia quando teria novamente.

Ela começava a pensar que aquilo tudo havia sido um grande erro.

***

A tarde transcorria de maneira lenta e dolorosa. Clara e Marina estavam presas em um caso complicado e dentro do escritório o clima era fúnebre e profissional, apesar de elas poucas vezes fazerem contato visual. As duas compartilhavam de um sentimento profundo de insatisfação e receios, mas já não era hora mais de falar.

- Amor! – a voz de Alexia invadiu o escritório.

Clara e Marina trocaram um olhar rápido e Clara caminhou para a própria mesa, pronta para se distanciar de Marina o mais rápido possível.

Marina sorriu para a noiva e mascarou o olhar de surpresa.

- Hey, você. – acenou, a chamando para perto. – O que faz aqui?

- Vim ver minha mulher e dar um beijo para matar a saudade. Não pode? – respondeu, abraçando Marina pela cintura.

Clara sentiu os olhos arderem e olhou para o chão. A imagem que via era dolorosa o suficiente para lhe arrancar o fôlego.

- Com certeza. – garantiu, retribuindo ao abraço da maneira menos robótica que conseguia. – Mas estou trabalhando, então... Beijo só mais tarde. – Marina indicou Clara que fingia anotar algo em um bloco de notas.

Alexia sorriu ainda mais.

- Olá, Clara. Nem te vi aí. – alfinetou, ganhando a atenção de Clara.

De repente, a postura prepotente da noiva de Marina lhe tirara do sério e ela sentiu uma vontade profunda de espancar a mulher.

- Acontece. – retrucou com rispidez.

- Aposto que ela não se importa se eu te beijar agora. Se importa, Clara? – perguntou em tom de desafio.

Clara deu um sorriso forçado. Aquilo tudo a matava por dentro.

- Não, senhora. – forçou-se a dizer.

Marina a encarou de maneira enigmática.

Alexia, satisfeita com a negação de Clara, puxou Marina para um beijo intenso, que, Meirelles foi incapaz de não corresponder.

Clara sentiu seu coração se contrair de tanta dor e sem pensar, saiu correndo para fora do escritório. As lágrimas banhavam seu rosto e seu coração batia desesperado.

Por que Marina tinha que ser tão cruel?

Clara ficou algum tempo presa dentro do banheiro presidencial, sem se importar com o que Marina ia pensar daquilo, mas, não demorou muito para que Meirelles aparecesse com o tom de voz mais terno e educado possível.

- Vá embora. – Clara ordenou.

Marina, que apoiava a testa na porta do banheiro, suspirou com força.

- Por favor, abra a porta. – pediu.

- Não.

- Não seja infantil. Abra essa porta – ordenou.

- Eu sou infantil? – riu com deboche. – Vai chupar a boca da sua noiva e me deixe em paz, Meirelles.

Marina sentiu vontade de rir, era óbvio que Clara estava enciumada.

Clara fungou, limpando o rosto com força.

- Uma hora você vai ter que sair.

- Essa sua mania de me perseguir em banheiro nunca muda, não é? – ironizou, fazendo referência ao fato de que anos atrás Marina fizera a mesma coisa no banheiro da universidade.

Clara sorriu minimamente com a lembrança e resolveu sair do cubículo.

- Clara, eu sinto muito – desculpou-se, sentindo-se envergonhada. Ao ver os olhos avermelhados de Clara, sentiu uma pontada no coração.

- Tá tudo bem, eu que sou estúpida de insistir em alguém que obviamente ama outra. – Clara suspirou, lutando contra as lágrimas. Seu olhar encontrou o de Marina e ela sentiu o estômago revirar em protesto. – Eu vou falar com a Flávia. Vou me demitir. Não dou conta de trabalhar com você.

- Clara, não...

- Tá tudo bem – deu um sorriso triste. – Eu já entendi.

- Não faça isso, Clara. Você não precisa. Trabalhe em outra área, com a Flavinha. Ela é tão dona dessa firma quanto eu.

- Eu não vou aguentar estar perto e não poder te tocar. Pior ainda é ver você com essa mulher.

- Você também tem outra. Eu não surto por isso. – disse com sarcasmo.

Clara sentiu o sangue esquentar repentinamente. A raiva a esmurrou com força e ela sentiu-se irritada.

- Eu vou mesmo sair daqui. Você está sendo tão imbecil! – cuspiu, caminhando para longe de Marina.

Marina a seguiu para fora do banheiro.

- Imbecil? Você e a Olivia praticamente se comem sempre que se veem. Se eu aguento, por que você não?

Elas caminhavam rapidamente por um dos corredores principais. Vários associados corriam por ali de um cubículo para o outro ao ver Marina passear por aquela área, era importante mostrar que estavam trabalhando.

Meirelles ignorou isso completamente.

- Por que eu te amo! – gritou, chamando a atenção de alguns jovens que ainda se dedicavam a fingir trabalhar.

- E eu te amo mais! – berrou, sentindo o ar lhe faltar. – Não era ela que eu queira beijar. Não era com ela que eu queria estar nos últimos anos, mas era ela que estava aqui. Você pode me culpar?

- Posso! – exclamou como se fosse óbvio que podia.

A essa altura, todos os funcionários daquele andar haviam parado o que faziam para assistir a cena mais inacreditável que eles já presenciaram: Marina Meirelles com emoções humanas.

- Engraçado você dizer isso, porque eu bem vi você beijando aquela azeda da sua namorada diversas vezes. Posso te culpar também, hipócrita?

- Eu sou hipócrita e você é covarde – rebateu, sentindo a raiva a cegar. – Não tem coragem de me levar para cama, apesar de ser óbvio que é o que você mais quer!

As pessoas começaram a fazer uma roda ao redor delas e Marina finalmente acordou.

- O show acabou, voltem ao trabalho. – ordenou com irritação. Ninguém se moveu. – Quem não voltar agora para seus respectivos trabalhos, considere-se demitido. Pode pegar o formulário na sala da Flávia.

Todos voltaram a correr, assustados com a ameaça de Marina.

Meirelles encarou Clara com raiva e a puxou indelicadamente pelo braço, a arrastando para o seu escritório. A porta foi fechada num baque e tudo que restou foi elas duas paradas no centro do extenso escritório, se encarando com um misto insano de emoções.

- Marina, eu...

- Calada. – ordenou.

Marina encarou Clara de perto e sem pensar muito no assunto, a puxou com força pela cintura. Seus olhares estavam pesados um sobre o outro.

- Marina... – Clara gemeu baixinho, arrancando o último resquício de sanidade de Marina.

Meirelles grudou suas bocas em um choque intenso, enfiando a mão direita nos fios loiros enquanto a mão esquerda prendia Clara pela cintura. Ela invadiu a boca da outra com sua língua, exigente e intensa.

O beijo se tornou uma guerra, elas se beijavam como se não fosse haver um amanhã, como se o mundo dependesse daquilo para continuar no eixo. A química entre elas era intensa e descomunal.

Clara sentiu o tesão ser injetado em suas veias sem piedade e ela empurrou Marina até finalmente estarem em cima da mesa de Clara, tocando-se com desespero.

Marina puxou a saia de Clara para cima com pressa e perdeu o ar ao ver que Clara estava nua.

Clara deu uma risada safada, a encarando intensamente.

- Surpresa, uh?

- Filha da puta. – xingou, puxando Clara para sentar em seu colo.

Clara respirou fundo, sentindo os dedos experientes de Marina começar a lhe masturbar.

- Deus... – gemeu, pressionando os dedos contra a pele macia dos braços de Marina.

- Sentiu minha falta? – perguntou com um sorriso debochado e arrogante.

Clara balançou a cabeça concordando, estava atordoada demais para falar.

- Marina, você pode me explicar o que... – Flávia interrompeu a própria fala em choque.

Clara suspirou pesado e contra o próprio desejo, desceu do colo de Marina, ajeitando a saia em seu devido lugar.

Marina riu divertidamente e enfiou os dedos na boca, encarando Clara profundamente.

Flavinha que havia virado o rosto para o lado, se impedindo de ver aquilo, pigarreou, incomodada com a situação.

- Isso é sério? – Flávia perguntou, ainda sem olhar para Marina.

- Pode olhar agora – Clara disse dando um risinho.

Marina respirou fundo, lutando contra a frustração da insatisfação de ser interrompida pela melhor amiga.

- Ai, Flavinha, só você mesmo...

- Marina, isso é sério. Seus associados estão lá fora pirando, dizendo que Alexia é corna.

- E não estão errados – Clara comentou com deboche.

Marina revirou os olhos.

- Ai, Flávia, você está mesmo preocupada com esse bando de criança?

- Estou preocupada com a possível repercussão disso. – retrucou com raiva. – Quero que vocês duas se acertem, mas pelo amor de Deus, Marina, seja mais discreta. Você é dona dessa firma. Está noiva. Pense nisso.

Marina assentiu e suspirou.

Sua vida de repente não parecia mais tão certa.

- Clara e eu vamos nos policiar. – limitou-se a dizer.

- Clara, me acompanhe. – Flávia pediu, dando as costas para as duas. – Agora. – enfatizou.

Clara e Marina trocaram um olhar singelo.

- Comporte-se – ordenou Marina.

Clara sorriu.

- Sempre me comporto.

Clara estava apreensiva, mas acompanhou Flávia calmamente, em completo silêncio.

Quando elas finalmente saíram da sala, Flávia fechou a porta e encarou a mais nova com acusação.

- Me desculpe. Eu ultrapassei limites – Clara pediu, sentindo o rosto esquentar.

- Eu realmente fico feliz em ver que estão se acertando.

- Eu não diria isso dessa forma, mas...

- Mas preciso que tenha cuidado para que o incidente de hoje não se repita – acrescentou, ignorando o comentário de Clara. – Controle os ânimos.

- Estou tentando.

- Vamos fazer o seguinte, jantem na minha casa hoje, podem ficar à vontade, Van e eu vamos sair e ficaremos a noite fora.

- Sério?

- Sim. Não podem ficar na sua casa e muito menos na dela. Usem a minha e economizem o dinheiro de um motel.

Clara riu.

- Você é ridícula.

- Estou te dando uma mãozinha. Mas cuidado com o que fazem juntas aqui. É perigoso, ela ainda é uma mulher comprometida. Essa empresa depende de uma boa reputação de Marina Meirelles, me ajude nisso – pediu com franqueza.

Clara assentiu.

- Seremos mais discretas.

- Sem brigas nos corredores e com plateia?

- Nunca mais.

- E se quiserem transar, pelo menos tranquem a porta, poxa – sugeriu com uma risada maldosa. – Eu vou indo. Estou cheia de coisa para fazer.

- Certo.

- Trabalhe, Clara. – exigiu.

Clara balançou a cabeça e assistiu Flávia caminhar pelo corredor para longe dela. Com um sorriso sem vergonha, entrou na sala de Marina novamente e a encarou de maneira depravada.

- Você vai jantar comigo hoje. – decretou.

Marina arqueou as sobrancelhas.

- Vou?

- Sim. Terminar o que começou.

- Você sabe que estou quase casada. Não te assusta?

- De assustada já basta você – riu.

Marina revirou os olhos.

- Estou cedendo. Não estou?

- Depois de muita enrolação.

- Chega. Jantar então?

- Sim.

- Certo – sorriu, pensando sobre como a decisão de dormir com Clara era horrível. – Não significa que voltamos.

- É só uma noite, Marina – Clara sussurrou em tom sedutor. – Só uma vez.

Marina riu.

- Com nós duas nada nunca é só uma vez?

- Está dando para trás? – provocou.

- Não. Isso também nunca acontece – sorriu com segurança. – Vamos trabalhar.

- Vai ser fácil sabendo que estou sem nada por baixo dessa saia?

- Nada nunca é fácil com você por perto.

- Devo ir para longe?

- Nunca mais. – determinou, fitando Clara com intensidade. – Nunca mais. – repetiu.

Clara sentiu o corpo inteiro arrepiar e sorriu, concordando.

- Nunca mais.

 Você vai me destruir, Clara. Marina pensou em dizer, mas lhe parecia óbvio, então limitou-se a sorrir de maneira enigmática.

Estou tentando não esquecer minhas palavras

Porque quando estou ao seu redor, eu costumo continuar mudando de ideia

Eu prometo a mim mesmo não voltar aos velhos hábitos

Porque a decepção amorosa está clara e o amor é uma vadia

 


Notas Finais


caminhando p reta final ok


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...