História O Legado Da Banshee 2- Umbral - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Annwn, Banshee, Demônio, Djinn, Elfland, Elfos, Fadas, Fantasmas, Ljossalfheim, Mag Mell, Sereias, Umbral, Vampiros
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Palavras 2.243
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Esqueça ou enlouqueça


Invisível, Bree observava Amélia. A via chorando, mas não sentia pena dela, apenas ódio. O que mais poderia sentir por alguém que a deixara para morrer? Certamente, Eva e ela haviam planejado deixá-la para trás, caso algo acontecesse.

“Essas lágrimas são poucas perto das que você derramará, Mellinha”, pensou Bree.


Amélia não conseguiu dormir aquela noite. Tentou distrair a sua mente, lendo um livro sobre as criaturas mágicas que habitam o reino feérico como unicórnios, grifos e lobos élficos. Este último, Amélia tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente porque Heather tivera um por um tempo.
    O lobo élfico era do tamanho de um gato, bem semelhante em sua aparência também, mas com fileiras de dentes pontiagudos em uma boca que aumentava monstruosamente de tamanho, permitindo, dessa forma que esse ser engolisse por inteiro um gato ou coelho se assim desejasse. O lobo élfico tinha uma membrana em formato de um triângulo invertido coberto por pontinhos negros em sua testa, essa membrana fina se movia como se o animal respirasse através dela. Alterar sua forma para a de um gato era uma estratégia comum usada por esse animal para ludibriar suas presas, em especial, gatos.
    Amélia não conseguiu se concentrar em sua leitura e andou pelo quarto de um lado a outro até se dirigir a sacada onde observou o céu estrelado. Suspirou. Como estariam os outros? Gaion? Alfie? Será que ainda se lembravam dela? Que sentiam saudades?
    Quando os primeiros raios de sol surgiram é que Amélia foi vencida pelo sono e pelo cansaço. Se jogou em sua cama e adormeceu. Não dormiu por muito tempo já que Melynda logo veio e a acordou, lembrando-a de ir ao colégio. Amélia não se atreveu a protestar, afinal, queria evitar ter problemas com seu pai, mas achava inútil continuar estudando sobre coisas as quais ela nem compreendia e nem se interessava. Em seu íntimo, voltara a sentir vontade de regressar a sua dimensão onde, mesmo as coisas não sendo um mar de rosas, ao menos, eram menos complexas. Para começar, ela não tinha que lidar com o remorso por coisas que nem se lembrava com toda clareza de ter feito.

— É impossível que eu tenha feito isso! É impossível que eu seja assim! Meu deus! Não seria capaz de trair a minha própria família ou maltratar pessoas! — Falou Amélia se encarando no espelho, ainda não conseguindo aceitar Maria.

Será que ela estava insana? Talvez a dor finalmente a tivesse vencido e a transformado em um tipo de esquizofrênica catônica. Se fosse assim, naquele exato instante, ela estaria trancada em uma sala acolchoada, encarando o nada enquanto em sua mente vivia aquela fantasia. Seria possível? Porque aquilo tudo começara como um sonho e a cada dia se tornava um pesadelo.

“Nunca esteve tão acordada”, pensou Bree que a observava.

Amélia continuava ponderando a respeito de sua situação atual.
As pistas que apontavam o quão irreal aquilo era pareciam claras…
    A começar por seu nome ou o nome que todos diziam que era seu: Ana Maria. Ana era o nome de uma tia sua que tinha uma irmã gêmea. Amélia sempre tivera um certo fascínio por gêmeas e também sempre desejara ter uma gêmea. Coincidência ela ter uma gêmea agora?

“Inconscientemente, você se lembrava da sua gêmea”, Bree pensou e estava certa de que se Amélia continuasse indo por aquele caminho, surtaria a qualquer momento.

Maria era o nome de sua avó paterna, a qual Amélia nunca conhecera, mas que ainda assim, nutria pela mesma grande respeito e carinho. Portanto, não poderia haver nome mais significativo para Amélia que aquele, Ana Maria.

“Gênia… Descobriu tudo!”, pensou Bree com sarcasmo.

Alfie assumira por um tempo a forma do irmão problemático de Amélia. Sobre isso, ela não sabia bem o que pensar, pois se Alfie, de alguma representava seu irmão, o que aquilo podia representar?

“Incesto, não, eca!”, pensou Bree.

Talvez, o desespero com que Alfie a desejasse representasse o desespero com que Amélia desejasse se entender com o irmão? Mas e a paixão de Alfie nisso tudo? Não tinha uma resposta para aquela pergunta, mas ninguém era perfeito, certo? Encontraria a resposta no momento certo.
    Próximo indício de sua teoria de Coraline e mundo secreto: A forma como era importante e desejada ali. Em sua dimensão, Amélia sempre se sentira dispensável, o tipo de pessoa que se morresse, não faria falta.
    O que Bree previra, logo aconteceu. Amélia sofreu uma crise como as que comumente sofria quando vivera com os elfos. Se tornou agressiva e revirou todo o quarto antes de sair correndo. Não foi longe, pois os guardas a detiveram. Não foi fácil contê-la, uma vez que ela estava descontrolada e insistia em repetir que precisava acordar porque sua mãe estava esperando por ela. Willard veio imediatamente e fez o possível para acalmar sua filha, mas percebeu que era em vão.

— Me soltem! Me deixem acordar e voltar para a minha mãe e para os meus irmãos! Por favor? MÃE? Mamãe? Por favor? — Gritava Amélia chorando.
— Se acalme, querida? Por favor? Se é a sua mãe que você quer ver, prometo que a trarei aqui, eu juro. — Falou Willard e quando percebeu que Amélia ignorava suas palavras, não teve escolha senão desmaiá-la, drenando uma parte de sua energia.

Willard pediu aos guardas que levassem Amélia de volta para o quarto e, Melynda, que acompanhava a confusão junto a sua mãe, decidiu acompanhar os guardas.

— Eu sabia que não demoraria muito tempo até ela surtar novamente. — Falou Miranda. — Ela voltou para nós, cedo demais.

Willard abaixou a cabeça e foi atrás de Manoel.
O mago examinou rapidamente a princesa e se voltando a Willard, disse-lhe:

— Ela começou a se lembrar.
— Sim, quando a visitei ontem a tarde, ela estava triste porque havia se lembrado de algo que não quis compartilhar comigo. — Falou Willard.
— Não é só por isso que ela está assim, majestade. — Falou Manoel pensando em como colocar Willard a par de tudo o que se passara com a princesa enquanto ela estivera com os humanos e depois com os elfos. — As coisas que vi quando a toquei… Há muita dor no coração da princesa e há também uma escuridão que se alimenta dessa dor.
— Está dizendo que… Minha filha desenvolveu um lado sombrio? — Falou Willard.
— Só que ela sempre teve um lado sombrio, querido. Ou você se esqueceu? — Disse Miranda fazendo questão de lembrá-lo.
— Como assim? A minha irmã ficará bem? Não ficará? — Disse Melynda preocupada. — Não me escondam nada! Eu tenho o direito de saber o que acontece!
— É a maldição da banshee retornando a ela. — Manoel disse sem saber como explicar de outra forma. — Só que ela ainda resiste. Some isso as lembranças desagradáveis de sua atual vida a de sua anterior e… Receio que isso pode ser prejudicial a estabilidade mental dela.

Miranda sorriu, discretamente.

— Há alguma coisa que podemos fazer por ela? — Willard perguntou.
— Por enquanto, vocês devem ser pacientes e amorosos, deixar claro que não a culpam de nada pelo que ela tenha feito no passado porque a culpa pode agravar seu estado. — Falou Manoel e olhando de soslaio para Miranda, acrescentou — Também sugiro que a mantenham afastada de pessoas que possam ter qualquer mágoa dela.
— Entendi. — Falou Willard. — Mas e quanto a mãe e as irmãs dela? Acha prudente permitir que elas mantenham contato?
— Eu não aconselharia. — Manoel disse.
— Que ridículo! Não pode afastá-la da mãe assim! — Miranda disse.
— Será um choque para a princesa se lembrar dos dias tristes que passou ao lado da irmã por causa da mãe. — Manoel disse.
— Eu sei disso, mas Christova se arrependeu por tudo. — Willard disse.
— Ela se arrependeu. — Miranda disse.
— Me perdoe pela franqueza, mas duvido. — Falou Manoel.
— Mas ela sente falta da mãe. Eu vi como ela implorava para vê-la novamente. — Willard suspirou, aflito.
— Certamente ela se referia a mãe humana ou ainda a elfa que a adotou. — Manoel falou.
— Eu vou falar com Christova! Talvez ainda seja cedo para Maria voltar a encontrá-la, mas Júlia e Vitória precisam ficar perto da irmã nesse instante. Elas sempre foram muito unidas. — Falou Willard.
— Excelente ideia. — Miranda sorriu com ideias sombrias tomando sua mente.

 

† † †

 

Christova teve uma surpresa ao abrir a porta e dar de cara com Willard.

— Willard? O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa?
— Eu posso entrar pra conversarmos? — Perguntou Willard nervoso.
— Mais é claro. — Christova disse escancarando a porta e dando passagem a ele.

Willard contou a Christova sobre a crise que a filha deles sofrera.

— Como ela está agora? Eu quero vê-la. — Christova disse.
— Sinto muito, mas não é recomendado que você se aproxime dela nesse instante. Ela começou a se lembrar e… — Falou Willard.
— Mais um motivo pra que eu me aproxime, para que ganhe seu perdão. — Falou Christova.
— Teremos que esperar para ver como ela reage. — Disse Willard. — A Júlia está? Quero que ela venha comigo para ver a irmã.
— Sim, eu vou chamá-la. — Falou Christova levantando-se.
— Espere? — Pediu Willard quando Christova se aproximava da escada.
— O que foi? — Perguntou Christova voltando.
— Por que não me disse que Maria estava aqui e que estava casada com o Kol? Você sabia que eu a estava procurando por todos os reinos. — Falou Christova.
— Mas eu pedi a Vitória que o avisasse… — Mentiu Christova. — Não foi assim que Adrian ficou sabendo onde Maria estava?

Willard não respondeu, pensativo.
Christova foi até o quarto de Júlia e encontrou a garota sentada na cama, lendo um livro.

— Se arrume! O seu pai está aqui e quer que você vá ver Maria.

Júlia ficou tão contente que nem questionou. Se apressou em trocar de roupa, pegou algumas coisas e colocou em uma mochila e foi até a sala onde o pai esperava por ela. Os dois se abraçaram e saíram juntos.
    Christova só esperou Willard e Júlia saírem para deixar Kol a par do que acontecia.

— Parece que o tempo não está a nosso favor! — Ela disse.

 

† † †


Bree se aproximou da cama de Amélia, levitando acima de seu corpo e aproximando sua face da dela. Seus olhos azuis ardiam em chamas que não se consumiam.

— Vamos ver com o que você está sonhando, Mella… — Disse Bree percebendo que Amélia gemia enquanto apertava as cobertas e virava o rosto vez ou outra, assustada.

 

|Elliot se fantasiou de Papai Noel as vésperas do natal e foi até uma praça onde acontecia uma feira. Se aproximou de uma barraca amarela e brilhante que pertencia a um comerciante rabugento e pão-duro. Encomendou um frasco de veneno falando em código com o comerciante.

— Aqui está. Você vai preparar amanhã? — Disse o comerciante entregando discretamente o frasco a Elliot.
— Não. É natal e eu detesto cozinhar. — Disse Elliot e riu, maldoso.|

 

Amélia despertou de outra visão, perturbada. Não queria mais ver nada. Só queria encontrar um pouco de tranquilidade, mas isso parecia impossível. Decidiu que não dormiria tão cedo e se esforçou para se acalmar, mas foi difícil e vez ou outra ela sofria uma crise de choro. Só melhorou quando Melynda voltou do colégio e ficou algum tempo com ela. Depois chegou Júlia e Amélia conseguiu se animar um pouco.
    Melynda deixou o quarto quando uma das criadas veio lembrá-la da aula de balé. Ficaram somente Júlia e Amélia.

— Desculpe perguntar, mas… Você é um fantasma? — Amélia perguntou a Júlia.
— Falando desse jeito parece algo assustador. — Júlia riu. — Estou morta sim, mas ainda sinto tudo o que sentia quando estava viva, então… É como se eu não estivesse morta.
— Então… A dor não passa depois que morremos? — Disse Amélia apertando a mão de Júlia.
— Não. — Júlia respondeu.
— Tudo o que eu queria era me livrar da dor. — Falou Amélia como Maria já dissera tantas vezes.
— Você disse isso e então… O mar levou você. — Disse Júlia triste.
— Me desculpe? Eu não queria te deixar triste. — Amélia a abraçou.
— Mas você também está triste. — Disse Júlia. — Deixe eu fazer como antes quando você estava triste?

Amélia recuou e a encarou.

— Deite… Eu vou cantar até você dormir? — Falou Júlia sorrindo.

Amélia se deitou mesmo com medo de sonhar novamente.

— Eu vou moldar um sonho lindo onde corremos juntas por um belo campo gramado. O papai está lá organizando um piquenique. Nós três estamos muito felizes. — Júlia disse se deitando ao lado da irmã.
— E a mamãe? — Amélia perguntou.
— Só pessoas boas, irmãzinha. Lembra? Mamãe não existe nos nossos sonhos, nem o bicho-papão. — Falou Júlia.

Amélia achou que o bicho-papão fosse Elliot por isso não perguntou nada sobre isso, mas quanto a Christova… Ela quis saber porque Júlia a considerava uma má pessoa, mas antes que perguntasse, achou que Júlia não achava que era tratada da mesma forma que as irmãs ou talvez ela culpasse a mãe por ser como era. No reino feérico, os elementais não sabiam como lidar com pessoas “especiais” e era por isso que muitas fadas trocavam seus filhos doentes por bebês humanos saudáveis. Quando não faziam a troca de bebês, abandonavam os pequeninos a própria sorte, ou os mantinham escondidos em casa – que era o caso de Júlia -.
    Amélia fechou os olhos e se deixou guiar pela canção de Júlia, logo, as duas eram apenas crianças correndo de mãos dadas em um campo gramado indo ao encontro do pai que tirava frutas e doces de uma cesta e as colocava em uma toalha de xadrez estendida no solo. Ele assobiava a mesma canção que Júlia cantava para Amélia. Aquela era uma das poucas e felizes lembranças de Júlia.


Notas Finais


Pois é, tadinha da Júlia com o peso que tem de suportar...
Bree só observando o circo pegar fogo kkkk


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