História O Legado Da Banshee 3 - Além da névoa - Capítulo 8


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Annwn, Banshee, Bellanandi, Demônio, Deuses, Djinns, Elfos, Eril, Fadas, Ljossalfheim, Lodur, Mag Mell, Psicopata, Ragnarok, Vampiro
Visualizações 17
Palavras 1.710
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Até um funeral é mais alegre


Bree dormia quando uma névoa negra invadiu seu bosque, matando suas árvores e plantas. Houve um tremor e foi isso o que despertou a Jinni que se levantou, sobressaltada. Bree se aproximou da janela e puxou a cortina, olhando através da janela.
    Uma bela e imponente deusa sombria se aproximava do chalé da jinni. Bree recuou e apanhou seu punhal que estava em cima do criado-mudo.
    A porta se abriu com um estrondo e por ela passou Eril. A rainha de Annwn olhou para Jinni da cabeça aos pés com escárnio antes de dizer-lhe:

— Só estou aqui por um motivo, e não tem nada a ver com você. Fique fora do meu caminho e não a machucarei.
— Fora da minha casa! — Bree disse sem se deixar intimidar e avançou na direção de Eril.

A rainha esperou até o último instante para se defender, lançando Bree para longe com um simples movimento de sua mão direita.

— Pensei que djins fossem mais inteligentes. — Eril disse.

Bree se levantou e lançou uma coluna de fogo azul em Eril. O fogo não a queimou, sequer a atingiu.

— Sou uma deusa. Não pode me matar. — Eril disse caminhando até o centro do chalé.
— O que você quer? — Bree perguntou.
— Se eu disser, tenho certeza de que me achará uma garota fútil. — Eril sorriu e então se agachou e tocou o piso. Bree observou que a área onde a rainha tocou, derreteu como cera, deixando um buraco escuro. — Perdi uma pérola do meu colar.— Eril disse e encarou o buraco, vendo a pérola brilhar, reagindo as outras em seu pescoço. Eril pegou a pérola e a encaixou em seu colar.

Bree reconheceu aquele colar. Ela ouvira rumores sobre ele, mas sempre pensara se tratar apenas de uma lenda.

— Legalzinho o seu bosque… Ops, eu o destruí. — Disse Eril se levantando e riu. — Sinto muito.

Bree avançou na direção da deusa empunhando sua adaga sem se importar se morreria na tentativa.

— Ah, querida. — Eril riu antes de desaparecer.

Bree parou e então girou achando que a deusa pudesse surpreendê-la ao reaparecer de repente como era típico, mas Eril retornou a Annwn, deixando uma jinni revoltada.

— Vadia! — Bree disse antes de atirar sua adaga que ficou presa na parede a sua frente.


† † †


Amélia estava parada em um canto, ainda pensando no que Suoni lhe dissera, e se perguntando se deveria ou não confiar nela.
    Os noivos foram para o meio da pista de dança quando uma música lenta começou a tocar, e alguns casais também decidiram dançar. Amélia suspirou e se afastou da multidão. Logo, aquela festa terminaria e ela teria de voltar para Kol, ou ele mesmo viria buscá-la.

“Me sinto como uma idiota, escrevendo sobre você, como se ainda estivéssemos juntos, como se você ainda me amasse, como se ainda se importasse”, dizia a canção. Uma escolha estranha para um casamento, era verdade, mas a cantora, Jasmine, era como uma Lana Del Rey dos elfos, e todos a amavam e as suas canções.

“Eu só queria gritar agora, mas sinto o choro sufocando as palavras, você não me ama, e eu também não te amo… É mentira, você sabe”.

— É um casamento ou funeral? — Amélia disse baixinho, sentindo o impacto da letra que ouvia.

“Mas por que você não diz que me odeia e que quer que eu vá embora para sempre? Por favor? Torne isso mais fácil? Me faça odiá-lo? Eu não suporto mais amá-lo, eu odeio amá-lo, oh, como eu odeio”.

— Chega! — Amélia disse começando a se sentir deprimida, mas quando estava prestes a deixar o salão, sentiu alguém agarrar seu braço, e se virou.
— Aonde vai? — Alfie perguntou.

Bastou encarar Alfie para compreender porque aquela canção a afetara tanto.

“Meu Deus! Que grande erro eu cometi quando fui embora a primeira vez”, pensou Amélia, mas sabia que agora era tarde para arrependimentos.

— Para a casa. — Ela respondeu.
— Já está em casa. — Alfie disse.
— Não. Eu quis dizer… A minha casa de verdade, com a minha família humana. — Amélia disse.
— Encontrou uma forma de voltar? Como? — Alfie perguntou chateado.
— Os silfos… Vou até Tír Na nÓg, suplicar a Paralda que me mande de volta para a minha dimensão porque estou cansada disso tudo. Achei que podia lidar com isso, que seria melhor que a droga de vida que eu tinha, mas não… Esse não é o meu lugar! — Amélia disse se contendo para não chorar.
— O que te falta? — Alfie perguntou. — Por que acho que enquanto não souber o que quer, não achará em dimensão alguma.
— Eu só quero ser eu mesma, me aceitar com todos os meus defeitos… Deixar de ter medo e de sentir que todos os meus esforços são inúteis. — Amélia disse. — Eu nunca me senti humana, nunca soube como ser uma… Mas também nunca soube ser fada.
— Porque, talvez, você seja uma elfa. Já pensou nisso? — Alfie disse.

Amélia riu, enxugando algumas lágrimas teimosas.

— Sim, com certeza, mas sou péssima nisso também. — Ela disse. — Sabe quando me senti bem de verdade? Ao lado das ninfas… E de vocês, elfos, mas… Com as ninfas… Bem… eu me sentia uma delas. Entende?
— Eu sabia que passar tanto tempo ao lado delas não seria uma boa ideia, elas causam esse efeito, está enfeitiçada! Mas acho que posso resolver isso. — Alfie disse irritado e fez uma esfera dourada surgir na palma de sua mão.
— Não! Pare? — Disse Amélia balançando a cabeça. — Não é nada disso. Não estou enfeitiçada.

Ainda desconfiado, o elfo abaixou a mão, fazendo a esfera desaparecer.

— Eu me lembrei de toda a minha vida anterior e… Agora, eu só quero esquecer porque fiz tudo errado, e mesmo quando tentei fazer o que era certo, tudo deu terrivelmente errado. — Amélia disse abaixando a cabeça.
    Seu problema sempre fora a sua beleza, capaz de enlouquecer os homens a ponto de eles a machucarem. Quando começou a se lembrar em sua segunda encarnação de todos os abusivos que sofrera por parte do padrasto, de chefes e namorados, Savannah, ainda era muito jovem e se tornou depressiva e extremamente insegura quanto a quem era. Se não fosse por Adrian, ela teria enlouquecido. Infelizmente, pela segunda vez, eles foram separados, dessa vez, não porque ela o deixou por Kol, mas porque morreu ao dar à luz a Camila.
— Está com medo, eu entendo, mas se deixar que isso te domine em vez de enfrentar, nunca se livrará desse sentimento, não importa aonde vá. — Alfie disse pegando a mão dela.
— Ninguém deveria se lembrar de sua vida anterior. — Disse Amélia e após dar um beijo no elfo, saiu correndo.


† † †


Amélia corria como se pudesse fugir das lembranças que a atormentavam. Sentiu um dejá-vú. Aquela não era a primeira vez que ela fugia, assustada. Savannah também fugira, anos antes…
    Enquanto corria, três rostos inocentes lhe vieram a mente… Uma menina ruiva como ela que aparentava ter doze anos de idade, e dois bebês gêmeos, uma menina e um menino. Seus filhos e de Kol, mas eles foram raptados por inimigos da família e nunca mais foram vistos. Não era a toa que Kol era deprimido, mas o que ele fizera para encontrar as crianças? Não fizera nada.
    Foi só quando se aproximava do chalé dos elfos que Amélia sentiu que não estava sozinha. Tinha alguém esperando por ela. A banshee parou e olhou ao seu redor, mas não viu ninguém além das árvores. Mesmo as ninfas não davam sinal de sua presença e era estranho, parecia que estavam se escondendo.

— Kol? É você? APAREÇA!

Ele apareceu na frente dela. Ela quis recuar, assustada, mas ele agarrou o braço dela, em seguida a envolveu em um abraço e sussurrou um feitiço que os fez desaparecer numa névoa negra.

— Amélia? — Gritou Alfie ao vir correndo. Ele a seguira, mas, infelizmente, não chegara há tempo para impedir que Kol a levasse.


† † †


Amélia empurrou Kol e percebeu que eles estavam na sala de uma casa que ela não reconheceu.

— Que lugar é esse? — Ela perguntou.
— Nosso novo lar, querida. — Ele abriu os braços sorrindo. — Gostou?
— Não. E eu vou embora, agora! — Ela disse se virando, porém, deu de cara com ele.
— Prefere voltar ao chalé? — Kol perguntou.

Amélia correu para o outro lado, mas ele novamente a surpreendeu.

— Você já viu os elfos como queria, eu fui bonzinho, não fui? Merecia até uma recompensa, não acha? — Kol disse, sorrindo.
— Não pode me manter aqui para sempre se eu não te amo. — Ela disse.
— Ah, eu sei que você gosta de mim ao menos um pouquinho porque… — Ele dizia antes de ser interrompido.
— PORQUE você desistiu dos nossos filhos? Por que nunca se importou com ninguém além de si mesmo? — Ela gritou se aproximando dele.
— Não fale assim? Eles eram meus filhos! — Kol disse, sério. — E eu matei quem os levou!

Amélia recuou, o encarando, sem conseguir dizer mais nada.

— Não foi sua culpa! — Kol disse.
— É claro que não porque foi SUA culpa! — Amélia gritou, imaginando que quem levara as crianças fora um dos parentes de quem Kol assassinara.

Kol virou o rosto nervoso, e Amélia percebeu que ele escondia algo.

— O que você sabe que eu não sei? FALA! — Ela disse histérica.
— Quem levou nossos filhos foi o pai da Emily. — Disse Kol. — Ele nunca te perdoou por afastá-lo dela e por isso, ele…
— Não. Não. — Amélia disse se sentindo tonta. — Isso tudo tem que ter um limite! — Ela se aproximou do sofá e se sentou, tremendo.
— Eu juro que ele sofreu muito antes de morrer. — Kol disse se aproximando do sofá.
— Por favor? Me deixe ir para Tír Na nÓg antes que eu enlouqueça outra vez? Essa dor está acabando comigo. — Amélia disse.
— É uma ilusão acreditar que se livrará disso ao voltar para o lado dos humanos. — Kol se agachou diante dela e apertou sua mão. — E não precisa sentir medo. Eu dou minha palavra que enquanto estiver comigo, ninguém te machucará.
— Já machucaram, Kol, já machucaram. Infelizmente, você não pode fazer nada quanto a isso. — Disse Amélia afastando a mão dele.
— Só porque eu não estava lá. — Ele disse com raiva.
— E agora você está… E quem me machuca é você. — Ela disse antes de se levantar e se aproximar da escada. Kol a observou até perdê-la de vista.



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