História O Legado Da Banshee 3 - Além da névoa - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Annwn, Banshee, Bellanandi, Demônio, Deuses, Djinns, Elfos, Eril, Fadas, Ljossalfheim, Lodur, Mag Mell, Psicopata, Ragnarok, Vampiro
Visualizações 25
Palavras 2.137
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Bem vinda a Tír Na nÓg!


Fanfic / Fanfiction O Legado Da Banshee 3 - Além da névoa - Capítulo 9 - Bem vinda a Tír Na nÓg!

Amélia esperou que Kol saísse de casa para tentar fugir, no entanto, suas tentativas foram infrutíferas, pois a grades nas janelas e os cadeados nas portas a detiveram. A menos que ela descobrisse como atravessar paredes, seria impossível deixar aquela prisão.

— Você já foi mais poderosa, irmã. — Suoni disse ao aparecer atrás dela.

Amélia se virou, sobressaltada. Se assustara com a repentina aparição da irmã.

— O que você faria sem mim? — Suoni balançou a cabeça, irritada.
— Veio me ajudar ou me dar uma bronca? — Amélia disse, zangada.

Suoni suspirou, cansada, e a agarrou pelo braço. Antes que Amélia pudesse empurrá-la, as duas apareceram em um portal de aurora boreal.
    Não importava quantas vezes Amélia visse aquele portal, sempre ficaria encantada porque ele era simplesmente lindo e surreal.

— Não se esqueça? É com Paralda que tem de falar e não com as sílfides ou os silfos! Eles são bonitinhos, mas inúteis, na maioria das vezes. — Suoni disse.
— Eu não acho que eles sejam inúteis, só não estão autorizados a ajudar qualquer pessoa. — Amélia disse.
— A filha do rei de Mag Mell não é qualquer pessoa! — Suoni disse com seu costumeiro tom de superioridade.
— Obrigada por ter me trazido até aqui. Jamais teria conseguido sem você. — Amélia surpreendeu a irmã ao abraçá-la.

Suoni ficou sem reação por um tempo até se recompor, voltando a pose de irmã mais velha indiferente.

— Só quero que Kol se livre daquele demônio nojento que o enganou! — Falou Suoni.
— Então é isso aquela coisa sombria de olhos violetas dentro dele? Um demônio? — Amélia disse, absorta.
— Esqueça isso. Vá antes que ele invente de aparecer aqui e te arrastar de volta para aquela prisão. — Falou Suoni.

Amélia assentiu movendo a cabeça antes de correr até o fim do portal.
    Uma ilha paradisíaca que ficava entre as nuvens, era esta a Tír Na nÓg, a terra dos silfos e sílfides, governados pela bela rainha Paralda.
    Amélia teve de andar muito até avistar um castelo deslumbrante entre colinas verdejantes. Ela teve de resistir ao impulso de parar a cada cinco minutos para apreciar a paisagem que parecia atraí-la. Tudo ali parecia ter sido feito para encantar e cativar, mas ela sabia que poderia passar anos ou séculos apenas admirando uma única planta ou flor se não tomasse cuidado, por isso, se deteve, caminhando tão rápido quanto conseguia. A névoa atrapalhava um pouco sua caminhada, e quando ela se debruçou sob um belo lago azul com intenção de tomar um pouco d’água, se deu conta de que a  névoa, na realidade, eram nuvens, e que o lago era parte do céu. Não fosse um grifo passar voando, ela teria caído e não tinha certeza se poderia voar, uma vez que não tinha controle sobre os seus poderes.
    Amélia recuou depressa e quando se virou, deu de cara com um jovem casal que a encarava sério demais. Um silfo que se vestia como um nobre da Era Vitoriana, e uma sílfide loira de traços finos e delicados que usava um vestido branco quase transparente que lembrava os vestidos das ninfas. O silfo tinha os cabelos negros, mais ou menos à altura dos ombros, e os mantinha presos com uma fita preta. Tinha uma barba bem cuidada, e intensos olhos azuis. Apesar de usar preto e de possuir asas cinzentas quase brancas, ele se parecia mais com um anjo que com um silfo.
    A sílfide também era encantadora, mas foi “ele” que prendeu toda a atenção da banshee.

— Droga! Gar! Você sempre faz isso… Sempre rouba elas de mim! — A sílfide disse parecendo zangada.

Amélia desviou o olhar rapidamente, constrangida. Ela encarara ele? Não fora sua intenção. Droga. Ele era um silfo e ela uma banshee, não podiam ser mais diferentes. E também, ela não estava ali para paquerar ninguém.

— O que uma humana faz em Tír Na nÓg? — Perguntou Gar, o silfo, ignorando a sílfide que ainda resmungava sobre ele ser irresistível a todas as mulheres.

Humana? Ele a chamara de humana? Ninguém mais a chamava de humana! Amélia se perguntava se ainda era uma.

— Precisa de ajuda, meu doce? — A sílfide perguntou sorrindo de forma doce e se colocando na frente de Gar como se para tapar o encanto que dele emanava, e ter a atenção de Amélia.
— Sim, por favor? Preciso falar com a rainha Paralda. Sou Maria Amélia do reino de Mag Mell. — Disse ela tentando transmitir segurança através de suas palavras.
— Oh! Uma princesa? Quanta honra! — Disse a sílfide alargando ainda mais seu sorriso. — Sou Lainie e é o seu o meu nome que importa já que sou conselheira real.

Gar pigarreou antes de rir e sair detrás da sílfide, exibindo suas belas e enormes asas, orgulhoso.

— Sou Gar… Chefe da guarda real, um dos silfos mais importantes daqui.

Lainie riu e balançou a cabeça, irritada, antes de também exibir suas asas translúcidas e semelhantes a asas de libélulas. Talvez não fossem tão atraentes quanto as asas semelhantes às de anjos que Gar possuía, mas eram lindas. Amélia se sentiu tentada a tocá-las e Lainie percebeu.

— Pode tocar, eu deixo. Não sou cheia de frescura como uns e outros. — Lainie sorriu por saber que sua vantagem sobre o silfo era justamente aquela, não ter receio ao contato físico.

Amélia tocou as asas de Lainie e percebeu que, embora, elas parecessem frágeis, na verdade, eram bem resistentes. Gar virou o rosto, visivelmente incomodado. Parecia que Amélia estava tocando outra parte mais íntima do corpo da sílfide em vez de suas asas.

— Não liga pra ele… — Lainie sussurrou, achando engraçado. — Ele é antiquado como a maioria dos silfos. Tocar as asas dele ou beijá-lo dá no mesmo, por isso, o recato.
— Sinto muito. Não quis desrespeitar. — Amélia disse sem graça ao silfo.

Ele a encarou, inexpressivo por alguns instantes, e Amélia teve a impressão de que ele tentava vislumbrar qualquer coisa em sua mente, felizmente, ela não conseguiu pensar em nada, mantendo a mente vazia.

— Lainie? — Gar disse se aproximando de Amélia e agarrando um braço dela sem permissão.
— Espero que não tenha medo de altura, docinho. — Falou Lainie sorrindo e agarrou o outro braço de Amélia.

Antes que Amélia pudesse questionar, o silfo e a sílfide a ergueram e voaram, carregando-a como se ele fosse leve como uma pena.
    Eles voaram rápido demais e tudo o que Amélia conseguiu ver foi nuvens e mais nuvens, embora tivesse tido a impressão que havia pessoas aladas voando entre as nuvens, rindo e falando ao mesmo tempo enquanto as moldavam. Eram as sílfides trabalhando para dar forma as nuvens e tornar o ar mais puro.
    Eles subiram rápido demais e desceram ainda mais rápido. Amélia precisou fechar os olhos para não gritar assustada. Quando sentiu o relvado úmido sobre seus pés, ela abriu os olhos e deu graças a deusa por ter sobrevivido aquele voo assustador. O alívio logo deu lugar ao fascínio pelo palácio de contos de fadas a sua frente.
    Ao sinal de Gar, os guardas que vigiavam os portões, os abriram e deixaram os três passarem. Gar e Lainie conduziram Amélia até o salão real onde a rainha estava sentada com ar imponente em seu trono, ao lado de suas mascotes, dois tigres dentes de sabre.
    Amélia se surpreendeu ao perceber que a rainha não era bem como ela imaginava que seria… Paralda não parecia ser mais velha que ela, usava um vestido branco digno de uma rainha, tinha olhos azuis e cabelos na mesma cor, longos e soltos. Tinha um ar tão jovial e descolado que a primeira impressão que dava era que uma adolescente humana tomara o trono.

— Majestade… — Gar e Lainie se curvaram perante a rainha, e Amélia seguiu o exemplo.
— Ora, o que temos aqui? Uma ruiva? Legal! Uma banshee, aposto! — Paralda disse animada.
— Sim, majestade. — Amélia disse e então ficou na dúvida se deveria mesmo se apresentar como banshee. Talvez, fosse melhor dizer que era humana. Assim, quem sabe, a rainha mostrasse boa vontade na hora de enviá-la de volta para casa.
— Hmmm… Interessante. — Paralda mordeu o lábio encarando Amélia, intrigada. — Não é uma banshee… Não ainda. Está se transformando. É por isso que deseja voltar a sua dimensão? Para evitar a transformação? Sinto em te dizer, mas não pode fugir desse dom, ele te seguirá aonde quer que vá.

“Pelo menos existem antidepressivos e lobotomia na minha dimensão”, pensou Amélia, esquecendo-se que a rainha podia ouvir seus pensamentos.

— Por que fazer isso consigo mesmo? — Paralda inquiriu sem entender. — O que você rotula como uma maldição, na verdade, é um dom. Só precisa aprender a controlá-lo.
— Me desculpe, majestade? Mas não acho que sentir a morte das pessoas seja algo bom, especialmente porque eu não posso fazer nada para impedir que aconteça. E quem dera fosse somente a morte que me atormentasse… Como banshee, todas as lembranças e sentimentos ruins me invadem. Sou a mensageira de toda dor e medo que existir. — Falou Amélia.
— Uma Leanan Sidhe veio até mim semana passada e disse que odiava trazer amor e inspiração aos outros porque esses sentimentos aproximavam as pessoas da morte. — Paralda disse. — Ontem, foi uma Fylgiar que estava deprimida por ter de acompanhar alguém desde seu nascimento até a sua morte… Ela estava triste porque se apegara a uma menina que, infelizmente faleceu jovem demais. A Fylgiar só pode acompanhá-la ao salão dos mortos e depois, outra criança nasceu e, inevitavelmente, ela foi atraída até ela como sua guardiã. Pelo menos, você não convive com as pessoas as quais pressente a morte… Salvo algumas exceções.

Amélia teve de concordar que a Leanan Sidhe e a Fylgiar sofriam mais quando perdiam alguém; a primeira porque não podia se apaixonar sem levar a pessoa à morte, e a segunda porque era forçada a ser uma guardiã e ver seus protegidos morrerem cedo ou tarde quer fosse através de acidentes ou naturalmente, a pior parte era que ela sentia quando a morte estava próxima de seu protegido, mas tal como a banshee não podia fazer nada além de avisar e lamentar.

— Prever a vida não é tão diferente de prever a morte, a Fylgiar compreende as duas coisas e continua infeliz. — Paralda disse. — Diga-me, Amélia? Tem certeza que quer voltar para a casa? Porque eu sinto que seu coração está indeciso.
— Eu preciso voltar… — Amélia disse.
— Passe um tempo em meu reino como minha convidada? Reflita sobre o que realmente deseja? E se não mudar de ideia, tem minha palavra que voltará a sua dimensão sã e salva. — Falou Paralda.
— Aceite? Por favor? Você vai adorar conhecer Tír Na nÓg! — Falou Lainie encarando Amélia empolgada.
— Eu não quero incomodar vossa majestade. — Amélia disse.
— Visitantes nunca incomodam… Pelo menos, não na maioria das vezes. — Paralda disse e se voltou a sílfide. — Você pode levá-la até um dos quartos de hóspedes, Lainie?
— Sim, será um prazer, majestade. — Lainie mal disfarçava sua felicidade porque Amélia ficaria ali mais algum tempo, e aquilo deixou Gar um pouco enciumado.

Lainie e Amélia deixaram o salão real, e Gar estava prestes a deixar também, voltando ao seu posto quando uma sílfide de pele morena e cabelos negros e cacheados irrompeu no salão. Ela fez uma breve reverência a rainha e se desculpou por entrar sem ser anunciada, e a seguir, contou o que a deixara tão nervosa.

— Eril e seu exército sombrio está percorrendo todos os reinos em busca das pérolas do tempo. — Falou a sílfide.
— Ela que venha até o meu reino… Estou esperando! — Falou Paralda nenhum pouco intimidada.

A sílfide se retirou após outra reverência.
Gar encarou a rainha, aguardando ordens.

— Onde está Nathaneal? Logan? E Balthair? Quero meus melhores guerreiros AQUI e AGORA! — Paralda disse.
— Eles estão em missões pessoais, majestade, mas os trarei o quanto antes até vossa presença. — Falou Gar nervoso por outra vez encobrir seus amigos.
— Missões pessoais? — Paralda arqueou uma sobrancelha. — Vigiando a humana, você quis dizer?

Gar suspirou e desviou o olhar. Logan e Nathaneal passavam tempo demais em companhia de Giulia, uma bruxa que estava aprendendo a projeção astral. Os dois eram apaixonados por ela, mas era Nathaneal quem possuía o coração da mortal. O próprio Gar adorava Giulia, mas em respeito ao amigo, desistira dela, contentando-se em ser apenas o amigo.

— Ora, mande uma sílfide cuidar dela? — Paralda disse.

Gar riu.

— Perdão, majestade? Mas creio que Giulia não vá gostar da companhia de uma sílfide, não depois que conheceu Lainie. — Gar estava certo, porque desde que Lainie se mostrara próxima demais a Nathaneal, Giulia sentira ciúmes e passara a ignorar a companhia das sílfides.
— Eu sinto muito por ela, mas estamos em guerra e preciso de todos os silfos aqui! — Falou Paralda. — Vá buscar eles agora!
— Sim, majestade. — Gar saiu apressado. Odiava ser o estraga prazeres e separar um casal apaixonado, mas não havia outro jeito. Eril estava a caminho de Tír Na nÓg e ela não estava para brincadeira.


Notas Finais


*Quero agradecer a minha amiga @JuliaBlaiotta por me dar seu consentimento para inserir aqui Nathaneal, Giulia (alterei estes dois nomes, especialmente o último porque já tem uma Júlia na história e não quero que ninguém confunda) e Logan que são "personagens" dela e não meus - o Gar a gente divide kkk -, e convidar vocês pra conhecerem as histórias dela aqui no site, juro que ela é um amorzinho <3 rsrs:

https://www.spiritfanfiction.com/perfil/jublaiotta/historias


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