1. Spirit Fanfics >
  2. O Legado dos Shinigamis >
  3. Situação hipotética

História O Legado dos Shinigamis - Capítulo 16


Escrita por: Dani_M_2004

Notas do Autor


Bom dia, povo. Ou boa tarde ou boa noite. Sei lá, escolhe um ai.

Capítulo pré-desgraça. Final de arco chegando, hein. É noix.

Capítulo 16 - Situação hipotética


Fanfic / Fanfiction O Legado dos Shinigamis - Capítulo 16 - Situação hipotética

Um peso do tamanho do mundo tinha saído do meu peito. Eu odiei mais que qualquer coisa ficar de briga com o Kota. Era como se eu brigasse com alguém da minha família. Fico feliz que, no final, tenhamos nos resolvido. Ele admitiu que errou mas eu também me senti culpada o dia inteiro. Acabei tocando em uma ferida mal cicatrizada, e eu não sabia se isso era imperdoável.

Quando sai correndo da escola, eu corri para onde poderia ter alguma paz: o parque. Não o que eu e Asami costumávamos nos encontrar, mas um outro, mais longe. Por mais que tudo que eu quisesse fosse o conforto dos braços dela, eu queria um tempo sozinha. E, sinceramente, não sei se queria que ela me visse naquele estado.

Sentei-me na beirada de um casinha de madeira onde as crianças subiam por um escadinha para escorregar no outro lado. Mas a maioria das crianças estavam na escola agora, então não havia nenhuma brincando. Apenas alguns idosos passeando pelo parque. Respirei fundo e tentei focar no ambiente pacífico à minha solta para me acalmar. As lágrimas pararam de surgir aos poucos.

Uma presença calorosa surgiu ao meu lado. O homem de cabelos laranjas sorriu para mim.

— Você não deveria estar na escola?

— Tio Ichigo — tentei esconder os olhos avermelhados do choro. — É que... aconteceu um situação ruim.

— Situação ruim? Hum, é. Acho que eu entendo disso — era engraçado vê-lo agachado ao meu lado. Se ele levantasse um pouco, provavalmente bateria a cabeça no teto da casa. — Quer conversar?

— A questão é que... às vezes eu fico me perguntando se eu sou uma boa amiga — suspirei. — Ou só estou me esforçando muito apenas para atrapalhar.

— Então é sobre isso? — ele fez um barulho de que estava pensando. — Sabe, Sakura. Eu vou te fazer uma situação hipotética.

— Situação hipotética?

— É, pensa assim: um dos seus amigos, qualquer um ou até todos, é levado preso para a Soul Society por algum crime, que ele provavelmente não cometeu, e se cometeu foi por uma justa causa. O que você faria nessa situação?

Eu não precisei pensar, a resposta saiu automaticamente dos meus lábios.

— É claro que eu iria... — parei. Só então eu entendi o ponto dele. — Eu iria atrás deles para salvá-los.

— Mesmo que para isso fosse necessário quebrar as leis?

— Sim — assenti. — A vida dos meus amigos é mais importante do que seguir as regras.

— Viu? — Ichigo sorriu. — Para mim, você parece uma ótima amiga. Cometer erros às vezes não te torna um amigo ruim. Apenas te torna uma pessoa normal.

— Obrigada, tio Ichigo — abri um pequeno sorriso. — Aliás, o que está fazendo aqui?

— Tava fazendo uma patrulha diária e ai eu te vi aqui — balançou a mão, despreocupado. — Falando nisso, eu preciso ir. Mas, antes, mais uma coisa, Sakura.

— Sim?

— Eu sei que as pessoas daqui mudaram muito sua vida. Mas não duvide da sua capacidade de ter mudado a vida deles também. A Aiko, por exemplo. Antes de você chegar, ela se privava de fazer muitas coisas por medo do que as pessoas pensariam. Mas, com você aqui, ultimamente ela tem sido muito mais sincera com ela mesma. Nunca a vi tão feliz.

— Poxa... — as lágrimas ameaçaram voltar de novo. — Eu não imaginava.

— Pensa nisso — disse ao se levantar, mas o homem bateu a cabeça. — Au! Telhadinho mequetrefe! — esfregou a mão na cabeça.

Eu ri. Ichigo me lançou um último sorriso antes de desaparecer com sua velocidade.

Os garotos ainda disputavam uma partida no Street Fighter. Tatsuo estava calmo e concentrado, mas Kota parecia que ia destruir o controle em sua mãos.

— Cuidado com meu controle, filho do mar! — Aiko deu um soquinho no topo da cabeça do garoto. — Se quebrar, vai comprar outro!

Nós duas estávamos sentadas na cama da ruiva, enquanto os dois estavam no chão, encostados na cama e de frente para a TV. Shin estava no meu colo brincando com dois dos bonequinhos de ação que ele tinha.

— Eu sei, cabeça de fósforo, eu sei! — disse ele sem prestar muita atenção. — Ai, Tatsuo, quando tua irmã vai chegar?

— Como assim, cara? Ela não vem, não.

Kota pausou o jogo.

— Como assim ela não vem?

— A Hana foi viajar com a minha mãe.

— Ela foi viajar?! E não disse nada pra mi... pra nós?

— Ela não é muito fã de despedidas — Tatsuo deu de ombros. — Afinal, é só uma semana. Elas foram visitar meus avós, de parte de mãe. Eu resolvi ficar com meu pai, não queria deixá-lo sozinho.

— Asami também não vem, né? — perguntei a Kota.

— Não. Foi mal, capitã, ela disse que tinha uns treinos com os vaizards que não dava para faltar.

— Tudo bem — eu me surpreendi com o tom chateado com que as palavras saíram.

— Mas o que tem de tão interessante nas casa dos seus avós? — o menor franziu as sobrancelhas. No fundo, ele não queria aceitar que Hana não viria. Estranhei, porque eles só discutiam.

— Ela quer aperfeiçoar algumas técnicas que a minha avó desenvolveu — explicou Tatsuo. Ele tirou um caderninho do bolso. — A família dela têm criado técnicas novas de utilizar as partículas espirituais há gerações. Uma delas é essa aqui que eu venho treinando — abriu o caderno. Havia páginas e páginas de tipo de hollows, suas descrições e habilidades. Como um catálogo. — Manipulando as partículas que há, eu poderia abrir um pequeno portal para o Hueco Mundo. Pequeno mas o suficiente para invocar um hollow, sem deixar que ele venha totalmente para o Mundo Real. E através das partículas espirituais, controlar o corpo do hollow para que eu consiga usar um pouco de seus poderes. Como um Cero.

— Ah — disse Kota. — como um domador de hollows!

— Isso ficou estranho, cara! — o outro revirou os olhos.

— É, esquece o que eu disse.

— São técnicas incríveis, Tatsuo — disse Aiko, animada. — Mal posso esperar para ver você usando uma delas.

— Se eu conseguir...

— Claro que vai, seu bobão — revirei os olhos. — Só você não enxerga o quão forte é.

— É de família — comentou Kota.

— O quê?

— O quê? — ele desviou o olhar. — Ai, Tatsuo, segura esse golpe! — destravou o jogo.

— Filha da puta! — o maior pegou o controle de novo. — Avisa antes!

— Sasa — disse Shin, se virando para mim. — Eu quelo pipoca!

— Oh, meu anjinho. Vamos lá fazer pipoca — levantei com ele no colo.

— Você tá mimando muito ele — Aiko revirou os olhos.

— É a função das primas — pisquei para ela.

Caminhei até o corredor, em direção à cozinha. Mas parei no meio do caminho quando senti meu celular vibrar no bolso. Segurei Shin em um braço só e peguei o celular.

Era uma mensagem de Asami. Uma selfie dela sorrindo, mesmo toda suja e suada do treino.

>Asami: Se você quer uma prova de que eu preferiria estar com você, está ai!<

Eu ri. Shin olhou para a tela do meu celular e depois para mim.

— Sua namolada! — disse e riu.

— O quê...? — corei. — Ela... ela não é minha namorada, Shin.

Balancei a cabeça tentando me recompor. Digitei uma resposta engraçada de volta antes de enfiar o celular no bolso.

Porém, as palavras do meu primo, mesmo eles só tendo quatro anos de idade, ficaram na minha cabeça a noite inteira. Todos os filmes que nós assistimos e tinha um casal, eu acabava lembrando da Asami. Eu pensava em situações que tínhamos passado juntas, como o dia do parque de diversões, em que ela não desistiu enquanto não me fez rir. Ou nossos momentos de paz no parque, balançando. Apenas lembrar dela segurando minha mão era o suficiente para botar um sorriso no meu rosto.

Nem mesmo as discussões superficiais dos meninos foram suficientes para me tirar do bom humor.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...